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Blog de Matê da Luz

Encantada pelo maracatu, assim ando eu, por Matê da Luz

Encantada pelo maracatu, assim ando eu

por Matê da Luz

A primeira vez que ouvi a palavra maracatu foi lá nos tempos da Nação Zumbi, em tempos tão distantes que não sei precisar. Entra ano, sai ano, em Setembro de 2016 tive um novo contato – desta vez não só com a palavra, mas com um grupo e, mais especificamente, com um dos integrantes do grupo.

Importante dizer que Setembro de 2016 foi um dos meses mais importantes da minha vida toda, sem exagero algum, e a parte mais mágica disso tudo é que eu já tinha consciência disso vivendo aqueles momentos. Era meu primeiro contato comigo mesma no pós-depressão e, apesar da ânsia em viver intensamente e de verdade de novo, pra mim, por mim, não havia ansiedade ou medo, tudo simplesmente fluía.

Daí que o contato com esse integrante do grupo de maracatu trouxe pra mais perto os conceitos praticados ali que, basicamente, têm fundamento no candomblé. E, já falei em alguns escritos por aqui, tenho paixão nessas religiosidades que lidam com energia invisível e com a ancestralidade. Pronto, não demorou muito, mesmo que seis meses pareçam muito tempo pra algumas pessoas, e lá estava eu na minha primeira oficina de maracatu. Ministrada pelo Mestre Ruminig, da Nação Porto Rico, e por sua namorada, a Carol, em Ubatuba, a cidade que escolhi pra ser meu lar neste momento, tinha como objetivo apresentar os toques de 2017 e aperfeiçoar os integrantes de um dos grupos aqui da cidade. 

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Segunda-feira, dia de Exu - mas também de Obaluaê e Omulu, por Matê da Luz

Segunda-feira, dia de Exu - mas também de Obaluaê e Omulu

por Matê da Luz

O slowliving o qual me propus ao mudar de cidade – de São Paulo para Ubatuba – tem sido pauta recorrente na vida rotineira. Em conteúdos já compartilhados por aqui, falei do tempo como orixá e do quão relevante é a entrega aos processos naturais, mantendo a atenção e a ligação com aquilo sobre o que não existe controle. Pois bem, eis que a temática desenrolou e, agora, as feridas começam a expurgar as dores, num processo de limpeza que também não tenho como escapar.

Esta mudança, a de cidade, tem enorme relação com minha situação contextual em SP e anda tão intimamente ligada aos processos profundos de uma busca que deseja nada mais nada menos do que a cura. Do ponto de vista geral, o “não ter do que reclamar” segue na contramão do que borbulha internamente e, então, trocar a velocidade insana da cidade grande pelo slow mood de uma cidade litorânea – a maresia impacta, acredite! – floresceu o espaço necessário para olhar e cuidar, com atenção, praquilo que estava cansado de ser engolido durante a rotina. Questões especialmente particulares, daquelas que a gente não sai compartilhando por aí e que sequer a terapia convencional dá conta de analisar, porque simplesmente não se trata de análise: o racional, em alguns casos, necessita de pausa para que os processos emocionais sejam limpos e a paz, enfim, resgatada.

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A maioridade da alma, por Matê da Luz

A maioridade da alma, por Matê da Luz

Tanto acontecimento no mundo e o medo pulsando forte no contexto geral, social, econômico. As inseguranças externas acabam por atropelar o tempo preciso de amadurecer com calma - quem disse que isso de fato acontece? Será que são os memes da vida digital, esses que dão conta de trazer a certeza de que em dez encontros/12 passos a gente chega lá? E se não soubermos onde é lá, como é que faz? Ansiedade é a dificuldade de viver no presente, seja ele bom ou ruim - e disso eu entendo, ah, entendo bem mesmo. 

