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J. Carlos de Assis

Oposição transforma Comissão em “República do Galeão”, por J. Carlos de Assis

Oposição transforma Comissão em “República do Galeão”

Contando com  a boa vontade do então “rebelado” Renan Calheiros e a conivência do PMDB, a oposição ganhou o comando da Comissão de Relações Exteriores e  Defesa Nacional, no início desta legislatura. O PSDB, com a companhia domesticada do DEM, insinuou que pretendia a direção da Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor, Fiscalização e Controle. Evidentemente, pouco interessado na natureza ou na defesa dos brasileiros  contra os abusos dos bancos, das telefônicas e, sim,  de olho na fiscalização e controle da administração pública federal. Afinal, foi através da CMA que a oposição tentou convocar para audiências públicas, na legislatura passada, quase todos os ministros de Dilma e dirigentes das estatais.

Como o repentinamente generoso Renan Calheiros comprometeu-se a acatar a ideia de proporcionalidade na distribuição do comando das comissões-- coisa que ele desprezou na eleição da mesa, passando como um rolo compactador sobre PSDB e DEM-- coube  à oposição a chefia de uma delas. O flerte com a CMA foi pura negaça, pois  a oposição sabia que a base governista já havia se articulado para comandar o colegiado.  Restou, então,  a Comissão de Relações Exteriores, verdadeiro objetivo dos demo-tucanos.

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Como construir ordem no Brasil a partir do caos, por J. Carlos de Assis

Como construir ordem no Brasil a partir do caos, por J. Carlos de Assis*

Não me consta que em qualquer passagem de “O Capital” Marx tenha previsto uma revolução sangrenta como mecanismo político para a superação histórica do capitalismo. Previu, sim, uma falência do capitalismo como resultado de suas contradições internas. De forma muito específica, antecipou crises cíclicas do sistema como resultado do descompasso entre a produção de bens de capital e a produção de bens de consumo. Antecipou também crises financeiras, assim como situações de subconsumo e superprodução. Como as de hoje.

Economistas e políticos vulgares, como diria Marx, é que inventaram o conceito de que o capitalismo sucumbiria a uma grande crise cíclica engendrando uma situação revolucionária. Kautsky e Bernstein, os dois renegados pelo comunismo oficial na segunda década do século XX, foram crucificados ideologicamente por se aperceberem de que, em comparação à época de Marx, uma afluente classe média na Europa não tinha qualquer vocação revolucionária. A revolução veio, sim, mas não na Europa civilizada, mas na Rússia inculta e rural.

O mundo pagou caro com isso. Desesperado para angariar adeptos fora do aparelho estatal soviético, que havia perdido para Stalin, Trotsky desenvolveu a teoria da revolução mundial permanente, a fim de situar a si mesmo num lugar na História. Stalin, que foi muito mais sagaz e coerente, veio a mandar matá-lo e estabeleceu a doutrina do socialismo num lugar só como uma estrela guia para o mundo. Foi uma grande felicidade para História. Ajudou a esmagar uma fera muito pior do que ele, Hitler, com seu aparato nazifascista.

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Empréstimo chinês à Petrobras pode gerar a doença amarela, por J. Carlos de Assis

Empréstimo chinês à Petrobrás pode gerar a doença amarela

J. Carlos de Assis*

Costuma-se chamar de doença holandesa a situação na qual um país exportador em dólar de matérias primas não consegue converter a receita externa em investimentos produtivos diversificados de forma a torná-lo menos dependente daquelas exportações. Em outras palavras, ele se torna indefinidamente dependente de vendas externas de matérias primas e sujeito a suas flutuações de demanda e de preços no mercado internacional, pelo que a acumulação de reservas internacionais não se converte em base do desenvolvimento.

Celso Furtado fez um belíssimo trabalho sobre a doença holandesa na Venezuela, posteriormente convertido em livro pela competente viúva que gerencia o seu legado, Rosa Furtado. Consta que o presidente Chávez o leu. Se é verdade, não entendeu nada. A crise da Venezuela é uma crise de doença holandesa. Enquanto os dirigentes do país perdem seu precioso tempo em insultar o imperialismo ianque, os dólares do petróleo de uma das nações mais ricas do mundo em recursos naturais correm pelo ralo do consumo improdutivo.

