– Post originalmente publicado em 5/10/2016.
PSOL em crise de identidade – e na pior hora possível para ambiguidades e tibieza nas esquerdas
Por Romulus
Antes do primeiro turno, cravava em conversa no Facebook:
– A clivagem é clara: o PSOL não tem votação difusa no povão. É uma colagem de grupos coesos, de interesses homogêneos, distintos:
(i) funcionalismo público (demandas corporativistas / salariais); mais...
(ii) estudantes (naturalmente mais à esquerda e idealistas – como tem que ser!); mais...
(iii) galerinha de esquerda “descolada”/minorias.
E quem é que entra para a Câmara Municipal do Rio de Janeiro como vereadores eleitos pela sigla?
– figuras do funcionalismo; o companheiro do jornalista Glenn Greenwald, David Miranda; o líder da marcha da maconha!

Arrasou no apoio, hein, David?? Naomi Kein? Bota ~cool~ nisso!
E o estudante?
– Bem, esse ainda não completou 18 anos... não pode ser eleito, não é mesmo?
É claro que todos sabemos que essa foi, sem tirar nem pôr, a base social do PT em sua aurora, nos anos 80. A diferença é que a intelectualidade não está em massa no PSOL, nem tampouco a Igreja com as comunidades de base ou os movimentos sociais de maior porte (MST, MTST, centrais sindicais, etc.).
Mas o PSOL já conseguiu um baita feito:



– Um inédito racha nos artistas “antenados”, antes figurinhas fáceis apenas no palanque do PT!
Basta ver imagens do comício com que Freixo encerrou sua campanha na Lapa (!) – Chico, Wagner Moura, Lenine e galã da Globo de ocasião. Pode até escolher:
– Vladimir Brichta; ou...
– Humberto Carrão??
Os dois?? Então você só pode ser uma – ou um! – psolista libertário em temas morais! Safadinh@...
Fala sério! (como se diz no meu Rio)
Caetano e Chico cantando o jingle de campanha do cara??
Não tem como ficar mais "bacana", "jóia", "prafrentex", "descolado", "maneiro", ~cool~, ~hype~ ... ... ...
* * *
Eleição do Rio é um ótimo estudo de caso
Pegue-se a votação nos diferentes candidatos quebrada por renda/nível de educação e a baixa penetração “difusa” do PSOL no povão fica claríssima.
Eles deveriam – como cobram do PT – fazer uma autocrítica. Perguntarem-se por que sua votação não sai desses 3 nichos e, em querendo sair dessa zona de conforto, ir gastar sola de sapato na áreas populares do Rio: Zona Oeste, subúrbio, morros e, no contexto do Estado, a Baixada Fluminense.
Já Jandira, a outra candidatura da esquerda – desculpe-me o Molon, ótimo deputado, mas... Marina Silva?? Tchau e benção! – fez comício com Lula em Bangu, na Zona Oeste. Digamos que o equivalente em SP à Zona Leste ou, em Brasília, às cidades satélite… Brizola, por exemplo, sempre ganhava eleições perdendo feio na Zona Sul e na Grande Tijuca, áreas nobres, mas ganhando com folga na Zona Oeste (e na Baixada Fluminense).


Já Freixo, como salientei acima, fez comício na...
– ~Lapa~ !
Onde ficam os célebres Arcos, a Fundição Progresso e o Circo Voador – território da galerinha “descolada” na sexta e no sábado à noite. E também dos gringos – claro! – com casas folclóricas (na acepção “menos nobre” do termo), como “Rio Cenário”, etc.
Como pontuei – até com fotos estelares! – Freixo falou ao seu público cercado de artistas também “descolados”, cool, como dizem os gringos. Nada contra! Amor eterno pelo Chico, a cuja obra recorri – ainda ontem! – para dar trilha sonora ao post pedindo “Diretas Já”:
Peguem as manchas de votação sobre o mapa da cidade e a constatação fica clara:
– Entre os pobres a intenção de voto em Freixo tende a zero. Se bobear nem sabem quem ele é.
Pior:
– Se soubessem que é o inspirador do personagem “Professor de Historia”, antagonista amoroso e também no plano das ideias do “Capitão Nascimento” (Wagner Moura, ora!), do filme ‘Tropa de Elite’, que defende direitos humanos dos presos (!) e é leniente com usuários de drogas, aí é que não votavam em Freixo de jeito nenhum!


