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Análise

Por que Temer ainda não caiu?, por Roberto Amaral

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Foto: Beto Barata/PR
 
POR QUE TEMER AINDA NÃO CAIU?
 
por Roberto Amaral
 
Muitos se perguntam: por que, após tantas denúncias, ditadas e repetidas por fontes as mais diversas, e insuspeitas, como a voz dos ex-sócios, Michel Temer ainda não caiu, quando foi tão fácil depor a presidente Dilma Rousseff?
 
Como se sustenta um presidente sem apoio no voto, ungido ao poder por um golpe de Estado midiático-parlamentar (onde começa a desmilinguir-se seu mando), e desfrutando do desapreço da população de seu país, de quem foge, acuado, escondido no bunker em que foi transformado o Palácio do Jaburu?
 
Vários fatores podem, no conjunto, constituir uma resposta mais ou menos satisfatória. Mas, antes de mais nada, lembremos que, divergências secundárias à parte, mantem-se de pé a coalizão econômico-política montada lá atrás para assegurar o impeachment. O capital financeiro, o agronegócio, as igrejas pentecostais e suas representações no Congresso e nos grandes meios de comunicação, permanecem unificados em torno das ‘reformas’, eufemismo com o qual se designa o projeto, em curso acelerado, de regressão política, social e econômica do País, cujo alcance paga qualquer preço.

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Os deuses do parlamento, por Ronaldo de Almeida

da Fundação Mauricio Grabois

Sob a proteção de Deus e em nome do povo brasileiro

No artigo “Os deuses do parlamento”, Ronaldo de Almeida, professor do departamento de antropologia da Unicamp e pesquisador do Cebrap, parte das repetidas referências religiosas presentes nos discursos pela admissibilidade do impeachment de Dilma Rousseff, em abril de 2016, para discutir o peso da religião na “onda conservadora” que impediu a ex-presidente.Os deuses do parlamento

Os deuses do parlamento

por Ronaldo de Almeida

Introdução

Está aberta a sessão. Sob a proteção de Deus e em nome do povo brasileiro iniciamos nossos trabalhos.

Assim o presidente da Câmara dos Deputados, deputado Eduardo Cunha (PMDB/RJ), iniciou a votação de admissibilidade do processo de impeachment de Dilma Rousseff, em 17 de abril de 2016. Evocar Deus não foi tão somente um ato de vontade de Cunha pelo fato de ele ser evangélico pentecostal ligado à Assembleia de Deus. Ele seguiu o rito de abertura das sessões do Poder Legislativo, tanto da Câmara como do Senado Federal. Posteriormente, por livre vontade, 52 deputados federais dos 513 votantes citaram a palavra “deus”.

Apesar da diversidade territorial e dos setores de atuação de cada deputado, boa parte do léxico político mobilizado valeu-se simbolicamente dos termos “deus”, “família” e “nação”,1 que operaram como elementos unificadores e transversais, além de apresentarem maior densidade de sentidos do que os termos “democracia”, “Estado de direito”, “cidadania” e todo repertório político liberal moderno.

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Advogados e juristas apontam irregularidades na Lava Jato em vão, por Janio de Freitas


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Foto: José Cruz/Agência Brasil
 
Jornal GGN - Em um país no qual a Suprema Corte, a Presidência da República e o Congresso Nacional são questionados, advogados e juristas têm apontando, em vão, as irregularidades cometidas pela Lava Jato na primeira instância judicial.
 
É o país ao contrário, diz Janio de Freitas em sua coluna na Folha de S. Paulo, onde o jornalista também comenta que Rodrigo Janot, procurador-geral da República, planeja propor o “caixa dois sem corrupção”, com a suspensão dos processos contra políticos que receberam e não declararam à Justiça Eleitoral, dinheiro não ligado a facilitações.
 
Para o colunista, tal estratégia traz de volta o favorecimento aos membros do PSDB, que, fora dos governos Lula e Dilma, não teriam como vender facilidades, mas nem por isso deixaram de receber altas contribuições.
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Quatro reformas para o Brasil começar a mudar pela via popular, por Almir Felitte

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Foto: Tuane Fernandes

Do Justificando

 
por Almir Fellite

A situação social e econômica vivida pelo país não é exclusiva dos dias atuais. Desde o início de sua colonização, o Brasil nunca conseguiu superar uma estrutura social que o coloca no cenário mundial como um país desigual, pobre, violento e democraticamente frágil.

