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A insanidade do apelo a Bolsonaro ou à intervenção militar, por Marcio Valley

do blog do Marcio Valley

A insanidade do apelo a Bolsonaro ou à intervenção militar

por Marcio Valley

Em dezembro de 2016, o site Brasil 247 reproduziu um artigo publicado no Estadão, de autoria do general Rômulo Bini Pereira. No artigo, assim declarou o militar:

Se o clamor popular alcançar relevância, as Forças Armadas poderão ser chamadas a intervir, inclusive em defesa do Estado e das instituições.

Elas serão a última trincheira defensiva desta temível e indesejável 'ida para o brejo'. Não é apologia ou invencionice.

Por isso, repito: alertar é preciso (1).

O artigo, portanto, era uma advertência do militar: cuidado que a Cuca vai te pegar. No texto, o general sustenta que um exemplo de desgraça política capaz de prejudicar o país e de exigir a atuação dos militares seria a invasão promovida na Câmara dos Deputados por um grupo de manifestantes. O exemplo é bisonho de tão superficial. O general percebe como desgraça uma situação absolutamente normal em qualquer ambiente democrático: a manifestação popular.

Declarações públicas levianas desse naipe, nesse específico caso vinda de uma pessoa que possui a responsabilidade institucional de manter pacífico o ambiente coletivo, interna ou externamente, são responsáveis por tornar a opinião pública insensível às barbaridades cometidas contra os cidadãos, seja quando pacificamente exercitam o direito de manifestar-se politicamente nas ruas de nossas cidades, seja no desrespeito aos direitos humanos mínimos testemunhado com frequência na atuação de nossas diversas polícias, que silenciosamente matam milhares de pessoas por ano sob o pálio da segurança pública, principalmente pobres e negros.

Manifestações populares, inclusive e principalmente as que adentram o palácio mais destacado do povo, os parlamentos, constituem um direito do cidadão garantido pelas constituições de qualquer país democrático e civilizado do mundo. Devem ser meramente observadas pelo aparato de segurança estatal, tanto para dar segurança aos manifestantes, como para exercitar a repressão sobre eventual excesso cometido, ainda assim de forma proporcional ao excesso. De forma nenhuma é aceitável o que ocorreu em Goiânia, quando um jovem manifestante, apenas por ser manifestante e ter a boca e o nariz cobertos por um lenço, presumivelmente como defesa contra gás lacrimogênio, recebeu uma cacetada tão violenta na cabeça que partiu o cassetete ao meio. O jovem se encontra em grave risco de morte ou de sobreviver com sequelas terríveis. As autoridades públicas possuem o dever de agir para que o policial que praticou tal ato responda por tentativa de homicídio agravada pelo motivo fútil. Quem teve a experiência de segurar um pesado e denso cassetete policial nas mãos sabe que, para ser quebrado no corpo de alguém, a violência da pancada exige que o agente assuma o risco de obtenção do evento morte na ação. O dolo é, minimamente, eventual.

Como é possível que, num país que amargou 24 anos de ditadura militar, um general esteja publicamente admitindo a possibilidade de intervenção militar? Ou, ainda, que parte da população clame por uma intervenção militar ou pela eleição de uma caricatura do militarismo, o deputado Bolsonaro? Bolsonaro prefigura, em suas declarações, o perigo totalitarista que nos espreita.

Existem duas coisas boas a falar sobre Bolsonaro. Primeiro, o fato de defender ideias nacionalistas e de proteção dos interesses nacionais. Ocorre que, se por um lado o nacionalismo é bom ao colocar o país em local privilegiado na tomada de decisões públicas, por outro, sua versão extremada é capaz de conduzir a coisas indizíveis, como as realizadas pelo supernacionalista Hitler em sua época. Por tudo que declara, Bolsonaro pratica o tipo extremado de nacionalismo, à moda nazista.

A segunda coisa boa que se pode falar sobre ele é quanto à sua inacreditável transparência. Ciente de estar revestido pelo manto protetor da imunidade parlamentar no que concerne às suas declarações, Bolsonaro não exercita a fácil hipocrisia, ferramenta comum às pessoas públicas. Não oculta a própria malignidade e nos diz clara e cristalinamente quem é. Ainda assim, revelando-se em sua crueza e inteireza, cresce nas pesquisas.

São duas coisas de duvidoso mérito em meio a incontáveis outras "qualidades" muito, mas muito ruins que caracterizam a personalidade e o caráter do deputado.

