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O "Ê" Breguismo, o "Ê" Fascismo, por Zegomes

O Ê-breguismo, o Ê-fascismo

Porque muitos brasileiros passaram a chamar a letra É de Ê? Alguns palpites sobre a breguice.  

O que é ser brega? Uma das características mais marcantes do brega é querer agir como se ele fosse outro. Outro que ele talvez admire sinceramente ou que é induzido a admirar (pela mídia, pelo grupo no qual está inserido naquele momento da sua vida, etc.).

Não é por acaso que um dos exemplos mais típicos de breguice, um dos que mais chama a atenção e provoca o riso, é a modificação do jeito de falar. Um brasileiro que passa algum tempo morando no exterior e volta falando diferente, com sotaque. A pessoa que está estudando uma língua estrangeira e passa a utilizar palavras e expressões dessa língua na sua conversa diária, trivial, com os interlocutores. A pessoa que passa a falar “difícil” propositadamente perante o seu grupo.

Quando o brega age como brega ele quer impressionar os outros, seduzir (e assim assumir um certo status de superioridade sobre os outros). Ele acha que é chique imitando alguém que ele acha que é chique ou que foi induzido a achar. E quer que os outros o achem chique quando faz essa imitação. É... A breguice é um modo de sedução. Que funciona entre outros bregas, mas é letal num meio mais cultivado, onde só provocará o deboche.

Isso estou dizendo eu, um simples leigo no assunto. Os estudiosos do brega podem talvez dizer mais sobre a breguice.

Parece que já li em algum lugar, não sei onde, que uma diferença entre ser caipira e ser brega é que o primeiro é autêntico e o segundo não. Quem sabe não se pode acrescentar que o caipira não tem pretensão de ser considerado chique e o brega sim. E com essa “chiqueza” quer ter alguma preponderância sobre os outros. Quer ser mais considerado, em suma, quer ter poder.

De uns tempos para cá, mais precisamente desde fins da década de noventa, ou pelo menos foi a partir daí que passei a notar com mais atenção o fenômeno, a “elite” brasileira, puxada pela Rede Globo, passou a achar extremamente chique pronunciar a letra “é” com o som fechado “ê”. Imitando os brasileiros sulistas de origem italiana, alemã e espanhola.

Quase todo brasileiro aprendeu a pronunciar as vogais do velho ABC assim: A, É, I, Ó, U. 

Hoje em dia, especialmente na Rede Globo e nas vozes da propaganda, e especialmente em São Paulo, se você não chamar o “é” de “ê” e até mesmo o “ó” de “ô” faz feio, não é chique.

E, não contentes com a mudança da letra isolada, para serem coerentes, mudaram também a pronúncia do “é” nas palavras. Essas pessoas não querem mais dizer “éducação”  e  sim “êducação”. República, com “é” bem aberto que vem das palavras latinas res publica, com o “e” de res bem aberto, só deve ser pronunciada “rêpública”, para ser chique. Mesmo que para isso o fôlego necessário para fazer a aspiração fechada seja maior, deixando a conversação mais cansativa. O importante é ser “chique”.

As sucessivas reformas ortográficas da língua portuguesa vêm facilitando essas “chiquezas”. Houve tempo em que “e” aberto tinha quase sempre o acento agudo “ ´ ” para diferenciar do “e” fechado que tinha o acento circunflexo “ ^ “.  Mas as reformas ortográficas foram abolindo esse chamado acento diferencial. A reforma de 1971 (Lei 5765/71 do General Médici) é a principal responsável pela extinção do acento. Recentemente tivemos nova reforma que reduziu mais ainda o uso de acentos diferenciais. O objetivo alegado sempre foi o de simplificar a escrita, nunca o de mudar a pronúncia das palavras.

Entretanto o que vemos hoje é uma avalanche de ê-falantes no português do Brasil. Tem-se a impressão de que cada repórter e cada locutor de propagandas na TV e no rádio vão diariamente para a frente do espelho treinar falar “ês” fechados para não cometerem gafes. E que temos fonoaudiólogas da Globo em todos os estúdios treinando os repórteres a falar “chique” com “ê” fechado.

Assim a regra é ouvirmos:

Êlêtrônicos (embora ainda não ousem chamar elétrons de êlêtrons).

Êspêcial (embora não possam chamar espécie de êspêcie).

Êlêtricidade, êlêtricista, êlêtrizante, (embora não ousem pronunciar êlêtrico em vez de elétrico).

Cêlular (embora ainda pronunciem normalmente célula).

Nôrmal (embora ainda pronunciem norma com “ó” aberto).

Sêxual (embora não tentem mudar a pronúncia de sexo, de “é” para “ê” por ficar ridículo).

Acabo de ouvir um repórter da CBN tascar um “aprêssar”, chiquérrimo, pena que não se pode falar prêssa, por ficar estranho. Outra, na TV Globo, acaba de soltar um “mistêrioso”, que aparentemente se origina de “mistério”. Antigamente, na época do Cid Moreira e Sérgio Chapelin, o Jornal Nacional era anunciado assim: jórnal nacional. Agora os locutores dizem: jôrnal nacional, jôrnal hoje, enfatizando bem o “ô”. Gente fina fala assim.

Na Copa das Confederações de 2013 um jovem repórter fez uma matéria em um sítio de quilombolas para o Esporte Espetacular. Ele perguntava aos negros: você já ouviu falar de Pêlé? Fiz uma retrospectiva mental tentando lembrar se em algum lugar do Brasil ou do exterior, nas TVs e nos rádios eu já ouvira alguém pronunciar o famosíssimo nome de Pelé com o primeiro “é” fechado. Nunca. Sempre o que se escuta é Pélé.

Deve ser a força do hábito de transformar tudo em “ês” mais chiques, para diferenciar desses falantes de Minas Gerais para cima, especialmente dos feios nordestinos, que em tudo são feios e pobres, até no falar –não importa se os nordestinos são mais fiéis ao português de Portugal ou ao ancestral latino.

Na língua portuguesa –na verdade em todas as línguas românicas- há o fenômeno histórico chamado metafonia. Na formação de plurais (ôlho > ólhos; côrpo > córpos; ôvo > óvos; pôrto > pórtos, etc.). Em conjugações verbais (dêver: eu dêvo, tu déves, ele déve, nós dévemos, vós dêveis, eles dévem), etc.  Em alemão há o fenômeno do Umlaut que é similar ao da metafonia. Alguns plurais se formam acrescentando um ä  que corresponde ao som da letra “é”, aberta.[1]

Parece que os bregas brasileiros estão conseguindo fazer uma metafonia ao contrário: agora tudo que é aberto vai se tornar fechado.     

Ouvindo-se os cantores sertanejos chama a atenção sua domesticação para pronunciarem tudo com som fechado. Como os mais importantes cantores desse gênero são de Goiás e Minas, lugares é-falantes, fica-se imaginando que tão logo cheguem nos estúdios de gravação de São Paulo são levados para laboratórios com fonoaudiólogas da Globo, onde são ensinados a falar “chique”. Aí o Brasil todo é obrigado a ouvir os cantores expressarem em alto e bom som as “êmôções”  de seu “côração”. Para ser justo, esse fenômeno com os cantores remonta mais para trás nos anos. Vicente Celestino era pura impostação na voz. Roberto Carlos já canta tudo fechado, para ele já era chique.

Segundo os estudiosos, o latim não conhece o som do “ê” fechado. É uma língua puramente é-falante.