Tal superação somente seria possível com um programa intenso de reformas de base que mudassem radicalmente nossas estruturas agrária, tributária, política e trabalhista, ou mesmo através de um processo revolucionário que subvertesse a ordem capitalista no país. Certo é que, para ambos os caminhos, é necessário que haja uma ampla mobilização popular, a qual, no cenário atual, parece ainda distante de ser concretizada.

Desse modo, para que as reformas de base se tornem uma realidade, é necessário que o povo brasileiro possa reunir condições de se mobilizar e criar um poder verdadeiramente popular. Para isso, algumas estruturas que funcionam como mecanismos de opressão do Estado e das elites precisam ser derrubadas através de pequenas reformas pontuais e específicas.

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JBS: outra catástrofe de terra arrasada?, por Boeotorum Brasiliensis

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Foto: Divulgação

Por Boeotorum Brasiliensis

Ontem, 20 de junho de 2017, a Globonews mostrou uma reportagem sobre a JBS, a cadeia industrial da carne e a pecuária nacional. Destacou, além da participação da JBS em esquemas de corrupção, outros fatos sobre o grupo, sua atuação e sua situação. Menciona um quase monopólio da carne bovina nas mãos da JBS, o consequente desaparecimento de inúmeros pequenos frigoríficos e a decorrente dependência das fazendas de bovinocultura de corte em relação a um comprador principal, principalmente, mas não só, no Mato Grosso.
 
Descreve a preocupação desses produtores com tal dependência, o que, segundo relatado, implica na deterioração dos preços da arroba do boi vivo. Preocupam-se ainda por um eventual risco de inadimplência da JBS face aos efeitos das penas pecuniárias a que está submetida e, também, por possível aplicação de outras penalidades que possam seguir-se, tanto no Brasil quanto no exterior. Passa, também, pela menção a uma política governamental, ou melhor dizendo, a uma prática espúria de favorecimento via “crédito subsidiado” à JBS que a levou à posição de maior processadora mundial de proteína animal. Em seguida se refere à concentração da pecuária em grandes propriedades, à destruição consequente dos biomas onde ocorre e se instala, da precarização das pastagens dadas como, em sua maioria, degradadas e, também, ao abate de animais não certificados quando à origem.

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Por que a indignação contra a corrupção no Brasil é seletiva?,por Salah Khaled Jr.

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Foto: Beto Barata/PR

Do Justificando

 
por Salah H. Khaled Jr.

A indignação seletiva contra a corrupção é um fenômeno a ser estudado. O vapor levantado contra Dilma produziu níveis elevados de ultraje moral, enquanto os indícios contra Aécio e Temer não parecem produzir mais do que leves aborrecimentos, como se fossem práticas rotineiras e aceitáveis da vida política.

Na esteira de Jock Young, eu diria que o ressentimento das classes médias é um componente explicativo importante para a compreensão do fenômeno. Independentemente de eventuais críticas aos governos do PT (muitas delas acertadas) é inegável que neles houve atenção inédita aos estratos sociais mais vulneráveis, com ampliação massiva do programa bolsa família, ações afirmativas e muitas outras iniciativas de celebração da diversidade.

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Ao sermos reativos, espelhamos exatamente aquilo que combatemos

Enviado por Luiz Eduardo Brandão

do Justificando

Reação da esquerda pode inviabilizar emancipação

por Camila Sposito

A imagem acima faz soar o alerta máximo: é urgente falarmos de valores na era da pós-modernidade e seus impactos na atuação política. Também é urgente avaliarmos se temos tanta certeza assim sobre quem realmente nos representa politicamente, pois parece que parte relevante da esquerda embarcou de vez na sociedade do espetáculo e se tornou reativa ao discurso fascista da direita, deixando de ser a voz emancipatória que poderia nos guiar para uma alternativa progressista em relação à já moribunda democracia burguesa.

O que ocorre é: ao sermos reativos, espelhamos exatamente aquilo que combatemos. Em vez de superar a lógica do que queremos extinguir, perpetuamos, com sinais trocados. A intenção pode ser outra, mas o impacto social bruto é de aumentar um ambiente inóspito aos anseios de liberdade, seja ela civil, política, econômica, religiosa, etc.

Na foto vemos Kathy Griffin, uma atriz e ativista americana apoiadora do partido democrata, derrotado por Trump nas urnas, segurando o que seria a cabeça do atual presidente dos EUA, decapitada e ensanguentada. Observe por um minuto o que essa imagem lhe evoca antes de refletir racionalmente e montar seu argumento, por favor.

