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A esquerda precisa centrar no legislativo, por Marcio Valley

do blog do Marcio Valley

A presidência de coalizão era, continua sendo e será ainda por muito a única alternativa política no Brasil para o exercício do poder executivo. Trata-se de um arranjo maquiavélico, de fato, possuindo o mesmo efeito bumerangue pontificado por Maquiavel sobre as tropas compostas por mercenários: um dia elas se voltam contra o contratante. Afinal de contas, às vezes a intermediação deixa de ser necessária ou conveniente e os mercenários resolvem tomar a liderança daquele a quem mantinham no poder. A força física é dos mercenários e não do comandante.

Não havia qualquer outro caminho político para o PT governar senão aderir ao modelo existente. Isso continuará assim pelo tempo que demorarmos a providenciar uma reforma política consistente, que consiga de algum modo evitar a eleição de um presidente sem base de apoio do próprio partido ou da chapa que o elegeu.

A ideia de redução do número de partidos não é boa. Qualquer ação no sentido de impedir a criação de novos partidos se constitui em traição à liberdade e à democracia. Aos novos partidos e aos partidos pequenos cabe apenas, quando muito, a limitação ao acesso a certos direitos, como financiamento público e presença nas telecomunicações, que devem ser proporcionais à representação política alcançada junto aos eleitores.

Como não somos um país parlamentarista, cujo chefe do executivo naturalmente é escolhido dentre os representantes da maior bancada, o que proporciona governabilidade sem muitos atropelos, talvez consigamos um efeito similar através da exigência de uma fidelidade partidária acentuada, rígida. Políticos não deveriam agir de forma personalista, pois, em princípio, são eleitos por um partido que representa um determinado segmento do pensamento político dos cidadãos. Cabe respeitar o voto de quem os elegeu. Se o partido decide adotar uma determinada linha de ação sobre alguma votação de proposta e o político por ele eleito vota em direção contrária, creio que a perda de mandato deveria ser automática, independentemente mesmo da vontade partidária. Há traição explícita ao eleitor, que é o senhor da política ou, pelo menos, deveria ser.

Alguma regulação da mídia, que se tornou uma eleitora de peso gigantesco, também é necessária. Um direito de resposta imediato e com maior destaque do que a denúncia leviana já seria um bom caminho. A lei deve dispensar ritos judiciais para a obtenção de direito de resposta. Todo e qualquer acusado, querendo, deve ter o direito de imediatamente repelir acusações noticiadas pela imprensa sem condenação passada em julgado. Existem países que se recusam a julgar pessoas acusadas de delito que tenham sido demasiadamente expostos a manchetes negativas. Consideram que nenhum julgamento assim seria justo e preferem liberar um possível criminoso do que permitir o cometimento de injustiças.

Enquanto não vierem reformas que alcancem o objetivo de proporcionar governabilidade natural ao chefe do executivo, o eleito se verá refém dos parlamentares. Certamente não serão partidos como o PMDB que conduzirão um proposta nesse sentido. Partidos assim nutrem-se da desordem e desunião políticas.

Como a reforma é ainda uma miragem, os partidos de esquerda, inclusive o PT, devem mudar de estratégia. Há que ter consciência de que o poder real não está no executivo, mas no legislativo. Pouco importa quem seja o presidente, o governador ou o prefeito, ele terá que obedecer à lei. Se uma lei cria um direito social ou se uma lei veda a privatização de algum setor estratégico, nem mesmo um presidente eleito por um partido de direita neoliberal, como o PSDB, poderá deixar de cumpri-la, sob pena de responsabilidade. Não é à toa que o primeiro objetivo de governos autoritários é anular o legislativo, como fizeram os militares no Brasil. Se Hitler não tivesse dominado o legislativo da Alemanha, o holocausto não teria ocorrido.

As esquerdas devem centrar todas as fichas e atenções nas eleições parlamentares municipais, estaduais e federal. É insensatez persistir na guerra total para alcançar o executivo, fazendo concessões contraditórias ao stablishment e que desagradam profundamente os eleitores de esquerda.