Daí que ano vai, ano vem e o trabalho pelo amadurecimento do que importa, que há de ser a alma, clama por uma tranquilidade jamais experimentada e então, como se só fosse possível assim, as mudanças começam a brotar. De cidade, de religião, de estado de consciência. De preferências alimentares, de alergias, de alegrias, de saudade, de um tanto de coisa que a vida quase não dá conta. E chega o momento, daí, o momento mais crucial de todos, que é o olhar de frente praquilo que a gente tem mais medo. Olhar, reconhecer, respirar e sentir todas as dores e, com sorte e um pouco de treino, entender que resisitir ao sofrimento é cultivo e que, de verdade, pra soltar é preciso passar por ali. Pego papel e caneta e desenho, escrevo palavras soltas e que me conectam com isso e aquilo e as lágrimas saem pra brincar. Tenho medo, muito medo. Pode ser sina, pode ser trauma, pode ser memória atemporal daquelas que nem o véu de Maya consegue encobrir. É esse medo esquisito que apita "a vida não pode dar certo pra você", essa coisa que me torna paralítica mesmo que todos os indícios físicos e reais dêem conta do contrário. 

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Ê, pombogira, ê pombogira, leva as quizilas dessa casa pro lado de lá... , por Matê da Luz

Ê, pombogira, ê pombogira, leva as quizilas dessa casa pro lado de lá...

por Matê da Luz

Dia desses encontrei um link no Facebook que dava conta de levar pra uma matéria falando sobre as Pombagiras. Antes de mais nada, registro oficialmente e por escrito que prefiro o termo Pombogira, mesmo que ambas as versões estejam corretas: caso é que sempre me vem à cabeça a imagem de uma pombinha rodando e ai, isso é um pouco desesperador. Enfim, preferências pessoais.

Daí que a pauta descrevia as entidades de uma forma tão, mas tão esquisita que não consegui deixar de entrar no famigerado embate nos comentários, esta que é uma atividade sobre a qual mantenho compromisso forte no sentido de manter distância, realizando a manutenção da sanidade mental desta que vos escreve. Acontece que a baboseira era tanta que, nossa, não rolou – sou macumbeira, passei pela umbanda e hoje me desenvolvo no candomblé e, portanto, fico possessa quando percebo a religião sendo difamada especialmente quando a intenção não é essa.

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Avoa - um pouco de poesia pra enfrentar a adversidade

o aviso no pé do peito

é alento, é atento: sai

porque (se) ainda não é a alma
a calma, a brisa,
a brasa
anunciada e já tão pedida
a ponta e o corpo firmes
maleável tempo de pensamento meu

sai

ou fecha os olhos e entrega a arma
o elmo, a lança do teu bem querer
renda os braços e faz fazenda, 
enlaço, laço, nós

traço o passo e aperto o peito
no compasso manso
descanso
aceito, deito, deixo
leito

vem
que esse lugar naonde alguns pintaram
bordado apeia pranto, ai, meu bem, enquanto
- e só por enquanto - 
não é teu manto de amor sem fim.

 

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Golpe atrás de golpe e a esperança só pode ser a última que morre, por Matê da Luz

Golpe atrás de golpe e a esperança só pode ser a última que morre

por Matê da Luz

“É o governo mais imaturo que presenciamos” – assim escreveu um colega em seu mural no Facebook. Não estava analisando detalhadamente os últimos episódios tristes que acometeram nosso País mas, de forma fria e calculista, expondo um ponto individual referente à reforma trabalhista. Tal ponto dá conta de que as gestantes podem trabalhar em ambientes insalubres desde que liberadas por ordem médica.

Tão bizarra a narrativa em si – uma grávida trabalhar em ambiente insalubre – que o amigo em questão aponta a falta de noção, tato e estratégia do atual governo no que diz respeito à comunicação propriamente dita pois, de certa forma, não é exatamente isso o que a lei determina, mesmo que dê margem enorme e assertiva para esta interpretação.

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Desenvolvimento e a semântica das palavras, por Matê da Luz

Desenvolvimento e a semântica das palavras

por Matê da Luz

Semântica é o estudo sincrônico ou diacrônico da significação como parte dos sistemas das línguas naturais. Está intimamente relacionada aos simbolismo que as palavras carregam, quer dizer, ligada com força ao significado que interpretamos profundamente sobre determinada combinação de letras.

