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Blog de Ricardo Cavalcanti-Schiel

Feminismo e paranoia sexual

Por Francisco Bosco, na Revista Cult

Há alguns meses foi publicado nos Estados Unidos um livro tão interessante quanto preocupante: Unwanted advances: sexual paranoia comes to Campus, da professora feminista Laura Kipnis. O livro é uma mistura de ensaio e relato de tribunal; no caso, o tribunal em curso nas universidades americanas, fruto de uma mudança recente numa legislação específica para os campi. Um tribunal que só produz julgamentos de exceção, mantidos na obscuridade porque se revelam insustentáveis sob o escrutínio público. Laura Kipnis compara o que está acontecendo nessas universidades a momentos inglórios da história americana, períodos de delírio coletivo em que perseguições e punições são instauradas por meras delações, os indivíduos perdem direitos fundamentais, as instituições fraquejam e reina uma violência arbitrária e oficialmente sancionada.
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O real significado da ameaça da Coreia do Norte à Ilha de Guam, por Richard Parker

no Politico Magazine, de Arlington, VA

O real significado da ameaça da Coreia do Norte à Ilha de Guam

Por Richard Parker

Tradução de Ricardo Cavalcanti-Schiel

Os trechos entre colchetes são esclarecimentos do tradutor.

Kim Jong-un sabia o que estava dizendo quando ameaçou atacar a Ilha de Guam. Antes que mero blefe na escalada de hostilidades verbais entre Estados Unidos e Coreia do Norte, a declaração agressiva do líder norte-coreano mirava o calcanhar logístico das forças militares norte-americanas no Pacífico, como se dissesse: “nós conhecemos muito bem os seus pontos nevrálgicos, e eles estão ao nosso alcance de tiro”.

Numa tarde úmida de maio na base de Anderson da Força Aérea, na Ilha de Guam, o tráfego aéreo militar parece convergir de todas as partes: [bombardeiros] cinzentos B-52, vindos da Dakota do Norte; KC-130 [Hércules de abastecimento], vindos da Pensilvânia; e C-130 [Hércules de transporte], vindos da Coréia do Sul.

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Curvar-se à prepotência dos senhores é decretar a própria morte. A Coreia do Norte aprendeu essa lição

Sugestão de Ricardo Cavalcanti-Schiel

no blog do Alok

A Coreia do Norte, RPDC, conhece as lições brutais da 'mudança de regime' à EUA e não se desarmará

por Neil Clark

Originalmente no Russia Today, traduzido pelo Coletivo Vila Vudu.

Será que a 3ª Guerra Mundial começará essa semana, por causa das ações belicosas de um presidente fanfarrão com corte de cabelo patético e seu sinistro estado bandido belicista armado com bomba atômica? Ou ainda é possível conter Donald Trump e os EUA?

Claro que na mídia ocidental, sempre a favor do que ordene o Departamento de Estado, é a Coreia do Norte e o governante norte-coreano que aparecem pintados como se fossem os doidos da hora. Mas você não precisa carregar tochas pela rua a favor do governo coreano, nem ser membro de carteirinha da Sociedade dos Adoradores de Kim Jong-un para saber que, dessa vez, o governo da Coreia do Norte está agindo muito racionalmente. Porque a história recente ensina que o melhor meio para conter ataques dos EUA e aliados absolutamente não é desarmar-se, fantasiar-se de John Lennon e pôr-se a fazer declarações sobre o quanto você deseja a paz. Nas circunstâncias presentes, doido é quem não souber que é preciso fazer exatamente o oposto.

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A bravata de Trump com a Venezuela não caiu bem, nem nos EUA nem na América Latina

no Rebelión

A bravata de Trump com a Venezuela não caiu bem, nem nos Estados Unidos nem na América Latina

Por Álvaro Verzi

Tradução de Ricardo Cavalcanti-Schiel

(Os trechos entre colchetes são esclarecimentos do tradutor).

