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WikiLeaks e o sanatório geral da campanha de 2010

Os novos documentos do WikiLeaks, sobre as eleições de 2010, mostram o enorme despreparo do corpo diplomático norte-americano em acessar as fontes corretas.

Os diplomatas se deixaram envolver pelo coro da velha mídia como um leitor classe média desinformado.  Nenhuma visão estratégica, nenhuma discernimento para separar torcida de análise e a inacreditável ingenuidade de considerar Diogo Mainardi como “renomado colunista político” – apenas um repassador de recados e de dossiês de Serra, utilizado por ele para atacar inimigos e jornalistas.

Mas dá uma boa ideia de como a vontade se impõe sobre os fatos e gera erros rotundos de análise.

Até agora é o melhor documento sobre a loucura que tomou conta da velha mídia, indo comer nas mãos de Serra. Uma fantasia na qual se meteu uma dúzia de jornalistas, julgando que com seus veículos à mão - em uma fase de transição em quase todos eles - se tornariam os novos donos do Brasil.

Serra se cercou de um conjunto de jornalistas, para jornalistas, políticos sem conhecimento mínimo sobre o jogo político, meros torcedores sem capacidade de análise prospectiva, sem discernimento para entender sua (do Serra) própria incapacidade analítica, e, com eles, criou um mundo virtual. Machado de Assis se esbaldaria com essa versão contemporânea de "O alienista".

QuaQuando se deu conta de que os fatos não batiam com as análises, a corte de Serra passou a espancar os fatos resultando na campanha jornalística mais irracional da história recente do país. Só restaram escândalos diários para suprir os erros de análise.

Em seu “Ciência e Demência” Olavo de Carvalho traça um cenário clássico desse tipo de piração coletiva de intelectuais  e subintelectuais, quando os fatos teimam em desmentir suas teses. Por não pode abrir mão da teoria - porque ela os consagrou - passam a desenvolver teses para provar que os fatos não existem, são meras alucinações.

Por exemplo, Serra – cuja incapacidade de análise política hoje em dia é uma unanimidade (especialmente no seu partido) – diz a Mainardi, durante um almoço, que Marina Silva seria a vice de seus sonhos, porque tem uma história bonita como a de Lula. Pronto. A embaixada informa que Mainardi reproduziu todos os argumentos de Serra em sua coluna na Veja – aliás, foi um dos pontos ridículos da campanha, na qual um colunista sem familiaridade com a política recebe a receita do bolo de Serra e se propõe a ser o padrinho de uma chapa presidencial impossível. Era o poder que emanava de quem considerava estar falando com Deus.

Desde meados de 2009, qualquer analista político competente sabia que Aécio jamais aceitaria ser vice de Serra. Esse quadro ficou óbvio em dezembro, quando Aécio anunciou oficialmente sua desistência de qualquer tentativa de impor seu nome – a presidente ou a vice – e  lançou sua campanha para senador. Ainda se poderia acreditar nele para presidente, jamais para vice de seu verdugo.

No entanto, a embaixada se baseia em “insiders” – Mainardi e Merval Pereira (!) – para sustentar que Aécio aceitaria ser vice, sim.  Aécio anuncia formalmente estar fora da disputa. Mas a embaixada, em conversa com o notável analista político Mainardi, sustenta que ele irá aguardar até... março para aceitar a indicação para vice.

Qual a outra grande fonte da embaixada que confirma a informação? O delegado Marcelo Itagiba, claro. No início de 2010, também garantiu que Aécio terminaria vice de Serra. O brilhante Itagiba é mais contundente: se Aécio perceber que a vitória de Serra não está assegurada, aí ele aceitará ser o vice. Só um completo alienado poderia supor um Aécio indo para o sacrifício por Serra.

Ou seja, um conjunto de pessoas intimamente ligadas a Serra, despidas de qualquer capacidade mais profunda de análise, comendo na mão de Serra e tratando como análises definitivas o que não passava de sonhos desconjuntados e impossíveis do próprio Serra. E essa loucura tornou-se o fio condutor da cobertura da velha mídia.

Por aí dá para entender a maluquice da velha mídia de jogar todas suas fichas no desastre político de Serra. Eles acreditavam piamente no que escreviam sobre as possibilidades de Serra porque só no final da campanha perceberam que estavam nas mãos de um alienado.

Muitas vezes escrevi como esse desequilíbrio da informação era um dos principais fatores do custo Brasil, por conduzir a erros decisões empresariais e políticas. No episódio em si, as maiores vítimas foram os próprios jornais.

Quando sai das fontes midiáticas e passa a falar com deputados, como Otávio Leite Rio (PSDB-RJ) e Rodrigo Maia (DEM-RJ) os relatos ganham um pouco mais de consistência. Eles mostram a quase impossibilidade de Aécio aceitar a vice candidatura ou de Marina apoiar Serra no segundo turno.

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105 comentários

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Nassif, é por causa de excelentes comentários como este que sou uma frequentadora habitual de seu blog. Este comentário, em particular, está inspiradíssimo. Ninguém antes definiu melhor essa tropa de comentaristas pró-Serra. Não são jornalistas "apenas repassadores de recados e de dossiês de Serra, utilizados por ele para atacar inimigos e jornalistas."

E a situação por eles gerada durante o proceso eleitoral não tem melhor denominação que a de um "sanatório geral".

Parabéns pelo comentário.  

 

Se um dia estiver uma anta, jamais colocarei o nome dela de diogo mainardi, a anta ou qualquer outro animal não merece um tratamento baixo e vil como esse. E ainda conheço pessoas que se dizem "informadas" por ler QUENOJO mainardi, informadas, não, ENFORCADAS.

 

Nassif,

as histórias do PiG e da direita que vão emergindo da campanha de 2010 são tão horripilantes que merecem um livro. Por que você não escreve essa história?

 

O negocio funciona assim: quando acertamos, qualquer pessoa minimamente informada, competente ou sei la o quê deveria saber que acertariamos, ou entao lhe falta capacidade de analise; quando erramos, ai é um Deus nos acuda atras de uma desculpa (e sempre se encontra uma). Capacidade de analise, afinal, nunca nos falta...

Serra, gostem dele ou não, tem uma biografia, oras. Que não desapareceu no ar porque perdeu uma eleição, tanto que seu futuro politico, ainda que incerto, permanece em aberto. Pegou na reta uma neofita em politica, desarticulada como ela so, que fez carreira no serviço publico por conta das boas relaçoes com politicos (o que, no fim foi o que lhe valeu a indicação para disputar a presidencia) e apostar nela era a barbada do pareo? Dilma, candidata, era fraquissima. Pra avaliar melhor isso, basta imaginar o que provavemente teria acontecido se tivesse perdido. Voltaria no dia seguinte a ser so uma burocrata obscura, empregada como secretaria em algum Estado ou prefeitura governado por petistas, onde sumiria do noticiario. Por si so, por aquilo que ela propria construiu ao longo de sua vida, nao poderia almejar muito mais do que isso.

Serra foi inabil no seu embate com Lula, porque essa foi a verdadeira disputa em 2010. (Dilma, sem o dedaço de Lula, nao seria sequer a candidata do PT.) Lula emplacou o seu plebiscito, enquanto Serra falhou em levar a disputa pro terreno da comparação de biografias. Dito de outra forma: Lula conseguiu fazer a disputa ser entre ele e Serra, não entre Serra e Dilma. Ponto pro ex-presidente. Se Serra tivesse mostrado ser um politico mais habilidoso, ou caso fosse mais carismatico, e tivesse anulado a estrategia de Lula, seriam os do outro lado que estariam agora dizendo que Lula cometeu um erro grave ao passar por cima do PT e indicar um poste como sucessor. E os deste estariam procurando desculpas...

