Revista GGN

Assine

Artigos

O cheiro de pizza se espalha pelo ar, por André Singer

Jornal GGN – André Singer, em sua coluna na Folha, evidencia a pizzada que está sendo servida no Congresso, com definição de sabores pela mídia. Articular para que Rodrigo Maia possa ocupar a Presidência até o final de 2018 pode ser um balão de ensaio, ou não, dependendo da reação.

Segundo ele, a pizza carrega dois sabores. O primeiro é o de agradar o capital, evidenciando neste quesito matéria veiculada no Valor, de que o Maia já se articula com mercado. A matéria não dá nome nem reações dos tais contatos do mercado financeiro, mas da força que Maia faz em provar que está apto a assumir a função, mantendo, é claro, a equipe econômica e as reformas.

Leia mais »

Média: 3.3 (6 votos)

Amado Batista e a tortura voltam, por Urariano Mota

Amado Batista e a tortura voltam

por Urariano Mota

“Eu acho que mereci a tortura. Fiz coisas erradas, os torturadores me corrigiram, assim como uma mãe que corrige um filho. Acho que eu estava errado por estar contra o governo e ter acobertado pessoas que queriam tomar o país à força. Fui torturado, mas mereci”.

A frase acima é do compositor de pérolas Amado Batista. Em 2013, quando comentei essa brutalidade, pude escrever:

A primeira coisa que destaco na frase do cantor Amado é a mentira, sob duas faces. Na que mais aparece, a mentira objetiva, da realidade a que se refere, pois a ninguém deve ser dada a punição da tortura, e no caso de Amado com o agravo do adjetivo “merecida”. Na outra face, mentira subjetiva mesmo, porque o não muito Amado desloca a dor sofrida para a felicidade da ética, aquela em que fazemos o justo, ainda que seja desconfortável.

Leia mais »

Média: 5 (12 votos)

Em meio à articulação pró-Maia, Aldo Rebelo (PCdoB) lança manifesto pela união

Foto: Agência Brasil
 
 
Jornal GGN - Aldo Rebelo, uma das maiores lideranças do PCdoB, acaba de lançar um manifesto suprapartidário que visa minimizar a polarização entre direita e esquerda e unir o País em torno de um projeto. A ideia ocorre no momento em que cresce a articulação para que Michel Temer seja afastado e Rodrigo Maia - amigo de Aldo - seja alçado à presidência da República, para aprovar as reformas impopulares.
 
Em artigo publicado nesta sexta (7), Helena Chagas chamou atenção para o timing da iniciativa de Aldo.
Média: 2.8 (9 votos)

A já esperada queda nas receitas, por Paulo Kliass

do Vermelho.org

A já esperada queda nas receitas

A promessa da suposta eficiência e competência do “dream team” do financismo não resistiu a alguns meses de banho de realidade.

por Paulo Kliass

O noticiário está completamente tomado pelos sucessivos escândalos de natureza política, envolvendo os personagens mais próximos da Presidência da República. Denúncias e delações trazem para o centro do noticiário “politicial” a evidência da corrupção como prática “naturalizada” na Esplanada. São malas de dinheiro e depósitos em contas ilegais no exterior de membros do grupo portador da redenção. Os denunciados são aqueles que passaram a ocupar os postos da Esplanada, com a incumbência de tirar o Brasil do mar de lama em que estaria envolto até poucos minutos antes da definição do golpeachment.

Apesar disso, os meios de comunicação ainda oferecem alguma ou outra notícia a respeito das tentativas desesperadas da equipe econômica. Os representantes autênticos do financismo insistem em dizer que também estão “animadíssimos” com a perspectiva da superação da crise. A exemplo do chefe Temer, os ministros tentam exibir um otimismo que não se sustenta em nenhum relatório estatístico oficial e muito menos em avaliações prospectivas de curto ou médio prazos a respeito do ritmo da atividade econômica. Mas a força dos fatos faz com que os jornais agora comecem a estampar as ameaças do núcleo do governo em aumentar os impostos.  Leia mais »

Média: 5 (4 votos)

Destino: Moçambique, por Andreia Prestes

Destino: Moçambique

por Andreia Prestes

Depois de 30 anos, estou voltando a Moçambique, país africano que acolheu meus pais e toda a família durante o exílio, no período da Ditadura Civil Militar no Brasil. Esse retorno, emocionante para todos nós, tem trazido à memória nossa história familiar e uma reflexão sobre as permanências e continuidades na história política brasileira.