Aposto – com pesar, caro Freixo! – que o conhecimento da trajetória do candidato e a rejeição ao seu nome no povão cresceriam in tandem.
Essas ideias já tinham sido expostas por mim a amigos antes das eleições em conversas privadas no Facebook. Não as desenvolvi no artigo da semana passada em que critico um deslize do – excelente! – deputado Jean Wyllys porque pareceria provocação.
– E não é o caso, caro Jean!
Elas casam perfeitamente com aquela minha metáfora, na serie de 3 posts sobre a divisão da esquerda (links no final do post), de ter de escolher entre:
– Sair de casa para ganhar o mundo, arriscando, caso contrário, perder tudo; ou
– Ficar para sempre no pequeno, mas seguro, quartinho no fundo da casa dos pais.
[Esquerda “pura”
Metáfora:
– De um lado, o conforto do pequeno, mas seguro, quartinho no fundo da casa dos pais, onde a mãe não exige muitas concessões do rebento querido.
– Do outro, o desafio de "crescer", sair e ter de "comprar a casa própria", “fazendo o que tiver de fazer” para consegui-lo. Ou, falhando, ficar pelo caminho. Sem nada.
Os dois têm vantagens e desvantagens, não?
Como muitos analistas constatam, a esquerda "pura", por definição, renega a política “como ela é" (“suja”).
Mas notem bem: negar a “política como ela é ” também é fazer política!
[Hmmm... será aqui também fazer política “como ela é?”]
Por quê?
Ora, porque a esquerda “pura” ocupa, com esse posicionamento, o nicho político-eleitoral dos idealistas da esquerda "não pragmáticos". Assim, toca-lhe conduzir politicamente o nicho correspondente no todo da sociedade. Ou seja, dá representação político-partidária às franjas mais à esquerda da sociedade.
Dessa forma, constitui – e mantém seguramente, longe da cobiça dos “não puros” – um feudo cativo para cada rodada eleitoral. Com esse expediente mantém – sem um grande esforço – um coeficiente eleitoral que não é grande, mas que é seguro e estável em tamanho. Tal estabilidade – e a decorrente previsibilidade – possibilitam carreiras políticas e seus planejamentos anos adiante.
– Calma, esquerda “pura” político-partidária! Não me xingue (ainda). Nada contra... é da natureza humana buscar, em alguma medida, segurança, não?
Isso, evidentemente, casado – em maior ou menor grau, como em qualquer campo político – com apego a ideais e convicções]
É como disse no Twitter, vendo a diferença entre os comícios de Jandira e de Freixo:
– Discurso “não faço concessões nem alianças”, “sou puro” e franco e direto em temais “morais” – ficando (ressalto!) do lado certo: aborto como tema de saúde pública, casamento e adoção por gays, ideologia de gênero, direitos humanos para todos, inclusive bandidos sim, descriminalização do consumo de drogas leves, etc. – dá deputado (5%). Não dá prefeito (50%).
Muito menos presidente!
Entre a eleição proporcional e a majoritária está a tal “saída da casa dos pais” da minha metáfora.
O Professor Jessé Souza recentemente se referiu ao PSOL como "a esquerda de Oslo".
Pois é, Prof. Jessé...
Entre Oslo e Bangu fica um baaaita pedaço de chão, não fica?
Pergunto então (com sotaque carioca):
– E aí, PSOL? Qual é a tua, mané?!
*
Repito o que disse acima:
– O PSOL deveria – como cobra do PT – fazer uma autocrítica. Perguntar-se por que sua votação não sai dos 3 nichos e, em querendo sair da zona de conforto, ir gastar sola de sapato na periferia...
Mas não apenas! Deveria se dirigir também a...
– ... gabinetes de políticos de outras siglas (!); e de
– representantes de outros grupos coesos de interesses homogêneos não alinhados ao PSOL (!)
– O quê?! Herege! Queimem ‘Romulus’ na fogueira! Aproveitem e usem os livros do índex... assim queima mais rápido!
A questão é:
– Querem sair da zona de conforto? Ou os poucos votos – mas certos! – que “dão deputado” satisfazem?
