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Razões para comemorarmos o Dia Internacional do Homem

Quando Simone de Beauvoir escreveu “O Segundo Sexo”, começou dizendo que a ninguém ocorreria escrever um livro sobre os homens. “Um homem não teria a ideia de escrever um livro sobre a situação singular que ocupam os machos na humanidade”, afirma ela. A filósofa francesa chamava a atenção para o fato de que, na medida em que ser homem era equivalente a ser humano, a mulher carregava a obrigação de se definir, se explicar, se apresentar a partir do seu sexo.

A centenária comemoração do Dia Internacional da Mulher – esse ano, pelo menos no Brasil, em ritmo de samba e carnaval – tem a ver com isso que a filósofa feminista francesa identificava: a distinção de uma certa singularidade para as mulheres naquilo que as diferenciam do padrão – supostamente neutro, mas historicamente masculino –, uma homenagem às especificidades do feminino.

Por isso, muitas mulheres defendem o fim das comemorações. No entender dessas defensoras da extinção do Dia Internacional da Mulher, as mulheres, uma vez incorporadas ao conceito de humanidade, poderiam prescindir da distinção. A questão tem a ver com um importante debate sobre o que é melhor: afirmar as mulheres como iguais aos homens ou como diferentes.

Como defensora das diferenças, quero mesmo é comemorar o Dia Internacional do Homem. Descubro que a data foi instituída por uma organização internacional que pretende denunciar a discriminação contra os homens. O dia 19 de novembro marcaria “os sacrifícios e contribuições masculinas na construção da sociedade.”

Na minha proposta, o dia teria como intenção a afirmação das singularidades do homem que tenha se libertado dos padrões de masculinidade, também aprisionadores. Seria uma homenagem aos homens que, livres da obrigação de seguir determinados comportamentos, fossem companheiros das mulheres que, ao longo do século XX, fizeram essa tremenda revolução nos costumes e comportamentos, mudando – para melhor – a cara das sociedades ocidentais.

Não se trata só de louvar o homem sensível, mas também e principalmente de comemorar a chegada da liberdade aos que também estiveram amarrados pelas exigências de exercer determinados papéis: provedor econômico, responsável pelo bem-estar da família, insensível aos seus próprios desejos, e portanto incapaz de estar ao lado da mulher amada, colocando-se sempre num lugar acima de qualquer suspeita de sensibilidade.

Comemorar o Dia Internacional do Homem pode ser uma ótima maneira de homenagear homens que souberam nos acompanhar nessa revolução e podem estar ao nosso lado.
http://carlarodrigues.uol.com.br/index.php/1968

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1 comentário(s)

Comentários

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O problema esta no modelo, e não num gênero específico

Os homens não deixam de ser vítimas, encabeçam as estatísticas  ..vivem pior, menos e mais doentes , NÂo tem ninguém por eles, e o cada um por si ..são os presos na maioria ..barbarizam e são barbarizados t b

vida de homem tb não é fácil não  ..a natureza manda uma coisa, a sociedade exige doutra  ..a educação qui é boa, não vem

Ficam desempregados e são cobrados  ..tomam do vício e da mardita pra esquecer  ..a maioria NUNCA se aposenta, ou consegue estudar e ao mesmo tempo manter e se manter  ..e são cobrados pra fazer

tristes estes dias  ..tudo a mesma farinha  ..melhor ter nenhum dia duma vez

se pra um pra todos, ou para ninguém  ..um dia ainda vão entender