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O capitalismo morrerá de overdose por excesso de sucesso, diz Wolfgang Streeck

Ilustração Outras Palavras

Enviado por Ricardo Cavalcanti-Schiel

do Outras Palavras

Entrevista com Wolfgang Streeck, sociólogo, diretor do Instituto Max-Planck (Alemanha)

Tradução publicada no Outras Palavras. Originalmente publicado no L'Espresso, de Roma.

O diagnóstico de Wolfgang Streeck, diretor do Instituto Max-Planck de Colônia, é implacável: “A crise atual não é um fenômeno acidental, mas o auge de uma longa série de desordens políticas e econômicas que indicam a dissolução daquela formação social que designamos capitalismo democrático”.

“O capitalismo está morrendo de overdose de si mesmo.” Esta é a tese do sociólogo Wolfgang Streeck, diretor do Instituto Max-Planck de Colônia, um dos centros de pesquisa mais importantes da Europa. Em seu último livro, Como Acabará o Capitalismo? Ensaios sobre um Sistema Fracassado, Streeck conduz um diagnóstico impiedoso sobre a patologia do capitalismo democrático, aquela formação social particular que, no pós-guerra, havia alinhado democracia e capitalismo em torno de um pacto social que lhe conferia legitimidade. Por volta dos anos 1970, com o fim do crescimento econômico, e depois, com o avanço da revolução neoliberal, aquele pacto social começa a acabar. O capital avança, a democracia recua. Ele atropela as limitações políticas e institucionais que haviam contido o “espírito animal” do capitalismo. Que vence — mas vence demais… Hoje, a revolução cumprida, o capitalismo está em ruínas porque teve muito sucesso, diz Wolfgang Streeck.
Para compreender a crise financeira deflagrada em 2008, você escolheu enfatizar “a continuidade histórica” do capitalismo, rastreando uma longa trajetória de “crise” que começou nos anos 1970. Por que essa escolha?

Porque a crise atual não é um fenômeno acidental, mas o auge de uma longa série de desordens políticas e econômicas que indicam a dissolução da formação social que definimos como capitalismo democrático. A trajetória da crise corresponde ao processo em que o capitalismo foi liberado das amarras, frágeis, que lhe haviam sido impostas depois da Segunda Guerra Mundial. Indica a transformação da economia capitalista do keynesianismo do pós-guerra numa fórmula política oposta, nos moldes neo-hayekianos, que aponta para o crescimento por meio da redistribuição de baixo para cima, não mais de cima para baixo. É uma transição que produz uma democracia domesticada pelos mercados, alterando o contrato social do pós-guerra, que entendia os mercados domesticados pela democracia. Considerada produtiva no keynesianismo, a democracia igualitária torna-se um obstáculo à eficiência.

Segundo a sua análise, com o “colapso do keynesianismo privatizado em 2008”, a crise do capitalismo democrático teria entrado em sua “quarta e última fase”. Quais os passos que nos conduziram até aqui?

O capitalismo democrático do pós-guerra havia encontrado um equilíbrio, instável, entre os interesses do capital e dos cidadãos. Desde os anos 1970, com a queda do crescimento, os conflitos distributivos entre capital e trabalho são confrontados com expedientes políticos diversos, para criar a ilusão de crescimento inclusivo. Usados para ganhar tempo, a inflação, a dívida pública e a dívida privada tornam-se, porém, problemas por si sós, marcando três crises. A primeira, nos anos 70, é a da inflação global, à qual se segue o problema da explosão do débito público nos anos 80 e o crescimento do endividamento privado na década seguinte, culminando na última fase com o colapso do mercado financeiro em 2008. Há quatro décadas, o desequilíbrio é a normalidade. A crise é da economia, mas também do capitalismo como ordem social. Nos países ricos são três os sintomas principais, de longo prazo: o declínio do crescimento econômico, o aumento da dívida e a crescente desigualdade. Aos quais se juntam cinco perturbações sistêmicas: estagnação, redistribuição oligárquica, saque dos bens públicos, corrupção e anarquia mundial.