* * *
Sinal preocupante No. 1
Ou melhor, reality check, como dizem os gringos, que traduzo neste caso como “banho de água fria” em quem estava ~ansioso~ para aderir à candidatura de Freixo no segundo turno:


* * *
Sinal preocupante No. 2
Faltando com a modéstia, o sinal No. 2 é a confirmação da minha boca de Cassandra, que vaticinou ainda antes do primeiro turno:
Já hoje...



E ainda...


E por fim...

Praga de Cassandra??
– Bate na madeira 3 vezes!
E madeira de lei... especial:
– A porta do Presidente Lula e da Presidenta ~eleita~ do Brasil, Dilma Rousseff, Sr. Freixo! E mais de todas as lideranças dispostas a apoiá-lo nessa batalha duríssima contra a vitória do retrocesso. Até com a Marina eu conversaria...
* * *
Atualização 21:20:
"Bandeira branca", militância (lindamente) aguerrida do PSOL... "eu quero é paz"!
Perdão se feri (demais?) os sentimentos de vocês com este post.
Não era a intenção!
A mordacidade?
É meu estilo! Não consigo controlar (muito... rs).
Posso "mandar" um carioquíssimo: "foi mal!" ??
Entendam: meu artigo não se dirigia nem a vocês - "para agredir" - nem à militância do PT - "para ir à forra".
Não...
O público alvo eram os políticos das direções dos partidos de esquerda: todos. Mas principalmente o "politiburo" do PSOL:

Amigos de novo, queridos psolistas??
Dêem uma olhadinha aí embaixo - e vocês também, petistas! - no videozinho que a Cynara Menezes, a Socialista Morena, deixou para vocês...
E para mim também, ora!
Beijos em todxs
*
E, para fechar em bons termos, meu amigo Eugênio, colega da UERJ e do sonho de um Direito transformador, me corrige quanto aos 6 (!) vereadores eleitos pelo PSOL no Rio:

* * *
Como prometido, links para a série de 3 posts sobre a divisão das esquerdas (clique nas imagens):
* * *
O imperativo da união das esquerdas – para já!
Alô, políticos de esquerda: “eles [da direita] querem acabar com a gente”
Cynara Menezes: “eles [da direita] querem acabar com a gente”
(dica de um seguidor do twitter)
A Socialista Morena comenta a “difícil vida do eleitor de esquerda”, que tem de escolher entre: Freixo x Jandira; Haddad x Erundina; Raul Pont x Luciana Genro...
Como ela nota, políticos de esquerda, divididos, parecem não notar que “eles [da direita] querem acabar com a gente!”
Alô, pessoal! Se liguem!
- É guerra! E de extermínio!
* * *
(i) Acompanhe-me no Facebook:
*
(ii) No Twitter:
*
(iii) E, claro, aqui no GGN: Blog de Romulus
*
Quando perguntei, uma deputada suíça se definiu em um jantar como "uma esquerdista que sabe fazer conta". Poucas palavras que dizem bastante coisa. Adotei para mim também.
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Comentários
Seu jeito de escrever não tem
sab, 08/10/2016 - 23:02
Seu jeito de escrever não tem nada de esquisito. Na verdade é excelente, a meu ver.
Gosto imensamente de suas ideias, sempre claras, diretas, sem véus, sem enganações.
Quanto ao PSOL, deixei de lado minha alma petista - aos 68 anos - para votar e levar Freixo ao segundo turno. Eu quero muito ajudar a impedir o fundamentalismo religioso - que reputo um dos maiores problemas do mundo de hoje - de assumir a Prefeitura do RJ.
E, apesar das infantilidades inacreditáveis do PSOL, voltarei a votar Freixo no segundo turno. Se o PSOL ganhasse seria ótimo para o Rio e melhor ainda para o próprio PSOL.
Política só se aprende fazendo, sei disso desde que participei da fundação do PT nos anos 80. Se você fica no gueto - ou no quartinho da mamãe - não há nenhuma responsabilidade sobre seus ombros, e você fica ali mesmo, na sua zona de conforto. Política é confronto, é negociação (legítima, em política séria), é eleger prioridades, é olhar para todos os lados, inclusive o direito.
Achar que vai governar sozinho, num pais de esmagadora maioria conservadora, é uma ilusão que pode ser fatal. A mídia fez seu trabalho tão bem feito, que hoje, até quadros calejados como Freixo ainda acham que ser "puro" é estar sozinho no campo de batalha, sem aliados. Porque qualquer aliança é vista como corrupção de ideais.