“Temos muitas opções para a Venezuela, incluindo uma possível opção militar, se for necessária”, disse o magnata nova-iorquino aos jornalistas, em seu luxuoso clube de golfe de Bedminister, Nova Jersey, depois de se reunir com seu Secretário de Estado (e alto executivo da transnacional petroleira Exxon Mobil) Rex Tillerson, com a embaixadora dos EUA na ONU, Nikki Haley, e com seu conselheiro de Segurança Nacional, general H. R. McMaster [que agora, tal como o demitido Reince Priebus, que vazava para a imprensa informações contra Trump, é suspeito de ser agente da antiga administração Obama, do Estado Profundo e de George Soros, agindo contra o presidente].

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Por que a estratégia de Kim Jong-un é implacavelmente racional, por Federico Pieraccini

Foto Agência Brasil

Sugestão de Ricardo Cavalcanti-Schiel

no blog Mberublue

Por que a estratégia de Kim Jong-un é implacavelmente racional

Por Federico Pieraccini

Originalmente em Strategic Culture, tradução de Roberto Pires Silveira.

Para observadores dos dois recentes testes de mísseis intercontinentais pela Coreia do Norte, fica a impressão de que Pyongyang deseja aumentar ainda mais as tensões na região. Porém, uma análise mais cuidadosa mostra que a República Popular Democrática da Coreia está dando curso a uma estratégia que pode vir a ter sucesso para evitar uma desastrosa guerra na península.

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Mapa da derrota da direita na Venezuela

Enviado por Ricardo Cavalcanti-Schiel

Por Marco Teruggi, no blog do Alok.

Originalmente em La Tabla.

Tradução do Coletivo Vila Vudu

A essa hora a direita estaria, pelos cálculos dela mesma, numa posição de força totalmente diferente da atual. Ou sentada no Palácio de Miraflores, ou tratando de um governo paralelo combinado com movimentos de massa e ações violentas, inclusive militares. Apostou no tudo ou nada/agora ou nunca, e hoje está enredada numa disputa interna para ver como seguir, tentando para não acabar pior que ao começar a escalada dos 100 dias.

Aconteceu o que tantas vezes acontece à direita: erraram nas análises. Superestimaram a própria força, subestimaram o chavismo, leram de maneira errada o estado de ânimo das massas, calcularam mal as coordenadas do campo de batalha. E nas batalhas as responsabilidades são coletivas, mas diferenciadas: o peso maior cai sobre os generais – como ensina, dentre outros livros, A Estranha Derrota, de Marc Bloch.

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A síndrome da guerra, que tudo cega, por John Pilger

Sugestão de Ricardo Cavalcanti-Schiel

no blog Mberublue

A síndrome da guerra, que tudo cega

por John Pilger

Originalmente no Information Clearing House, tradução de Roberto Pires Silveira.

O comandante do submarino dos EUA diz: "Todos nós vamos morrer um dia, alguns mais cedo e outros mais tarde. O perturbador sempre foi que nunca se está pronto para isso, pois não se sabe quando é que chega o momento. Bem, agora sabemos e não há nada a fazer".

Ele diz que estará morto em setembro. Levará cerca de uma semana para morrer, embora ninguém possa estar muito certo. Os animais viverão mais.

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China já tem a alavanca para derrubar o petro-dólar, por Jim Willie C. B.

China já tem a alavanca para derrubar o petro-dólar

Por Jim Willie C. B.

no Russia Insider

Tradução de Ricardo Cavalcanti-Schiel

(os trechos entre colchetes são elucidações do tradutor)

Quando Pequim começar a comprar o petróleo saudita em yuan todo o equilíbrio geopolítico sofrerá uma maciça perturbação tectônica.

O governo chinês está extremamente agastado com a imposição do uso do dólar americano no pagamento de petróleo bruto no mercado global. Mas agora, as autoridades de Pequim finalmente conquistaram poder de influência para estabelecer um significativo acordo de pagamento de petróleo bruto em renmimbi (ou yuan). As negociações avançam há alguns meses, com escassa cobertura da mídia financeira, inclusive dos meios alternativos. Mas para que aconteça pode já não ser mais que uma questão de tempo, e seus efeitos serão de grande alcance e provavelmente devastadores.

