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Doria: Nazismo na Cracolândia, por Aldo Fornazieri

Doria: Nazismo na Cracolândia

por Aldo Fornazieri

Em nome do combate ao tráfico de drogas, da cidade linda e da reurbanização da região da Luz, o prefeito Dória, com o apoio do governo do Estado, desencadeou um verdadeiro pogrom na região da Cracolândia. Pogrom é um termo de origem russa nascido para designar as ações de massacres contra judeus no século XIX. Mas o termo se generalizou e designa ações violentas (assassinatos, expulsões e agressões) praticadas pelo Estado, por forças policiais ou paramilitares contra grupos sociais ou étnicos específicos. Essas ações transitam desde massacres e extermínios até a dispersão e o desalojamento geográfico desses grupos vitimizados. O nazismo usou os pogroms em larga escala. O pogrom nazista mais famoso é conhecido como "A Noite dos Cristais", ocorrido em 1938, no qual foram queimadas sinagogas, judeus assassinados, lojas saqueadas e destruídas, tudo com o beneplácito do Estado nazista.

O pogrom oficial de Dória não chegou a tanto, mas teve dispersão de uma comunidade de doentes e dependentes químicos, várias bombas, agressão policial, lojas fechadas, pessoas despejadas, derrubada de casas sobre moradores, interdição de áreas com uso de força armada, trabalhadores e crianças saindo apenas com a roupa do corpo e pessoas proibidas de entrar em suas próprias casas. Expressando a ideologia típica da elite branca dos Jardins, o prefeito Dória mostrou-se valente contra doentes e moradores de rua e, no alto da sua arrogância, decretou, por ato de vontade, o fim da Cracolândia para todo o sempre. Governar por atos de vontade e ao arrepio da lei é uma conduta típica dos totalitários de todos os tipos e do nazismo em particular.

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O fascismo sem máscaras, por Fábio de Oliveira Ribeiro


Foto: Divulgação

FHC disse a Michel Temer que ele deveria ficar no poder, Tasso Jereissati aplaudiu a utilização de militares contra o povo brasileiro e Aloysio Nunes se recusa a deixar o governo do usurpador. Os três rejeitam a realização de eleições diretas. Na pior das hipóteses querem impor ao país um governante eleito pelo mesmo Congresso que foi quase todo comprado pela JBS.

Durante décadas estes três cidadãos se disseram politicamente liberais e adeptos do socialismo ou, no mínimo, da preservação e ampliação de uma rede de seguridade social que permitisse aos brasileiros sair da miséria absoluta. Neste exato momento eles apoiam a rápida, irresponsável e perversa destruição dos direitos sociais, trabalhistas e previdenciários dos brasileiros. O ideal que eles compartilham é o da exclusão. Para eles - apesar de todas as Convenções e Acordos internacionais que obrigam o Brasil a cuidar dos seres humanos em situação econômica fragilizada - o Estado só deve garantir os privilégios senhoriais de algumas castas de servidores eleitos e concursados.

As máscaras que FHC, Tasso Jeirissati e Aloysio Nunes usaram para granjear popularidade se desmancharam no ar. Para entender como isto ocorreu citarei Gaston Bachelard:

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Dona Marisa, Cláudia Cruz e a justiça de classe de Moro, por Jeferson Miola

Por Jeferson Miola 

Sérgio Moro foi um caçador implacável da Dona Marisa. O juiz-acusador perseguiu a ex-primeira dama com uma tal e eficiente obsessão que conseguiu, finalmente, condená-la à morte com um AVC.
À continuação, um odioso Moro, ser possuído por sentimentos que são estranhos a pessoas justas e de bem, quis decretar a condenação eterna da Dona Marisa.

Ele descumpriu o Código de Processo Penal e relutou, por mais de 30 dias depois do óbito, a declarar a inocência da Dona Marisa.

O grande crime cometido por Marisa Letícia, na convicção do Moro e dos seus colegas justiceiros de Curitiba, foi ter sido a companheira de vida e de sonhos do ex-presidente Lula; a parceira do sonho de um Brasil digno, justo e democrático.

