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Blog de Matê da Luz

Práticas pra realmente se curar (ainda mais se você mora no Rio de Janeiro), por Matê da Luz

Práticas pra realmente se curar (ainda mais se você mora no Rio de Janeiro)

por Matê da Luz

Hoje, em meio a infinitos diálogos e discursos sobre a abominável aprovação da classificação do homossexualismo como doença tratável (abordarei quando as lágrimas pararem de escorrer vermelhas), recebi este email:

“Nosso RETIRO DE YOGA E MEDITAÇÃO desse ano está se aproximando e abaixo coloquei todas as infos pra quem tiver interessado:

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Criança viada e porque aceitar a heterosexualização infantil, por Matê da Luz

Criança viada e porque aceitar a heterosexualização infantil

por Matê da Luz

Por que é que todo mundo acha normal e corriqueiro perguntar pra um menino de 4, 5 anos sobre as namoradinhas e comentar sobre as meninas de até menos que isso sobre o "trabalho" que vão dar pros pais? Por que segue sendo normal que as crianças sejam sexualizadas a este ponto, o que, de certa forma, eu só não sei explicar muito bem porque o assunto embrulha meu estômago, contribui para que a pedofilia seja amenizada dentro das famílias, tantas vezes colocada como algo que "acontece, não tem muito o que fazer", como se não fosse crime mas feitio cultural? Por quê? 

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Os limites da intolerância religiosa no Rio de Janeiro, por Matê da Luz

Os limites da intolerância religiosa no Rio de Janeiro

por Matê da Luz

Atos infelizes e de apertar o coração da humanidade (deveria ser isso mesmo, algo que comove a todos, tamanha violência sem justificativa alguma) vêm acontecendo descaradamente no Rio de Janeiro de alguns meses pra cá. Escrevo descaradamente porque a violência e discriminação contra as práticas religiosas com origens negras acontecem rotineiramente, com maior ou menos força - não é raro para nós, os praticantes dessa fé, ter intimidade com a palavra preconceito, muito pelo contrário: tantos de nós, como no meu caso (brancos, privilegiados e por aí vai...) temos a oportunidade de conhecer o que é preconceito por conta desta escolha. 

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Santander Cultural cancela Queermuseu - cartografias da diferença na arte brasileira, por Matê da Luz

Santander Cultural cancela Queermuseu - cartografias da diferença na arte brasileira

por Matê da Luz

Qual o tamanho da lacuna entre o que pregam e praticam - empresas, pessoas? 

A pergunta surge para estimular o diálogo e reflexões sobre a mostra Queermuseu, que aconteceu em Porto Alegre e que, neste final de semana, teve decretado seu fim por meios nada sólidos e, quiçá, desrespeitosos –o curador, o público e a comunidade diversa deste país ficaram sabendo do encerramento pelo Facebook, primeiramente.

Iniciada em 15 de agosto e com previsão de término em 8 de outubro, a exposição dava conta de quase 300 obras que contemplavam coleções púbicas e privadas explorando a diversidade de gênero.

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Só um monte de dados assustadores sobre abuso sexual no Brasil, por Matê da Luz

Só um monte de dados assustadores sobre abuso sexual no Brasil

por Matê da Luz

Abrir os olhos e não se calar. Abrir os olhos e não se calar. Abrir os olhos e não se calar. Abrir os olhos e não se calar. Abrir os olhos e não se calar. Abrir os olhos e não se calar.  - tantas e quantas vezes forem necessárias, até que a mudança se instale. Tem gente que se diz cansada de tanta batalha pra onde não adianta nada andar e, eu sei, também me sinto assim, no final das contas é isso o que a oposição mais deseja: que a gente se sinta cansada e desista. 

Mas não. Não vou desistir, e meu conselho é pra que você também não desista - siga imprimindo empatia, atos de gentileza e amor com força e sutileza por aqui e acolá. Siga superando as dificuldades mais duras e semeando leveza em terrenos áridos pelo tempo que for porque, olha, se tem algo que posso garantir, se é que garantia dá validade alguma pra qualquer coisa que seja, é que a gente dorme melhor quando pratica o que é bom. E isso, nos dias de hoje, já é um baita de um presente. 

