Revista GGN

Assine

Luis Nassif

Doria usa prefeitura para captar clientes nos EUA

Foto: Heloísa Ballarini/Secom

doria_0.jpeg

O prefeito de São Paulo, João Dória Junior, prepara-se para um amplo programa de privatizações na cidade. No dia 16 de maio Doria participará de um evento da Câmara do Comércio Brasil-EUA nos Estados Unidos.

Do evento participará o subsecretário Tom Shannon, que foi Embaixador no Brasil.

O curioso é que Doria se apresenta ao mesmo tempo como prefeito de São Paulo e fundador do Grupo LIDE, misturando política e negócios.

Doria vem se valendo dessa confusão de papéis em eventos do LIDE, no Brasil e no exterior. Não  se sabe se ele estará em Nova York como Prefeito de São Paulo ou como presidente do LIDE. Mas é evidente que um dos objetivos é captar novos clientes para o LIDE nos EUA.

Como a Prefeitura se prepara para privatizar grande número de equipamentos municipais e para isso deve fazer apresentações no exterior, essa mistura é explosiva. Leia mais »

Média: 3.7 (6 votos)

Janot, o Gattopardo do Ministério Público Federal

Giuseppe Tomasi di Lampedusa foi um escritor italiano cuja principal obra foi o romance Il Gattopardo, no qual, para enfrentar as transformações da Renascença, mudava-se para tudo continuar na mesma. É o sentido da proposta de lei contra abusos apresentado por Giuseppe Janot di Lampedusa, Il Gattopardo.

Janot foi convidado reiteradas vezes para participar das discussões do projeto de lei do senador Roberto Requião. Recusou. Apresentou sua proposta, que identifica a mesma gama de abusos incluída na proposta Requião. Mas com uma diferença. Os abusos podem ser tolerados se justificados. E as justificativas dos juízes não podem ser questionadas, pois fazem parte da autonomia do cargo, necessária para garantir a independência do julgamento.

Leia mais »

Média: 4.6 (20 votos)

Gaspari vence o troféu "equilibrista do ano"

Não é fácil a vida dos jornalistas da velha mídia. Em outros tempos, disputavam a atenção dos leitores. Desde que se inaugurou o jornalismo de guerra, o desafio consiste em como levar o leitor no bico para atender às táticas tatibitates da frente de mídia.

Os menos talentosos usam bordões tipo "não podem tirar Temer se não atrapalha a economia". Os mais talentosos abominam o lugar comum. Então, precisam elaborar raciocínios complexos com o mesmo objetivo.

Dentre todos, o troféu "equilibrista do ano" vai para Elio Gaspari e seu artigo de hoje, na Folha, "Temer é o que temos de melhor para levar o país até as eleições" (https://goo.gl/FMCEcF).

Primeiro, monta essa obra prima de separar Michel Temer da lama do Congresso.

Leia mais »

Média: 4.5 (26 votos)

O paraíso na terra, com o fim do contrabando

A edição impressa da Folha, de hoje, tem uma página fake, uma publicidade simulando a página 1. É contra o contrabando, mostrando como seria o país no dia em que fosse contido o contrabando do Paraguai.

Uma das notas fake informa que a Polícia Militar entrou na Brasilândia e foi recebida em festa pelos habitantes de lá, porque, com o fim do contrabando, o crime organizado foi derrotado. Não mencionou a conversão dos antigos contrabandistas em frades capuchinhos, porque poderia parecer um pouco exagerado.

Tudo a favor do combate ao contrabando. Mas as molas propulsoras do crime organizado são outras:

Leia mais »

Média: 5 (11 votos)

Os delegados midiáticos e a pós-verdade da PF

Conheci o delegado Igor Romário de Paula em uma audiência de conciliação a que fui obrigado a ir em Curitiba, respondendo a um processo aberto por ele. Amanhã, retorno a Curitiba para outra audiência, agora em uma ação do delegado Moscardi Grillo.
 
Não por coincidência, são os dois delegados mais midiáticos, disputando protagonismo na mídia, sem nenhum respeito pela sua própria corporação – como se viu no episódio da Carne Fraca – desmerecendo, com seu protagonismo, o trabalho coletivo de colegas.
 
Na audiência com Igor, apresentei uma proposta de conciliação irrecusável: uma entrevista com ele, a ser publicada na íntegra no GGN. Igor recusou a oferta com tanta rapidez que parecia ter um revólver apontado contra seu peito. Fiquei com a impressão de que ele não é adepto da transparência, escudando-se apenas na mídia que não o questione.
 
A resposta dada por ele à denúncia dos advogados de Lula – que acusaram a Lava Jato de vazar imagens do apartamento de Lula, filmados por ocasião da condução coercitiva – dá uma boa ideia da imprudência da PF, de colocar uma operação da envergadura da Lava Jato em mãos tão imaturas.

Leia mais »

Média: 4.8 (48 votos)

Xadrez da democracia e do neo-brasilianista Barroso

Não há um Estado policial e sim um Estado democrático de direito querendo mudar seu patamar ético e civilizatório (Luís Roberto Barroso)

Peça 1 – os trabalhadores e as empresas

O foco central dos empresários é em sua empresa. Analisam decisões políticas, monetárias, cambiais, a partir dos reflexos sobre sua empresa. Faz parte da lógica empresarial.

