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WikiLeaks: a difamação de religiões como estratégia diplomática

Do Vila Vudu

Estratégia dos EUA para engajar o Brasil na difamação de religiões
Viewing cable 09BRASILIA1435 – http://213.251.145.96/cable/2009/12/09BRASILIA1435.html

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09BRASILIA1435

2009-12-22 19:07

2011-02-06 00:12

CONFIDENTIAL

Embassy Brasilia

[cabeçalho aqui omitido]

Excerto do item CONFIDENCIAL do telegrama 09BRASILIA1435
A íntegra do telegrama não está disponível.
Tradução de trabalho, não oficial, para finalidades didáticas.

ASSUNTO:
Estratégia para Engajar o Brasil na "Difamação de Religiões"[1]

1. (C) RESUMO: A posição do Brasil na questão da "difamação de religiões" na comissão de Direitos Humanos da ONU reflete a conciliação entre as objeções do país à ideia (objeções baseadas num conceito do que sejam Direitos Humanos) e o desejo de não antagonizar os países da Organisation of the Islamic Conference (OIC) com os quais tenta construir relações e que o Brasil vê como importante conjunto de votos a favor de o Brasil conseguir assento permanente no CSONU. À luz da argumentação a favor da abstenção do Brasil, proponho abordagem de quatro braços, envolvendo aproximação com os altos escalões do Ministério de Relações Exteriores; uma visita a Brasília, para pesquisar meios de trabalhar com o governo do Brasil, nessa e noutras questões de direitos humanos; outros governos que possam conversar com o governo do Brasil; e uma campanha mais intensa pela mídia e mobilizando comunidades religiosas a favor de não se punir quem difame religiões . FIM DO RESUMO.

Contexto: "Quando Direitos Humanos e ambição de chegar ao Conselho de Segurança entram em choque".

2. (SBU) Essa embaixada levantou várias vezes a questão dos votos do Brasil no Departamento de Direitos Humanos e Temas Sociais do Ministério das Relações Exteriores. A última vez foi com a chefe do Departamento Ministra Glaucia Gauch. O Brasil nunca discordou de um único argumento dos que apresentamos em outros encontros.

A resposta sempre foi a mesma: o conceito de difamar religiões é repugnante. Repugna aos valores e princípios do Brasil e é inconsistente com a legislação brasileira e a legislação internacional. Por isso o Brasil não pode aprovar e não votará a favor de resolução que proíbe que se puna quem difama religiões. O Brasil abstém-se de votar.

3. (C) Perguntada sobre por que o Brasil não vota contra a resolução, dado que a considera absolutamente inadmissível, Gauch respondeu que o país entende que a abstenção é suficiente. Na opinião do Governo do Brasil, o país assume posição baseada em princípios, mas também prática, porque não interessa ao país ofender os países da Organização da Comunidade Islâmica, sobretudo os mais poderosos como Iran, Egito, Turquia e Arábia Saudita, países com os quais o Brasil tenta aprofundar relações.

É opinião dessa embaixada que o que mais interessa à política externa do Brasil é conseguir um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU. Como resultado, o Governo do Brasil prefere não antagonizar países e grupos de países cujos votos podem ser valiosos numa futura eleição.

Abordagem de quatro braços

4. (SBU) À luz dessa realidade complicada, proponho abordagem de quatro braços no caso do Brasil, sobre essa questão. Antes de qualquer das etapas e movimentos, deve-se declarar o compromisso dos EUA com o diálogo e a cooperação, e nosso empenhado esforço para manter o Brasil como um líder e um parceiro nessa questão.

Encontros de alto nível: Ao abordar os mais altos níveis do Ministério de Relações Exteriores, é essencial persuadir o Brasil a mudar seu voto e a trabalhar conosco a favor da "Difamação de Religiões", até chegarmos a uma solução de conciliação. Telefonema da Secretária de Estado dos EUA ao Ministro Amorim das Relações Exteriores, logo depois da recente carta enviada por ela, demonstraria a importância que os EUA damos a essa questão. Também se deve abordar o vice secretário-geral do MRE ministro Antonio Patriota; e o subsecretário Burns deve abordar a subsecretária para assuntos políticos, embaixadora Vera Machado (que supervisiona questões de direitos humanos e política das organizações internacionais), o que muito ajudaria a aumentar a importância do tema na cabeça dos brasileiros (sic).

Só as abordagens nos níveis inferiores dificilmente conseguirão modificar a abordagem "em cima do muro" [orig.Brazilbs hands-off approach] dos brasileiros sobre o assunto.

Um Diálogo sobre Direitos Humanos: Uma visita dedicada exclusivamente a essa questão, seria, na minha opinião, de pouco efeito, porque o Brasil aceita as premissas de nossa objeção. Ao mesmo tempo, uma discussão mais detalhada dos nossos pontos de vista e de nosso plano de ação, com níveis operacionais e político do MRE seria valiosa.

A abordagem mais efetiva (e, no longo prazo, mais valiosa para os interesses mais amplos do Governo dos EUA) poderia incluir a questão atual na pauta de um novo diálogo regular sobre direitos humanos, ideia que o próprio MRE (pelo emb. Patriota) propôs recentemente. O contexto mais amplo de um esforço para trocar ideias e para encontrar vias pra trabalharmos mais próximos do Governo do Brasil no campo dos direitos humanos nas organizações internacionais (tratando também, talvez, de outras das preocupações dos países chaves, incluindo o Irã e a Coreia do Norte, questões sobre as quais o Brasil sempre se abstém) criariam um fórum ideal para discussões e para conseguir que o governo do Brasil apóie o plano de ação proposto pelos EUA. Essa abordagem ampla seria atraente para os brasileiros, interessados em construir parcerias com os EUA, que ajudarão a validar o desejo de que o Brasil passe a ser visto como líder internacional. Essa abordagem seria mais bem recebida que abordagem focada, dirigida só à questão da difamação de religiões.

Abordagem por outros países: Desde que chegou ao cenário internacional, o atual governo do Brasil tem tido grande cuidado para não alinhar suas políticas às políticas dos EUA. O Brasil tem em alta conta o que considera como sua posição "de ponte" entre países em desenvolvimento e países desenvolvidos, por causa de sua disposição de falar com todos os países. Minha opinião é que essa posição tende a limitar o peso das opiniões dos EUA dentro do Governo do Brasil. Porque o Brasil vê-se ele mesmo como se fosse líder no bloco dos países latinoamericanos, esses países pouco conseguirão influenciar as ideias do governo do Brasil. O mais provável é que ouçam outros países que consideram 'independentes' [aspas no orig.] dos EUA, como África do Sul, Rússia, China, Índia e França.

Ganhar o apoio para nossa posição de alguns membros da Organização da Conferência Islâmica, especialmente do Egito, Turquia e outros 'independentes'[aspas no orig.] influentes seria muito importante para que consigamos influenciar o voto do Brasil a favor da difamação das religiões. Em geral, abordagens feitas por qualquer outro país que apóie ação proposta pelos EUA servem como prova da natureza colaborativa de nossos esforços e podem ser úteis.

Aumentar a atividade pela mídia e o alcance das comunidades religiosas parceiras: Até agora, nenhum grupo religioso no Brasil assumiu a defesa da difamação de religiões. Mas o Brasil é sociedade multirreligiosa e multiétnica, que valoriza a liberdade de religião. Um esforço para difundir a consciência sobre os danos que podem advir de se proibir a difamação das religiões pode render bons dividendos. Grandes veículos de imprensa, como O Estado de S. Paulo e O Globo, além da revista Veja, podem dedicar-se a informar sobre os riscos que podem advir de punir-se quem difame religiões, sobretudo entre a elite do país.

Essa embaixada tem obtido significativo sucesso em implantar entrevistas encomendadas a jornalistas, com altos funcionários do governo dos EUA e intelectuais respeitados. Visitas ao Brasil, de altos funcionários do governo dos EUA seriam excelente oportunidade para pautar a questão para a imprensa brasileira. Outra vez, especialistas e funcionários de outros governos e países que apóiem nossa posição a favor de não se punir quem difame religiões garantiriam importante ímpeto aos nossos esforços.

