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Luis Nassif

O Xadrez do empate vitorioso de Gilmar e Janot

Capítulo 1 – o grande mestre Gilmar Mendes

Nos jogos do poder, o Ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal) é grande mestre. Ousaria compará-lo ao imortal Raul Capablanca, o campeão cubano que encantou o mundo no início do século, com seu estilo claro, lógico, linear e fulminante.

Seu grande adversário foi o russo Alexander Alekhine, com um estilo complexo, cheio de nuances, que acabava embaralhando o adversário. Só depois do jogo terminado, os adversários encontravam saídas para as complexidades colocadas por Alekhine.

No embate entre ambos, pelo título mundial, Alekhine venceu. Consta que graças ao estilo bon vivent do cubano, que se dispersava entre corridas de cavalo e libações noturnas. Não é o caso de Gilmar, cujas obsessões se resumem ao jogo político-jurídico e à sua IDP (Instituto Brasiliense de Direito Público). Não deixa de ser seu calcanhar de Aquiles, mas que poucos ousaram explorar.

Capítulo 2 - a presunção da competência política da Lava Jato

No primeiro tempo, a Procuradoria Geral da República e a Lava Jato conseguiram o feito histórico de terem derrubado uma presidente da República. Julgaram-se os reis da cocada preta.

Esse tipo de onipotência os tornou descuidados. Não se deram conta que o embate foi contra o mais ingênuo e indefeso governo da história.  A frente ampla garantiu-lhes a blindagem para toda sorte de abusos e um deslumbramento provinciano. Julgaram-se acima do bem e do mal e, especialmente, acima do STF (Supremo Tribunal Federal).

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O iMac virou uma carroça?

Aderi à família Mac depois do grande desastre da Microsoft com o Vista 7. E achei que nunca mais teria problemas de travamento, de reformatar HDs e outras práticas habituais da era Microsoft.

Mas, de uns meses para cá, os iMacs se tornaram carroças. Demora para ligar, travamentos constantes - especialmente com o Office365 - estouro de memória com poucos programas abertos, especialmente com o Google Chrome. Enfrento os mesmos problemas no computador de casa e no do escritório.

O curioso é que no MacAir não enfrento problema algum. Embora menos potente, talvez por seu sistema de armazenamento em flash, o computador é rápido e não trava.

Alguém poderia esclarecer o que está ocorrendo com o iMac?

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Xadrez de Toffoli e o fruto da árvore envenenada

Entramos em um dos mais interessantes quebra-cabeças da Lava Jato: a operação fruto da árvore envenenada, possivelmente montada para livrar Aécio Neves e José Serra das delações da OAS. Trata-se do vazamento parcial da delação do presidente da OAS Léo Pinheiro, implicando o Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal.

Peça 1 – o teor explosivo das delações

Já circularam informações de que as delações da OAS serão fulminantes contra José Serra e Aécio Neves. Até um blog estreitamente ligado a Serra – e aos operadores da Lava Jato – noticiou o fato.

Em muitas operações bombásticas, pré-Lava Jato, os acusados valiam-se do chamado “fruto da árvore envenenada” para anular inquéritos e processos. A Justiça considera que se o inquérito contiver uma peça qualquer, fruto de uma ação ilegal, todo o processo será anulado. Foi assim com a Castelo de Areia. E foi assim com a Satiagraha.

Na Castelo de Areia, foi uma suposta delação anônima. Na Satiagraha, o fato dos investigadores terem pedido autorização para invadir um andar do Opportunity e terem estendido as investigações a outro.

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Frevo Gamado, com Paulo Molin

Alguns meses atrás, nosso pesquisador maior, Luciano Hortencio, trouxe gravações de Paulo Molin. Tratava-se de um cantor precoce que, com poucos anos de idade, notabilizou-se por alguns sucessos, como o Menino Jornaleiro e alguns do Capiba.

Lembrei-me dele em um Festival em Casa Branca, em 1969. Na ocasião, venci o Festival com a música "Frevo Gamado", um dueto cuja voz feminina foi a Mônica, nossa baliza da Banda do Marista, que cantava uma graça.