Para você, estas crises e transformações não são funcionais para um novo equilíbrio sistêmico, mas indicam um processo de “decadência gradual mas inexorável”: o fim do capitalismo. Se é verdade que desde o século XIX “as teorias sobre o capitalismo são também teorias sobre seu fim”, por que deveria ser diferente desta vez?

O fato de que o capitalismo conseguiu sobreviver às teorias sobre o seu fim não significa que será capaz de fazê-lo para sempre. Sua sobrevivência depende sempre de um constante trabalho de reparação. Mas hoje as tradicionais forças de estabilização não podem mais neutralizar a doença da fragilidade acumulada. O capitalismo está morrendo porque tornou-se mais capitalista do que é útil que seja. Porque teve muito sucesso, desmantelando os mesmos inimigos que no passado o salvaram, ao limitá-lo e forçá-lo a assumir novas formas. Estamos diante de uma dinâmica endógena de autodestruição, de uma morte de overdose por si mesmo. Haverá um longo interregno, um período prolongado de entropia social e desordem. Seu fim deve ser entendido como um processo, não como um evento.

Immanuel Wallerstein acredita que o interregno será marcado por um confronto global entre apoiadores e opositores da ordem capitalista, “a força de Davos e a força de Porto Alegre”. Você, ao contrário, exclui conflitos sociais de natureza global. Por que?

Diferentemente de Wallerstein, não vejo uma oposição global e unificada ao capitalismo, que o desafie a instituir uma ordem nova e melhor. Em nível nacional, haverá e há movimentos de oposição e protesto contra um sistema e uma classe capitalista global, mas desunidos e muitas vezes desorientados. Há uma diferença fundamental entre conflito e transformação estratégica. O objetivo estratégico final, comum, ainda precisa ser desenvolvido. Não há nenhuma nova ordem nos bastidores. Em vez disso, espera-se uma era de desordem, de grande confusão e incerteza, plena de riscos.

Você, por um lado, sustenta que é necessário “desglobalizar o capitalismo” para “levá-lo de volta ao âmbito do governo democrático”; por outro, que devemos “começar a pensar em alternativas ao capitalismo” ao invés de melhorá-lo. São fins compatíveis? Um capitalismo desglobalizado é realista?

O capitalismo global não pode ser governado pela democracia nacional. Ao contrário, ele a enfraquece. Considerando que a democracia global é inconcebível, segue-se que o capitalismo global é incompatível com a democracia.

Se queremos que o capitalismo seja governado, devemos torná-lo menos global. O que há de perigoso nisso? É muito mais perigoso deixar indefesos indivíduos, famílias, economias regionais e nacionais diante dos caprichos dos mercados internacionais, pelo risco de que busquem proteção nos Trump e Le Pen de plantão. Isso me parece evidente.

Para alguns, a União Europeia pode ainda ser uma barreira contra a afirmação definitiva da globalização neoliberal. Você, ao contrário, entende que a integração europeia seja um “sistemático esvaziamento das democracias nacionais de conteúdo político e econômico. Por que?

Basta olhar o Tratado de Maastricht. Nos anos 80 ainda havia a esperança de que a “Europa” pudesse interromper a marcha para o neoliberalismo iniciada com Margaret Thatcher. Mas a “Europa social” e social-democrata foi colocada de lado. E hoje não há nenhuma estrada que leve de volta à democracia social. Sob a forte moeda comum, o que resta para os governos nacionais no âmbito “europeu” é impor “reformas estruturais” neoliberais em seus próprios países. O Banco Central europeu, com o apoio do governo alemão, faz tudo o que pode para manter no poder os governos pró-europeus (pró-euro, pró-reformas neoliberais), esperando reconstruir a própria sociedade de acordo com as prescrições neoliberais de competitividade e flexibilidade. É um experimento social e tecnocrático realizado com os povos europeus.

Na esquerda europeia é difusa a ideia de que, para prevenir o crescimento dos partidos e movimentos populistas, deve-se reivindicar o internacionalismo, atualizando-o. Você, ao contrário, é muito cético quanto à democracia e à sociedade civil em escala continental. Por que?