No grego antigo aparentemente há a presença dos dois sons. Convencionou-se nas gramáticas considerar que o épsilon representa o “é” aberto e o êta o “ê” fechado, assim como o ômicron representa o “o” aberto e o ômega o “ô” fechado. Há controvérsias. Muitos filólogos acham que a oposição que há entre esses pares é apenas de duração do som, longo ou breve. O simpático velhinho professor de grego da USP, Prof. Henrique Murachco, no seu livro Língua Grega, 1ª Ed, Ed. Vozes e Discurso Editorial, 2001, afirma que não existe vogal fechada em grego (pág. 37). Mas é contraditório o que diz, pois ao dar exemplos em português, do som da letra épsilon, ele cita “mesa” e “medo” palavras com ê-fechado. Ao citar exemplos em português do som da letra êta ele menciona “atleta”  e “tese” palavras com é-aberto. Se não existe vogal fechada em grego como a pronúncia de épsilon corresponderia ao “e” de mesa que é fechado? E por que ele, ao dar esses exemplos, ainda inverte a convenção que prevalece entre os outros filólogos e gramáticos, onde o épsilon é considerado aberto e o êta fechado?

A língua alemã é uma língua predominantemente ê-falante. A letra “e” se pronuncia “ê” fechado e nas palavras ela representa predominantemente esse som. Para representar o “é” aberto é mais comum o “ä”, ou seja, a letra “a” com uma treminha em cima. No falar cotidiano a língua alemã não é assim tão ê-falante. Um sufixo muito comum nessa língua, o “berg” , é pronunciado bem aberto, “bérg”. Em 2012 fui a Berlim. Lá existe uma rua chamada Kant –o filósofo- e na Rua Kant tem uma esquina pontuda onde há um centro comercial conhecido. Esquina ou canto em alemão se chama Ecke. Eles chamam popularmente essa esquina pontuda da Rua Kant de Kantecke. Desejando ir até lá eu perguntei a uma senhora: para onde fica a Kantecke? E, claro, como eu estava num país onde a letra “é” é chamada de “ê”, eu pronunciei Êcke, com os “ês fechados”. A mulher pensou um pouco, pediu para eu repetir, e após algum tempo finalmente disse: ah, sim, Ééééécke! Era aberta a pronúncia do “e”. Quem diria. Nossos chiques não iriam gostar. Isso é mais uma prova que mesmo nas línguas onde o nome da letra é Ê, nas palavras, mesmo com a letra isolada, como no caso de Ecke, ela pode ser pronunciada aberta. Portanto nossos chiques estão realmente exagerando ao falarem todos os és de nossa língua com som fechado.    

A língua francesa apresenta a grafia “é” com acento agudo para o som de “ê” fechado e “è” com acento grave e o ditongo “ai” para o som do “é” aberto, e parece que ambos os sons têm uso amplo na língua.

 A língua italiana apresenta os dois sons, mas tem uma predominância do “ê” fechado, portanto uma língua predominantemente ê-falante. Como isso se deu, se é a filha número um do latim, uma língua exclusivamente é-falante? Se alguém souber, favor explicar. A fronteira norte da Itália se estende com países de fala alemã. O Tirol italiano fala alemão. A região norte da Itália é mais desenvolvida, mais “chique”. Será se não houve lá um processo semelhante ao que estão querendo fazer por aqui, ou seja, a imposição de um jeito de falar considerado mais chique, vindo de uma região mais rica, e absorvendo paulatinamente os mais pobres e mais periféricos?  Lembro que nas chamadas da novela Esperança, da Rede Globo, o locutor falava “Êspêrança” e um dos temas musicais da novela era uma canção italiana cantada por uma cantora italiana que repetia várias vezes a palavra speranza ou esperanza com os sons de “é” aberto. Via-se nitidamente que a pronúncia italiana era mais normal, mais latina do que a pronúncia das fonoaudiólogas da Globo.

A língua espanhola soletra a letra “e” fechado, “ê”. E é uma língua também  predominantemente ê-falante. Por ser uma língua latina e o latim ser é-falante, como o espanhol (castelhano) se tornou ê-falante? Dizem os estudiosos que as vogais castelhanas são herança da língua basca, também chamada de vasconço, que é uma língua ê-falante e que influenciou o “ibero”, língua majoritária da região da Espanha, antes da chegada do latim com os romanos. A língua árabe que conviveu na península ibérica por séculos não deve ter influenciado o espanhol neste aspecto, porque, dizem os entendidos, na língua árabe só existem três vogais:  a, i, u. Não existe o som de “e”, seja fechado ou aberto. Muito curioso. Deve ser por isso que ao escutarmos um árabe falar, parece que só escutamos sequências de sílabas com “a”.

A língua inglesa, o xodó de nossos “chiques”, não os ajuda muito. É verdade que a letra “a” se pronuncia “êi” e por isso há na língua muitos sons aparentados de “ê”. E o artigo The, com ê fechado contribui para os fãs do som fechado. Infelizmente, para nossos chiques, a pronúncia da letra “a” e letra “e” antes de duas consoantes vira o tão odiado “é”, aberto, e assim nossos chiques são obrigados muitas vezes a pronunciar em inglês esse som que eles tanto desprezam na língua pátria. Como ao pronunciarem apple (épôl) ou fashion (féshion).

A língua portuguesa tem os sons “ê” e “é” . A letra isolada é tradicionalmente chamada de “é”. Nas palavras alternamos esses sons espontaneamente segundo o uso comum da língua. Quando eu falo, e observo isso também entre meus amigos (sejam eles do Nordeste, de Goiás ou de Minas Gerais) , uma palavra como “educação” sai com “é” aberto. Já “eleição” sai naturalmente com os dois “és” fechados “êlêição”. Dezesseis sai com os três “és” fechados e dezessete com os três abertos. Dezoito fechado e Dezenove aberto. Isso se não sair um bem natural “di”, dizessete, dizoito, dizenove.  Essa alternância de acordo com o uso tradicional da língua deixa o falar mais fluente, com menos esforço, menos pedante. Querer fechar todas as ocorrências da letra “e” deixa o falar artificial, pedante, cansativo e brega.  Brega porque a pessoa que assim o faz quer ser “chique” imitando o falar das línguas predominantemente ê-falantes. É brega porque quer ser o que não é, repudiando sua própria identidade e sua cultura, porque se desvaloriza. Nem mesmo os falantes de espanhol, por exemplo, fecham o ê em todas as palavras. É só ouvir documentários em espanhol que se percebe facilmente isso.

O português de Portugal é mais radical que o brasileiro no uso de vogais abertas. Muitas palavras que fechamos, por exemplo, aquelas juntas de um som nasal, como no nome Antonio, que antes da reforma ortográfica escrevíamos Antônio, eles pronunciam e escrevem António e impuseram esse uso aberto –opcional- inclusive no último acordo ortográfico.

No Brasil parece que fazemos uso mais equilibrado dos dois sons. Sempre tivemos bolsões de ê-falantes, especialmente no estado de São Paulo e nos estados do Sul, em regiões de forte imigração italiana, alemã e de língua espanhola (fronteiras com países falantes do espanhol). Mas eles eram minoria e bem delimitados. O problema parece ter começado com as fonoaudiólogas da Globo.  O problema parece ter realmente se avultado quando a “elite” brasileira se descobriu como melhor que o resto da população, mais rica, mais bonita, mais européia. Essa elite despreza raízes portuguesas, aqueles baixinhos, atrasadinhos da Europa. Despreza os nordestinos com suas cabeças chatas[2] e sua pobreza. Despreza todos esses é-falantes. Na eleição de 2010 uma propaganda do Serra colocava uma voz nordestina falando, totalmente estereotipada, com todos os sons abertos, os “t” e os “d” sempre linguodentais, e essa voz ao falar PT dizia Pé-Tê. Ninguém no Brasil fala PT assim. Desconheço quem pronuncie no Brasil a letra “p” como “pé”.  Mas achei isso uma prova sensacional da politização fascista dessa questão lingüística.