Bolsonaro é publicamente contra a democracia, que classifica como uma porcaria. No passado, quando ainda não tinha chance alguma de ser presidente, concedeu entrevista na qual disse que, se eleito presidente, fecharia o Congresso e daria um golpe de Estado no mesmo dia. Sustenta, sem meias palavras, que a ditadura militar brasileira foi gloriosa, assim como a chilena; defende a tortura e morte de adversários políticos de ambos os regimes; já sustentou que as ditaduras brasileira e chilena, esta com mais de três mil mortes, matou pouco; é favorável à utilização das forças armadas contra os poderes judiciário e legislativo, caso atrapalhem o governo, como fez Fujimori quando presidente do Peru.

Com sua confusa inteligência política, Bolsonaro advoga que a ditadura brasileira – realizada à força pelos militares e durante a qual não se exercia plenamente o direito ao voto e não existia direito a manifestações políticas pelo povo – foi um movimento “democrático”, assertiva que desafia o conceito de democracia produzido pela ciência política. Sem espanto algum, trata-se exatamente da opinião de quem clama pelo militarismo ou por Bolsonaro, fruto evidente de ignorância política.

Aparentando total insciência ou desprezo sobre a conturbada relação histórica entre política e religião, Bolsonaro é contra o Estado laico (2), defendendo que a visão religiosa deve prevalecer também no plano político, tal e qual já ocorreu no passado e continua a ocorrer, hoje em dia, nos países muçulmanos. Como se sabe, teocracias dominam amplamente a vida privada dos cidadãos, negando a plena liberdade religiosa e de exposição de pensamento, além de agravar pesadamente o patriarcado, colocando a mulher como um apêndice obediente do homem. O posicionamento não surpreende, vindo de um homem que já produziu declarações apologéticas ao estupro, sobre as quais ainda pende uma ação criminal, e defendeu salário menor para as mulheres, sob a justificativa de que engravidam e recebem salário maternidade. Sua inclinação misógina é revelada inclusive quando se refere pejorativamente à própria filha, nascida após quatro filhos do sexo masculino. A filha, segundo ele, resultou de uma “fraquejada” sua (3), caso contrário teria tido um quinto filho macho.

O deputado não é violento somente no aspecto da atuação política, mas, também, em suas visões sobre as interrelações sociais. Ele defende a pena de morte e, à sua falta, pontifica que a polícia deveria “matar mais”. Defende, assim, que nossos policiais se transformem em assassinos públicos, matando segundo o seu próprio juízo de valor, sem necessidade de lei instituidora da pena de morte e muito menos de sentença que a determine.

Além de antidemocrático e misógino, o nobre deputado ainda reúne em si as “qualidades” pouco invejáveis de homofobia e racismo. Sim, pois, sem meias-palavras, diz que preferiria ver um filho morto a ser homossexual e que a residência de homossexuais desvaloriza a casa dos vizinhos. Defende a violência contra homossexuais, inclusive pelos pais, como forma de correção, e argumenta que eles não devem ser protegidos por leis anti-homofobia. Não titubeia em declarar que ele própria agrediria um casal de gays se os visse se beijando em público.

E o deputado não para em sua sanha de reunir em si as piores inclinações políticas possíveis e imagináveis. Ele é, também, contra o direito das minorias, que devem sucumbir às maiorias. Considera os índios fedorentos e mal-educados (deve preferir índios com doutorado que utilizem sabonetes). Recentemente, em abril desse ano, no Clube Hebraica, clube carioca localizado na zona rica da cidade e, obviamente, frequentado por privilegiados, proferiu discurso afirmando que, se eleito presidente, extinguirá todas as reservas indígenas e todas as comunidades quilombolas. No mesmo ato, e sem temer evidenciar ainda mais um racismo já evidente, referiu-se a afrodescendentes quilombolas como se fossem escravos, dizendo que o mais leve deles pesava sete arrobas (medida de peso de animais) e que, com esse peso, não serviria sequer como procriador. Como se sabe, os proprietários escolhem os melhores animais para que procriem, assim gerando um melhoramento genético da raça. Nos tempos da escravidão, fazia-se o mesmo com os escravos. Bolsonaro sabia disso ao produzir sua piada racista e se lixou. A plateia, racista como ele, achou muita graça da piada.

Como é possível uma pessoa tão ignóbil politicamente figurar dentre os mais populares candidatos a qualquer cargo político e, principalmente, ao de presidente da República? Como é possível que eleitores que se consideram democráticos, e que desejam continuar a influir nas escolhas políticas do futuro, sequer possam supor a alternativa militar? E, pior, como podem pessoas negras, homossexuais ou mulheres declarar o voto em Bolsonaro?

