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Análise

Meta de inflação e a política dos credores, por André Araújo

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Foto: Marcos Corrêa/PR
 
Por André Araújo
 
Dois e meio milhões de desempregados novos se somaram ao estoque de 12,3 milhões herdados do governo anterior. A atual política econômica não tem como objetivo reduzir o desemprego, seu objetivo é um só, assegurar pagamento de juros da dívida pública, uma equipe econômica para zelar pelo interesse dos credores que geralmente não é o mesmo do interesse do Estado e da população.
 
Lembremos a “Caisse de la Dette Publique” que França, Itália, Áustria-Hungria e Inglaterra impuseram em 1876 para assegurar que o Egito pagaria suas dívidas aos credores.Para se assegurar desse pagamento a “Caisse de la Dette” administrava a Alfândega de Alexandria, maior fonte de renda do governo do Egito e bloqueava parte das receitas do Canal de Suez
 
A “Caisse de la Dette”  existiu até 1940, quando foi extinta pelo governo britânico para assegurar o apoio da monarquia egípcia ao esforço de guerra na África do Norte.
 
O método de uma comissão de credores administrando um País foi uma das marcas do imperialismo financeiro do período anterior à Grande Guerra de 1914, mas. sob formas mais modernas. renasceu no período entre guerras com as Comissões Young e Dawes para gerir as reparações que o Tratado de Versalhes impôs à Alemanha.

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Críticas, temperança e o Brasil de hoje, por Fernando Horta

No final da década de 70 e início da de 80, existia uma série chamada “Ilha da Fantasia”. Ricardo Montalban fazia o papel do “senhor Roarke”, o anfritrião de uma ilha-resort que tinha seus encantos e uma boa dose de filosofia. Auxiliando o Sr. Roarke, Hervé Villechaize fazia o papel de Tatoo, um simpático faz-tudo que, normalmente, trazia a história para a realidade. Enquanto Roarke era o pensamento mágico das coisas que aconteciam sem explicação, mas sempre com uma finalidade, Tatoo era o fechamento materialista. Como um condutor dos indivíduos novamente à sua realidade. Desta viagem, os diversos indivíduos que se submetiam, levavam como prêmio apenas o conhecimento, que era desvelado em algum diálogo próximo do fim.

Na Academia somos treinados para vivermos uma eterna viagem à Ilha da Fantasia. A partir de uma determinada base de conhecimento teórico, deixamos o pensamento alçar voo para, em seguida, tentar captura-lo dentro da realidade objetiva, a qual nos cabe viver e conviver. Nas últimas horas eu publiquei quatro textos sobre o mesmo tema. Minha posição é que os EUA não são o “cérebro” articulador por trás das vicissitudes brasileiras desde 2013. Veja que não digo que não colaborou, não digo que não tenha se beneficiado, não digo que não tenha efetivamente participado de alguma forma, não digo. Apenas questiono uma linha de interpretação histórica que remonta à Guerra Fria. No primeiro texto (http://jornalggn.com.br/blog/blogfernando/nao-foram-as-listras-nem-as-estrelas) apresento uma série de argumentos teóricos que fazem parte das críticas que a própria ciência Histórica vem fazendo sobre si mesma. No segundo texto (http://jornalggn.com.br/blog/blogfernando/texto-2-o-velho-senhor-do-pijama-listrado) apresento uma série de argumentos mais empíricos voltados especificamente contra o senso comum.

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O que Amartya Sen tem a ensinar aos brasileiros?, por Fábio de Oliveira Ribeiro

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Foto: Fronteiras do Pensamento

Por Fábio de Oliveira Ribeiro

Em seu livro, Amartya Sen defende a necessidade de um equilíbrio entre economia e política, entre Estado e mercado, entre a produção e comercialização de bens privados e a oferta de serviços públicos. Ele também coloca no centro do debate econômico questões que podem ser muito mais relevantes do que a renda. A crítica que ele faz ao neoliberalismo é muitas vezes embasada na obra de Adam Smith, autor curiosamente incensado e renegado pelos neoliberais.

