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Simefre abriu as portas para cartel, diz assessor do sindicato dos ferroviários da Sorocabana

Jornal GGN - O assessor do STEFZS (Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Sorocabana), linhas 8 e 9 da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), Rogério Centofanti, revelou que as denúncias de cartel companhia são antigas e  “apenas a ponta do iceberg”. Rogério afirma que, há anos, os problemas da CPTM vêm sendo denunciados, mas que só será possível mudar esse cenário quando mudar o governo de São Paulo e toda a diretoria da companhia porque o transporte público “é muito mais um balcão de negócios, do que uma empresa a serviço da população”.
 
 
Ao comentar os atestados que são concedidos pelo Simefre (Sindicato Interestadual da Indústria de Materiais e Equipamentos Ferroviários e Rodoviários), entidade sem fins lucrativos que também compõe a base ferroviária, e como funcionaria o esquema - tendo em vista que parte das denúncias de cartel passa pela liberação deles - Centofanti explicou que “quando um trem é importado, obrigatoriamente passa pela aprovação da chamada indústria nacional".

“Então, quando se tem um trem de fora ele só entra se tiver um aval da indústria ferroviária nacional, que, na verdade, é indústria transnacional nacionalizada, porque não temos mais indústria nacional ferroviária. O que temos é um monte de multinacionais com fachada de nacionais”, esclarece. Centofanti acrescenta que esse é o problema de os chineses entrarem no país "porque você tem um lobby das transnacionais e, é onde inicia a reserva de mercado para indústria ferroviária; então, ficam com os de sempre: Alstom, CAF, Siemens”, alerta. Para o dirigente da base ferroviária não é possível o governo do estado ir para a imprensa e dizer que é vítima desses cartéis porque os contratos fechados não deixam de passar nas mãos de agentes públicos, “afinal, é sua equipe que faz os editais”. 
 
Porta para roubalheira

O assessor do sindicato dos ferroviários de Sorocabana relata que a relação do Simefre com esse esquema começou aproximadamente em 1997, época em que a CPTM importou um trem espanhol, da rede ferroviária do país, que estava envolvida no último acidente monstruoso ocorrido no mês passado. “Esse trem espanhol foi doado para o governador do estado de São Paulo, mas havia algo interessante: só seria doado se os paulistas pagassem pela sua reforma na Espanha; e cada trem usado e reformado tem praticamente o preço de um novo”, explica.  
 
Para o assessor, a situação causou estranheza “porque nós brigávamos contra o trem espanhol, nós da Sorocabana junto com o Simefre; porque não interessava nem para eles e muito menos para nós. Mas, estranhamente eles aprovaram o documento 'atestado' do trem espanhol e pela reforma de alguns trens aqui no Brasil. Lamentavelmente, foi o Simefre que abriu a porta para essa roubalheira toda que estamos vendo aqui hoje”, analisa. 
 
Questionado se as denúncias protocoladas pelo STEFZS ao Ministério Público podem ser desarquivados, Centofanti explica que “a pressão popular está fazendo com que Ministério Público, Tribunal de Contas, partidos políticos e Assembleia Legislativa, órgãos nos quais nunca acreditamos, se mexam”, desabafa. Para Centofani só haverá investigação a sério se esse movimento de luta permanecer. 
 
 
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