Porque não existem as condições para realizá-la. Não existe uma opinião pública europeia. A população está organizada em povos com línguas diversas, diferentes memórias históricas, diversas instituições político-econômicas na intersecção entre o capitalismo e a sociedade. Se uma “democracia pan-europeia” fosse uma democracia jacobina majoritária, funcionaria como o euro: para benefício de alguns países e às custas de outros. Seria percebida como um complemento à tecnocracia continental da união monetária. Não há futura ordem europeia sem os Estados-Nações. Qualquer tentativa de impor uma solução única aos problemas de governança democrática desintegraria a Europa, ao invés de uni-la. Como fez o euro.
 

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Rui Ribeiro

O avanço do capitalismo gera os meios de sua própria destruição

"(...) O que agora é de expropriar já não é mais o trabalhador trabalhando para si, mas o capitalista que explora muitos trabalhadores.

Esta expropriação completa-se pelo jogo das leis imanentes da própria produção capitalista, pela centralização dos capitais. Um capitalista mata sempre muitos outros. De braço dado com esta centralização ou com esta expropriação de muitos capitalistas por poucos, a forma cooperativa do processo de trabalho desenvolve-se numa escala sempre crescente; [desenvolve-se] a aplicação técnica consciente da ciência, a exploração planificada da terra, a transformação dos meios de trabalho em meios de trabalho utilizáveis apenas comunitariamente, a economia de todos os meios de produção através do seu uso como meios de produção de trabalho combinado, social, o entrelaçamento de todos os povos na rede do mercado mundial e, com isso, o carácter internacional do regime capitalista. Com o número continuamente decrescente de magnatas do capital, que usurpam e monopolizam todas as vantagens deste processo de transformação, cresce a massa da miséria, da opressão, da servidão, da degeneração, da exploração, mas também a revolta da classe operária, sempre a engrossar e instruída, unida e organizada pelo mecanismo do próprio processo de produção capitalista. O monopólio do capital torna-se um entrave para o modo de produção que com ele e sob ele floresceu. A centralização dos meios de produção e a socialização do trabalho atingem um ponto em que se tornam incompatíveis com o seu invólucro capitalista. Este é rompido. Soa a hora da propriedade privada capitalista. Os expropriadores são expropriados." Karl Marx

 

Como visto acima, o caráter global do capitalismo, o entrelaçamento de todos os povos na rede do mercado mundial é inevitável. Então esse papo de desglobalização, portanto,  é merda pura. O que a classe trabalhadora tem que fazer não é desglobazilar o capitalismo, mas socializar os meios de produção.

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Hildermes José Medeiros

É claro que há quase uma

É claro que há quase uma unanimidade entre o que diz o autor do texto e grande parte dos comentários até o momento, com os quais me alinho, vislumbrando que o Capitalismo já não é mais o mesmo e tende a se modificar mais ainda, a ponto de desaparecer, de ser superado. Não dá, impossível, dizer em que tempo. O que está ausente são as classes sociais nessas visões. Claro que o Capitalismo está se modificando, em grande parte devido às novas tecnologias, e o maior nível de conhecimento decorrentes dessas mesmas tecnologias, que permitem, além do maior conhecimento de todos, mais difundido, por mais que a máquina dos meios de comunicação do capital tente que as grandes massas fiquem alienadas dos acontecimentos e das decisões, que impactam suas vidas. Uma maior produção com menor utilização de mão de obra assalariada, fator este cuja exploração tem sido a fonte da riqueza da burguesia, cujos rendimentos do trabalho assalariado, até então, tem comprado a maior parte dos bens que produz para o patronato.  A maior produção com proporcionalmente muito menos mão de obra, como já vem acontecendo, é a fonte do desemprego crescente no mundo do capital, que para se reproduzir conta mais com o enorme excedente financeiro acumulado, cujo volume gigantesco fica girando entre os países, aumentando cada vez mais, e cada vez mais com menor rendimento. Urge que surja um novo Adam Smith, um novo Keynes, um novo Marx, capaz de fazer uma síntese das novas condições econômicas existentes no mundo, não só capitalista, porque este sistema já se acha incrustado também nos países com alguma planificação da economia. Não é simples a solução, e mais simplista ainda é admitir que tudo ocorrerá sem grandes atritos entre os assalariados e os donos do capital, estes que controlam os estados nacionais e tentam impor uma quase impossível economia global. Há interesses diversos entre os países e seus nacionais, não só, mas principalmente pelas diferenças de seus povos, suas culturas e suas economias. É difícil, mas tudo passa por dar cidadania a todos, vale dizer trabalho, educação e saúde, porque impossível conviver com populações com tantos desempregados, com tudo que é carência, havendo recursos (muitos estimam que sejam quase dez vezes o valor da produção de todos os países) procurando rendimentos, com grande endividamento das pessoas, das empresas e dos países. Por outro lado, o número de desempregados no mundo é gigantesco, o exército da reserva não mais existe, o desemprego é estrutural, e os capitalistas não são muitos, embora tenham o poder e os estados em suas mãos. Hoje, tudo passa não pela invectiva marxista, "Proletários de todo os países, uni-vos!". Cada dia fica mais claro para todos, principalmente para as classes médias assalariadas, que servem o capital, ajudando-o a gerir seus negócios e lhe dar segurança de ação, que o chamamento poderá vir a ser em breve: “Assalariados de todo os países uni-vos!”.