           

No Dicionário Aurélio, 1ª edição, sem data, Ed. Nova Fronteira, consta a entrada:

E  (é). S.m.  1. A quinta letra do alfabeto.

Não refere a variante (ê). Em edições recentes que folheei em uma livraria já consta a menção ao som “ê” em primeiro lugar e depois o som “é”. Estaria o ê-breguismo triunfando também entre os dicionaristas?

No Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, 1ª edição, Ed. Objetiva, 2009, consta essas duas entradas:

1) E \é ou ê\ s.m. 1.quinta letra do nosso alfabeto.   

2) É  s.m. nome da letra e.

No livro Grande Manual de Ortografia Globo, 3ª edição, 1981 do gramático gaúcho Celso Pedro Luft ele escreve: “O nome tradicional, clássico, das letras e  o  é  é  ó, timbre aberto; mas em algumas regiões (Rio Grande do Sul, p. ex.) existem as variantes  ê ô”.

No livro Novo Guia Ortográfico, 2ª edição, 2003, editora Globo, do mesmo autor    ele dá o nome das letras com timbre aberto e não menciona as variantes regionais.

O gramático brasileiro mais mordaz com os ê-falantes é o Prof. Luiz Antonio Sacconi, gramático, dicionarista e professor da USP. No livro “Não erre mais” , 27ª edição, 2003, editora Saraiva/Atual, ele escreve assim:

“Como devo pronunciar a abreviatura de extraterrestre: ET?

Assim: é tê (e não “ê” tê, como fazem alguns terráqueos mal-informados). Todas as vogais, quando pronunciadas isoladamente, devem ter som aberto. Por isso, leia corretamente: vitamina E, TV E, IBGE, Tafman E, lâmpada GE, TER, DNER, DER, BNDES, RGE, Monza SLE, Mercedes-Benz série E, Toyota XE.

Se você não leu todas essas vogais em destaque com som aberto, ou seja, é, esteja certo: os extraterrestres estão chegando! E vão levá-lo, com certeza!”  

Folheando uma edição posterior desse mesmo livro do Prof. Sacconi numa livraria, percebi que ele mudou o comentário sobre esse erro. Dessa vez ele fuzila um programa de televisão em que as pessoas estavam falando “ê” e ninguém corrigia esse “erro grave”.

Não deve ser o programa do Sílvio Santos, pois já vi muitas vezes com que impaciência e certo desdém ele corrige as pessoas “chiques” que falam “ê” naquela parte do seu programa em que as pessoas ganham dinheiro ao adivinhar qual a palavra, letra por letra, acho que se chama roletrando ou soletrando.

Recentemente folheei a última edição do mesmo livro e o professor já tinha mudado o comentário, sempre debochando da pronúncia “ê”. Pena que nessa mesma edição ele coloca, bem no início do livro, um artigo do Reinaldo Azevedo defenestrando o lingüista Marcos Bagno, aquele que defende o uso menos rígido das normas gramaticais. Colocar artigos do Reinaldo Azevedo como prefácio de um livro é, sem dúvida, no mínimo, prova de mau gosto do autor.   

Na profissão de oftalmologista tenho a oportunidade de ouvir diversas pessoas falarem as letras muitas vezes por dia. Trabalhei em São Paulo dez anos e então (1989-1999), mesmo naquela cidade, as pessoas não chamavam a letra É de Ê. Essa generalização é um fenômeno dos anos 2000. É o poder das fonoaudiólogas da Globo.

Costumo corrigir as pessoas no consultório quando falam Ê. Com jeito, para não ofender ninguém. Quando retrucam mostro o livro do Celso Luft, ou do Sacconi ou da Dad Squarizi ( consultora de língua portuguesa do jornal Correio Braziliense). Ultimamente até mesmo muitos nordestinos falam um Ê meio acanhado, sem jeito. Parecem ter medo de falar É e serem considerados analfabetos, serem inferiorizados. Preferem dizer Ê, porque assim falam as fonoaudiólogas da Globo e então deve ser chique e certo. Isso no Distrito Federal que deve ser metade nordestino, um terço goiano, um quinto mineiro, e o que sobrar, do restante do Brasil. Muitas vezes pergunto, inocentemente, por que a pessoa fala Ê. 

As respostas são mais ou menos assim:

Porque só é É quando tem acento. As pessoas não sabem da queda do acento diferencial.

Porque a professora ensina assim. Dessa forma fiquei sabendo que no DF existem professores que tiram ponto dos alunos se falarem É aberto. Grande influência das fonoaudiólogas da Globo.

De vez em quando alguém responde, meio zombeteiro, sorrindo, que fala Ê porque não é nordestino. Pronto. A elite brasileira que quer ser européia ou pelo menos porteña está vencendo. 

Na novela “Araguaia”, da Rede Globo, as pessoas falavam “gauchez”. É uma profusão de “Bueno”, “tu vais”, “ês” para todos os lados. De Goiás só tem as referências a Goiânia e Pirenópolis.  A empregada doméstica Aspásia, vivida por uma atriz originária de Rio Verde-Go, era uma das poucas que tinha um falar típico do interior goiano. Mesmo essa, no entanto, numa cena em que descobriu que o nome de seu futuro marido começaria com a letra E, despachou sequências e sequências de “Ês” Brasil afora. É um desrespeito com a diversidade, com as culturas regionais. Todo mundo sabe que o Mato Grosso foi invadido por gaúchos, mas isso não dá ensejo para o menosprezo total da cultura original da região.

Na novela mais recente, Meu Pedacinho de Chão, o ambiente de fundo é Brasil: um coronel, seus jagunços, seus trabalhadores rurais quase escravos, eleições com voto de cabresto, a empregada doméstica negra, a professorinha que veio de São Paulo. Mas o cenário é totalmente europeu: casinhas com telhados pontudos de escorrer neve, um pequeno castelo onde mora o coronel, flores para todos os lados nas estradas e nos balcões das janelas, pés de frutas vermelhas desconhecidas nossas (não se vê um pé de jaca, de manga, etc.). E uma profusão de falantes de “ês”. Mesmo as atrizes mineiras do Grupo Galpão de Belo Horizonte que trabalham na novela e que falam um delicioso sotaque mineiro são obrigadas a, de vez em quando, soltar um “dê” para ficarem “chiques”. Que pena essa viralatice.  Nessa novela pode-se até perdoar, pois é um pequenino conto de fadas onde tudo pode acontecer. Mas não deixa de ser um testemunho dos anseios secretos de uma parte da elite: ser europeu, ser o que não somos.     

Sem falar que o “gauchez” da Globo é um estereótipo assim como o “italianez” de suas novelas baseadas em São Paulo. Estive três vezes em Porto Alegre. Não percebi esse carrego no sotaque. Os jornalistas da Globo local falam mais “normal” que os de Brasília, São Paulo e Rio. Lá ouvi jornalistas falarem “educação”, “reforma” com “é” como a maior parte dos brasileiros falavam até pouco tempo atrás.

Reportagem no programa da Globo “Pequenas Empresas Grandes Negócios” exibido no dia 09/11/2014: “Fábrica de instrumentos musicais de Itupeva-SP usa madeira certificada pelo Ibama”. O repórter capricha em dizer que a madeira para o violão é cÔrtada –talvez ele queira dizer que ela veio da corte de Portugal e não que sofreu um corte-, cÔlada –tadinha da cola virou cÔla-   Tudo em nome da chiqueza. E não se enganem, talvez inconscientemente, uma maneira de dizer: nós, sulistas, falamos assim. Nós somos diferentes, somos internacionais, etc. e outras qualidades superiores. Duvidam? O pobre repórter pode nem estar percebendo o detalhe. O fascismo gosta de coisas excludentes, exclusivas. O fascismo está dentro de nós. Às vezes, mesmo sem querermos, inconscientemente.