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De como a lógica cultural americana da dominação está indo para o buraco

Enviado por Ricardo Cavalcanti-Schiel

no blog Mberublue

O pensamento linear na política externa dos EUA

por Michael Brenner

Originalmente em Moon of Alabama, tradução do Coletivo Vila Vudu.

Emergências (contingências) são parte da ordem natural da vida. Coisas acontecem sobre as quais não temos controle ― ou as quais não podemos nem, pelo menos, determinar. O inesperado acontece ― e nos pega desprevenidos. É uma das razões pelas quais “The best laid schemes o’ mice an’ men gang aft a-gley” [“Os melhores planos que ratos e homens fazem quase sempre dão em nada” ― verso do poema “Para um rato” (1786), de Robert Burns, que inspirou o título do livro de John Steinbeck, De ratos e homens (1937)]. E se acontece de os seus projetos serem também muito mal feitos, então o problema é ainda maior. Se você se instala em castelos no ar, os riscos e custos também aumentam. Isso, precisamente é o que está acontecendo na política exterior dos EUA para o Oriente Médio.

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O fim da supremacia militar mundial dos EUA

Sugestão de Ricardo Cavalcanti-Schiel

The Saker: Para EUA, fim das "guerras a preço de ocasião"

Do blog do Alok, originalmente em The Unz Review.

Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu.

Com o golpe dos neoconservadores contra Trump agora já completado (pelo menos no objetivo principal, i.e., com Trump já neutralizado, o objetivo subsidiário, i.e., tirar o presidente da presidência, pode ser adiado para algum momento, não se sabe quando, no futuro), o mundo tem de lidar, mais uma vez, com situação muito perigosa: o Império Anglo-sionista está em rápida decadência, mas os neoconservadores voltaram ao poder. E farão de tudo, qualquer coisa que esteja ao alcance deles, para deter e reverter aquela decadência.

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Assassinos da SS com doutorado

Sugestão de Ricardo Cavalcanti-Schiel

O trabalho de Christian Ingrao é um bom ponto de partida para questionar o mito iluminista de que educação e informação produzem "esclarecimento" (Aufklärung) e que isso responderia naturalmente a valores "humanistas". Independentemente do grau de instrução, as pessoas agem porque abraçam causas e valores. É através das lógicas simbólicas da cultura -- ou lógicas discursivas -- que se podem encontram as razões para as escolhas políticas -- quaisquer que sejam -- e não em alguma pretensa racionalidade universal.

do El País

Assassinos da SS com doutorado

Em estudo monumental, historiador francês Christian Ingrao ressalta o papel decisivo dos intelectuais na elite da Ordem Negra de Himmler

por Jacinto Antón

A imagem que se tem popularmente de um oficial da SS é a de um indivíduo cruel, chegando ao sadismo, corrupto, cínico, arrogante, oportunista e não muito culto. Alguém que inspira (além de medo) uma repugnância instantânea e uma tranquilizadora sensação de que é uma criatura muito diferente, um verdadeiro monstro. O historiador francês especializado em nazismo Christian Ingrao (Clermont-Ferrand, 1970) oferece-nos um perfil muito diverso, e inquietante. A ponto de identificar uma alta porcentagem dos comandantes da SS e de seu serviço de segurança, o temido SD, como verdadeiros “intelectuais comprometidos”.

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Mudanças geopolíticas e a memória da guerra em torno da Coreia


Comandante da Frota Americana do Pacífico, Almirante Scott Swift, a bordo do USS Ronald Reagan em Brisbane, Austrália, 25 de julho de 2017 - Foto: Reuters

Enviado por Ricardo Cavalcanti-Schiel

Por Pepe Escobar

Na dúvida, bombardeie a China

Do blog do Alok

*Publicado originalmente em inglês no Asia Times, traduzido pelo Coletivo Vila Vudu

(Sobre os termos gerais do contexto geopolítico, ver: "Nova guerra fria: faz sentido?")