Ao longo da obra, Sen faz varias comparações entre China e Índia. Destacarei aqui duas delas:

"Quando adotou a orientação para o mercado em 1979, a China já contava com um povo altamente alfabetizado – em particular s jovens – e boas instalações escolares em grande parte do país. Nesse aspecto, as condições da China não diferiam muito da situação básica na Coréia do Sul ou em Taiwan, onde também uma população instruída desempenhara um papel fundamental no aproveitamento das oportunidades econômicas oferecidas por um sistema de mercado propício. Em contraste, a Índia possuía uma população adulta semianalfabeta quando adotou a orientação de mercado em 1991, e a situação atual não é muito melhor.” (Desenvolvimento como Liberdade, Amartya Sen, Companhia de Bolso, São Paulo, 2010, p. 63)

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A incrível evidência de honestidade dos banqueiros brasileiros, por J. Carlos de Assis

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Foto: Marcos Santos/USP Imagens

A incrível evidência de honestidade dos banqueiros brasileiros

por J. Carlos de Assis

Aparentemente temos o sistema bancário mais honesto do mundo. No meio da avalanche de corrupção por compra de parlamentares envolvendo grandes construtoras e o maior conglomerado de carnes do mundo, ninguém surgiu, até o momento, para apontar o menor deslize moral dos bancos brasileiros. A bem da verdade, houve apenas uma suspeita. Trabuco, presidente do Bradesco, envolvido na operação Zelotes, foi inocentado por unanimidade pelo Tribunal Federal de Recursos da 1ª. Região.

Há dois tipos de justificativa para isso. Ou os banqueiros brasileiros se contentam em roubar o povo, pressionando pelas taxas de juros mais altas do planeta como se fosse uma coisa natural, ou simplesmente operam a corrupção com mão de gato, colocando terceiros – por exemplo, a FIESP – como operadores de suas maracutaias. Lembro-me bem como, na constituinte, um operador da FIESP e da CNI, Rui Figueiredo, tendo por trás os bancos, percorria com uma mala preta os corredores do Congresso comprando parlamentares.

Podemos perguntar, diante dessa segunda hipótese, por que as empreiteiras foram pegas por Moro e os banqueiros conquistaram tanta condescendência na Justiça, como é o caso do TRF-1. Acho que a única explicação para isso é que são tremendos profissionais, protegidos pelo competente cartel da Febraban e sob a proteção generosa do Banco Central.   Caso fossem colocados nas mãos de Sérgio Moro, é possível que, depois de meses a fio de prisão temporária, acabassem abrindo o bico em profusão de delações premiadas.

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Prazer com a crise vem de longe, por Paulo Kliass

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Foto: César Itiberê/Fotos Públicas

Do Vermelho.org

 
O Brasil parece naufragar nas águas revoltas de um oceano mal-humorado. Esse cenário ambientado sob uma tempestade violenta é mesmo muito dramático, mas a verdade é que tal fenômeno tem muito pouco ou quase nada de natural em sua manifestação.
 
Por Paulo Kliass *
 
A crise econômica é evidente. As consequências sociais de sua propagação são impressionantes. O desemprego atinge níveis recordes, com a taxa de desocupação atingindo mais de 13,7% da população economicamente ativa. São mais de 14 milhões de trabalhadores que perderam seus postos no mercado formal de trabalho, com os inescapáveis reflexos sobre o nível de renda e bem-estar de suas respectivas famílias.

O nível da atividade econômica acumula queda sobre queda ao longo dos últimos dois anos, com a maior redução do PIB de nossa história tendo sido registrada no biênio 2015-2016. Foram dois exercícios consecutivos com retração de 3,8% e 3,6% em sequência. Assim, o nível de falências de empresas também explodiu ao longo do período e os diferentes itens das contas nacionais apresentam redução.
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A JBS patrocinou o impeachment de Dilma?, por João Filho

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Foto: Beto Barata/PR

Do Intercept

 
por João Filho

O JULGAMENTO DA CHAPA Dilma/Temer no TSE talvez represente o auge da esquizofrenia da qual padece a política brasileira. A ação foi movida por Aécio Neves para, segundo o próprio, apenas “encher o saco do PT”. As acusações que fundamentaram o processo do tucano são exatamente as mesmas pelas quais sua chapa é acusada: abuso de poder político e econômico, recebimento de propina e beneficiamento do esquema de corrupção na Petrobras. Hoje no governo, Aécio e sua turma torcem para perder a ação que moveram. Portanto, o mais importante processo da história da Justiça Eleitoral nada mais é do que uma retumbante farsa.

