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Luis Nassif

Orlando Silva, por Zé Guilherme

Além de maior cantor brasileiro, Orlando Silva tinha um faro apurado para o repertório. Talvez com exceção de Chico Alves, foi o cantor que mais lançou sucessos, embora com uma carreira de altos e baixos.

Aqui o cearense Zé Guilherme, cantor da noite, relembra 18 grandes sucessos de Orlando, em uma produção apurada. No folheto há a ficha e as letras de todas as músicas.

Repare na voz de Zé Guilherme. Não é o cantor convencional dó-no-peito. Tem uma voz quase áspera, uma espécie de Fagner mais ameno, que fica muito bem no repertório.

 

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Um Sarau para Radamés, no violão de Vitor Garbelotto

Vitor Garbelotto é um jovem violonista de Criciúma, radicado em São Paulo. No CD, interpreta arranjos próprios para músicas relacionadas com Radamés Gnatalli, interpretadas pelo maestro ou feitas em sua homenagem.

Os arranjos são ótimos: limpos, líricos e muito bem interpretados.

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O Xadrez dos fantasmas de Temer e as eleições indiretas

Definição 1 – os novos inquilinos do poder

Há dois grupos nítidos dentre os novos inquilinos do poder.

Um, o PMDB de Michel Temer, Eliseu Padilha, Moreira Franco, Geddel Vieira de Lima e Romero Jucá, grupo notório.  O outro, um agrupamento em que se somam grupos de mídia, Judiciário, Ministério Público Federal e mercadistas do PSDB. Vamos chama-los de PSDB cover, pois inclui as alas paulistas e os mercadistas cariocas do PSDB. A banda de Aécio Neves é carta fora do baralho.

Por vezes, o PSDB cover provoca indignação. Já o grupo de Temer provoca vergonha, um sentimento amplo de humilhação de assistir o país governado por grupo tão suspeito, primário e truculento. E menciono esse sentimento não como uma expressão individual de repulsa, mas como um ingrediente político que será decisivo nos desdobramentos políticos pós-impeachment, que rabisco no final.

O grupo de Temer quer se apropriar do orçamento com vistas às próximas eleições. O PSDB cover quer se valer da oportunidade para reeditar as grandes tacadas do Real.

Temer e seu grupo são mantidos na rédea curta, com denúncias periódicas para mostrar quem tem o controle do processo. Deles se exige espaço amplo para as articulações financeiras do PSDB cover e o trabalho sujo para desmontar qualquer possibilidade da oposição nas próximas eleições.

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Atualizado: Xadrez do golpe aperfeiçoado

Atualizado às 08:00

Em uma das colunas passadas, descrevi a chamada subversão das palavras e dos conceitos. É quando o clima persecutório se infiltra por todos os poros do universo da informação, adultera fatos, conceitos e princípios e bate no coração do Judiciário. E aí se tem a subversão final, do magistrado que primeiro define o alvo para só depois ir atrás da justificativa.

Peça 1 – o novo normal entre os juízes de 1a instância

Em novembro do ano passado, o jovem juiz Paulo Bueno de Azevedo, da 6a Vara Criminal Federal de São Paulo, afirmava ser partidário da discrição. A 6a Vara abrigou as operações Satiagraha e Castelo de Areia.

Mais do que a discrição, o juiz fazia questão de definir melhor o papel do juiz no julgamento. “O juiz não pode assumir uma posição de combate ao crime, eis que, nesse caso, estaria no mínimo, se colocando como um potencial adversário do réu, papel que deve ser, quando muito, do Ministério Público ou, em alguns casos, do querelante”.

Até ontem, Bueno de Azevedo era considerado um juiz criterioso e pouco propenso a shows midiáticos.

Na edição de julho/setembro de 2013 da Revista do TRF3 (Tribunal Regional Federal da 3a Região) publicou o artigo "Contra um processo penal ideológico" (http://migre.me/ubD4G), insurgindo-se contra as generalizações de fundo ideológico praticadas por parte da magistratura.

Dizia ele:

Sobre o "Direito Penal do Inimigo"

Trata-se de teoria desenvolvida na Alemanha que pontifica que a pessoa que comete ilícitos perde as garantias de cidadão.

