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Luis Nassif

O frasista Eduardo Paes e a lista turbinada de autoridades

A política do Rio de Janeiro tem duas singularidades. A primeira, a enorme facilidade com que muda o padrão de vida dos principais homens públicos. A segunda, a inominável capacidade de seus próceres em dizer besteiras.

Agora, é Eduardo Paes, de ex-grande revelação de gestor para um final de governo melancólico. Pelas obras que deixará no Rio, com o amplo apoio do governo federal, a única explicação para esse final de linha é sua verborragia e a insistência inexplicável em um candidato inviável.

A torneira da incontinência verbal começou a jorrar na escuta vazada pela Lava Jato, de Eduardo Paes comentando o sitio de Atibaia com Lula: "Agora, da próxima vez, o senhor me para com essa vida de pobre, com essa tua alma de pobre, comprando esses barcos de merda, sitiozinho vagabundo"

E prosseguiu com críticas à organização das Olimpíadas e, agora, com essa preciosidade sobre os australianos: “Estou quase botando um canguru na frente do prédio deles para ficar pulando e eles se sentirem em casa”. Leia mais »

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Editora Abril: a um passo de se tornar história

Editora Abril: a um passo de se tornar história

Pouco antes de morrer, o presidente da Editora Abril, Roberto Civita, aproximou-se de banqueiros paulistas. Conseguiu do Itaú-Unibanco uma sobrevida para a empresa.

Um dos banqueiros, mais ideológicos, fez uma última tentativa para manter vivos a Abril e o Estadão. Lançou a ideia de criação de uma fundação que assumisse as duas empresas. Chegou-se, inclusive, ao nome de André Lara Rezende para presidente.

A ideia morreu quando foram abertas as contas de ambas as empresas: eram economicamente inviáveis.

Agora, está próxima do fim a aventura da mais relevante editora de revistas do país. Leia mais »

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As semelhanças do inquérito da Mannesman com a Lava Jato

As semelhanças com o clima de 1964

Estou na revisão final da biografia do embaixador Walther Moreira Salles. São inevitáveis as semelhanças dos tempos atuais com o clima pré-64.

Desde Café Filho, Carlos Lacerda decretava o fim da democracia liberal, escudando-se no exemplo de Mendès France na França – obtendo leis delegadas para não ter que submeter ao Congresso cada passo da busca da paz na Indochina.

Em artigo em 1955, sobre Mendès-France, Lacerda dizia que “no mundo inteiro a Democracia sofre um processo de renovação. Cada povo, sobretudo os que têm líderes, isto é, elementos capazes de certa previsão, forceja por ultrapassar um liberalismo já morto, que os sufoca, para salvar a verdadeira liberdade, que, com ele, frequentemente se confunde”. Em 1956 voltou ao tema para defender plenos poderes a Café.

Os militares atuavam desde os anos 50. Na renúncia de Jânio, o triunvirato militar só não assumiu o poder devido ao veto expresso do governo Kennedy. Leia mais »

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Trivial de Biriba, o campeão esquecido

Só os mais velhos se lembrarão de Biriba. No entanto, durante algum tempo ele foi o mais popular atleta do Brasil, ao lado de Pelé, Maria Esther Bueno, Eder Jofre e Ademar Ferreira da Silva. E foi o mais precoce atleta do país, ao lado de Mequinho, no xadrez.

Biriba foi campeão de tênis de e ajudou a popularizar o esporte.

Aos 12 anos começou a competir, venceu o campeonato sul-americano de adultos em todas as categorias – simples, por equipe, por duplas. E, aos 13 anos, cometeu seu maior feito: a vitória sobre o campeão mundial, japonês, em visita a São Paulo.

No primeiro jogo, a vitória foi do japonês. No segundo, Biriba venceu por 2 X 0 de capote. O termo de capote se aplica aos sets em que o derrotado não consegue completar metal dos pontos.