Afora a possibilidade mais provável da opção decorrer do mal banal sempre presente em grande parte dos seres humanos, é possível que muitas delas estejam sofrendo da terrível angústia de produzir escolhas complexas.

Como isso se processaria? Explico. Uma pequeníssima, mas barulhenta, porção de brasileiros aderiu, de forma consciente, à alternativa apresentada pela extrema direita mundial. Essa pequena fatia produz incessantes e insanos apelos de adesão ao extremismo aos eleitores frustrados com a política. No Brasil, tais pessoas são identificadas como simpatizantes de celebridades políticas como o exaustivamente mencionado Bolsonaro e outras igualmente deletérias como Malafaia, Marcelo Madureira, Alexandre Frota, Lobão e outros desse naipe.

Isso, contudo, não seria o bastante, não fosse a concomitante existência de interesses econômicos poderosos que ressoam a mensagem da extrema direita, sem a indispensável produção de crítica inteligente. Rede Globo e outros órgão de imprensa, como Abril, Estadão e Folha de São Paulo, não espantam a ideia da ditadura, pois possuem expertise em lidar lucrativamente com o autoritarismo, como brilhantemente demonstrou a Globo no período dos governos militares, durante o qual se tornou a maior empresa de informação do país simplesmente negociando com os ditadores e não permitindo que seus jornalistas produzissem críticas ácidas demais ao stablishment militar. Com o apoio da grande mídia, ou sua inércia, a mensagem dos adeptos da instauração de um regime autoritário consegue atingir os temores íntimos de parte da população.

Sabe-se que o ser humano vive em eterno dilema entre o desejo de liberdade total e a necessidade sempre presente de formular escolhas. Ser livre é, basicamente, não possuir restrições à escolha entre alternativas. O ser humano, contudo, de forma contraditória, aprecia a liberdade em tese, mas não gosta de escolher na prática. Quanto mais alternativas, menos sente-se confortável para optar. O ser humano médio aprecia a segurança proporcionada pela rotina caracterizada pela monotonia das imposições pré-ordenadas e que, portanto, configura a antítese da liberdade.

Assim, quanto mais complexa a escolha, mais o ser humano médio sofrerá por ter de fazê-la. A complexidade pressupõe a necessidade de reflexão mais profunda sobre aspectos mais diversificados da situação posta. Como pontificava Sartre, o ser humano está condenado a vivenciar a angústia da liberdade, pois nada é capaz de eximi-lo dessa liberdade. Seguindo esse ensinamento, o caminho mais fácil para reduzir a angústia existencial seria mitigar a quantidade de opções possíveis. Segundo o psicólogo-palestrante Barry Schwartz, é mais fácil e menos frustrante escolher um jeans entre dois ou três modelos do que entre mil. O aumento de liberdade, nesse caso, se transforma em incremento da angústia na escolha e de inevitável insatisfação com seja o que for escolhido, pois jamais se saberá como seria a realidade com a alternativa que foi relegada.

Ora, a situação política brasileira provavelmente nunca foi mais complexa do que a atual. Vivemos um simulacro de democracia. A situação prática é próxima a de uma ditadura, com manifestações populares sendo reprimidas violentamente para que projetos de elite sejam aprovados apesar da insatisfação maciça do povo em relação a tais projetos. A imprensa internacional denuncia o golpe e a fraude das reformas, mas a população não sabe disso, pois a imprensa nacional, comprometida com o projeto golpista, produz manchetes de um mundo de fantasia, no qual tudo está indo muito bem, apesar de ficar cada vez pior.

Por conta dessa atuação maligna da imprensa majoritária, esmaeceu, nos cidadãos, a compreensão do verdadeiro conceito de democracia, o que é e para que serve. Fugiu de suas mentes o entendimento de que a política não tem como ser negada sem sofrimento ainda maior, pois é ela o único meio seguro e pacífico de intermediação dos conflitos públicos. É a política a melhor ferramenta para a solução, sem violência, da questão da divisão social dos recursos escassos. Sem ela, como evitar graves confrontos entre os indivíduos e classes sociais que necessitam desses recursos? O mero uso da força pode muito, mas não pode tudo.

Todavia, embora esmaecido, a noção de democracia não desapareceu completamente da consciência das pessoas. Algo remanesce, incômodo, mesmo no espíritos dos cidadãos mais desatinados que atenderam ao canto de sereia da intervenção militar. A resistência encontra explicação no fato de que a grande imprensa não é mais a única voz da Ágora moderna.