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O absurdo da liberação do esporro em público e a simbologia nefasta da falta de limites individual, por Matê da Luz

O absurdo da liberação do esporro em público e a simbologia nefasta da falta de limites individual

por Matê da Luz

(imagine meu humor ao escrever dois textos seguidos sobre abusos contra a mulher)

Foram dois episódios esta semana em plena Avenida Paulista, símbolo da boa vida na capital do estado mais rico do Brasil. Em um deles, o segundo, um homem apalpa os seios de uma moça num ônibus. Ela chama a polícia, ele é encaminhado à delegacia e sabe-se lá qual é o resultado, porque nem noticiado foi. O primeiro caso, ainda mais bizarro, dá conta de um homem ter ejaculado no pescoço de uma mulher dentro de outro ônibus, também numa das avenidas mais movimentadas da capital. 

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O estupro de Clara Averbuck no Uber, a culpa é sempre da vítima e o feminismo cada vez mais necessário, por Matê da Luz

O estupro de Clara Averbuck no Uber, a culpa é sempre da vítima e o feminismo cada vez mais necessário

por Matê da Luz 

Faz dois dias e, na velocidade que a internet leva e traz informação, este pode parecer um artigo atrasado. Peço, então, que se coloquem no lugar de alguém que escreve com o coração nas mãos e, no mais, pretende levatar diálogos muito mais do que noticiar. Hoje, depois de duas noites em claro, uma delas chorando e cogitando voltar pra São Paulo para superproteger minha filha (sim, entendo como superproteção querer abrir mão da minha vida individual apenas para ser trasporte de uma marmanja que já está na faculdade, mas confesso que cogitei porque a Clara estuprada é minha amiga e, por mais que a gente saiba que isso acontece, quando é com alguém conhecido o impacto é tenebroso), bem, hoje consigo sentar e lidar com o tema de forma menos irracional. 

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Morte, morte, morte que talvez seja o segredo dessa vida, por Matê da Luz

Morte, morte, morte que talvez seja o segredo dessa vida

por Matê da Luz

As músicas são válvulas de escape para as dores rotineiras - e para aquelas as quais não há dimensão, tanto que latejam. Enquanto coração e mente não se alinham na mesma sintonia, mesmo que esteja há tanto exercitando ambos para este encontro necessário e de paz, musicalizar a dor é algo que fortalece o caminhar. 

Eu não sei lidar com a morte. Acho que talvez nem saiba lidar com a possibilidade da morte, veja só como eu escrevo: possibilidade, como se não fosse a única a soberana certeza que temos, todos nós, aqui nessa Terra. É, eu não sei e, durante este ano, tenho percebido que não apenas não sei mas também que desgosto. 

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A Miss Brasil é negra - qual é a surpresa?, por Matê da Luz

A Miss Brasil é negra - qual é a surpresa?

por Matê da Luz

Uma das coisas mais preciosas que aprendo rotineiramente com minha filha adolescente é casar discurso e prática. É claro que exige treino, vez ou outra escorrego e piso na bola mas, pode notar, me comprometo a colocar no dia a dia aquilo a que me proponho. O lugar de fala é uma dessas coisas. Uma das mais importantes, aliás. Desde que comecei a passear com mais clareza no feminismo ativo, venho compreendendo esta questão. O lugar de fala é bem isso que parece quando a gente pensa nele: uma espécie de púpito, local destinado a quem está com a questão central na ponta da língua. 

Então, no sentido de praticar o que tenho aprendido como precioso, o espaço aqui destinado ao que me é relevante, que neste dia dá conta do espanto de tanta gente sobre a Miss Brasil ser negra, bem, este espaço será destinado a replicar um dos textos mais brilhantes e lucidos sobre o tema. Potencializando o lugar de fala, deixo o link da publicação original e copio aqui embaixo, na íntegra, 

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STJ mantém condenação de Bolsonaro e o absurdo da possibilidade dele recorrer, por Matê da Luz

STJ mantém condenação de Bolsonaro e o absurdo da possibilidade dele recorrer

por Matê da Luz

Pronto. Era o que faltava pra confirmar que a vida é uma enorme quinta-série C. Façamos um exercício de imaginação: estamos todos em sala de aula, meninos e meninas, na presença de um professor. Vamos supor que temos cerca de 13 anos, pra dar um contexto no qual entendemos a força de nossas palavras e alguns significados relevantes. Um dos meninos levanta e diz, na frente de todos os outros, que tal menina não merece ser estuprada porque é muito feia. Precisa dizer mais ou dá pra entender que este contexto é agressivo o suficiente pro garoto ser expulso de sala de aula com advertência e suspensão? 