O colapso atual do mundo unipolar, com a emergência inexorável de quadro multipolar, está deixando correr solta uma subtrama aterradora – a normalização da ideia de guerra nuclear. A prova mais recente disso apareceu sob a forma de um almirante dos EUA que diz a quem queira ouvi-lo que está pronto a obedecer ordens do presidente Trump de disparar um míssil nuclear contra a China.

Esqueçam o fato de que guerra nuclear no século 21 que envolva as grandes potências será A Última Guerra. Nosso almirante, almirantemente chamado Swift ["rápido", "veloz"], só está preocupado com minúcias democráticas tipo "todos os membros das forças armadas dos EUA fizeram um juramento de defender a Constituição dos EUA contra todos os inimigos estrangeiros e domésticos e obedecer aos oficiais superiores e ao presidente dos EUA como comandante-em-chefe e chefe de todos nós".

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O território perdido dos EUA no Oriente Médio, por M. K. Bhadrakumar

Foto CNN

Sugestão de Ricardo Cavalcanti-Schiel

O território perdido dos EUA no Oriente Médio

por M. K. Bhadrakumar

no blog Mberublue, tradução do Coletivo Vila Vudu. Originalmente no Indian Punchline (blog do autor)

O futuro pós-ISIS do Iraque e da Síria tem sido tópico de discussão calorosa nos think-tanks norte-americanos, sob o pressuposto de que os EUA estariam montando um retorno militar ao Iraque e já bem adiantados no processo de estabelecer presença de longo prazo na Síria. A verdade é que os ventos políticos já estão soprando na direção oposta. Leia mais »

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E se os bancos tivessem quebrado?: Um panorama britânico, por Craig Murray

no Blog do Alok

E se os bancos tivessem quebrado?: Um panorama britânico

por Craig Murray

tradução do Coletivo Vila Vudu. Originalmente no blog do autor.

Eis uma surpreendente verdade. Os salários médios reais na Grã-Bretanha são hoje 5% inferiores ao que eram há precisamente uma década.



Pagamento semanal total médio: real e nominal, economia total, ajustada, 2015, em % – Janeiro 2005 a abril 2017 (Gabinete de Estatísticas Nacionais da Grã-Bretanha) Leia mais »

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O programa secreto do capitalismo totalitário, por George Monbiot

Sugestão de Ricardo Cavalcanti-Schiel

no Outras Palavras

O programa secreto do capitalismo totalitário

Por George Monbiot

originalmente em The Guardian, de Londres.  Tradução de Antonio Martins.

Como Charles Koch e outros bilionários financiaram, nas sombras, um projeto político que implica devastar o serviço público e o bem comum, para estabelecer a “liberdade total” do 1% mais rico.

É o capítulo que faltava, uma chave para entender a política dos últimos cinquenta anos. Ler o novo livro de Nancy MacLean, Democracy in Chains: the deep history of the radical right’s stealth plan for America [Democracia Aprisionada: a história profunda do plano oculto da direita para a América] é enxergar o que antes permanecia invisível.

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Bilhões de dólares em armas para os jihadistas sírios: quem as forneceu?

Bilhões de dólares em armas para os jihadistas sírios: quem as forneceu?

Por Thierry Meyssan, no Réseau Voltaire.

Tradução de Ricardo Cavalcanti-Schiel

Ao longo de 7 anos, bilhões de dólares em armamento ingressaram ilegalmente na Síria, fato suficiente para desmentir a narrativa pela qual essa guerra seria uma revolução democrática.

Por ocasião da libertação de Alepo e da captura do estado-maior saudita que aí se encontrava, a jornalista búlgara Dilyana Gaytandzhieva constatou a presença de armas do seu país nos recém abandonados depósitos dos jihadistas. Ela anotou cuidadosamente os registros inscritos nas caixas e, de regresso à Bulgária, investigou a forma como essas armas teriam chegado à Síria.