Mas acontece que a vida passa e a Lusitana roda e a gente, tão acostumado ao falar-ouvir-absorver, acaba esquecendo deste detalhe tão importante: o impacto deste simbolismo na formação de quem somos e todo o florescer disso, passando inclusive sobre moldes de caráter e estima que, ao meu ver, estão intimamente relacionados.

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Matê da Luz: Mudanças, transformações e laroyê, Exu

Matê da Luz: Mudanças, transformações e laroyê, Exu

Recentemente, como alguns já sabem se acompanham os registros aqui escritos, mudei da umbanda pro candomblé. Também mudei de São Paulo para Ubatuba e, desde então, venho vivenciando experiências de transformação potentes e, é claro, experienciando as enormes diferenças de viver em uma cidade muito, mas muito menor do que a capital.

Uma das coisas que mais me chama atenção nessa troca é a relação que se estabelece entre os indivíduos e, então, a religião acaba aparecendo muito mais como fator diferencial do que nos grandes centros. Por aqui, já sou apontada como “a nova filha de santo do ilê do Pai, aquele do maracatu”, e isso não é necessariamente ruim. Prova disso é que tive que comprar tecido para confeccionar minha saia e candomblé e, então, fui até a lojinha no centro da cidade. O atendimento é feito pelo próprio dono da loja e, então, ao perceber que só seleciono tecidos brancos, ele lança: “ah, você é a nova filha do ilê lá de cima, né? Vai fazer saia de ração também? Aqui, ó, leva este, este e este outro, e como é pro axé, te dou um metro de cada de presente. Se precisar do figurino do grupo de maracatu também, é só falar, encomendo os acabamentos pra você e combinamos um desconto, tá?”.

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A isca do machismo quando a mulher paga menos, por Matê da Luz

A isca do machismo quando a mulher paga menos

por Matê da Luz

Se você tem uma vida social mais ou menos ativa, certamente já esteve presente em casas noturnas ou bares que cobram entrada anunciando valores diferenciados ou gratuidade para mulheres. "Uau, mas até disso vai reclamar? Mulher é chata mesmo!" 

Antes de mais nada, sim, até disso vou reclamar. Depois, vale saber que quem levantou a bola mais recente neste contexto foi um estudante de direito brasiliense menino, o Roberto Casali Junior que, em entrevista à TV, disse: "eles transformam a mulher em um produto e fazem o homem de trouxa, pois é ele quem deve pagar um valor maior. Dessa forma, o estabelecimento ganha mais com isso". De novo: não tem problema algum estabelecimentos comerciais desejarem ganhar mais dinheiro, afinal, este é o intuito de todo e qualquer empresário, ou deveria ser. As questões aqui apresentadas são, basicamente, a que preço (quase que literalmente). 

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Maracatu, pra mim e pra você, por Matê da Luz

Maracatu, pra mim e pra você

por Matê da Luz

O maracatu é uma expressão cultural também chamada de dança folclórica que tem início datado do século XVIII, a partir da miscigenação cultural das culturas portuguesa, indígena e africana. Especialmente e essencialmente, porém, o maracatu é uma expressão de resistência que, por meio do louvor aos reis congos, pontua que os negros também têm sua corte, e ela batuca e mexe com a alma do povo.

Existem dois tipos de maracatu: o de baque virado, que tem como base as nações; e o baque solto, o maracatu rural. As principais diferenças entre estes dois é a origem e o instrumento principal de condução: o baque virado tem origem nas religiões africanas, especialmente o candomblé e seus orixás e encontra nas alfaias a potência de condução, enquanto o baque solto tem sua raízes nas religiões afro-brasileira, com forte presença dos caboclos e pretos-velhos, e tem nos chocalhos (surrão) a pontuação do ritmo frenético de suas melodias. Leia mais »

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O perigo das neo-terapias salvadoras do imediatismo, por Matê da Luz

O perigo das neo-terapias salvadoras do imediatismo

por Matê da Luz

Coach, barras de access, tethahealing, EFT... se você vive neste século muito provavelmente já ouviu falar sobre estas técnicas terapêuticas, as neo-terapias. Talvez eu seja um tanto quanto crítica a estas práticas pelo simples motivo de ser old-school, das antigas mesmo, e acreditar que para alguns processos não existem atalhos e, portanto, a terapia convencional, psicologia, psiquiatria, essa coisa toda que exige anos de estudo e aprofundamento, amparada por órgãos reguladores etc e tal, bem, que estes sejam caminhos mais seguros pra tratar de algo tão fundamental quanto a saúde mental.