Depois, o sargento Moacir, organizador do Festival, gravou um compacto simples em São Paulo com as quatro músicas vencedoras. O intérprete foi o Paulo Molin com a Mônica fazendo a voz feminina. O acompanhamento era de Carlinhos Mafazolli, com participação especial do grande Polly, multinstrumentista que chegou a fazer bastante sucesso nos anos 60.

Arrumando meus LPs, para digitaliza-los, encontrei o compacto.

 

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A selvageria do direito penal do inimigo

Se eu gostaria de ver Gilmar Mendes abatido por uma denúncia fundamentada? Gostaria, admito. O mesmo com Dias Toffoli, depois de sua conspiração pelo terceiro turno no Tribunal Superior Eleitoral, colocando interesses e suscetibilidades pessoais acima da responsabilidade para com o país e as instituições.

Assim como me satisfaria, como brasileiro, que a Lava Jato e a Procuradoria Geral da República conduzissem investigações corajosas e isentas contra Aécio Neves e José Serra, apenas para que presunção da isonomia devolvesse um mínimo de segurança jurídica, de isenção às investigações. No seu caso, seriam reconhecidos direitos, permitindo ao sistema jurídico ser apresentado novamente a princípios como presunção de inocência, direito à imagem e outros direitos fundamentais banalizados nesses tempos de escuridão.

Acusações sem provas, escândalos baseados em indícios, a prevalência do direito penal do inimigo, até contra inimigos, significam a abolição de qualquer princípio de direito individual, a erradicação de direitos que começaram a ser plantadas no país apenas após a Constituição de 1988. E a celebração da barbárie.

Nem contra Gilmar poderá ser aceito, o mesmo Gilmar que passou a vida no STF fabricando escândalos midiáticos para fins políticos. Aceitar o mesmo jogo contra eles, significaria, mais do que tudo, fazer o seu próprio jogo. Ao se exigir que a Zelotes praticasse as mesmas arbitrariedades que a Lava Jato, críticos da Lava Jato ajudaram a alimentar dois monstros ao invés de um.

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A vingança torpe da Lava Jato contra Dias Toffoli

Ontem à noite abri espaço para a capa da Veja com supostas denúncias de Léo Pinheiro da OAS, contra o Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal. A revista divulgara a capa, mas não o conteúdo da denúncia.

Lendo hoje de manhã, constato que não passou de uma vingança torpe da Lava Jato contra Toffoli, provavelmente devido ao fato de ele ter autorizado a libertação do ex-Ministro Paulo Bernardo.

A facilidade com que se assassinam reputações até de Ministros do STF mostra o grau de apodrecimento das instituições brasileiras.

A rigor, o que diz a matéria:

1. Que certo dia Toffoli pediu dicas para Léo Pinheiro sobre a impermebialização da sua casa. E Léo Pinheiro indicou uma empresa para fazer os serviços.

2. Não há nenhuma prova de que a OAS pagou a empresa. Toffoli diz que ele pagou. Léo PInheiro não diz que a OAS pagou.

3. A revista apresenta como evidência apenas um fato: se Léo Pinheiro mencionou o episódio nos preparativos para a delação, certamente é porque possui mais dados a serem apresentados quando a delação for formalizada. E nada mais disse.

Mas poderia tranquilamente ter ocorrido o seguinte:

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Delação da OAS chega ao Supremo Tribunal Federal

A Odebrecht tinha decidido poupar o Judiciário nas suas delações. Aparentemente, a OAS optou por um caminho próprio. A edição desta semana da revista Veja diz ter obtido parte da delação do presidente da OAS implicando o Ministro Dias Toffoli, do Supremo.

Nos últimos anos, Toffoli foi o que mais se empenhou em ser aceito pela casa grande, inclusive tornando-se o Robin do Batman Gilmar Mendes.

Aparentemente, a estratégia não foi bem sucedida.

O vazamento da delação foi claramente uma represália da Lava Jato contra Tofolli, por ter concedido liminar para libertação do ex-MInistro Paulo Bernardo. Obviamente, o vazamento não será investigado pela Procuradoria Geral da República.

