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Blog de Doney

Lista de Livros: Bíblia Sagrada – Livros Sapienciais: Jó

Seleção de Doney

Lista de Livros: Bíblia Sagrada – Livros Sapienciais: Jó

Editora: Paulus

ISBN: Bíblia do Peregrino (BPe) – 978-85-349-2005-6 / Bíblia de Jerusalém (BJ) – 978-85-349-4282-9 / Bíblia Pastoral (BPa) 978-85-349-0228-1

Tradução, introdução e notas (BPa): Ivo Storniolo e Euclides Martins Balancin

Tradução (BPe): Ivo Storniolo e José Bortolini

Notas (BPe): Luís Alonso Schökel

Opinião: N/A

Páginas: BPe – 88 / BJ – 60 / BPa – 31

     “Certo dia, os filhos e filhas de Jó comiam e bebiam na casa do irmão mais velho. Um mensageiro chegou à casa de Jó e lhe disse: “Os bois estavam arando e as mulas pastando perto deles. Os sabeus caíram sobre eles, mataram os empregados a fio de espada e levaram o rebanho. Só eu escapei para lhe contar o que aconteceu”.

     Mal acabara de falar, quando chegou outro e disse: “Caiu um raio do céu e queimou e consumiu suas ovelhas e pastores. Só eu escapei para lhe contar o que aconteceu”.

     Mal acabara de falar, quando chegou outro e disse: “Um bando de caldeus, dividido em três grupos, caiu sobre os camelos e os levou embora, depois de matar os empregados a fio de espada. Só eu escapei para lhe contar o que aconteceu”.

     Mal acabara de falar, quando chegou outro e disse: “Seus filhos e filhas estavam comendo e bebendo na casa do irmão mais velho, quando um furacão veio do deserto, atingindo a casa pelos quatro lados, e ela desabou sobre os jovens e os matou. Só eu escapei para lhe contar o que aconteceu”.

     Então Jó se levantou, rasgou a roupa, rapou a cabeça, caiu por terra, e disse: “Nu eu saí do ventre de minha mãe, e nu para ele voltarei. Javé me deu tudo e Javé tudo me tirou. Bendito seja o nome de Javé!”

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Lista de Livros: Bíblia Sagrada – Livros Históricos

Enviado por Dorney

Lista de Livros: Bíblia Sagrada – Livros Históricos

Editora: Paulus

ISBN: Bíblia do Peregrino (BPe) – 978-85-349-2005-6 / Bíblia de Jerusalém (BJ) – 978-85-349-4282-9 / Bíblia Pastoral (BPa) 978-85-349-0228-1

Tradução, introdução e notas (BPa): Ivo Storniolo e Euclides Martins Balancin

Tradução (BPe): Ivo Storniolo e José Bortolini

Notas (BPe): Luís Alonso Schökel

Opinião: N/A

Páginas: BPe – 698 / BJ – 492 / BPa – 376

*

Livros históricos: Josué / Juízes / Rute / 1 Samuel / 2 Samuel / 1 Reis / 2 Reis / 1 Crônicas / 2 Crônicas / Esdras / Neemias / Tobias / Judite / Ester / 1 Macabeus / 2 Macabeus

*

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Lista de Livros: Abilolado mundo novo – Carlos Maltz

Seleção de Doney

Lista de Livros: Abilolado mundo novo – Carlos Maltz

Editora: Via Lettera

ISBN: 978-85-7636-095-7

Opinião: bom

Páginas: 240

“Porque se não soubermos sentir a dor, também não saberemos sentir prazer. (...) Não tem jeito de estarmos vivos e não sentirmos dor. A dor faz parte da vida. A dor é uma de nossas maiores amigas, e o único jeito de não sentirmos dor, é nos anestesiarmos a ponto de não sentirmos nada... Quem se anestesiar não sente dor, mas, em compensação, também não sente mais nada... Fica confortavelmente anestesiado para tudo... Joga fora o bebê junto com a água do banho ou, se você preferir, joga fora a possibilidade de amar, junto com o medo de sofrer... Não existe vida sem a possibilidade do sofrimento... É aquela história do cara que “vive como se nunca fosse morrer, e morre como se nunca tivesse vivido”.”