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Crônicas de um amor à base de muito sim e alguns nãos necessários, por Matê da Luz

Meu guia de vida vendido nas bancas, a Revista Vida Simples, traz este mês um tema já abordado por aqui - alô, sou tendência! - e discutido a duras penas por todo e qualquer ser humano, seja exterior ou interiormente. Afinal, quem nunca teve dúvidas pra dizer NÃO que atire a primeira pedra... mas lá, pro outro lado, que eu não quero me machucar (o que tenho já basta).

Dizer não requer prática, consciência, sabedoria quase que ancestral - afinal de contas, palavrinha que estabelece limites jamais passa assim, batido. O não em sua infinita finitude traz pontos. Pingos nos is. E isso tem importado deveras por aqui.

 

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Falsas promessas de mudanças profundas, até quando acreditar?, por Matê da Luz

Falsas promessas de mudanças profundas, até quando acreditar?

por Matê da Luz

Confesso, sou dessas pessoas que quando sentem muito quase não conseguem colocar em palavras e/ou organizar as sensações em pensamentos e combinar as ações ao propósito. Sim, me fata maturidade vez ou outra - e hoje entendo que isso é normal, natural, um processo. Quando me pressiono, e tendência é que a opressão cosuma minha energia de forma rápida e eficiente e, então, me vejo paralizada frente a uma enorme pilha de afazeres que sim, me dão prazer e sustento, ou seja, não são de coisas que eu não gosto e/ou posso parar de fazer. 

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O dia dos pais da Folha não tem um elemento essencial, por Matê da Luz

O dia dos pais da Folha não tem um elemento essencial

por Matê da Luz

Olha, é de cair o ** da bunda! Daí tem gente que ainda critica o poder da mídia, diz que a gente (as mulheres) reclamam de tudo e qualquer coisa, que a gente não entende a mensagem e sai falando, falando, falando... Alguém pode me explicar, então, o porquê da capa do especial da Folha sobre o dia dos pais não ilustrar, abordar ou citar uma criança "encaixada" na vida do belo desconhecido que estampa a matéria? 

Pra quem não viu, a imagem taí. Em diversos posts sobre o assunto, no Facebook, feitos por mulheres, é claro, as palavras RECALQUE, FEMINISMO e MIMIMI apareceram tanto da ponta dos dedos de homens quanto de mulheres rebatendo as críticas: afinal de contas, pra que enxergar problema em tudo, não é mesmo? Que os pais encontrem seus momentos de lazer e distração já que são responsáveis por prover a família e QUE BAITA CONCEITO MACHISTA PELO AMOR DE DEUS PESSOAL, AS MULHERES TRABALHAM PRA CARAMBA HOJE EM DIA E SÃO RESPONSÁVEIS POR PELO MENOS 40% DOS LARES NO PAÍS, então não me venham com este argumento mesmo que seja válido lembrar que o elemento principal pra que alguém seja chamado de pai seja a existência do filho.  Leia mais »

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11 anos da Lei Maria da Penha #TáNaHoraDeParar, por Matê da Luz

11 anos da Lei Maria da Penha #TáNaHoraDeParar

por Matê da Luz

A Lei Maria da Penha completa 11 anos. Só 11 anos, mas num País onde as leis parecem cada vez mais distantes das reais necessidades da gente, ufa!, uma aprovação dessas deve ser comemorada com louvor e respeito.

Recebi a carta abaixo num dos grupos feministas que mantenho ativos no WhatsApp e repasso, com o link para o Relógios da Violência, um marcador que exibe o número - ainda bizarro - de mulheres que sofrem os tipos de violência no Brasil todo. Vale acompanhar e prmover as transformações necessárias na sociedade ao seu redor, lembrando que é tão, mas tão importante que sejamos a mudança que desejamos ver no mundo. 

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Pra onde você acha que vai o plástico do mundo? #JulhoSemPlástico, por Matê da Luz

Pra onde você acha que vai o plástico do mundo? #JulhoSemPlástico

por Matê da Luz

Uma das mudanças mais profundas que venho tentando fazer nas minhas práticas rotineiras é reformular a relação que tenho com o mundo - minha participação por aqui, o equilíbrio entre a importância e a irrelevância: nem tão desperezível nem super necessária, mas parte de um todo que existe e fim. Com toda a crendice que me é peculiar, confesso, fazer estas movimentações tem demandado energias que são recrutadas em outras esferas, como a profissional, por exemplo. Lidar com a ansiedade em meio a um turbilhão contextual - econômico, social, político - nadando contra a maré da violência externa para promover paz interna, ufa, tem cansado. 