Nasci em Moscou, na antiga URSS, no ano de 1978. Minha mãe, Rosa, brasileira, saiu do país acompanhando os meus avós que se exilaram diante do recrudescimento da ditadura civil militar no Brasil. Meu pai, João Massena Melo Filho, também brasileiro, saiu do Brasil para estudar, após a prisão do meu avô paterno, João Massena Melo, militante do Comitê Central do Partido Comunista.

No mesmo ano do meu nascimento, meu pai terminou o Mestrado na Universidade dos Povos Patrice Lumumba, em Moscou, e foi informado por intermédio do seu sogro, Luiz Carlos Prestes, que se retornasse ao Brasil corria o risco de ser preso no aeroporto em função das atividades culturais de mobilização que realizava junto a outros estudantes brasileiros no leste europeu.

Leia mais »

Média: 4.6 (10 votos)

Por que Temer age como se não estivesse passando nada? Por Pablo Ortellado


Foto: José Cruz/Agência Brasil
 
Jornal GGN - "Por que o presidente segue governando, como se não estivesse passando nada?", questionou o cientista político e professor do curso de Gestão de Políticas Públicas da USP, Pablo Ortellado.
 
A pergunta foi feita diante do claro contexto de impopularidade do mandatário peemedebista Michel Temer junto a população. A resposta vem em seguida: enquanto apenas 7% dos brasileiros aprovam a sua permanência na Presidência da República, a sua grande base aliada o sustenta no poder, seguindo a lógica "de uma infame aliança entre o empresariado e a classe política".
 
E o fator adicional, das não mais seguradas sequências de denúncias e acusações que recaem, dia a dia, contra diversos políticos, sobretudo os mesmos da cúpula e da base aliada do governo, fazem com que os parlamentares hoje tenham "mais medo de ir para a cadeia do que de não serem reeleitos", completou Ortellado.
Média: 3.3 (9 votos)

Governantes sem caráter e a destruição das instituições, por Aldo Fornazieri

Governantes sem caráter e a destruição das instituições

por Aldo Fornazieri

Adotando aqui o conceito de "governante" no sentido amplo, referido às pessoas que ocupam posições de destaque nas instâncias dirigentes dos três poderes, o que se observa, de forma acelerada nas últimas semanas, é que alguns deles vêm empreendendo uma devastadora destruição do pouco que resta da institucionalidade e da constitucionalidade do Estado brasileiro. A marca das condutas e do empenho desses dirigentes é a completa falta de caráter, de moral, em suas ações deletérias.

O mais grave é que não há forças capaz de detê-los. O STF não só perdeu a capacidade de exercer o controle constitucional, como, alguns dos seus ministros se engajaram ativamente na destruição do próprio órgão e de outras instituições. As oposições, sem uma estratégia definida, além de não terem força no Congresso, não têm capacidade de promover uma significativa convocação da sociedade para as ruas visando deter o processo destrutivo do país.

Leia mais »

Média: 4.7 (13 votos)

Ó vós que passais, por Fernando Venâncio

Enviado por Gilberto Cruvinel

Ó vós que passais, por Fernando Venâncio

Alguém disse (hoje não recordo quem, e lamento-o) que a Revolução de 1974 estava prestes a generalizar o emprego do pronome «vós», quando ela própria se findou. Ora, a ter-se ele verificado, esse encontro entre a política e a linguagem havia de provar-se, não se duvide, de fascinantes consequências.

Por detrás de tão cândido pronome, estende-se um mundo insuspeitado para aqueles de nós a quem coube o destino de não nascer minhoto ou trasmontano. Sem dúvida: ao aprendermos as conjugações (e suspeito que hoje já não se aprendem com a convicção de outrora), arquivámos na mente, entre as demais, a segunda pessoa do plural. Mas a existência de tais formas («vós falais», «vós traríeis», «escrevei vós»), a existência delas fora da gramática parecia-nos, se é que nisso pensávamos, um exagero. Até ao momento em que, com estupefacção, as descobríamos na rua. Veja-se o humilde caso pessoal.

Leia mais »
Média: 5 (2 votos)

Brasil pode ter a resposta que todo o mundo procura, por RD Maestri

Protestos em Brasília
Foto: Agência Brasil

Por RD Maestri

A grande discussão das forças democráticas no momento é a forma de combater o neoliberalismo e as concepções pós-democráticas que este tenta induzir.