Será se a antipatia que sentimos diante do ê-breguismo é bizarrice de velho, visto que já somos cinqüentões? É repúdio ao novo?

Os lingüistas gostam de enfatizar que a língua é dinâmica, as mutações são freqüentes e devemos aceitá-las democraticamente.

O problema é que aqui a mutação parece ser antidemocrática, que tende a humilhar o outro, a depreciar. A mutação aqui parece ser fascista. 

Getúlio Vargas tinha razão ao limitar o uso do alemão em algumas comunidades do sul? Será se ele temia justamente isso, o uso da língua como fator de humilhação do outro?

A elite brasileira do sudeste/sul critica muito o gerundismo, aquela mania dos operadores de telemarketing de falarem no gerúndio, “nós vamos estar providenciando, etc.”. Ninguém, a não ser o Prof. Sacconi, critica o ê-breguismo. Não será porque o gerundismo é praticado pelos pobres, aqueles que passam pelo menos seis horas por dia batalhando a vida com um telefone no ouvido, e o ê-breguismo é coisa de quem quer ser “chique”, ser europeu?

Brega quer imitar um chique e parecer chique diante dos outros e assim seduzir e angariar poder. Fascista acha ele próprio e o seu grupo o melhor, o único, e espezinha os outros. A elite brasileira quer falar chique, quer imitar o mundo rico, quer fugir de parecer português ou nordestino. Quer o seu grupo mandando, inclusive alterando o uso centenário da língua. O fascismo não aceita a diversidade. 

Isso não parece ser uma simples mutação fonética, espontânea, uma evolução da língua dinâmica. Marcos Bagno que me perdoe, aqui não é um preconceito linguístico invertido, contra as elites. Nessa mutação linguística das elites tem rancor, tem querer diminuir o outro, tem querer negar a lusitanidade, tem querer menosprezar nordestino. E por isso é criticável. Tem querer inferiorizar os mais pobres e os mais ferrados.  Tem fascismo nesse angu.    

E sendo assim, salvar o “é” parece que se torna uma questão de resistência e luta contra o fascismo.

P.S.  Pasquale Cipro Neto escreveu recentemente que os paulistas chamarem Roraima de Rorãima também está certo. Será mesmo, professor? Não será arrogância? Nomes próprios, ainda mais de um estado da federação ter sua pronúncia modificada apenas porque São Paulo decidiu assim? Que os sulistas se acharem “chiquesésimos” porque pronunciam “Bá-na-na” enquanto o resto do país fala “Bã-na-na”, pode-se até aceitar. É uma regra natural da língua nasalizar a vogal anterior a “n” e “m”, como em “Ã-na”,  “Cã-ma”, etc. Mas se os sulistas resolveram retirar a nasalidade de banana, tudo bem. Agora, colocar som nasal em um nome próprio que é pronunciado aberto, reinventando as regras da gramática, não seria um pouquinho demais?     

 

[1] Para quem quiser saber mais sobre metafonia, neste link um professor de português da Universidade de Kiel, na Alemanha, explica como é difícil fazer os estudantes alemães entenderem a metafonia do português porque, com a queda dos acentos, ela se tornou um fenômeno apenas oral e não gráfico: O ensino / aprendizagem da metafonia do português como língua estrangeira por aprendizes alemães | Krug | Contingentia

[2] Ver texto sobre a origem das cabeças chatas dos brasileiros do Norte e Nordeste e possíveis formas de preveni-la com medidas de saúde pública no blog do Zegomes, aqui no Luis Nassif.

 

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José Eduardo de Camargo

Pois é! Acho que em breve

Pois é! Acho que em breve eles começarão a chamar o Brasil de Brâsil...rs.

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Concordo com o autor quando

Concordo com o autor quando ele lembra que os nomes das vogais são abertos e que chamar a letra E de "ê", como se faz em SP e no Sul, é uma pronúncia viciosa. Mas querer padronizar a pronúncia do timbre das vogais átonas me parece exagero. É natural que a pronúncia do E e do O, quando átonos, varie regionalmente e que para alguns falantes o timbre da vogal em uma palavra derivada não seja necessariamente o mesmo que ocorre na palavra de origem.

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Luís Henrique Donadio

"Acabo de ouvir um repórter

"Acabo de ouvir um repórter da CBN tascar um “aprêssar”, chiquérrimo, pena que não se pode falar prêssa, por ficar estranho."

Amigooooo...

A fêmea do porco é a pórca ou a pôrca? E o marido da porca, é o pôrco ou o pórco?

E quando tem mais de um, são os pôrcos ou os pórcos?

Os falares regionais não obedecem a esse tipo de regra. Daí que em Pernambuco (ou será no Recife, apenas?) se diga règrado ou rèpública, e no resto do país se pronuncie com a vogal fechada (como, creio, se faz também em Portugal, ou na maior parte daquele país - se é que não pronunciam simplesmente rgrad e rpúblc, engolindo as vogais átonas todas, ora puis puis.

Quanto ao latim, república vem de res publica. O res em questão tendo dado origem ao português "rês", que se pronuncia fechado até em Pernambuco, e até no Recife, e tem até circunflexo na forma escrita. Em latim, pelo pouco que eu sei, não existe a oposição entre [é] e [ê], e há uma vogal somente, como em italiano (e que é intermediária entre os nossos ês e és, embora mais próxima dos primeiros.

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O A-E-I-O-U, tirando as dúvidas.

Aqui estão as diferenças:

No Nordeste, como ensina Jackson do Pandeiro: Á-É-Í-Ó-Ú, Ypsilone.



No Rio, como ensina Noel Rosa & Lamartine Babo e a cartilha da Juju: Á-É-Í-Ó-Ú, Dabliú.

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Pão ☭ Paz ✮ Terra ☀

Bréguismo

Também é chato ouví-los falar temmmmpo, pimennnta, commmmentário e também treinarem o pessoal para ninguém nunca mais usar o artigo antes do substantivo... para todo o sempre.

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Zanchetta

Amanhã voltamos com: "O "S"

Amanhã voltamos com:

"O "S" elitista, o "S" comunista, por Zanchetta"

Aguardem...

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Zanchetta

Ele deve ser

Ele deve ser pÉrnambucano...aliás, lá em Pérnambuco se pronuncia assim mesmo...

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Zanchetta

Nóis pesca o peixe...

Nóis pesca o peixe... beleza!!!!

Ê... brega!!!

Zêgomes... nada prá fazê não?

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ABC do Sertão, por Luis Gonzaga.

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Pão ☭ Paz ✮ Terra ☀

Deliciosa a cançao

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Simão Ladeira

É ou Ê?

Morador do sul há 34 anos, convivendo com os "ês", continuo fiel aos meus "és". Sei lá: devem pesar-me mais  as 4 décadas vividas em Minas. Nunca me passou pela cabeça as razões invocadas por esse Zegomes. Sem necessidade de malhar mais a Globo -- que em jornalismo bem o merece -- sempre joguei as diferenças para o mesmo rol das existentes relativamente aos "r", "s", "d", "t" ou a outras letras, como ao tumate dos meus irmãos nordestinos.

 

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Zanchetta

Na minha querida Bahia se

Na minha querida Bahia se come ôgutchi e se anda de ôndibus...

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No Rio também se pronuncia [tumatxi]

Nao é só no Nordeste. Talvez no Nordeste o t nao seja africado (nao "chie") mas acho que também é. E a vogal final se pronuncia [i] em ambas as regioes. 