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A visão pavloviana da Lava Jato

A Lava Jato precisa de uma terapia com alguma terapeuta pavloviano, para se livrar de alguns vícios de raciocínio, o chamado raciocínio tatibitate.

Vício 1 - financiamentos de campanha não são necessariamente contrapartidas a favores já recebidos. Em muitos casos, visam ganhar a simpatia dos políticos para contratos futuros. Ou, ao menos, para que não atrapalhem contratos futuros. A notícia de que procuradores se recusariam a aceitar a delação da Odebrecht, de financiamento de campanha a Gilberto Kassab, se a empresa não apontasse a contrapartida recebida, é típica desse pensamento monofásico, do raciocínio pau-pau, pedra-pedra.

Vício 2 - a falta de senso de proporção.

É ridícula a tese do delegado Márcio Adriano Anselmo de que a OAS presenteou Lula com um jogo de cozinha para o sítio de Atibaia em retribuição a algum contrato que recebeu da Petrobras.

Pôde-se criticar ou não mimos oferecidos por empresas a ex-presidentes. Mas há que se ter senso de ridículo e de proporção para tratar os mimos como mimos, e não como lavagem de dinheiro.

A caçada a Lula se prende a esse vício de origem. As empreiteiras foram sumamente beneficiadas pela política econômica do governo Lula. Aumentaram os contratos públicos, a Petrobras adquiriu uma dimensão inédita, houve trabalho diplomático para estender sua atuação para a África. E houve corrupção nos contratos. Pretender jogar tudo na mesma bacia é vezo primário de polícia.

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A necessidade da autocrítica das esquerdas

A boa matéria de Mônica Gugliano, no Valor - "O mal estar da esquerda" - incorre em um equívoco: o senador Cristovam Buarque.

Enquanto executivo, Cristovam sempre representou o lado mais anacrônico das esquerdas. Como governador do Distrito Federal, proibiu o uso da palavra "qualidade" na Secretaria da Saúde, por se tratar de um "conceito neoliberal". Como Ministro da Educação não conseguiu implementar um programa sequer. Temas como o da educação inclusiva, que resultaram no acolhimento de 800 mil crianças com deficiência na rede federal, só prosperaram após sua saída do MEC, pela incapacidade de enxergar o novo ou de implementar qualquer ação minimamente consequente.

Pode-se argumentar que foi entrevistado como intelectual. Como tal, Cristovam é uma ofensa à lógica. Seu padrão de raciocínio consiste em jogar frases rasas, de efeito midiático, bordões sem nenhuma preocupação em definir um discurso lógico e racional.

Analise suas declarações:

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O Xadrez das políticas públicas na gestão Haddad 2

Os mandatos eletivos têm quatro anos. A criação de passivos invade décadas. Essa dicotomia entre o tempo político e o tempo dos países e das cidades acaba estimulando as jogadas de curto prazo, do endividamento pavimentando eleições, jogando a conta para o futuro.

Um dos desafios da gestão Fernando Haddad foi ter começado a equacionar três grandes passivos municipais: as dívidas com o governo federal, fruto de negociações que ocorrerem nos anos 90; a Previdência Municipal e os precatórios municipais.

Peça 1 - os ajustes de curto prazo

Uma das primeiras medidas foi a renegociação dos contratos da gestão anterior. No caso de Haddad, houve a repactuação de quase mil contratos, resultando em economia de R$ 500 milhões/ano.

O segundo passo foi a universalização do pregão eletrônico. A Prefeitura já recorria, mas a maior parte das licitações era presencial, reduzindo a concorrência. Hoje em dia há pregão eletrônico para cerca de 80% dos contratos. O desconto médio que era de 15%, aumentou para 30%.

Leia também: O Xadrez das políticas públicas na gestão Haddad – 1 

O terceiro passo foi ampliar a informatização da prefeitura, como peça central do controle do custeio e do combate à sonegação. De 2013 a 2016 foram investidos R$ 17 bilhões nos novos sistemas, mais do que qualquer outro ciclo atualizado de outras gestões.