Nunca, em tempo algum, houve tanta atenção quanto à temática das doenças psíquicas. Daí, claro, desde que o mundo é mundo, acontece a lei da oferta e procura: quanto mais gente doente, maior o campo das curas ofertadas. Aos meus olhos, é aí que mora o perigo. Afinal de contas, quantos destes neo-terapeutas está devidamente embasado para curar a mente de um indivíduo? Para estar credenciado com aptidão para conduzir a aplicação das barras de access, uma técnica que por meio da pressão de diferentes pontos na cabeça permite  “que comecemos a desfazer todos os pensamentos, ideias, atitudes, decisões e crenças limitadoras que bloqueiam e atrasam a nossa vida.” – uma promessa e tanto, não é mesmo? – por exemplo, uma pessoa passa por um curso de oito horas. Oito horas para estar apto a promover uma mudança enorme e fundamental para a vida de pelo menos 99% da população mundial.

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O mercado de relacionamento com o cliente pra quem é popular, por Matê da Luz

O mercado de relacionamento com o cliente pra quem é popular

por Matê da Luz

Você já tentou cancelar algum produto ultimamente?

O cancelamento de enorme parte dos serviços hoje, em qualquer empresa, não pode ser feito automaticamente. o consumidor é obrigado a falar com os atendentes e, ao que me parece, esta é uma decisão embasada em diversos fatores mas, especialmente, na potencialidade do contato homem-a-homem para 1- entender os motivos que levaram o cliente a desistir do produto; 2- apresentar uma solução viável e satisfatória para o cliente e 3- manter o cliente em sua base de dados.

Antes de mais nada, a demora no atendimento. ao clicar na opção de cancelamento, o cliente é colocado no modo espera com musiquinhas enlouquecedoras, ad eternum. quando um atendente se manifesta, normalmente já começa o diálogo enfadado, nada disposto e, claro, o clima homem-a-homem, que já está contaminado pelo humor da espera eterna, é dos piores. Leia mais »

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Há algo de novo em termos de violência contra a mulher, por Matê da Luz

Há algo de novo em termos de violência contra a mulher

por Matê da Luz

É, eu sei. 

Ainda falta. E falta muito, mas muito mesmo, especialmente para as mulheres negras, as pobres, as carentes, as isoladas. Mas é relevante e vale inclusive para alimentar o diálogo em busca de soluções para todas estas - e tantas outras. 

Lírio Parisotto, ex-companheiro de Luiza Brunet, foi condenado a um ano de prisão por agressão física à ex-modelo e, enfim, deixa de lado a boataria que, na época, questionava se havia mesmo ocorrido o abuso. Porque ela não estava no Brasil, porque ela não fez o que algumas pessoas julgaram ser o caminho comum em casos assim e porque Luiza é, afinal de contas, uma mulher. Você já percebeu que uma mulher quase sempre está precisando provar algo pra alguém, até mesmo pra si própria? Pois é... não basta estar com os olhos visivelmente machucados, costelas quebradas. Ela precisa provar. 

Aqui onde moro, nesta semana, presenciei uma agressão em plena luz do dia. O cara, marido da vítima, arrancou o celular dela de suas mãos, jogou longe e partiu pra cima, como numa briga de rua mesmo. Com socos. Você já presenciou alguém apanhando assim, com socos? O barulho oco daquela força, que é mais do que física? É uma força moral estampando escortidão na cara. Olha, não é fácil não. Haja boldo, estômago e cabeça pra tomar alguma atitude na hora. Quase não consegui mas, amparada por outras pessoas que passavam pela rua, socorremos a moça. Levamos pra dentro de um prédio público e, então, acionamos a polícia. 