Contudo, a questão da doença holandesa me vem à mente por causa do risco de uma nova doença que não tem nada a ver com a holandesa, a que chamo de doença amarela. Ela começa a se manifestar em países em desenvolvimento da África e da América do Sul na forma de crédito farto da China. A própria China, em si, não tem nenhuma culpa no processo. Mas o fato óbvio é que, em termos conceituais, receita em dólares de exportação de matérias primas não tem muita diferença de receita de empréstimos generosos por parte dos bancos chineses.

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O significado das mobilizações pacíficas de sexta-feira 13, por J. Carlos de Assis

O significado das mobilizações pacíficas de sexta-feira 13

J. Carlos de Assis**

Ao contrário dos americanos, que declararam vitória e pularam fora do Vietnã com soldados pingando dos helicópteros abarrotados de gente, a Aliança pelo Brasil*, de que sou um dos coordenadores no Rio, pode inchar o peito e dizer bem alto: vencemos o primeiro round. O segundo ato não nos pertence: pertence aos golpistas que querem encher as ruas de raiva e de baderna neste domingo, agudizando o processo de degradação da nossa política e esforçando-se ao máximo para dividir pelo ódio a sociedade brasileira.

Nós fomos para a rua, no Rio e no Brasil, não propriamente para defender Dilma mas para defender 500 mil empregos vinculados à Petrobrás e para estimular o processo de mudança da economia política brasileira em favor dos despossuídos. A direita não tolera isso. Quer ficar com o bolo inteiro, e quando o bolo está estagnado, como agora, quer tirar pedaços dos que estão embaixo. Por isso falam que é perfeitamente razoável ter crescimento zero da economia. Mas, claro, defendem o seu, em detrimento dos mais pobres.

Reconhecemos que as políticas sociais do Governo Lula funcionaram. Não é o caso de sua política econômica. Pressionados pela direita, Lula e Dilma capitulam ao grande capital no que diz respeito à economia, segurada um pouco, nos últimos anos, pelo crédito forçado, endividando milhões de famílias brasileiras que deveriam ter acesso aos bens de que precisam via salários, e não via um excessivo endividamento. Isso, porém, é passado. O mais premente agora é fortalecer a Petrobrás e salvar a Engenharia Nacional. Como proposto pela Aliança pelo Brasil no documento abaixo:

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Terrorismo, mentiras e pedofilia na pedagogia do Globo, por J. Carlos de Assis

Terrorismo, mentiras e pedofilia na pedagogia do Sistema Globo

J. Carlos de Assis*

Graças a Deus não temos terroristas no Brasil. Se tivéssemos, e se fossem do tipo dos que metralharam os cartunistas do Charlie Hebdo, em Paris, há semanas, algum jihadista revoltado com a charge do Caruso, no Globo, talvez resolvesse por em prática sua sugestão: cortar a cabeça, fisicamente, da Presidenta Dilma Roussef em nome de alguma guerra santa genérica, lembrança entre nós do lacerdismo em sua campanha contra a corrupção, mesmo depois de se tornar público que a Presidenta não foi sequer investigada na Lava Jato.

A liberdade “sem limites” do chargista brasileiro, que se denomina dois em um por causa do irmão gêmeo, é da mesma espécie da dos franceses. Não há nenhuma regra moral, nenhuma regra de conveniência, nenhuma regra de respeito à liberdade do outro que se contraponham ao sagrado direito de livre expressão. A cruzada, não só do Globo mas de toda a grande mídia escrita brasileira, assim como da maioria das televisões, é no sentido de enxovalhar a vida privada e pública dos cidadãos  em  nome da liberdade de imprensa.

Ah, dizem eles, as pessoas tem o direito de ir à Justiça para reclamar contra injúria, calúnia e difamação praticadas pela imprensa, como prevê o Código Civil! Mas como, se elas coincidem com a publicação da ofensa? O que sai publicado no Brasil vale como verdade, sobretudo quando o noticiário televiso cobre as infâmias do meio jornalístico. Na maioria dos casos, a Justiça se sente intimidada pelo poderio dos jornais, revistas e televisões, que, sobretudo quando oligopolizados, caso do sistema Globo, se protegem reciprocamente num conluio criminoso contra toda investigação de seus atos, que chegam à exaltação indireta do próprio terrorismo. Não seria o da imprensa, entre nós, e no Ocidente dito democrático, o verdadeiro terrorismo?