Neste 25 de maio de 2017, Moro trocou a toga daquele juiz-acusador que persegue obsessivamente Lula, pelo traje de advogado de defesa dos integrantes da sua classe – no caso, a família Cunha/Temer/Aécio.
Moro inocentou Cláudia Cruz, a “senhora” do presidiário Eduardo Cunha [como a burguesia patriarcal se referes às esposas dos “chefes de família”], o integrante da camarilha e sócio de Michel Temer na conspiração que golpeou a Presidente Dilma.

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Saídas democráticas, por Franklin Jr

Por Franklin Jr

Saídas democráticas: Ao menos dá para casar?

O próximo domingo (28) promete mais uma série de mobilizações contra o golpismo. É hora de resgatar a política e as ruas são o melhor caminho para aquecer o caldeirão de possibilidades que nos apontarão as saídas deste pesadelo e o reencontro com a primavera democrática. O que fazer? Será possível construir uma teia de opções mutuamente potentes?

Antes de qualquer coisa, de ser dilmista, lulista ou esquerdista (ou até mesmo direitista), é preciso ter apreço pela Constituição e zelar pela institucionalidade democrática. Nesta perspectiva, a solução mais decente para a crise e mais coerente com o regramento constitucional vigente (a Constituição Federal de 1988), que não dependa de nenhum tipo de remendo ou de emenda constitucional, é, hoje, a anulação do processo de impeachment ilegal.

Considerando a assertiva do dramaturgo francês, Jean Cocteau, de que “o futuro não pertence a ninguém” especificamente, a anulação do impeachment ilegal e a restituição do legítimo mandato presidencial de Dilma até 2018, é uma linha de luta pela qual as forças populares deveriam insistir até esgotar as suas possibilidades. A apreciação e o julgamento do mandado de segurança impetrado junto à Suprema Corte é uma janela de possibilidade que continua aberta.

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Os laços da grande família jurídica do Brasil voltam à tona com a Lava Jato

Em foto de dezembro de 2009, o ministro Gilmar Mendes recebia os colegas que compunham a Corte do STF e ministros aposentados para almoço de confraternização.

Enviado por Vânia

Por Rodolfo Borges

Do El Pais

Uma pendenga entre o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e o ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, está na mesa da presidenta da Corte, Carmen Lúcia. No último dia 8, Janot entrou com um pedido para que Mendes seja impedido de julgar o caso no STF envolvendo o empresário Eike Batista no âmbito da Lava Jato. O procurador enxergou motivo para afastamento no caso do habeas corpus concedido por Gilmar para libertar o bilionário já que a mulher do juiz, Guiomar Mendes, trabalha no escritório que defende o empresário suspeito de pagar propina ao ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral.

Nesta quinta, Mendes apresentou sua defesa a Carmen Lúcia, devolvendo artilharia a seu ‘acusador’. “A ação do Dr. Janot é um tiro que sai pela culatra. Animado em atacar, não olhou para a própria retaguarda”, escreveu. O ministro se referia ao fato de a filha de Janot advogar para a empreiteira OAS, uma das protagonistas da Lava Jato, comandada no STF pelo pai. “Se o argumento do crédito fosse levado à última instância, talvez a atuação do procurador-geral da República pudesse ser desafiada, visto que sua filha pode ser credora por honorários advocatícios de pessoas jurídicas envolvidas na Lava Jato”, escreveu Mendes.

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Porque a Lava Jato não poderia ser monopólio de Moro ou Fachin, por Ademar Rigueira

Foto: Lula Marques/PT
 
 
Jornal GGN - O juiz Sergio Moro não deveria herdar a maioria esmagadora dos processos da Lava Jato em primeira instância com a desculpa de que tudo faz parte de um grande enredo de corrupção envolvendo a Petrobras. A figura do juiz natural da causa, uma reclamação constante entre advogados que defendem réus nas mãos de Moro, não tem sido respeitada. É o que analisa o criminalista Ademar Rigueira Neto, em artigo no Conjur, nesta quarta (26).
 
Na visão de Neto, Moro, como juiz que instruiu vários processos da Lava Jato, foi adotando a prática de quebrar sigilos em busca de uma informação x e acabou descobrindo y. E em vez de permitir que essa descoberta fosse transformada em uma investigação sob o Juízo competente, ele acabou monopolizando vários casos.
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Quadra de Vices, por Fábio de Oliveira Ribeiro

Quadra de Vices

por Fábio de Oliveira Ribeiro

João Goulart substituiu Janio Quadros, mas a posse dele foi contestada. Após um grande movimentação política (a rede da legalidade) Jango assumiu a presidência, sob um parlamentarismo de ocasião comandado por Tancredo Neves. Algum tempo depois os poderes presidenciais foram restaurados, mas João Goulart acabou sendo deposto sem qualquer resistência.