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O retorno de Marcelo Kayath ao violão

Conheci a obra de Marcelo Khayat no início dos anos 90. Apaixonado pelo paraguaio Agustin Barrios, em viagem aos Estados Unidos, adquiri um CD de John Williams, io britânico na época considerado o maior violonista em atividade. E de um certo Marcelo Kayath, de quem nunca ouvir falar.

Tinha ido levar minhas filhas a Disneyworld. Comprei um pequeno aparelho de CD para ouvir os discos no hotel. E me surpreendi ao me dar conta de que a interpretação de Kayath era superior, mais intensa, mais sonora. Lendo o release descubro se tratar de um violonista brasileiro que havia vencido no mesmo ano três dos mais importantes festivais do mundo.

Na volta ao Brasil escrevi sobre ele e sua mãe me escreveu informando que o filho tinha abandonado o violão profissional e estudava em Stanford. Retornou ao Brasil, fez uma carreira vitoriosa no mercado financeiro e, agora, retorna ao violão, com um repertório maiúsculo, com Bach, Sor, Castelnuovo Tedesco.

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A polêmica da importação de feijão

 
Em pleno Plano Cruzado o governo autorizou a importação de feijão pela Conab. Na época denunciei a manobra, que tinha por trás o então marido de Roseane Sarney, Jorge Murad. A jogada envolvia também o IRB (Instituto de Resseguros do Brasil). Na época foi importado um feijão que já tinha se estragado e o IRB teve que bancar a conta do seguro.
 
Os tempos são outros, mas as jogadas costumam respeitar a história.
 
Seria bom que redes sociais e mídia Ministério Público e Polícia federal ficassem de olho nessa operação.
 
Do Estadão
 
 
Hashtag #TemerBaixaOPreçoDoFeijão está na lista de assuntos mais comentados na rede social nesta quarta-feira; preço do alimento já subiu quase 40% neste ano
 
O presidente em exercício Michel Temer respondeu aos apelos dos internautas e anunciou, pela sua conta na rede social Twitter, que o governo liberou a importação de feijão de três países vizinhos do Mercosul: Argentina, Paraguai e Bolívia. Em sua postagem, Temer usou a hashtag #TemerBaixaOPreçoDoFeijão, que está entre os assuntos mais comentados desta quarta-­feira. O grão já acumula uma alta de quase 40% no preço em 2016, até maio, de acordo com o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). 

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Supremo poderá brecar a PEC que desvinculará recursos de educação e saúde

Na entrevista que me concedeu há pouco, a procuradora federal dos Direitos do Cidadão, Deborah Duprat, vê possibilidades do STF (Supremo Tribunal Federal) vetar a PEC (Proposta de Emenda Constitucional) desvinculando recursos para a saúde e a educação.

A Constituição define como obrigação do Estado a garantia de direitos mínimos dos cidadãos. Se a desvinculação ou o limite de gastos afetar esse mínimo, o Supremo poderá ser chamado a julgar a constitucionalidade.

Conforme mostrei no post "O xadrez da quitação das contas de campanha" (http://migre.me/uaOb7), a maneira como se pretende definir o texto significará uma queda significativa nos gastos com educação e saúde:

"Significará congelar os gastos da saúde no pior patamar da última década.

Em 2015 e 2016 o PIB deverá cair por volta de 7% a 8% e as receitas fiscais por volta de 12%. Pela regra Temer, as despesas de saúde seriam congeladas nesse patamar mínimo. Significará uma queda de pelo menos 12% em termos reais, sobre o nível pré-crise.

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Xadrez do novo tempo do jogo

Os últimos meses foram os mais decisivos da moderna história política brasileira.

De um lado, pelo fim inglório de um período no qual partidos políticos, poderes e instituições públicas se esfarelaram em torno do mais vergonhoso episódio político pós-redemocratização: a forma como está sendo conduzido o processo de impedimento.

Não se salva um, da presidente afastada ao interino usurpador, de ex-presidentes da República a mandatários do Judiciário, dos velhos coronéis nordestinos aos supostamente intelectualizados coronéis paulistanos de má catadura.

Nunca o peso do subdesenvolvimento foi exposto de forma tão cruel quanto agora. Praticamente não há mais nenhuma figura referencial em nenhum setor. Executivo, partidos políticos, Supremo, Ministério Público, Congresso, empresariado, mercado, mídia foram tomados pela mais medíocre geração de dirigentes da história. Suas lideranças estão preocupadas em preservar interesses miúdos, de curto prazo, eximir-se de responsabilidades em relação ao país.