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Vogal final átona você quis

Vogal final átona você quis dizer, né?

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Claro, tem toda razao. O [é] ou o [ê] tônicos nao se reduzem

Mas no contexto isso é meio óbvio. 

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Ré pública é a sua.

A minha continua como sempre: muito particular. Parei de ler nesse troço:

"República, com “é” bem aberto que vem das palavras latinas res publica, com o “e” de res bem aberto, só deve ser pronunciada “rêpública”, para ser chique".

Ai, ai, ai! O cara inventou palavra 'proproparoxítona' (pública), ou pior, palavra com duas sílabas tônicas. Ele não percebe que a sílaba "re" é de pronúncia fechada, não para "ser chique", mas porque a palavra é proparoxítona e devidamente acentuada na antepenúltima sílaba. Então ela deve ser lida república, até porque a forma escrita assim exige; quem comete o regionalismo coloquial répública (nada contra regionalismos), não percebe que comete um cacófato horroroso.

Desculpem-me, mas quem pronuncia éducação, provavelmente não a teve. Não é preconceito meu contra regionalismos ou pessoas que não tiveram oportunidades de maior escolaridade; mas quem a teve, fica com um pouco de obrigação de transmitir o aprendizado, de que na língua escrita não há palavras de dupla acentuação, que sua leitura ao público (a fala coloquial são outros quinhentos) deve ser na pronúncia que a escrita exige.

Não quero dar uma de fiscal do falar alheio. É uma coisa que só abro exceção e reservo para alguns "tipos", entre eles, os arrogantes e, sobretudo, os ignorantes fiscais permanentes do modo de falar, dos regionalismos e da escrita alheia. É o caso desse  artiguete pretencioso, recheado de bobagens e mais notas de rodapé, com a intenção de policiar os modos de falar nossa língua. Ainda por cima, põe nos outros o adjetivo fascismo, que parece cair como uma luva justa nesse artiguete; mas não vou ser tão duro, aplicando tal adjetivo na qualificação desse amontoado de besteiras.

No fundo, ele expressa uma revolta de um regionalista, ao ver que nos meios de comunicação dominantes, concentrados em grandes ambientes urbanos do sudeste e do sul do país, conduzidos por profissionais com origens nas classes médias urbanas dessas regiões, predomina o modo de falar dessas classes. Ele está aí a dizer: o 'meu' regionalismo é o 'correto', o regionalismo predominante de 'vocês', as classe médias urbanas daí do sul e do sudeste, é o 'incorreto'.

É mais ou menos como aquele caipira, revoltado contra o ator que viu na televisão declamando Gonçalves Dias, de uma forma que achou 'incorreta', em vez da forma como ele, o caipira, acha a 'correta': "Minha terra tem parmêra onde canta o sabiá".  Caipirice, é o adjetivo adequado para aplicar ao artiguete.

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Claudio Torcato

Na região do Nordeste onde

Na região do Nordeste onde moro falamos Républica Fédérátiva do Brásil. Apesar de República ser uma proparoxítona, o U ao que me parece só tem um som apenas, ou seja, não há U fechado ou aberto.

Se eu digo Republico (verbo) ou Repúblico (adjetivo), o que mudo é a tônica do BLI. Então para mim, tanto faz o RE ser RÊ ou RÉ.

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A finali// d artig em república nao é dizer se é aberto ou fecha

mas sim de mostrar a sílaba tônica. Aliás depois que caiu o acento diferencial é raro o acento em Português ter a funçao de marcar se a vogal é aberta ou fechada (ao contrário do Francês, em que os acentos têm sobretudo essa finalidade). . 

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A escrita nao pode "exigir" nada, Almeida...

Nao é a escrita que regula a fala, mas o contrário. A escrita existe para representar a fala, mas como a fala é variável, à mesma escrita correspondem pronúncias diferentes. Querer homogeneizar a leitura é impor uma dada pronúncia regional como "a correta", é dominaçao. 

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Concordo.

Exagerei num certo sentido. O autor da postagem faz referência aos profissionais dos meios de comunicação, que fazem leitura de notícias ao público. O que eu queria chamar atenção é para a leitura que deve ser feita em público. Se um locutor aparece num meio de comunicação e anuncia que "a presidenta da pública...", isto soa como uma ofensa, um cacófato horroroso, grotesco quando aplicado a uma senhora.

Nada contra regionalismos. Hoje mesmo eu preparei um molho de tomatchi. P'ra mim, leitchi quentchi dói o dentchi; enquanto para um paranaense leitê quentê dói o dentê. Não estava me referindo a linguagem coloquial, pra esta não cabe a camisa de força da linguagem escrita. Mas quem é profissional de comunicação, deve fugir o que puder dos 'vícios' da linguagem coloquial; para maior clareza deve evitar 'exageros' das pronúncias regionais, o que não é o mesmo que suprimí-las: tomati passa, tumatchi deve ser evitado como 'exagero'. Não é uma questão de 'dominação', mas de clareza no uso da liguagem.

Um profissional de comunicação não pode falar comendo as sílabas como fazem os mineiros, fica incompreensível para quem não é familiarizado com o 'idioma' mineirês. Se um locutor falar o sotaque e, sobretudo, a pressa com que um 'açoreano' da Ilha de Santa Catarina, 99,9% dos brasileiros não vão entender nada, nem os catarinenses do interior entendem.

Não existe palavra na língua portuguesa escrita, com mais de uma sílaba acentuada, portanto, não cabe leitura de palavras com duas sílabas tônicas. Um gaúcho que ouvir éducação, vai pensar que o sujeito está se referindo a um peixe do mar. Do mesmo modo que palavras e de uso regional são incompreensíveis, fora de onde são aplicadas; um padeiro carioca que ouvir um gaúcho pedir um cassetinho no balcão, vai se perguntar qual é a do gauchão.

A língua oficial escrita existe com a função de nos fazer entender de norte a sul do país, nos unificar independente de regionalismos.  Isto é dominação? Sim, a unificação se deve ao fato de vivermos debaixo de um estado nacional, com o controle de uma classe dominante. Mas, por outro lado, a língua unificada permite a construção da unidade dos subalternos, dos dominados, ela é também um instrumento de libertação.

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Tem muita coisa no seu comentário; algumas com base, outras nao

Tô com preguiça de desenvolver tudo. É verdade que se um locutor falasse na TV numa forma dialetal pouco conhecida em outros estados ele seria no início pouco entendido. Mas isso seria também uma forma dos brasileiros de outros estados ouvirem essa forma dialetal. Por que se deveria ouvir apenas os dialetos carioca e paulista? Por que esses dialetos seriam menos "regionalismos" que os outros? É dominaçao sim, Almeida. O caso da fala "abreviada" dos mineiros é meio diferente, mas seria longo explicar. 

E [tumatchi] nao é exagero nenhum, é a pronúncia normal no Rio. Nao dá para estabelecer artificialmente limites como "até aqui passa, até aqui nao". Todas as "listas" que os gramáticos pretenderam fazer foram desmoralizadas no tempo... (leia as crônicas do Sírio Possenti sobre o Apêndice Probo - estou aportuguesando, nao me lembro como se escreve em latim. Era exatamente uma lista desse tipo, dizendo coisas como "iglesia, nao igreja", "o obispo e nao o bispo", etc. E quais as formas que venceram?) 

Língua escrita pode ser padronizada ATÉ CERTO PONTO. A oral nao. 