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EUA se tornará socialista antes do Brasil

Antigamente eu previa que os EUA se tornariam socialistas (democráticos) neste século, porque chega uma hora que o conhecimento é tão democratizado que as pessoas não aceitam ficarem com a menor parte do quinhão.

Depois baixei para 2050, por causa da rápida ascensão da China. Agora já acho que será entre 2030 e 2040, por causa da economia do compartilhamento e sociedade do custo marginal zero. Ajuda a baixar os prognósticos o surpreendente desempenho de Bernnie Sanders na última eleição e a possível crise mundial da dívida, onde os EUA tem a maior dívida do mundo.

E o Brasil? A população mais pobre e a classe média baixa vai fazer seu destino com a própria cabeça e as próprias mãos ou vai esperar a classe média tradicional imitar Miami quando lá for socialista?

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WG

Trata-se de uma voz

Trata-se de uma voz equilibrada prevendo o fim do sistema capitalista, em um processo gradual. Mais difícil é prever o que restará em seu lugar. Nesse processo de degradação do sistema capitalista, parece que o Brasil saiu na frente.

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A descrição de Streeck é boa, mas só os marxistas sabem a causa

Os pensadores não marxistas, como Streeck, conseguem, no máximo, boas descrições fenomenológicas dos problemas do capitalismo, sem chegarem às causas.

O capitalismo está mesmo no fim, mas não por falta de amarras políticas eficientes (por falta de opositores) e sim porque está atingindo seus limites internos.

Está no fim porque a produção está tão eficiente que ficou barata demais e não dá mais lucro - por isso se recorre ao capital fictício, que antecimpa valores que nunca serão pagos, por falta de lucro.

Está no fim porque a alta produtividade implica em substituição de trabalho humano por máquinas, produzindo desemprego e subemprego maciço. Como no capitalismo só tem existência social quem produz valor/dinheiro, enormes contingentes de pessoas são simplesmente excluídas da sociedade - são supérfluos.

Esta multidão de supérfluos implica na impossibilidade de se impor qualquer paz socia ao sistemal. Só resta, como forma de controle social, a política do porrete, que nunca pode durar para sempre.

A solução seria uma sociedade sem trabalho e sem dinheiro, em que as atividades humanas necessárias à sobrevivência fossem negociadas divididas entre os membros da sociedade, uma vez que as máquinas vão fazer quase tudo, em termos de produção.

Mas, condicionados como estamos, à religião do capital e à ética do trabalho, nem pensamos numa solução destas. Será preciso vir o caos (e sobrevivermos a ele) para começarmos a pensar um novo mundo sobre os escombros do capitalismo.

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Morte do capitalismo?

Desde meu primeiro contato com o marxismo, no início da década de 60, o capitalismo está morrendo. Baseados em teorias já na época centenárias, os marxistas explicavam a morte do grande inimigo, apenas para logo explicar por que ainda não fora daquela vez. 

Há um furo fundamental na interpretação marxista: esquecem-se que quem tem o dinheiro tem o governo, e muda as regras a seu favor, prolongando a vida do procllamado moribundo.

Se ficarmos presos a essas ilusões teóricas, o capitalismo não morrerá, morreremos nós todos, enquanto os computadores ganharão zilhões em jogos financeiros, transferindo dinheiro inexistente até o fim da eternidade.