A pior herança política que o petismo deixa ao país é a impressão, equivocada que seja, de que os políticos são todos iguais. Enquanto esteve limitado ao legislativo, a atuação parlamentar do PT era admirada inclusive por não militantes. Essa imagem acabou ou, no melhor cenário, decaiu absurdamente, provocando um nível de descrença que atingiu até militantes.

Chegar ao poder executivo deve ser um bônus, um extra, alcançado após obter uma bancada de peso, capaz de impedir a necessidade dos malfadados acordões, em prol do governo, ou criação de pautas bomba, contra.

O parlamento é o mais democrático dos poderes. Embora as pessoas tendam a depositar suas esperanças em presidentes, a materialização dessas esperanças necessariamente passa pelo legislativo. Todos os presidentes estão submetidos aos ditames da lei, sem ela nada se cria, nem se executa.

Repito: muito melhor para o povo a existência de um legislativo progressista fiscalizando um eventual executivo conservador, do que um executivo progressista manietado por um legislativo reacionário. Nesse momento, o Brasil não tem nem legislativo, nem executivo progressista. Os eleitores de esquerda estão órfãos, ninguém os representa.

Além disso, muito da desunião das esquerdas, das mágoas das marinas e martas da esquerda, estão vinculadas à guerra fratricida pelo poder executivo em municípios, estados e na União. Se o foco passar a ser na produção das leis, uma homogeneidade de propostas conduziria naturalmente à soma das forças progressivas.

A criação de uma sociedade mais justa e igualitária não depende tanto de um executivo, como de um legislativo cujos componentes tenham apreço pela questão social, seja no que concerne à mitigação da desigualdade de renda e riqueza, como no que concerne a outras questões sensíveis que adoecem o seio social, envolvendo direitos das minorias, os preconceitos em geral e notadamente o racial, direitos homoafetivos, o aborto e outros.

O congresso atual nos dá a exata dimensão do que é capaz um parlamento dominado por políticos patrimonialistas, fisiológicos, conservadores e obscurantistas. Nem mesmo Lula será mais capaz de controlá-lo, talvez nem mesmo com a rendição à fisiologia da caneta nomeadora. Se um partido de esquerda vencer a próxima eleição presidencial, possivelmente será uma vitória de pirro. O Brasil perderá.

Repito o que disse em outubro de 2015: esquerda, atenção ao legislativo!

no blog: A esquerda precisa centrar no legislativo

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A importância do Legislativo, começando pelo vereador

"Há que ter consciência de que o poder real não está no executivo, mas no legislativo. (...) As esquerdas devem centrar todas as fichas e atenções nas eleições parlamentares municipais, estaduais e federal.(...) Repito o que disse em outubro de 2015: esquerda, atenção ao legislativo!"

Comentário ao comentário do Alexis "O voto torto e o suplente oculo" ao post "Balanço do Golpe, do Guilherme Scalzilli. http://jornalggn.com.br/comment/994460#comment-994460

De onde sai essa representação porca?

Excelente, Alexis. Faz tempo que queria abordar exatamente esse assunto, a representação porca no Congresso. E de onde sai isso? Como é possível o estado de Alagoas mandar para o Senado Renan Calheiros, Benedito de Lira e Fernando Collor? Todos representantes de oligarquias políticas e canavieiras? Aquele eleitor lá do sertão alagoano, renda máxima de 500,00/mês, votou neles. Como assim? Ele se sente representado por eles? O mesmo se dá em Minas Gerais. A começar que elegeram um moribundo, o Itamar Franco, que morre antes de 6 meses no cargo, e assume o suplente, Zezé Perrella, e temos ainda Aécio e Anastasia. Aquele mineirinho do norte de Minas, da região inserida no  polígono da seca votou neles. Por que? Antes de responder, vamos ao caso do Amapá.