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Lava Jato oscila entre a megalomania e a obsessão, por J. Carlos de Assis

Patologia da Lava Jato oscila entre a megalomania e a obsessão

J. Carlos de Assis          

Há fortes indícios de que o Procurador Geral da República, o pequeno grupo de promotores federais que o cerca, o juiz Sérgio Moro, da Operação Lava Jato, e vários outros juízes espalhados pelo Brasil estejam sendo vítimas de uma patologia psiquiátrica denominada  megalomania, pela qual se sentem donos do mundo e dos destinos pessoais de cada cidadão que lhes caia nas garras. Não estou falando em termos metafóricos. Estou dizendo que provavelmente são  ou megalômanos ou obsessivos patológicos, casos de internação.

Cheguei a essa conclusão depois de ler o artigo “Juízes fora da lei”, do jurista e professor Luiz Flávio Gomes, publicado no último domingo no jornal carioca “Monitor Mercantil”. Um parênteses: esse jornal, praticamente sozinho, compensa o lixo preconceituoso, parcial e golpista despejado por “O Globo” no Rio de Janeiro e no Brasil a cada uma de suas edições; trata-se de um refúgio de intelectuais progressistas que jamais serão publicados por jornais como “Valor”, que recuou um artigo em defesa da Engenharia Nacional pelo presidente do Clube de Engenharia, Francis Boghosian, e revistas como “Veja”, “Isto É” e “Época”, todas de cunho abertamente fascista.  

Permita-me o jurista citar  um trecho de seu artigo: “Na magistratura brasileira (como em todos os lugares do planeta) há juízes de todo tipo (honestos, venais, ladrões, negligentes, aristocratas etc.) Os honestos e trabalhadores são os mais atingidos indiretamente em sua honra diante dos atos e omissões dos juízes pouco ortodoxos (fora da lei).

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A receita dos movimentos sociais para contornar a crise da Petrobras, por J. Carlos de Assis

A receita dos movimentos sociais para contornar a crise da Petrobrás       

J. Carlos de Assis*

Movimentos sociais movidos pelo propósito de defender a Petrobrás de abutres internos e externos estão esquentando os motores para manifestar sua presença nas ruas, o que constitui a única alternativa eficaz para liquidar o golpe em marcha contra o Governo liderado pela mídia golpista a serviço do imperialismo. No Rio, tivemos no dia 24 um evento promovido na ABI por petroleiros com participação de Lula. No dia seguinte, 25, tivemos outro importante evento no Clube de Engenharia, este realizado pelos movimentos sociais.

No dia 4, os metalúrgicos fluminenses do setor naval ameaçados em seus empregos pelos desmandos da Lava Jato inaugurarão nas ruas centrais do Rio a fase de mobilização de massa da Aliança pelo Brasil, preparando manifestação convocada por centrais sindicais e outras entidades para o dia 13, em várias capitais. Por razões óbvias, o Rio será o centro dessa mobilização já que é no Rio que estão a sede da Petrobras e os braços operacionais das grandes empreiteiras ameaçadas de fechamento pela estupidez dos promotores de apostila.

Para o dia 15 a direita prepara sua própria mobilização. Veremos quanta gente ela reúne. Qualquer que seja o placar já sabemos com total segurança que ela não tem um projeto para o Brasil. Seu objetivo é a arruaça. O caos. A desordem. Os bandoleiros pagos que arrastaram ingênuos para bloquear  estradas. O país dos black blocs. Confrontado com isso, nós temos um propósito bem definido: tomar medidas concretas, imediatas, para recolocar o Brasil no rumo do desenvolvimento e, até mesmo, no rumo de uma grande conciliação.

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O nosso destino se o “ajuste” de Levy for levado às últimas consequências, por J.Carlos de Assis

Aliança pelo Brasil

O nosso destino se o “ajuste” de Levy for levado às últimas consequências

J. Carlos de Assis*

A sociedade brasileira tem o direito de saber o que virá depois do “ajuste fiscal” imposto ao País pelo ministro Joaquim Levy. O sacrifício em termos de perda de emprego, de salários, de investimentos em infraestrutura, de bem-estar social embutido em mais de R$ 140 bilhões de cortes de gastos públicos é grande demais para não ter uma contrapartida clara em termos de benefícios. E o que Levy prometeu, até agora, não passa de “ajuste” em cima de “ajuste”, numa escalada que nos levará da estagnação de 2014 à depressão em 2015.