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Os pernambucanos do Bongar e o encanto de Xambá, por Matê da Luz

Foto Beto Figueiroa

Os pernambucanos do Bongar e o encanto de Xambá

por Matê da Luz

A cultura de terreiro está impregnada neste grupo musical composto por seis jovens integrantes do Xambá, chão do Quilombo do Portão do Gelo, em Olinda. Unidos pelo propósito de divulgar a cultura pernambucana do côco, embasada pelos fundamentos do ilê, os integrants do Bongar aprendem por meio da herança dos mais velhos: estes que ensinam os toques, as loas e as danças durante as festas religiosas da Casa Xambá. 

A musicalidade é mágica e o show é imperdível. Porque tem canções que são feitas pra serem vividas completamente, de corpo e alma, como a Ogum Onirê, essa do clipe aqui embaixo: 

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O nosso amor a gente inventa - a webserie da Sarah, por Matê da Luz

O nosso amor a gente inventa - a webserie da Sarah

por Matê da Luz

As crises inerentes às mídias atuais, seja em termos de viabilidade econômica, seja em termos de formato mesmo - o "sentar pra ver TV" é algo cada vez mais raro e/ou individual nos lares e, enfim, a sabedoria de algumas pessoas em aproveitar efetivamente as oportunidades que todas essas transformações trazem resultou em "O nosso amor a gente inventa", da ex-VJ da MTV Sarah Oliveira. 

Sarah, bela e madura, conduz o programete disponível no YouTube onde apresenta histórias de amor, paixão, encontros e miragens necessárias pra fazer a vida caminhar - especialmente em tempos de desânimo coletivo, vale se conectar com as fofuras contadas pela senhorinha latina ou descobrir que a esposa do João Gordo era uma fã apaixonada - é de esquentar o coração. 

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Em semana de insanidades reais, seguimos na luta antimanicomial, por Matê da Luz

Em semana de insanidades reais, seguimos na luta antimanicomial

por Matê da Luz

Recebi esta carta de um amigo meu, psiquiatra, envolvido na análise e tratamento de indivíduos pautada na busca pelo bem-estar completo dos pacientes. Já nos pegamos em discussões sobre a necessidade de medicar em contrapartida ao tratamento holístico; já discordamos acerca de diagnósticos precoces e vivemos conversando sobre as melhores soluções e caminhos na cura da origem do que faz e traz o mal às pessoas e, num ponto único, somos pares: a luta antimanicomial. 

Seja por acreditar que os porquês da vida vez ou outra são invisíveis, seja por questões mais acadêmicas e profundas, sólidas também, concordamos que isolar aquele que é taxado como incomum é uma agressão sem tamanho, ainda mais nas circunstâncias apresentadas pelas insitiuições presentes no País. Me comprometi a divulgar esta carta, escrita por uma conhecida dele, para soprar um vento de lucidez numa semana insana no Brasil, especialmente, onde todo e qualquer assunto foi abafado pelos escândalos políticos na esfera pública. Vale lembrar que, no privado, atrocidades também acontecem. 

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Um pouquinho sobre ser mãe dela, a bela da flor amarela, por Matê da Luz

Um pouquinho sobre ser mãe dela, a bela da flor amarela

por Matê da Luz

Chamo de casa o apartamento que fez meu (im)pulso pulsar e , finalmente, mergulhar na vivencia daquilo que nem sei.

Conto um tanto sobre mim pra que entendam os movimentos e o compartilhar tenha contexto: engravidei aos 18, fui mãe aos 19 e, desde então, enorme parte daquilo que tenho como decidir circulou em torno daquela que se fez e construiu companheira, a linda. A linda é uma agora moça de quase 18 anos que acaba de entrar em exatas, na USP, e que, desde a anunciação à respeito da chegada, apresenta alegria e assertividade na vida – na minha, especialmente.