A tentativa de dourar Michel Temer com a aura de estadista tem sido um fiasco. O próprio Delfim Neto apelou para que Temer esquecesse sua vida até agora e começasse a interpretar daqui por diante o papel de estadista. Lembra um clássico do cinema italiano, com Vitorio De Sicca: “De crápula a herói”.

Não dá. Falta ao interino não apenas biografia como competência mínima para se locomover no palco do poder.

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A economia solidária, como o novo Bolsa Familia

Semana passada participei de um seminário da Unicamp sobre o novo marco legal da inovação.

Um debate rico, em que dividi a mesa com Epitáfio Macário, da Universidade Estadual do Ceará e Renato Dagnino, da Unicamp.

Dagnino defendeu uma tese instigante: a de que o país deveria abandonar os cânones tradicionais, de investir em inovação para conferir competitividade à indústria brasileira. Em vez disso, direcionar os investimentos para a economia solidária, a forma mais antiga e mais moderna de organização econômica.

Hoje em dia, diz ele, 70% das pesquisas mundiais são geradas nas empresas, 70% das quais transnacionais.

Hoje em dia, as políticas científico-tecnológicos buscam ampliar a competitividade sistêmica, injetando recursos na inovação e induzindo a área acadêmica a centrar fogo em pesquisas.

Segundo Dagnino, há duas falhas centrais nesse modelo:

1. A maior parte das pesquisas nas empresas que não se traduz em emprego e produtos bons e baratos.

2. De sua parte, o Estado, através de suas instituições de pesquisa, não produz competitividade sistêmica na pesquisa.

Hoje em dia, diz ele, na Espanha metade dos jovens de até 30 anos está desempregado. No Brasil, nos últimos anos de bonança foram criados 18 milhões de empregos com rendimentos abaixo de 3 salários mínimos. Onde entrarão 80 milhões de brasileiros em carteira assinada, indaga ele.

Confrontando números, Dagnino é descrente em modelos de reindustrialização preconizados pelo neodesenvolvimentismo. A indústria emprega hoje 2 milhões de pessoas com carteira assinada, representa 11% do PIB. Como mover, através da indústria, um universo muito maior? Segundo ele, o Brasil teria perdido definitivamente o bonde da corrida tecnológica convencional e da industrialização.

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Xadrez de Temer e o caso dos 10 negrinhos

Lembrando o poema “O caso dos dez negrinhos”

 

Cinco homens no comando

Irmanados em um trato

Levaram Eduardo Cunha

Restaram apenas quatro.

 

Quatro homens planejando

A grande jogada da vez

Levaram Romero Jucá

Agora, só restam três.

 

Três homens bem assustados

Com o que a Justiça expôs

Chegou a vez do Padilha?

Restarão apenas dois.

 

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Eliseu Padilha, o lado mais sujo da política

Chega a ser curioso o primarismo político da junta interina.

Assumiu o poder no bojo de um golpe parlamentar e no rastro de uma campanha moralizadora. A campanha uniu pontualmente mídia, Congresso e Ministério Público em torno de um objetivo específico: depor Dilma Rousseff.

Quando sai um governo e entra outro, o interino herda os poderes, mas também a visibilidade do anterior. Especialistas na pequena política, da cooptação do baixo clero, da atuação nas sombras, a junta interventora não se deu conta de que, à luz do dia é como mandruvás cobertos de sal. E partiu para o exercício do poder, da mesma maneira que os farrapos degolando os inimigos nos pampas.

Dentre todos os integrantes da junta, nenhum é mais agressivo e sem limites que Eliseu Padilha. Leia mais »

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O Xadrez do pacto com Temer ou com Dilma

O aprofundamento das crises política e econômica torna mais próximo o momento do pacto. Sempre é temerário apostar no bom senso político nacional.

Mas o bom senso é meramente questão de preço. Em países modernos, chega-se ao bom senso a preços módicos. No Brasil do impeachment, a um preço caro. Mas o aprofundamento da crise já se tornou o excessivamente caro. Dentro de algum tempo induzirá o país ao pacto.