Isso sem levar em conta a insanidade em curso em torno da Operação Lava Jato, que ameaça reduzir até as operações normais da Petrobrás, quebrar empreiteiras e fornecedores brasileiros, por na rua cerca de 500 mil trabalhadores, quebrar a cadeia produtiva, de pagamentos e recebimentos num segmento que representa algo como 13% do PIB e fazer afundar a sociedade brasileira num inferno social e político a pretexto da defesa de uma moral especiosa imposta por um bando de procuradores doutrinados por apostilhas de concursos.

Naturalmente, usando a linguagem neoliberal, Levy nos diz que com o “ajuste” se restabelecerá a confiança do empresariado na política econômica, e a restauração da confiança induzirá o empresariado a investir mais, assegurando o crescimento. Isso é puro charlatanismo. Não tem nenhuma base na realidade. Atribuir a retomada da economia a um fator psicológico é uma empulhação descarada. Empresário só investe quando tem a perspectiva de vender seus produtos. Ninguém investe para acumular produtos na prateleira.

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Mobilização para evitar um grande salto para o caos, por J. Carlos de Assis

Mobilização para evitar um grande salto para o caos

J. Carlos de Assis*

As teorias de sistemas complexos nos dizem que, em situações caóticas, pequenas alterações nas condições iniciais de um sistema provocam grandes transformações nas suas condições finais. A metáfora universal para isso é que uma borboleta que bate asas na  Argentina provoca um tufão na Califórnia. Vivemos uma situação caótica. Alterações que estão ocorrendo nas condições prevalecentes do sistema econômico e político podem levar tanto a grandes transformações benéficas, mas também a transformações desastrosas. Neste último caso, não tenham dúvida: todos perderão, exceto os ricos.

Vejamos uma situação que leva a um risco de perda generalizada. A estagnação da economia não é um fenômeno recente; vem de 2014, ou mesmo  antes. Entretanto, o novo Governo, comandado pelo ministro Levy, não parece muito preocupado com isso. Está preocupado sobretudo com o déficit em conta corrente – 91 bilhões de dólares no ano passado – e com a forma de financiá-lo. Certamente, no curto prazo, não pode ser pela via do aumento do superávit comercial. Somos exportadores quase que exclusivamente de commodities, e quantidades exportadas e preços delas estão em baixa.

Um esforço heroico no sentido de financiar exportações de manufaturados seria inútil no curto prazo: não podemos concorrer com a China, e não temos como entrar em escala nos mercados dos países ricos, os quais estão, também eles, estagnados (Europa, Japão) ou virtualmente estagnados (EUA). Na realidade, a prioridade das políticas econômicas de todos os países industrializados avançados é aumentar exportações, não importar. Nesse contexto, a busca de tratados de livre comércio com a Europa e os Estados Unidos não passa de um sonho ilusório da FIESP, que parece pouco preocupada com a saúde da indústria interna.

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Nossa crise no contexto mundial da geoeconomia e da geopolítica, por J. Carlos de Assis

Nossa crise no contexto mundial da geoeconomia e da geopolítica

J. Carlos de Assis          

A crise econômica e política brasileira não pode ser entendida fora de uma avaliação mais ampla do seu contexto geoeconômico e geopolítico. Em termos geoeconômicos, a questão central no mundo atual é a estagnação da zona do euro e do Japão, e a pouca consistência da recuperação americana. Esta, no ano de 2014 em que cresceu 2,4%, teve dois trimestres iniciais de contração. Portanto, mesmo a economia norte-americana continua na balança, e ainda não deu sinal claro de que superou a crise iniciada em 2008 e agravada em 2010, a despeito de políticas monetária e fiscal extremamente expansivas.

A crise nos países capitalistas centrais, iniciada com a explosão financeira de 2008, revelou-se uma crise de baixa do ciclo econômico na qual a redução estrutural da demanda constitui um bloqueio à retomada do investimento e do emprego. Pode ser atenuada, como se vê nos EUA, mas não eliminada por políticas macroeconômicas de estilo keynesiano. Contudo, na Europa, nem políticas keynesianas tem sido aplicadas em razão da ditadura econômica alemã, o que torna a crise peculiarmente aguda. Veremos, a propósito, como vai evoluir a posição desafiadora da Grécia que já não suporta a política dos ajustes fiscais.