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Geisy Arruda e o feminismo nosso de cada dia, por Matê da Luz

Eu tenho uma filha mulher e, bastante por conta deste fato, minha atenção em relação à necessidade de políticas extremamente mais feministas vem sendo acelerada de forma exorbitante. Superlativa como a frase aconteceu. 

Pode ser que alguns de vocês questionem: "mas você é mulher, não sentiu esta necessidade antes?". A quem responderei, temendo parecer alienada: "não". Provavelmente porque o machismo é tão inerente à nossa cultura que, desculpe o auê, ser tratada com menor valia me parecia normativo. Hoje, auto-análises mil, percebo que muitos foram os momentos onde a ignorância sobre o meu real valor - lembrando: nem tão alto que me dá o direito de qualquer coisa nem tão baixo que me torna irrelevante - fez com que eu engolisse sapos que se transformaram em enormes dores da alma, dessas que a gente tem que fazer muita terapia pra cuidar. E, então, desde que sou mãe dessa moça, os cuidados me começaram a ser válidos. Encontro que palavras não explicam, a maternidade, uma das expressões mais peculiares às mulheres (pelo simples fato de ser de verdade reservado às mulheres - homens são pais e ponto final), salvou o feminino que em mim habita. 

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Meu pai Oxalá é o rei, venha me valer, por Matê da Luz

Meu pai Oxalá é o rei, venha me valer

por Matê da Luz

Começa Agosto - o mês do desgosto para tantos, tempo de expurgar para então curar, para outros. Eu, se você acompanha as postagens por aqui, sabe que me enquadro no segundo time. Desgosto, à propósito, não tem mais espaço no meu coraçãozinho. 

Pesquisando aqui (usei até a Barsa, antiquíssima mas que enfeita as prateleiras aqui em casa!) pra entender de onde vem esta má fama que acompanha Agosto.

De acontecimentos históricos infelizes às crendices católicas que dão conta que, durante o mês de Agosto, em determinada época, uma horripilante criatura pairava sobre os céus cuspindo fogo e dizimando populações; em outros tempos, o mês é associado ao martírio de São Bartolomeu, cuja morte foi terrível; e, ainda, segundo a Bíblia, é nesta época do ano que acontece a abertura do inferno por Pedro.  Leia mais »

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A Flip e a manchete da Folha online, por Matê da Luz

A Flip e a manchete da Folha online

por Matê da Luz

Uma chamada de pauta deu o que falar nas redes sociais: a Folha Online anuncia "Eleitos musos da Flip, Lázaro, Luaty e Gontijo revelam segredos de beleza". Pronto, causou. 

Algumas pessoas postaram sem abrir a matéria, lançando críticas desbocadas sobre a relevância deste tipo de conteúdo. Outras, que podem ou não ter clicado no link, anunciavam em tom de comemoração que finalmente os homens estavam sentindo na pele o que as mulheres sentem há tanto tempo, essa coisa de ser colocado num espaço que entende o físico como mais relevante que o intelectual, especialmente num encontro literário que, até onde eu saiba, continua sendo o propósito da Flip. 

Curiosa que sou, abri a matéria. 

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Avoa - um pouco de poesia pra enfrentar a adversidade, por Matê da Luz

Avoa - um pouco de poesia pra enfrentar a adversidade

por Matê da Luz

o aviso no pé do peito

é alento, é atento: sai

porque (se) ainda não é a alma
a calma, a brisa,
a brasa
anunciada e já tão pedida
a ponta e o corpo firmes
maleável tempo de pensamento meu

sai

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Encantada pelo maracatu, assim ando eu, por Matê da Luz

Encantada pelo maracatu, assim ando eu

por Matê da Luz

A primeira vez que ouvi a palavra maracatu foi lá nos tempos da Nação Zumbi, em tempos tão distantes que não sei precisar. Entra ano, sai ano, em Setembro de 2016 tive um novo contato – desta vez não só com a palavra, mas com um grupo e, mais especificamente, com um dos integrantes do grupo.