O estado do Amapá deu 3 mandatos consecutivos (24 anos, 1/4 de século) ao José Sarney. Desafio alguém a mostrar uma única foto do Sarney fazendo campanha no Amapá, subindo e descendo de aviões monomotores, subindo e descendo rios de barcos, desembarcando em comunidades ribeirinhas pedindo voto, fazendo comícios em cima da carroceria de caminhão. Como ele passou 24 anos no Senado sem fazer isso? Quem deu votos para ele, se nunca apareceu no Estado? É onde entra a importantíssima figura do vereador. Exemplo real e concreto: 

Dona Maria da Funasa (Fundação Nacional de Saúde) mora numa cidade do Pará, localizada na margem esquerda do rio Amazonas. Ela se destaca na sociedade local, tem um emprego público, renda certa todo mês, muito acima da média da cidade (cerca de 1.200 líquidos, em 2006). Ela vai até ao BB "arrumar sua vida" antes de viajar ao interior de MG para visitar a filha. Ali, ela diz o motivo da viagem, o cara do Banco pergunta se quer aumentar o limite do cartão, empréstimo consignado, essas coisas. E diz, orgulhosa, que já comprou e pagou a passagem de avião de Belém a Belo Horizonte. Estranho, tem avião ali pertinho, 8 horas de barco, em Santarém, por que embarcar em Belém, 3 dias e 3 noites na rede? É que eu não pago a passagem de navio, explica ela, o vereador Fulano tira pra mim. Explica-se: o deputado estadual Antonio Rocha é dono do navio (850 passageiros) Amazon Star, que faz a linha Belém/Manaus. O vereador é o preposto do deputado na cidade, cabo eleitoral. Dona Maria explica: lá em casa são 9 votos. Que ela entrega direitinho ao vereador. 

Dona Maria é Lulista de coração e alma. Porém, dentro da sua inocência e nenhum conhecimento dos meandros da política, ela sequer faz ideia de que aqueles nomes para deputado federal e senador que o vereador Fulano coloca na mão dela são inimigos do seu querido Lula. Congresso, Brasília, são coisas muito distantes para ela. O seu problema é doméstico, paroquial, o vereador arruma as passagens para ela quando precisa. O vereador não interfere na escolha do Lula/Dilma, ele não faz questão, não interessa, o que interessa é quem bota o dinheiro na mão dele, o deputado estadual. É ele quem irriga os vereadores do interior do estado, que por sua vez, garantem a própria eeleição e a do financiador. Dona Maria sabe que para continuar merecendo a confiança do vereador, tem de entregar direitinho seus 9 votos (eu, meu velho, meus filhos, noras e genros, explica ela), numa cidade onde vereadores se elegem com 500/600/700 votos. 9 votos contam muito. É uma relação de cumplicidade. 

É o que sempre fez o Sarney. Lá de Brasília, mandava 50 mil (por hipótese) para cada vereador e esperava o resultado. O Amapá  é pequeno, poucos municípios. Exemplo: Em Vitória do Jari, Sarney teve 6.396 votos, ou 69,63% do total da cidade, em 2006, sua última eleição. Em Tartarugalzinho, 4.846 votos, ou espetaculares 72,56% dos votos da cidade. Quem vota no Sarney? A elite da cidade, certo? Errado, a menos que se acredite que em Tartarugalzinho 72,56% dos eleitores pertençam à elite. Foram eleitores miseráveis, comandados pelo vereador, devidamente “irrigado” pelo Sarney. O mesmo se dá em Alagoas, como pode um usineiro – Benedito de Lira – ter votos em todo o estado, da capital ao interior, dos eleitores miseráveis? Porque os eleitores miseráveis entregam seus votos para quem os socorre nas necessidades, o vereador, na porta de quem eles batem quando precisam. O vereador está ali, à mão, ele não vai se socorrer com o deputado federal ou o senador.

Quando o rio Amazonas teima em subir além do seu normal, cerca de 8 metros, os ribeirinhos ficam desabrigados e vão para a cidade. Eles precisam de uma rede para dormir. Vão bater na prefeitura, que nem sempre socorre, e na casa do vereador. Que socorre na compra na farmácia e no mercado. É o que explica ganhar a presidência e ser fragorosamente derrotado na Câmara e no Senado. Seria demais exigir que eleitores dos fundões e grotões do País ainda tenham de entender do jogo político de Brasília.