A grande dúvida é sobre quem conduzirá a travessia.

1. Não há maneira de vestir Michel Temer com a aura de estadista.

Desde que teve início o processo do impeachment, os grupos de mídia empenharam-se em uma tarefa hercúlea: dentro da dramaturgia que cerca a sociedade do espetáculo, tratar de conferir ao interino Michel Temer a aura de estadista.

Embora antigo na política, o personagem Temer era quase desconhecido da opinião pública, podendo, assim, ser um livro em branco no qual jornais e seus jornalistas, de forma combinada, pudessem escrever o perfil de um grande homem. Leia mais »

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A reportagem da Folha sobre o Brasilianas na TV Brasil

Hoje o repórter Julio Wiziak, da Folha, repete o mantra de taxar meu programa na TV Brasil de governista (http://goo.gl/3b9PKw).

Sua fonte é um suposto diretor da EBC, a quem ele deu o direito de atacar colegas sem precisar se identificar. Nada se sabe da fonte em off, se é diretor indicado pela atual administração, se é um diretor antigo lutando pela sobrevivência, ou se o julgamento foi do próprio Julio, valendo-se de uma fonte em off para validá-lo.

No artigo sou apresentado como um jornalista que, na EBC, falava só a favor do governo, ao lado de outros colegas como Sidney Rezende.

Sidney montou uma bela programação na rádio Nacional, que não durou duas semanas. Era um jornalismo objetivo, dinâmico, sem um pingo de oficialismo, assim como os demais programas da emissora.

Da parte do Brasilianas - do qual fui titular - há na Internet mais de 200  programas compondo provavelmente o mais completo mapa contemporâneo do país. Consultando, Julio poderia conferir matérias sobre indústria naval, sobre as passeatas de 2013, sobre a geopolítica internacional, sobre a nova cultura digital, sobre a falência dos partidos políticos, sobre os erros do governo Dilma, sobre os acertos das políticas sociais. Enfim, uma pauta ampla que dificilmente teria condições de divulgar através de uma rede comercial.

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Xadrez de um interino com a marca da suspeita

1.    Ecos da delação de Sérgio Machado.

Eco 1 - Segundo o repórter Jorge Bastos Moreno, em frase atribuída a um Ministro Palaciano:

“O presidente, citado injusta, mentirosa e irresponsavelmente, não deixaria, por coerência, Henriquinho sair só por isso. Seria, paradoxal, com a indignação do governo com essas mentiras. Seria referendar essas mentiras”. (http://migre.me/u7K5J)

Henriquinho é amigo de Jorge, que é amigo de Temer, que é amigo do Ministro que é amigo do Henriquinho, que vem a ser o Ministro do Turismo demissionário. Todos são amiguinhos e atuam em corrente – com exceção de Jorge, que é apenas o Américo Vespúcio das caravelas cabralinas. O índice 3 de adjetivação do amigo do Jorge e do Henriquinho demonstra elevado grau de preocupação.

Eco 2 – do próprio Temer.

Quero fazer uma declaração a respeito da manifestação irresponsável, leviana, mentirosa e criminosa do cidadão Sérgio Machado”. Leia mais »

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Polícia conclui, até o momento, que cinco homens estupraram jovem

Os fatos e as discussões sobre o caso do estupro

Ontem, a delegada que comanda o inquérito sobre o estupro coletivo no Rio de Janeiro libertou o terceiro acusado detido. Não encontrou provas de que tivesse participado do estupro.

Com o primado da primeira versão do estupro coletivo, foram presos Lucas Perdomo, 20 anos, Marcelo Miranda da Cruz Correa, 18 anos, Michel Brasil da Silva, 20 anos. Os três detidos, vítimas do clamor popular; os três inocentes. Dois deles divulgaram os vídeos da moça, nua, desacordada. Serão processados e pagarão pelo que fizeram. E só não pagarão pelo que não fizeram porque o clamor popular refluiu, à falta de informações mais consistentes sobre o episódio.

As investigações continuam, há evidências de que mais de uma pessoa participou do estupro - o que caracterizaria a "estupro coletivo". Com cuidado, sem a pressão da opinião pública, é possível que se chegue aos culpados, e que eles sejam efetivamente punidos, sem a lambança de prender inocentes para atender ao clamor da opinião pública.. Leia mais »

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