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Reforma trabalhista desmente crise no sistema previdenciário, por Cirlene Zimmermann

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Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

Do Justificando

Reforma trabalhista: o projeto que desmente a crise no sistema previdenciário brasileiro

por Cirlene Luíza Zimmermann

A Constituição estabeleceu a dignidade humana e os valores sociais do trabalho como fundamentos da nossa República. Para efetivá-los, previu diversos direitos sociais, entre os quais o trabalho e a Previdência Social, mas também a educação, a saúde e a segurança.

Sem educação, não é possível ter trabalho digno e nem ter a noção da importância de ser previdente. Consequentemente, haverá sérios riscos de não ter saúde de qualidade. Também não se terá assegurado o direito social à segurança em sua faceta privada, ou seja, a garantia de ter o que comer, onde morar e de sustentar a família.

O sistema de seguridade social pensado pelos legisladores constituintes em 1988 é formado pela saúde, pela assistência e pela previdência. Visa garantir à população a cobertura dos riscos a que todos estão suscetíveis nessas três áreas.

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Por que Temer não cai?, por Fernando Horta

Por que Temer não cai?

por Fernando Horta

A razão principal da manutenção de Michel Temer na presidência é Lula. Não é segredo que o ex-presidente apresenta boas chances de vencer eleições (em 2017 ou 2018) ainda no primeiro turno. Diante disto, a direita e a classe média anti-lula (que não diminuiu um centímetro) veem na figura rota e estropiada de Temer um escudo contra Lula. Houvesse uma chance real de um candidato da direita de disputar o pleito e, creio, Temer já teria sido propriamente defenestrado.

Só esta avaliação, entretanto, não é suficiente. Temer perdeu o apoio do capital, tem a Globo contra si, suas reformas impopulares colocam trabalhadores de diversos setores contra o vice-presidente, e tudo isto se manifesta bem nas pesquisas de opinião que dão-lhe entre 3 e 4% de aprovação – com margem de erro de 3 a 4%. Ou seja, o governo Temer é a margem de erro. Depois da decisão do General Villas Boas de desautorizar o uso das forças armadas não se pode dizer que o exército esteja sustentando o vice. Mesmo que Etchegoyen se encontre com a versão norte-americana do 007 (o espião midiático), colocando isto em sua agenda pública.

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O orvalho vem caindo, vai molhar o meu chapéu, por Rui Daher

O orvalho vem caindo, vai molhar o meu chapéu

por Rui Daher

Poucas vezes discordei de alertas e conclusões do professor de Economia Política Internacional na Escola de Governo JFK, da Universidade de Harvard, Dani Rodrik. Verdade que o turco pouco comentou o Brasil, país que em raros momentos da História esteve entre as preocupações de scholars europeus e norte-americanos.

Junto a outro professor da mesma escola, Filipe Campante, escreveu artigo “O momento argentino do Brasil”, traduzido e publicado no Valor, em 09/06/2017.

Começa por reconhecer nossa economia em queda livre, associando-a às más gestão fiscal e corrupção. Critica os 36% de gastos do governo em relação ao PIB, fruto de “anos de frouxidão fiscal, obrigações com a seguridade social e baixos preços das commodities”. Por fim, aceita a dívida pública, agora em 70% do PIB, pelas altas taxas de juros prevalentes. Diz serem elas responsáveis por “grande parte da diferença de gastos entre o Brasil e países comparáveis".

Bate em tecla aqui já gasta. Benefícios sociais são frouxidão; juros altos são austeridade.

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Imagens

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O paradoxo da crise política e a ascensão autoritária, por Luis Fernando Vitagliano

Junho de 2013 fez emergir a crise da representação, o incômodo generalizado com as coalizões que fundamentaram a governabilidade na Nova República. O golpe não foi resposta positiva à crise política, e o caminho está aberto para uma solução autoritária ou totalitária

do Brasil Debate

O paradoxo da crise política e a ascensão autoritária

por Luis Fernando Vitagliano

Para aqueles que supõem que a crise política está próxima do seu fim, a resposta positiva é improvável. Pelo contrário, a crise política pode se agravar. Essa verdade desnuda demonstra que uma possível eleição de um aventureiro qualquer pode nos tirar da crise para algo pior. Porque saídas mágicas para a crise política como o afastamento de Dilma não nos livrou de nenhum dos problemas da república e nos acrescentou vários, agravando, ampliando e perpetuando o caos.

