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Luis Nassif

Dilma ao GGN: privatização, apagão e Estado de exceção

Das primeiras assinantes do jornal GGN, a ex-presidente Dilma Rousseff entra em contato para uma reclamação: a afirmação de que ela era impermeável aos movimentos sociais, embora tivesse implementado várias políticas sociais relevantes.

Dilma apresentou um conjunto de exemplos para retificar essa visão. Aproveitei o contato para uma entrevista maior, onde ela abordou temas relevantes. Previu os problemas que poderão ocorrer no setor elétrico, com a privatização de ativos da Petrobras fundamentais para a manutenção do equilíbrio energético. E manifestou sua preocupação com a caminhada acelerada para o estado de exceção.

Sobre os movimentos sociais

Não é verdade que os movimentos sociais deixaram de participar da formulação de políticas  públicas. Quando houve a tentativa de criminalização de repasse de dinheiro para ONGs, fizemos legislação formalizando. Diziam que queríamos substituir o parlamento pelos movimentos sociais.

No Minhas Casa Minha Vida 2 houve a participação direta dos movimentos populares. O 1 foi feito fundamentalmente com empresas. No 2 houve participação de vários movimentos sociais, como o MTST (Movimentos dos Trabalhadores Sem Teto), com a União Nacional dos Movimentos de Moradia, com a Confederação Nacional de Moradores. Conseguimos fazer 200 mil residências com os movimentos. Na inauguração do Itaquerão, o Guilherme Boulos (do MTST) me pegou pedindo verticalização dos projetos, proposta interessantíssima para São Paulo. Como há despesas de condomínio e IPTU, ele propõe que se deixasse o térreo para lojas comerciais, para abater as despesas.

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Xadrez de Fernando Haddad e da frente das esquerdas

Peça 1 - a esquerda e o culto à generosidade

Recentemente, o filósofo de direita Luiz Felipe Pondé escreveu um artigo dizendo que a direita tinha que aprender a conquistar as moças.  Passou uma lição importante na forma de uma deboche, provavelmente a maneira que encontrou para chegar ao seu público que, além do economicismo estéril, aprecia bobagens machistas.

Em síntese, diz ele que o fascínio da esquerda sobre a juventude está na generosidade, na solidariedade, no fator humano, enquanto a direita se prende a um economicismo vazio.

Matou a charada.

Tenho um bom laboratório familiar. As meninas se dizem, agora, de esquerda. O que as motiva é a solidariedade para com os mais fracos, o combate à intolerância, o direito de cada um de ser o que quiser, desde que não prejudique o próximo, e o fato de encontrarem, nesses grupos, jovens solidários entre si e dispostos a tomar posição. E intuem que essa luta só será bem-sucedida através da organização política.

Nem se pode dizer que haja influência paterna. Pelo contrário, estão conhecendo melhor o pai através dos coleguinhas.

Esse é o sentimento identificado por Pondé, que é orientador em um ambiente "coxinha" - a FAAP. Em cima disso, ele mantém a crítica contra a esquerda, que instrumentaliza os jovens etc.

O grande desafio é como transformar esses valores em ações concretas, devolvendo à rapaziada a crença na política.

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Vazamento impede delegado de processar quem diz que PF vaza

Ontem estive em Curitiba para participar de audiência, na ação que me está sendo movida pelo delegado Igor Romário de Paula, porta-voz da Polícia Federal na Lava Jato. Igor é o delegado que fala pela PF e costuma aparecer em entrevistas vergando trajes paramilitares, próprios para ações na selva.

A razão do processo é um artigo no qual critico os vazamentos da Lava Jato. Entre outros pontos, Igor reputa difamatória a afirmação de que nem delegados nem procuradores têm preparo institucional para avaliar os impactos da Lava Jato na economia. Retifico: eles têm preparo. As instituições é que são despreparadas para trabalhar com eles.

A denúncia recebeu uma contestação brilhante do meu advogado Percival Maricatto. Na audiência em Curitiba, fui acompanhado pelo advogado Rogério Bueno da Silva.

