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Análise

Para Marcos Nobre, PMDB só virou governo devido à Lava Jato

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Foto: Beto Barata/PR

Da Agência Pública

 
por Thiago Domenici
 
Para o filósofo, o PMDB não tem capacidade nem intenção de governar – seu objetivo é oferecer estabilidade para o governo em troca de poder; Dilma teria caído por não garantir nem recursos nem proteção judicial aos políticos do partido

Nesta entrevista à Pública, o filósofo da Unicamp e pesquisador do Cebrap Marcos Nobre, autor do conceito de “peemedebismo” – que, para além do PMDB, explicaria o jeito de funcionar dos partidos que se ligam ao governo conferindo estabilidade em troca de poder –, afirma que o partido do presidente Michel Temer não tem capacidade para coordenar governos. “Ele tem capacidade para ser o líder do cartel de venda de apoio parlamentar. Então, por que diabos o PMDB virou governo se, obviamente, só tem consequências ruins para ele? Por causa da Lava Jato.”

Para Nobre, a operação é o fator que fez o sistema político perder o controle da política. “A Lava Jato, toda vez que a mesa se coloca sobre quatro pés, chuta um. É uma característica da operação desestabilizar permanentemente o sistema político. Para quê? Para ela poder continuar”, afirma. “Se a minha lógica estiver certa sobre a Lava Jato, no momento em que Maia virar presidente, vem o pedido para ele se tornar réu. O que não resolve o problema do ponto de vista do sistema político, que é o que importa”, avalia.

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A deselegância misógina de Carmen Lúcia, por Nathalí Macedo

Foto: Agência Brasil

Por Nathalí Macedo
 
No DCM
 
A presidenta do STF Cármen Lúcia, fazendo questão de provar, mais uma vez, que gênero nem sempre tem a ver com representatividade, fez recentemente uma comparação, digamos, inapropriada para uma mulher, sobretudo na sua posição.
 
Disse, em relação à suposta revolta popular contra o judiciário brasileiro, que está “igual a mulher que apanha”.
 
“Quando a pessoa pega o chicote pra bater no cachorro, ela sai correndo” , falou, arriscando uma piada infeliz ao se referir ao que talvez chame de eminente surra do povo brasileiro no Poder Judiciário.
 
Gato escaldado tem medo de água fria.
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Por que Lula lidera? É a pobreza, estúpido!, por Helena Chagas

Foto: Ricardo Stuckert

Por Helena Chagas

Em Os Divergentes

Alguns podem não entender ainda, mas estão a cada dia mais claras as razões pelas quais o ex-presidente Lula, mesmo sob o bombardeio da Lava Jato, e às vésperas de ser condenado, continua à frente nas pesquisas presidenciais de 2018. É a pobreza, estúpido! A manchete do jornal O Globo deste domingo é simbolo da enxurrada de dados negativos que comprovam o enorme retrocesso social dos últimos tempos: crise pode levar Brasil de volta ao mapa da fome, uma estatística da ONU, da qual havia saído há três anos.
 
Os personagens dessas estatísticas, na maioria parte do contingente de 14 milhões de desempregados, provavelmente não estão preocupados em verificar se a crise a qual se refere o jornal tem o nome Michel Temer ou Dilma Rousseff. Poderá mesmo vir a se chamar Rodrigo Maia.
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Maia conta com tropa que liderou o golpe para afastar Temer

Foto: Agência Brasil

Jornal GGN - Bernardo Mello Franco publicou em sua coluna na Folha, neste domingo (9), que o presidente da Câmara Rodrigo Maia tem apoio do chamado G-8, um grupo de deputados que liderou o golpe em Dilma Rousseff nos bastidores e que pode ajudar a conseguir os mais de 340 votos necessários ao afastamento de Michel Temer.

Na visão de Mello, Maia terá de jogar mais duro para ser o Temer de Temer. As garras já foram colocadas para fora após notícias de encontro com políticos e nomes do mercado, além de uma manifestação na rede que soou como sua própria "Ponte Para o Futuro".