*

“Sem dúvida, como eu vinha dizendo, concordo inteiramente com a frase do Gessinger: “Você que tem ideias tão modernas é o mesmo homem que vivia nas cavernas”. O mundo mudou muito, na superfície, na aparência, mas, no fundo, não somos tão diferentes assim dos nossos antepassados... Em termos emocionais a coisa anda muito devagar... O mundo das emoções num tá nem aí pro nosso avanço tecnológico e talz... Veja a internet: milhões de pessoas procurando alguém... Milhões de pessoas diariamente se conectando para encontrar um pouco de algo que elas sentem muita falta, mas não sabem o que é... Mudamos muito pouco mesmo nas coisas que realmente importam... Vejam esses sites de realidade virtual... Forte-apaches dos meninos e das meninas grandes... Multidões de Barbies e Kens em busca de emoções que não vão encontrar e que vão gerar mais ansiedade, e mais horas navegando no mar da ilusão... A indústria da pornografia on-line é uma das que mais crescem nesse mundo rico de coisa e pobre de alma... Um grande neg-ócio...”.

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Lista de Livros: A Sociedade do Espetáculo (Parte III) – Guy Debord

Seleção de Doney

Lista de Livros: A Sociedade do Espetáculo (Parte III) – Guy Debord

Editora: Contraponto

ISBN: 978-85-8591-017-4

Tradução: Estela dos Santos Abreu

Opinião: excelente

Páginas: 240

“A mercadoria já não pode ser criticada por ninguém: nem enquanto sistema geral, nem mesmo como essa embalagem determinada que terá sido conveniente aos empresários pôr nesse momento no mercado. Em todo o lado onde reina o espetáculo, as únicas forças organizadas são aquelas que querem o espetáculo. Portanto, nenhuma pode ser inimiga do que existe, nem infringir a omertá que diz respeito a tudo. Acabou-se com esta inquietante concepção que dominou durante mais de duzentos anos, segundo a qual uma sociedade podia ser criticável e transformável, reformada ou revolucionada. E isto não foi obtido pelo aparecimento de argumentos novos, mas muito simplesmente porque os argumentos se tornaram inúteis. Perante este resultado medir-se-á, em vez da felicidade geral, a força terrível das redes da tirania.

Jamais a censura foi tão perfeita. Jamais a opinião daqueles a quem se faz crer ainda, em certos países, que são cidadãos livres, foi tão pouco autorizada a tornar-se conhecida, cada vez que se trata duma escolha que afetará a sua vida real. Jamais foi permitido mentir-lhes com uma tão perfeita ausência de consequência. O espectador é suposto ignorar tudo, não merecer nada. Quem olha sempre, para saber a continuação, jamais agirá: e tal deve ser o espectador. Tudo aquilo que nunca é sancionado é verdadeiramente permitido. É pois arcaico falar de escândalo. Atribui-se a um homem de Estado italiano de primeiro plano, tendo exercido funções simultaneamente no ministério e no governo paralelo chamado P.2, Potere due, uma divisa que resume profundamente o período em que entrou o mundo inteiro, um pouco depois da Itália e dos Estados Unidos: “Havia escândalos, mas já não há”.

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'Temer acha que é Itamar, mas é Sarney', diz cientista político - por Mariana Sanches (BBC)

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Lista de Livros: A Sociedade do Espetáculo (Parte II) – Guy Debord

Seleção de Doney

Lista de Livros: A Sociedade do Espetáculo (Parte II) – Guy Debord

Editora: Contraponto

ISBN: 978-85-8591-017-4

Tradução: Estela dos Santos Abreu

Opinião: excelente

Páginas: 240

     “O raciocínio sobre a história é inseparavelmente raciocínio sobre o poder.”

*

     “Assim, a burguesia fez conhecer e impôs à sociedade um tempo histórico irreversível, mas recusa-lhe a utilização. “Houve história, mas já não há mais”, porque a classe dos possuidores da economia, que não deve romper com a história econômica, deve recalcar assim como uma ameaça imediata qualquer outro emprego irreversível do tempo. A classe dominante, feita de especialistas da possessão das coisas, que por isso são eles próprios uma possessão das coisas, deve ligar a sua sorte à manutenção desta história reificada, à permanência de uma nova imobilidade na história. Pela primeira vez o trabalhador, na base da sociedade, não é materialmente estranho à história, porque é agora pela sua base que a sociedade se move irreversivelmente. Na reivindicação de viver o tempo histórico que ele faz, o proletariado encontra o simples centro inesquecível do seu projeto revolucionário; e cada uma das tentativas, até aqui geradas, de execução deste projeto marca um ponto de partida possível da nova vida histórica.”