Essa campanha também deve ser orientada às comunidades religiosas que parecem ter influência sobre o governo do Brasil, quando se opuseram à visita ao Brasil do presidente Ahmadinejad do Irã, em novembro. Particularmente os Bahab e a comunidade judaica, expandidos para incluir católicos e evangélicos e até grupos indígenas e muçulmanos moderados interessados em proteger quem difame religiões [sic]. [assina] KUBISKE

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[1] Há matéria da Reuters sobre o assunto, de seis meses antes desse telegrama, emhttp://www.reuters.com/article/2009/03/26/us-religion-defamation-idUSTRE52P60220090326, em que se lê: "Um fórum da ONU aprovou ontem resolução que condena a "difamação de religiões" como violação de direitos humanos, apesar das muitas preocupações de que a condenação possa ajudar a defesa da livre expressão em países muçulmanos (sic)" [NTs]. 

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Estimado Luis Nassif,

                                Parabéns por mais uma expetacular matéria, onde mais um segredo revelado pelo wikileaks e, realmente um absurdo mas não é de se estranhar de alguém que disse que tem armas de destruição em massas, tortura os presos no Iraque e carrega a bandeira da liberdade e democracia, de quem usa armas proíbidas pela convenção de genebra e proibe que alguém os conteste, de quem ameaça a soberania nacional constantemente e não pode ser contestato, de quem fornece armas que ceifaram a vida de milares e de milhões de inocentes e não podem ser contestados, aliás há aqueles leigos ou  mal informados ou mal intencionados ou não desejam v er a verdade e vivem no obscuro da escravidão mental e no silêncio do pensamento e na imposição da mídia dependente, quer dizer que hiroxima e nagazaki foi ao acaso (mais de 200.000 mil civis japoneses morreram instantaneamente fora as demais sequelas nos milhares de outros civis), os testes nucleares que foram feitos ao longo do litoral norte-americano e ceifou a vida de inocentes civis norte-americanos, a invação do vietenã em nome da liberdade e da ameaça comunista, onde mais de um milhão de civis foram assassinados, massacres como !" May Lai" onde fazenderos foram brutalmente assasinadosa em suas próprias terras, isto para alguns ignorantes no assunto é democracia, e mais o apoio dado aos tailandeses e as desavenças criadas lá, mais a guerra das duas coréias que também podemos contabilizá-los juntamente com os demais dados e mais a fome na África, sem esquecer do Apartheid Sul Africano e quem financiava,  aliás por falar de democracia e liberdade de expressão até mais da metade deste século os negros eram discriminados como seres humanos, quem assassinou John Fitzgard Kennedy, Afganestão ah ...Afganestão onde durante a invasão da ex-U.R.S.S. a CIA norte-americana apoiou, financiou, armamentou e treinou os mujaheens.....e hoje a magia se volta contra o mágico, aliás sabem quantas pessoas morreram e perderam seus próprios órgãos devido a minas terrestes.......milhões....e sabem quem é contrário a proibição de fabricação destas minas....vou deixar para os inteligentes pensarem...aliás.....as revoltas árabes.....ah..sim para alguns jornalistas racistas e que defendem convicções alheias....Egito pró-E.u.A. era tida como a nação mais desenvolvida do mundo arabe por estes jornalista cai o presidente Mubarak dai eles falam em ditadura..que engraçado e que hipocrisia, aliás Porque não se fala de quanta gente os israelenses ceifaram a vida de milhares de inocentes e fora plantado o ódio entre as pessoas, isto é democracia.......quanta hipocrisia ...ah sem falar dos refugiados palestinos (eu DISSE REFUGIADOS vieram de onde será o melhor fugiram de onde.......há alguns que pensam que eles vieram de pará-quedas e foram se refugiando...um pouco aqui e um pouco lá....bem.........daí vem aqueles que querem tampar o sol com uma peneira e desrespeitam a inteligência das pessoas, como se eles fossem inteligentes aliás, estes também, são vítimas da manipulação da mídia que recebe milhões e bilhões de dóllares em seus bolsos e colocam inocentes para defendê-los enquanto eles vivem a felicidade e esbanjam riqueza e poder nas festas. ACORDA BRASIL da CONSPIRAÇÃO feita pelos Alienígenas que não querem o bem a nação e nem as pessoas....

Parabéns a todos aqueles jornalista que realmente honraram a ética e a verdade no exercício de suas profissões.

 

"O Brasil é sociedade multirreligiosa e multiétnica, que valoriza a liberdade de religião." É isso aí. Se punimos difamação e agressões contra negros, gays, mulheres e deficientes, assim deve ser com a questão religiosa também. E os Estados Unidos que engulam seus preconceitos, seu imperialismo, sua arrogância doentia. O Brasil não está à venda!

 

O pessoal encrenca um pouco com o André Araújo porque ele nem sempre diz o que a gente quer ouvir. Mas ele está certo.
A Natália Viana, há alguns dias, publicou uma extensa matéria sobre o despreparo dos últimos embaixadores americano no Brasil.

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Afinal, quem são esses embaixadores?
Natalia Viana, 14/03/11

http://cartacapitalwikileaks.wordpress.com/2011/03/14/afinal-quem-sao-es...

Finalmente consegui fazer uma reportagem que queria há muito tempo:  um perfil dos embaixadores que assinam os telegramas do WikiLeaks e de como funciona a diplomacia americana. Uma reportagem de fundo, mais que necessária para quem se interessa por ler os documentos. Fiz a reportagem em parceria com a excelente Marina Amaral. Abaixo, a íntegra do texto.

O Brasil do embaixador Clifford Sobel é o sonho de qualquer empresário americano. Se vai à Bahia é recebido por baianas em roupas típicas e termina o dia tomando champagne na casa de Nizan Guanaes. No Sergipe é condecorado com a ordem de Aperipê e deixa-se fotografar dançando e tocando pandeiro ao lado do governador Marcelo Déda. Coleciona histórias de pescarias no Pantanal e aventuras na Amazônia para contar nas rodas de negócios em Belo Horizonte. Sente-se “em casa” em São Paulo, “lembra Nova York”, onde o embaixador faz palestras e reuniões e janta no Fasano. A mulher, Barbara, “loves the Carnival”, passados em camarotes oficiais no Recife, Salvador e no “lindo Rio”, como diz Sobel à revista Caras. Nos 9 primeiros meses de Brasil, conta à revista, o casal visitou onze Estados brasileiros e abrilhantou tantas festas que o colunista Ancelmo Góis chegou a inventar uma expressão para se referir a eles: Party Rice, ou arroz de festa.

Na casa do embaixador em Brasília, que Clifford ocupou entre 2006 e 2009, os convidados se encantam com a elegância agradável das recepções e cerimônias, e Sobel marca jantares e reuniões sigilosas com as fontes cultivadas na animada vida social. O senador Heráclito Fortes (DEM-Piauí), por exemplo, estivera com ele no camarote do governador Sérgio Cabral, no Rio de Janeiro, durante o carnaval. Meses depois, tomou a iniciativa de lhe telefonar na manhã daquele 5 de novembro de 2007 para pedir uma reunião “urgente” sobre um assunto que ele “não podia discutir por telefone”.

Ao embaixador e seu assessor militar, o presidente da Comissão de Relações Internacionais e Defesa do Senado disse que havia uma conspiração entre Irã, Rússia e Venezuela para disseminar ideologia antiamericana e armar os governos e movimentos “populistas” da América do Sul em território brasileiro. E instou para que os Estados Unidos reagissem, sugerindo uma parceria com as indústrias de armas do Brasil e da Argentina para “não atrair publicidade ligando o governo americano ao incremento da venda de armas”.

Em novo encontro, este no dia 28 de março de 2008, o senador o alertou sobre uma guerrilha similar às Farc que estaria atuando em Rondônia, a Liga dos Camponeses Pobres (LCP), “com acesso à tecnologia russa ou iraniana”, e falou sobre uma insólita infiltração terrorista estrangeira através da ONG Cepac, ligada, segundo ele, a uma “facção trotskista do PT”, que estaria atuando no seu Estado, o Piauí.

“Fortes, mais do que a maioria, está prestando atenção ao que considera ameaças emergentes dentro e fora do Brasil. Suas preocupações sobre a LCP e a Cepac parecem válidas, com base nas informações de que ele dispõe, mas nós não temos informações suficientes para avaliar a acuidade e a seriedade da situação”, escreveu Sobel a Washington.