Importante dizer que Setembro de 2016 foi um dos meses mais importantes da minha vida toda, sem exagero algum, e a parte mais mágica disso tudo é que eu já tinha consciência disso vivendo aqueles momentos. Era meu primeiro contato comigo mesma no pós-depressão e, apesar da ânsia em viver intensamente e de verdade de novo, pra mim, por mim, não havia ansiedade ou medo, tudo simplesmente fluía.

Daí que o contato com esse integrante do grupo de maracatu trouxe pra mais perto os conceitos praticados ali que, basicamente, têm fundamento no candomblé. E, já falei em alguns escritos por aqui, tenho paixão nessas religiosidades que lidam com energia invisível e com a ancestralidade. Pronto, não demorou muito, mesmo que seis meses pareçam muito tempo pra algumas pessoas, e lá estava eu na minha primeira oficina de maracatu. Ministrada pelo Mestre Ruminig, da Nação Porto Rico, e por sua namorada, a Carol, em Ubatuba, a cidade que escolhi pra ser meu lar neste momento, tinha como objetivo apresentar os toques de 2017 e aperfeiçoar os integrantes de um dos grupos aqui da cidade. 

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Segunda-feira, dia de Exu - mas também de Obaluaê e Omulu, por Matê da Luz

Segunda-feira, dia de Exu - mas também de Obaluaê e Omulu

por Matê da Luz

O slowliving o qual me propus ao mudar de cidade – de São Paulo para Ubatuba – tem sido pauta recorrente na vida rotineira. Em conteúdos já compartilhados por aqui, falei do tempo como orixá e do quão relevante é a entrega aos processos naturais, mantendo a atenção e a ligação com aquilo sobre o que não existe controle. Pois bem, eis que a temática desenrolou e, agora, as feridas começam a expurgar as dores, num processo de limpeza que também não tenho como escapar.

Esta mudança, a de cidade, tem enorme relação com minha situação contextual em SP e anda tão intimamente ligada aos processos profundos de uma busca que deseja nada mais nada menos do que a cura. Do ponto de vista geral, o “não ter do que reclamar” segue na contramão do que borbulha internamente e, então, trocar a velocidade insana da cidade grande pelo slow mood de uma cidade litorânea – a maresia impacta, acredite! – floresceu o espaço necessário para olhar e cuidar, com atenção, praquilo que estava cansado de ser engolido durante a rotina. Questões especialmente particulares, daquelas que a gente não sai compartilhando por aí e que sequer a terapia convencional dá conta de analisar, porque simplesmente não se trata de análise: o racional, em alguns casos, necessita de pausa para que os processos emocionais sejam limpos e a paz, enfim, resgatada.

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A maioridade da alma, por Matê da Luz

A maioridade da alma, por Matê da Luz

Tanto acontecimento no mundo e o medo pulsando forte no contexto geral, social, econômico. As inseguranças externas acabam por atropelar o tempo preciso de amadurecer com calma - quem disse que isso de fato acontece? Será que são os memes da vida digital, esses que dão conta de trazer a certeza de que em dez encontros/12 passos a gente chega lá? E se não soubermos onde é lá, como é que faz? Ansiedade é a dificuldade de viver no presente, seja ele bom ou ruim - e disso eu entendo, ah, entendo bem mesmo. 

Daí que ano vai, ano vem e o trabalho pelo amadurecimento do que importa, que há de ser a alma, clama por uma tranquilidade jamais experimentada e então, como se só fosse possível assim, as mudanças começam a brotar. De cidade, de religião, de estado de consciência. De preferências alimentares, de alergias, de alegrias, de saudade, de um tanto de coisa que a vida quase não dá conta. E chega o momento, daí, o momento mais crucial de todos, que é o olhar de frente praquilo que a gente tem mais medo. Olhar, reconhecer, respirar e sentir todas as dores e, com sorte e um pouco de treino, entender que resisitir ao sofrimento é cultivo e que, de verdade, pra soltar é preciso passar por ali. Pego papel e caneta e desenho, escrevo palavras soltas e que me conectam com isso e aquilo e as lágrimas saem pra brincar. Tenho medo, muito medo. Pode ser sina, pode ser trauma, pode ser memória atemporal daquelas que nem o véu de Maya consegue encobrir. É esse medo esquisito que apita "a vida não pode dar certo pra você", essa coisa que me torna paralítica mesmo que todos os indícios físicos e reais dêem conta do contrário. 