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O capitalismo morrerá de overdose por excesso de sucesso, diz Wolfgang Streeck

Ilustração Outras Palavras

Enviado por Ricardo Cavalcanti-Schiel

do Outras Palavras

Entrevista com Wolfgang Streeck, sociólogo, diretor do Instituto Max-Planck (Alemanha)

Tradução publicada no Outras Palavras. Originalmente publicado no L'Espresso, de Roma.

O diagnóstico de Wolfgang Streeck, diretor do Instituto Max-Planck de Colônia, é implacável: “A crise atual não é um fenômeno acidental, mas o auge de uma longa série de desordens políticas e econômicas que indicam a dissolução daquela formação social que designamos capitalismo democrático”.

“O capitalismo está morrendo de overdose de si mesmo.” Esta é a tese do sociólogo Wolfgang Streeck, diretor do Instituto Max-Planck de Colônia, um dos centros de pesquisa mais importantes da Europa. Em seu último livro, Como Acabará o Capitalismo? Ensaios sobre um Sistema Fracassado, Streeck conduz um diagnóstico impiedoso sobre a patologia do capitalismo democrático, aquela formação social particular que, no pós-guerra, havia alinhado democracia e capitalismo em torno de um pacto social que lhe conferia legitimidade. Por volta dos anos 1970, com o fim do crescimento econômico, e depois, com o avanço da revolução neoliberal, aquele pacto social começa a acabar. O capital avança, a democracia recua. Ele atropela as limitações políticas e institucionais que haviam contido o “espírito animal” do capitalismo. Que vence — mas vence demais… Hoje, a revolução cumprida, o capitalismo está em ruínas porque teve muito sucesso, diz Wolfgang Streeck. Leia mais »

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Curdos: a nova bucha-de-canhão dos Estados Unidos no Oriente Médio

Foto Diário Liberdade

Sugestão de Ricardo Cavalcanti-Schiel

no Blog do Alok

(traduzido pelo Coletivo Vila Vudu), originalmente em AlraiMediaGroup

Curdos: a nova bucha-de-canhão dos Estados Unidos no Oriente Médio

por Elijah J. M.

O líder do Curdistão Iraquiano, presidente Masoud Barzani, convocou um (segundo) referendum geral sobre a independência dos curdos, com data já marcada para 25 de setembro desse ano. Parece determinado a concretizar o sonho de estabelecer um estado curdo no Oriente Médio.

Esse movimento coincide com o apoio, pelo governo dos EUA, aos curdos sírios nas províncias do norte, em al-Hasaka, Raqqah e Deir al-Zour. O objetivo é constituir outra Federação Curda que siga os passos dos "irmãos" iraquianos – ou até mesmo os preceda. Leia mais »

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A Revolução na Finlândia, por Eric Blanc

Enviado por Ricardo Cavalcanti-Schiel

no Esquerda.net, de Lisboa. Originalmente na revista Jacobin

A Revolução na Finlândia

A esquecida Revolução Finlandesa talvez tenha mais lições para nós hoje do que os acontecimentos de 1917 na Rússia

por Eric Blanc

No último século, histórias sobre a revolução de 1917 geralmente focaram-se em Petrogrado e nos socialistas russos. Mas o Império Russo era predominantemente composto por não-russos – e os levantes na periferia imperial eram, frequentemente, tão explosivos quanto os do centro.

A queda do czarismo em fevereiro de 1917 desencadeou uma onda revolucionária que imediatamente engoliu toda a Rússia. A Revolução Finlandesa, que um estudioso definiu como “a mais nítida guerra de classes na Europa do século XX”, talvez tenha sido a mais excepcional dessas insurgências. Leia mais »

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Uma síntese do aecismo

por Conceição Leme, no Viomundo

Rogério Correia, que há 13 anos investiga a turma de Aécio Neves: todos sabiam das denúncias, mas Aécio foi blindado. Leia mais »

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Nova guerra fria: faz sentido?, por Ricardo Cavalcanti-Schiel

Nova guerra fria: faz sentido?

por Ricardo Cavalcanti-Schiel

Comentário ao post "A miopia da 'nova guerra fria' sob a perspectiva anti-Rússia e anti-bolivariana"

Nem tanto ao mar, nem tanto à terra: a ideia de nova guerra fria faz sentido a meias, como síntese discursiva com certo apelo retórico.

