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Análise

Temer nas cordas com seus estrategistas trôpegos, por Fernando Limongi

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Foto: Beto Barata/PR
 
Jornal GGN - No Valor Econômico, o professor da USP e pesquisador do Cebrap, Fernando Limongi, analisa as estratégias adotadas por Michel Temer para tentar esticar seu mandato no Palácio do Planalto. 
 
O presidente tentou traçar um círculo para salvar os sobreviventes, mas acabou privilegiando alguns amigos e esquecendo de outros, como no caso de Osmar Serraglio, que recusou o cargo no Ministério da Transparência.
 
Limongi pontua que os estrategistas trôpegos de Temer resolveram que ainda não é hora de largar o osso, e o espetáculo que se anuncia é triste, principalmente com a prisão de Rocha Loures.
 
Além disso, a cruzada moralizadora da Lava Jato entra em declínio, já que seus efeitos não são animadores. A relação entre políticos e empresários não foi afetada, como ficou claro no caso da JBS, inclusive com preso que continuaram a receber propinas. 

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As instituições brasileiras não estão funcionando, por Fernando Horta

As instituições brasileiras não estão funcionando

por Fernando Horta

Instituições são normas, regramentos, padrões; físicos, imagéticos ou culturais criados pelo homem com objetivo de constranger ou estimular determinadas ações e valores. Isto desde as religiões teocráticas e despóticas da antiga Mesopotâmia, passando pela igreja católica medieval, pelos estatutos das nobrezas europeias, pelo iluminismo do século XVIII chegando até nossa sociedade hoje.

Quando se cria, por exemplo, um ritual para se comemorar o dia da “pátria”, se está incentivando que as pessoas cultuem uma ideia de nação e, ao mesmo tempo, constrangendo aqueles que nisto não acreditam, de forma a que não se manifestem abertamente. Claro que existem os usos perversos das instituições. O casamento, por exemplo, que originalmente incentivava a monogamia heterossexual, a sacralidade do papel de mãe da mulher e a consolidação de uma célula familiar patriarcal, acabou resultando no encarceramento social e cultural da mulher, por anos entendido como único papel socialmente aceito que poderia ser exercido pela mulher.

A reflexão política e social do século XVIII criou a ideia de “república” que, aplicada às instituições, significava que para “estarem funcionando” as instituições deveriam ser igualitárias. Deveriam, também, agir da mesma forma sobre todos os indivíduos, agora chamados de “cidadãos”. O século XX traz a ideia da transparência, da participação democrática e do respeito a um grupo de valores ocidentalmente definidos, chamados “direitos humanos”. Assim, hoje, para dizermos que uma instituição moderna “está funcionando” ela tem que ser republicana, transparente, com participação democrática e respeitando os valores básicos delimitados como direitos de todo ser humano, indiferente a qualquer outra condição.

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Jeremy Corbyn: a esquerda cresce quando defende o seu programa, por Lindbergh Farias

Jeremy Corbyn: a esquerda cresce quando defende o seu programa

por Lindbergh Farias

Osvaldo Aranha, político gaúcho e chanceler brasileiro, costumava dizer ironicamente que as ideias no Brasil costumam demorar a passar na alfândega. A esquerda brasileira precisa sintonizar as ondas do que acontece no mundo.

As experiências eleitorais recentes nos Estados Unidos (Bernie Sanders), França (Jean-Luc Mélenchon), e no Reino Unido (Jeremy Corbyn), concentram a seguinte lição: em tempos atuais, a esquerda, quando assume um programa de crítica radical do neoliberalismo e do capitalismo financeiro, polariza, aglutina e cresce; quando, ao contrário, assume um discurso envergonhado e conciliador diante do mercado e das elites, definha organicamente, deixa de polarizar, aglutinar e crescer.

Além disso, ao não polarizar, sucede a tragédia das tragédias: a ausência de uma esquerda de verdade cede espaços ao crescimento da direta neofascista. Não se trata de apenas ganhar eleições, embora isto seja fundamental, mas de a esquerda sair fortalecida e largo horizonte de futuro. 

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Capital, razão e o Brasil de hoje, por Fernando Horta

Capital, razão e o Brasil de hoje, por Fernando Horta

Todos conhecemos a chamada “Lei do Retorno”. Aquele que diz que tudo o que você faz para o universo você recebe de volta. Para os místicos é um princípio universal imutável. A Física tem algumas interessantes teorias sobre conservação de energia, sobre o par ação-reação e mesmo nas teorias do caos, entropia e etc. No fundo parece que o ditado “místico”-religioso encontra algum fulcro na ciência moderna que respalda sua validade.

Pois é exatamente este princípio que explica a postura da mídia oligárquica brasileira em sua guinada para derrubar Temer. No último mês, muitos têm estranhado a postura da mídia (em especial da Globo) que “esqueceu-se” de Lula e ataca Aécio e Temer. A razão é bastante simples, conhecida desde o século XIX, aliás.