Enquanto os olhos do país estão voltadas para a patacoada, uma notícia fundamental para compreender um pouco os fatos que nos trouxeram até aqui ficou ao relento na grande imprensa brasileira: o marqueteiro de Temer afirmou ter sido contratado pela JBS para derrubar Dilma.

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“Fomos ingênuos em relação aos meios de comunicação", afirma Dilma Rousseff

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Foto: Roberto Parizotti/CUT

Do Página 13

Entrevista exclusiva: Dilma Rousseff sem censura, ou quase

“A pauta política dominante é machista, fundamentalista e tende à regressão”

“Não percebi a aversão das classes enriquecidas a pagar qualquer parte da crise”
 
“Fomos ingênuos em relação aos meios de comunicação. São antidemocráticos!”

A financeirização da economia envolve a tal ponto o capitalismo brasileiro, na atualidade, que a queda da taxa de juros deixou de ser interessante até mesmo para o setor produtivo da burguesia nativa. “Todas as grandes empresas brasileiras têm uma variante bancária chamada tesouraria, na qual a parte financeira é, progressivamente, mais significativa que a parte produtiva. A financeirização faz isso em qualquer país. Mas no Brasil, além disso, tem um ganho maior, que é derivado de serem sócios da rolagem da dívida pública”. A avaliação é da presidenta Dilma Rousseff, em entrevista exclusiva concedida a Esquerda Petista em 13 de fevereiro último, no seu modesto apartamento em Porto Alegre.

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A crise e os quatro campos da política, por Francisco Carlos Teixeira da Silva

A crise e os quatro campos da política

por Francisco Carlos Teixeira da Silva[1]

PARTE I:

As Condições Globais:

Não resta muita dúvida de que a crise que vivemos, desde as “Jornadas de 2013”, é a maior da História da República.  A soma dos seus aspectos econômicos, sociais – o devastador número de desempregados, subempregados e desalentados em busca de uma posição de trabalho, que hoje em conjunto atinge cerca de 21 milhões de pessoas – e os  aspectos institucionais desembocaram numa crise sem precedentes na História contemporânea do país. Acima de tudo a crise institucional, no sentido que as forças centrífugas extrapolaram o embate político, colocando em risco a autonomia, harmonia e independência dos Poderes da República. A ação política entra em choque, e, por vezes, em cheque, com a Constituição e seu ordenamento. O General-comandante do Exército do Brasil, Eduardo Villas Bôas, do alto de sua experiência, vivência e abnegação – em circunstâncias dolorosas  –  viu-se obrigado a declarar que o Brasil “... é um país à deriva” [2].

Neste sentido, análises superficiais e eivadas de “parti pris” ideológicos, vindas de todos os lados, voltadas para “um passado que não quer passar” não ajudam, em nada, a compreender a atual crise brasileira. A desestabilização do Governo Dilma-Temer, desde 2013 – para além das conhecidas razões internas –, ou mesmo antes disso, e até a desestabilização da sua continuação. O Governo Temer, sustentado pela coalização (básica) PMDB+PSDB+DEM e demais partidos do chamado “Centrão”, por um processo de amplo espectro global denominado por Pepe Escobar como “Guerra Híbrida”[3], prende-se a um conjunto de políticas que compõem uma estratégia de poder global, especialmente na segunda administração Barack Obama. A chamada “Estratégia das Guerras Híbridas” consiste na mobilização de diversos e múltiplos recursos, organizações e entidades, internas e externas, visando derrubar, mudar e substituir regimes políticos, governos e governantes, considerados incompatíveis aos interesses de uma potência, que assim ficaria isenta das tremendas complicações e custos das guerras abertas de “substituição de regimes”.

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Texto 1 - A culpa é das estrelas, por Fernando Horta

Texto 1 - A culpa é das estrelas, por Fernando Horta

Em 2008, o prejuízo mensurado pela crise financeira foi de US$ 22 trilhões apenas nos EUA. Quando o mundo tentava sair da imensa crise, em 2010 houve a crise da dívida da zona do Euro. O comércio mundial teve um refluxo de quase 40% em valor. O preço médio da gasolina no varejo norte-americano no período, que estava a US$ a 4,12 em junho, chegou a US$1,61 em novembro para se estabilizar em US$2,86 até 2010. O desemprego nos EUA que estava na ordem de 5 a 6% em 2007 atinge 10% em 2008 e se mantem no patamar acima de 8% até 2012. Para piorar a crise econômica norte-americana, a crise da dívida interna fez com que entre setembro e outubro de 2013 tivesse ocorrido o “shutdown” da máquina pública. Por 16 dias o governo deixou de pagar salários e pensões a todos os funcionários públicos em todo o país e no exterior. A situação só é contornada com a votação do aumento do teto da dívida pelo congresso no final de outubro.