Da mesma maneira como a primeira guerra fria não era a confrontação diplomática, propagandística, de inteligência e de armamentismo entre o "mundo livre" e o "mundo novo" da utopia socialista, mas sim a confrontação entre dois blocos de poder geopolítico, também a nova guerra fria insinua-se como a mesma coisa, sem ser o que declara: a "(pseudo-)democracia americana de livre-comércio" contra "o ingerencismo autoritário sino-russo".

Quem cair na leitura estreitamente ideológica (mesmo que seja só para qualificar um dos lados e manter silêncio sobre o outro) estará caindo numa esparrela.

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Inglaterra: o vendaval Jeremy Corbyn, por Antonio Martins

Sugestão de Ricardo Cavalcanti-Schiel

do Outras Palavras

Inglaterra: o vendaval Jeremy Corbyn

por Antonio Martins

Últimas pesquisas revelam: líder trabalhista, claramente identificado com esquerda e nova cultura política, está a um passo de vencer eleições. Repercussão internacional seria imensa

Uma sondagem eleitoral divulgada esta manhã (6/6), em Londres, voltou a sobressaltar os conservadores – e a mostrar que continua aberta, em meio à crise global, a porta para uma alternativa de esquerda renovada. O Partido Trabalhista ampliou seu avanço notável, e está agora apenas 1,1 ponto percentual atrás dos Conservadores, na disputa das eleições parlamentares marcadas para esta quinta (8/6). O movimento é surpreendente por três motivos. Uma vitória trabalhista era considerada sonho lunático há apenas seis semanas, quando a primeira-ministra Theresa May convocou o pleito antecipado. A campanha trabalhista, liderada por Jeremy Corbyn, propõe uma reviravolta completa nas políticas de “austeridade” praticadas na Europa e em quase todo o Ocidente. Além disso, inclui um forte aspecto de nova cultura política: é fruto de uma rebelião das bases trabalhistas contra a política de conciliação e de alinhamento com os EUA, adotada pelo partido há pelo menos quatro décadas.

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O pragmatismo de curto fôlego de uma certa esquerda, por Ricardo Cavalcanti-Schiel

Foto: Agência PT

Por Ricardo Cavalcanti-Schiel

(comentário ao post “Podemos fazer mais?”, de Ion de Andrade)

A análise que Ion de Andrade oferece – ao debate que aqui se vem travando sobre as "possibilidades" de uma esquerda petista – se concentra quase exclusivamente na dimensão institucional da política, ou seja na dimensão de governo, supondo como pacífica a tese de que Lula será eleito como próximo Presidente da República.

Creio que isso produz um duplo efeito perverso sobre o sentido da análise. Primeiro, que a torna meramente instrumental(izada) quanto à percepção do que seja o campo da política, sobretudo no que respeita às construções simbólicas nesse campo (algo sobre o quê os antropólogos teríamos algo a dizer, mas que os cientistas políticos em geral não têm). Segundo, que a hipótese Lula é apenas uma hipótese e que, ao absolutizá-la como alguns pretendem (talvez para lhe outorgar o efeito performativo de verdade), não se faz mais que continuar míope dentro do campo mesmo da institucionalidade política.

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A nova aliança do empresariado com o Judiciário

Foto - CartaCapital

Enviado por Ricardo Cavalcanti-Schiel

Entrevista com o cientista político Vitor Marchetti, professor da Universidade Federal do ABC (UFABC), na Carta Capital.

na CartaCapital

"Aliança das empresas com o poder político foi incapaz de estancar sangria"

por Débora Melo

Diante da incapacidade de Michel Temer e seu grupo político de “estancar a sangria” provocada pela Operação Lava Jato, o setor produtivo brasileiro decidiu romper sua aliança com a classe política. Esta é a análise que faz o cientista político Vitor Marchetti, professor da Universidade Federal do ABC (UFABC), sobre o vazamento da delação de Joesley Batista, um dos donos da JBS.