Não adianta tentar convencê-los de que a melhoria geral dos salários ampliará o mercado de consumo como um todo. Ou que cortes orçamentários aumentarão sua insegurança e de sua família, pois implicará em jogar os mais pobres nos braços da criminalidade. Eles irão avaliar apenas o peso da folha e dos encargos sobre seu faturamento. Não os culpe. Seu papel é esse mesmo, não o de pensar o conjunto da economia.

Já para os trabalhadores, individualmente, não há limites físicos para aumentos de salários. O empresário é visto como o sujeito que gasta o faturamento da empresa em bugigangas, despesas faustosas, viagens e sonegação.

Também não os culpe. Jamais estiveram cara a cara com um empresário para aprender a separar os produtivos dos irresponsáveis, entender os limites das empresas e a importância dos pactos de produtividade.

O ambiente em que os dois lados conhecem-se mais um ao outro é o das disputas sindicais. Décadas de experiência, desde as históricas câmaras setoriais da indústria automobilística, no governo Collor, fizeram os sindicatos laborais entenderem os limites das empresas, os sindicatos patronais assimilarem a importância do ambiente interno saudável para a melhoria da produtividade.

Leia mais »

Média: 4.8 (20 votos)

Olympio Guilherme, um brasileiro em Hollywood

Olympio Guilherme é um dos personagens mais interessantes e pouco conhecidos da história do Brasil.

Natural de Bragança Paulista, começou no jornalismo com Casper Líbero, em A Gazeta, em São Paulo. Muito bonito, foi a primeira grande paixão de Pagu, a musa dos modernistas.

Ouvi falar pela primeira vez dele através de Oswaldo Russomano, tio da minha primeira esposa. Tato, como era chamado, foi convidado pelo amigo Olympio Guilherme para administrar o Observatório Econômico, revista semanal de grande prestígio, de propriedade de Valentim Bouças, o brasileiro que trouxe a IBM para o Brasil, para imprimir os holleriths do setor público.

Há alguns anos, Antônio Sonsin, também bragantino, começou a levantar a vida de Olympio. Neste domingo à tarde, conversamos longamente sobre seu trabalho.

Sonsin interessou-se por Olympio a partir das conversas com Chico Ciência, historiador em Bragança Paulista. Em 1967, aos 17 anos, musiquei uma peça de Chico, que acabou vetada pela censura da época, resultando em uma passeata de protesto em Campinas e a apresentação da peça nas escadarias da PUC. Sonsin está de posse da peça e ficou de me mandar.

Leia mais »

Média: 5 (3 votos)

FHC e a maxidesvalorização de 1999

Comprei, mas não li ainda o terceiro volume das memórias de Fernando Henrique Cardoso na presidência. Fala da maxidesvalorização de janeiro de 1999.

Acompanhei de perto esse episódio, como colunista da Folha e comentarista da Bandeirantes.

No segundo semestre de 1998 já estava nítido que não haveria como manter o congelamento do câmbio.  Gustavo Franco era presidente do Banco Central e se apegava ao congelamento como se fosse um filho dileto, do qual não queria se afastar.

Como narrei no livro "Os Cabeças de Planilha", antes do lançamento do Real, banqueiros estrangeiros foram procurados pelo economista Winston Fritsch com a informação de que o governo pretendia derrubar o preço do dólar e convocando-os a ajudar os economistas do Real que atuavam no mercado a apostar na queda do dólar nos mercados futuros.

Em poucos meses, a apreciação do real comprovou-se desastrosa, destruindo rapidamente o superávit comercial brasileiro.

Leia mais »

Média: 5 (18 votos)

As alegações finais da defesa de Dilma no TSE

Aí vai a íntegra da defesa de DIlma Rousseff no TSE.

Ajudem o GGN a identificar os pontos principais.

 

Média: 5 (5 votos)

O mistério sobre o letrista de Rosa, de Pixinguinha

Um dos grandes enigmas da música brasileira é sobre o verdadeiro autor da letra de “Rosa”, música de Pixinguinha. A música está reiostradas em nome de Otávio de Souza, ao que consta um mecânico que morreu muito jovem.

Mas, devido ao rebuscamento da letra, parte dos historiadores atribuem a Cândido das Neves, autor de canções românticas, rococós e inesquecíveis. A prova seria outra música de Cândido das Neves, uma suposta parceria com Pixinguinha, mas registrada apenas em nome de Cândido. Seria a prova da troca que fizeram.

Tenho cá para mim que essa hipótese é profundamente desrespeitosa para com Otávio de Souza, mas, principalmente, para com Cândido das Neves.

Este era rococó, mas suas letras mantinham coerência.

O non sense da letra de “Rosa” lembra muito mais um poeta menor que se encantou com os volteios de Cândido das Neves, copiou seu estilo, mas sem diospor de seu talento.