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A lua cheia de Wesak, poesia suspensa no ar, por Matê da Luz

A lua cheia de Wesak, poesia suspensa no ar

por Matê da Luz

Dando uma folga para o assunto mais comentado da semana (antes da volta do botão de gratidão do Facebook, convenhamos!), a audiência em Curitiba, vou falar sobre a maravilhosa lua cheia que anda enfeitando as noites por aqui e acolá. 

Luas cheias são encantadoras por natureza, aquela bola redondinha no céu, movimentando as marés litorâneas e as internas da gente também, veja só: se nossa composição é também água, impossível seria que não nos afetasse. Esta lua, em especial, tem um poder ainda maior: é a Lua de Wesak, que inspira movimentações de transformação e iluminação em uma semana de algum recolhimento e muita troca. 

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Resistência, o documentário, por Matê da Luz

Resistência, o documentário

por Matê da Luz

Tem gente que diz que esse ar sombrio que ronda o Brasil tem mais tempo que isso, mas fato é que faz só um ano que o impeachment rolou de fato. Isso é tão pouco no meu referencial que o tamanho do medo frente aos acontecimento retrógrados no País cresce progressivamente no peito e faz faltar o ar, literalmente. Se por um lado tem aquilo tudo de entender que quando a gente enxerga a poeira é porque ela está na superfície e, portanto, pronta pra ser limpa - na metáfora da piscina, que eu adoro mesmo e venho praticando bastante na vida, como um todo - por outro lado parece que neste contexto de agora, o piscineiro diz que acha aquilo tudo muito bonito e que está tudo bem, que essa sujeira é melhor do que aquela outra do ano passado, você sabe, né?, enquanto a gente fica parado de pé olhando, totalmente sem saber o que fazer, estarrecido. 

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Ainda sobre o caso (agora literal) do José Mayer, por Matê da Luz

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Foto: Divulgação
 
Por Matê da Luz
 
O colunista Leo Dias, do Rio de Janeiro, deu conta de que a figurinista e o ator mantiveram um caso extraconjugal - ele é casado - e, por este motivo, as acusações de assédio seriam infundadas, tanto é que a moça não deu conta de continuar a apuração judicial do caso.

Minhas impressões:
 
1- continua sendo assédio, caso ocorrido o abuso, mesmo que ela tenha sido amante dele (ter uma relação com a pessoa não inviabiliza o assédio)
 
2- segundo a coluna que dá conta da nota em primeira mão, "o movimento feminista brasileiro usou uma história mentirosa para destruir a carreira de um ator e para fazer alarde na mídia." - conta mais sobre destruir a carreira dele, até agora só vi um afastamento oportuno em nome da manutenção da imagem do próprio ator, inclusive.
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Greve geral, que medo

Pensei, pensei, pensei... Quase não venho aqui escrever, porque, confesso, sinto como se um caminhão enorme tivesse passado por cima do meu corpo. Cansada, quase deprimida (sem exagero, conheço a sensação). Conversei com alguns pelo whatsapp, me sentindo um tanto mais protegida dos ataques por conta da minha opinião - eis que resolvi, uma vez em greve, dar conta de aprofundar meu raciocínio. 
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Girlboss e o impacto dos seriados Netflix na vida, por Matê da Luz

Girlboss e o impacto dos seriados Netflix na vida

por Matê da Luz

Girlboss é a nova série produzida pelo Netflx e, pra quem anda nas redes sociais, monotema da semana no Facebook. As opiniões sobre o conteúdo são divididas entre as pessoas que adoram o seriado e aquelas que se decepcionam profundamente. 

As razões para odiar giram em torno de críticas à personalidade da personagem principal, uma garota de seus 20 e tantos anos que resolve empreender no e-bay, revendendo peças de roupas reformadas de acordo com seu gosto fashion, passando pelas lacunas do empreendedorismo em si, já que mostra uma pessoa completamente despreparada para o mundo dos negócios dando passos maiores que as pernas e, de certa forma, tendo sucesso. "Girlboss cria a ilusão de que dá pra começar do zero, mas não é assim, estruturar uma empresa, mesmo que na internet, dá muito mais trabalho e exige maturidade" - li num desses posts. 