Toda esta situação leva a percepção estratégica dos EUA a posições mais conservadoras com relação à concorrência internacional e ao mercado de hidrocarbonetos. Os EUA mantinham através da NSA (National Security Agency) um programa de arapongagem mundial sobre toda comunicação que pudesse ser captada por redes ou satélites. O início do programa é em 2001 tendo como desculpa a luta contra o terrorismo. Apenas em 2013 que Edward Snowden revela ao mundo a situação. A rede BBC publicou que a espionagem sobre o Brasil teria começado em 2011 (ou antes, segundo o jornal) e que estaria focada na presidenta, em seus assessores mais próximos e em pessoas do alto escalão da Petrobrás. O propósito econômico e político foi denunciado por Dilma em duro discurso em setembro de 2013 na ONU, tendo a presidenta cancelado visita aos EUA.

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Política no Brasil ainda é feita com estômago e não com a cabeça, diz João Cezar de Castro Rocha

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Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
 
Jornal GGN - Autor dos livros Literatura e cordialidade: O público e o privado na cultura brasileira e Cordialidade à brasileira: mito ou realidade?, o historiador João Cezar de Castro Rocha afirma que a ideia do “homem cordial”, de Sérgio Buarque de Hollanda, é característico de sociedade desiguais.
 
Para Castro Rocha, a polaridade política e a intolerância vivida atualmente no país é “absolutamente cordial no sentido próprio do termo”, sendo que o país ainda faz política “com estômago e não com a cabeça”. 
 
O historiador acredita que não é possível comparar o chamado “jeitinho” com a corrupção de grandes empresas, como a Odebrecht. “Se dissermos que tudo é a mesma corrupção é mais um meio que a elite tem de se desculpar”, afirma,  ressaltando que o jeitinho, muitas vezes, é uma estratégia para se lidar com uma “sociedade que tem um cotidiano esquizofrênico”. 
 
“No Brasil, historicamente, há uma elite que se considera realmente superior ao restante da população e que, por isso, considera ter direito a saquear a coisa pública”, afirma. 

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Após a votação no TSE, aumentam as chances de Temer seguir no cargo até as eleições de 2018, por Bruno Lima Rocha

Após a votação no TSE, aumentam as chances de Temer seguir no cargo até as eleições de 2018

por Bruno Lima Rocha

Introdução: o TSE não auxiliou na queda de Temer, e agora?

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) finalmente terminou o julgamento tantas vezes protelado, até porque foi arbitrado em função dos tempos políticos da oposição, agora co-governo, quando do início da denúncia. Vale recordar que a ação foi motivada por vingança política do ex-candidato e senador pelo PSDB de Minas Gerais, Aécio Neves, derrotado no acirrado pleito de 2014.

Agora, na decisão final, vale a máxima de “defender a normalidade institucional”, sempre e quando esta favoreça a correlação de turno. Gilmar Mendes, sempre ele, seguindo o voto dos ministros Napoleão Nunes Maia, Admar Gonzaga (indicado por Michel Temer e ex-advogado da campanha de Dilma em 2010) e Tarcísio Vieira (também indicado pelo presidente MT), desempatou a causa. Mendes votou contrário aos ministros Herman Benjamin (relator), Luiz Fux e Rosa Weber. Vale recordar que Mendes, Fux e Weber também são membros do STF, e estarão julgando, avaliando uma hipotética acusação formal do PGR Rodrigo Janto contra o atual presidente.

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Sonho de Temer é ter um Geraldo Brindeiro, por Helena Chagas

Foto: José Cruz/Agência Brasil
 
 
Jornal GGN - Michel Temer vive um "dilema", segundo a jornalista Helena Chagas: ou escolhe o substituto de Rodrigo Janot para a Procuradoria Geral da República a partir da lista tríplice do Ministério Público Federal, sem nenhuma garantia de que poderá sobreviver a novas denúncias da Lava Jato, ou tentar salvar a própria pele indicando um nome de sua confiança, correndo o risco de provocar um "retrocesso institucional que será muito criticado e passando a ideia de querer cercear a independência do PGR".
 