Viajo até lá e o delegado Igor não compareceu, embora a audiência tenha sido marcada há muito tempo. Leia mais »

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Xadrez do aprofundamento do Estado de Exceção

Peça 1 – o cenário provável

Traçar cenários é tarefa complexa.

O ponto inicial é identificar a tendência da onda do momento e o que poderá acontecer se não surgir nenhum elemento novo, anticíclico, capaz de contê-la. Em geral, esse tipo de cenário serve de alerta, ajudando a estimular forças contracíclicas quando se quer prevenir desastres. Mesmo assim, nações entram na onda fatal, no que cientistas sociais denominaram de “era da insensatez” e vão para o buraco, sem que nenhuma força contracíclica consiga segurar a queda.

Neste momento, há duas tendências se consolidando, uma de forma mais evidente, outra de forma mais tênue.

Tendência 1 -  o aprofundamento do estado de exceção.

Tendência 2 – o início do processo de fritura do governo Michel Temer pela aliança Globo-Lava Jato-PSDB.

A eventual queda da camarilha dos 6, ao contrário das visões mais otimistas, significará um aprofundamento da repressão.

Vamos por partes.

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A visão da gestão de padaria de Maria Helena, do MEC

No início dos anos 90 tiveram início os programas de qualidade no país. Naquele aprendizado inicial, os consultores limitavam-se a identificar os principais processos em cada organização e a redesenhá-los, visando aumentar sua eficiência.

Era uma espécie de bê-a-bá da gestão, na qual era mais importante conquistar um ISO 9000 do que melhorar o desempenho da empresa.

À medida em que as empresas foram evoluindo, devidamente assimilados, os programas de qualidade passaram a ocupar um lugar secundário. E a gestão passou a recorrer a instrumentos mais sofisticados visando o objetivo-fim, como o planejamento estratégico, a discussão de novos métodos para a área de recursos humanos, a descoberta de novas qualidades exigidas dos gestores e funcionários. Leia mais »

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Xadrez do MPF como ameaça à democracia

Atualizado com esclarecimentos do Ministro Ricardo Lewandowski

Ontem de manhã fiz uma palestra no encontro do Instituto Ethos sob o tema “Operação Lava-Jato: como equacionar a relação entre desenvolvimento econômico e combate à corrupção”. Era para contar com a participação de um membro do Ministério Público Federal (MPF). Nenhum dos convites foi aceito.

O Ethos lançou uma bela carta sobre o tema (http://migre.me/v2nWL), com um conjunto de princípios ideais, entre os quais:

·       Apoiamos o avanço da operação no âmbito dos marcos constitucionais, sem foco partidário, vazamentos seletivos ou qualquer tipo de influência de interesses alheios às suas metas.

·       Ela tem de ser ampla e irrestrita, devendo prosseguir enquanto houver irregularidades a apurar, independentemente de quem atingir, esteja essa pessoa no poder ou não. Leia mais »

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Morreu João Borba, sambista

Acabo de saber da morte de João Borba, referência maior do samba paulista.

Até o final, mesmo alquebrado, jamais deixou de trabalhar, aquecendo com seu canto o coração dos boêmios e da rapaziada paulistana, que já o descobrira no Alemão e no Ó.

 

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Como José Genoíno foi envolvido no mensalão

Segundo depoimento recente do procurador Eugênio Aragão, do grupo de procuradores que se aproximou do ex-presidente do PT José Genoíno no início do governo Lula, havia convicção de que ele era inocente. Foi um pesado desabafo contra o que Aragão considerou uma extrema deslealdade para com Genoíno e um caso clamoroso de erro judiciário.

O que teria ocorrido, então, para que fosse indiciado, condenado e preso?

Hoje consegui o relato de advogado que acompanhou os principais episódios do relacionamento Genoíno-Ministério Público Federal.

Seu indiciamento ocorreu, primeiro para completar o número de quatro – com José Dirceu, Delúbio Soares e Silvio Pereira (que, depois, colaborou com as investigações), para poder enquadrar o tal núcleo político do PT em organização criminosa.