A frase vem de apenas um dos 250 mil documentos diplomáticos vazados pelo WikiLeaks. Quase 3 mil se referem ao Brasil – 63 despachos do departamento do Estado e 2919 telegramas enviados entre 2002 e 2010 (1947 provenientes da embaixada em Brasília e 909 dos consulados de São Paulo, Rio de Janeiro e Recife). Entre esses documentos, apenas cerca de 1/5 são classificados – 468 são confidenciais e 73, secretos

Comentários picantes
Divertidos, absurdos, curiosos, e até sofisticados na visão de alguns especialistas, os telegramas constroem uma narrativa dos bastidores das relações bilaterais durante todo o governo Lula, do ponto de vista dos representantes americanos. Parte dos relatos de campo ou relatórios internos – como são chamados pelos diplomatas – surpreenderam pela superficialidade, baseados em fofocas, fontes duvidosas e análises acríticas do material publicado pela imprensa brasileira.

“Os americanos são informais, é o estilo deles, mas essa troca mais ou menos franca de informações faz parte do cotidiano diplomático de muitos países. O objetivo é transmitir as percepções do embaixador e de outros funcionários graduados aos que traçam a política externa em Washington”, explica o ex-ministro e ex-embaixador brasileiro nos Estados Unidos, Rubens Ricúpero.

Por isso, é difícil determinar o peso desses telegramas nas decisões tomadas pelo Departamento do Estado, Casa Branca e Senado, os órgãos que comandam oficialmente a política externa americana. Para alguns especialistas, o valor dos relatórios varia conforme a credibilidade e a influência do embaixador. Outros, como o professor de Relações Internacionais da PUC-SP, Reginaldo Mattar Nasser, defendem a tese de que os papéis têm “tão pouca importância quanto os embaixadores”.

“O Senado mantém seu poder na política externa, mas o Pentágono e o sistema de segurança nacional ocupam um espaço cada vez maior nas decisões. Agora, o Pentágono destina verbas para a reconstrução das nações e faz operações de ajuda humanitária, que encobrem ações militares. Tem verbas do Pentágono até para cuidar de Aids na África”, explica Nasser.

Já o pesquisador Robert Naiman, do instituto americano Just Foreign Policy, acredita que o papel dos embaixadores continua a ser “importantíssimo” para dizer a Washington “qual a verdade, qual a mentira sobre o que está acontecendo no país em que estão”. Mas, constata o pesquisador, nem sempre os relatórios são levados em conta, como mostram os documentos do WikiLeaks: “Um mês depois do golpe de 2009, em Honduras, o embaixador dos EUA, que é bastante experiente, escreveu um telegrama avaliando que o golpe fora absolutamente ilegal. O que se viu foi que a política adotada pelos EUA diferiu dramaticamente do que o embaixador disse”, afirma. Outro telegrama destacado pelo pesquisador pela “flagrante discrepância” com a política oficial foi enviado em maio de 2009, pela embaixadora do Paquistão Anne W. Patterson. Nele, Ann afirma que a estratégia americana de aumentar a ajuda econômica não vai deter a expansão do Talibã. “Esse conselho jamais foi implementado”, diz Naiman.

Não-diplomatas
Para os especialistas, o papel do embaixador perde seu peso porque dos governos americanos costumam oferecer a embaixada como um “presente” aos aliados políticos. No caso dos Estados Unidos, quase sempre esses aliados são importantes fundraisers (ou levantadores de fundos) das campanhas presidenciais. Entre os 370 embaixadores nomeados por Bush em 2006, 133 eram não-diplomatas, com parco conhecimento dos países para onde foram enviados.

“Eles (o governo americano) preferem alguém que possa pegar um telefone e ligar direto para a Casa Branca, é o sistema deles”, observa um alto diplomata do Itamaraty.

O cientista político americano Riordan Roett, autor do livro The New Brazil, lançado pela Brookings Institution Press, critica a atuação dos não-diplomatas: “Eles não levam tão a sério seu papel como profissionais. Washington sabe que vão ficar por 2 anos na carreira e depois vão embora. O que ganham é uma espécie de honraria, serem chamados de ‘embaixador’ por toda a vida. Então, são do tipo que vivem em festas e casas noturnas”, diz.

“Quarenta por cento só estão ali porque contribuíram para levantar fundos – 400 mil dólares compram um tíquete de embaixador, e os indicados políticos defendem sempre o que é melhor para o governo que os colocou lá”, completa a ex-embaixadora Ann Wright, que renunciou à carreira depois da invasão do Iraque para não ter que defender a política externa de seu país. Para a ex-diplomata, o pior é que esses embaixadores servem ao governo e não ao Estado. “Muitos não conhecem bem o país e estão apenas para implementar o que forem mandados”.

Ann, que deixou a carreira diplomática depois de 16 anos de serviço, afirma que a maioria são homens de negócios. “Seu principal objetivo é expandir seus interesses econômicos em países específicos. Muitos voltam aos países depois, porque já conheceram todo mundo – é muito benéfico financeiramente para eles”.

O amigo americano
Clifford Sobel, empresário experiente no setor financeiro e pioneiro em telefonia por internet é fundraiser do partido republicano. Ele e a mulher, Barbara, figuram entre os 241 Bush Pioneers em 2000, e entre os 221 Bush Rangers em 2004 – ou seja, levantaram pelo menos 100 mil dólares para a campanha presidencial de 2000 (pioneer), e acima de 200 mil dólares para a campanha de 2004 (ranger). A Family Sobel Foundation, dirigida por Barbara, também doou 81 mil dólares aos candidatos republicanos em 2004. Como pioneer, Sobel recebeu a embaixada da Holanda, onde ficou até 2005. Na categoria ranger em 2004, o prêmio foi Brasil, que além de “paraíso tropical”, é o segundo maior parceiro comercial dos Estados Unidos.

Quando chegou por aqui, em agosto de 2006, não sabia quase nada do país – nem entendia o português. Seus primeiros despachos mostram desconfiança a respeito de um suposto “populismo” do governo brasileiro e à sua política externa. Em 30 de outubro de 2006, comenta com ceticismo um encontro com a equipe de Lula após a reeleição: “Nossos interlocutores estavam com o espírito elevado, generosos com o mundo, incluindo os Estados Unidos. Mas sem uma mudança no alto escalão do Ministério das Relações Exteriores, ficamos em dúvida sobre a viabilidade de uma guinada das prioridades sul-sul do primeiro mandato de Lula em direção aos Estados Unidos e ao mundo desenvolvido”.

Sobel nunca conseguiu se entender muito bem com o Itamaraty, mas manteve contatos próximos com o ministro da Defesa Nelson Jobim, que considerava “o homem mais confiável do governo”, e o general Armando Félix, do gabinete de Segurança Institucional. Talvez por isso, um de seus relatórios mais “precisos”, na opinião do ex-embaixador Ricúpero seja o que avalia o Plano Nacional de Defesa do governo: “Amigos meus, que trabalham na área da defesa, disseram-me que esse telegrama foi altamente apreciado, com análise de grande competência e opiniões sensatas, apesar de terem se irritado com bobagens como chamar o submarino nuclear de ‘baleia branca’”.

Mesmo assim, Sobel saiu sem conseguir convencer o “amigo” Jobim a optar pelos caças americanos na disputa com franceses e suecos. Também falhou na missão de levar o Brasil à Associação de Livre Comércio das Américas (Alca), mas foi mais bem-sucedido quando deixou de lado os negócios governamentais e se concentrou em “estreitar as relações entre as empresas brasileiras e americanas”, como registrou um perfil sobre ele publicado na revista Exame, em fevereiro de 2008, com o título: “O amigo americano”.

Isso porque, na embaixada, ele acompanhou de perto os dois setores que lhe pareciam os mais promissores do país: etanol e telecomunicações. Empenhou-se para fechar um acordo entre a Santelisa Vale (fusão das usinas Santa Elisa e Vale do Rosário e de mais três empresas paulistas) e a americana Dow Chemical, comparecendo em caráter oficial à cerimônia de assinatura de um acordo comercial, em julho de 2007, que previa a produção de 350 mil toneladas de polietileno com tecnologia da companhia americana (o negócio foi interrompido na crise econômica de 2009). Também se interessou pelo processo que levou ao fechamento do maior negócio de telecomunicações realizado no país desde as privatizações: a compra da Brasil Telecom pela Oi por 4,85 bilhões de reais, arquitetada pela Angra Partners, que representava os fundos de pensão na Brasil Telecom, e que também comandou o processo de fusão da Santelisa Vale.