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O comportamento das empresas em tempos de golpe, por Matê da Luz

O comportamento das empresas em tempos de golpe

por Matê da Luz

Recebi hoje cedo uma newsletter de uma empresa que muito me agradava pelo conteúdo, que relaciona economia com sustentabilidade e, sinceramente, trazia artigos bacanas sobre minha área de atuação. Gostava dos bichinhos. 

Daí que ao abrir minha caixa de emails hoje, me deparo com o subtítulo: "um ano sem o governo Dilma, PARABÉNS!". Chocada, resolvi abrir pra ver se era algum tipo de teaser para insitigar a leitura do conteúdo, algo parecido com uma ironia de certa forma perigosa mas, sério, sério mesmo, era apenas um subtítulo "engraçadinho". Nenhum conteúdo interno dava conta da chamada, quer dizer, nenhuma linha a mais sobre o que mais chama atenção antes da abertura do email, nada, nadica, apenas aquela celebração que, aos meus olhos, comemora um golpe. 

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O abuso dessa semana veio da polícia de São Paulo, por Matê da Luz

O abuso dessa semana veio da polícia de São Paulo, por Matê da Luz

Esta semana começou com manifestação na região onde mora o prefeito da cidade de São Paulo, João Dória. Segundo consta, porque nenhum grupo assinou o protesto, a manifestação foi conduzida pelo MPL. Na ocasião, dois fotógrafos foram detidos sob acusação de colocar fogo em pneus nas proximidades da Rua Colômbia. 

O caso é que estes fotógrafos estavam apenas fazendo a cobertura do episódio como, naturalmente, é a indicação de seu trabalho. Foram presos sem motivo algum, acusados de colocar fogo nos pneus sem prova ou atestado visual pelos policiais que, quando perceberam que precisariam de argumentos mais fortes, mudaram o discurso e os acusaram de estar cobrindo os fatos com olhar distorcido, promovendo imagens inverossímeis. 

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A expulsão de Marcos do BBB e as Emillys da vida real, por Matê da Luz

A expulsão de Marcos do BBB e as Emillys da vida real

por Matê da Luz

Não, eu não acompanho o BBB. Não tenho nem TV em casa, para informação daqueles que (quase que certamente) virão aqui comentar sobre a relevância deste post. Mas sim, ele tem importância. 

Os fatos, resumidamente, são estes: um dos participantes do BBB, Marcos, grita, empunha dedo, coloca contra a parede literalmente, culpa a namorada pelo seu desequilíbrio emocional. A namorada, mesmo com cara de assustada, tenta contornar as inúmeras situações. A direção do programa, amparada por uma delegada e, numa semana já de escândalos acerca do machismo, o expulsa do programa. 

A namorada, então, a Emilly no caso, fica surpresa com o contexto, que passara desapercebido por ela como abuso. Duas outras integrantes do programa a consolam e explicam que aquilo é violência sim. 

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Mexeu com uma, mexeu com todas, por Matê da Luz

Mexeu com uma, mexeu com todas, por Matê da Luz

Ah, a carta de desculpas do José Mayer! Vou celebrar, sim! Vou copiar aqui, sim! E vou torcer pra que seja muito mais do que uma orientação de imagem, mas que seja fruto de algo que deu errado mesmo e que promova transformação. A relevância desta carta, deste posicionamento, desta comunicação sobre os moldes machistas, enfim, há de ser um marco verdadeiro pra história do feminismo. 

A TV Globo se posicionando na GloboNews, no Jornal Hoje, manifestando seu apoio à figurinista mas, mais que isso, fazendo com que a mensagem positiva "machistas não passarão" chegue a um enorme número de pessoas, olha, é lindo de ver. Confesso que estou emocionada, apesar da ainda cismada desconfiança que cerca quem já sofreu opressão demais - só por ser mulher. 