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Ê, pombogira, ê pombogira, leva as quizilas dessa casa pro lado de lá... , por Matê da Luz

Ê, pombogira, ê pombogira, leva as quizilas dessa casa pro lado de lá...

por Matê da Luz

Dia desses encontrei um link no Facebook que dava conta de levar pra uma matéria falando sobre as Pombagiras. Antes de mais nada, registro oficialmente e por escrito que prefiro o termo Pombogira, mesmo que ambas as versões estejam corretas: caso é que sempre me vem à cabeça a imagem de uma pombinha rodando e ai, isso é um pouco desesperador. Enfim, preferências pessoais.

Daí que a pauta descrevia as entidades de uma forma tão, mas tão esquisita que não consegui deixar de entrar no famigerado embate nos comentários, esta que é uma atividade sobre a qual mantenho compromisso forte no sentido de manter distância, realizando a manutenção da sanidade mental desta que vos escreve. Acontece que a baboseira era tanta que, nossa, não rolou – sou macumbeira, passei pela umbanda e hoje me desenvolvo no candomblé e, portanto, fico possessa quando percebo a religião sendo difamada especialmente quando a intenção não é essa.

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Golpe atrás de golpe e a esperança só pode ser a última que morre, por Matê da Luz

Golpe atrás de golpe e a esperança só pode ser a última que morre

por Matê da Luz

“É o governo mais imaturo que presenciamos” – assim escreveu um colega em seu mural no Facebook. Não estava analisando detalhadamente os últimos episódios tristes que acometeram nosso País mas, de forma fria e calculista, expondo um ponto individual referente à reforma trabalhista. Tal ponto dá conta de que as gestantes podem trabalhar em ambientes insalubres desde que liberadas por ordem médica.

Tão bizarra a narrativa em si – uma grávida trabalhar em ambiente insalubre – que o amigo em questão aponta a falta de noção, tato e estratégia do atual governo no que diz respeito à comunicação propriamente dita pois, de certa forma, não é exatamente isso o que a lei determina, mesmo que dê margem enorme e assertiva para esta interpretação.

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Desenvolvimento e a semântica das palavras, por Matê da Luz

Desenvolvimento e a semântica das palavras

por Matê da Luz

Semântica é o estudo sincrônico ou diacrônico da significação como parte dos sistemas das línguas naturais. Está intimamente relacionada aos simbolismo que as palavras carregam, quer dizer, ligada com força ao significado que interpretamos profundamente sobre determinada combinação de letras.

Mas acontece que a vida passa e a Lusitana roda e a gente, tão acostumado ao falar-ouvir-absorver, acaba esquecendo deste detalhe tão importante: o impacto deste simbolismo na formação de quem somos e todo o florescer disso, passando inclusive sobre moldes de caráter e estima que, ao meu ver, estão intimamente relacionados.

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Matê da Luz: Mudanças, transformações e laroyê, Exu

Matê da Luz: Mudanças, transformações e laroyê, Exu

Recentemente, como alguns já sabem se acompanham os registros aqui escritos, mudei da umbanda pro candomblé. Também mudei de São Paulo para Ubatuba e, desde então, venho vivenciando experiências de transformação potentes e, é claro, experienciando as enormes diferenças de viver em uma cidade muito, mas muito menor do que a capital.

Uma das coisas que mais me chama atenção nessa troca é a relação que se estabelece entre os indivíduos e, então, a religião acaba aparecendo muito mais como fator diferencial do que nos grandes centros. Por aqui, já sou apontada como “a nova filha de santo do ilê do Pai, aquele do maracatu”, e isso não é necessariamente ruim. Prova disso é que tive que comprar tecido para confeccionar minha saia e candomblé e, então, fui até a lojinha no centro da cidade. O atendimento é feito pelo próprio dono da loja e, então, ao perceber que só seleciono tecidos brancos, ele lança: “ah, você é a nova filha do ilê lá de cima, né? Vai fazer saia de ração também? Aqui, ó, leva este, este e este outro, e como é pro axé, te dou um metro de cada de presente. Se precisar do figurino do grupo de maracatu também, é só falar, encomendo os acabamentos pra você e combinamos um desconto, tá?”.

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A isca do machismo quando a mulher paga menos, por Matê da Luz

A isca do machismo quando a mulher paga menos

por Matê da Luz

Se você tem uma vida social mais ou menos ativa, certamente já esteve presente em casas noturnas ou bares que cobram entrada anunciando valores diferenciados ou gratuidade para mulheres. "Uau, mas até disso vai reclamar? Mulher é chata mesmo!" 