O mesmo vereador que socorre dona Maria com a passagem de navio, um dia entra no boteco onde está o cara do Banco. E começam as lamúrias e as agruras de ser vereador, as dificuldades, o assédio dos eleitores na porta de casa, sempre com uma receita médica na mão, pedindo ajuda para os remédios, a rede, etc. E confessa, inocente e candidamente, que juntou todos os comprovantes e bateu no gabinete do prefeito, adversário/inimigo político, para pedir uma “ajuda” com as despesas, pois o salário de R$ 3.000,00 (2006) não dava para nada. E justificou “...nós precisamos dele e ele precisa de nós”. O prefeito negou. Poucas semanas depois, em uma festa tradicional e anual na cidade, o assunto/novidade era o reatamento de relações pessoais e políticas entre o vereador e o prefeito, vistos entre beijos e abraços. Chegaram a um “acordo”.

É isso que ajuda a explicar essa representação porca que temos no Congresso. O problema começa lá, no vereador. Um partido/governo sem vereadores está fadado a ser emparedado no Congresso. Se o PT sobreviver, o que não acredito, tem de começar elegendo vereadores, em 2020. Muitos, para romper esse círculo vicioso. 

 

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Enquanto já se pensa se terão eleições em 2018, tem gente que...

Caro Marcio, depois do golpe, configurando-se uma ditadura ainda pensas que a esquerda deve se preocupar com o legislativo?

Com a pauta neoliberal, com a retirada de direitos trabalhistas, com a entrega do patrimônio nacional, com a falta total e completa de lagalidade em vários atos do Judiciário, ainda pensas que o importante é pensar no legislativo?

A saída é por outro lado, se por um desastre político do governo dos golpistas ainda se tenha um arremedo de democracia em 2018, tudo bem, que se pense em eleições, mas a pauta principal é lutar contra o golpe e não achar que ainda se tem esperança de não se fazendo nada se tenha eleições livres e democráticas em 2018.

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Rdmaestri, sou otimista. Acho

Rdmaestri, sou otimista. Acho que teremos eleições em 2018. Mas uma coisa não elimina a outra: devemos persistir na luta contra os golpistas. Abraços.

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Espero estar errado.

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Angelo G.Frizzo

Sem dúvida ´que dever ser

Sem dúvida ´que dever ser trabalhado em primeiro lugar são as eleições aos legslativos. SEM maioria , ou muitos votos, não há como Governar. Vira PICARETAGEM 

 

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*

Houve um post aqui em que declarei meu voto no 1º turno para o Freixo, mas que destacava e achava mais importante era a escolha de vereadores, pois como vimos recentemente a movimentação do legislativo federal na condução e aprovação do golpe. É claro que as discussões foram pautadas nos candidatos a prefeito, e vai ser assim para o executivo estadual e federal, o legislativo de todos os niveis continuarão nas mãos dos conservadores e os piores que eles.

Vejamos o resultado para vereador na cidade do Rio de Janeiro: dos 51 vereadores, onde um da clã bolsonaro ficou em 1º lugar disparado, tivemos 6 eleitos do PSOL e 2 do PT num total de 8 vereadores eleitos presumidamente mais à esquerda.

Como consequencia disso, iremos ver independente do prefeito eleito uma câmara municipal de embrulhar o estomago. Em vez da briga entre candidatos a prefeito da esquerda, porque não pregar voto util aos candidatos para o legislativo

 

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Paradoxo

eu ainda vou além, a culpa é do presidencialismo

Todas as mazelas que você citou são próprias de uma estrutura de poder na qual o chefe do executivo é refem do legislativo e só consegue governar mediante o pagamento de um pedágio em propinas.