José Sarney tomou posse na presidência em virtude da morte de Tancredo Neves num contexto em que o homem mais poderoso do país era Ulysses Guimarães. Governante frágil capaz de reconhecer a própria fragilidade, Sarney abusou da distribuição de favores (especialmente das concessões de rádio e TV) para consolidar maioria no Senado e na Câmara dos Depurados. Ele fez algo realmente inédito: ele deu um calote na dívida brasileira. De plano em plano econômico, o governo Sarney se arrastou até um final sombrio que permitiu a criação de um salvador da pátria. 

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Com fim de mandato, Janot admite custos da Lava Jato e entrega Aécio como isca

Em guerra grande contra Michel Temer, o procurador-geral da República usa tardiamente cartas para serem sacrificadas: Aécio Neves
 

Foto: Lula Marques/ Fotos Públicas
 
Jornal GGN - "Quanto valeria para a sociedade saber que a principal alternativa presidencial de 2014, enquanto criticava a corrupção dos adversários, recebia propina do esquema que aparentava combater e ainda tramava na sorrelfa para inviabilizar as investigações?", disse Rodrigo Janot, o procurador-geral da República que detinha as primeiras acusações contra Aécio Neves (PSDB-MG) em mãos há dois anos e apenas agora colocou na roda da Lava Jato.
 
A frase de Janot foi publicada em artigo assinado propriamente por ele, no Uol, nesta terça-feira (23). O sacrifício de acusar publicamente Aécio carrega um contexto bem definido: o de faltar menos de um mês para a eleição dos procuradores da República a quem comandará a PGR. E, apesar de alguns nomes que figuram como oposição à sua conduta no Ministério Público Federal, o principal adversário é o presidente Michel Temer, que coloca em risco o reinado de Janot na Lava Jato.
 
"[A lista tríplice] tem sido respeitada nos últimos anos, mas não há nenhuma previsão constitucional que me obrigue a seguí-la", disse Temer, em abril deste ano, em tom intimidatório. A declaração foi aceita pelo procurador-geral como uma tomada para a guerra. 
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Aécio garantiu blindagem da imprensa por 30 anos, por Lucas Figueiredo

Foto: Charles Silva Duarte/O Tempo/Futura Press

Por Lucas Figueiredo

Vendido como mocinho pela irmã, Aécio garantiu blindagem da imprensa por 30 anos

No The Intercept
 
ESQUEÇA POR UM MOMENTO o espetáculo grotesco: um senador da República, presidente de um dos maiores e mais importantes partidos do país, já formalmente investigado pela maior operação anticorrupção do Brasil, se encontra em um hotel de luxo com um megaempresário e combina com ele o pagamento de uma propina de R$ 2 milhões. Na ação, o senador age em família, ajudado pela irmã e por um primo. Antes de encerrar as tratativas com uma frase lapidar – “isso vai me dar uma ajuda do caralho” –, o senador diz ao empresário, entre risadas, que mandaria matar o primo, encarregado de recolher a propina, caso este um dia resolvesse fazer delação premiada. O dinheiro, embalado em maços, é enfim entregue em malas ao tal primo, e o destino final da bolada são os cofres da empresa da família de outro senador, um político de péssima fama (quatro anos antes, o helicóptero de sua família, registrado em nome de uma pessoa jurídica, havia sido apreendido com 445 quilos de pasta de cocaína).
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A ruína do Golpe, o juízo da História e o movimento da Elite, por Aldo Fornazieri

A ruína do Golpe, o juízo da História e o movimento da Elite

por Aldo Fornazieri

O arranjo do golpe ruiu. Se não vierem eleições diretas e Temer continuar no governo, o que se verá nos próximos meses  será um semimorto se arrastando, com as carnes rasgadas e dilaceras, empunhando um bastão, ainda tentando fazer algum mal ao povo brasileiro.A história foi justa, rápida, implacável e severa para com os líderes do golpe e suas respectivas quadrilhas. Aécio, Temer e Cunha lideraram o impeachment para se apossar do poder, barrar a Lava Jato e continuar cometendo crimes, o último, inclusive, da cadeia.