O capital é pragmático, busca os maiores ganhos possíveis com o menor risco. Assim as teorias estruturais explicavam o capitalismo. A que melhor explica, até hoje faz um sucesso grande no mundo: o materialismo histórico, que alguns, com certa dose de erro, chamam de “marxismo”. Segundo esta teoria, a ação dos detentores do capital poderia ser igualada a uma regra fundante do capitalismo: obter sempre e cada vez mais lucro. Na prática, o século XX costuma ser explicado desta forma. Guerras, fome, violência, propaganda, política, informação e tudo o que você vier a pensar é visto como um meio para que o capital possa receber cada vez mais pelos seus “investimentos”.

No Brasil não é diferente. Trata-se sempre de ganhar mais. A qualquer custo.

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Fernando Haddad disseca o arco do atraso em depoimento histórico

O ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, publicou um depoimento histórico na revista Piauí, sobre sua experiência com o poder desde os tempos de Ministro da Educação.

No artigo, fala dos problemas de Dilma Rousseff, do papel deletério da mídia, aponta o promotor suspeito de receber propina, e que passou a persegui-lo, mostra que José Serra foi o principal mentor do golpe, entre outras re

O fator Dilma e São Paulo

Fernando Haddad descreve sua ida a Brasília, ainda antes da posse na prefeitura, para se encontrar com a presidente Dilma Rousseff. Na manhã seguinte ao segundo turno, Haddad já havia insinuado que  governo federal deveria tratar São Paulo de maneira especial, por sua importância. Dilma respondeu com um olhar zombeteiro, tipo “não me venha querer levar vantagem”.

O encontro foi no seu gabinete, no 3o andar do Palácio do Planalto, ao lado dos Ministros Guido Mantega, da Fazenda, e Miriam Belchior, do Planejamento, Orçamento e Gestão. Haddad levou seu Secretário das Finanças. Marcos Cruz. O ambiente foi se tornando gradativamente mais tenso. E veio a cobrança sobre or reajuste da tarifa de ônibus no município.

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PT joga com Temer e Rodrigo Maia como suas opções, por Tales Faria

Por Tales Faria

No Poder 360

O 6º Congresso Nacional do PT, que se realiza neste final de semana em Brasília, será palco de manifestações do partido contra o presidente Michel Temer e pelas eleições diretas. Publicamente, o partido é absolutamente contrário à candidatura do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), para 1 mandato tampão do Planalto, caso Temer seja apeado do poder.

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Temer seria afastado se fosse homicida, ao invés de corrupto?, por Jeferson Miola

 
Por Jeferson Miola
 
O governo Temer, considerado uma organização criminosa pela crônica política, se aproxima da unanimidade nacional: é rejeitado por quase 100% da população brasileira.
 
O ajuntamento golpista instalado em Brasília é uma cleptocracia – na tradução literal do grego, um “governo de ladrões”. Este “governo de ladrões” causou o desmoronamento ético e moral da política nacional, e sua continuidade é empecilho para o país sair do abismo econômico e social.
 
A situação do Brasil é absurda. O governo do país é controlado por um presidente e ministros que simplesmente não governam, porque têm como prioridade exclusiva segurar o foro privilegiado para fugirem da prisão. Enquanto isso, o país continua despencando no precipício.
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A simplicidade da corrupção, por Mário Lima Jr.

Foto: Fotos Públicas

A história recente da política brasileira, marcada pela corrupção, traz surpresas demais até para cientistas políticos experientes. O cidadão comum frequentemente desiste de entendê-la, procura um bar - ou o Jornal Nacional - e canta o refrão da música "Deixa a vida me levar", de Zeca Pagodinho. Se, por um instante, isolarmos os detalhes abundantes das notícias e destacarmos os objetos de desejo daqueles que traíram o voto popular, perceberemos que seus interesses são bastante parecidos e consideravelmente simples.

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O pragmatismo de curto fôlego de uma certa esquerda, por Ricardo Cavalcanti-Schiel

Foto: Agência PT

Por Ricardo Cavalcanti-Schiel

(comentário ao post “Podemos fazer mais?”, de Ion de Andrade)

A análise que Ion de Andrade oferece – ao debate que aqui se vem travando sobre as "possibilidades" de uma esquerda petista – se concentra quase exclusivamente na dimensão institucional da política, ou seja na dimensão de governo, supondo como pacífica a tese de que Lula será eleito como próximo Presidente da República.

Creio que isso produz um duplo efeito perverso sobre o sentido da análise. Primeiro, que a torna meramente instrumental(izada) quanto à percepção do que seja o campo da política, sobretudo no que respeita às construções simbólicas nesse campo (algo sobre o quê os antropólogos teríamos algo a dizer, mas que os cientistas políticos em geral não têm). Segundo, que a hipótese Lula é apenas uma hipótese e que, ao absolutizá-la como alguns pretendem (talvez para lhe outorgar o efeito performativo de verdade), não se faz mais que continuar míope dentro do campo mesmo da institucionalidade política.

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Sabotadores da infância: da escassez ao excesso, por Ana Lúcia Machado

Por Ana Lúcia Machado

No Educando Tudo Muda

O ddesenvolvimento saudável da Primeira Infância é a base da prosperidade econômica e justiça social de uma nação. Sabemos que as primeiras experiências da vida de uma criança são incorporadas por ela, permanecendo por toda a vida.