Com a vitória de Barack Obama – o candidato republicano à presidência novamente havia recebido recursos do casal Sobel – ele deixou a embaixada. Em julho de 2009, depois de muitas festas de despedida, ele saiu oficialmente do cargo, mas continuou a aparecer em companhia de sua elegante Barbara nas colunas sociais. Em agosto de 2010, por exemplo, ela organizou mais uma vez o concorrido jantar de sua Associação Américas Amigas, no hotel Hyatt, em São Paulo, para arrecadar fundos para ONG que fundou, com o objetivo de doar mamógrafos. No final do ano passado, instalaram-se definitivamente no país e, sem muito alarde, Sobel associou-se à Angra Partners, um negócio pra lá de promissor. A empresa se nega a confirmar.

Mas, procurada por CartaCapital, Barbara desfez as dúvidas neste simpático e-mail: “Decidimos continuar morando no Brasil por causa de nossos fortes vínculos com a cultura e o povo brasileiro. O embaixador Sobel se tornou sócio de um private equity group chamado Angra Partners e eu continuo à frente da Associação Américas Amigas. Escolhemos comprar um apartamento em São Paulo porque é o principal centro de negócios do país, onde estão as sedes da Angra Partners e da Américas Amigas. Estamos aqui para ficar!”.

Dilma, assaltante
O embaixador que antecedeu Sobel, o empresário republicano John Danilovich, também teve final feliz depois de servir no Brasil. Danilovich é aquele que ficou famoso por ter afirmado, em um telegrama a Washington em 22 de junho de 2005, que a atual presidenta Dilma Rousseff havia organizado três assaltos a banco e cofundado a Vanguarda Armada Revolucionária de Palmares – um erro profissional que se tornou gafe internacional depois de vazado pelo WikiLeaks.

Empresário da marinha mercante, Danilovich mantém uma relação de longa data com a família Bush. Em Londres, onde cursou mestrado e viveu durante muitos anos, organizou o apoio republicano para a eleição de Bush, o pai. Foi nomeado, durante seu governo, para o Comitê Diretor do Canal do Panamá, e dirigiu a comissão que tratou da devolução do canal, em 1999. No ano seguinte, Danilovich, importante doador da campanha de George W. Bush, foi nomeado para embaixada da Costa Rica. Em 2004, substituiu a diplomata Donna Hrinak na embaixada brasileira, onde ficou até o final de 2005.

Durante sua rápida atuação no Brasil, empenhou-se em costurar uma aliança anti-Chávez no continente, a ponto de tentar convencer o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, a ajudar a espionar o vizinho, propondo “um acordo de compartilhamento de inteligência”, como revelou um telegrama de 15 de março de 2005. Amorim, é claro, respondeu com irritação: “Não vemos Chávez como uma ameaça”.

Danilovich não desistiu. Ao Estado de S. Paulo afirmou que Chávez estava financiando a campanha Evo Morales, então na oposição, à presidência da Bolívia. Um telegrama mostra que ele voltou à carga em reunião com o General Jorge Armando Félix, no dia 4 de maio de 2005. Disse que Chávez estava “prejudicando os esforços do Brasil em ter um papel de liderança política e econômica na América do Sul”. Félix respondeu que divergia da posição do governo, mas preferia seguir a linha oficial.

Um ano depois da segunda eleição de Bush, Danilovich deixou o Brasil para assumir a liderança de uma corporação tão milionária quanto nebulosa: tornou-se CEO da Millenium Challenge Corporation, agência “independente”, ligada e financiada pelo governo americano. No período em que esteve à sua frente, entre novembro de 2005 e janeiro de 2009, ele gerenciou 6,3 bilhões de dólares de fundos aprovados pelo Congresso Americano. A missão oficial da MCC, segundo seu site, é fornecer assistência econômica a países pobres que se comprometem a seguir a cartilha neoliberal: governar com justiça, manter uma política fiscal responsável, incentivar os negócios.

Em 2008, por exemplo, o MCC bloqueou ajuda para projetos da Nicarágua em retaliação a suspeitas de fraude eleitoral por parte do governo sandinista de Daniel Ortega. Mas, em 2009, a corporação continuou a mandar ajuda para Honduras, mesmo depois do golpe que tirou Manuel Zelaya do poder, em 28 de junho.

Profissionais do ramo
Menos constantes nos telegramas vazados pelo WikiLeaks, os dois diplomatas de carreira do período Lula destacaram-se pelos bons resultados em prol das relações bilaterais. Thomas Shannon, o atual embaixador, escolhido por Obama, teve forte atuação em favor do Brasil para superar a crise provocada pela aproximação com o Irã, nos últimos dois anos. Já a diplomata Donna Hrinak, que ficou no cargo entre 2002 e 2004, teve papel fundamental para aproximar os dois países em um momento em que o governo Bush acompanhava com apreensão a chegada do operário “vermelho” à presidência do Brasil.

Filha de um metalúrgico de Pittsburgh, Hrinak havia sido vice-cônsul em São Paulo na década de 1980, e acompanhou com entusiasmo as greves do ABC paulista sob a ditadura militar. Quando voltou ao país, em abril de 2002, era fluente em português e tinha quase 30 anos de serviço diplomático – foi embaixadora na Bolívia, na Venezuela e na República Dominicana. Na recepção, um jornalista perguntou o que ela achava de Lula: “Não temos medo de Lula. Ele encarna o sonho americano”.

Durante a campanha presidencial, a embaixadora reuniu-se com Lula e com o homem escolhido pelo PT para azeitar as relações com os americanos: José Dirceu, conhecido de Hrinak desde a década de 80. Enquanto Dirceu visitava a Casa Branca e o Senado americano, em julho de 2002, levando uma cópia traduzida da “Carta ao Povo Brasileiro”, ela enviava a Washington telegramas garantindo que, se o PT vencesse, não haveria calote na dívida externa.

As vésperas do segundo turno, Hrinak e o então embaixador brasileiro em Washington, Rubens Barbosa – instruído pelo próprio Fernando Henrique Cardoso – empenharam-se em articular uma ligação telefônica de Bush, caso Lula fosse eleito. Bush ligaria caso Serra ganhasse, mas uma ligação para Lula seria um forte sinal de apoio, declararia depois a diplomata. A ligação veio poucas horas depois do resultado. “Parabéns pela grande vitória… O senhor conduziu uma campanha fantástica”, dizia Bush ao telefone.

O primeiro e único telegrama de 2002 na série vazada pelo WikiLeaks relata a primeira visita oficial de um representante do governo americano ao Brasil depois da eleição de Lula. O subsecretário de estado americano Otto Reich descreve o encontro com José Dirceu, Antonio Palocci e Aloizio Mercadante como “caloroso e produtivo” e conta que  Lula, “animado, elegante e descansado”, disse, logo de cara, que queria ter uma boa relação com Bush: “Acho que dois políticos como nós vamos nos entender quando nos encontrarmos frente a frente”. No final do encontro, Reich foi taxativo: “Nós não temos medo do PT e da sua agenda social”.

Donna havia ganhado a parada. Em dezembro daquele ano, o presidente americano receberia Lula na Casa Branca, antes mesmo da posse.

O cientista político Riordan Roett não tem dúvidas da importância pessoal da ex-embaixadora para costurar as relações bilaterais. “Ela era muito popular entre os políticos de Brasília, tinha acesso ao governo e à oposição, falava português e entendia a dinâmica brasileira”.

Ao se aposentar em 2004, Donna saiu do país com um namorado brasileiro, algumas plásticas no rosto e o bordão de que “o Brasil não é antiamericano” – que Shannon teria de repetir à exaustão cinco anos depois.

Itamaraty, o adversário
Nomeado por Obama em 28 de maio de 2009, Thomas Shannon só chegou ao país em janeiro de 2010 devido à oposição a seu nome no Senado. O republicano Charles Grassley, do estado produtor de etanol Yowa, atrasou a confirmação por Shannon defender o fim da tarifa de US$ 0,54 sobre o etanol brasileiro exportado pelos EUA.