Quis a história ou a deusa Fortuna retirar o debate acerca do caráter golpista do impeachment do terreno acadêmico e especulativo para colocá-lo no terreno dos fatos, pronunciando uma sentença irrevogável e definitiva: o impeachment foi golpe e, a cada dia que passa, novas revelações comprovam o seu caráter conspirativo. Com isso, foi julgada também a conduta de vários intelectuais, analistas consultores e jornalistas que se acovardaram diante dos acontecimentos e da pressão dos interesses opressivos e criminosos que agrediram a democracia.

A história carimbou a conduta do Supremo Tribunal Federal com a marca de omisso e conivente. A questão era simples: não se pode tirar um governo eleito, em nome do combate à corrupção, para colocar em seu lugar as piores e mais especializadas quadrilhas que vinham assaltando o poder público há décadas. Tal artimanha das elites estava destinada ao fracasso e a abrir feridas de um conflito político que se prolongará pelos próximos anos. Se quisessem uma saída razoável para os impasses do governo Dilma teriam que buscá-la em outro lugar e por outros métodos, não pela violência contra a democracia e a Constituição.

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Meirelles era o presidente do JBS e não sabia de nada? Por Mauro Lopes


Foto: EBC
 
Por Mauro Lopes
 
Henrique Meirelles, a grande unanimidade das elites do país, que insistem em colocá-lo acima de qualquer suspeita, tem um “detalhe” em sua biografia que a imprensa golpista deixou passar: ele era o presidente do grupo durante os anos em que o JBS repassou ao redor de meio bilhão de reais aos políticos, com carta branca dos donos. Uma de suas responsabilidades era exatamente o contato com o mundo político. Não é incrível? E não sabia de nada? Não viu nada? Não “trocava figurinhas” com o agora megadelator e seu ex-patrão Joesley Batista?
 
Se sabia, é inexplicável que não tenha ainda entrado na dança. Se sabia e atuou em parceria com Joesley, mais grave ainda.  Se não sabia, bem… se Meirelles foi o presidente do grupo entre 2012 e 2016 e não soube que saíram R$ 500 milhões do caixa das empresas, nas mãos de quem está a economia do país?
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Bauman e o momento político brasileiro, por Marcio Valley

do blog do Marcio Valley

Impressionante a capacidade analítica do saudoso Zygmunt Bauman no que concerne ao desvelamento dos mecanismos que põem o mundo em funcionamento. Seus livros trazem incontáveis lições sobre os processos de formação e desenvolvimento das interrelações sociais, principalmente os que determinam as macrorrelações, mas aqui e ali também produzindo a narrativa dos micropoderes que se digladiam no cotidiano, o campo da realidade mais próxima dos humanos.

No livro Em busca da política (1), há um capítulo especialmente interessante (2), que trata do desenvolvimento do conceito de ideologia ao longo do tempo. Há muito ensinamento, ali, cuja apreensão serve perfeitamente ao propósito de compreender o momento político vivenciado no Brasil atual.

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Lula e o caso do Tríplex, por Urariano Mota

Arte: Greg/DP

Lula e o caso do Tríplex

por Urariano Mota

No depoimento do ex-presidente Lula ao juiz Sérgio Moro, o destaque do interrogatório foi o famoso tríplex do Guarujá. Esse  maravilhoso e paradisíaco superapartamento, luxuoso e digno de um dos maiores líderes políticos do planeta, encheu mais os nossos olhos e ouvidos que o profundo riacho do Ipiranga cantado no Hino Nacional.  

A esta altura, acredito que o tríplex se tornou mais que um caso judicial e político. Pelas perguntas que iam e voltavam, pela riqueza de abordagens, pelos diferentes ângulos levantados por Moro, pelo vulto do vilão, personagens e  crime, o apartamento se fez também o caso do tríplex 174 da literatura policial. Não custa nada lembrar as principais características do gênero.  