Temer foi gravado dando aval a Batista para a compra do silêncio do deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). A gravação foi feita em ação conjunta da Polícia Federal com a Procuradoria-Geral da República. Para Marchetti, o que está em curso pode ser um novo pacto, desta vez entre os agentes econômicos e o Judiciário.

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Bancos devoram metade da renda de quase 30% da população mais pobre

Sugestão de Ricardo Cavalcanti-Schiel

da Agência Brasil

Quase 30% da população mais pobre comprometem metade da renda com empréstimos

por Bruno Bocchini

Estudo da Serasa Experian mostra que 27% da população de baixa renda, com ganhos de até R$ 2 mil, tem mais de 50% de seus rendimentos comprometidos com produtos financeiros, como cartão de crédito, empréstimo consignado, empréstimo pessoal, financiamento de automóvel, financiamento imobiliário e cheque especial.

Entre os brasileiros de alta renda, que recebem acima de R$ 10 mil, o percentual é de 13%.

Os dados foram divulgadosno dia 9 de maio, no Recover Money 2017, evento que reúne, na capital paulista, economistas, especialistas, empresas do segmento financeiro e fornecedoras de serviços de recuperação. Os números levam em conta cerca de cinco milhões de consumidores que aderiram ao cadastro positivo da Serasa Experian.

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Foi a Dilma, estúpido!, por Ricardo Cavalcanti-Schiel

Foi a Dilma, estúpido!

por Ricardo Cavalcanti-Schiel

O choque neoliberal causou a maior crise da história

Pelo Centro de Estudos de Conjuntura e Política Econômica da Unicamp (Cecon), na Carta Capital

O Centro de Estudos de Conjuntura e Política Econômica da Unicamp (Cecon) inicia neste mês de maio a publicação de uma série de notas de conjuntura. A primeira, “Choque recessivo e a maior crise da história: A economia brasileira em marcha ré” , de autoria de Pedro Rossi e Guilherme Mello, discute as causas da atual crise econômica brasileira e apresenta um diagnóstico segundo o qual o choque recessivo de 2015 foi o seu principal fator explicativo.

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Governos progressistas da América do Sul evitaram mudanças estruturais, diz Fabio Luis Barbosa

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Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

Enviado por Ricardo Cavalcanti-Schiel

Entrevista com Fabio Luís Barbosa dos Santos, no Correio da Cidadania

Incapazes de responder à crise estrutural do capitalismo global, que já alcança uma década, os governos de esquerda da América Latina vão beijando a lona ou vendo o ressurgimento de alternativas radicalmente antissociais, sem formular respostas à altura. Para analisar o desencanto, entrevistamos Fabio Luís Barbosa dos Santos, que acaba de lançar o livro "Além do PT . A crise da esquerda brasileira em perspectiva latino-americana", que se presta a analisar as razões do fim do ciclo.

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Marcha pela Ciência: um gesto contra ofensiva irracionalista, por Roberto Leher

Enviado por Ricardo Cavalcanti-Schiel


Foto: Diogo Vasconcellos - CoordCOM/UFRJ

Manifesto do Reitor da UFRJ sobre a Marcha pela Ciência

Por Roberto Leher
Reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ

Do portal da UFRJ


O Brasil caminha na contramão do que seria a melhor estratégia para enfrentar uma crise econômica: investir em conhecimento científico, pesquisa e inovação. Não nos faltam exemplos de povos que também passaram por momentos dramáticos nesse sentido, mas que apostaram no fortalecimento das universidades, dos institutos públicos de pesquisa e do aparato de Ciência e Tecnologia, por meio dos blocos de poder que se reconfiguravam no calor das lutas sociais.