*

     “O tempo pseudocíclico consumível é o tempo espetacular, ao mesmo tempo como tempo de consumo das imagens, no sentido restrito, e como imagem do consumo do tempo em toda a sua extensão. O tempo do consumo das imagens, média de todas as mercadorias, é inseparavelmente o campo onde plenamente atuam os instrumentos do espetáculo e a finalidade que estes apresentam globalmente, como lugar e como figura central de todos os consumos particulares: sabe-se que os ganhos de tempo constantemente procurados pela sociedade moderna – quer se trate da velocidade dos transportes ou da utilização de sopas em pacotes – se traduzem positivamente para a população dos Estados Unidos neste fato: de que só a contemplação da televisão a ocupa em média três a seis horas por dia. A imagem social do consumo do tempo, por seu lado, é exclusivamente dominada pelos momentos de ócio e de férias, momentos representados à distância e desejáveis, por postulado, como toda a mercadoria espetacular. Esta mercadoria é aqui explicitamente dada como o momento da vida real de que se trata esperar o regresso cíclico. Mas mesmo nestes momentos destinados à vida, é ainda o espetáculo que se dá a ver e a reproduzir, atingindo um grau mais intenso. O que foi representado como vida real, revela-se simplesmente como a vida mais realmente espetacular.

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Lista de Livros: A Sociedade do Espetáculo (Parte I) – Guy Debord

Seleção de Doney

Lista de Livros: A Sociedade do Espetáculo (Parte I) – Guy Debord

Editora: Contraponto

ISBN: 978-85-8591-017-4

Tradução: Estela dos Santos Abreu

Opinião: excelente

Páginas: 240

     “É sabida a forte tendência dos homens para repetir inutilmente os fragmentos simplificados das teorias revolucionárias antigas, cuja usura lhes é escondida pelo simples fato de que não tentam aplicá-las a qualquer luta efetiva, para transformar as condições em que se encontram verdadeiramente; de tal forma que compreendem pouco melhor como estas teorias puderam, com sortes diversas, ser determinantes nos conflitos doutros tempos. Apesar disto, não oferece dúvida para quem examina friamente a questão, que aqueles que querem abalar realmente uma sociedade estabelecida devem formular uma teoria que explique fundamentalmente esta sociedade; ou pelo menos que tenha todo o ar de dar dela uma explicação satisfatória. Assim que esta teoria é um pouco divulgada, na condição de que o seja nos afrontamentos que perturbam a tranquilidade pública, e mesmo antes dela chegar a ser exatamente compreendida, o descontentamento por toda a parte em suspenso será agravado e atiçado, pelo simples conhecimento vago da existência de uma condenação teórica da ordem das coisas. E depois, é começando a dirigir com cólera a guerra da liberdade, que todos os proletários podem tornar-se estrafegas.”

*

     “Os terroristas se movem às vezes pelo desejo de fazer com que se fale deles.”

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Lista de Livros: Crítica da Razão Prática (Parte II) – Immanuel Kant

Seleção de Doney

Lista de Livros: Crítica da Razão Prática (Parte II) – Immanuel Kant

Editora: Brasil (Versão digitalizada da obra de 1959)

Tradução e prefácio: Afonso Bertagnoli

Opinião: bom

Páginas: 248

     “Enquanto a virtude e a felicidade constituem conjuntamente a posse do sumo bem em uma pessoa e enquanto, além disso, estando a felicidade repartida exatamente, em proporção idêntica, à moralidade (como valor da pessoa e da sua dignidade de ser feliz), constituem ambas o sumo bem de um mundo possível, isto significa o mais completo e acabado bem; neste, todavia, a virtude é sempre, como condição, o bem mais elevado, porque não tem sobre si nenhuma outra condição, enquanto a felicidade apresenta alguma coisa que é agradável para aquele que possui, mas sem ser por si mesma absolutamente boa sob todos os aspectos, dado que supõe, constantemente, de acordo com a lei, a conduta moral como condição. (...)

     O sumo bem é para nós prático; isto é, devemos realizá-lo mediante a nossa vontade, concebendo nele a virtude e a felicidade necessariamente ligados, de modo que não é possível, para uma razão pura prática, admitir aquela e não admitir esta.”

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Lista de Livros: Crítica da Razão Prática (Parte I) – Immanuel Kant

Seleção de Doney

Lista de Livros: Crítica da Razão Prática (Parte I) – Immanuel Kant

Editora: Brasil (Versão digitalizada)

Tradução e prefácio: Afonso Bertagnoli

Opinião: bom

Páginas: 248

     “Vida é a faculdade que possui um ser de agir segunda as leis da faculdade de desejar. A faculdade de desejar é a faculdade desse mesmo ser, de ser, por meio de suas representações, causa da realidade dos objetos dessas representações. Prazer é a representação da coincidência do objeto ou da ação com as condições subjetivas da vida, isto é, com a faculdade da causalidade de uma representação em consideração da realidade do seu objeto (ou da determinação das forças do sujeito para a ação de produzi-lo).”