A falta de perspectivas de investimentos nos países centrais torna imperativo para suas classes dirigentes ampliar sua fronteira de penetração no mundo dos emergentes e dos países em desenvolvimento em espaços ainda dominados pelo capital estatal. É aí que entramos nós. Temos ainda um espaço relativamente virgem para a entrada de capitais estrangeiros em busca de valorização: o setor do petróleo, o setor da eletricidade, o setor das águas, o setor bancário estatal. Num certo sentido, também outros setores de serviços onde o Estado tem grande presença: educação e saúde.

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Decisão da China viabiliza retomada do Brasil pela indústria básica, por J. Carlos de Assis

Decisão da China viabiliza retomada do Brasil pela indústria básica

por J. Carlos de Assis

Em decisão que pode ajudar a viabilizar no Brasil o maior programa de investimentos em indústrias básicas desde o II Plano Nacional de Desenvolvimento, o Conselho de Estado da China anunciou política de apoio a investimentos diretos no exterior por parte das indústrias siderúrgica e de metais não ferrosos, além de construção e  transporte. É a deixa chinesa para o Projeto Transul, de siderurgia e metalurgia, que um grupo de especialistas em torno da Coppe/UFRJ, do instituto Intersul e do Clube de Engenharia vem propondo desde o ano passado em conversas com empresários do setor e funcionários do Governo.

O Projeto Transul surgiu no âmbito da Conferência BRICS no Século XXI, em maior do ano passado, no Rio, a partir da constatação de que  a A América do Sul e o Brasil em particular ressentem-se da queda tendencial das taxas de crescimento econômico que, no caso brasileiro, refletiram o esgotamento de um ciclo de consumo que afetou seriamente a demanda agregada e o investimento. Com a redução de preços e quantidades exportadas de commodities minerais e agrícolas, as posições anteriormente superavitárias na balança comercial diminuíram drasticamente e em muitos casos transformaram-se em déficit, o que agravou sensivelmente os déficits em conta corrente com o exterior, reduzindo o espaço de manobra da política macroeconômica.

Nossa alternativa é intensificar o esforço exportador. Contudo, estamos limitados, do lado das commodities minerais e agrícolas, pelo cenário internacional de recessão ou baixo crescimento em todos os países industrializados avançados. A China tem sido a exceção, mas ela própria sente os efeitos da desaceleração da economia. A produção e exportação de manufaturas pelo país esbarra, a seu turno, na concorrência chinesa e na situação de deflação na Europa e no Japão. Com isso, só resta ao Brasil intensificar a exploração e industrialização de recursos naturais e agrícolas, em base autossustentável, de forma a alavancar o seu desenvolvimento.

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Câmara quer seu pedaço na investigação-espetáculo, por J. Carlos de Assis

Câmara quer seu pedaço  na investigação-espetáculo, J. Carlos de Assis*

A investigação-espetáculo da Lava Jato no Paraná está dando origem a uma CPI da Petrobras na Câmara. É uma inversão da ordem natural das coisas: em geral uma CPI, quando termina seus trabalhos ou mesmo antes disso, encaminha seu relatório final ao Ministério Público e à Polícia Federal para que deem prosseguimento às investigações e, no caso do Ministério,  para que promova as denúncias.

A razão desse rito é simples e lógica: CPI tem amplos poderes de investigação mas não tem instrumentos próprios para isso, exceto a coleta de depoimentos e a requisição de documentos à administração pública. Contudo, ela tem a prerrogativa de determinar investigações pela Polícia Federal, um órgão autônomo do Estado, e de encaminhar denúncias ao Ministério Público para que promova as devidas ações legais.

A iniciativa de alguns deputados de instituir a CPI da Petrobras é essencialmente inócua do ponto de vista investigativo. Quem conhece o funcionamento da Casa sabe que não há a mais remota possibilidade de que essa CPI traga algum resultado positivo do em termos de investigações objetivas. A troika-espetáculo fez e continua fazendo uma varredura completa no caso e duvido que alguma coisa original venha a ser produzida pela CPI.  Aliás, o juiz Moro e os promotores do Paraná cuidam tanto de sua imagem que duvido que deixem sobrar alguma coisa espetacular para proveito da CPI.