A principal moeda de troca são os cargos comissionados, como bem ficou evidenciado na tragédia da lava-jato: O PT só conseguiu o apoio do PMDB e do PP mediante a entrega de cargos para Sérgio Machado, e outros indicados desta base aliada que chantageia e corrompe. Este mesmo fenômeno acontece nos estados e municípios.

No caso do Brasil, esse sistema de poder disfuncional só virou notícia porque era necessário um factóide para tirar o PT do poder e entregá-lo aos emissários das grandes corporações (Exxon, Shell, etc...). Enfim, o presidencialismo é a estrutura de poder de uma república de bananas.

 

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Concordo, mas

Caro Márcio Valley.

Excelente post, parabéns.

Concordo que o legislativo é quase que mais importante do que o executivo, pois o governo leva a culpa de tudo e o legislativo pode bloquear o governo de governar. O princípio de um governo governar sem tropas mercenárias é dominar o legislativo, e a mídia principalmente.

Mas discordo quanto a manter o numero de partidos. É muitíssimo mais fácil governar com poucos partidos, além de que 30 partidos mantém o país ingovernável e torna o Congresso nu balcão de negócios, onde só vicejam mercenários da pior espécie.

A vitória só é obtida quando todas as forças convergem num único ponto. O nome desta estratégia é Simplicidade

A democracia virou neste país um ídolo pelo qual estamos sacrificando todas as conquistas do povo; ou seja, a democracia serve ao povo e não o oposto. Muitos acreditam que basta "democratizar" o país ao máximo que todos os problemas se resolverão. Não é assim.

Países como os EUA, com dois partidoa apenas também são democracia, mas num nível mais restrito. Por causa de dois ou três partido bons e pequenos como o PSOL, o país tem de suportar mais 30 partidos ruins de vendilhões, isto impossibilita por si só o país sair fácil da crise que os próprios 30 partidos criaram. Tem níveis de democracia que devemos estar prontos para suportar se quisermos sair fácil desta crise.

Só na simplicidade repousa a verdadeira força e o verdadeiro poder. Reduzir o número de partidos.

Maquiavel faria isto sem dúvida.

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Ze Guimarães

Obrigado pelo comentário, Zé

Obrigado pelo comentário, Zé Guimarães. Na verdade, como disse lá no seu post, foi o seu texto que me pôs a refletir. Olha, os EUA não são bipartidários. Embora Democratas e Republicanos dominem quase totalmente a política, os EUA possuem pluripartidarismo, com diversos partidos pequenos e, além disso, possibilidade de candidaturas apartidária, os independentes.. A diferença entre lá e cá é que os pequenos praticamente não possuem representação parlamentar e jamais tiveram força para eleger um presidente. Então, a divisão de forças é de fato entre democratas e republicanos. Aqui, são pelo menos uns dez partidos médios e grandes. Fica difícil controlar. Mas sou refratário à redução da democracia efetuada em nome dela. Creio ser possível a criação de mecanismos que auxiliem a governabilidade sem mitigação do espírito democrático. Enfim, o que você pensa, o que eu penso e o que todas as pessoas preocupadas com a democracia pensam devem ser motivo de reflexão. Em meu blog tenho um texto no qual proponho o fim das eleições e a adoção de algo muito mais democrático e igualitário: o sorteio. Pode ser uma maluquice, mas duvido que seja pior do que o estado atual da político no mundo inteiro. Grande abraço.

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de acordo

Se houvesse um pouquinho de vontade de nossos politicos daria para fazer uma reforma politica digna de nome.

Mas com a bancada ruralista+ evangelica+da bala etc não podemos esperar muito.

E assim vamos piorando ano a ano,

É verdade que muitos eleitores não ajudam.

Quem vota num bolsonado, collor, renam e cunhas não pode reclamar de nada!

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Bovino

Puxadores

Com as atuais regras, a Esquerda necessita de puxadores de voto para o Legislativo. Pega aqueles artistas Globais que sobem em palanque, o Trajano, o Casagrande, o Tostão, rappers e funkeiros da periferia, etc.