*

     “Princípios práticos são proposições que encerram uma determinação universal da vontade, subordinando-se a essa determinação diversas regras práticas. São subjetivos, ou máximas, quando a condição é considerada pelo sujeito como verdadeira só para a sua vontade; são, por outro lado, objetivos ou leis práticas quando a condição é conhecida como objetiva, isto é, válida para a vontade de todo ser natural.

     No conhecimento prático, isto é, aquele que só tem que tratar dos fundamentos da determinação da vontade, os princípios que alguém formula em si mesmo nem por isso constituem leis a que inevitavelmente se veja submetido, porque a razão na prática se ocupa do sujeito, ou seja da faculdade de desejar, segundo cuja constituição especial pode a regra referir-se por formas bem diversas. A regra prática é sempre um produto da razão, porque prescreve a ação, qual meio para o efeito, considerado como intenção.

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Lista de Livros: Discurso de metafísica e outros textos – Gottfried Wilhelm Leibniz

Seleção de Doney

Lista de Livros: Discurso de metafísica e outros textos – Gottfried Wilhelm Leibniz

Editora: Martins Fontes

ISBN: 978-85-3361-978-4

Apresentação e notas: Tessa Moura Lacerda

Tradução: Marilena Chauí e Alexandre da Cruz Bonilha

Opinião: Discurso de metafísica (bom) / Os Princípios da Filosofia ou A Monadologia (regular) / Princípios da Natureza e da Graça Fundados na Razão (regular)

Páginas: 164

      “I. Da perfeição divina e de que Deus faz tudo da maneira mais desejável.

     A noção mais aceita e mais significativa que possuímos de Deus exprime-se muito bem nestes termos: Deus é um ser absolutamente perfeito. Não se tem considerado, porém, devidamente, suas consequências e, para aprofundá-las mais, convém notar que há na natureza várias perfeições muito diferentes, possuindo-as Deus todas reunidas e que cada uma lhe pertence no grau supremo. É preciso também conhecer o que é a perfeição. Eis uma marca bem segura dela, a saber: formas ou naturezas insuscetíveis do último grau não são perfeições, como, por exemplo, a natureza do número ou da figura; pois o número maior de todos (ou melhor, o número dos números), bem como a maior de todas as figuras, implicam contradição; mas a máxima ciência e a onipotência não encerram qualquer impossibilidade. Por conseguinte, o poder e a ciência são perfeições, e enquanto pertencem a Deus não têm limites. Donde se segue que Deus, possuindo suprema e infinita sabedoria, age da maneira mais perfeita, não só em sentido metafísico, mas também moralmente falando, podendo, relativamente a nós, dizer-se que, quanto mais estivermos esclarecidos e informados sobre as obras de Deus, tanto mais dispostos estaremos a achá-las excelentes e inteiramente satisfatórias em tudo o que possamos desejar.

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A dupla perfeita, por Doney Corteletti Stinguel

Foto Reprodução

do Política Nada Imparcial

A dupla perfeita 

por Doney Corteletti Stinguel

Há tudo sobre Aécio Neves: a corrupção foi toda gravada, comprovada, de onde o dinheiro saiu, para onde foi, até com cédulas rastreadas (!). Nos grampos ele entrega toda a tramoia, ameaçando até de matar a “mula” caso ela se dispusesse a delatá-lo.

Perrela, o senador da fazenda onde foram presos 450kg de pasta base de cocaína (em outros termos, mais de 4 toneladas de cocaína pura), diz em diálogo grampeado com Aécio que “só trafica”.

Os dois milhões da propina que Aécio recebeu da JBS foram justamente para uma empresa do Perrela, onde o dinheiro foi devidamente lavado. Todos os crimes, reitero, devidamente comprovados.

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Lista de Livros: Crítica da Razão Pura (Parte III), de Immanuel Kant

Enviado por Doney

Lista de Livros: Crítica da Razão Pura (Parte III) – Immanuel Kant

Editora: Fundação Calouste Gulbenkian

ISBN: 978-97-2310-623-7

Tradução: Manuela Pinto dos Santos e Alexandre Fradique Morujão

Introdução e notas: Alexandre Fradique Morujão

Opinião: bom

Páginas: 682

“Nada nos é efetivamente dado além da percepção e do progresso empírico desta para outras percepções possíveis Porquanto, em si mesmos, os fenômenos, sendo simples representações, só são reais na percepção que, de fato, é unicamente a realidade de uma representação empírica, isto é, de um fenômeno. Chamar coisa real a um fenômeno, antes da percepção, ou significa que no progresso da experiência poderemos chegar a uma tal percepção ou não significa nada. Pois que só poderia absolutamente dizer-se que existe em si mesma, sem relação com os nossos sentidos e experiência possível, se se tratasse de uma coisa em si. Trata-se apenas de um fenômeno no espaço e no tempo, que não é determinação de coisas em si, mas unicamente da nossa sensibilidade; daí que o que neles se encontra (nos fenômenos) não seja algo em si, mas simples representações que, quando não dadas em nós (na percepção), em parte alguma se encontram.