 

Roberto Veiga (domingo, 13/03/2011 às 19:32, segunda-feira, 14/03/2011 às 05:58 e segunda-feira, 14/03/2011 às 13:32),

E há ainda um outro ponto que eu penso que você deixa escapar na sua análise. Não vi ainda um estudo sobre a importância do estilo e do conteúdo da ação do chefe de executivo no modelo gerencial posto em prática pelo governante de plantão. Tenho certeza, entretanto, que pouco pode fazer um homem público para alterar a marcha resoluta e indeclinável do aparelho burocrático estatal. Todo o ano, um ano antes, você sabe quanto, como, quando e onde o estado gastará no ano seguinte. Que diferença faz se no comando da nação tem-se um gênio das finanças mundiais, ou o presidente do sindicato de São Bernardo? A carga tributária de 30%, 40% e em alguns países até 50% do PIB, permitindo gastos até maiores do que isso, constitui o fator mais importante a moldar a economia e a sociedade de um país.

Sobre essa questão diferenças de estilos de governo e diferenças nos resultados alcançados, recomendo uma leitura dos comentários que enviei junto ao post “O custo de um estilo” de terça-feira, 08/02/2011 no blog de Alon Feuerwerker e que pode ser visto no endereço indicado a seguir:

http://www.blogdoalon.com.br/2011/02/o-custo-de-um-estilo-0802.html

E para finalizar, a sua crítica a existência do candidato “poste” em uma democracia tem o meu apoio. Não creio que ser ou não um candidato poste faça muita diferença sob o aspecto administrativo, mas acho que faz diferença sob o aspecto da democracia. Como você disse muito bem, assim a democracia é conspurcada. Não posso, entretanto, deixar de dizer que para mim aqui você faz a crítica que eu chamaria conspicuamente perfunctória. Qual é a razão da existência dos candidatos postes? Essa é a pergunta a merecer maior atenção.

Tenho a minha explicação. Primeiro deve-se observar que nos municípios, eles são menos comuns. Das disputas eleitorais para as prefeituras das grandes capitais do país em 2008, o único candidato post foi o Márcio Lacerda. Fora o passado comum com Dilma Rousseff e Fernando Pimentel, a candidatura de Márcio Lacerda, sem nenhuma tradição na política, foi um arranjo que envolveu todas as forças políticas mineiras, mas quase era derrotado por um político sem tradição que se apresentou como um caipira.

Interessante que o próprio Fernando Pimentel era um poste. Virou prefeito porque em uma deferência com o PT, Célio de Castro o escolheu como vice e tendo sofrido o aneurisma teve que ceder o cargo para Fernando Pimentel. Que para ganhar na disputa em 2004 contra João Leite, um evangélico, teve que apelar para a santa. E que se ressalve. Há muito tempo eu defendo a tese que o melhor administrador público para chefe de executivo é alguém que já passou por qualquer Secretaria da Fazenda. Sempre achei Fernando Pimentel sem carisma, mas tinha em conta que a experiência dele como secretário da Fazenda da Prefeitura de Minas Gerais na gestão de Patrus Ananias de 1993 a 1996 e de 1997 a 2000 na gestão de Célio de Castro o fazia o mais preparado para ser prefeito de Belo Horizonte.

Aécio Neves também era um poste. Na eleição de 1992, para prefeito de Belo Horizonte, desempenhou papel igual ao de José Serra na disputa pela prefeitura de São Paulo de 1996. José Serra contando com o apoio do presidente e do governador do Estado e do Plano Real. Aécio Neves contando com o apoio do governador Helio Garcia e do presidente Itamar Franco.

Sem esquecer a influência da deflagração dos planos econômicos nos anos de eleição, o fator que fez surgir a figura do post na política brasileira, além das ocorrências localizadas e esporádicas, foi a coincidência da eleição de presidente da República com a eleição de governadores. No modelo antigo com eleição para presidente da República de cinco em cinco anos, essa coincidência só ocorreria de vinte em vinte anos. A coincidência das duas eleições e o fato da disputa eleitoral para presidência da República centralizar entre um candidato do PT e outro do PSDB, partidos críticos às lideranças carismáticas reforçou a possibilidade do surgimento dos candidatos postes.

Porque Rosinha foi eleita governadora do Rio de Janeiro. Porque Anthony Garotinho fora na mesma eleição candidato à presidência da República.

O PSDB passou a dominar a política paulista com o fato do candidato a presidente da República do PSDB ser de São Paulo. Domínio que ainda foi facilitado pelo fato do partido conseguir evitar que saíssem como candidatos à presidência da República outros políticos de São Paulo, salvo se oriundo do PT. Mario Covas que era o político mais carismático do partido quase perdeu para Francisco Rossi, no ano do Plano Real e disputando pelo partido que tinha o candidato à presidência da República de São Paulo e com mais possibilidade de vitória. Com a vitória no primeiro turno de Fernando Henrique Cardoso, a vitória de Mario Covas no segundo turno foi facilitada.

Bem, agora penso que terminei. Nada obsta, entretanto, que se me surgir uma ou outra idéia pertinente a essa discussão eu venho até aqui para a comentar. Ou então, o que eu fazia muito nos blogs antigos de Luis Nassif, no Projetobr e no Ig, venho aqui para deixar um link para um post ou artigo que tenha dado continuidade a essa discussão.

Clever Mendes de Oliveira

BH, 17/03/2011

 

Roberto Veiga (domingo, 13/03/2011 às 19:32, segunda-feira, 14/03/2011 às 05:58 e segunda-feira, 14/03/2011 às 13:32),

E para manter um pouco o nível de discordância com os seus bons comentários em especial com o segundo comentário em réplica à primeira resposta de Luis Nassif, eu volto a lembrar que você encerra esse segundo comentário enviado segunda-feira, 14/03/2011 às 05:58, superestimando José Serra e subestimando Dilma Rousseff. E o faz com base no que seria a Dilma Rousseff em caso de derrota e o que é o José Serra mesmo sendo derrotado.

Você tem um tanto de razão no seu argumento. Há em meu entendimento, entretanto, circunstâncias atenuantes. Como eu disse, você não deu relevância ao fato de José Serra ser um representante de São Paulo, um estado hoje representado apenas por duas correntes: ou se é PT ou se é PSDB. Trata-se de situação bem diferente da vivida pelo estado de São Paulo que veio na eleição de 1989 com cinco candidatos (Lula, Mário Covas, Ulysses Guimarães, Afif Domingos, Paulo Maluf) e ainda teve Fernando Collor entrando pelo costado.

Você também não deu relevância ao fato de José Serra ter entrado na política como um poste há muito mais tempo, mais precisamente em 1986, pela porta do Plano Cruzado que fora aberta na condição ou com a restrição de não deixar o PDT entrar, partido da então mera servidora pública subalterna Dilma Rousseff.

E há ainda um outro aspecto que você não considera no seu argumento. Do mesmo modo que ganhar uma eleição não identifica os méritos ou qualidades de um candidato como você bem o lembrou, também o fato de uma pessoa se tornar desconhecido após perder uma eleição não é indicativo dos méritos ou deméritos do candidato.

Em meu entendimento, o modelo democrático não pode ser comparado com os modelos monárquicos, onde era perfeitamente possível por razões hereditárias que um completo incompetente alcançasse o poder maior de uma nação. No sistema democrático não. Salvo em situações especiais como a implementação de um plano em vésperas de eleição anestesiando a consciência política da população, é necessário pelo menos um mínimo de competência para a pessoa ser escolhida a representante de um partido e com esse mínimo de competência ganhar uma eleição.