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paulovi

Pois bem 'seo' Marcio, penso

Pois bem 'seo' Marcio, penso nisso há anos e também penso que nas campanhas eleitorais não se vê, nunca, um vídeo que se refira ao que está acontecendo, é sempre o desespero em pedir votos para pedro, paula, maria e joana. Custa fazer um vídeo educativo de campanha que vá ao ar pelo menos uma vezinha por semana? Sem base é o eterno toma lá dá cá. É difícil. Por favor, escreva mais regularmente, é sempre um prazer a leitura de seus textos. Boa sorte!

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Obrigado, Paulo Vi (ou seria

Obrigado, Paulo Vi (ou seria Paulo VI, como o Papa?) pelo gentil comentário. Abração.

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Giuseppe Junior

Finalmente um post para

Finalmente um post para tratar sobre a importância da conquista do legislativo para o fortalecimento e implementação das ideias progressistas em nossa sociedade.  Coisa tão óbvia, mas que vem passando batido.  Parabéns ao autor.

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Tamosai no GGN

Concordo

Concordo, e me permito acrescentar: um candidato forte à presidência que puxe muitas candidaturas no Legislativo. O candidato a Presidente deve fazer o máximo para ter uma maioria de centro-esquerda no Congresso. Sem isso, vamos marcar passo.

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"...Não havia qualquer outro

"...Não havia qualquer outro caminho político para o PT governar senão aderir ao modelo existente..."

Os argumentos de tão prosaicos me fazem sentir dó, com todo respeito.

O senhor não faz um pingo de ideia sobre o que acha que sabe.

Me desculpe se isso irá te ofender.

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Ser prosaico não me ofende.

Ser prosaico não me ofende. Gosto de prosa.

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Vou te dar um exemplo só

Vou te dar um exemplo só dessa, me desculpe, bobagem que disse sobre o "não ter o que fazer".

Vou me ater apenas à lógica, primeiramente.

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Não tolheu, nem amputou, nem decepou um assunto deixando apenas o tronco.

Você e muitos - inacreditavelmente o próprio blog - quando fazem uso desse artifício simplesmente pioram a coisa.

Porque FECHAM o sistema, criam uma verdade absoluta a respeito da qual não há contra argumentação.

Não opina, mas declara uma verdade incontestável.

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Quando descemos para a teoria aí a coisa é o absurdo completo. 

Vou dizer de novo, por favor me desculpe MUITO. Mas não faz muito ideia do que diz.

porque SENDO GOVERNO o que você mais pode fazer é justamente MUDAR A REALIDADE.

Mais do que isso:

SENDO GOVERNO você é o que MAIS PODE MUDAR A REALIDADE.

.

Vocês não sabem (e o que suspeito ultimamente: NÃO QUEREM saber) do gigantesco PODER DE FOGO de um governo.

Tão mais cabuloso num país sulamericano que concentra demasiada força no centro E no Presidente.

Estou falando de teoria E de fato aqui, NÃO é brincadeira.

 

 

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Henrique Beaga

O que se pode fazer?

Coloque um argumento lógico que conteste o texto dele, o seu ressentimento em relação ao PT é cego.
O que se pode fazer num país onde o executivo é refém do legislativo corrupto? me explique
No Brasil até procuradores regionais conseguem parar obras públicas do executivo federal, vc sabe disso?
O problema me parece ser da constituição (não sou especialista em direito) que da poder demais pra legislativo e judiciário e pouco pro executivo.
Qualquer tentativa de reformas na base da força, que não passem pelo congresso corrupto que temos, viola leis, é Stalinismo vc sabe disso.

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Que mané refém de legislativo

Que mané refém de legislativo corrupto o quê, cidadão, acorda filhão!

Um presidente da república possui mil ferramentas à sua disposição, nomeia é Presidente da Petrobrás, nomeia ministro do supremo, tem competência para propor leis no Congresso, nomear o Presidente do Banco Central, do BNDES, tem dezenas de bilhões de reais para investimento.

Enfim, tem uma caixa inteirinha de ferramentas para AGIR!

Ocorre que para agir é preciso SABER, é preciso ter métodos, ter ciência, noção.