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Dinheiro "recuperado" na Lava Jato é uma faceta da destruição de empresas

Foto: Reuters

 

Sugerido por Webstern Franklin

Por Mauro Santayanna

No Brasil 247

O sr. Deltan Dalagnoll e certas emissoras de televisão continuam afirmando, nos ataques ao suposto "retrocesso" no contexto da Operação Lava Jato, com a redistribuição administrativa do pessoal da Polícia Federal envolvido com essa operação, que ela teria recuperado 1 bilhão de reais apenas nos ultimos 10 dias, em flagrante tentativa de confundir a população.

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Dieese: não há o que comemorar quando a deflação vem da depressão

Da Subseção do Dieese na CUT

Na Rede Brasil Atual

A relativização, por alguns “jornalistas econômicos” e “analistas de mercado”, sobre o resultado do IPCA de junho de 2017 ter registrado deflação (variação negativa dos preços) de 0,23%, a primeira desde junho de 2006, é uma tentativa de camuflar a profunda crise que o país atravessa: é uma amostra clara e robusta de como a economia brasileira está imersa num lodo no fundo do poço sem qualquer perspectiva de saída no curto prazo. Não há nada para se comemorar quando o resultado de baixa da inflação é resultado de uma forte depressão.

Ao contrário de vários outros países, o Brasil trabalha no regime de metas de inflação a partir do “índice cheio” do IPCA, ou seja, considera a variação completa do índice, que inclui tanto preços administrados (gasolina, energia elétrica, água), como os sazonais (alimentos, passagens aéreas e despesas com educação) ou ainda os vinculados ao “mercado livre” e concorrenciais (cabeleireiro, serviços em geral) e de produtos.

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O mercado abandonou Temer, por Elio Gaspari

Foto: Agência Brasil
 
 
Jornal GGN - Em artigo na Folha, Elio Gaspari diz que a elite brasileira que forma o chamado "mercado" deveria fazer "política na vitrine" e tentar emplacar um candidato a presidente em 2018. Em vez disso, aponta Gaspari, deu o golpe em Dilma Rousseff e, agora, sonha em fazer o mesmo com Temer. Com exceção dos grupos que defenderam Marina Silva e Aécio Neves em 2014, cujas pretensões estão claras desde a última disputa, diz.
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O conveniente vazamento do vídeo de Geddel

 
Jornal GGN - Foi apenas para expôr Geddel Vieira Lima à humilhação ou o vazamento do vídeo da audiência de custódia teve outro propósito?
 
Preso por obstrução de Justiça, Geddel chorou diante de um juiz da Lava Jato tão logo percebeu que pode ter tomado um xeque-mate.
 
Participam da audiência, na quinta (6), o magistrado Vallisney Oliveira de Souza, a defesa de Geddel e representante do Ministério Público Federal. No mesmo dia, o vídeo foi vazado à imprensa. 
 
O destaque, em muitos portais, foi o choro de Geddel quando Vallisney indeferiu o pedido da defesa para que ele fosse transferido para a prisão domiciliar, com tornozeleira, entrega de passaporte e qualquer outra medida que fosse necessária.
 
Mas o vídeo contém outra informação importante para a Lava Jato.

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O silêncio revelador do governo sobre cobrar imposto de quem pode pagar mais, por Nelson Barbosa

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Foto: Beto Barata/PR
 
Jornal GGN - Em coluna publicada na Folha de S. Paulo nesta sexta (7), Nelson Barbosa, ex-ministro da Fazenda e do Planejamento no governo Dilma, analisa os dados da desigualdade de renda no país. Em 2015, os 10% mais ricos da população concentraram 47,4% do total da renda pessoal, de acordo com dados da Receita Federal. 
 
Barbosa defende que, diante da grande desigualdade do país, é necessário aumentar a progressividade dos impostos diretos, o que poderia ajudar no reequilíbrio fiscal e no estímulo à retomada do crescimento econômico.
 
Um tributação de 2% sobre fontes de renda como lucros e dividendos poderia gerar um ganho de arrecadação de R$ 11,4 bilhões, de acordo com os dados de 2015. Entretanto, o ex-ministro ressalta que a equipe econômica de Michel Temer silencia sobre o assunto, o que mostra a quem ela representa.
 
“Ao focar somente a despesa, o governo abandonou a alternativa de melhorar suas contas cobrando imposto de quem pode e deve pagar mais”, afirma.