Reconheço que a competência de Dilma Rousseff decorreu apenas do “quem indica” ou do “dedaço” de Lula. Esse “dedaço”, entretanto, não abarca todo o processo. E teve o processo eleitoral também. É verdade que o processo eleitoral brasileiro, centrado na propaganda eleitoral gratuita, mais parece uma novela de televisão. Enfim, há méritos na vitória e há deméritos na derrota, mas há também milhares de circunstâncias que não podem ser desconsideradas nos processos avaliativos dos nossos governantes, ainda que muitas das considerações sejam de natureza mais contrafactual.

Na avaliação de José Serra não se pode desconsiderar, para o bem (Ele não virou representante de São Paulo sem méritos) e para o mal (ele tem por apoio as forças mais ricas e as mais reacionárias do país, e o mais aqui está sendo usado para quantificar essas forças pelo poder econômico financeiro que elas representam), que ele concorre por São Paulo, o estado que possui 20% da população e 33% do PIB.

Clever Mendes de Oliveira

BH, 17/03/2011

 

Roberto Veiga (domingo, 13/03/2011 às 19:32, segunda-feira, 14/03/2011 às 05:58 e segunda-feira, 14/03/2011 às 13:32),

Sua avaliação de Dilma Rousseff e de A. Augusto Junho A. é um tanto depreciativa dos dois, não dando relevância a atuação política de Dilma Rousseff desde a juventude nem atentando para o perfil de servidor público, ainda que com caráter mais de assessor, que o A. Augusto Junho A.desempenhou desde que entrou no serviço público, servido a todos os políticos, de Hélio Garcia em 1984, 1985 e 1986, a Newton Cardoso em 1987 e 88 e depois assessorando o relator da Constituição Mineira de 1989 Bonifácio Mourão, voltando em 1990 a assessorar o governo de Newton Cardoso e depois o de Hélio Garcia e então sendo levado por Paulo Paiva para o assessorar no governo de Fernando Henrique Cardoso para então voltar a Minas Gerais no governo de Aécio Neves.

Embora a sua reconstituição da eleição de 2010 tenha sido muito boa, vejo nela duas falhas. Ao atribuir a vitória de Dilma Rousseff a habilidade de Lula em conseguir transformar a campanha em uma disputa plebiscitária, você faz vistas grossas ao fator preponderante na vitória de Dilma Rousseff, ou seja, o crescimento do PIB que atingiu 7,5% no ano da eleição (Sendo que o crescimento mais acentuado se deu no primeiro semestre, portanto, nas vésperas da eleição). Aliás, remeto ao post de Alon Feuerwerker que eu havia indicado acima: “Perguntas eleitorais”. E recomendo como já o fizera em comentário anterior que se faça uma comparação com o post dele de ontem, quarta-feira, 16/03/2011 intitulado “O modus operandi” e que pode ser encontrado no seguinte endereço:

http://www.blogdoalon.com.br/2011/03/o-modus-operandi-1603.html

E você me pareceu um tanto luisnassifiano ao dizer que a vitória de Dilma Rousseff deveu-se também a inabilidade de José Serra “em levar a disputa pro terreno da comparação de biografias”. Ora, isso José Serra tentou fazer. Praticamente não assistir às propagandas eleitorais, mas o que eu vi foi muito favorável a José Serra. O marqueteiro de José Serra a quem eu critiquei em algum post aqui no blog do Luis Nassif no ano passado ou em algum período anterior surpreendeu-me nos programas que eu assistir.

Fiquei mais de acordo com a sua réplica (Comentário enviado segunda-feira, 14/03/2011 às 05:58), só não considerei a campanha de José Serra como decepcionante. A bem da verdade entendi a sua crítica à campanha de José Serra como uma ironia a Luis Nassif, pois na seqüência você diz que ele foi inábil, mas amealhou 44 milhões de votos.

Clever Mendes de Oliveira

BH, 17/03/2011

 

Roberto Veiga (domingo, 13/03/2011 às 19:32, segunda-feira, 14/03/2011 às 05:58 e segunda-feira, 14/03/2011 às 13:32),

Agora, dedicando-me mais à análise dos seus comentários, eu diria que o José Serra que você superestima é o mesmo que, como centenas de candidatos que ficariam como um poste se não houvesse o Plano Cruzado, após a eleição de 1986 não disseram uma só crítica ao instrumento de ilusionismo usado para enganar a população em uma campanha eleitoral. É o mesmo que não foi capaz de fazer uma crítica sequer antes da implementação do Plano Real para alertar que ou o Plano dava errado ou, se desse certo, levaria o país para estrangulamento no Balanço de Pagamentos. Isso era sabido previamente. Nossos melhores jornalistas, entretanto, encobriram isso da população e atribuíam os estrangulamentos no Balanço de Pagamentos a Gustavo Franco. E estavam certos porque sem Gustavo Franco o Plano Real não daria certo.

E é o José Serra que perdeu a disputa para prefeito de São Paulo não alcançando nem 10% dos votos e perdeu quando Fernando Henrique Cardoso já era presidente do Brasil.

Você superestima o José Serra esquecendo que muito do prestígio que ele adquiriu foi com a política de propaganda dos genéricos e que foi uma política danosa ao país. Em vez das empresas fazerem propaganda, quem fazia propaganda era o Estado (Aliás, era mais o governo do que o Estado). Muito mais saudável era o Ministério de Educação incluir no curso de medicina uma disciplina sobre os genéricos. E pior, o governo financiava a propaganda de remédios em vez de se a combater (Fato que se agravava ainda mais por se tratar de um país de hipocondríacos).

E a atuação parlamentar de José Serra sempre colocando o interesse de São Paulo acima do interesse do Brasil também abre um amplo leque para críticas. Na própria propaganda dos genéricos isso é perceptível, pois o grosso das empresas da área de medicamentos é de São Paulo (90% das importações brasileiras de medicamentos são feitas por empresas de São Paulo). Na Constituinte, o papel dele na ordem tributária não levou a que se construísse coisa alguma para favorecer os estados mais pobres da Federação. O que se sabe é o papel dele no estabelecimento da imunidade na operação interestadual com combustíveis e com energia elétrica que mais serve para proteger São Paulo.

A política de telecomunicações implementada no governo de Fernando Henrique Cardoso pelo ministro Sergio Motta com a complacência do Ministro do Planejamento José Serra copiando o modelo inglês – um país rico, densamente povoado e de pequenas dimensões – para um país de dimensões continentais, com desigualdades sociais e espaciais alarmantes revela também essa baixa compreensão da questão federativa brasileira. Outro exemplo dessa falta de compreensão é o apoio à política de cobrança de pedágios em que todas as importações feitas pelo porto de Santos para ser consumida no restante do país é onerada pela cobrança do pedágio que vai levar recursos da população dos estados mais pobres para para o governo do estado mais rico da federação.

Clever Mendes de Oliveira

BH, 17/03/2011

 

Roberto Veiga (domingo, 13/03/2011 às 19:32, segunda-feira, 14/03/2011 às 05:58 e segunda-feira, 14/03/2011 às 13:32),

Antes de continuar na análise dos seus comentários, aproveito para fazer outra observação fora do debate que você travou com Luis Nassif. Um comentário seu foi transformado no post “O dificuldade do discurso liberal” de terça-feira, 15/03/2011 às 09:18. Luis Nassif ainda deve aos leitores do blog dele a indicação do post de origem de qualquer comentário transformado em novo post. No post de origem o comentário tem mais pertinência, é mais facilmente compreendido e permite uma melhor avaliação pelo leitor da mensagem da ideologia do emitente. Não sei de onde veio o seu comentário que foi transformado no post “O dificuldade do discurso liberal”, mas indico a seguir como se chega até ele (A verificar que o comentário ficou com o erro no gênero do artigo definido). O endereço é:

http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/o-dificuldade-do-discurso-liberal

Fiz um comentário ao seu post e o enviei quarta-feira, 16/03/2011 às 01:01, com muito mais críticas do que as que eu vou fazer aqui para você. Aliás aqui eu nem sei se poderia chamar de críticas as observações que farei aqui. Lá também não chegou a ser crítica a você porque eu, salvo algumas referências iniciais ao que eu chamo de impossibilidade prática da teoria liberal, simplismente copiei e colei dois comentários que eu havia enviado para um post em outro blog. Por sorte os dois comentários estavam cheios de links onde eu venho debatendo muito a doutrina liberal e também questões relativas ao processo eleitoral, por isso penso que vale à pena fazer uma leitura mais atenta em meu comentário.