Desde Edgar Allan Poe, com Os Assassinatos da Rua Morgue, a literatura policial se caracteriza pelos elementos básicos de crime, investigação e descoberta do criminoso. Mas, sabemos: do começo ao fim o desenlace deve ter uma razão lógica e possível.  O narrador, ou a voz que conduz, não pode cometer erros técnicos ao falar do método do crime e da investigação. Os personagens e o ambiente devem ser reais. Percebem? O que haveria de mais concreto que o fabuloso tríplex na praia do Guarujá no tempo da delicadeza da propina?

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Interrogatório de Lula. Generalidades que não vêm ao caso, por Armando Coelho Neto

Interrogatório de Lula. Generalidades que não vêm ao caso

por Armando Rodrigues Coelho Neto

Defender o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva é tarefa árdua. É atrair para si a lama que há tempos atiram contra ele. Seria mais cômodo endossar a demonização promovida pela dita grande mídia contra ele. É o que se tem feito, até por parte de muitos que se beneficiaram daquela lama.

Sistema podre (“Sempre se soube”), por conta disso ou daquilo, foi possível formar ou acumular grandes riquezas, legislar em causa própria, se beneficiar de Proer e similares, conquistar anistias e perdões fiscais. Dos pixulés aos agrados de gaveta e contas em paraísos fiscais, como poderia o “Trem Brasil” caminhar sem aquela locomotiva? Numa sociedade movida a pedágio, como alguém poderia alguém transitar de graça? Portanto, nenhuma surpresa. O resto é moral hipócrita, mas parece estar fora do contexto.

Com alguma frequência, o ex-presidente Lula destacava ser “preciso mudar a forma de se fazer política nesse país”. Com igual ênfase, sempre apregoou a necessidade de financiamento público de campanhas. Portanto, se não sabia como o “Trem Brasil” trilhava, pelo menos presumia com qual combustível. Suas falas, porém, seriam ou são nítidos sinais de um não endossar a forma de lubrificar a engrenagem. Eis que, “sempre se soube”, não daria para entrar na lama do sistema e dela sair limpo e cheiroso. Até numa guerra pela paz derramar sangue é inevitável. Permito-me, pois, ainda que também fora do contexto, essa leitura romântica sobre “Jararaca viva”. É dela que vem a coragem de defender o ex-presidente Lula.

O contexto é o interrogatório de Lula. Convenhamos, ficou muito antipática aquela história de “senhor ex-presidente”. Parece haver ruídos no protocolo, mas isso verdadeiramente não vem ao caso.

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As forças progressistas precisam cruzar o Rubicão, por Aldo Fornazieri

As forças progressistas precisam cruzar o Rubicão

por Aldo Fornazieri

"Aceitemos isso como um sinal dos deuses e sigamos até onde eles acenam, vingando-nos de nossos inimigos hipócritas. A sorte está lançada" (Júlio César)

Quando Júlio César decidiu atravessar o rio Rubicão com suas legiões - algo que era proibido a qualquer general por lei do Senado - a República romana, a rigor, já vivia seus estertores. Ela vinha morrendo desde as derrotas e o assassinato dos irmãos Graco, das guerras civis entre Sila (aristocracia) e Mário (partido do povo) e com a anulação da lei da reforma agrária. Roma era dominada pela aristocracia, que havia transformado a República num simulacro. Já não havia equilíbrio entre o povo e os nobres e o poder estava concentrado no Senado.

O Brasil está muitíssimo longe de ter vivido a grandeza da República de Roma, mas, politicamente, existe hoje uma certa similitude com os tempos em que César decidiu-se a cruzar o Rubicão. O país está dominando por uma elite perversa que destrói direitos e desequilibra o poder em favor dos ricos, impondo pesados confiscos tributários aos pobres. O conflito entre os dois lados chegou a um ponto de não retorno, pois é preciso radicalizá-lo com o objetivo de buscar restabelecer algum equilíbrio, evitando um empobrecimento e uma exploração ainda maiores dos trabalhadores.

O governo aristocrático de Brasília, que vem se tornando cada vez mais uma oligarquia destrutiva e opressora, precisa ser derrotado, seja pela via eleitoral, seja pela via das lutas de rua, de rebeliões sociais. O pacto republicano-democrático foi rompido quando Aécio Neves não aceitou o resultado das urnas e começou a urdir o golpe que resultou no afastamento do governo eleito.

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