Depois, para permitir chegar a José Dirceu. Como sustentar a tropicalização da tal “teoria do domínio do fato”, partir de Delúbio e chegar a Dirceu sem passar, antes, pelo presidente do PT? Leia mais »

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Xadrez do não temos provas, mas temos convicção

Nos anos 90, entrei em uma lista de procuradores da República, para me defender de críticas pelo fato de ter condenado, na época, o uso abusivo da prisão preventiva. Uma subprocuradora me enviou um e-mail pessoal, contando as agruras dela com alguns colegas. Dois procuradores adversários enviaram uma denúncia em off para o Correio Braziliense.  Com base na denúncia, fizeram uma representação contra ela na corregedoria.

Li o relato, e, embora nada soubesse da subprocuradora, confirmei e denunciei a manobra, por abusiva.

Tempos depois, participei de um programa do Observatório da Imprensa, sobre os abusos do MP, com um procurador penal que atuara do caso Banestado. No ar, ao vivo, ele dispara:

- Este jornalista defendeu uma subprocuradora que foi a última pessoa que autorizou o repasse para as obras do TRT em São Paulo. E ele atacou o pedido de prisão preventiva dos empresários suspeitos. Logo, é cúmplice do golpe do TRT.

Agradeci ao Alberto Dines a oportunidade de uma análise de caso, ao vivo. Ao vivo, mostrei o ridículo das ilações e ponderei: se eu não estivesse ali, para rebater na hora as insinuações do procurador, qual seria o resultado final? Ficaria a suspeita lançada.

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Nos EUA, julgamentos anulados pelo mau uso do Power Point pelos promotores

No início de dezembro de 2014, um tribunal de apelação de Washington rejeitou a condenação por homicídio, entre outras coisas, pelo mau uso de um Power Point pelo promotor.

O slide, em questão, exibia "anéis concêntricos de um alvo", com cada anel correspondendo a um elemento de prova. O nome do réu, Sergey Fedoruk, estava no centro do alvo, com a palavra "CULPADO" sobre ela. O mesmo recurso foi utilizado pelo procurador Deltan Dallagnol para apresentar a acusação contra Lula.

O uso de recursos visuais sofisticados em julgamento cresceu após pesquisa da empresa de consultoria Decision Quest, que comprovou que jurados retêm apenas 10% das informações transmitidas verbalmente pelos advogados, contra 65% se for informação visual.

Mesmo assim, o mau uso do Power Point por parte de promotores provocou a anulação de ao menos dez julgamentos de 2012 a 2014. Leia mais »

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Pequeno balanço das previsões do Xadrez

Atualizado às 09:00

Como alertamos, será cada vez mais difícil o sistema de poder conviver com a hipocrisia escancarada, desvendada pelas redes sociais, Internet e por essa maldição chamada de liberdade de imprensa - ainda que restrita aos veículos alternativos.

À medida em que seus passos vão sendo desvendados, por vazamentos imprevistos, notícias escondidas em pé de página por antecipação de jogadas óbvias, cria-se a necessidade de explicações, satisfações, aumentando a confusão.

É a velha máxima de que tudo que começa com uma mentira fica prisioneiro dela, precisando sucessivamente criar novas mentiras para sustentar a inicial.

Vamos a um breve rescaldo dos últimos capítulos do Xadrez.

Gilmar x Lava Fato

É o caso do Ministro Gilmar Mendes, acusado aqui de ter atiçado seus blogueiros contra a apresentação da Lava Jato, sobre a denúncia de Lula, com o propósito de preparar o terreno para futuras investidas.

No dia seguinte, o blogueiro em questão escreveu caudaloso artigo mostrando como ele era dono se seu nariz e não dava satisfações a ninguém. E Gilmar, sem que nada lhe fosse perguntado, correu a elogiar a decisão da denúncia, ainda que de forma dúbia: a denúncia é boa porque, finalmente, vai permitir a Lula se defender. O que não deixa de ser uma verdade. Mas passou recibo.