Os gregos clássicos nos deixaram de legado a Ágora como uma espécie de interface entre os interesses privados e os públicos, forma encontrada para que o coletivo não engolisse o privado e vice-versa. Para os gregos a Ágora era uma espaço físico real no qual, diretamente, os próprios cidadãos (por eles denominados de “políticos”, eis a origem da palavra) exerciam o direito à voz e ao voto para a escolha das ações do governo a serem produzidas. Posteriormente, dado o aumento da complexidade social, passou a ser uma realidade virtual e restou dividida em seus aspectos de voz e de voto. A voz do cidadão – que é a Ágora propriamente dita – foi intermedida passando a ser entendida como a “opinião pública”, considerada como tal aquilo que é publicado pela imprensa. Seu voto – a escolha final do cidadão – passou a ser indireto, utilizado apenas para escolher o representante parlamentar que de fato irá escolher a política pública prevalecente. Ainda que tenha passado a ser assim, a “Ágora intermediada” não perdeu o poder de influenciar a atuação dos representantes políticos em direção à realização de uma suposta demanda pública. Claro que, tratando-se de opinião reflexa e presumida, a nova Ágora intermediada é permeada e contaminada pelos interesses de quem divulga a “opinião pública”.

Afora a imprensa, a principal alternativa para o cidadão exercitar a voz política seria coletivamente, através de passeatas e outras manifestações públicas, menos presentes e sempre mais difíceis de organizar.

Eis, porém, que surge uma nova Ágora, ainda incipiente, que devolve ao cidadão a voz política e faz ressurgir das cinzas sua capacidade de influir politicamente: a massificação da internet e a consequente pulverização da informação através de sites de notícia independentes, blogs e redes sociais. Com seu potencial de esvaziar o poder da Ágora intermediada de definir a pauta da discussão pública, a nova Ágora – a internet – é considerada, por aquela, como inimiga a ser combatida. Então, a grande mídia busca criar a imagem falsa de que interesses políticos somente permeiam a nova Ágora, como se não viciasse muito mais a própria atuação. Não por outro motivo, um dos primeiros atos do governo golpista é fazer cessar a propaganda estatal para a mídia digital independente, embora mantendo e até aumentando a receita da mídia tradicional, sua aliada.

Entretanto, ainda que em menor expressão, a mídia digital independente alcança amplos setores da população e torna públicos posicionamentos políticos totalmente diversos daqueles que a mídia tradicional representa. O mundo das manchetes dos grandes jornais é um mundo muito diferente daquele que emana dos artigos e reportagens dos jornalistas e blogueiros independentes. Sobre um mesmo tema, a mídia majoritária fala de Marte e a alternativa, de Vênus. Essa ampla diversidade na análise política provoca um curto-circuito na cabeça do cidadão. As alternativas de visão de mundo são disparatadas demais para que uma escolha seja produzida sem angústia e sem um demorado e laborioso processo de reflexão.

A escolha mais fácil parece ser colocar todos os políticos no mesmo balaio conceitual e posicionar-se em favor do regime que produz o menor número de opções políticas: a ditadura. Sem preocupação com o registro histórico sobre os modelos de rotina pública adotados pós-implantação de regimes autoritários – que indefectivelmente massacra e silencia os cidadãos – o cidadão desavisado se percebe apoiando uma intervenção militar ou sua versão estilizada em Bolsonaro.

Essa é a explicação para a opção política pela intervenção militar ou por Bolsonaro: a inércia cognitiva provocada pela dificuldade de escolha. Isso aliado a uma boa dose de pusilanimidade moral. Quem escolhe o militarismo ou Bolsonaro escolhe não ter escolhas. Escolhe ser aprisionado em seus pensamentos. Escolhe o fim da democracia e o fim da política. Escolhe silenciar, ou mesmo compactuar, frente às iniquidades que virão inevitavelmente a partir da instalação de um regime ditatorial fascista. Escolhe uma sociedade pautada pela experiência da segregação aberta e despudorada que poderão emergir do sempre possível endurecimento do regime, com as facetas horrendas do racismo, da misoginia, da homofobia, da xenofobia e do fim da liberdade religiosa.