A  luta por uma infância digna ainda é grande e deve ser nossa prioridade absoluta. São vários os sabotadores da infância que precisam  ser combatidos. Eles vão desde aspectos caracterizados pela escassez, até o outro extremo, os excessos.

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Prisão de Loures aumenta pressão do empresariado pela saída de Temer

Fotos Públicas

Jornal GGN - Ainda é cedo para falar de uma delação premiada de Rodrigo Rocha Loures, mas a prisão do ex-assessor especial de Michel Temer complica ainda mais a luta por sobrevivência no poder por parte do governo. Segundo análise de Kennedy Alencar, o novo e negativo fato político criado pela prisão de Loures - flagrado recebendo uma mala de propina da JBS em nome de Temer - faz com que o empresariado aumente a expectativa em torno da queda do presidente. Isso a três dias do julgamento da ação de cassação de mandato no Tribunal Superior Eleitoral. 

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Podemos fazer mais?, por Ion de Andrade

Foto: Paulo Pinto/Agência PT

Por Ion de Andrade

Entrando na discussão de Fernando Horta e Luis Felipe Miguel

As discussões na esquerda e no campo democrático em torno da agenda de um próximo governo Lula vêm tendo o mérito de induzir a uma reflexão sobre alcance e limites da era trabalhista e fazem parte de um exercício de balanço autocrítico mas também diagnóstico desse período, cuja compreensão é crucial para que possamos ir adiante. Vou abordar aqui três vertentes que me parecem representativas da formulação da esquerda e do campo democrático da atualidade e eu as criticarei construtivamente em busca de horizontes de consenso e retomada. Então vou abordar essa temática do "fazer mais" por um ângulo diferente dos meus predecessores.

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A plataforma Jobim, por Maria Cristina Fernandes

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Foto: Wilson Dias/Agência Brasil
 
Jornal GGN - Em sua coluna no Valor Econômico, a jornalista Maria Cristina Fernandes fala sobre a possível candidatura do ex-ministro Nelson Jobim em uma eventual eleição indireta, em caso de impeachment ou renúncia de Michel Temer. 
 
Ela destaca que a coluna que Jobim escrevia no jornal gaúcho Zero Hora foi suspensa há duas semanas, coincidindo com a ascensão do ex-ministro como o “nome mais suprapartidário para o colégio eleitoral”. Fernandes afirma que o advogado tem o mérito de defende a tese impopular de que não há solução para a crise fora da política. 
 
"A criminalização da política serve a impostores e déspotas. A crise política se resolve pela política”, escreveu o ex-ministro, demonstrando preocupação com a aparição de uma aventureiro para 2018. A jornalista também pontua que, recentemente, Jobim deu uma palestra no BTG-Pactual dizendo que não acreditava mais que Temer iria permanecer no Planalto. 

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Capitalismo de Estado contra capitalismo de livre-mercado, por Fernando Nogueira da Costa

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Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Capitalismo de Estado Republicano contra Capitalismo Neoliberal de Livre-Mercado

Fernando Nogueira da Costa[1]

O Instituto de Economia da UNICAMP recebeu o maior evento de Economia Política do Brasil. Mais de mil pessoas se inscreveram no XXII Encontro Nacional de Economia Política (ENEP) que aconteceu entre os dias 30 de maio e 02 de junho. Nos debates de trabalhos de pesquisa de dados e uso analítico de teorias e conceitos para pensar “fora-da-caixa” do mainstream neoliberal, que monopoliza todo o espaço na mídia brasileira, novos ângulos das mais importantes questões nacionais foram apresentados.

No Grupo de Trabalho sobre Economia Política e Macroeconomia, em debate plural e livre, deu-se um passo adiante da Economia Positiva – o que é – para se esboçar propostas de Economia Normativa – o que deveria ser. Partiu-se do consenso social do “primeiramente, fora Temer” para as trocas de ideias sobre um possível programa eleitoral à espera de um candidato de oposição. Mas, desta vez, com a vantagem de usar as lições negativas da experiência social-desenvolvimentista brasileira para superá-las, retomando tudo o que foi positivo, por exemplo, uma política social ativa.

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MBL não resistiu ao vento, por Danilo Strano

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Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
 
MBL NÃO RESISTIU AO VENTO
 
O FIM DE UM MOVIMENTO SEM BASE
 
por Danilo Strano
 
A política é conhecida pelas mudanças bruscas de rumo que ocorrem de tempos em tempos. Nacionalmente isso tem ocorrido com uma frequência grande nos últimos anos. E do mesmo jeito que novos protagonistas aparecem, outros tantos tem apenas 5 minutos de fama e desaparecem com o soprar do vento.
 
O barco do MBL foi empurrado pelo vento da rejeição a Dilma e a crise econômica do país, ganhou projeção em cima disso. Mas sem as pessoas para remarem nos momentos em que o vento muda de posição, o barco some no oceano. O movimento não aguentou a queda da Dilma, ironicamente, eles que surgiram com esse objetivo, não souberam construir bases para continuar fortes após o objetivo alcançado.

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