Em relação à análise dos seus comentários, embora os tenha achado muito bons relacionei uma série de itens em que considerei que ou você falou de menos ou falou de mais. De início diria que você faz um pouco o oposto de Luis Nassif. Enquanto Luis Nassif subestima o José Serra de hoje, você o superestima. É claro que hoje José Serra é muito melhor do que o de antigamente, mas o José Serra que você superestima é um José Serra que já foi muito pequeno. Foi pequeno, por exemplo, na entrevista à revista Veja de 19/03/1996, nas páginas amarelas, 5, 6 e 8. Entrevista que recebeu o título de “O cruzado já vingou”.

Vale à pena ler toda a entrevista que está disponível na Veja Digital. Lá ele claudica falando maravilha do Plano Cruzado e incapaz de perceber que a maxidesvalorização de março de 1983 já relançara o Brasil na rota do crescimento e que o papel principal do governo deveria ser reduzir o crescimento que alcançara 7,8% em 1985 para algo mais próximo de 5% e assim tentar reduzir a inflação. Não tem as plumas de Fernando Henrique Cardoso, mas dá para perceber a presunção de sapiência do pretensioso oráculo tucano. Enviei um comentário sobre essa entrevista para o post “Perguntas eleitorais” de 20/04/2010 no blog de Alon Feuerwerker em que transcrevo uma das questões. O endereço é:

http://www.blogdoalon.com.br/2010/04/perguntas-eleitorais-2104.html

E hoje, quinta-feira, 17/03/2011 às 08h05min00s BRT, enviei um comentário para um post mais recente de Alon Feuerwerker, intitulado “O modus operandi” saído na quarta-feira, 16/03/2011. Em meu comentário faço uma comparação com o que Alon Feuerwerker disse há um ano e o que ele diz hoje sobre o Banco Central. Os dois post servem para avaliar como o Banco Central agiu em apoio ao Ministério da Fazenda para assegurar um elevado crescimento econômico, fator preponderante na eleição de Dilma Rousseff.

Clever Mendes de Oliveira

BH, 17/03/2011

 

Roberto Veiga (domingo, 13/03/2011 às 19:32, segunda-feira, 14/03/2011 às 05:58 e segunda-feira, 14/03/2011 às 13:32),

Volto a analisar os seus comentários aqui para este post “WikiLeaks e o sanatório geral da campanha de 2010” de quarta-feira, 09/03/2011 - 15:17. Primeiro lembro que hoje, 16/03/2011, ao procurar o seu comentário no meu arquivo em "word" depois de copiar e colar em uma caixa de comentário que limpa a cópia dos penduricalhos, passei pelo comentário de Gunter Zibell – SP. Não o primeiro comentário que está na primeira página e fora enviado quarta-feira, 09/03/2011 às 15:11 e onde ele faz as projeções dele sobre a eleição em São Paulo em 2012 e em 2014, mas o segundo comentário, enviado quarta-feira, 09/03/2011 às 14:52. O segundo comentário é muito bom e, como estava consultando o arquivo "word" com toda a matéria do post, pensei que tinha sido o texto do post de Luis Nassif e não o achei tão tendencioso como o considerei ao ler o post pela primeira ou segunda vez.

Se eu tiver tempo farei algumas observações junto ao comentário dele. Como você está na França, aproveitarei para chamar atenção para uma questão que, sempre que possível, Gunter Zibell – SP a aborda. Ele tem criticado a acusação que se faz ao eleitorado do centro sul, em especial o de São Paulo, como um eleitorado conservador e preconceituoso. Nesse ponto eu creio que ele está certo. Nós brasileiros somos muito parecidos. O que distingue mais uma região da outra é a questão financeira, principalmente quando se considera São Paulo como um parâmetro. São Paulo tem mais de 20% da população brasileira e o PIB de São Paulo é 33% do PIB brasileiro. O segundo estado mais populoso tem próximo de 10% da população e menos de 10% do PIB.

Assim a elite conservadora e reacionária e que existe em qualquer parte do Brasil é maior em São Paulo e é mais rica e em razão desses dois fatores é mais poderosa e tem mais influência política e cultural. Assim penso que Gunter Zibell – SP, ao criticar os que atribuem ao eleitorado do Centro-Sul, em especial ao eleitorado de São Paulo, um caráter conservador, preconceituoso e um tanto reacionário – faz a crítica correta, mas esquece da questão da desigualdade econômica que cria desigualdade política e cultural e que precisa ser combatida pelos que pretendem criar um país mais justo.

Falei que ia aproveitar que você estava na França para chamar a atenção para este ponto de vista de Gunter Zibell – SP, porque uma vez uma francesa comentou que Charles de Gaulle dissera que ele gostava tanto da Alemanha que preferiria que a Alemanha fossem duas. É o que eu digo a respeito de São Paulo. Gosto tanto de São Paulo que preferiria que o Estado de São Paulo se dividisse em uns quatro ou cinco estados. Na verdade a defesa que eu faço é do federalismo. No plano político espacial, o federalismo é o princípio da igualdade no plano social. É imprescindível para se construir um país mais justo que se tenha mais igualdade entre os Estados. Isso só se faz com o sacrifício dos estados mais ricos em prol dos estados mais pobres.

Fiz um comentário longo, mas acho melhor dividi-lo em vários. Assim paro aqui e volto em novo comentário.

Clever Mendes de Oliveira

BH, 17/03/2011

 

Roberto Veiga (domingo, 13/03/2011 às 19:32),

Muito bom seu comentário. E muito boa a sua réplica, enviada segunda-feira, 14/03/2011 às 05:58, à resposta de Luis Nassif de domingo, 13/03/2011 às 19:45. E há ainda que elogiar a sua tréplica enviada segunda-feira, 14/03/2011 às 13:32, como resposta a réplica de Luis Nassif de segunda-feira, 14/03/2011 às 08:36.

Bem voltei hoje, 14/03/2011, a esse post "WikiLeaks e o sanatório geral da campanha de 2010" de quarta-feira, 09/03/2011 às 15:17, aqui no blog do Luis Nassif porque lembrei dele e queria fazer um link nele a um post que vem logo a seguir intitulado "WikiLeaks: a política externa de Serra" de quarta-feira, 09/03/2011 às 16:05 também aqui no blog do Luis Nassif. Deixo já o link:

http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/wikileaks-a-politica-externa-de-serra

Não consegui chegar ao post pelo Google, pois pelo Google eu só encontrava o post seguinte "WikiLeaks: a política externa de Serra". Tive que chegar aqui por página e à noite quando eu encontrei o post já estava, se não me engano, na página 17.

Eu pretendia colocar o link na primeira página do post, mas na falta de um comentário adequado para eu fazer alguma observação pertinente e pensando encontrar também nas outras páginas o texto que serviu para o post "WikiLeaks: a política externa de Serra" cheguei até os seus comentários, réplicas e tréplicas.

Mesmo achando que o Luis Nassif erra muito na análise sobre José Serra e a campanha política há que o parabenizar por não ter como dono do blog deixado para si a última palavra.