Foi assim no contexto da Revolução Francesa, em que as grandes Écoles e universidades foram apoiadas vigorosamente; na criação da Universidade de Berlim, que se deu em um contexto de severa crise e de guerra; e na crise de 1929, em que a universidade estadunidense foi ampliada progressivamente e a pesquisa foi fortalecida com forte apoio estatal. Países como a China respondem à crise econômica mundial com mais investimentos em ciência.

O dramático quadro da economia no Brasil ganhou novos contornos com o agravamento da crise política. Como corolário, é tomado ainda por uma tectônica crise de legitimidade do Executivo, da grande maioria do Legislativo, de setores do Judiciário e de vastos segmentos da grande imprensa.

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O atestado de um suicídio político, por Ricardo Cavalcanti-Schiel

por Ricardo Cavalcanti-Schiel

Publicado no Periódico Diagonal, de Madrid

Tradução para o português do autor

Projetos políticos não são aquilo que se põe no papel. Não são os programas que se apresentam nas eleições. Projetos políticos são antevisões de sociedade, ou seja, de maneiras de regulação da vida comum. Eles vão sendo buscados, construídos, polidos, insinuados antes ou até além do que se explicita. Às vezes é preciso até decifrá-los. Às vezes, acabam não sendo encontrados, porque, de tão erráticos, acabam se perdendo: enunciam uma coisa e na prática produzem o contrário.

Esse é o momento em que um projeto político ―se antes existia― perde seu combustível, perde o ar que o mantém vivo: o momento em que já não tem mais legitimidade. Muitas vezes persiste como um zumbi, porque sua legitimidade lhe é emprestada por aquilo que o nega; respira o ar de outro e já não vive mais por razões próprias; se converteu em sua negação. E se torna um zumbi antes de mais nada porque não se dá conta de nada disso. Não se trata aqui de reivindicar algum tipo de fundamentalismo (e a consequente negação das mudanças conjunturais), como um certo “esquerdismo”, essa “doença infantil”. Antes de mais nada, trata-se aqui de reivindicar a capacidade de se dar conta.

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Polícia transforma pré-carnaval de Campinas em caos

Por Ricardo Cavalcanti-Schiel

Tomo a liberdade de escrever em primeira pessoa, algo que não faço nem nos meus relatos etnográficos, onde esse tipo de registro tem um considerável significado metodológico.

Eu havia acabado de postar uma matéria aqui no meu espaço de blog, hoje, sábado, 30 de janeiro de 2016, e, vislumbrando pela janela do meu apartamento a movimentação das pessoas na rua, senti-me aguçado pela curiosidade de ver in loco o acontecimento social do dia em Campinas.

Apenas ver, dedicar-me a um breve flaneurismo etnográfico, como curioso observador que sou das paisagens humanas. Tratava-se de um evento pré-carnavalesco que, ao que parece, reuniria blocos e foliões precoces em torno do Centro de Convivência Cultural (CCC), uma praça localizada a apenas três quarteirões de onde moro.

Meu relato sobre o evento em si é deliberadamente impreciso, porque tudo o que pude saber a respeito dele foi o que vi, antes dele acontecer, por volta das duas da tarde, quando fui até o supermercado que fica junto ao CCC, e observei uma infra-estrutura de toldos e espaços seccionados notavelmente produzida, como eu nunca havia visto antes naquele local. Ao redor dela e ao longo de alguns quarteirões do entorno já se agrupavam os tais foliões precoces, com camisetas de blocos, além de vendedores de bebida e uma espécie de arremedo de praça de alimentação espalhada, com pontos no estilo food-truck. Pensei comigo: carnaval de campineiro parece que tem um quê de shopping-center.

De fato, essa região está longe de ser considerada “popular”. Trata-se de um bairro que qualquer observador taxaria de “classe média alta”. E não apenas isso. Início do circuito dos bares, restaurantes e casas noturnas pelos quais ainda se entra pela calçada da rua, essa região específica mereceria em algum outro lugar mais espirituoso que Campinas o epíteto de “baixo Cambuí”.

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