Outros dois senadores republicanos o vetaram por sua atuação durante o golpe de Honduras. Como subsecretário do Departamento de Estado para o Hemisfério Ocidental entre 2005 e 2009, Shannon amargurou a derrota da diplomacia aos interesses comerciais de seu país. Enquanto o governo americano começou deplorando o golpe, acabou por aceitá-lo sob pressão do empresariado ligado à elite hondurenha. A opinião do próprio embaixador, como vimos, acabou sendo totalmente desconsiderada. Quando Manuel Zelaya voltou ao país e se hospedou na embaixada brasileira, Shannon se reuniu com a ministra do exterior do governo de facto, Patricia Rodas, para pedir o envio de comida e água, como registra um telegrama de 22 de setembro de 2009.

Diplomata de excelente reputação e experiente – atuou nas embaixadas da Venezuela, África do Sul, Camarões, Gabão, Guatemala e São Tomé e Príncipe, além de representar os Estados Unidos na OEA –, Thomas Shannon chegou ao país em plena crise provocada pela aproximação do governo Lula com o Irã, defendida pelo governo como parte de sua estratégia sul-sul e de defesa da equidade dos países diante do Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares. Para complicar, Lula estava de visita marcada para o Irã em maio, e o presidente Mahmoud Ahmadinejad estivera no país quarenta dias antes da chegada do novo embaixador.

Segundo o pesquisador Riordan Roett, Brasil e Estados Unidos haviam chegado a um impasse por conta de um “desentendimento típico das relações diplomáticas”, causado por uma carta sobre o assunto enviada por Obama a Lula. O pesquisador, que atribui a informação a um ex-ministro de relações exteriores brasileiro, explica: “Enquanto o Brasil pensou que era um sinal positivo (para continuar as negociações com o Irã), o pessoal de Washington a via como uma advertência para que o Brasil fosse cuidadoso”. Segundo ele, “esse mal-entendido levou a uma série de erros que culminaram no conflito sobre as sanções na ONU”.

No dia 8 de janeiro de 2010, algumas horas depois de desembarcar no país, Shannon foi procurado por Celso Amorim, que quebrou o protocolo, e iniciou a conversa, lamentando a demora na aprovação de seu nome: os dois países haviam “perdido um tempo precioso”, disse-lhe o ministro brasileiro.

Os telegramas deixam transparecer o entusiasmo da equipe do Itamaraty com a vinda de Shannon e o empenho de Amorim para explicar melhor a posição brasileira: “O Brasil pode contribuir e ser uma voz positiva em temas sobre o Oriente Médio e o Irã”, disse Amorim, acrescentando que, durante a visita do presidente Mahmoud Ahmadinejad, o Brasil manifestou sua preocupação em relação aos direitos humanos no Irã. Por fim, Amorim pediu a Shannon calma nas negociações, pois mais pressão poderia gerar resistência interna. “Está claro que o ministro do exterior está ansioso para começar a nova fase de relações entre o Brasil e os EUA. Da perspectiva brasileira, o diálogo sobre temas não só regionais, como globais, será importante”, comentou Shannon no telegrama.

O recado parece ter sido compreendido. No auge da crise, o embaixador viajou a Washington para acalmar o governo americano, como conta o professor Matias Spektor. “O fato de Shannon ter legitimidade como interlocutor foi decisivo para que isso não se tornasse crítico. E continua sendo importante agora, em que o Brasil emerge como potência internacional, e ainda não está claro como isto está sendo recebido em Washington, há uma série de interesses que sentem essa ascensão como um risco”, diz Specktor.

Shannon tem atuado no sentido que o Brasil deseja: “A partir de agora, os Estados Unidos precisam tratar o Brasil de igual para igual”, costuma afirmar.

O embaixador mostra-se, inclusive, mais sofisticado nas análises sobre a eleição presidencial de 2010 do que outros integrantes do corpo consular. Enquanto Shannon tenta relatar os fatos com sobriedade, funcionários da embaixada enviavam despachos a Washington que nem o mais fanático dos eleitores tucanos seria capaz de acreditar. A possibilidade de Aécio Neves aceitar o posto de vice na chapa de José Serra, descartada pelo senador mineiro no fim de 2009, ainda era dada como certa nos telegramas do início do ano seguinte. Sem falar no balão de ensaio de uma dobradinha Serra-Marina Silva, sustentado com entusiasmo em despachos durante o processo eleitoral.

Shannon tem se esforçado em prol das relações bilaterais, mas não tem sido fácil. O governo Obama deixou claro que não vai apoiar demandas do Brasil, como o assento permanente no Conselho de Segurança da ONU, nem acabar com a tarifa sobre a importação do etanol, outra reivindicação importante de Brasília. Além disso, alguns telegramas da embaixada revelam que nos últimos anos os EUA fizeram um verdadeiro boicote às pretensões brasileiras de ter um programa espacial e nuclear independente.

Talvez seja por isso que o vazamento do WikiLeaks tenha dado tantas dores de cabeça a Shannon. Segundo o embaixador, seu trabalho foi afetado pela quebra da “garantia de confidencialidade” que permitiria conduzir “discussões francas” e o “diálogo honesto” entre os países.

Valeu a pena?
Para alguns especialistas, porém, a publicidade dos telegramas pode, surpreendentemente, favorecer as relações bilaterais. “O benefício foi maior do que o dano”, diz o ex-embaixador Rubens Ricupero. “Muita coisa de que se suspeitava foi confirmada, como a existência de um antiamericanismo gratuito em uma parte do governo brasileiro, enquanto outros setores dentro do próprio governo se mostram mais abertos. Ou seja, não é um bloco fechado, há espaço para uma mudança psicológica que pode se refletir em uma relação melhor entre os dois países, com menos preconceitos”, afirma Ricupero.

“Para quem está lá nos Estados Unidos, saber que existem essas diferentes visões entre Ministério da Defesa e Itamaraty ou entre Itamaraty e Planalto serve como filtro para as informações que recebem do Brasil”, completa o professor Matias Specktor.

Parece ser nisso que os governos dos dois países estão apostando. Enquanto o governo Lula minimizou a importância dos documentos e a sucessora Dilma sequer comentou as revelações mais recentes, o Itamaraty se esmera em preparar a visita do presidente Obama ao Brasil, marcada para os dias 19 e 20 de março, quando ele fará um discurso histórico. “Pelo que se sabe até agora, Obama vai dizer em alto e bom som que os Estados Unidos consideram positivo o fato de um país como o Brasil, uma grande democracia, estar emergindo como potência internacional – o que tem grande peso pois contraria interesses de setores americanos”, afirma Specktor.

Será  a segunda visita do alto escalão americano neste ano – Hillary Clinton veio especialmente à posse de Dilma – algo inédito. Resta saber como a relação vai se equilibrar nessa corda bamba entre os conflitos de interesse e a vontade de aproximação. Pena que dessa vez o grande público não terá acesso aos bastidores da negociação – como permitiu o vazamento do WikiLeaks.

 

Ganha um piruluto quem concluir porque interessa tanto aos EEUU difamar a religião muçulmana.

 

Não são só os americanos os últimos a saber das coisas. Lembram do post do Azenha " Entenda o que leva a Casa Branca a ser a última a saber das coisas " ? Pois é. A " Inteligencia " americana se baseava em relatos do Mainardi, Merval Pereira, para se informar sobre as eleições de 2010. Pelo jeito os espanhóis não ficam atrás:

Do El Pais

La policía de Brasil tiene pruebas de que Al Qaeda actúa en el país

La policía de Brasil tiene pruebas de que la organización terrorista islámica Al Qaeda, Hezbollah, Hamás y otros dos grupos extremistas han actuado y lo siguen haciendo en el país al que han usado como escondite, centro de logística, fuente de captación de dinero y planificación de atentados fuera de Brasil. Los explosivos documentos de la policía han sido revelados por la revista Veja y están llamados a crear una fuerte polémica en el mundo político así como un alarme en la opinión pública.  La revista se ha servido también para su exclusiva de documentos de la CIA y del FBI... Según Reinaldo Acevedo, "los terroristas se aprovechan de las brechas que dejan las leyes brasileñas para instalarse en el país" y recuerda que la Constitución brasileña considera al terrorismo como crimen que no prescribe...

Bom, o povo brasileiro está bem adiantado em relação a imprensa espanhola. A maioria aqui já não acredita na Veja. Será que a imprensa de lá é tão tapada assim ???

 

"Será que a imprensa de lá é tão tapada assim ???":

Walter, o El Pais eh Opus Dei.