Em artigo publicado nesta terça (13) no Poder 360, Chagas apontou que o "sonho de consumo de Temer" é ter um procurador-geral para chamar de seu, alguém semelhante ao PGR de Fernando Henrique Cardoso, Geraldo Brindeiro, que ficou para a história como o "engavetador-geral da República" por não deixar passar nenhuma acusação contra o governo.
 
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Não foram as listras nem as estrelas, por Fernando Horta

Não foram as listras nem as estrelas, por Fernando Horta

É preciso ter cuidado ao pesar o papel dos EUA nos acontecimentos brasileiros desde 2013. Não estou entre os que creem que os Estados Unidos estão na base da articulação política que levou ao golpe de 2016. Penso que existem quatro grandes motivos para minha dúvida:

1)      Em primeiro lugar há que se tomar cuidado com a geopolítica. Ela costuma “provar” aquilo que queremos que ela prove. São tantas variáveis, tantos atores e tantas generalizações que podem ser feitas, que quase tudo pode ser sustentado. É claro que um país do tamanho político internacional dos EUA tem interesses em todos os lugares do mundo. Durante a Guerra Fria, por exemplo, os Democratas requeriam recursos ao parlamento para “defender os interesses” em todas as partes do mundo, “mantendo vigilância e possibilidade de agir”. Os Republicanos diziam que “apesar dos EUA serem uma nação grande e potente, ela não pretende tomar a função de Deus” já que observar e agir sobre todo o globo seria uma função apenas d'Ele. Esta pequena anedota serve para mostrar que é controverso o uso do termo “EUA” como um ator unitário.

É claro, que dentre as áreas que democratas e republicanos concordam que sejam de interesse dos EUA estão as com petróleo. O pré-sal é sim de interesse e poderia ensejar uma ação norte-americana. Entretanto, a capacidade econômica e comercial deles é tão superior à do Brasil que é mais barato para eles pagarem os dólares que o Brasil pede e tomar o controle do petróleo na forma estabelecida pelo Brasil. Talvez a entrada da Petrobrás no mercado norte-americano com a compra de Pasadena, mais o protagonismo brasileiro no Porto de Mariel, pudesse representar um incômodo maior aos “irmãos do norte” do que o pré-sal propriamente dito. Mas aqui, de novo, não há nada efetivamente claro nem concreto.

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Sucesso de Lula nas pesquisas evidencia Lava Jato como principal oponente

Foto: Andrei Leonardo Pacher/Xinhua/Zuma Press/Fotoarena
 
 
Jornal GGN - O desempenho de Lula nas pesquisas de opinião ressalta que apenas a Lava Jato desponta como seu principal oponente. Isso porque o ex-presidente vence de todos os potenciais candidatos da eleição de 2018. Só na última Vox Populi, ele foi citado por 40% dos entrevistados na sondagem de voto espontâneo. Apesar disso, Lula corre o risco de não poder disputar o Palácio do Planalto por causa da força-tarefa da Curitiba.
 
Os procuradores liderados por Deltan Dallagnol estão determinados a obter a condenação do petista até em segunda instância. Para isso, chegam a levantar teses de "elasticidade das provas" no caso triplex, que é o mais adiantado. Às vésperas de ser concluído por Sergio Moro, o processo acabou virando, para o Ministério Público Federal, um pleito por reconhecer a dificuldade de provas os crimes imputados a Lula.
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Jeremy Corbyn e o impasse populista, por Mathias Alencastro

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Foto: Chatam House
 
Jornal GGN - O desempenho do líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, nas eleições legislativas do Reino Unido assinalam o fim da experiência trabalhista com a terceira via, que defende a conciliação da esquerda com o livre mercado e que foi a tônica da gestão de Tony Blair.
 
A análise é do cientista político Mathias Alencastro, que, em sua coluna de hoje na Folha de S. Paulo, afirma que a mudança de rumo da esquerda britânica acompanha uma tendência de toda a Europa, onde os partidos que adotaram a terceira via estão em “risco existencial”. 
 
Apesar desta mudança, a celebração do resultado de Corbyn “mostra como a esquerda se acostumou com vitórias de Pirro”, afirma Alencastro. Para ele, a esquerda portuguesa conseguiu resolver com o impasse populista, com Antônio Costa liderando uma que fez o “impossível: desacelerar a austeridade sem alienar os mercados”. 

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