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Desenvolvimento e a semântica das palavras, por Matê da Luz

Desenvolvimento e a semântica das palavras

por Matê da Luz

Semântica é o estudo sincrônico ou diacrônico da significação como parte dos sistemas das línguas naturais. Está intimamente relacionada aos simbolismo que as palavras carregam, quer dizer, ligada com força ao significado que interpretamos profundamente sobre determinada combinação de letras.

Mas acontece que a vida passa e a Lusitana roda e a gente, tão acostumado ao falar-ouvir-absorver, acaba esquecendo deste detalhe tão importante: o impacto deste simbolismo na formação de quem somos e todo o florescer disso, passando inclusive sobre moldes de caráter e estima que, ao meu ver, estão intimamente relacionados.

A meditação, essa coisinha que vem sendo apresentada como solução pra vida de todos nós – e veja bem, pode até ser que seja mesmo! – proporciona uma pausa mental extremamente valiosa para, dentre tantas outras coisas, ressignificar sensações e experiências traumáticas, estas que certamente estão paralisando nosso desenvolvimento pessoal. A semântica, neste caso, entra como aliada no que diz respeito ao novo sentido que desejamos dar àquela velha conhecida, torcendo para que o exercício nos liberte, traga paz de espírito e calmaria pra vida ficar mais leve. Vale tentar e, como já quase cansei de escrever por aqui, tenho usado o HeadSpace, aplicativo de meditação que tem versão paga e versão gratuita, para conduzir meus trânsitos mentais. Se pra aprender matemática a gente precisa de professor, pra meditar também, já que o que o mundo ensina pra gente vai justamente na contramão deste movimento de interiorizar, desgrudar e se desenvolver.

Daí cheguei na palavra mais mágica do mês: desenvolver. Pare por alguns segundos. Respire, expire, calma... Serenidade, atenção mais plena possível. Percebe a semântica da palavra? O prefixo DES traz a carga de soltura, ruptura, negação (no sentido mais positivo possível, neste caso). Se desenvolver acaba sendo nada mais nada menos do que o não envolvimento e de repente aquele lance todo de desapego #gratidão que eu estava achando muito hippie tem um sentido que finalmente me faz sentir. O desenvolvimento pessoal tem a ver também com isso, com esta nova visão que só é possível quando a tal da velha conhecida vai embora, se desliga da gente, quando a gente realmente para de brigar com aquele assunto e segue livre.

Respiro, expiro, aliviada. Desenvolvo-me não com a rapidez que gostaria, é claro, porque tenho pressa, muita pressa e esta é uma outra característica que adoro trabalhar enquanto me desligo e religo por aqui e acolá mas, enfim, de certa forma sigo leve, relevando as dores da vida com toda a inteligência que a semântica traz, pegando fogo em labaredas de Xangô por aqui. 

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