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As meninas de Jô e a Escolinha do Professor Raimundo

Sempre fui tolerante com a opinião contrária e admirador, quando bem embasada. A boa discussão é aquela em que os dois lados saem com a opinião mudada, um pelos argumentos do outro.

Mas, admito, o senso comum é um saco, venha de onde for. Não tenho mais a menor paciência para discussões de senso comum nem em mesa de bar, especialmente quando revestido da arrogância dos que, sendo néscios, assumem o ar superior de quem viu a verdade. É o que mais se tem hoje em dia.

Quando a pessoa tem renome em outra área, tenho uma saída padrão, que utilizei outro dia com uma notável violonista erudita que se imagina de direita, querendo discutir política no bar do Alemão:

- Prezada, jamais ousaria discutir violão clássico com você.

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É possível que Serra esteja neurologicamente decrépito

Quando José Serra assumiu o MInistério das Relações Exteriores se sabia que era jejuno em política externa.

Quando demonstrou desconhecer o que era NSA (Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos) deu-se algum desconto, devido ao fato de ser uma agência cujos protagonismo só se tornou visível mais recentemente. Mas já era falta grave.

Quando passou a afrontar a Venezuela, o Uruguai, a externar misoginia no México, julgou-se que fosse apenas a assimilação do jornalismo de esgoto que ele ajudou a criar e estimular. 

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O apoio de Lula a Eduardo Guimarães

Se existe um fenômeno tipicamente da Internet e desses novos tempos de ativismo, é o amigo Eduardo Guimarães.

Vendedor de autopeças, sem militância partidária anterior, em certo momento decidiu se insurgir contra os abusos da mídia. Montou o Movimento dos Sem Mídia e passou a recorrer a um instrumento simples, ao alcance de todos, mas que nem partidos políticos tinham por hábito utilizar: as representações ao Ministério Público de suspeitas de abusos.

Sua fama foi crescendo. E embora tivesse sido um pouco injusto com o MPF no episódio da febre amarela (lembra, Edu?), tornou-se cada vez mais o patrocinador das grandes causas.

Com o tempo, cresceu mais ainda: tornou-se um articulista corajoso e inteligente, com nível melhor do que muitos colunistas remanescentes da velha mídia.

Agora, decidiu sair candidato a vereador da Câmara paulista pelo PCdoB, e conseguiu o mais cobiçado apoio político do momento: o de Lula.

O que Lula diz do Eduardo, assino embaixo: se quiserem seriedade, é com ele. Leia mais »

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Xadrez dos desdobramentos do Power Point

Peça 1 - a luta política global

Anos atrás, o ex-presidente espanhol Felipe Gonzáles alertou Lula, conforme testemunhou o governador do Piauí Wellington Dias:

-- Lula, prepare-se que eles vão querer te processar, cassar ou prender. Se não conseguirem, vão tentar te matar.

O alerta, com pitadas trágicas, não épara ser ignorado. O próprio Gonzáles fora alvo de uma caçada implacável, parceria da mídia com o Ministério Público espanhol. Não apenas ele. Trata-se de uma luta política global que tem vitimado, uma a uma, as principais lideranças da socialdemocracia mundial. No caso brasileiro, de forma mais explícita devido ao baixíssimo nível dos principais protagonistas políticos, jurídicos e midiáticos envolvidos.

Por uma questão de realismo, para tentar traçar qualquer cenário futuro é importante que sejam consideradas as seguintes premissas:

1. Não se está definitivamente em um estado democrático de direito. Portanto, manifestações de isenção serão a exceção, não a regra.

2.  A pantomima montada pela Lava Jato de Curitiba é a comprovação cabal de que a Procuradoria Geral da República e a Lava Jato são personagens de um enredo maior, cujo objetivo final é liquidar com Lula e o PT.

3. A anulação de Lula exige um aumento dos abusos; e esse aumento dos abusos poderá despertar a consciência jurídica de setores até agora à margem dessa disputa.

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