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Um advogado a favor da destruição das empresas de construção, por J. Carlos de Assis

Um advogado a favor da destruição das empresas de construção

J. Carlos de Assis*

Assisti estupefato à entrevista do advogado Modesto Carvalhosa, apresentado como grande autoridade em Direito Comercial, ao programa Roda Viva, da Tevê Cultura: o tema em pauta era a punição das grandes construtoras contratadas pela Petrobras envolvidas na operação Lava Jato; o tema preferencial do entrevistado foi atacar os partidos da base aliada do Governo, e especialmente o PT. Até aí nada a objetar. Entretanto, assinale-se que nesse último caso quem fala não é o especialista em Direito de Empresas, mas um porta-voz do tucanato que destila preconceitos contra políticos e o Governo com espantosa leviandade.

Carvalhosa tem uma noção peculiar de democracia. Segundo ele, governo democrático era o de Fernando Henrique, pois Fernando Henrique exercia pessoalmente o governo que, assim, não era do PSDB. Já os governos Lula e Dilma não são democráticos porque quem governa é o PT. Isso se manifestaria sobretudo pelo aparelhamento do Estado e do Governo pelo PT e seus partidos aliados. Com isso, ficamos em dúvida sobre o papel do partido político numa democracia. Ao que o advogado quer, o partido escolhe o candidato e conduz a campanha, elege o presidente e, pronto, sai imediatamente de cena para não conspurcar o governo com sua participação direta!

Entretanto, examinemos um pouco mais de perto a questão do aparelhamento. Carvalhosa, um jurista, confunde Estado com Governo. Estado transcende ao Governo e suas instituições são mutuamente autônomas. Já Governo se confunde com Executivo, cabendo a este, uma vez eleito, escolher os seus quadros auxiliares, ministros etc. É do jogo democrático que o Governo escolha também os dirigentes de algumas instituições permanentes do Estado, pois, do contrário, cada uma dessas instituições – e não falo do Legislativo e do Judiciário – formaria uma casta na sociedade infensa ao jogo democrático.

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A Globo não ataca o Governo, ataca o Estado nacional, por J.Carlos de Assis

Globo não ataca o Governo, ataca o Estado nacional

J. Carlos de Assis*

O noticiário da Globo é tendencioso. Ninguém que seja medianamente informado pensará diferente. Entretanto, não sei se as vítimas desse noticiário perceberam que no afã de denegrir o Governo, o que está perfeitamente dentro de suas prerrogativas de imprensa livre, a Tevê Globo, sobretudo nas pessoas dos comentaristas William Wack e Carlos Sardenberg, passaram a atacar o Estado brasileiro, o que sugere crime de lesa-pátria.

O Jornal da Globo de ontem, terça-feira, ultrapassou todos os limites da manipulação no sentido de execrar com a Petrobras através de uma análise distorcida de fatos e estatísticas. Os dois comentaristas tomaram por base valor de mercado, comparando-o com dívidas, para sugerir que a empresa está quebrada. É puro charlatanismo, economia de botequim, violação das mais elementares regras de jornalismo sério.

Valor de mercado não mede valor de empresa; é simplesmente um indicador de solvência de ações num dia no ambiente ultra-especulativo de bolsas de valores. O que mede o valor real de uma empresa é seu patrimônio comparado com seu endividamento. As dívidas que a Petrobras contraiu para suas atividades produtivas, notadamente do pré-sal, são muitíssimo inferiores a seu patrimônio, no qual se incluem bilhões de barris medidos de óleo do pré-sal.

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A ambiguidade da Globo no julgamento dos corruptos, por J. Carlos de Assis

A ambiguidade da Globo em relação ao julgamento dos corruptos

J. Carlos de Assis

O esforço da Tevê Globo em submeter o Brasil à soberania e às instituições americanas chegou sexta-feira ao Judiciário: reportagem no Jornal Nacional mostrou como os honestíssimos cidadãos norte-americanos processam e condenam autoridades corruptas. A diferença essencial em relação ao nosso sistema é que lá os políticos são processados pela Justiça Comum, enquanto aqui eles se submetem a foro privilegiado, isto é, aos tribunais superiores.

Não entendi bem qual é a da Tevê Globo. Se ela quer um sistema que facilita a condenação, como tem sido sua inclinação ideológica, deveria estar muito satisfeita com o nosso sistema de foro privilegiado. Basta observar que há muito político por aí, processado por corrupção, que renunciou a mandato parlamentar para cair na Justiça comum. A propósito: se fosse na Justiça comum, o julgamento do chamado “mensalão” ainda estaria em curso.

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