Revista GGN

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Análise

Inflação e os rumos da política econômica

Há hoje uma combinação de política econômica de juros altos e expansão de crédito num ambiente de inflação alta.

O estoque de crédito cresce anualmente a 16,4%, sendo que o saldo dos bancos públicos cresce a 29,3% e dos bancos privados a 5,3%. Por um lado há estímulo da economia pelo lado do crédito, principalmente vindo de bancos públicos, e por outro há aumento da taxa básica de juros (que desde a mínima de 7,25%, subiu 1,25 p.p. para 8,5%) para combater a inflação. Se o ritmo continuar o mesmo, esta política será ineficaz para gerar crescimento econômico, sobretudo devido ao sacrifício dos investimentos já que é preciso subir os juros para controlar a inflação. Índice, aliás, que no mês de julho deu um alívio.

A inflação oficial medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) desacelerou para 0,03% em julho, após registrar 0,26% em junho, segundo divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). É o menor valor desde julho de 2010 quando ficou estável em 0,01%.

A taxa de julho leva a índice acumulado em 12 meses para 6,27%, abaixo do teto da meta do governo (6,50%). Leia mais »

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Lula foi salvo pela mídia digital; por Paulo Nogueira

Nem Getúlio e nem João Goulart tiveram um contraponto ao ataque selvagem da imprensa.

Lula está certo em saudar a internet

Lula está certo em saudar a internet

Lula, com razão, deu ontem graças a Deus pelo aparecimento da internet, “nossa mídia”.

Não que a internet seja dele, ou do PT. Mas o fato de que a mídia digital não é controlada pelos suspeitos de sempre – Marinhos, Frias, Civitas, Mesquitas – é de fato alentador não apenas para Lula mas para a democracia.

No Brasil, os interesses privados da mídia desestabilizaram, ao longo da história, mais de um governo que não fizesse o que o chamado 1% queria que fizesse.

Jango, em 1964, foi derrubado. Antes dele, em 1954, Getúlio foi levado ao suicídio. Leia mais »

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Maria Victoria Benevides - Sistema político: que mudanças queremos?

Maria Victoria Benevides - Sistema político: que mudanças queremos?

Uma reforma política não será a salvação da lavoura, mas tem de partir de alguns pressupostos. Vamos fazer reforma política para quê? Para quem? Essas perguntas valem para todas as reformas, mas muito mais em relação à política porque ela é a mãe de todas as reformas

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Paulo Nogueira Batista Jr., no FMI, crítico e contraditório

Jornal GGN - O economista Paulo Nogueira Batista Jr., atual representante do Brasil no FMI (Fundo Monetário Internacional), vem de uma linha heterodoxa, e era conhecido, antes da assumir o posto, por ser um crítico da política econômica do governo FHC (Fernando Henrique Cardoso) e da gestão Lula, de juros altos, dolarização versus ameaça da sobrevivência da moeda nacional e de política fiscal baseada no superávit primário.

Crítico ácido das políticas neoliberais e desmonte do Estado e da Nação, Nogueira expressou sua visão nos livros, nos quais exala uma preocupação constante com a independência e autonomia do Brasil. Em relação às negociações comerciais do país, o economista via com cautela a relação com a Alca, com receio de que resultassem em perda de autonomia para as políticas comercial e econômica brasileiras. Leia mais »

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Sérgio Cabral, 12%, com viés de baixa

O governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), venceu a disputa pela reeleição com 66% dos votos, em 2010. Segundo a pesquisa CNI-Ibope divulgada na quinta-feira, não dispõe atualmente de mais de 12% de aprovação ao seu governo. Até o final do ano passado, considerava-se forte o suficiente para ameaçar a presidente Dilma Rousseff de se retirar do  palanque da reeleição, se o PT fluminense não recuasse da decisão de lançar o senador Lindbergh Farias ao governo do estado, contra o candidato do PMDB, o vice Pezão. Hoje, estuda seriamente apoiar Lindbergh se o governo arrumar uma saída política honrosa para a situação em que se encontra - apoio, aliás, que não conta com o entusiasmo do senador petista.

Muita coisa aconteceu de lá para cá. As manifestações de rua, que o tornam alvo diário de hostilidades, são apenas o fim de um inferno astral que começou no início de seu segundo mandato, e que desde então não o livra de um permanente viés de baixa. Leia mais »
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Dilma perdeu popularidade, mas não a eleição

As manifestações de julho deixaram como saldo uma alta queda na popularidade da presidente Dilma Rousseff. Mas daí a tratá-la como derrotada em 2014 vai uma enorme distância. Dilma ganharia a eleição no primeiro turno, antes de julho. Após julho, leva no segundo turno. A situação política da candidata do PT, mesmo agravada por uma onda difusa de insatisfações, ainda é a de franca favorita. Leia mais »

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O anúncio da Constituinte Exclusiva para a reforma política: é constitucional?

A mídia noticiou que a Presidência da República havia cogitado  a  possibilidade de viabilizar a reforma política, tão desejada por todos, pela via de uma Constituinte Exclusiva. Ou seja, após a autorização plebiscitária, a Constituinte seria eleita, se instalaria e promoveria, como única tarefa, a reforma política. O argumento, ao que parece, seria o de que os Deputados Federais e os Senadores não teriam interesse em promover tal reforma. Esses constituintes não teriam tarefas regulares e se dedicariam apenas à reforma política. Terminada essa, a Assembleia seria dissolvida. Leia mais »

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Não tenham medo dos jovens. Apenas os escutem.