Agora, algumas pronúncias citadas pelo autor do artigo sao realmente impossíveis no Português (nao que nao se possa dizê-las, mas vao contra a fonologia da língua). Palavras com duas sílabas tônicas, por ex., ou com a tônica antes da antepenúltima sílaba Até há uns casos de palavras com duas sílabas tônicas, mas uma delas vira "subtônica", tem o acento menos forte que a outra. E mesmo isso só ocorre em casos bem específicos (por ex., em palavras formadas com os sufixos -mente e -zinho; é por isso que pode haver és e ós abertos nessas sílabas: belamente [bélamentchi], formosamente [formósamentchi]). 

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Uma língua é, alguém já disse, ...

... um dialeto com exército e marinha. Hoje em dia inclui também aeronaútica. A língua possui na modernidade uma dimensão política. Não nego que é instrumento de dominação, mas é também instrumento de libertação.

Houve um debate, entre os revolucionários que buscavam a independência dos países africanos, sobre o que fazer com a língua dos colonialistas. Se não me engano, coube a Amílcar Cabral fazer as indagações: depois da independência, qual das dezenas de línguas e dialetos do seu pequeno país, que ele adotaria como a língua oficial? Como ele alfabetizaria seu povo com uma dessas línguas, todas de tradição oral, que não dispunham de nenhuma forma de fixação escrita? Como, depois de arrumar uma forma escrita para a língua oficial adotada, se providenciaria literatura técnica, científica, cultural e traduções que permitissem o acesso às grandes obras da ciência e da cultura universal?

No caso de seu país, a língua colonizador, o português, já era compreendida pela maioria de seu povo e era a resposta mais rápida para suas indagações; dialeticamente, era o instrumento da dominação e da libertação.

Se a língua tem uma dimensão política, ela também tem dimensões de outra natureza. É um instrumento de aplicações estéticas, científicas, comerciais, publicitárias, culturais, de uso de comunicação profissional diversa. Jamais eu redigiria correpondência comercial, com a mesma língua que falo entre amigos em rodadas de chopp; nenhum desses dois linguajares, eu aplicaria numa dissertação de trabalho acadêmico; em geral se fala de acordo com o público a quem nos dirigimos. Existe etiqueta, uma pequena ética, no uso da língua, adequada a cada situação.

Meios de comunicação profissional criam seus próprios códigos, suas etiquetas, de uso da linguagem, ao fazerem isto, desenvolvem padrões. É compreensível, que uma emissora que se dirige para um público multi-regional procure, uma linguagem equilibrada entre esses polos para identificação maior com o público. Mas é bastante complicado no Brasil. É difícil conciliar, por exemplo, o uso comum da segunda pessoa no Rio Grande, o tu, com o uso mais generalizado da terceira pessoa, o você, em todo o país; mas os "exageros" das pronúncias podem ser evitados, essa é a impressão que me passa a Globo, onde há predomínio do eixo Rio-Sampa, vejo equilíbrio entre o 'carioquês' e o 'paulistês' na emissora, mas é raro ouvir pronúncia muito "carregada" de um ou outro "idioma".

Acho que de todos os males que a Globo representa, a predominância do dialeto do eixo Rio-Sampa é o menor deles. Não acredito que seja proposital, mas decorrência do fato da maioria de seus profissionais serem contratados, na região onde estão seus estúdios. Na história da Globo, nunca houve problema em levar ao ar histórias, seriados, novelas, personagens regionais brasileiros, falando sotaques do nordeste ou do sul brasileiro. Ela também contratou atores de variadas procedências do país. Portanto, se querem meter pau na Globo, tudo bem, ela merece, mas não é por aí, pelo dialeto que usa.

O que a postagem do zé faz é defender um regionalismo contra o outro, da pior forma possível, tentando "provar" que a forma do regionalismo que faz uso é a "correta".

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Concordo com quase tudo.

Inclusive sempre disse que a Globo fez pelo menos uma coisa boa pelo país: ajudou (na medida do possível) a garantir a intercomunicaçao entre os falares do país. Fez o papel que, em outros tempos e outras sociedades, era exercido pela literatura e pela escola. 

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Quatro atores da Globo.

Quem é o mineiro, o gaúcho, o carioca e o baiano? Dá para identificar pelo sotaque de imediato ou há dificuldade? Todos os eles, com exceção de um, se tornaram adultos nos seus estados de origem. O carioca cresceu no nordeste. É o que quero mostrar sobre a locução profissional. Os sotaques são "corrigidos" no e para o desempenho profissional.

Amar



Memória



O Cântico Negro



E eis

Um abraço,

P.S.: A Globo deu continuidade a um padrão herdado da Rádio Nacional.

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Isso é opressao, Almeida, em grau máximo

Atinge a identidade de cada um. Nao é "locuçao profissional". E nao é necessário isso. Nao há tantas diferenças dialetais assim entre falantes urbanos escolarizados. 

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Ao mesmo que não é o sotaque de ninguém, é o sotaque de todos.

É a velha dialética que comento anteriormente. Só com convivência muito próxima ou familiar, percebe-se quem é o mineiro, o gaúcho, o baiano entre os atores; o carioca de formação híbrida fica mais complicado. Os atores estão à vontade ao declamarem nesse sotaque padrão. Nada impede que algum venha a declamar: "Qui pó ua criatura sinã,/'tri criatu zamá?/maris quecê, mari malamá,/má, disamá, amá?".

Feito com talento, fica bonito. Mas o mineiro Drummond não escreveu assim. Ele escreveu naquela forma que você descreve como "boa", para "garantir a intercomunicaçao entre os falares do país", que "era exercido pela literatura e pela escola". Seriam a literatura e a escola formas de opressão? Bem, sobre a escola pairam muitas suspeitas e algumas certezas, sobretudo da forma de escola que esta aí, há mesmo vozes libertárias que defendem sociedade sem escolas; mesmo assim, defendo, apesar das muitas reservas feitas, o acesso democrático de todos à escola; mas e a literatura? Até existem, na maior parte do tempo da permanência do homem na Terra, elas predominaram; mas, não, obrigado, eu não consigo viver numa sociedade sem literatura. Por alguns dias até vivo, faz um certo bem, mas se meus olhos não leem, por horas, flagro minha mente furtiva tomando-a da memória.

Porém, o que cabe na arte, não fica muito adequado em outras atividades; ninguém leva papo de boteco em correspondência oficial. Um locutor de noticiário tem de ter dicção clara da matéria lida, não pode comer sílabas, narrarem as notícias no ritmo dos locutores de corridas de cavalo, onde só se entende o fechamento, “e cruzam a faixa final”, tudo em nome de uma "democracia" de sotaques e falares. Um mineiro "típico" como locutor, só com legendas; um manezinho de Floripa, além das legendas, tem de ter uma tecla para parar e dar tempo de lê-las. Deixemos essas utopias hiperliberalóides de lado, a vida pragmática nos faz, queiramos ou não, "ditadores" todas as horas.

Como retratar, espelhar a variedade dos falares da língua portuguesa no Brasil e, por que não, no mundo? Simples, colocando os falantes na programação onde é mais adequada a presença; nas novelas, nos seriados, nos espetáculos, nos documentários, nas entrevistas, etc. Mesmo assim a democracia não será "perfeita", se é que existe democracia "perfeita". Os gaúchos se sentirão "oprimidos" pela predominância de tratamento na terceira pessoa, o você no lugar do tu. Será que os paulista assim se sentem e não se emocionam, nem um pouquinho, quando Paulinho da Viola canta Sinal Fechado? Será que eles preferem Farol Fechado? Pode-se até alterar a letra para "agradar" a paulicéia, mas enfiar o "sinaleira" adotado no sul vai atravessar o ritmo, não dá para "agradar" todo mundo. Deixemos os filigranas liberalóides de lado, vamos nos importar com igualdade e democracia onde elas são mais precisas e devem ser substantivas.