 

O EL PAIS é OPUS DEI???? Meu caro, o EL PAIS é o anti-OPUS DEI. É preciso ter alguma noção de contextos historicos. O OPUS DEI é uma prelazia oessoal do Papa, com sede em Roma,sua ligação historica na Espanha sempre foi com os conservadores, na Guerra Civil estava ao lado dos nacionalistas, quando Franco assumiu e até o fim de seu longo regime, muitos Ministros de Franco eram da Opus Dei, isso é historia, marcou o Opus Dei, visto como parte da tradiconalista e ultra conservadora Igreja Espanhola.

O  jornal EL PAIS foi fundado após a morte de Franco,  em 1976, com um projeto de renovação e modernização da sociedade espanhola, visava sacudir a poeira do franquismo e foi visto desde seu inicio como o orgão de expressão da nova Espanha pós franquista, democratica e internacionalista. Na tentativa de golpe contra a Democracia, o chamado golpe 23-F, EL PAIS foi o unico grande jornal que fez editorial contra o golpe quando este ainda não estava sufocado, tentou arrigementar os outros jornais, que recusaram. Durante o longo Governo de Felipe Gonzalez, EL PAIS era visto como defensor incondicional do

Presidente do Governo Espanhol.

A ligação historica da OPUS DEI é com o jornal rival e concorrente de EL PAIS, tambem de grande circulação, o ABC, porta voz da velha Espanha, dos pós-franquismo (Partido Popular) e da OPUS DEI.

O ABC durante o franquismo era uma especie de porta-voz semi-oficial do regime. EL PAIS é o oposto do ABC e EL PAIS não é, definitivamente, OPUS DEI, muito ao contrário.

Mas não se aborreça. Aqui neste post vc está em boa companhia. Os comentarios, com poucas exceções, estão definitivamente fora de qualquer contexto, mera catilinaria ideologica padrão.

 

Mas então qual foi do El País em dar vários destaques positivos à Lula durante seu governo, coisa que aqui jamais foi feito. Deu inclusive o título de " Homem do Ano de 2009 " para o Lula. Eu só posso concluir então que os reacionários da imprensa de lá são fixinha perto da Veja, Estadão, Globom e Folha...

 

 O texto é estarrecedor em cada linha. È preciso lê-lo inteiro.

 

enquanto eles fomentam o ódio contra religiões

o que o KukluxKlanistão fêz pelo pobre Haiti, juntinho do império do medo?

porque os kukluxtaneses não saem de seu país, com medo de serem linchados?

porque os kukluxklaneses vivem medrosamente enquanto são saqueadose desempregados pelos bilionários?

porque o presidente mubarakobama não devolve o Nobel da Paz? Quando o mamulengo assumiu o KuKluxKlanistão tinha 3 guerras e um centro de torturas em Guantánamo.

agora mubarakobama tem 4 guerras e um centro de torturas e ainda montou uma base militar na Costa Rica

para que? para poder assassinar mais gente pelo mundo afora?

mas os desgovernantes kukluxklaneses são extremamente ignorantes, burros e arrogantes (ou seja, fascistas)

a Arábia Saudita é o maior produtor de petróleo do mundo e é um estado totalmente islâmico, um reino absolutista encangado no KukluxKlanistão; será que mubarakobama vai depor o reizinho de lá e toda a família Saud, para implantar uma democracia pinochetista?

vão também puxar a escada do Qatar, Bahrein, Yemen, Emiratos Árabes, Kwait?

ou vão criar a 4a cruzada para gastar todos os bombardeiros, caças, submarinos, bombas, foguetes, drones e munição?

para repor tudo, como a indústria da morte (a única indústria que funciona no KukluxKlanistão) precisa para sobreviver

espero que eles façam isso mesmo

vão ter muitas saudades da pequenina derrota no Vietnã.

como diziam os antigos gregos:

Os deuses primeiro enlouquecem aqueles que eles querem destruir.

 

Ou o Brasil acaba com os juízes e políticos corruptos ou os juízes e políticos corruptos acabam com o Brasil. Alguém aí sabe para que servem a Polícia Militar e o Senado?

Disse tudo e mais um pouco. Ótimo!

 

Zach de La Rocha e Jon Theodore sentam a púa... no deus fdp: tio sam da igreja wall street

 

 

 

"

your god is a homeless assassin
who roams the world to save
he's digging for buried treasures
he's leaving nothing but fields of graves

the tears will fly like birds of vengeance
the sky will bury us all
the church bells will sound like sirens shrieking
the hole will be dug for the fall

through the smoke its now getting clearer
who led us into the burning theater
in through the rain of bodies and ashes
and into the courtrooms of pitched blackness
into the secret firing lines
into the barbed wire dug in around our minds

the tears will fly like birds of vengeance
the sky will bury us all
the church bells will sound like sirens shrieking
the hole will be dug for the fall

your god is dying much younger than Rome
he's killed so many he can't go home
your god's heart is a tumor now rotten
born of a blood that's never forgotten

and this is my last letter to you
I'm walking the belt way and there's something I've got to do

"

 

Maravilhoso, Fabio!!!  Quem eh esse grupo?!

 

Zach de la Rocha é o vocal do Rage Against the Machine

Jon Theodore é um estupendo batera que tocou no The Mars Volta

São artistas revolucionários.

 

Saca só...

 

"

ocean of tears rise,
rise a flame to tear them down
ocean of past crimes
now fill our hearts to tear them down

"

 

(

Nassif:  nao sei se eh so no meu computador mas a pagina esta "toda desformatada" e esta muito mais legivel!  Se possivel, deixe a formatacao assim!!!!!!!!!

)

 

Ivan, também gostei da "página grande", mas desapareceu a guia com os posts mais recentes.

 

(Ta la no fim da pagina e esta barbaro, cara!  Da uma forca ai pra essa formatacao ser permanente, vai!!!)

 

 

Os ianques e seus aliados nazistas de israel cometem as maiores atrocidades contra nossos semelhantes.

A bestialidade destes carrascos ocidentais contra os povos muçulmanos só prospera porque conta com nossa passividade.

Estamos anestesiados.

A demonização do Islã e dos muçulmanos é técnica da ditadura ianque para nos anestesiar.

 

Os ianques e os nazistas de israel não explodem a cabeça de crianças humanas... eles esfacelam os miolos de pequenos "monstros-terroristas-diabólicos". 

 

"RESUMO: A posição do Brasil na questão da "difamação de religiões" na comissão de Direitos Humanos da ONU reflete a conciliação entre as objeções do país à ideia (objeções baseadas num conceito do que sejam Direitos Humanos) e o desejo de não antagonizar os países da Organisation of the Islamic Conference (OIC) com os quais tenta construir relações e que o Brasil vê como importante conjunto de votos a favor de o Brasil conseguir assento permanente no CSONU. À luz da argumentação a favor da abstenção do Brasil, proponho abordagem de quatro braços, envolvendo aproximação com os altos escalões do Ministério de Relações Exteriores; uma visita a Brasília, para pesquisar meios de trabalhar com o governo do Brasil, nessa e noutras questões de direitos humanos; outros governos que possam conversar com o governo do Brasil; e uma campanha mais intensa pela mídia e mobilizando comunidades religiosas a favor de não se punir quem difame religiões":

E esse eh o fim do resumo.  Traduzindo:  Dado que o Brasil eh contra a difamacao das religioes e vai votar contra, a maneira de conseguir uma "posicao neutra" do Brasil, isso eh, um nao-voto a respeito do assunto, eh extensivamente lobificar os "altos escaloes do Ministerio das Relacoes Exteriores", e uma campanha "mais intensa" NA MEDIA E COMUNIDADES RELIGIOSAS A FAVOR DE NAO SE PUNIR QUEM DIFAMA MUCULMANOS.

E nao se enganem a respeito disso:  "religioes" no texto significa "muculmanos":  houve outra religiao difamada extensivamente na media mundial ultimamente?  Digamos, nos ultimos 10 anos?  Houve outra religiao?  Qualquer outra religiao difamada?

 

Exatamente Ivan. Basta substituir a palavra "religiões" por islamismo. É disso que se trata.

 

Houve e há no Brasil, religiões diurtunamente difamadas e literalmente demonizadas sem que ninguém faça algo, são as religiões ditas de origem africana.

 

É verdade.

 

Depois dessa, tem-se a explicaçao do porque há 40 anos Kadafi está no poder, e só agora a imprensa brasileira descobre que é um ditador sanguinário.

Ela, a imprensa, sobretudo a nossa, dança de acordo com o volume de dólares que dança nos cofres dessas empresas.