Jornal GGN - Era um oceano de jovens. No meio, os não jovens sumiram – estavam lá como lembrança de ontem, com suas convicções democráticas intocáveis, indignados com a violência policial da semana anterior, com o conservadorismo político e com a pesada herança do passado autoritário que estava por trás de cada bomba de efeito moral e cada bala de borracha atirada pela polícia contra um jovem. Mas aquele não era o lugar para pessoas maduras. As ruas de São Paulo foram o endereço dos jovens na última segunda-feira – e naquele palco, o recado que deram em cada pedaço de papel empunhado como cartaz, cada um como parte de um mosaico caótico de miríades de reivindicações e protestos, é que o sistema político está velho. Estava velho antes. Envelheceu ainda mais, com maior velocidade, nas últimas semanas em que os jovens ocuparam as ruas. Leia mais »

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A última gota da violência do Estado

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Oito policiais espancam um jovem que cobria uma manifestação. Um promotor público pede a policiais para matar manifestantes, concluindo seu discurso ao dizer que arquivaria o processo. Diversas pessoas são detidas por portarem vinagre, e tintas em spray: total, mais de 200 pessoas detidas. Policiais desferem golpes em pessoas que estavam em um bar e mandam fechar o estabelecimento. Imagens mostram outros policiais desferindo golpes contra sua própria viatura. Não é cena de nenhuma guerra ou revolução em curso, mas era apenas uma manifestação pacifica contra o aumento de passagens dos transportes públicos.

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As razões para o desgaste de Mantega

Jornal GGN - Há um engano em que pensa que a manutenção de Guido Mantega, na Fazenda, significa arrostar a ortodoxia do mercado financeiro. Há tempos Guido jogou a toalha. O último movimento da Copom (Comitê de Política Monetária) foi um aumento de 0,5 ponto na taxa Selic. Surpreendeu até o mercado, que tinha assimilado a estratégia do banco de, enquanto os índices não refluíssem, manter um ritmo de alta de 0,25.

A leitura não foi a de que o Banco Central (BC) voltara a priorizar o combate à inflação. Foi a de que o BC piscara depois que o tema inflação foi enfatizado na propaganda eleitoral de Aécio Neves e o terrorismo do sistema Globo.

A prova maior da ascendência do mercado e das agências de risco sobre Guido está na sua própria reação às ameaças da S&P. Desde maio, quando soube da perspectiva de reavaliação, deu início a mudanças de procedimentos - que já deveria ter feito há muito tempo. E, depois da nota da S&P correu aos jornais para dar explicações... à própria S&P. Leia mais »

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Articulação do governo não piorou porque nunca foi boa

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Fascismo no Brasil de hoje*

 Os regimes fascistas em muitos aspectos  não eram diferentes de outras experiências históricas caracterizadas pelo terror  do Estado contra movimentos  populares, etnias, trabalhadores, sindicatos e organizações de esquerda.  Mas o que apareceu na Alemanha e na Itália  tinha algo específico.  No primeiro momento ninguém se deu conta. Os soviéticos usaram um conceito genérico. Disseram que era uma ditadura terrorista  aberta dos elementos mais reacionários do grande capital.

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Cenário: Aécio, um candidato nem tão novo, nem tão popular

Os convencionais do PSDB elegeram um novo presidente, no último domingo (19), e levaram de quebra um candidato à Presidência da República para 2014. O evento partidário colocou toda a máquina do PSDB a serviço da candidatura do senador Aécio Neves e consolidou as alianças internas necessárias para unir um partido desarticulado e enfraquecido por três derrotas presidenciais sucessivas e, antes disso, por oito anos no poder com Fernando Henrique Cardoso (PSDB), onde prevaleceu a estratégia de cooptar quadros de outros partidos para atender exclusivamente a demandas de governo.

Os termos da unidade interna do PSDB e a estratégia eleitoral para 2014 estão montados no reconhecimento de fragilidades do partido, mas trazem em si igualmente uma grande fragilidade e enormes contradições.

Aécio Neves (MG) catalisou os entendimentos entre os diversos grupos, mas numa costura política feita pelos paulistas tucanos – que, se garantem o partido estadual com mais força dentro do PSDB nacional, relativizam em muito a ideia de que a escolha de um candidato mineiro, e a decisão de colocar o partido em suas mãos, será, de fato, uma solução de renovação. Leia mais »

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Um freio de arrumação no Supremo Tribunal Federal

Dois fatos ocorridos ontem (16) indicam que o bom senso pode trazer para os trilhos as relações entre o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Congresso Nacional. Os dois, direta ou indiretamente, remetem a uma ação sistemática do ministro Gilmar Mendes contra decisões tomadas por maiorias parlamentares dentro do Congresso, que pelo menos momentaneamente parece ter sido contida pelo bom senso dos ministros Marco Aurélio Mello e Celso Mello. Leia mais »

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Cenário: a MP dos Portos e a dura realidade do governo de coalizão do PT

As derrotas sofridas pelo governo na negociação da MP dos Portos  -- e igual derrota num acordo em torno da reforma do ICMS – seguem um padrão nas administrações petistas. Dada a heterogeneidade da base aliada, assuntos que envolvem interesses econômicos privados muito fortes, que transitam por vários partidos, não conseguem chegar a uma solução que se adeque às necessidades de um governo que é o centro dessa grande aliança.

Quando entram interesses privados com forte enraizamento no Congresso, ou com um grande poder de lobby, a falácia de que a coalizão é feita com base em princípios programáticos cai por terra. Vira conversa de campanha eleitoral. É nesses momentos que o preço pela incorporação de partidos com alto grau de venalidade na aliança do governo acaba sendo alto demais para o resultado obtido no plenário do Congresso em assuntos de grande interesse nacional. Leia mais »

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