Antes de mais nada, sim, até disso vou reclamar. Depois, vale saber que quem levantou a bola mais recente neste contexto foi um estudante de direito brasiliense menino, o Roberto Casali Junior que, em entrevista à TV, disse: "eles transformam a mulher em um produto e fazem o homem de trouxa, pois é ele quem deve pagar um valor maior. Dessa forma, o estabelecimento ganha mais com isso". De novo: não tem problema algum estabelecimentos comerciais desejarem ganhar mais dinheiro, afinal, este é o intuito de todo e qualquer empresário, ou deveria ser. As questões aqui apresentadas são, basicamente, a que preço (quase que literalmente). 

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Maracatu, pra mim e pra você, por Matê da Luz

Maracatu, pra mim e pra você

por Matê da Luz

O maracatu é uma expressão cultural também chamada de dança folclórica que tem início datado do século XVIII, a partir da miscigenação cultural das culturas portuguesa, indígena e africana. Especialmente e essencialmente, porém, o maracatu é uma expressão de resistência que, por meio do louvor aos reis congos, pontua que os negros também têm sua corte, e ela batuca e mexe com a alma do povo.

Existem dois tipos de maracatu: o de baque virado, que tem como base as nações; e o baque solto, o maracatu rural. As principais diferenças entre estes dois é a origem e o instrumento principal de condução: o baque virado tem origem nas religiões africanas, especialmente o candomblé e seus orixás e encontra nas alfaias a potência de condução, enquanto o baque solto tem sua raízes nas religiões afro-brasileira, com forte presença dos caboclos e pretos-velhos, e tem nos chocalhos (surrão) a pontuação do ritmo frenético de suas melodias. Leia mais »

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O perigo das neo-terapias salvadoras do imediatismo, por Matê da Luz

O perigo das neo-terapias salvadoras do imediatismo

por Matê da Luz

Coach, barras de access, tethahealing, EFT... se você vive neste século muito provavelmente já ouviu falar sobre estas técnicas terapêuticas, as neo-terapias. Talvez eu seja um tanto quanto crítica a estas práticas pelo simples motivo de ser old-school, das antigas mesmo, e acreditar que para alguns processos não existem atalhos e, portanto, a terapia convencional, psicologia, psiquiatria, essa coisa toda que exige anos de estudo e aprofundamento, amparada por órgãos reguladores etc e tal, bem, que estes sejam caminhos mais seguros pra tratar de algo tão fundamental quanto a saúde mental.

Nunca, em tempo algum, houve tanta atenção quanto à temática das doenças psíquicas. Daí, claro, desde que o mundo é mundo, acontece a lei da oferta e procura: quanto mais gente doente, maior o campo das curas ofertadas. Aos meus olhos, é aí que mora o perigo. Afinal de contas, quantos destes neo-terapeutas está devidamente embasado para curar a mente de um indivíduo? Para estar credenciado com aptidão para conduzir a aplicação das barras de access, uma técnica que por meio da pressão de diferentes pontos na cabeça permite  “que comecemos a desfazer todos os pensamentos, ideias, atitudes, decisões e crenças limitadoras que bloqueiam e atrasam a nossa vida.” – uma promessa e tanto, não é mesmo? – por exemplo, uma pessoa passa por um curso de oito horas. Oito horas para estar apto a promover uma mudança enorme e fundamental para a vida de pelo menos 99% da população mundial.

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O mercado de relacionamento com o cliente pra quem é popular, por Matê da Luz

O mercado de relacionamento com o cliente pra quem é popular

por Matê da Luz

Você já tentou cancelar algum produto ultimamente?

O cancelamento de enorme parte dos serviços hoje, em qualquer empresa, não pode ser feito automaticamente. o consumidor é obrigado a falar com os atendentes e, ao que me parece, esta é uma decisão embasada em diversos fatores mas, especialmente, na potencialidade do contato homem-a-homem para 1- entender os motivos que levaram o cliente a desistir do produto; 2- apresentar uma solução viável e satisfatória para o cliente e 3- manter o cliente em sua base de dados.

Antes de mais nada, a demora no atendimento. ao clicar na opção de cancelamento, o cliente é colocado no modo espera com musiquinhas enlouquecedoras, ad eternum. quando um atendente se manifesta, normalmente já começa o diálogo enfadado, nada disposto e, claro, o clima homem-a-homem, que já está contaminado pelo humor da espera eterna, é dos piores. Leia mais »

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