De modo nenhum quem clama pelo militarismo ou se declara eleitor do Bolsonaro pode afirmar-se democrata, pois utiliza a liberdade proporcionada pela democracia justamente para nela pôr fim e para destruir as liberdades civis. A inclinação favorável ao autoritarismo pode decorrer de más intenções, de sadismo, de masoquismo, de pura crueldade, de ignorância, de algum tipo de demência ou idiotia, mas, nunca, jamais pode ser creditada às exigências éticas de um espírito democrata. Nada que está fora do conjunto faz parte dele. Portanto, a pretensão de fim da democracia não integra o conjunto dos elementos democráticos.

Curiosamente, várias vivandeiras do militarismo repetem à exaustão, contra o pensamento de esquerda, o bordão "não gosta do Brasil, vá para Cuba ou para a Coreia do Norte", pretendendo com isso produzir uma crítica ao autoritarismo de esquerda supostamente praticado nesses países. Imaginam, talvez, que o autoritarismo de direita, com o qual sonham, seja diferente e melhor do que o desses países. São tolos. As primeiras vítimas do autoritarismo, de esquerda ou de direita, em geral são, paradoxalmente, os apoiadores de primeira hora.

É necessário compreender que, dentre as possibilidades de regimes de seleção de escolhas públicas, somente uma autoriza o cidadão a voltar atrás em sua decisão: a democracia. O adepto do canto de sereia da intervenção militar pode, hoje, afirmar que sua adesão não significa que seja segregacionista ou a favor da extinção dessa ou daquela liberdade. Contudo, ainda que se arrependa futuramente da malsinada opção, não poderá expor suas opiniões caso sobrevenha uma ditadura que estabeleça a iniquidade que diz repudiar. Após a ditadura, cessa toda e qualquer possibilidade de mudança que não venha pela resistência violenta ou pela mera vontade do ditador. A partir da ditadura, ao povo somente restam duas opções: adesão ao que vier, bom ou ruim, ou resistência. Como covardia, aderir à iniquidade e tentar sobreviver ou, como bravura, a ela resistir e aceitar morrer.

De fato, um panorama no qual ficam mais claras as diferenças e, portanto, mais simples o ato de escolher. No entanto, resta a cada um que busca o caminho fácil da redução das escolhas a autoindagação sobre se vale a pena conquistar essa facilidade, se ela nos torna mais humanos, inteligentes e sensíveis, ou se, pelo contrário, nos relega à condição de boi no gado ou formigas no formigueiro. Um perfeito sistema coletivo descerebrado.

Notas:

(1) Extraído em 2 de maio de 2017, do site: http://www.brasil247.com/pt/247/brasil/270859/General-j%C3%A1-alerta-sob...

(2) Extraído em 2 de maio de 2017, do site: http://www.jornaldaparaiba.com.br/politica/noticia/180921_bolsonaro-defe...

(3) Extraído em 2 de maio de 2017, do site: http://exame.abril.com.br/brasil/piada-de-bolsonaro-sobre-sua-filha-gera...

no blog: A insanidade do apelo a Bolsonaro ou à intervenção militar

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29 comentários

Comentários

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por enquanto, não..

Você pega uma pessoa privada de cultura, de amor e com sérios problemas sexuais, sobretudo culpa e frustração.. aí você injeta nessa pessoa doses cavalares de ódio e joga numa crise econômica.. esse é o eleitor do bolsonaro..

.. pelo menos por enquanto, não vai passar dos 12% do eleitorado..

.. mas atenção, 12% já é um número gigantesco..

.. se a nossa sociedade não investir muito seriamente em EDUCAÇÃO, CULTURA e ESPORTES, em um contexto de crescimento econômico, óbvio, é gigantesca a chance de um bolsonaro da vida chegar lá..

.. e paralelo a isso, é urgente acabar com a PM, com os programas policiais, cassar as concessões de TV para igrejas, além de taxá-las pesadamente, e descriminalizar a maconha..

.. já seria um enorme passo para um mundo melhor..

.. caso contrário, estamos ferrados.. vamos para a barbárie, direto sem escalas..

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Douglas Petrin

Bolsonaro Política

Está havendo exageros aqui de todas as partes! Eu entendo que o equilíbrio das duas opiniões seria essencial! Manter a democracia mas com mais rigor, limpar e separar os sujos dos limpos, acabar com reeleição que é o câncer dá política e acabar com voto obrigatório, fazer uma democracia sendo democracia, no âmbito dá segurança, fazer sim com mais rigor, usar as forças armadas para casos mais complexos como fronteiras e presídios, aumentar o salário desses homens e incentivar que haja mais interesse em ser defensor dá população e diminuir a corrupção entre eles, diminuir a quantidade de partidos e de cadeiras no congresso e nas câmaras municipais, algumas ideias do Bolsonaro não são ruins, mas precisa haver o equilíbrio, o Dória por exemplo está mostrando ser um cara limpo, administrador e duro na segurança, talvez uma versão parecida.