.

Pouco poder para o Executivo?

Um Presidente latino americano liberdade de ação mais ampla que da maioria dos países democráticos.

É o OPOSTO do que você está dizendo. O nome desse conceito é SUPERPRESIDENCIALISMO.

Basta digitar no google e você terá os maiores cientistas políticos comentando a situação.

.

Sim, é verdade que o Ministério Público pode paralisar obras e até o Estado devido a, está certo o que diz, fragilidades legais. 

Ocorre que é justamente alguém com PODER de ação suficiente é que pode AGIR para ALTERAR a situação.

Não sou eu, não é você... É o pica dos picas, meu querido.

Esse pica dos picas faz parte de um seletíssimo grupo composto pelas pessoas mais poderosas do mundo.

São justamente os chefes do Estado.

É difícil? Claro que é difícil.

Mas, o que vocês querem? Facilidades, molezinha, melzinho na chupetinha para o neném mamar.

.

De onde você tirou esse papo de Stalinismo?

Lógico que deverá ser feito através das leis.

E não só isso: de acordo com as leis e, acredite, com elevados padrões éticos de conduta.

Por exemplo: Vocês não fazem a mais pálida noção do significado do Lula apertando as mãos do Maluf e posando para fotos.

 

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Henrique Beaga

...

O fato de um presidente ter poder pra nomear ministro do STF ou presidente de estatal não quer dizer que ele consiga APROVAR reformas num congresso corrupto como o nosso.
Você acha mesmo que boquinha política em estatal ou pressão do STF vai fazer metade do congresso votar a favor de reforma progressista?
"Tem competência pra propor leis" e quem garante que irão passar?
Por favor me mostre uma lógica nesse sonho que você está pensando

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Poxa, cara, eu também AMO uma

Poxa, cara, eu também AMO uma boa prosa.

Mas a platitude em assuntos complicadíssimos seguramente não é uma boa prosa.

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Somebody

Não é uma boa idéia manter

Não é uma boa idéia manter tantos partidos porquê acaba acontecendo o que aconteceu que são as suas "mega coalizões", uma massa de siglas sem ideologia que não se importam de se vender pelo melhor preço como as coalizões mostraram. Mas também admito que não é saudável o sistema de dois partidos que acontece na prática no meu país (Democratas ou Republicanos, o que significa escolher entre direita ou extrema direita, sem nenhuma opção de centro ou de esquerda). É minha opinião honesta que se vocês se atessem aos principais partidos (PT, PSDB, DEM, PCdoB, etc) já seria suficiente, ou melhor dizendo, os partidos com ideologia forte e claramente definida.

E é importante eu dizer que os conspiradores não respeitam as suas leis e também não respeitam a constituição, logo seria inútil simplesmente criar novas leis sem antes eliminar os conspiradores. Vocês não estão lidando com pessoas que simplesmente têm opiniões divergentes, você estão lidando com um câncer escravocrata que vocês jamais tiveram a coragem necessária para eliminar. E enquanto esse câncer não for eliminado fisicamente ele irá continuar controlando o país por meio de golpes de estado sempre que a vontade dele não for cumprida à risca.

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Nesta data querida ...

Boa tarde Márcio.

Há dois anos, aportava por aqui pelas tuas mãos. A Carta Aberta ao Da Matta parecia então um libelo, mas quem poderia supor, naquele momento, que estava em gestação avançada um retrocesso tão doloroso?

Restou o aprendizado, a lembrança de tempos mais felizes e a alegria de ter conhecido artífices valorosos, como você.

Mesmo depois da partida, estou ancorada aqui.Teu texto, hoje, é quase um presente e me fez querer escrever nesta tela.

Fora nosso Parlamento de outro jaez... Mas quem os colocou lá?

Pena você escrever tão esporadicamente. Tens um dos melhores textos desta "sfera". Um ativo de inestimável valor.

Um abraço.

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Anna Dutra

Obrigado, Anna Dutra, sempre

Obrigado, Anna Dutra, sempre tão carinhosa.

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