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Lista de Livros: Crítica da Razão Pura (Parte II) – Immanuel Kant

Lista de Livros: Crítica da Razão Pura (Parte II) – Immanuel Kant

Editora: Fundação Calouste Gulbenkian

ISBN: 978-97-2310-623-7

Tradução: Manuela Pinto dos Santos e Alexandre Fradique Morujão

Introdução e notas: Alexandre Fradique Morujão

Opinião: bom

Páginas: 682

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Lista de Livros: Crítica da Razão Pura (Parte I) – Immanuel Kant

Enviado por Doney

Lista de Livros: Crítica da Razão Pura (Parte I) – Immanuel Kant

Editora: Fundação Calouste Gulbenkian

ISBN: 978-97-2310-623-7

Tradução: Manuela Pinto dos Santos e Alexandre Fradique Morujão

Introdução e notas: Alexandre Fradique Morujão

Opinião: bom

Páginas: 682

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Lista de Livros: O Grande Livro da Arte, de Roberto Carvalho de Magalhães

Neste domingo o colunista do GGN, Doney Corteletti Stinguel, sugere coletânea de obras de arte escrita pelo pesquisador e docente de História da Arte e Museologia da Unicamp, Roberto Carvalho de Magalhães

 
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Lista de Livros: O homem duplicado – José Saramago

Neste domingo, colunista do GGN, Doney, sugere obra de suspense do escritor português que aborda questões de identidade

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Por Doney

Lista de LivrosO homem duplicado – José Saramago

Editora: Companhia de Bolso

ISBN: 978-85-359-1288-3

Opinião: bom

Páginas: 288

     “Tanto é o que precisamos de lançar culpas a algo distante quando o que nos faltou foi a coragem de encarar o que estava na nossa frente.”

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Lista de Livros: A trégua – Mario Benedetti

Seleção de Doney

Lista de LivrosA trégua – Mario Benedetti

Editora: L&PM
ISBN: 978-85-254-1702-2
Opinião: muito bom
Páginas: 168

     “Não é do ócio que preciso, mas sim do direito de trabalhar naquilo que quero.”

*

      “Que me sinta, ainda hoje, ingênuo e imaturo (quer dizer, somente com os defeitos da juventude e quase nenhuma de suas virtudes) não significa que eu tenha o direito de exibir essa ingenuidade e essa imaturidade.”


*

      “Talvez, no fundo, se queiram bastante bem, ainda que esse negócio de amor entre irmãos traga consigo a cota de exasperação mútua outorgada pelo costume.”

*

      “Eu deveria me sentir orgulhoso por ter seguido adiante, viúvo e com três filhos. Não é orgulho, porém, o que sinto, e sim cansaço. O orgulho serve para quando se tem vinte ou trinta anos.”

*

      “Às vezes fazíamos contas. Nunca conseguimos equilibrá-las. Talvez olhássemos demasiadamente para os números, para as somas, para os saldos, e não tínhamos tempo de nos olharmos.”

*

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Lista de Livros: A Ética Protestante e o “Espírito” do Capitalismo – Max Weber

Lista de Livros: A Ética Protestante e o “Espírito” do Capitalismo – Max Weber

Editora: Companhia das Letras

ISBN: 978-85-3590-470-3

Tradução: José Marcos Mariani de Macedo

Opinião: bom

Páginas: 336

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Discurso Sobre a Origem da Desigualdade entre os Homens (Parte II)

A sugestão do 'Lista de Livros' do blogueiro Doney Corteletti Stinguel deste domingo é a obra de Jean-Jacques Rousseau

Lista de LivrosDiscurso Sobre a Origem da Desigualdade entre os Homens (Parte II) – Jean-Jacques Rousseau

Editora: Atena

Tradução: Maria Lacerda de Moura

Opinião: muito bom

Páginas: 202

“O primeiro que, tendo cercado um terreno, se lembrou de dizer: Isto é meu, e encontrou pessoas bastantes simples para o acreditar, foi o verdadeiro fundador da sociedade civil. Quantos crimes, guerras, assassínios, misérias e horrores não teria poupado ao gênero humano aquele que, arrancando as estacas ou tapando os buracos, tivesse gritado aos seus semelhantes: “Livrai-vos de escutar esse impostor; estareis perdidos se esquecerdes que os frutos são de todos, e a terra de ninguém!”. Parece, porém, que as coisas já tinham chegado ao ponto de não mais poder ficar como estavam: porque essa ideia de propriedade, dependendo muito de ideias anteriores que só puderam nascer sucessivamente, não se formou de repente no espírito humano: foi preciso fazer muitos progressos, adquirir muita indústria e luzes, transmiti-las e aumentá-las de idade em idade, antes de chegar a esse último termo do estado de natureza.”