Depois reclamam que ditadores são os governos que querem criar marcos regulatórios para essa atividade empresarial. 

 

Destaco três trechos: 

"...e uma campanha mais intensa pela mídia..."

"...Aumentar a atividade pela mídia..."

"...embaixada tem obtido significativo sucesso em implantar entrevistas encomendadas a jornalistas..."

Fica claro que interesses comandam a mídia brasileira (PIG, como alguns denominam).

É ingenuidade achar que é apenas uma imprensa partidarizada, com preferência aos partidos de oposição ao atual governo.

É compromisso direto com interesses estrangeiros, mormente norte-americanos.

 

O texto capenga em linguagem tosca mostra a completa inadequação desse deploravel Embaixador

Informes remetidos por embaixadas a seus superiores burocraticos devem ser analisados como a visão dessa Embaixada

naquele determinado momento e sobre esse determinado assunto, essa opinião não significa de modo algum UMA DECISÃO POLITICA de Governo sobre esse assunto, a maioria desses informes não produz efeito algum e tem como destino a lata de lixo. Muitos santelmos aqui confundem um cabo de embaixada com POLITICA DE GOVERNO dos Eua, embaixadas mandam dezenas de informes por dia, pouca coisa se aproveita de fato, o Embaixador precisa mostrar serviço e dar demonstração de que está bem entrosado e informado pais aonde é acreditado, grande parte disso é espuma sem valor algum.

 

 

Desculpe, André mas, capenga anda a sua interpretação de texto.

 

"não significa de modo algum UMA DECISÃO POLITICA de Governo sobre esse assunto, a maioria desses informes não produz efeito algum e tem como destino a lata de lixo":

Mas como voce pode mentir descaradamente assim, AA, sem nem notar que a mentira esta publica demais pra passar em branco?!?!

Voce ta ficando maluco agora?  Quer dizer que um embaixador decide empurrar goela abaixo do Brasil uma politica de estado a favor da difamacao de religioes, articula, especifica contatos em media E generaliza a respeito dos religiosos agentes dele...  e o fez por si mesmo?  Ele decidiu isso por si mesmo e depois foi informar o governo dos EUA?  Porque voce nao admite que eh politica de estado dos EUA de uma vez?  Doi?

Basta olhar o que foi falado a respeito dos muculmanos nos ultimos 30 anos pra se saber disso.  Basta ver a ganancia dos evangelicos por MEDIA BRASILEIRA pra se saber disso.

Ah, sim, os evangelicos brasileiros?  Agentes externos.

 

 

Ah tá...

 

O Estadão, O Globo, a revista Veja E o ANDY ARAÚJO

 

André, se esse documento vem da espuma da diplomacia americana, como explica isso?

 

Encontros de alto nível: Ao abordar os mais altos níveis do Ministério de Relações Exteriores, é essencial persuadir o Brasil a mudar seu voto e a trabalhar conosco a favor da "Difamação de Religiões", até chegarmos a uma solução de conciliação. Telefonema da Secretária de Estado dos EUA ao Ministro Amorim das Relações Exteriores, logo depois da recente carta enviada por ela, demonstraria a importância que os EUA damos a essa questão. Também se deve abordar o vice secretário-geral do MRE ministro Antonio Patriota; e o subsecretário Burns deve abordar a subsecretária para assuntos políticos, embaixadora Vera Machado (que supervisiona questões de direitos humanos e política das organizações internacionais), o que muito ajudaria a aumentar a importância do tema na cabeça dos brasileiros (sic).

Me parece uma defesa de visão fundada em uma ação oficial de Política do Governo, não?

Não vou lhe faltar ao respeito e perguntar se você recebe jabá da Embaixada Americana no Brasil, mas tá difílcil defender essa bola!

 

 

E aonde esta essa ""difamação de religiões"" ? Mostre-nos a prova do crime.

 

 

Vixe, né que Andy defende a mídia mas não lê jornais e nem assiste TV. Agora tá tudo explicado.

Eu estava lendo as postagens com o meu marido e minha filha de 13 anos perguntou, os muçulmanos são aqueles que matam todo o mundo? E a gente, não filha, esses são os americanos e os sionistas. São esses que invadem os países e matam as pessoas para roubar tudo e vcs precisam saber disso pq eles roubam qq país. E ela, até o Brasil? E a gente, sim, até o Brasil. E aqui é a Globo que fala por eles por isso a gente não assiste esse canal.

Vc precisa de mais provas? De onde vc acha que uma criança tira a idéia de que muçulmanos são assassinos? Repito aqui o já disse no Azenha, se isso não é motivo para a cassação dessa concessão, não vislumbro motivo nenhum. O nome disso é traição a pátria e nenhum país do mundo perdoa isso. Aqui, o Governo não só mantém a concessão como patrocina a traição, com o nosso dinheiro. A conclusão lógica e, única possível é a de que o governo é refém.

O governo deveria vir a público dar explicações sobre essa parceria com uma organização criminosa. Inaceitável.

E se vc ainda tem alguma dúvida, vale lembrar as medidas que foram adotadas na França. Eu admito que vc tenha que fazer seu trabalho, André, mas trair seu país tem um preço em qq parte do mundo. O mínimo que vc pode fazer é aceitar as críticas pq isso é o máximo que nós podemos fazer... Por enquanto.

 

Minha cara, eu não defendo nada, nem midia e nem EUA, eu faço aqui o contraponto ao que é dito,aqui , há uma enorme deficiencia de entendimento de contextos, muita gente segue chavões e ideias fixas, meu papel aqui é desmanchar esss simplificações, especialmente em relações internacionais. Eu leio há 50 anos muitos jornais por dia, nacionais e estrangeiros, leio por gosto e não por obrigação, a imprensa mundial e nacional é muito diversificada, não há uma linha só como vcs acreditam, há muita diversidade. Voce não pode esquecer que a internet abriu muito o nivel de informação no mundo, a INTERNET é uma criação do Departamento de Defesa dos EUA, o Pentagono e as centrais da rede no mundo estão nos EUA. Então, eles podem ter as manias deles mas é de lá tambem que vem o antidoto. O segredo dos EUA é a plena democracia funcionando há 234 anos ininterruptamente, o maior contingente de criticos à politica exterior americana está dentro dos EUA, a contracultura americana é enorme, jornais, revistas, blogs, escritores, há muita gente nos EUA com critica a Washington, há muito mais liberdade e essa liberdade é exercida, do que há na Russia, no mundo arabe, na China, não viva de ilusões, na Democracia plena vc fala o que quiser.

 

"a imprensa mundial e nacional é muito diversificada,..."

Opa!Tira a imprensa nacional disso. Globo, Estadão, Folha, Veja, Band e etc são mais afinados entre si do que os músicos da Sinfônica de Nova York

 

Juliano Santos

André, há, pelo menos, 20 anos, os estadunidenses/sionistas, em busca de petróleo e riquezas naturais de outros países, inventam pretextos para invadir países de maioria muçulmana. Todas essas invasões foram tratadas pela imprensa como guerras e os que resistiam a ocupação estadunidense, tratados pela mesma midia como rebeldes, fanáticos religiosos. Vc sabe nos dizer pq? Vc diz que o papel da diplomacia é defender os interesses de seus países nos outros. Minha pergunta para vc é se a nossa mídia faz parte da diplomacia estadunidense.

Ainda com relação a política de difamação de religiões, e, de acordo com o que a mídia veicula acerca dos conflitos tribais e/ou religiosos nos países invadidos, fica fácil perceber a aposta. Imagine um país do tamanho do Brasil, não criado, artificialmente, como os controlados o Islã, divido em religiões.  O resto a gente já conhece... os estadunidenses, criam um cenário artifcial qq, bomba na igreja, por. ex., a imprensa faz o estardalhaço e, sutilmente, sugere a culpa do outro grupo e o caos se instala. A turma estadunidense/sionista, trata de roubar para si e seu grupo de atores, no caso religiosos a parte que interessa do território nacional e o resto fica com qq pedaço de solo seco para vendermos, de novo na mídia a idéia de que o grupo vencedor é o melhor, veja a diferença de desenvolvimento entre o Brasil oriental e o Brasil ocidental e blá bá blá... Um ditador... povo ou infeliz ou fanático... Vc não vai precisar que eu liste todas as vezes que o mundo já viu isso acontecer, né?