O neoliberalismo está criando um fosso entre a imensa maioria da população e uma oligarquia reinante, os limites da concentração de renda que com os países que possuíam uma socialdemocracia atuante foram rompidos pela ausência da polaridade entre os países capitalistas e os socialistas reais compostos pela a União Soviética, pois na ausência desta o liberalismo que andava esquecido desde a crise de 1929 que impeliu os países a verdadeiras reformas nos controles financeiros, foi substituído por frouxos controles dos fluxos de capitais. Aliando a multiplicação da moeda pelas mais diversas formas de investimento e com a inexistência de um padrão ouro, levou a criação de interesses planetários de lucros crescentes baseados não mais na produção, mas sim no papel denominado Dólar.

Este fosso que olhando somente para o nosso umbigo, achamos que é algo característico do nosso país é internacional, as outrora economias europeias sólidas e solidárias estão se desfazendo em todos os grandes países, nunca se teve além de um número de desempregados tão grande associados a uma crise que perdura há quase uma década, e pior, sem o mínimo horizonte de saída.
Leia mais »

Média: 4 (4 votos)

Construir uma Alternativa à crise política, por Ion de Andrade

Foto Danielo Shutterstock

Construir uma Alternativa à crise política

por Ion de Andrade

Em 1984 o PCB lançava o livro "Uma Alternativa Democrática para a Crise Brasileira". Por meio daquele conjunto de propostas o partidão pretendia alinhar um amplo leque de forças e assegurar a transição e a consolidação da democracia no Brasil. Lançado nas movimentações em favor da sua legalização o texto exprimia a visão do Comitê Central.

A “Alternativa”, como passou a ser chamada, representava o eixo central da política do partido e norteava o trabalho da militância em todas as searas, provendo um importantíssimo alinhamento entre a macro e a micropolítica, o que permitiu a um PCB microscópico uma influência política maior naqueles anos. A formulação do partidão teve ainda relevância, apesar do seu esfacelamento, enquanto fundamentação teórica e política para a complexa engenharia que deu vida à constituição de 88.

Leia mais »

Média: 3.8 (4 votos)

A ficção de Michel Temer, por Urariano Mota

A ficção de Michel Temer

por Urariano Mota

Todos vimos uma das mais repetidas notícia desta semana: o presidente Michel Temer discursou contra a denúncia de corrupção passiva apresentada pelo procurador-geral da República Rodrigo Janot. Penso que se depois de um  longo sono acordássemos de repente em junho de 2017, pensaríamos estar diante de um capítulo de medíocre telenovela do Brasil. Lá na telinha, um ator no papel do Conde Drácula em traje civil discursava:

“Os senhores sabem que eu fui denunciado por corrupção passiva. Note, vou repetir a expressão, corrupção passiva a essa altura da vida, sem jamais ter recebido valores, nunca vi o dinheiro para cometer ilícitos....

Eu digo, meus amigos, minhas amigas, sem medo de errar, que a denúncia é uma ficção.... E eu volto a dizer: a denúncia de que sou corrupto é uma ficção”.

Para se defender com a maior cara de madeira, que não tem outra, o presidente Michel Temer valeu-se de um erro comum em políticos profissionais e até em jornalistas. A saber, que o outro nome da mentira é ficção, porque, num círculo vicioso, toda mentira seria ficção e toda ficção é mentira. Menos, ou melhor, o erro dessa fama é quase absoluto. Para não entrar numa pesada definição de conceitos, lembro de imediato uma opinião definidora sobre o que vem a ser a a grande ficção, que Engels viu na Comédia Humana: 

Leia mais »

Média: 5 (4 votos)

Um país feliz com a paz dos cemitérios, por Carlos Motta

​Um país feliz com a paz dos cemitérios

por Carlos Motta

Em 1964, quando o golpe militar acabou com a democracia no Brasil, eu tinha 10 anos e vivia em Jundiaí, hoje um município com mais de 400 mil habitantes, a 60 quilômetros da capital paulista. 

Na época, Jundiaí era uma típica cidade de porte médio do interior, tranquila, conservadora, sem nenhum grande atrativo, a não ser um parque onde se realizavam as "festas da uva", e um ginásio de esportes de formato arredondado, que todos conheciam como "Bolão".