Ideia ridícula. Nem Ayres Brito faria melhor,.
"Ilusao" não... sabem bem como o jogo funciona
dom, 09/10/2016 - 01:34
>> Achar que vai governar sozinho, num pais de esmagadora maioria conservadora, é uma ilusão que pode ser fatal.
Esse o ponto, minha cara, do artigo.
Ilusão sim. Mas da - brava, aguerrida, engajada e idealista - militância psolista.
Nao dos quadros dirigentes do partido.
Sabem bem como o jogo funciona e jogam de acordo com seus objetivos.
*
Obrigado pelo seu feedback sobre o meu estilo. Vou te pedir um favor:
- pode colocar esse comentario tb la na seçao de comentarios do post sobre o tema?
Valeu!
twitter: @rommulus_ facebook: Romulus
Alerta: meu jeito de escrever é "esquisito"! N diz q n avisei...
sex, 07/10/2016 - 17:21
>>Que p... é essa? Ora, essa p... é 'Romulus', por... o próprio!<<
ROMULUS
SEX, 07/10/2016 - 04:27
ATUALIZADO EM 07/10/2016 - 05:52
Que p... é essa? Ora, essa p... é 'Romulus' – nunca esperei ser ~eu~ o tema em debate no GGN (hahaha), mas...
Por Romulus
Totalmente fora de espaço, offtopic, surgiu na seção de comentários do último post do Nassif uma discussão sobre...
– ... mim!
Ainda outro dia lia entrevista do grande Fernando Brito, do Tijolaço, em que reafirmava seu princípio de que "o jornalista não é notícia". Não sou jornalista, mas concordo e penso ser também aplicável, mutatis mutandis.
Mas, para esclarecer de uma vez por todas essa questão, que vira e mexe volta, faço aqui um post para que todos choremos nossas mágoas de leitores maltratados no mesmo lugar.
A seguir, ~vazo~ (por não haver mal nenhum) parte de um email meu ao Nassif. Ele – editor zeloso e expert na matéria que é – também franze a testa quando vê pela frente um post meu ou "grande demais" ou "caótico", na expressão dele (!).
Mas antes, algumas (outras) chineladas que tomei por aí.
Peraí... chineladas? Em 'Romulus'?
Ora, nada mais justo! Não desço a mão em todo mundo todo dia aqui? Direita golpista (vítima preferencial), Ministros do STF, PGR, Parlamentares, PT, PSOL... ... ...
Pois passemos então às porradas próprias:
(i) "Que p... é essa?" - ontem!
Quando cheguei o comentário já estava com uma estrelinha. Nem precisei contribuir para baixar rs
*
(ii) Posts longos
O recorde: "Brexit" - nada menos que 20 páginas no Word e 3 dias escrevendo e editando. É enorme. Eu mesmo classifiquei de "post enciclopédico".
E no entanto...
Bem, e no entanto é o meu post mais elogiado de longe. Sério! Mandei até a minha mãe ir lá olhar os comentários rs
Já nesta semana...
Um post depois...
*
(iii) Autocitações nos posts
Esse eu fidelizei! rs
*
(iv) Referências e citações cruzadas entre as várias plataformas de redes sociais (Facebook, Twitter, Whatsapp), com uso de printscreens
*
(v) "Desorganização" - mas até com gente "boa" fazendo uso das minhas ideias! Uhuuul!
O Presidente Lula - em outra era... - bem antes que Obama puxasse o tapete de quem, então, chamou de "o cara", famosamente disse em tom debochado para com ex-algozes:
– Vocês não acham chique o FMI pedindo dinheiro emprestado pro Brasil? Bom, então eu disse ao FMI: "o dinheiro tá na mesa... pó pegá!"
Pois é...
Minhas ideias tão na mesa - desorganizadas ou não - "pó pegá!".
*
(vi) "Ambições literárias" e paralelos descabidos com gênios
- Clarice (com "C", por favor) Lispector
- James Joyce
* * *
>>BOMBA<<
Email ~vazado~!
Desta vez não pelo MPF, nem pela PF, nem por um juiz...
>> Caro Nassif,
Em primeiro lugar, quero te agradecer pelo feedback e pelas dicas. Para mim, que entrei nessa de paraquedas, meio “à força” depois da condução coercitiva do Lula, ter a opinião de uma referência não tem preço!