Deixa eu te perguntar mais uma coisa, eu não sei qtos anos vc tem mas, qtas vezes na sua vida vc já viu cenas de Campos de Concentração? Qtas vezes vc já viu pilha de corpos de judeus? Qtos documentários e produções cinematográficas sobre o holocausto judeu vc já asssitiu? Qtas fotos? Por outro lado e ainda a mesma coisa; qtas pilhas de corpos muçulmanos vc viu em 20 anos de Guerra do Golfo? Qtos filmes e documentários? Qtas fotos? Vc não viu nada e, veja, não fosse a rede e muita gente ainda estaria acreditando que os muçulmanos derrubaram as Torres Gêmeas, que a invasão do Iraque era por destruição de armas químicas, que a invasão da lLíbia é para proreger civis de um ditador sanguinário e que Chavez é um ditador só pq baniu de seu país os mercenários engravatados que trairam o seu país e seu povo. Eu posso ser ingênua mas burra, tá dificil.

Sabe o que espanta, André é o pouo crédito que esse povo dá a inteligência das pessoas. Já tá mais do que na hora de mudar a estratégia. Não está funcionando.

 

Provas do crime:

Veja esse video, que deixei abaixo, da TV Al Jazeera árabe em 2006, com o depoimento de Wafah Sultan, síria e naturalizada nos EUA desde 1989.

Na verdade, recebi esse video legendado em português por email há poucos dias, e depois achei no youtube, o que significa q o trabalho de difamação no Brasil já começou.

As declarações polêmicas dessa mulher, justificando as guerras do Afeganistão e Iraque, apareciam tanto na CNN quanto na Al Jazeera. Ela sempre morou em Los Angeles, de onde fez essa entrevista do video. No link a seguir um pouco sobre ela:

http://en.wikipedia.org/wiki/Wafa_Sultan

Esse trecho da entrevista na Al Jazeera foi extraída para destaque e ampla divulgação pelo MEMRI: Middle East Media Research Institute. Sobre esse instituto, prefiro não falar nada e deixar que vc mesmo veja:

http://www.memri.org/assistingamerica/

 

Esqueci de citar!

Filmes, seriados, treinamento de corpo militar e policial, jogos de tiro, discursos de religiosos e jornalitas, todos, colocando sempre os muçulmanos como ignorantes, fundamentalistas, ignorantes e fóbicos aos costumes ocidentais. Portanto, nocivos ao estilo de vida ocidental (EUA).

Quer mais ação política, disfarçada em na maioria das vezes como cultura, do que isso? Com todo respeito que tenho à sua cultura, como diria Paulo Freire, se ela vem desvinculada de criticidade então é vazia. Apenas reproduz o que aprendeu.

p.p1 {margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; text-align: justify; font: 12.0px Helvetica} p.p2 {margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; text-align: justify; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px} p.p3 {margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; text-align: right; font: 12.0px Helvetica} span.s1 {letter-spacing: 0.0px}

“Quem pensa certo está cansado de saber que as palavras a que falta a corporeidade do exemplo pouco ou quase nada valem. Pensar certo é fazer certo.” (p. 34)

 

p.p1 {margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica} span.s1 {letter-spacing: 0.0px}

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia. Saberes necessários à prática educativa. Coleção Leitura, 1ª. Edição, São Paulo: Paz e Terra, 1996.

 

Oito funcionários da ONU mortos por manifestantes islâmicos em represária a ação de um fundamentalista cristão americando que queimou o Corão em serimônia religiosa nos EUA. Não aconteceu nada com o incendiário. Quer mais alguma prova?

 

Fantastico. A Embaixada em Brasilia pilotou o pastor na Florida e o massacre no Afganistão, que coisa impressionante.

 

André, um pouco mais de boa vontade!

Sua afirmação não faz sendido ou não quer fazer sentido. Sinto minha inteligência ofendida em ter de dizer isso, mas... Lógico que não há uma relação direta entre a Embaixada em Brasília e o pastor da Flórida. A questão é muito mais grave. Foi uma ação individual mas que é resultante de duas coisas graves. A cultura anti-islâmica desenvolvida pela "cultura" americana (rádio, tv, filmes, discurso político, discurso religioso, etc) ao qual o Governo, não oficialmente, sanciona ao não fazer nada ou não se esforçar para muda-la. E a própria ação do Governo Americano ao simplesmente propor, no que o Brasil se absteve de apoiar ou repudiar, anistiar pessoas que ofendam religiões (acho que não necessito sitar que religiões=islamismo, preciso?).

 

Meu caro, eu fiz uma pergunta , aonde alguem viu essa operação de ""difamação de religiões"" no nosso Pais, por ação da Embaixada americana, foi isso que perguntei e vc respondeu com o massacre do Afganistão, que não tem nada a ver com minha pergunta. Se a dedução é que os telegramas da Embaixada são coisa real, como é que ninguem viu essa ""difamação"" por aqui?

 

André, você leu o documento? Ele não fala positivamente em difamar religiões. O objetivo é quebrar a cultura de se punir quem o faça, ou seja, abrir juridicamente o caminho para que se possa difamar religiões sem que se seja processado por isso.
A idéia é simples: dizer que punir a difamação de religiões atenta contra a liberdade de expressão. Hoje, se você publicar um artigo dizendo que o islamismo incentiva o terrorismo, você pode ser acusado de difamação, intolerância e ser processado. O objetivo dos EUA é forçar o Brasil a aceitar esse tipo de manifestação.

Agora experimente criticar a política de assentamentos israelenses (crítica política, portanto, e não religiosa) e veja quantas acusações de anti-semitismo você vai receber...

 

E mostrenos o que aconteceu de concreto no Brasil com relação a isso.

 

Concretamente o Brasil deu um voto descriminatório contra uma nação de maioria islâmica.

Olhe para o lado... e só verá escroques defendendo os eua.

 

Toda vez que a imprensa nacional dá repercussão à visão americana. Toda vez que chamamos o terrorismo internacional que os americanos fazem de "Guerra ao Terror" estamos dando voz a essa visão. Toda vez que nos calamos quando deveríamos ter repudiado ao pedido de anistia aos que cometem ofença contra religiões, estamos dando voz à esta visão. 

“Onde se queimam livros, acaba-se queimando pessoas” Otto Busch

 

Há muita critica a ação americana anti-terrorismo em toda a imprensa mundial, inclusive a brasileira. Não há essa unanimidade. Os EUA fazem muita bobagem nesse campo, muita gente acha isso, inclusive eu, os EUA são muito criticados até pela imprensa conservadora mundial, não tem essa da imprensa apoiar os EUA em bloco.

 

Da mesma forma que você não vê como apoio o simples fato de chamar as ações americanas em países islâmicos de "combate ao terror" (eu chamo de terrorismo sancionado), eu não vejo essas críticas vindas da imprensa nacional a estas mesmas ações. Não se trata, ao meu ver, de um apoio franco e aberto, mas velado e sorrateiro. As críticas a que se refere, ou se dão da mesma forma ou não acontecem. Pode ser um caso de miopía de um ou de outro (até de ambos), mas qualquer um que se diga civilizado se vê chocado com a desfaçatez americana no intuito de manter seu potentado, suas benesses e sua indústria armamentista.

Terrorismo é uma "estratégia-política, por excelência", que consiste no uso de violência física e psicológica, em "tempos de paz(ou guerra não - declarada)".

Lógico que o argumento americano é que estão em guerra contra o "Terrorismo", vejo isso como um argumento esdrúxulo para legitimar suas ações unilaterais de invação e domínio territorial. É cinísmo internacional apoiar este tipo de argumento.

 

"Não vou lhe faltar ao respeito e perguntar se você recebe jabá da Embaixada Americana no Brasil, mas tá difílcil defender essa bola!"

Não, não é da embaixada, é do Pentágono (rsrsrsrs):

http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/os-trolls-do-pentagono

 

Muito lógico...

Quem sabe mesmo explicar a Política de Estado ianque e tem legitimidade para isso é o André Araújo.

O relato da embaixada estadunidense, que expõe claramente que difamar religiões é uma Política de Estado ianque, não passa de um engano.

 

Pior que isso Fabio!! Segundo o AA os diplomatas americanos não passam de uns fanfarrões inúteis a procura de atenção e que querem mostrar serviço para os patrões. Bom roteiro para uma comédia tipo "Loucademia de Embaixadores", não?