Valeu a discussão, aprendi bastante. Um beijão e abraços.

P.S.: Não me entenda como adversário da diversidade linguística, conte-me como aliado na defesa dessa diversidade. O Brasil tem uma das maiores diversidades de línguas do mundo e elas estão sendo extintas; faço a defesa constante do povos indígenas aqui no blogue, contra os "desenvolvimentistas", que aceitam o massacre em nome da concepção capitalista de "progresso". O vídeo abaixo espelha muito minha opção.

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Seu comentário merece resposta longa q estou sem energia p/ dar

Tô meio adoentada, e para realmente responder ao que você diz eu teria que me alongar muito. Mas posso te dizer resumidamente que você está misturando coisas que sao de ordem diferente. 

 

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mello

Me somo aos que discordaram

Me somo aos que discordaram do autor do artigo. Mas façõ uma constatação  supersticiosa : desde que a  Globo  começou a pronunciar  Futêbol e Têatro....ambos  foram  para o brejo,  hehe

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armandolo

O autor superou-se . Deveria

O autor superou-se . Deveria ganhar o premio de artigo mais idiota publicado ateh o momento. Transforma seu odio a globo  em algo ridiculo.  Abobrinha do ano

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maria rodrigues

Luiz gonzaga tinha um refão

Luiz gonzaga tinha um refão de música composto de vogais, como se fosse um professor em sala de aula ele canntava:

"A, É, I, Ó, U, Ypisilone". Outra coisas: nordestino diz: Ave Maria (nem avé, nem avê). Porém, no cântico tradicional, quando pelo sentido musical tem-se que para a cada final da palavra, fica assim: "Avé, Avé, Avé-Maria,...", Do Sudeste pra baixo do mapa, a música tem outra fonética: "Avê, Avê, Avê-Maria...". 

E tinha pego. Para os chiques é assim: tinha pêgo. Parece que se pode usar as duas formas, mas isso dá o que falar.

Na verdade, seria muito bom aos nossos ouvidos que os jornalistas aprendessem o Português. Não vou me delongar sobre o assunto, porém fico apenas no pronome demonstrativo ESTE. Não há maneira desses jornalistas entenderem que se existem as formas este e esse, como em Inglês, e em outras línguas, para serem usadas devidamente, aqui é que vier. Diariamente o casal do JN, só pra citar um exemplo, diz: "Esse 2015 vai ser um ano difícil". Não existem pessoas na produção dos programas capazes de corrigirem esses repórteres. A quantidade de erros é grande. Qualquer hora dessas vou listar, e divulgar.

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Pronunciar "Esse 2015 vai ser

Pronunciar "Esse 2015 vai ser um ano difícl"  está incorreto ?

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Aí nao s trata d uma questao d pronúncia, mas de escolha lexical

Existem os 2 demonstrativos, este e esse. As diferenças semânticas entre eles se esvaneceram um pouco, donde os falantes nao vêem contradiçao nessa frase que vc cita. Mas há ainda alguns casos em que o uso de um pelo outro causaria confusao. Por ex., se em vez de eu ter dito "essa frase" eu tivesse dito "esta frase". Aí a referência seria à frase que eu mesma estaria dizendo naquele momento. 

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O jeito mais fácil é usar o

O jeito mais fácil é usar o "aqui" e o "aí" para orientar o uso do pronome demonstrativo. "Este" (ou "esta", "isto") é de primeira pessoa, "este aqui". "Esse" (ou "essa", "isso") é de segunda pessoa, "esse aí". E "aquele" ("aquela", "aquilo") são de terceira pessoa, "aquele ali" ou "aquele lá". Quanto à língua inglesa, de fato ela faz distinção entre "este" e "esse", mas não entre "esse" e "aquele".

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Os falantes nao fazem mais essa diferença fora d poucos contexts

Estao usando este e esse sem fazer diferença entre eles. E os falantes é que mandam na língua... 

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Haja desconheciment das coisas da língua e da escrita ness tópic

O nome da letra E sempre foi pronunciado aberto no Rio, e também em MG (acho) mas fechado em geral no Nordeste. Isso nao é nenhuma moda, é variaçao regional. E a letra representa tanto o som aberto [é], como em leque, como o fechado [ê], como em medo, e também no caso da palavra Extra citada num comentário,  como às vezes até o som de [i] (em balde, por ex., e em todas as palavras que se escrevem com e no final mas nao sao oxítonas, a sílaba tônica nao é a última).   

E nao há nada de estranho no fato de uma palavra derivada ter um som fechado onde a palavra da qual se derivou ter um som aberto. A sufixaçao normalmente altera a sílaba tônica, e é isso que causa a diferença (caso de eletron X eletrônico, por ex; em eletron o segundo e é tônico, em eletrônico nao é). Fora alguns casos excepcionais, em Português só há a diferença entre [é] aberto e [ê} fechado nas sílabas tônicas. 

Fora as várias bobagens sobre outras línguas, inclusive sobre o latim ser "é falante", quando nao havia oposiçao de abertas X fechadas em Latim, apenas de breves X longas. Nao tive paciência de ler o resto do texto, onde seguramente deve haver outras bobagens. 

Enfim, seria bom que o articulista se informasse melhor antes de cometer um texto desses. 

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Claudio Torcato

Sou cearense e moro no Piauí

Sou cearense e moro no Piauí e em parte deles usamos o E aberto. Quando se aproxima da Bahia e Pernambuco o som fica mais fechado.

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Baldi não

Aqui no Paraná, balde é baldE mesmo.

Aliás, a frase usada por outros sulistas para caracterizar a nossa pronúncia é que aqui falamos que "LeitE QuentE dói o DentE" 

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O Brasil é um pouco maior que o Paraná...

Essa pronúncia existe, em alguns lugares do Sul, onde se mantém o l de fechamento de sílaba e o d é dental, mas a vogal final já se reduz, como na maioria dos lugares no Brasil. Nao é pronúncia majoritária aí no Sul, mas existe. O que creio que nao existem -- nao fiz pesquisa a esse respeito -- é a pronúncia [baude], nem a pronúncia [baudje]. Só ocorre o ê fechado, no final da palavra, quando também ocorre a presença do l final de sílaba e o d dental. Mas nao juro...  

E na maior parte do Brasil a reduçao das vogais finais a [a], [i], [u] é praticamente imperativa, menos quando se está ditando ou falando artificialmente claro. 

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Luís Henrique Donadio

A palatalização do [d] e do

A palatalização do [d] e do [t] (e do [l], e do [n]) só ocorre antes do som de [i] (ou [j]). O que determina o "te" ou "tchi" final é a redução - ou não - da vogal. Mesmo onde se diz "dentE", se diz "antchigamente". E isso é por que o [i] é ele mesmo uma vogal palatal, e faz deslizar a língua da consoante alveolar para uma posição mais recuada, palatalizando-a.

A exceção é o sotaque de Recife (e pelo menos alguns sotaques portugueses), em que o falante avança a língua para evitar a palatalização, resultando num som semelhante ao "th" do inglês ("anthigamenthi em vez de antchigamentchi).

Por isso, acho que você pode jurar tranquila sobre a palatalização do [d] e do [t]. Já quanto ao [l] (e ao [r]) pós-vocálico, não tenho tanta certeza. Até por que uma pronúncia muito comum é intermediária entre o [l] alveolar e o [w] semi-vocálico: o [l] velar (que sempre perde a velarização quando a palavra seguinte começa em vogal).

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Além da pronúncia [u] semivogal, a pronúncia intermediária

é a única que existe. O [l] plenamente lateral nao existe em final de sílaba. (Mas existe, claro, o [r] retroflexo, dito caipira). 