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Eric

A liberdade de expressão é

A liberdade de expressão é boa, mas tem hora que sai uma merda de artigo...

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Jenner Soares

Bolsonaro NUNCA foi

Bolsonaro NUNCA foi NACIONALISTA, votou a favor da venda do pré-sal à empresas estrangeiras. FALSOPATRIOTA.

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BinaryHack

Bolsonaro

Se vc não entende porque apóiam Bolsonaro, basta olhar para Maria, Jean, Lula, Dilma, Aécio, etc, etc. Não entende ainda? Olha para o PT, PMDB, PCdoB, PSDB, PSOL, etc, etc. Não há, pode vasculhar, não há mais íntegro que o Bolsonaro, neste momento não há. Bolsonaro leva processos por falar de forma nua e crua, e quando a verdade bate machuca, e machuca muito, fere o ego. A melhor saída dos que se vitimizam é ação judicial, diria que é a única saída que os esquerdopatas acham neste momento. Essa insanidade, escritor, é um pedido de socorro, um desesperado pedido de socorro, onde a sociedade não aguenta mais ser assaltado por engravatados. Bolsonaro hoje significa pulso firme, mão forte para tentar tirar esses canalhas de trás das cortinas, para tirar poder de marginais, assassinos, estupradores, que os "direitos humanos" os tem dado. O Brasil está insano, de tanta injustiça, te tanto roubo, de tanto dinheiro que mandam pra fora para os companheiros construírem, enquanto o Brasil afunda em roubos, assaltos em cima de assaltos. Quem se diz manter a sanidade fecha os olhos para os problemas. O povo está cansado de falarem em mudar o Brasil, quando aparece alguém capaz de mudar de verdade, o esquerdalhas tremem, piram, e chamam os outros de insanos.

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Rui Ribeiro

Dizem que dois bicudos não se beijam

Deve ser em razão de dois bicudos não se beijarem, que um canalha atrás das cortinas quer tirar outros supostos marginais concorrentes de detrás das cortinas.

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Rodrigo Luciano

Deus salve o Brasil e sejamos

Deus salve o Brasil e sejamos gratos pelos militares que nos livraram da situação que hoje é Cuba é a Venezuela. E quando falam em ditadura, eu nem sei de onde estão falando por que aqui no Brasil nao teve isso. Quem brinca com fogo corre o risco de se queimar. Pontas revolucionários que não sabiam aonde se metiam.

E só para lembrar, o partido nazista era de esquerda. Não comparem Bolsonaro a Hitler. Isso é ridiculo.

PARTIDO Nacional Socialista dos TRABALHADORES Alemães. Será isso mera coincidência?

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Rodrigo, se você acha que uma

Rodrigo, se você acha que uma coisa deve ser categorizada em função do nome a ela atribuída, tome cuidado. Alguém pode colar um emblema de Civic num Fusca e te vender como tal. Grande abraço.

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Rui Ribeiro

Ou melhor, alguém pode dar bosta ao Luciano chamando-a de caviar

Já imaginou se alguém rotula uma lata cheia de bosta com o nome de caviar e dá a lata de presente para o Luciano?

Luciano, pare com essa sua coprofagia.

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Grazy

PQ SERÁ Q MEU OUTRO

PQ SERÁ Q MEU OUTRO COMENTÁRIO NÃO FOI SALVO? SERÁ Q É PQ FALEI AS VERDADES MÁRCIO VALLEY?