Lembro que a primeira vez que vi este post "WikiLeaks e o sanatório geral da campanha de 2010", eu pensara em fazer alguma crítica a Luis Nassif pelo tratamento que ele dera a José Serra. Agora vejo que você disse com muito mais garbo e eloqüência o que eu pretendia dizer.

Eu sempre fui um crítico de Luis Nassif. Penso que ele tem muitos valores que não são os meus. Um deles é ele achar que como polemista ele tem o dom de avaliar a capacidade gerencial de um administrador público. No início da década de 90, achei um disparate a afirmação dele de que José Serra era o brasileiro mais bem preparado para governar o Brasil. Aceitaria a afirmação como opinião, mas ele dava a opinião dele como se fosse uma verdade científica.

Mais recentemente a reviravolta dele em relação a José Serra foi de difícil compreensão. Não que ele não pudesse e no caso até devesse mudar de opinião, mas pelas conclusões que ele tirava, totalmente sem base. Em um dos posts se não me engano ainda no blog Projetobr ele afirmou que José Serra fora capturado pela direita. Quer dizer, a direita estava como ainda está em um mato sem cachorro no Brasil, tendo que se juntar ao PSDB um partido que na sua fundação era até mais de esquerda do que o PT salvo figuras como José Richa, Franco Montoro, Pimenta da Veiga e outros menos votados um pouco mais do centro, e Luis Nassif dizendo que ela tinha capturado o José Serra. Era a direita que tinha sido capturada por José Serra.

E depois, a crítica dele a José Serra por fazer a campanha mais difamatória da história desconhecia que não há limites desde que se cumpra a lei em uma campanha presidencial. Aliás, se limites havia, Fernando Henrique Cardoso derrubou-os todos quando fez o plano Real para vencer as eleições. E Lula também não ficou por menos, pois esse crescimento de 7,5% (Se o IBGE não o aumentar um pouco mais nos próximos levantamentos sobre o PIB) decorreu exatamente do esforço para se eleger Dilma Rousseff.

Já havia esquecido, mas quando li este post pela primeira vez pensei em fazer um link para um post que saiu no Blog politicAética intitulado "Fofoca de Natal: A chapa cabocla" de 24/12/2009. O link para este post é:

http://politicaetica.com/2009/12/24/fofoca-de-natal-a-chapa-cabocla/

Reproduzo do post do dono do Blog, que se apresenta pelo codinome de Pax, o primeiro parágrafo e a primeira e segunda frase do segundo parágrafo:

"Lula Borges, meu colega de Pandorama, do qual discordo em quase todos os assuntos ideológicos, me mandou um e-mail hoje de manhã da fofoca plantada por Diogo Mainardi na Veja: Marina pode compor a chapa da oposição com Serra.

Imediatamente Reinaldo Azevedo colocou lenha na fogueira e reproduziu o texto. É um aliado de Diogo na crítica ferrenha ao governo Lula e ao PT".

Fiz vários comentários. Talvez eu indicasse o post mesmo achando que os meus comentários não tivessem sido bons, mas não é o caso, embora outros comentaristas não tivessem gostados, principalmente pelo meu estilo difuso, prolixo e naturalmente claudicante. De todo modo, como se trata de um resumo, indico o comentário (#56) de 29/12/2009 às 18:28. Bem, o que eu queria trazer aqui para este post até como um contraponto a Luis Nassif ter feito essa afirmação sobre José Serra:

"Por exemplo, Serra – cuja incapacidade de análise política hoje em dia é uma unanimidade (especialmente no seu partido) - diz a Mainardi, durante um almoço, que Marina Silva seria a vice de seus sonhos, porque tem uma história bonita como a de Lula."

Como contraponto então transcrevo do meu comentário (#52) de 29/12/2009 às 13:20 lá do post "Fofoca de Natal: A chapa cabocla" o seguinte trecho:

"Pax (49) (29/12/2009 às 11:36),

Você tem razão quanto à possibilidade de coligação do PV com o PSOL, mas apenas sob a ótica da esquerda. Para quem deseja o PV como um partido mais vinculado à esquerda, a opção da candidatura da Marina Silva foi um achado (Por isso que eu não considero o lançamento da candidatura da Marina Silva como uma candidatura contra o PT) e a possibilidade de coligação com o PSOL é ainda melhor para o PV sob a ótica da esquerda.

É claro que se depois de todo esforço a Marina Silva fosse formar chapa com José Serra, tudo que até então não era ruim para o PT passaria a ser. Só que eu não vejo a possibilidade da candidatura da Marina Silva como vice do José Serra. Pareceu-me desde quando li este post pela primeira vez um mero balão de ensaio. Mas como eu tinha esquecido a coligação PV / PSOL com a renúncia da candidatura de Heloísa Helena, o balão de ensaio não me pareceu tão claro.

Hoje lendo os jornais da semana passada eu percebi como os meios de comunicação e nós leitores somos presa fácil das raposas políticas. A idéia da Marina como vice do José Serra é só para, na hipótese de segundo turno, os votos da Marina Silva inclusive aqueles insuflados pela coligação PV / PSOL irem para o José Serra. Uma verdadeira raposa quem lançou essa idéia".

Não sabia de quem era idéia, mas a mera divulgação dela me pareceu uma trama bem urdida e não fruto de alguém "cuja incapacidade de análise política hoje em dia é uma unanimidade".

Não era só isso que eu queria dizer, mas acho que está de bom tamanho.

Clever Mendes de Oliveira

BH, 14/03/2011

 

Nem vem. Quando em julho de 2009 publiquei as primeiras análises prevendo o desastre Serra, não foi comentário com nick nem anônimo. Foi uma análise pesando um conjunto de fatos, o conhecimento que eu tinha sobre Serra e Dilma, e a intuição sobre movimentos de opinião pública. Era minha reputação que estava em jogo. Não se tratava de aposta sem consequencia. E não se tratava meramente de dizer que um vai perder, outro vai ganhar, mas analisar o que considerava os principais fundamentos a determinar o fracasso ou o sucesso de cada um.

O único fator que não entrou na análise foi a capacidade de espalhar injúrias e preconceitos da rede de internet montada.

Todos os demais fatores bateram.

Quanto ao futuro de Serra, sugiro você não se deixar levar pelos ecos que chegam aí em Paris e conversar com pessoas próximas a ele, que o tinham em grande conta. A decepção é generalizada. O Serra da campanha e do governo do estado matou qualquer biografia e reputação do velho Serra.

 

Eu não disse que você fez uma aposta sem consequências. Mas é o que você deixa a entender daqueles que previram a vitoria de Serra. Um pouco na linha "eu faço analise, quem discorda de mim faz torcida". Meu ponto é que não era falta de capacidade de analise ou algo do genero prever uma vitoria de Serra (como nao era prever uma vitoria da Dilma). Se se faz uma analise honesta, trabalha-se com as informaçoes que se tem à mão num dado momento, o peso que se da a cada uma delas é que muda na analise (e que muda o resultado previsto). Obvio que no final so um lado vai "acertar", mas em julho de 2009 nada estava determinado.

Sim, Serra foi decepcionante durante toda a campanha e mesmo antes dela, errou em tudo o que pôde e mais um pouco, protagonizou episodios lamentaveis, pra não dizer ridiculos. Ainda assim, amealhou 44 milhoes de votos. Não custa lembrar que teve um dono de instituto de pesquisa que lhe deu menos de 25% dos votos no primeiro turno. Repetiu-se um pouco o que aconteceu com Lula e Alckmin em 2006: previram o vencedor, mas nao a forma como se deu a vitoria. E passaram apertado com isso.