 

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Rui Ribeiro

Não é morte, é assassinato do capitalismo

O capitalismo não morrerá naturalmente, ou ele será assassinado ou assassinará a humanidade e destruirá a natureza. Foi isso o que constataram Marx e Engels no final do Manifesto Comunista:

"Os comunistas rejeitam dissimular as suas perspectivas e propósitos. Declaram abertamente que os seus fins só podem ser alcançados pela derrubada violenta de toda a ordem social até aqui. Podem as classes dominantes tremer ante uma revolução comunista! Nela os proletários nada têm a perder a não ser as suas cadeias. Têm um mundo a ganhar. Proletários de Todos os Países, Uni-vos!"

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Até capitalista se prepara para o day-after

Olha o que o capitalista brilhante no que faz (gestor de fundos mais bem sucedido do Brasil) diz:

13/03/2012

"Se os marcianos fossem comprar a Terra, o que fariam?", pergunta Luis Stuhlberger para a pequena e selecionada plateia de investidores e economistas. "Eles pagariam pelos recursos naturais e pelo conhecimento humano, que são bens importantes. Mas certamente não pagariam nada pelo dinheiro do planeta, porque o que existe em endividamento é maior do que em ativos", diz. A parábola ilustra uma conhecida conta-que-não-fecha do sistema financeiro, que o gestor do maior fundo multimercado brasileiro acredita ser o gatilho do próximo colapso global.

Se o dinheiro não valeria nada para um marciano, um dia ele sofrerá o ajuste e valerá menos para terráqueos. Isso é causado, segundo Stuhlberger, porque a quantidade de dinheiro sobrando na mão de poucos é imensa – assim como é imensa a dívida de empresas e governos. "Na próxima crise, o que vai perder valor será o dinheiro. O dólar e o euro vão perder valor, quem tem ações vai perder menos. Um por cento de pessoas detém 99% do spare money [dinheiro ocioso] do planeta, e quem tem muito dinheiro vai perder", diz Stuhlberger. "Mas isso é daqui a dez anos, e o mundo nunca acaba."

-x-x-

Ele previu isso aí em 2012, então faltariam uns 5 anos se ele data estimada cravar (porque essa crise é certeza que vai ocorrer, talvez depois de 2022).

Só discordo da conclusão dele "o mundo nunca acaba" tratando como mais uma crise do capitalismo que será superada com o mero ajuste de mercado atraves da perda de valor das moedas. Acho que o mundo não acaba, mas nunca mais será o mesmo. Haverá um boom da economia do compartilhamento de excedentes (abundância) como meio de acesso a bens e serviços (sociedade do custo marginal zero).

O Uber é caso de empresa que explora (infelizmente o capitalismo continua explorando neste caso) esse tipo de economia e cresce com a crise. Quem tem carro compartilha, quem não tem não precisa comprar. Desempregados (e não só eles) ganham dinheiro com o carro que tem para passeio (recurso econômico excedente), e o acesso (e não a propriedade) ao carro fica mais barato para o conjunto da sociedade. Note que a indústria automobilística talvez encolha vendendo um carro quando venderia dois.

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O day-after já está acontecendo

A crise e a pobreza (e a guerra) nos antigos países comunistas (que na verdade nunca foram comunistas, mas sim regimes totalitários de capitalismo de estado, como as monarquias absolutistas nos primórdios do capitalismo) pós-89 e a crise atual do mundo "emergente" (na verdade periferia dependente) já são o day after para mais da metade da população mundial.

Em 2008 este day-after quase chega ao dito primeiro mundo. A financeirização da economia é que está salvando o capitalismo, inundando o mundo dinheiro fictício que nunca será pago, por falta de valor e mais-valor (lucro).

quando esta última bolha estourar, não haverá mais saídas capitalistas: talvez haverá uma espécie de ditadura corporativa global de multinacionais e bancos, mantendo monopólios e cartéis sobre recursos naturais e produtivos. Mas isto não seria mais capitlasmo e sim uma espécie de máfia global cujo objetivo não seria mais o lucro, mas o domínio geopolítico, ao estilo das milícias cariocas.

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