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Grazy

Q TEXTO MEDÍOCRE! CLARO, ESSA

Q TEXTO MEDÍOCRE! CLARO, ESSA MÍDIA SEMPRE FOI MESMO MEDÍOCRE COM SUAS MENTIRAS INFUNDADAS! SE O POVO DE BEM APÓIA BOLSONARO OU MESMO A INTERVENÇÃO MILITAR, É PQ NÃO AGUENTA MAIS TANTA CORRUPÇÃO, IMORALIDADE, INSEGURANÇA E, CLARO, ESSA MÍDIA, Q É TÃO PODRE E CORRUPTA COMO OS POLÍTICOS SUJOS Q SÃO OS MAIORES INIMIGOS DO POVO DE BEM! POR ESSAS E OUTRAS Q DIZEMOS SIM A BOLSONARO Q É UM DOS ÚNICOS POLÍTICOS HONESTOS, FICHA LIMPA E Q AMA VERDADEIRAMENTE SUA NAÇÃO E SIM A INTERVENÇÃO MILITAR.
CHEGA DE MENTIRAS COVARDES, Q SÓ SERVEM PARA DENEGRIR A FIGURA DE PESSOAS Q SÓ QREM O MELHOR PARA O POVO E PARA NOSSO PAÍS! POR CAUSA DE PESSOAS COMO VC, MÁRCIO VALLEY E ESSA MÍDIA CORROMPIDA, Q DE TÃO TOSCA EMPREGA "PROFISSIONAIS" PATÉTICOS COMO VC, Q NOSSO LINDO BRASIL SE TORNOU ESSA VERGONHA MUNDIAL!

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Grazy, tudo que falei sobre o

Grazy, tudo que falei sobre o Bolsonaro foi extraído de notícias publicadas na grande imprensa e de vídeos do próprio deputado falando, confirmando a personalidade denunciada nas notícias. Cuidado, você é mulher. Pense bem antes de votar em quem não respeita as mulheres. Caso você queira um resumo de quem ele é, por favor, visite esse site: https://pt.wikipedia.org/wiki/Jair_Bolsonaro. Grande abraço.

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Rui Ribeiro

Qualquer bosta serve de tábua de salvação para a elite

Qualquer bosta n'água serve de tábua para a elite se agarrar e tentar salvar seus prvilégios. Mas mesmo que consigam adiar o fim desses privilégios, o fim dos fascistas não é promissor. Que o digam Mussolini

No máximo o Bostonaro ou os Gorilas vão adiar por pouco tempo o fim dos privilégios das elites. Eles poderão até não perder os dedos, mas certamente perderão os anéis.

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Leandro Granada

Nunca li tanta asneira

Cara, que ridículo. Você pode discordar de posições políticas, mas inventar declarações para denegrir a imagem de alguém a fim de favorecer seus ideais é sacanagem.
Quer mesmo saber pq ele está crescendo nas pesquisas? Bom, boa parte das pessoas está se tornando politizada, deixando de se deixar guiar pelas asneiras que a mídia impõe, como esta, e tirando suas próprias conclusões.
Só há dois motivos para não se votar nele:
1) Esquerdistas que sabem que ele é uma boa pessoa, mas inventam de tudo para queima-lo e alcançar seus ideais políticos.
2) Ignorância extrema. Ignorante é aquele que ignora os fatos e a realidade.

Resumindo, insanidade é ver seus discursos e tirar essas suas conclusões, pois aviltam contra a própria razão.

Senti vergonha alheia ao ler este artigo.

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Leandro, o que escrevi sobre

Leandro, o que escrevi sobre o Bolsonaro não saiu de minha imaginação, foi extraído de notícias publicadas na grande imprensa e de vídeos do próprio deputado falando, confirmando a personalidade denunciada nas notícias. Caso você queira um resumo de quem ele é, por favor, visite esse site: https://pt.wikipedia.org/wiki/Jair_Bolsonaro. Grande abraço.

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Henrique ferreira leles

Que piada o cara se diz

Que piada o cara se diz escritor e usa a Wikipédia como base ,todo mundo sabe que o que esta na Wikipédia pode ser facilmente mudado ,os mesmos esquerdistas adulteram a Wikipédia criando textos sem o menor fundamento para denegrir a imagem de Bolsonaro depois eles se baseiam nas próprias mentiras que plantam na Wikipédia para escrever artigos lixo como esse , eu fiquei com vergonha por você ao ler esse artigo kkkkkk.

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joel lima

Falo pras pessoas próximas

Falo pras pessoas próximas que não devemos de jeito nenhum descartar a possibilidade de Bolsonaro chegar ao poder. Parte da população americana - e quase toda a sua elite - acharam que Trump nunca chegaria lá e ele chegou. Bolsonoro transforma Trump num Roosevelt. Ele tem como alma gêmea o presidente-justiceiro da Felipinas, Duterte. Lembro que há dois fatores que podem fortalecer muito uma candidatura de Bolsonaro = a terra arrasada da política nacional - tendo como ápice a proibição de Lula se canditar - e um estouro social altamente possível com uma política econômica que leva o país ao abismo. 