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Lista de Livros: Discurso Sobre a Origem da Desigualdade entre os Homens (Parte I) – Jean-Jacques Rousseau

Seleção de Doney

Lista de Livros: Discurso Sobre a Origem da Desigualdade entre os Homens (Parte I) – Jean-Jacques Rousseau

Editora: Atena

Tradução: Maria Lacerda de Moura

Opinião: muito bom

Páginas: 202

     “Eu quisera viver e morrer livre, isto é, de tal modo submetido às leis que nem eu nem ninguém pudesse sacudir o honroso jugo, esse jugo salutar e doce, que as cabeças mais altivas carregam tanto mais docilmente quanto são feitas para não carregar nenhum outro.

     Eu quisera, pois, que ninguém, no Estado, pudesse dizer-se acima da lei, e que ninguém, fora dele, pudesse impor alguma que o Estado fosse obrigado a reconhecer; de fato, qualquer que possa ser a constituição de um governo, se neste se encontra um só homem que não esteja submetido à lei, todos os outros ficam necessariamente à discrição deste último: e, havendo um chefe nacional e outro estrangeiro, qualquer que seja a partilha da autoridade que possam fazer, é impossível que ambos sejam bem obedecidos e o Estado bem governado.

     Eu não quisera habitar uma república de nova instituição, por muito boas que fossem as leis que pudesse ter, de medo de que, constituído o governo de outra maneira, talvez, que não a exigida pelo momento, não convindo aos novos cidadãos, ou os cidadãos ao novo governo, ficasse o Estado sujeito a ser abalado e destruído quase desde o seu nascimento; porque a liberdade é como esses alimentos sólidos e suculentos, ou esses vinhos generosos, próprios para nutrir e fortificar os temperamentos robustos a eles habituados, mas que inutilizam, arruínam, embriagam os fracos e delicados, que a ele não estão afeitos. Os povos, uma vez acostumados a senhores, não podem mais passar sem eles. Se tentam sacudir o jugo, afastam-se tanto mais da liberdade quanto, tomando por ela uma licença desenfreada que lhe é oposta, suas revoluções os entregam quase sempre a sedutores que só fazem agravar as suas cadeias.”

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Lista de Livros: Textos escolhidos (Os Pensadores), parte II – Denis Diderot

Enviado por Doney

Lista de Livros: Textos escolhidos (Os Pensadores), parte II – Denis Diderot

Editora: Abril Cultural

Tradução e notas: Marilena de Souza Chauí e J. Guinsburg

Opinião: muito bom

Páginas: 78

     Suplemento à viagem de Bougainville ou Diálogo entre A e B

     “— Uma observação assaz constante é que as instituições sobrenaturais e divinas se fortalecem e se eternizam, transformando-se, com o tempo, em leis civis e nacionais; e que as instituições civis e nacionais se consagram, e degeneram em preceitos sobrenaturais e divinos.

     — Um fio a mais que juntamos ao laço com que nos apertam.”

*

     “(O nativo) Era pai de numerosa família. A chegada dos europeus, deixou cair olhares de desdém sobre eles, sem expressar espanto, nem medo, nem curiosidade. Abordaram-no; ele volveu-lhes as costas, retirou-se para sua cabana. Seu silêncio e seu cuidado revelavam muito bem seu pensamento: gemia, no íntimo, sobre os belos dias de seu país, eclipsados. À partida de Bougainville, quando os habitantes acorriam em multidão à margem, agarravam-se ao vestuário dele, apertavam seus camaradas entre os braços, e choravam, o velho avançou com ar severo e disse:

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Lista de Livros: Textos escolhidos (Os Pensadores), parte I – Denis Diderot

Seleção de Doney

Lista de Livros: Textos escolhidos (Os Pensadores), parte I – Denis Diderot

Editora: Abril Cultural

Tradução e notas: Marilena de Souza Chauí e J. Guinsburg

Opinião: muito bom

Páginas: 138

Carta sobre os cegos para uso dos que veem

     “Se vos prestardes por um instante a tal suposição, ela vos lembrará, sob traços supostos, a história e as perseguições dos que tiveram a desgraça de encontrar a verdade em séculos de trevas, e a imprudência de revelá-la aos cegos contemporâneos, entre os quais não deparavam inimigos mais cruéis do que aqueles que, por sua condição e sua educação, pareciam dever estar menos afastados de seus sentimentos.”