A saída da crise política não pode ser posta, principalmente pelo campo progressista, para além da política. Será uma saída política e pela política. Mas, para isso é preciso entender as origens e as causas desta encalacrada situação que começa em 2013.

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Desafio do país é avançar na mudança estrutural da sociedade, por Márcio Pochmann

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Foto: Mídia Ninja

Da Rede Brasil Atual

 
Crise global iniciada em 2008 traz consigo a semente de uma nova possibilidade de transformações dos entraves nacionais: o crescente movimento social de basta ao atraso recessivo e às reformas regressivas
 
por Marcio Pochmann* 
 
Do ponto de vista histórico, os principais períodos de mudanças estruturais na sociedade brasileira não resultaram de rupturas decorrentes do progresso técnico. O contrário, todavia, do que se pode constatar em outras sociedades como a inglesa, a estadunidense e a alemã, se tomadas como exemplos.
 
Desde a segunda metade do século 18, com o salto proporcionado pela primeira Revolução Industrial e Tecnológica, produtora da mecanização assentada na indústria têxtil – com a introdução do tear mecânico –, além da ferroviária e naval – com o motor a vapor –, o Reino Unido se transformou profundamente. O progresso tecnológico trouxe para a sociedade de lá repercussões internas e externas, o que permitiu, por exemplo, levá-la a ocupar inédita posição de hegemonia no sistema capitalista em formação mundial.
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O PSDB e sua decomposição moral, por Aldo Fornazieri

O PSDB e sua decomposição moral

por Aldo Fornazieri

Todo organismo político, seja ele um líder, um partido, um movimento ou um Estado tem (ou deveria ter) um fundamento moral, definido pelos seus princípios, e um fundamento ético, definido pelos seus objetivos e finalidades. A corrupção, no sentido amplo do termo, tem se revelado, ao longo dos temos, o mal mortal dos organismos políticos, incluindo os líderes. Ela costuma decompor a substância do organismo nas suas dimensões morais, éticas, políticas e programáticas, transmutando-o daquilo que ele é a aquilo que ele não é.

A História e a Filosofia Política mostram que a corrupção leva os corpos políticos e os líderes a um declínio inexorável, por mais generalizadamente corrupto que seja um sistema e por mais que ele tenha uma vida prolongada no tempo. De modo geral, nos momentos de erosão e de ocaso, o que se manifesta são agudas crises de legitimidade do Estado, do partido ou do líder. Claro que existem possibilidades e mecanismos de regeneração de corpos degenerados, mas esta tarefa sempre é difícil e demanda esforços hercúleos e pouco suscetíveis de serem assumidos pelos entes corrompidos.

Quando se critica um partido, ressalve-se, não se está criticando o conjunto de militantes e das pessoas que o integram, mas aquilo que o partido representa enquanto instituição. Existem pessoas honestas e respeitáveis em todos os partidos, mas nem todos os partidos são expressões institucionais desses valores.

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Episódio Miriam Leitão foi o ato inaugural do pós-Temer, por Alexandre Tambelli

Haverá espaço para um pacto desejado, se uma das partes, a da velha mídia, radicalizar para destruir a candidatura que não lhe cai bem? 

Gravação para o programa Roda Viva da TV Cultura
Foto: Beto Barata/PR

Por Alexandre Tambelli

Comentário à publicação "Xadrez de Janot na estrada de Damasco e o fundo do poço"

Um dos sinais do fim da Aventura Temer foi o episódio Miriam Leitão.

Inaugurando o pós-Temer.

Já já se preparam outros episódios para que ao cair Temer toda a artilharia da Globo & velha mídia levem à nocaute, desejo latente, o PT, Lula e Dilma + as esquerdas de roldão.

O pós-Temer não deve conter a hipótese Lula e esquerdas.

Então, se jogou a isca primeira de a partir de uma não-notícia de uma Jornalista Global, supostamente agredida em um voo onde estava e haviam militantes petistas. 

Petistas: arruaceiros, bolivarianos, violentos, antidemocratas, perigosos, etc. 

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A crise do governo Temer e a posição da esquerda, por Rui Costa Pimenta

Sugerido por Jose Carlos Lima

Da Causa Operária TV

Análise Política da Semana, com Rui Costa Pimenta, presidente do PCO. Nesta Análise, crise do governo Temer e a posição da esquerda diante do caso, questão das "Diretas, Já!" e suas manifestações contra os partidos de esquerda, manifestação em Brasília pela Anulação do impeachment de Dilma Rousseff.

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