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Está pintando um acerto para Maia ser Presidente, por Kennedy Alencar

Foto: Agência Brasil

Jornal GGN - Uma movimentação em Brasília pode acabar na derrota de Michel Temer no plenário da Câmara e na alçada de Rodrigo Maia à presidência da República. A articulação foi impulsionada pela declaração do presidente do PSDB, Tasso Jereissati, defendendo Maia no Planalto para minimizar a crise instaurada pela delação da JBS e dar ao governo condições de concluir a aprovação das reformas impopulares, antes da eleição de 2018.

Para que o plano dê certo, é preciso angariar contra Temer 2/3 dos votos da Câmara. Com isso, o Supremo Tribunal Federal ganha autorização para decidir se vai processar o peemedebista por corrupção passiva. Temer, então, seria afastado por até 6 meses. Na visão de Kennedy Alencar, mesmo que o STF se esforce para decidir o destino dele em menos tempo, a Procuradoria Geral da República ainda poderá sacar mais denúncias e aumentar a crise.

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O enigma em torno de Zveiter, por Marcelo Auler

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Foto: Wilson Dias/EBC

Do blog de Marcelo Auler

O enigma em torno de Zveiter

por Marcelo Auler

Ao anunciarem o nome do deputado Sérgio Zveiter (PMDB-RJ) como relator do pedido de autorização à Câmara para que o Supremo Tribunal Federal (STF) analise e decida sobre o pedido de Ação Penal contra o presidente Michel Temer (PMDB), os principais jornais correram a publicar que ele promete isenção na função e, como advogado, analisar o caso juridicamente.

Trata-se, de um lado, do chamado “óbvio”, de outro, uma possível confusão no trabalho do parlamentar, dentro da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados.

O fato de terem feito a pergunta sobre sua possível isenção, por si só demonstra desconfiança. Já se buscava uma negativa. Ou alguém é capaz de imaginar que seria possível ele admitir-se submisso a algum outro interesse,  escuso ou não?

Quanto ao conhecimento jurídico, em nada muda a questão uma vez que, na verdade, como manda a Constituição, quem deverá fazer esta análise é o próprio Supremo, ao qual cabe acolher ou não o pedido de processo penal contra o presidente. A análise jurídica na Câmara é a mínima possível, o que se evidencia até pelo fato de não existir exigência de um relator com bacharelado em Direito. E, pelo que circulou na imprensa, ele já admitiu que tanto a acusação do Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, como a defesa de Michel Temer, feita pelo advogado Claudio Mariz, estão “tecnicamente muito bem colocadas”. Resta, portanto, a análise política da questão em uma Casa Política, que deve priorizar uma decisão nesse sentido.

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O Brasil na encruzilhada: a denúncia na CCJ e o compadrio oligárquico do Jaburu, por Bruno Lima Rocha

O Brasil na encruzilhada: a denúncia na CCJ e o compadrio oligárquico do Jaburu

por Bruno Lima Rocha

Como afirmei na última análise de conjuntura, a velocidade dos fatos e o ritmo de relaxamento de prisões e encarceramento de operadores na atual fase da Lava Jato não nos permitem uma avaliação de maior fôlego.  No primeiro texto após a denúncia feita pelo procurador geral Rodrigo Janot tendo ao presidente Michel Temer como alvo eu comentei o absurdo das reclamações atuais contra o poder discricionário da Força Tarefa. Sempre critiquei tal poder e digo que observo o emprego de Lawfare – em escala internacional – tendo o país (o Estado brasileiro) como alvo. Hoje, abunda um festival de hipocrisia institucional.  Quem aplaudia condena e quem condenou se cala. Neste breve texto, observamos outro dilema: a denúncia da PGR esbarrando no compadrio com base na canela do Executivo, residindo no Jaburu.

Compadrio, conveniências e fisiologismo na forma da lei

Na terça dia 4 de julho, o presidente Michel Temer recebeu 22 parlamentares no Palácio do Planalto; dentre estes, são dezesseis deputados federais, sendo que seis são membros da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Nesta importante comissão da câmara baixa da república será analisada a denúncia do procurador geral da República Rodrigo Janot, no exercício do cargo até 17 de setembro. Os prazos correm por todos os lados.