Você tem razão quando nota uma evolução do estilo entre as primeiras postagens e as atuais.
Mas tem aí duas coisas distintas:
(1) o peso da mão / provocações explícitas
É certo que há posts onde peso (mais do que o habitual) a mão na pancada. Isso nem é tanto por uma “empolgação” (como você sugere), que poderia até estar presente. Demoro um pouco para escrever. Assim, é difícil para mim escrever algo “no calor dos acontecimentos”. Em geral, começo num dia e acabo no outro, inclusive.
O que quero dizer é que as “pancadas” / “provocações” são deliberadas. Sim, reconheço que elas podem sim acabar animando “torcidas” e “rinhas de galo”, como você coloca. Nesses posts não raro há até mesmo abuso do emprego de “memes”! (que eu adoro rs)
(2) Forma / conteúdo “sui generis”
Aí já foi uma evolução do estilo pessoal mesmo. Depois de sentir a temperatura da água, entrar na piscina e, finalmente, me acostumar com a temperatura, comecei a nadar em “estilo livre”.
Qual é esse estilo?
(i) metáfora sobre metáfora sobre metáfora... (olha eu aqui de novo com “piscina”, “temperatura”, “nado em estilo livre”...). É como o pensamento me vem.
(ii) textos que saem de um determinado “lé” para liga-lo a um “cré” antes bastante improvável. E aí, também, é como a minha mente funciona. Eu tenho gosto por todos os campos do conhecimento. Difícil, inclusive, me definir como “advogado” / “acadêmico do Direito”. Eu estou todo dia, o dia inteiro, estabelecendo relações na minha cabeça entre campos “estanques”.
Nos posts, em geral, eu reproduzo os caminhos que a minha cabeça fez antes, numa dinâmica - que só depois (!) soube ser, por outros - stream of cousciouness (fluxo de consciência).
Isso tem prós e contras:
Contras:
(a) os textos ficam grandes e, com isso, afastam leitores mais impacientes / com menos tempo;
(b) os textos ficam menos “acessíveis”;
(b) alguns veem como uma ego trip narcisista, o que causa, justificada ou injustificadamente, má vontade. Teve leitor até que, querendo desqualificar a minha dura crítica ao PT, me acusou de copiar, “mal!”, Clarice Lispector.
Mal sabe ele que:
(i) cheguei nessa forma de maneira totalmente involuntária e gradual. Quando vi – ou melhor, quando me avisaram – já estava lá;
(ii) vivo na Suíça! – onde Clarice morou por 5 anos, como esposa de diplomata. Odiava tanto que foi aqui que começou a escrever, como forma de extravasar a sua enorme angústia.
Já eu adoro! Vivo aqui por opção. Mas, coincidentemente, também escrevo, em parte, para extravasar. Extravaso, contudo, a angústia com o que me chega do ~Brasil~ !
Prós:
(a) Tem quem goste do estilo. Mesmo do tamanho maior e de um texto “mais complexo e menos óbvio”, quando não flertando com o “texto aberto” (open text).
(b) Esse público, embora menor, é “qualificado”. Deixa comentários no GGN ou nas redes riquíssimos, que costumam originar novos posts meus – justamente a graça da web 2.0 (ou 3.0 já...).
Como já tive a oportunidade de te dizer e de registrar, inclusive em post, esse “ativo” do GGN não tem par na blogosfera: comentários do junior50, do Arkx (que convenci a se cadastrar no GGN lá atrás!), da misteriosa Hydra, do André Araújo, do André B, da Vânia e de tantos outros. Sem esquecer, é claro, do meu amigo Ciro, que eu “arrastei de volta” para o GGN neste ano.
Gente, inclusive, com posicionamento ideológico e background totalmente diferentes do meu. As visões deles costumam ser diferentes das minhas. Isso me força a retrabalhar as teses. Ou para reafirmá-las, com maior convicção, ou para refutá-las, ou para ficar no meio do caminho, numa síntese (os 3 já aconteceram!).
(c) Esses textos são, em alguma medida, uma sessão de terapia. Vários me forçaram a ter de formular melhor, “no papel”, meus pensamentos. Também me fizeram, com a escrita, ter de trabalhar e racionalizar sentimentos. Presentes 100% ou latentes.