Não entro no merito da personalidade, da competencia ou de quaisquer outros atributos pessoais de Serra ou Dilma Roussef. Não acredito que uma eleição seja vencida pelo "melhor", mas por aquele que reuniu as melhores condiçoes para vence-la. Ha canalhas sendo eleitos aos montes. E baixaria não leva necessariamente alguem a perder uma eleição. Ou você ousaria dizer que Lula, aquele que sobe num palanque pra xingar seus adversarios da hora sem papa nenhuma na lingua, faz campanhas mais limpas do que as que Serra fez? O video onde ele fala m**** adoidado do mesmo Sarney que tempos depois salvou da degola ta la no Youtube, registro historico de um modo que eu não considero muito bonito de fazer politica, mas que é eficiente.

Quanto ao futuro politico de Serra, nao digo que ele tera um ou que possa almejar novamente a Presidencia (quem compraria Serra candidato uma terceira vez?), mas ao menos especula-se um futuro. E, passados meses da eleição, ele continua assunto até mesmo aqui. Quem se lembraria de Dilma Roussef se ela tivesse perdido a eleiçao? Voltaria imediatamente à obscuridade de onde Lula a tirou, enfurnada nalguma secretaria estadual ou municipal.

No momento, estou em Lille.

 

Uma boa discussão para destrinchar um pouco o que eram os fatores que levaram alguns analistas a prever o erro da candidatura Serra pela oposição - incluindo parlamentares do DEM que ficaram no limbo, perseguidos por Serra, quando as análises vazaram.

1. A percepção de que fez um governo medíocre em São Paulo e não teria nada a mostrar. Ele não podia cumprir o papel de estilingue apenas, porque tinha seu lado vidraça. Era impossível a um leitor de jornais - especialmente fora do Brasil - captar esse aspecto, porque os jornais enfatizavam continuamente a imagem de bom gestor, sem apresentar dados em defesa da tese. Mas na campanha essa mediocridade ficaria transparente na própria falta de discurso de Serra. Como ficou.

2. A falta de uma marca pessoal de seu governo. Aécio possuía a marca, Serra não.

3. A falta de uma ideia pessoal, uma bandeira. Quem conhece Serra sabia de sua histórica indecisão, de seu medo de correr risco com ideias diferentes. Jamais trabalhou-se a imagem de Serra, porque (ao contrário do próprio FHC) ele jamais teve conteúdo suficiente. Tinha apenas ideias bordões sobre câmbio e juros. Não conseguia vocalizar um Brasil moderno, com gestão, inovação, políticas sociais. Até virar protagonista (com o governo de SP), Serra escondia essa fraqueza sob o argumento de que não poderia se indispor com FHC. Quando virou governador, percebeu-se que não tinha nada: não tinha clareza sobre educação, políticas sociais, políticas de inovação, de gestão. Mesmo sem muito conteúdo, a Marina conseguiu esse espaço do moderno responsável. Só que o desenho desse desastre de imagem estava claro para quem acompanhou seu governo em SP. Quem apostava na sua candidatura garantia que ele viraria o jogo nos debates por ser mais preparado. De minha parte, conhecia suficientemente Serra e Dilma para saber que ele não tinha mais conteúdo nenhum. Num dos artigos, em meados de 2009, disse que o Serra parecia um urso que hibernou no início dos anos 90 e acordou agora sem ter percebido nenhum dos movimentos modernizadores do período - nem os que ocorreram sob FHC. Era evidente que a falta de conteúdo seria escancarada quando a campanha começasse.

4. Além disso, quando assumiu o discurso de direita, descaracterizou-se totalmente. Matou esse Serra antigo, pelo qual você ainda suspira, sem conseguir criar o Serra novo. Toda a montagem midiática de 2005, tendo ele como inspirador, baseava-se apenas na tentativa de demolição da imagem de Lula. Saliente-se que, depois que Lula ocupou o espaço de centro-esquerda, a vida de Serra tornou-se difícil. Mesmo um político competente teria dificuldades em se situar como oposição.

5. Toda eleição é atravessada por ondas que mudam de um candidato para outro, dentro de uma lógica muito parecida com a de mercado: quando se elogia muito um candidato ele fica "caro". Esses ajustes entre candidatos são comuns a todas as eleições. Confira fenômeno Garotinho, Ciro Gomes, lá atrás o fenômeno Afif e Covas, antes de Collor. Serra começava no pico. Depois, haveria a onda Dilma. A terceira onda dificilmente seria Serra novamente porque ele não representava o "novo". Tem imagem pesada - assim como a da Dilma na campanha. Está associado a FHC. Não tem aspecto de juventude, pelo contrário. Essa era a percepção daqueles que - como eu - sabiam que ele não teria condições de decolar. Ao contrário de Aécio, que teria tudo para potencializar o movimento de alta. Aliás, escrevi em fins de 2009 que o sonho do Planalto era ver Serra inviabilizando a candidatura Aécio - a única temida por Brasília. Fui massacrado por serristas que diziam que era uma armadilha para tirar do pareo o mais capacitado: Serra.

6. Os 43 milhões de votos não foram integralmente dele: foram votos anti-Dilma, devido à maior campanha difamatória em qualquer eleição brasileira. Um poste teria conseguido a mesma votação de Serra.

 

Bom, algumas comentarios finais a fazer:

1) Não suspiro nem nunca suspirei por José Serra. Deixando de lado a conotação (homos)sexual da coisa, ele não é de forma alguma meu tipo (na politica). Nem antes, nem depois.

2) O que é factual pra mim é que a diferença de curriculo entre Serra e Dilma é a mesma que ha entre um alto executivo e um gerente de chão de fabrica. Serra pode ser tudo isso que você disse (ate acredito que seja), mas tem uma biografia. Pode estar manchada, rabiscada, borrada, c*gada pela campanha de 2010, não vem ao caso, ele tem uma historia. Não é alguém que apareceu ontem, praticamente do nada, querendo ser presidente da Republica porque ungido por um lider popular.

3) O fenômeno dos "postes" me parece uma distorção de democracias ainda em estagio infantil. Ao menos assim eu espero. Dilma e Anastasia podem vir a ser a melhor presidente do Brasil e o melhor governador de Minas de todos os tempos. Torço que façam excelentes governos, ja que quero ter pra onde voltar, não vou ser estrangeiro pro resto da vida. Mas não nego, causa-me muito desconforto saber que meu pais e meu Estado sao governados por quem foi meramente o depositario dos votos endereçados a outros. A idéia do sufragio é dar legitimidade popular ao governante, o "poste" conspurca justamente isso. Sinceramente? Acho melhor tirar qualquer barreira quanto ao numero de reeleiçoes. Melhor que as pessoas votem em quem querem votar diretamente, não pela via indireta do "poste". Até porque o "poste" pode ser eleito pela promessa de continuidade e, la na frente, com a caneta na mao, trair o padrinho, o que equivale a trair todos os seus eleitores.

4) Os votos de Serra foram os votos de Serra. Se eram votos anti-Dilma, não vejo problema nenhum nisso. Até porque os votos da Dilma, quantos foram realmente dela?

 

    Se Maquiavel estivesse vivo...tenho certeza que se matava.Que pobreza de políticos e jornalistas limpinhos.Imagine,essa turminha no poder...kkkkkkkkkkk E ainda querem imitar os Americanos....kkkkk

 

Essa questão do custo Brasil é interessante porque aqui na empresa já tive reuniões com empresas que literalmente deixaram de investir porque acreditaram que o Brasil quebraria na ultima crise mundial.

Eu educadamente pedi para que eles parassem de ler a Folha e o Estadão.

 

Jose Roberto Barreto (quinta-feira, 10/03/2011 às 13:01),

Na verdade essa informação sobre o custo Brasil é uma via de mão dupla. Tanto os jornais brasileiros se deixam influenciar pelo que se diz lá fora como lá fora se deixa influenciar pelo que se diz aqui dentro.