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Imagens

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Porque a prisão de Geddel apavora o governo Temer, por Bernardo Mello Franco

Foto: Agência Brasil

Jornal GGN - Aliados de Michel Temer podem tentar negar o impacto da prisão de Geddel Vieira Lima sobre a denúncia contra o presidente, que já está na Câmara. Mas a verdade é que Geddel está tão envolvido na delação da JBS quanto Rodrigo Rocha Loures.
 
É por isso que a alegria com a liberdade de Loures durou muito pouco para Temer, diz Bernardo Mello Franco em sua coluna na Folha, nesta terça (4). Conhecido como "pavio curto", Geddel na cadeia é como um jacaré recolhido à jaula, afiando os dentes, apontou Franco.
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Lava Jato impõe capitalismo às empresas, por Caio Farah Rodriguez

 
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Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
 
Jornal GGN - Em artigo publicado no caderno Ilustríssima, da Folha de S. Paulo, o advogado Caio Farah Rodriguez afirma que um dos grandes pontos positivos da Operação Lava Jato são os acordos de leniência, que fazem com que as empresas se tornem “cães de guarda” dos mercados.
 
Rodriguez participou da negociação do acordo da Odebrecht com o Ministério Público Federal, e defende a ideia de que as companhias que colaboraram com a Justiça não vão aceitar ilicitudes de concorrentes, já que são obrigadas a seguir “padrões rigorosos de integridade”. 
 
Para o professor da FGV-Rio, a Lava Jato impõe o capitalismo às empresas ao atacar a aliança estatal-empresarial que acabe formando oligopólios dependentes do Estado. Ele salienta, também, que isso não tem relação com o tamanho do Estado. “As evidências empíricas disponíveis não confirmam, no mundo, correlação positiva entre tamanho do Estado e grau de corrupção”, afirma. 

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Não se engane: é primavera no Brasil!, por Francisco Carlos Teixeira

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Foto: Lilian Wagdy/Wikimedia Commons

NÃO SE ENGANE:  é Primavera no Brasil!

por Francisco Carlos Teixeira da Silva

Muitos brasileiros tinham esperança, ou ao menos expectativas, na atuação da Justiça. Mesmo sabendo que os tribunais brasileiros são lentos, formais e que se expressam num leguleio que poucos entendem – mesmo assim! – esses brasileiros tinham esperanças. Não podíamos crer, materializar, o dito antigo de que a Justiça no Brasil é feita – e com dureza! – apenas para ladrão de galinhas. “Para os amigos tudo, para os inimigos a Lei!”.  Nem muito menos podíamos imaginar que seria através de tribunais brasileiros que interesses estrangeiros declarariam guerra ao Brasil.

Uma guerra de novo tipo: uma guerra sem guerra, ou seja, uma guerra que usa meios não bélicos para destruir, solapar, aniquilar a capacidade do adversário. Assim, utilizando-se de modernos meios tecnológicos – mídias digitais, propaganda massiva, formação de quadros de elite em universidades estrangeiras, sistemas de estágios e bolsas de estudos em centros de treinamentos, etc... arma-se uma elite para atuar a serviço, consciente ou inconscientemente, desse poder estrangeiro.

O Brasil não seria o primeiro alvo. Na verdade Ucrânia, Líbia, Egito, Tunísia, Síria, Geórgia e Turquia foram alvos anteriores desse modelo novo de guerra – uma guerra que não precisava recorrer aos custosos meios tradicionais de luta com canhões, bombardeios e destruição de cidades. Podia-se fazer a guerra a bem dizer... sem guerra. Por outros meios. Não era exatamente uma “guerra híbrida” ainda. A guerra híbrida misturaria meios novos e meios tradicionais. Por enquanto, nas chamadas “primaveras”, a guerra seria “sem guerra”.

Para funcionar a “guerra sem guerra”, precisa-se conhecer bem o ponto fraco do inimigo. No caso brasileiro foi fácil: homens do talho de Victor Nunes Leal e Raymundo Faoro já apontavam para a chaga aberta do país – o caráter patrimonial do Estado brasileiro. O patrimonialismo, no perfeito conceito de Max Weber, permitiu que uma elite parasitária colonizasse o Estado e cooptasse tudo e todos que se apresentem como “o novo”, “o transformador”, “o renovador”. Trata-se do velho “transformismo” das elites, e de seu poder de cooptação, tão bem descrito por Jorge Amado em seu personagem “Doutor Mundinho”, de “Gabriela, cravo e canela”.

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