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Sim

O Brasil é um pouco maior que o Paraná e o idioma português é um pouco maior do que o Brasil.

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Mas aí nao se trata mais de um idioma só...

Há muito tempo que os linguistas sabem que a língua falada no Brasil -- chamada eufemisticamente de PB, Português Brasileiro, para evitar dizer Brasileiro, de cara -- nao é mais a mesma língua falada em Portugal, chamada de PE , Português Europeu. E as línguas de Angola, Moçambique e Guiné sao ainda mais diferentes. 

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Vai sê mólê não...

Vixê Mária,,, 2015 prométê... vai sê mólê não,,,!!

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MAF

Já que é papo de doido

Vamos de Ariano Suassuna, pobre "globalizado" que se autodefinia um sujeito "rêgrado", quando deveria se definir um sujeito " régrado" , já que o fonema "re" deveria ser aberto, como em "régra"

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Nao é verdade q o termo derivado deve ser pronunciado = à base

Só há oposiçao entre é aberto e ê fechado em Português em sílabas tônicas (com algumas exceçoes que têm suas causas). Quando uma palavra se forma por sufixaçao a partir de outra, isso normalmente muda a sílaba tônica, e portanto a pronúncia. 

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Óbvio

Aliás, uma obviedade. 

Só estava ironizando o doido que escreveu esse texto.

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É duro quando tentam colocar

É duro quando tentam colocar a língua viva numa caixa fechada e regular até a pronúncia das palavras. Não existem regras específicas sobre a pronúncia das vogais em cada um das palavras que compõem. E, se existissem, elas não se imporiam sobre a prática falada do povo. Não fosse assim, ainda estaríamos falando "Vossa Mercê" e não "você". Em língua, a normatização corre atrás da práxis e não o contrário. Segundo o autor, a palavra "educação" deveria ser falada "éducação". Embora normal para quase todo nordestinos, isso é absolutamente bizarro para qualquer carioca que se preze. Carioca fala "êducação" e ponto final (pensando bem, não, aqui acho melhor um ponto e vírgula); acho que paulista também. Um outro comentarista colocou uma dúvida sobre a palavra "extra": seria "éxtra" ou "êxtra"? Tanto faz. Tratando-se de um reducionismo de "extraordinário", penso que deveria ser "êxtra"; ou alguém fala "éxtraordinário"? Mas, quer saber, há espaço para as duas formas. Assim como ocorreu na discussão sobre "presidente" ou "presidenta", não se trata simplesmente de breguice ou não, mas de tolerância com a inovação e com o uso diferente da palavra.

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E tem +: nao é a letra q deve ser pronunciada do modo X, Mas

a palavra que deve ser escrita do modo X. A língua falada é primária. Nao é a escrita que regula a fala, mas o contrário. A escrita busca reproduzir a pronúncia das palavras, mas, como a pronúncia varia, há acordos ortográficos que decidem pela forma escrita escolhida. Uma única palavra pode ter várias pronúncias, e a escrita é sempre a mesma. Ex balde. As pronúncias sao : [balde, baldi, baudi, baldji,  bardi]. Se eu nao tiver esquecido alguma... Variam a pronúncia da última letra [ê ou i], do l final da primeira sílaba [l ou u ou r], do d [d dental ou dj africado]. 

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Cõnphuzo

Tema interessante, mas muita bala pra pouco alvo

Não devemos confundir NOME de letra com seu USO, pronúncia, entonação ou sotaque nas palavras, que é variado (que BOM!).

O NOME da letra "F" é "éfe", do "H", "agá", do "P", "pê", do "L", "éle", do "K", "cá" e assim por diante. Assim como em latim havia letras chamadas ômega, beta, teta, gama, etc. Ou como em qualquer idioma.

Há (se não mudaram) uma regra que diz que o NOME das vogais se pronuncia aberto (á, é, í, ó, ú). Daí, os dicionários mencionarem as vogais como abertas (ex: letra "á", "é", "ó"). 

Aceito isso, pode se afirmar que chamar (nome) a letra "e" como "ê" seria um erro, pois fere uma regra, assim como o seria escrever viagem com "j" ou açucar com "ss" ou farmácia com "ph" (que já foram regras). Ou "éfe" de "êfo"...

O resto (uso das vogais ou mesmo consoantes nas palavras) é regionalismo, sotaque... E particularmente os ADORO (inclusive em outras línguas, quando posso detetá-los, como em inglês ou espanhol).

Portanto, discutir sotaque "certo" me parece uma bobagem e é empobrecedor (viva a diferença!).

Com relação à Globo (ou as suas fonoaudiólogas pasteurizantes), por ser uma empresa dita "carioca", é ridículo que force seus funcionários cariocas a falar diferente do seu sotaque, como se ele fosse "errado". Inclusive errando no caso dos nomes de vogal.

Quando dizem que a Globo (a mais paulista das redes de TV) força o uso do sotaque carioca, os fatos a desmentem, pois na verdade ela induz todos (cariocas, mineiros, nortistas, nordestinos, etc.) a falar como parte dos paulistas (nada contra o sotaque).

Na emissora "carioca", BNDES virou bêenedêÊésse (embora o TRE ainda resista como têerreÉ), futibol (do inglês football e equivalente ao espanhol fútbol) virou futÊbol. A maioria dos funcionários cariocas e acima é "adestrada" para falar o "s" sibilado, ao invés do original lusitano que é chiado. Por enquanto a(os) fonos, ainda não aterrorizaram o "r" de garganta, transferindo-o para a língua (ou virando quase "i" no interiouir).

O mineiro, fora as fantásticas aglutinações, sibila o "s" e garganteia o "r" (caipireando no interiouir). O carioca garganteia e chia (e "L" vira "U" como em alto). O norte/nordeste idem, mas abre as vogais nas palavras (e sonoriza bem o "t" e o "d" , como em ddéépenddi (o carioca chia, como em "tchiatro/u". O paulista, Inversa e comumente fala "pôça" como "póça", "aconteceu" como "aconticeu" e "advogado" como "adêvogado". É ensinado a que pronunciar o "e" como "i" (futibol) ou o "o" como "u" (trátu fêitu) é "errado"...

Em inglês, algumas vogais podem ser pronunciadas de cinco ou mais maneiras diferentes, fora o sotaque, sem que isso seja "errado". O mesmo no espanhol argentino, chileno, porto-riquenho, mexicano e ... espanhol. Sem falar no português BR e PT (êpa!), ou de Macau, Angola e Moçambique.

Quando morei na Inglaterra (tendo aprendido inglês "americano") depois de algum tempo, fiquei impressionado de como passei a "ouvir" os filmes americanos como flagrantes caipirões (coisa que hoje já desapareceu novamente).

Não há sotaque "certo". Sotaque é HÁBITO de falar e OUVIR e qualquer forma diferente da que estamos acostumados nos causa estranheza ou até risos. Mas o inverso também é verdadeiro. O resto é bairrismo.

A mim irrita ouvir a pobreza de um repórter falando de Belo Horizonte, Manaus, Recife, Salvador, Vitória, Brasília, Cuiabá, Rio, São Paulo ou Porto Alegre, com um sotaque único ... como se todos tivessem nascido num só lugar!

Mas que a Globo, em sua "fala oficial" (já desde os tempos do osasquense Boni), fono adestrada e pasteurizada, despreza a sua natureza carioca, isso é fato. Lamentável.

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Claudio Torcato

Já ouvi jornalistas

Já ouvi jornalistas pernambucanos falando sem o sotaque típico daquela região na sua TV afiliada à Globo quando visitei o Estado. Aqui no Piauí ainda percebemos o sotaque local e acredito que no Ceará também.

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