*

     “Um meio quase seguro de enganar-se em metafísica é não simplificar bastante os objetos de que nos ocupamos; e um segredo infalível para chegar em físico-matemática a resultados defeituosos é supô-los menos compostos do que o são.”

*

     “Tudo o que é do homem perece com o homem.”

*

     “Vem um tempo em que o gosto dá conselhos cuja justeza se reconhece, mas que não se tem mais a força de seguir.”

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Lista de Livros: Investigação Sobre o Entendimento Humano (Os Pensadores) – David Hume

Lista de Livros: Investigação Sobre o Entendimento Humano (Os Pensadores) – David Hume

Editora: Nova Cultural

ISBN: 978-85-1300-852-2

Consultoria: João Paulo Gomes Monteiro

Tradução: Leonel Vallandro

Opinião: regular

Páginas: 352

     “O caminho da vida, o mais agradável e o mais inofensivo, passa pelas avenidas da ciência e do saber; e, quem quer que possa remover quaisquer obstáculos desta via ou abrir uma nova perspectiva, deve ser considerado um benfeitor da humanidade.”

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Lista de Livros: Carta sobre a tolerância – John Locke

Lista de Livros: Carta sobre a tolerância – John Locke

Editora: Edições 70

ISBN: 978-972-44-1674-8

Tradução: João da Silva Gama

Opinião: bom

Páginas: 152

Raymond Polin – Prefácio Leia mais »

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Sobre erro e reconhecimento - Política Nada Imparcial

Sobre erro e reconhecimento - Política Nada Imparcial

     Eu não sei se está claro a todos o nível de podridão exposta. Não foi só o Temer e o Aécio Neves (presidente nacional do PSDB, frise-se), terem sido pegos, com a boca na botija, com tudo devidamente exposto com provas irrefutáveis da corrupção, obstrução de justiça, tráfico de influência, etc. Há gravações, rastreio do dinheiro da corrupção – até com número das cédulas. É batom na cueca, é indiscutível, o governo temerário acabou, mas não é só isto. Leia mais »

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Lista de Livros: Dicionário Filosófico – Voltaire

Seleção de Doney

Lista de Livros: Dicionário Filosófico – Voltaire

Editora: Domínio Público

Tradução: Líbero Rangel de Tarso

Opinião: muito bom

Páginas: 459

     “Conhece-te a ti mesmo* é excelente preceito, mas só a Deus é dado pô-lo em prática. Quem mais pode conhecer a própria essência?”

*: Esta inscrição acha-se gravada na fachada do templo de Delfos.

*

     “Inútil discutir quanto aos sentimentos secretos de Moisés. O fato é que nas leis públicas ele nunca falou de vida futura. Todos os castigos, todos os prêmios, restringe-os ao presente. Se conhecia a vida vindoura, por que não expôs expressamente tão importante dogma? E se não a conheceu, qual o objeto de sua missão? É o que perguntam muitas personagens ilustres. E respondem que o Mestre de Moisés e de todos os homens se reservava o direito de explicar a bom tempo aos judeus uma doutrina que eles não estavam em condições de compreender quando no deserto.”

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AMOR PRÓPRIO

     Um mendigo dos arredores de Madri esmolava nobremente. Disse-lhe um transeunte:

     — O sr. não tem vergonha de se dedicar a mister tão infame, quando podia trabalhar?

     — Senhor, – respondeu o pedinte – estou lhe pedindo dinheiro e não conselhos. – E com toda a dignidade castelhana virou-lhe as costas.

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Lista de Livros: Novos Ensaios Sobre o Entendimento Humano (Parte II) – Gottfried Wilhelm Leibniz

Lista de Livros: Novos Ensaios Sobre o Entendimento Humano (Os Pensadores, Parte II) – Gottfried Wilhelm Leibniz

Editora: Nova Cultural

Tradução: Luiz João Baraúna

Opinião: bom

Páginas: 434

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Lista de Livros: Novos Ensaios Sobre o Entendimento Humano (Parte I) – Gottfried Wilhelm Leibniz

Lista de Livros: Novos Ensaios Sobre o Entendimento Humano (Os Pensadores, Parte I) – Gottfried Wilhelm Leibniz