A sociedade jundiaiense daquele tempo obedecia a uma rígida hierarquia: havia os milionários, poucos, uma ampla classe média, que reunia desde os remediados, que moravam "de aluguel" ou em pequenas casas mais afastadas do Centro, até aqueles que, aos nossos olhos, eram ricos - ou quase -, e os pobres, a maioria.

Leia mais »

Imagens

Média: 5 (13 votos)

Um pedido de desculpas, por Fernando Horta

Um pedido de desculpas

por Fernando Horta

Precisamos, a bem do convívio social, reconhecer quando somos incoerentes ou inconsistentes. Entender o outro é vital numa sociedade, especialmente em momentos de crise como estamos enfrentando.

Esta semana eu percebi o sentimento de repulsa, de impotência e indignação que os apoiadores do golpe no Brasil viveram durante todo o período de governos progressistas (de 2003 até 2014). A opressão do sistema social, político e jurídico deve ter sido insuportável para eles durante todos estes anos. E eu, inadvertidamente, não percebi o quanto era aterrador para a direita.

Desde o início do governo Temer eu tenho sentido, provavelmente, o que eles sentiram por quase 13 anos. Tenho anos de estudo, pós-graduações, experiência em diversos estados como professor e ainda assim tenho me sentido amarrado, sem reconhecer o meu país. Uma vontade imensa de sair gritando a indignação a cada direito perdido, a cada absurdo votado no congresso, a cada morte de pessoas vulneráveis, a cada cobertor retirado no inverno. Ver Mendonça Filho debatendo Educação com Alexandre Frota é simplesmente amedrontador. Ver Romero Jucá e sua desfaçatez falando em “votar reformas pelo Brasil” me engasga a garganta, me deixa enojado de uma forma que eu nunca tinha experimentado.

Leia mais »

Média: 4.6 (27 votos)

O empresariado que estimula a revolução social no país, por J. Carlos de Assis

O empresariado que estimula a revolução social no país

por J. Carlos de Assis

Os paulistas me surpreendem. Em especial os paulistas ricos. Conversei nesta quinta com o presidente da Abinee, Humberto Barbato, e esperava dele a manifestação de algum desconforto com os rumos da política econômica. Ao contrário, ele se mostrou exultante com a suposta recuperação da economia. Argumentou que em sua área, a indústria eletro-eletrônica, as coisas vão muito bem pelo testemunho dos seus pares. Claro que não pode haver retomada de uma vez. Isso quem pretende, sem razão, são “as esquerdas”.

Para Barbato, toda desgraça que ainda resta na economia se deve à herança dos 13 anos de governo do PT. Em especial “daquela mulher”. Obviamente que ele não inclui no espólio de Dilma a grande estupidez da isenção fiscal para a linha branca, de que os sócios da Abinee foram beneficiários diretos. Foram bilhões de reais para engordar o lucro da pauliceia rica, sem geração de um único emprego, ao contrário da forma como era justificada. Nos 13 anos o BNDES também esteve sempre aberto para os investidores produtivos.

Leia mais »

Média: 5 (7 votos)

Agora, respostas às invasões econômicas são fatais, por Rui Daher

Agora, respostas às invasões econômicas são fatais

por Rui Daher

em CartaCapital

O atual ciclo do capitalismo está obcecado por fazer o dinheiro aumentar sem produção, comércio ou serviços.

Vamos mal, senhores e senhoras. Falo do planeta e nele de países ricos, cidades grandes e pessoas com dinheiro e poder (pleonasmo, talvez). “Mas esses são poucos”, diz meu amigo Pires, o raso. Poucos sim, respondo, até diminuindo, mas fazem um baita estrago.

E de nós, que vivemos em um só diapasão, falar o quê? Repetir o poeta português Fernando Pessoa (1888-1935), “navegar é preciso, viver não é preciso?" Ou perguntar, como fez Caetano Veloso, “existirmos a que será que se destina”? Estaríamos falando de nós, os que não existem, vivem, navegam e têm o destino de não existirem, viverem ou navegarem.

Este péssimo introito me chega depois de ler Ana Maria Primavesi, História de Vida e Agroecologia, de Virgínia Mendonça Knabben (Editora Expressão Popular, SP, 2016). Conheci ainda mais de uma mulher que existe, vive e navega com destino.

Leia mais »

Imagens

Média: 5 (6 votos)