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Rui Ribeiro

Acho que o fator decisivo para empoderar o Bolsonaro é

Acho que o fator decisivo para empoderar o idiota Bolsonaro é a apatia dos Movimentos Sociais. Se os Movimentos Sociais tivessem ficado apáticos no século passado, os Galinhas Verdes não teriam saído em revoada da Praça da Sé e o Brasil poderia ter sucumbido ao fascismo.

O que deve nos preocupar não é o barulho dos maus, é o silêncio dos bons. Luter King

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Lâmpada de Diógenes

Como é possível? Essa é muito fácil de responder.

"Como é possível que, num país que amargou 24 anos de ditadura militar, um general esteja publicamente admitindo a possibilidade de intervenção militar?" Resposta: Nunca se colocou, de fato, um ponto final na ditadura. Houve punições? Foi revogada a Lei de Segurança Nacional? Acabou a tortura? Os corpos foram localizados? E o que fizeram Lula, Dilma e PT, sobre isso? Nada.

Veja o exemplo do fim do apartheid, na África do Sul. Os membros das forças de segurança envolvidos em violências foram anistiados, DESDE QUE viessem a público admitindo tudo o que tinham feito, encarando vítimas e parentes das vítimas.

 

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Arvore e florestas

   Já passa da hora que os que ainda se preocupam com a democracia neste País, independente de qual posição tenham no espectro ideológico, que analisar a performance de Bolsonaro é olhar apenas a "arvore" e não reparar na "floresta", melhor escrevendo : o "Deputado-Capitão" é um "coelho" de maratona,  este é o verdadeiro perigo que ele representa.

    O "Impedido" vai ao limite de suas teses retrogradas, misóginas, racistas, facistas, e mesmo assim contenta, de acordo com pesquisas, um percentual relativamente elevado de votos distribuidos em varios segmentos e locais, sempre a frente até mesmo de politicos mais "tradicionais" adidos ao segmento conservador, portanto :

     A "votação" de Bolsonaro pode ser um "teto" para ele, mas um "ponto de partida" para uma candidatura que incorpore suas "teses" em uma roupagem mais sutil , que demonstre ao publico um maior sentido de "autoridade", e claro, por disciplina e acordo, o "Capitão - Deputado" seria rifado , ou melhor escrevendo : Hierarquizado e disciplinado.

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imagem de AMORAIZA
AMORAIZA

PERFIL

O perfil do Bolsa é de deixar o Trump humilhado.

Esse mundo é como é, suponho, porque a vida nos dá oportunidade de experimentarmos o mal que desejamos ao próximo. 

Se o Bolsa experimentar um governante como ele o seria, fazendo o que ele promete, torturando como acha de direito, já estaria de bom tamanho, MAS  SÓ PRA ELE,  NO MUNDO DELE!

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imagem de adroaldo lima linhares
adroaldo lima linhares

AINDA BEM QUE PODEMOS CONTAR

AINDA BEM QUE PODEMOS CONTAR COM A CORAGEM E A HOMBRIDADE DOS NOSSOS MILITARES. QUALQUER COISA ELES CORAJOSAMENTE DEFENDERÃO A PÁTRIA E OS BRASILEIROS. KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK

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Marcos_Almeida

A evidência e, tragicamente

A evidência e, tragicamente de certa forma, a relevância que esse indivíduo consegue matner, nos prova o quanto nosso país está podre e doentio. Esse foi uma das consequências de rasgar a constituição como os golpistas fizeram, elevaram a impunidade a um nível extremamente perigoso.

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Ivan de Union

Perdao, mas o texto do

Perdao, mas o texto do militar era ruim pacas!

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Ivan, de fato. Ao menos

Ivan, de fato. Ao menos serviu como gancho. Abraços.

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Leu esta ?

www.forte.jor.br/2017/05/03/general-heleno-critica-stf/

 

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Ivan de Union

Militar tao analfabeto que

Militar tao analfabeto que nao sabe que toda decisao do pior supremo do planeta tem a finalidade de proteger o partido dele e condenar todos os outros!

Uau!  Militar que nao consegue enxergar um unico passo aa frente dele!

Ele eh norte americano?!?!

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Quando li, já havia escrito o

Quando li, já havia escrito o texto, senão teria comentado sobre. Segue na mesma linha do outro general. Abraços.

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Midia

 Bini é quase um nada, um ex-general do Clube Militar /RJ ( um dos redutos do "Impedido" ), mas este o Augusto tem sólidos contatos com a midia de massa ( Rede Bandeirantes ).

  O perigo não é Bini ou Bolsonaro........pode ser outro.

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