Editora: Nova Cultural

Tradução: Luiz João Baraúna

Opinião: bom

Páginas: 434

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Lista de Livros: Ensaio Acerca do Entendimento Humano (Os Pensadores) – John Locke

Seleção de Doney

Lista de Livros: Ensaio Acerca do Entendimento Humano (Os Pensadores) – John Locke

Editora: Nova Cultural

ISBN: 85-13-00906-7

Consultoria: Carlos Estevam Martins e João Paulo Monteiro

Tradução: Anoar Aiex

Opinião: bom

Páginas: 318

     “Certamente, o mundo estaria muito mais adiantado se o esforço de homens engenhosos e perspicazes não estivesse tão embaraçado pela erudição e pelo uso frívolo de termos desconhecidos, afetados e ininteligíveis, introduzido nas ciências, e fazendo disso uma arte a tal ponto de a filosofia, que nada mais é do que o verdadeiro conhecimento das coisas, tornar-se imprópria ou incapaz de ser apreciada pela sociedade mais refinada e nas conversas eruditas. Formas vagas e sem significado de falar, e abuso da linguagem, têm por muito tempo passado por mistérios da ciência; palavras difíceis e mal empregadas, com pouco ou nenhum sentido, têm, por prescrição, tal direito que são confundidas com o pensamento profundo e o cume da especulação, sendo difícil persuadir não os que falam como os que os ouvem que são apenas abrigos da ignorância e obstáculos ao verdadeiro conhecimento. Suponho que interromper o santuário da vaidade e da ignorância será de alguma utilidade para o entendimento humano, embora poucos estejam aptos a pensar que enganam ou são enganados pelo uso das palavras, ou que a linguagem da seita a que pertencem tem qualquer defeito que deva ser examinado e corrigido.”

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     “Como as regras morais necessitam de prova, elas não são inatas. Outra razão que me leva a duvidar de quaisquer princípios práticos inatos decorre do fato de pensar que nenhuma regra moral pode ser proposta sem que uma pessoa deva justamente indagar a sua razão: o que seria perfeitamente ridículo e absurdo se ela fosse inata, ou sequer evidente por si mesma, coisa que todo princípio inato deve necessariamente ser, sem precisar de qualquer prova para apurar sua verdade, nem necessitar de qualquer razão para obter sua aprovação.”

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Lista de Livros: Ética (Os Pensadores) – Benedictus de Spinoza

Seleção de Doney

Lista de Livros: Ética (Os Pensadores) – Benedictus de Spinoza

Editora: Nova Cultura

Tradução: Joaquim Ferreira Gomes e Antônio Simões

Tradução e notas: Joaquim de Carvalho

Opinião: muito bom

Páginas: 214

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     “Diz-se livre* o que existe exclusivamente pela necessidade da sua natureza e por si só é determinado a agir; e dir-se-á necessário, ou mais propriamente, coagido, o que é determinado por outra coisa a existir e a operar de certa e determinada maneira (ratione).”

*: Estas definições são fundamentais. Pode receber-se como paráfrase a seguinte passagem da carta (LVIII) de Espinosa a Shuller: “... Digo ser livre o que existe e age exclusivamente pela necessidade da sua natureza; e coagido o que por algo (ab alio) é determinado a existir e a operar de certa e determinada maneira (ratio). Deus, por exemplo, existe livremente embora exista necessariamente, porque existe pela única necessidade da sua natureza... Note bem: eu não faço consistir a liberdade numa decisão livre, mas na livre necessidade......Desçamos, porém, às coisas criadas, que todas são determinadas por causas externas a existir e a agir de maneira certa e determinada. Para tornar isso claro e inteligível, conceba-se uma coisa muito simples. Por exemplo: uma pedra recebe uma causa externa que a impele certa quantidade de movimento; se vier a cessar a causa externa do impulso ela continuará a mover-se necessariamente. Consequentemente, a permanência da pedra em movimento é coagida, e tem de ser definida não como necessária mas pelo impulso da causa externa...” Como se vê, chama liberdade à necessidade intrínseca, isto é, a determinação que tem por causa a própria essência. Daqui resulta que a noção espinosana de liberdade nada tem que ver com a noção de livre arbítrio e com a de contingência, e que o conceito que lhe é antitético é o da coação, isto é, de determinação extrínseca. Assim entendida, a liberdade não é uma propriedade do sujeito, mas um estado do ser. (N.T.)

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     “Deus, ou, por outras palavras, a substância que consta de infinitos atributos, cada um dos quais exprime uma essência eterna e infinita, existe necessariamente.

     (Pois) Existe necessariamente aquilo de que não é dada qualquer razão ou causa que lhe impeça a existência.”

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