Há até mesmo um flerte com a psicanálise, quando o “fluxo de consciência” faz as vezes da “livre associação” freudiana, como revelador do inconsciente.
Isso causa, inclusive, certa exasperação em pessoas próximas, que ficam preocupadas com uma auto exposição excessiva por esse caminho.
Evidentemente busco me preservar – daí o pseudônimo. Serve mais para trolls chatos não terem acesso aos meus trabalhos, contatos, perfis em redes sociais, etc.
Quem me conhece sabe que sou eu o autor.
Como nunca escondi minhas posições políticas, o “mal” já estava feito. Já fora, inclusive, retaliado profissionalmente, perdendo oportunidades de emprego no Brasil. A “fama” já estava feita antes do blog, de forma que posso "relaxar e deitar na cama". Sinto até mesmo uma pressão moral de fazê-lo, por estar protegido aqui na Suíça, sem dever nada a ninguém, e poder dizer sem temer o que colegas no Brasil não podem.
Resumo da ópera:
- O fluxo de consciência – que não está presente em todos os posts, diga-se – é hoje “o barato” do blog para mim.
- A porrada e a provocação ocasionais são mais atos deliberados que propriamente “empolgação”.
- Entendo as restrições editorias do GGN – que, aliás, fazem todo o sentido!
- Vou tentar deixar a separação mais clara entre posts “pancada” / “provocação” e os demais.
- Queria entender se a sua crítica se dirige à “pancada” / “provocação” ou também à mistura de objetividade de análise com a subjetividade do fluxo de consciência e das viagens metafóricas. <<
* * *
- Um post bem do tipo “ame-o ou deixe-o”:
Post viajante, com os tais dos "lés" com "crés" improváveis.
Teve gente que não embarcou:
Teve gente até vendendo o guia turístico da viagem:
Teve gente que embarcou e teve uma linda lua de mel com o autor:
A amiga Andréa vai ao delírio, comparando-me com o maior mito da comunicação política:
E o autor fica feliz pra caramba por aparentemente ter logrado seu difícil intento: traduzir para palavras o estado de espírito de quem ouviu o discurso de Lula sem condescedência mas de coração aberto, desarmado.
Por que traduzir para palavras?
Para ter ali, ao alcance da mão, à distância de um clique, a passagem de volta para aquele sonho.
Os dias tem sido sombrios. Fiz esse "seguro" para mim mesmo.
Mas - "socialisme" oblige - quis compartilhar com todo mundo que também precisasse.
* * *
Um ~autor~ bem do tipo “ame-o ou deixe-o”?
Espero que não!
Podem bater em mim sem melindres. Se houver educação vou até responder!
Bate... pode bater sim... mas S&M leve, ok? Tipo #50shades...
* * *
E eu não sou o único!
De forma totalmente aleatória, chegou a mim ~ontem~ o link para um artigo que cunclui simplesmente o seguinte:
Então, faz-se mister que a Literatura, como realmente denominada, esteja mais presente em ambientes acadêmicos de Direito, para que, com seus exemplos, o discente possa vivenciar suas peculiaridades e envolver-se mais com o cotidiano, fazendo com que realidade e ficção se entrelacem, propiciando um ambiente agradável ao aprendizado.
Chegou "aleatoriamente"? Como?
Simplesmente porque a professora das autoras no ensino fundamental e médio, que já é conhecida de vocês (de "Orlando: a dor indizível de um proto-genocídio que 'ousa dizer o próprio nome'"), quis corujar - de novo - suas (múltiplas) ex-alunas brilhantes. Assim, mandou o link do artigo para seus amigos pelo whatsapp, inclusive para mim:
Obrigdo, de novo, "Professorinha" Elaine, minha amiga das Minas Gerais.
Parece que a gente vive em sintonia! "Sincronicidade jungiana", como outra amiga querida me lembrou ontem:
*
– Gente, não esqueçam que "amanhã há de ser outro dia", porque, afinal, a Direita nunca vai ter uma Clara Nunes! Sorry, mas a arte é gauche! Saravá, Clara!
* * *
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Romulus
*
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(iii) E, claro, aqui no GGN: Blog de Romulus
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Quando perguntei, uma deputada suíça se definiu em um jantar como "uma esquerdista que sabe fazer conta". Poucas palavras que dizem bastante coisa. Adotei para mim também.
twitter: @rommulus_ facebook: Romulus
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