No fundo a Folha de S. Paulo e o Estadão reproduzem os que os empresários do Brasil dizem e o que o investidor lá de fora também anda a dizer. Reportagem recente na revista The Economist é nesse sentido. O título da reportagem é “Brazil's labour laws -

Employer, beware - An archaic labour code penalises businesses and workers alike” e datada de 10/03/2011 ela pode ser encontrada no seguinte endereço:

http://www.economist.com/node/18332906

O mais interessante é que a reportagem veio de São Paulo como você pode verificar no link indicado.

E no fundo esses são alguns mitos de que além de não se saber a origem não se sabe porque eles perduram tanto tempo. Como se pode ver no link a seguir

http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/wikileaks-a-politica-externa-de-serra

falei mais recente sobre isso nos comentários que eu enviei primeiro quarta-feira, 09/03/2011 às 22:09 e depois na segunda-feira, 14/03/2011 às 23:10 junto do primeiro comentário em post aqui no blog de Luis Nassif intitulado "WikiLeaks: a política externa de Serra" de quarta-feira, 09/03/2011 às 16:05 montado a partir da noticia de Bruno de Pierro da Agência Dinheiro Vivo intitulada "Wikileaks: Serra alinharia política externa com EUA" e que está no link para o blog de Luis Nassif indicado acima.

Clever Mendes de Oliveira

BH, 18/03/2011

 

Enxergar o que a  midia principal não enxerga.  Acreditar na capacidade dos atores economicos e politicos que o binomio elite-mídia nunca acredita por viés historico.  Abrir caminhos e investir no feeling dos que estao proximos dos sonhos do povo mais simples.  E furar, lancetar mesmo, os grandes esquemas  internacionais  -de agencias multilaterais, de FMIs, de demonizaçoes convenientes, apostar na solidariedade contrariando o Imperio, e dando visibilidade a esta contrariedade! -

Para nao sermos os ultimos a saber. Esse é um defeito congenito: deixe-os conviver com ele.

 

 

Nassif,

Me recuso a denominar Mainardi e Merval de jornalistas, são moleques de recados. Transmitem os recados, mesmos que toscos, da maneira que o seus patrões mandam.

 

Será que os gringos acreditaram também no golpe da bolinha de papel na careca do Serra?

Por mais que pareça piada, se eles "consultaram" o Merval para saber sobre o episódio, é muito provável que eles até hoje acreditam que o Zé Bolinha foi "covardemente agredido por um artefato contundente"

 

Juliano Santos

            Excelente texto Sr. Nassif, muito claro, objetivo, O diplomata americano procura informações e esclarecimentos com aqueles os quais "ele" tem afinidades políticas, o Mainardi por exemplo, um defensor ferrenho da política externa de Israel e dos E.U.A. 

 

Samuel Rodrigues

Ah encontrei a explicação de uma notícia veiculada tempos atrás:
Eles são os profissionais e nós somos os amadores”, teria afirmado Patrícia Padral, diretora da americana Chevron no Brasil.        Não é para menos, usando como fonte a dupla Mainardi e Merval, nhô ruim e o nhô pior, só podia dar nisso.

 

 

 

Foi também com base em "insiders" (Caso Curveball) desse nível que os EUA conseguiram apoio para invadir o Iraque. Diz o Collin Powell que até hoje está querendo saber quem dentro da CIA patrocinou esse fiasco.

Os diplomatas americanos que produziram esse "informes" aqui no Brasil, após ouvirem esses luminares oposicionistas, devem estar se perguntando onde é que erraram.

O que me preocupa mesmo é saber que a paz no mundo está nas mãos de idiotas desse nível!

 

Ontem eu estava zapeando na TV e parei, estarrecida frente a uma cena surreal.

Ivete Sangalo no Madison Square Garden. No palco um quadrado gigante.

Eu imaginei que ela ia sair dançando aché, etc. Não é que o quadrado vai subindo e se vislumbra um piano de cauda e a musa todando piano e cantando in English um clássico americano.

Morri demais.

Ah, televisionado pela Multi show. Pera lá masoquismo tem limites.

E ainda dizem que foi sucesso. Vc. acredita? É meio que assim: a mídia lá afiada com a mídia de cá fala o que quiser. Mas não vi, até o segundo acorde desafinado e mal tocado, viva alma empolgada ou cantando. Um vexame.

 

Huuummm? Incompetência na Embaixada norte-americana?

Eu não apostaria nisso.

Podem ter se enganado nesta vez, se é que foi este o caso, mas não dá para esperar que este seja o comportamento daqui para a frente.

 

Um país que nem sabe onde fica a capital do Brasil - escrito com z - até ontem pensavam que era Buenos Aires, vai saber que a Globo e seus globetes são embustes, marionetes, mercenários, mal preparados, corruptos?

 

 

Engraçado que os blogs sujos já adiantavam essas coisas há tempos.

Vou continuar fiel a estes blogs.

Trazem informação, e não manipulação.

O que o Merval vai dizer na CBN ??

A blogesfera está destruindo os formadores de opinião.

Quem diria Nassif!!!??

 

Despreparo Nassif, não é a melhor palavra para trapalhadas!

Ainda bem que Tio Sam ouviu e deu credito aos paspalhos do PIG que fizeram os EUA acreditar por exemplo, que o Franklin Martins poderia perdir perdão pelo seu passado terrorista.

É ou não enredo típico de comédia pastelão?

 

John Le Carré sabia do que falava ao escrever seu romance o alfaiate do Panamá. No livro, um espião picareta manipula uma fonte para que ela plante na inteligênia britânica estórias absurdas. E dá certo.

A realidade imitou Le Carré. Os depoimentos de um iraquino maluco levaram a CIA a acreditar que o Iraque possuía armas de destruição em massa e planos para utilizá-las. Isso levou os EUA a cometer  um dos maiores erros de sua existência. Agora vemos que essa "falta de noção" é compartilhada pela  diplomacia americana. Ver que um exército brancaleone composto de Mainardis, Mervais e Itagibas  é capaz de plantar versões absurdas como essas que vc descreveu é desesperador.

 

Diplomacia americana mal informada! Ótimo que Boa Notícia! Que eles tenham sempre com informantes estes proxenetas do PIG!

 

Dado o resultado final, tenho que dizer o que jamais pensei ser possível:

Obrigado, Mainardi.

Obrigado, Merval.

Gracias, Itagiba.

 

Só resta agora o PDSB virar partido político para termos oposição.

 

 

Bom, da próxima vez eles podem contratar o Montenegro para auxilá-los. Primeiro ele vociferou que Dilma não passaria dos 15%. Depois, que ela ganharia facilmente no primeiro turno. Como sabemos ele acertou em cheio as duas opções.

 

Mas esses diplomatas são fraquinhos da idéia hein. Cade o André Araujo pra comentar ?

 

Quie  sarfanagem...Assim  a  embaixada estadunidense  vai  botar  de  castigo  seus jornalistas   favoritos...os  de  fé!

 

Acho que isso tudo é para validar um possível álibi.

Eles mesmos colocam seus "cães de guarda" para plantar notícias e as usam para

convencer o congresso a aprovar verbas para desestabilisar governos. Vide projeção do governo Obama X Venezuela.

Considerar ingênuos esses senhores é muita ingenuidade nossa.

Sei não.

Talvez o curso "Master de jornalismo" explique. Ou não.

A serpente ainda respira.

 

A respeito da embaixada americana, os cabos a desmoralizam por completo e fazem a gente pensar na inutilidade do dinheiro gasto pelos EUA para manter essas embaixadas para receber informações duvidosas.

Em relação á insanidade da velha mídia durante as eleições, triste é constatar que parece que nem aprender algo com episódio eles conseguiram. Depois de três derrotas consecutivas nas eleições não é possível perceber qualquer auto-crítica ou mudança de rumos, vão continuar insistindo nos mesmos erros cada vez mais imcompreensíveis afastando um número crescente de leitores/telespectadores/ouvintes com algum senso crítico. A insistência nos erros e falta de humildade para reconhecê-los serão seus próprios algozes.