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Sobre desenvolver um legado, por Matê da Luz

 

Sobre desenvolver um legado, por Matê da Luz

Um dos argumentos onde se apóia a lei do adotado dá conta de que todo indivíduo tem o direito de conhecer suas origens. Dialogando com minha terapeuta sobre o assunto, desenrolamos este tópico e caminhamos tanto pelas questões biológicas quanto pelas de identidade pals quais passeiam a indicação. Consta, em autos de registros daqueles que, adultos, foram em busca de seus progenitores que o principal fator relacionado à busca é de fato o psicológico. Pudera: existe uma lacuna inerente aos adotados, mesmo que estes tenham aproveitado ao máximo a chance de se incorporar à uma família. 

Escrevo chance mesmo sem medo de ser piegas, em referência ao enorme número de crianças que passam a vida à espera de aceitação familiar nos orfanatos por aqui e acolá e, então, a inclusão familiar já é considerada um privilégio verdadeiro. Normativamente, segundo conversas com diferentes psicólogos e psiquiatras, aqueles que buscam sua origem não estão intimamente relacionados à uma insatisfação em relação a estas famílias mas sim, mesmo que inconscientemente, em busca de raízes que acalentem ou reforcem características não encontradas no grupo, afim de experienciar um nível de pertencimento maior e mais amplo que o próprio núcleo familiar promove. 

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A retratação (ainda pequena) da TV Globo no caso José Mayer, por Matê da Luz

A retratação (ainda pequena) da TV Globo no caso José Mayer

por Matê da Luz

À despeito de alguns comentários no último post aqui compartilhado sobre o assédio de José Mayer contra a figurinista da TV Globo, coisas como "se fosse o Cauã Raymond, ainda seria assédio?" e "precisamos ouvir o outro lado", reescrevo sobre o assunto hoje, especialmente para cmentar o posicionamento da TV Globo em decorrência da denúncia. 

A TV optou, conforme nota enviada à imprensa, "dar um descanso à imagem do ator" e retirá-lo da próxima novela que faria parte, O Sétimo Guardião. A decisão, segundo a opinião de alguns amigos emitida nas redes sociais, "já é um começo". Sem querer fazer a justiceira, mas já é um começo pra você, homem-cis-hétero que não tem ideia do que é conviver fadada ao assédio somente pelo fato natural de ser mulher. 

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José Mayer e o assédio sob a proteção dos holofotes, por Matê da Luz

José Mayer e o assédio sob a proteção dos holofotes

por Matê da Luz

Li esse relato perplexa. Mais perplexa ainda fiquei com alguns comentários nas redes sociais que dão conta de uma dúvida, aferindo um "golpe em busca de reconhecimento" por parte da mulher que relata. Oi, pessoal. Estamos em 2017, mas não sei se entenderam que mulher abusada não é reconhecida, mas ainda tratada com questionamentos como "ah, mas ela deve ter dado mole...", "artista é assim mesmo", "o que será que realmente aconteceu?" e que, sendo pragmática, a moça arrisca a própria carreira ao fazer uma denúncia dessas no país do machismo. Sim, ela apontou o dedo pro José Mayer, o galã, prata da casa da Rede Globo, a emissora que controla midiaticamente este Brasil. Abram os olhos, poxa! 

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Serena Assumpção e o álbum póstumo mais emocionante que já ouvi, por Matê da Luz

Serena Assumpção e o álbum póstumo mais emocionante que já ouvi

por Matê da Luz

Procurei neste mesmo portal antes de escrever este post e encontrei inúmeras citações (aqui), mas confesso que não consigo me conter e registrar minhas impressões sobre esta beleza de álbum, Ascensão, e, também, para que quem não ouviu, ouça (e quem ouviu, re-ouça). Vale cada nota. 

Tomei contato com Serena numa festa de vinil onde tocava o DJ da Marafo Records, uma delícia de som que envolvia MPB da boa e as macumbices que tanto aprecio. A esposa do DJ foi quem me contou a história toda do disco e eu, claro, me apaixonei por tudo, pelo clima, pelas letras, melodias, pelo timing e me emocionei quando ela contou que esteve presente no lançamento do disco no Sesc, em São Paulo, ano passado. Segundo consta, foi mágico de verdade: uma perfeita gira em homenagem à artista que, onde estivesse, certeza de ter pedido agô pra chegar lá e viver tudo isso. 

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