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O Xadrez das políticas públicas na gestão Haddad - 1

Chave 1 – os dilemas da socialdemocracia pós crise do liberalismo

 Em São Paulo haverá a principal disputa política do país, com um significado que transcende a cidade.

Com a crise de 2008, o fim do sonho financista gerou uma realidade política confusa. Cinco décadas de liberalismo financeiro não lograram produzir desenvolvimento e bem-estar como no período anterior. Mas tiraram completamente o foco da socialdemocracia. Embolou-se o meio campo, abrindo espaço para manifestações radicais, xenófobas e, no caso brasileiro, permitindo a uma camarilha assumir o poder.

No plano nacional, o golpe parlamentar veio embalado em uma bandeira econômica, de manter o livre fluxo de capitais, os juros abusivos na rolagem da dívida pública e os limites nominais para gastos orçamentários que, na prática, promoverão o desmonte dos sistemas públicos de saúde e educação. Leia mais »

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O último desejo de Dan Schultz, que virou música

Dan Schultz era um conterrâneo talentoso, grande violonista que surgiu em Poços de Caldas, acabou passando temporadas em São Paulo onde fez um largo círculo de amizades.

Em Poços, juntou-se com uma rapaziada boa de música, montou um conjunto de choro e se tornou um violonista de talento considerável.

Há cerca de dois anos foi vitimado por um câncer agressivo. Frequentador dos meus saraus, pensei em gravar uma entrevista com ele, registrando suas composições instrumentais e cantadas. Não deu tempo. Ele precisou voltar para Poços, quando a doença se agravou.

Recentemente, lançou um projeto para registrar suas músicas. Deixou o projeto pronto antes de partir, esta manhã. Em breve o álbum estará disponível. Como disse minha sobrinha Tetê, o Dan virou música.

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Xadrez da esperteza do mercado e o fator Temer

Peça 1 - a arte de prever o pensamento médio do mercado.

O mercado trabalha sob a ótica do investidor racional, o que toma suas decisões baseado em análises e na lógica. Não é assim. No mercado, há um efeito manada similar ao que acomete o público comum em relação a eventos de repercussão.

Há vários tipos de análises no mercado.

A mais consistente é a chamada análise fundamentalista - que se debruça sobre os fundamentos da economia e da empresa analisada. A boa análise permite ao analista prever como a economia estará daqui a algum tempo. Mas não é suficiente para prever o chamado pensamento médio do mercado. É o pensamento médio que, em última instância, define o valor da ação.

Os ganhos são obtidos por quem consegue prever o pensamento médio do mercado – ou seja, a irracionalidade dos movimentos de manada – em relação aos fatos concretos que ocorrerão na economia.

Peça 2 – como operam os profissionais

Hoje em dia, as Bolsas estão subindo devido a uma nova onda de liquidez internacional, que inclusive ameaça formar novas bolhas globais. Os três índices da Bolsa de Nova York – Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq – alcançaram máximas históricas, algo que não acontecia desde 1999.

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O delegado de poliça que manda no STF

 

As retaliações da Lava Jato contra o ex-presidente Lula não atingem Lula. Pelo contrário, reforçam as hipóteses de perseguição política.

Mas são uma humilhação para a Justiça e para o Supremo Tribunal Federal. Mostram que um mero delegado de polícia, amparado pela mídia, tem mais poder que um Ministro do Supremo. Aos Ministros restam pequenas boutades, como a de Carmen Lúcia a versão feminina de Ayres Brito.

Afinal, aceitaram o cargo de Ministros para quê? Se não têm estrutura emocional para enfrentar pressões, que deixem os cargos. A apatia do STF ante os esbirros autoritários da Lava Jato é um dos episódios mais humilhantes da história do Judiciário.

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A carta aos brasileiros e o senso de oportunidade de Dilma

A presidente Dilma Rousseff não deveria divulgar agora a carta aos brasileiros. Melhor faria indo a Porto Alegre, descansando, relendo o documento, burilando melhor as frases e consultando seus interlocutores prediletos: o travesseiro e o espelho.
 
Lançar agora ou daqui a alguns meses, a esta altura do campeonato, não fará a menor diferença.
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