 

Visitem o Blog Ponto & Contraponto. Twitter: @len_brasil Robozinho do blog: @pontoXponto

Olha, na boa... Dá uma saudade daqueles meses pré-eleitorais... O Serra deveria tentar a comédia. Me lembro dele naquele triste episódio do buraco do Metrô quando ele assumia o governo do Estado. Perguntado pelo repórter sobre as causas, ele me sai com essa: "Não podemos nos esquecer que as pessoas soterradas são as vítimas"... O cara é pândego... O próprio Mr. Chance no inesquecível filme "Muito Além do Jardim" de Peter Sellers.

 

Não não, você se confundiu. Chance é Lula, sempre vendo a vida pela ótica futebolística.

 

"...esse desequilíbrio da informação era um dos principais fatores do custo Brasil, por conduzir a erros decisões empresariais e políticas"

Isso não pode ocorrer por estar a imprensa sustentada por estatais vendendo ou impactando muito pouco, e por isso a "velha mídia" (a que vende) ter um certo balanço a seu favor?

 

Deixa entender: o corpo diplomático norte-americano no Brasil é (ou foi) composto por clones de Homer Simpson?!?!?É isso?

 

Não é composto por sábios de Sião!

 

Nassif,

 

Se os americanos tivessem lido o impagável post "A Cronologia da Bala de Prata", do Alberto Bilac, republicado por você e pela Blogosfera inteira, com certeza não teriam pagado esse mico!

 

Vale a pena rever o link:

http://terragoyazes.zip.net/arch2010-08-29_2010-09-04.html

 

Lembro bem desse post bombando aqui no Nassif, com uma figura à la Matrix (uma mão de prata empunhando um revólver, saindo de dentro de uma televisão (do PIG, com certeza), com o curioso subtítulo: Si non è vero è ben trovato!

Luna, a título de curiosidade histórica, bem que você podia nos brindar com a republicação daquele post histórico, no calor da batalha de 2010! Creio até que, dentre outros posts memoráveis, esse do Bilac foi um freio de mão na sanha golpista da mídia Serrista. Relendo-o, hoje, fiquei chocada com a quantidade de acertos do analista. Em cima da pinta, em quase todos os tópicos! Aquele post, meio que deixou os estrategistas de Serra com as calças na mão... todo o mundo estava vendo as armações óbvias tão.... óbvias!

 

http://www.advivo.com.br/node/241772

 

A todas essas desinformações acho que podemos considerar 3 outras:

Antes das eleições:

- dar vazão apenas a pesquisas "estimuladas", aquelas com nome no disco. Estas até jul./2010 apresentaram Serra na frente por vários motivos, o principal é o nome dele ser conhecido, mas o verdadeiramente importante a acompanhar seriam as pesquisas "espontâneas", que são mais aderentes a intenção de voto do eleitor. Por estas o campo lulista sempre esteve entre 50 e 60% das intenções de votos e era muito fácil ver o processo de transferência para Dilma. (O mesmo é válido para Aécio > Anastasia, ou seja, o governo sabia que não levaria MG.) Mas pesquisas espontâneas raramente ganharam espaço na mídia.

Depois das eleições:

- atribuir-se os 44% como uma melhora relativa, para o PSDB, sobre os 38% de Alckmin em 2006. Não houve tal melhora. Os 56% de Dilma são bastante considerando que parte do eleitorado é machista, que seu nome era muito pouco conhecido. Tanto não houve melhora para o PSDB que mais ou menos manteve os governos estaduais (com votação mais próxima dos 50% que em 2006) e derreteu no Senado.

- atribuir-se os 44% como "nova ideologização" do eleitorado. Ou como voto de regiões pobres a favor de Dilma. Não houve nada disso. Nos estados do Centro-Sul, onde Alckmin e Serra venceram, houve muito pouca variação de 2006 para 2010 nos estados mais populosos, opções ideológicas, se há (creio que não há), ficaram cristalizadas. Os governadores não fizeram campanha por redução de estado, etc. Manteve-se o voto das classes médias agrárias (que influenciam muitos ao seu redor) com a esperança de desvalorização, sem isso os resultados poderiam ser próximos aos de 2002, onde Lula ganhou em todos os estados (mas o governo evitou essa promessa). Nos estados mais pobres (MG/Nordeste) foi justamente onde Serra avançou bastante, passou de 20 para 30% ou mais nesses estados e é isso que ajudou a formar os 44%. O discurso do promessometro pode bem ter ajudado nisso, mas machismo e aborto também. O governo também evitou prometer sobre S.M. e B.F., tendo ficado muito confortável agora em 2011.

Mas desde então foram vistas muitas análises falando sobre o comportamento preconceituoso do eleitor do Centro-sul. Quem acredita nisso, na minha opinião, quer seja a oposição quer seja a blogosfera, engana-se.

No fundo penso ter havido apenas isto (em uma simplificação) : trocou-se um nome muito forte governista (Lula) por um nome governista em construção (Dilma). A propaganda desconstrutiva/messiânica ajudou a reduzir a diferença de votos e a levar para o 2º turno, mas não alterou as preferências de longo prazo. E não dará pra usar a mesma fórmula em 2014, pois aí Dilma já será muito conhecida.

Dilma fez bem em não se deixar levar por tudo isso (além da "carta aos cristãos"), pois começou o governo com muito poucas promessas feitas, todas cumpríveis. Isto é, como foi eleita sem promessas mirabolantes, fica muito difícil cobrar-lhe alguma coisa agora. Ao contrário, ela tem vários caminhos abertos para ganhar popularidade:

- inaugurações de obras e factóides positivos ligados à agenda esportiva

- alguma desvalorização cambial (favorece no Centro-sul)

- agenda ética e de gestão (favorece nas classes médias do sudeste)

- salário mínimo em 2012 (favorece em MG e Nordeste, recupera apoio sindical)

A esquerda, que poderia fazer mais críticas, fica sem nome viável. A direita, que perdeu várias bandeiras, até tem nomes viáveis, mas não tem discurso.

Não é à toa que PHA disse recentemente que 2014 será Dilma + Campos.

 

"Se você pode sonhar, você pode fazer" - Walt Disney

Gunter Zibell - SP (quarta-feira, 09/03/2011 às 14:52),

Como sempre muito boa a sua análise aqui neste comentário. Fiz referência a essa sua análise em um dos muitos comentários que enviei para junto do comentário de Roberto Veiga enviado domingo, 13/03/2011 às 19:32 aqui para este post "WikiLeaks e o sanatório geral da campanha de 2010" de quarta-feira, 09/03/2011 às 15:17.

Embora Roberto Veiga tenha muito forte a crença liberal o que me faz percebê-lo como uma pessoa mais teórica do que prática, ele fez umas críticas muito pertinentes a esse post de Luis Nassif e eu recomendo a leitura. Além desse comentário, Roberto Veiga enviou um réplica segunda-feira, 14/03/2011 às 05:58 a uma resposta de Luis Nassif e depois, segunda-feira, 14/03/2011 às 13:32 uma tréplica à réplica de Luis Nassif. Com isso ficou um debate da melhor qualidade

Clever Mendes de Oliveira

BH, 17/03/2011

 

Em Minas só favorece o Norte e o Vale do Jequitinhonha

Tá certo o PHA, em 2010 eu mesmo defendi uma chapa Dilma + Ciro Gomes

 

Dilma e Ciro?

Uma que fala pouco, outro que fala muito?

Difícil...

 

Melhor do que ter o Michel Temer exercendo seu fisiologismo e conspirando na vice-presidência.