O que vocês acham? Confiram mais embaixo as letras de "Rosa" e de outras musicas de Cândido das Neves, o Índio. Leia mais »

Média: 5 (1 voto)

Três no Samba, o último CD de Pelão

Por Luís Nassif

A arte do bom disco é similar à arte da boa cozinha: a capacidade de combinar bons ingredientes e tirar um prato totalmente novo.

É o caso da arte de José Carlos Botezelli, o Pelão, o mais importante produtor brasileiro dos anos 70 para cá.

O primeiro ingrediente é a voz serena de Eliane Faria, que consegue revestir seu timbre suave com o sincopado marcante do samba, uma maestria que herdou do avô, o sete cordas Benedito César Ramos de Faria, e do seu pai Paulinho da Viola. Eliane é pastora da Portela, do grupo das cantoras que cantam na quadra da Escola, e filha de Alcinéia Pereira, irmã do sambista Anescarzinho do Salgueiro, a mais linda passista que Salgueiro já teve.

É uma sambista de ambientes pequenos, seletos, dos que conseguem identificar as nuances discretas das grandes cantoras. Leia mais »

Média: 4 (4 votos)

Caso Guimarães: a liberdade de expressão e o exercício da vendeta

eduguim_liberdade.jpg

É sintomática a maneira como alguns jornalistas tentam se prevalecer da condução coercitiva a que foi submetido o blogueiro Eduardo Guimarães. Endossam a arbitrariedade, um atentado evidente à liberdade de expressão – da qual nós, jornalistas, somos os principais defensores e beneficiários – meramente por uma questão pessoal: em algum momento sentiram-se atacados por Eduardo – que, saliente-se, não é figura fácil.

Mas não é a simpatia de Eduardo que está em jogo: é a liberdade de expressão.

O episódio é exemplo maiúsculo do tamanho minúsculo de pessoas que, por sua imagem pública, deveriam ser trincheiras da liberdade de expressão. Mostra o maior problema brasileiro, a ampla superficialidade e desconhecimento de pontos centrais da construção democrática. Mais que isso, é demonstração de uma mesquinharia, contra um adversário ameaçado, que conspira contra o caráter dessas pessoas. Como bem observou Hilde Angel, “as pessoas não gostam de quem tripudia” sobre a desgraça do adversário.

Leia mais »

Média: 4.8 (26 votos)

Xadrez de um governo à beira de um ataque de nervos

Nosso Xadrez está ficando interessantíssimo à medida em que o cenário político-jurídico chega na hora da verdade: o momento da Lava Jato encarar o poder de fato, aquele amálgama ideológico constituído pela mídia, setores do Ministério Público, Judiciário, sob o comando difuso da ideologia de mercado.

Até agora, era moleza, especialmente depois que Dilma Rousseff jogou a toalha, lá pelo primeiro minuto após o resultado das eleições de 2014.

Para facilitar o entendimento, vamos forçar a simplificação e dividir o jogo entre quatro forças distintas.

·      A frente de esquerdas, alvo da Lava Jato.

·      O sistema, composto pela mídia, parte do Judiciário e PSDB.

·      A ultra-direita, representada por MBL e assemelhados.

·      As Organizações Globo, como um poder à parte. Leia mais »

Média: 4.7 (45 votos)

Os procuradores preparando o ataque aos blogs

Leia, primeiro, a nota oficial dos procuradores da Lava Jato sobre o episódio Eduardo Guimarães, blogueiro levado para a Polícia Federal em condução coercitiva, em inquérito que visa levantar os responsáveis pelo vazamento das informações sobre a condução coercitiva de Lula em 2015.

A Nota é muito importante. Sem pretender, os procuradores passaram a receita do que pretendem:

Diz a Nota:

“As providências desta data não tiveram por objetivo identificar quem é a fonte do blogueiro, que já era conhecida, mas sim colher provas adicionais em relação a todos os envolvidos no prévio fornecimento das informações sigilosas aos investigados.

“O Ministério Público Federal reforça seu respeito ao livre exercício da imprensa, essencial à democracia. Reconhece ainda a importância do trabalho de interesse público desenvolvido por blogueiros e pela imprensa independente. Trata-se de atividade extremamente relevante para a população, que inclusive contribui para o controle social e o combate à corrupção”

Quem quiser que compre a versão, em que só faltou beijo na boca.

Mas vamos analisar a nota, ponto por ponto.

Leia mais »

Média: 4.5 (32 votos)

Com o caso Eduardo Guimarães, Moro atravessa o Rubicão

Vamos entender porque, para efeito da Lava Jato, o caso Eduardo Guimarães torna-se um divisor de águas – da mesma maneira que o episódio da condução coercitiva de Lula.

O episódio Lula, mais o vazamento dos grampos de Lula e Dilma, afastou de vez a presunção de isenção da Lava Jato e mostrou seu alinhamento com o golpe de Estado em curso.

A condução coercitiva de Eduardo Guimarães expõe de forma inédita o uso do poder pessoal arbitrário do juiz Sérgio Moro para retaliar adversários. Não se trata mais de disputa política, ideológica, de invocar as supinas virtudes da luta contra a corrupção para se blindar: da parte de Sérgio Moro, a operação atende a um desejo pessoal de vingança.

Leia mais »

Média: 4.8 (64 votos)