Antes, os jogos individuais eram de melhor de 3 – ou seja, quem ganhasse 2 sets vencia o jogo -, com a contagem até 21 pontos e 5 saques para cada jogador. Leia mais »

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Para o dia do amigo: Meu Amigo Zé Grandão

 
Meu amigo Zé Grandão
Crônica de 22.06.2002
 
Em casa sempre fomos enjoados com o uso da palavra "amigo". Dona Tereza passava uma reprimenda quando eu dizia que tinha ido jogar bola com meus "amigos". "Companheiros", explicava ela. Amigo, só seu pai."
 
Mas com o Zé Grandão foi um caso de amigo à primeira vista. E dona Tereza nem se importou -aliás, adotou o Zé de imediato, porque ele veio com aquele jeitão desengonçado, dominando como poucos a arte de contar "causos", e habitava uma república que tinha por animal de estimação uma jaguatirica. Quem não vai gostar de um cara desses? O Zé se apaixonou por minha família e por ela foi imediatamente adotado.
 
Coisa boa não éramos, admito. Prova é o dia em que fomos à boate Josi, a casa da inolvidável tia Jovita, eu com minha cara de seminarista, óculos e uma capa preta que tinha ganhado de presente da minha mãe. Leia mais »
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Márcio Proença, um mestre da canção

Uma das boas coisas que trouxe de Niterói foi esse CD de Márcio Proença, um craque da canção. As composições dele e de José Luiz Lopes são clássicos foram do tempo. Ou melhor, clássicos de todos os tempos.

Vale a pena ouvir.

 

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Alexandre de Moraes, e a carreira pavimentada a sangue

Delegados da Polícia Civil de São Paulo cunharam o apelido de Kojak para o então Secretário de Segurança Alexandre de Moraes. Em parte, pela calva. Muito pela fixação nos holofotes. Fazia questão de ser comunicado sobre as operações mais irrelevantes, para ser a pessoa a anunciar a operação e os resultados para a TV.

O carnaval em torno dos supostos terroristas que criavam galinhas seguiu essa linha. Mas, aí, com uma irresponsabilidade monumental. O estardalhaço em cima de um factoide não só ajudou a carregar mais nuvens sobre os céus das Olimpíadas, como a chamar a atenção dos malucos sobre a possibilidade de atentados terroristas no evento.

No auge dos sequestros em São Paulo, havia um pacto tácito com a imprensa para não fazer estardalhaço, pois inevitavelmente produziria um efeito-demonstração. Com atentados, o efeito é maior ainda, porque hoje em dia, na cabeça dos desajustados, as redes sociais provocam uma confusão entre o virtual e o real.

Não é o problema maior de Moraes.

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Programa de Adelzon Alves será mantido

Atualizado às 15:05

O rompimento do contrato de Adelzon Alves pela EBC (Empresa Brasileira de Comunicações) é um atentado à cultura do Rio de Janeiro.

Para dar uma ideia da dimensão Adelzon, ele é uma das referências maiores do samba carioca que é, por sua vez, a referência maior da música popular brasileira. Para quem é do ramo, Adelzon tem uma importância comparável a de Herminio Bello de Carvalho e Nei Lopes.

Durante anos teve programa nas madrugadas da rádio Globo. Transferiu-se para a rádio Nacional, mantendo o programa que era uma luz de informações e lançamentos do samba, além de possuir um acervo de gravações únicas.
No carnaval de 2013, Adelzon, ao lado de Pelão e Jorginho da Cuica, deu uma entrevista inesquecível ao Brasilianas.

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Sarau da Lava Jato em Curitiba

No próximo dia 2 estarei em Curitiba para uma audiência em um processo que me movem delegados da Lava Jato. Sob pena de ser condenado ou excomungado, decidi aproveitar a viagem para rever os amigos chorões de Curitiba, para o Sarau da Lava Jato.

Assim que tiver mais dados do local e dos músicos, informo aqui.

Peço aos amigos curitibanos que avisem os músiocos, cantores e instrumentistas para montarmos uma festa alegre e musical.

Atenção

Amigos curitibanos propõem que façamos o Sarau no Espaço Cultural Calemengau

O espaço é grande, mas não tenho ideia da quantidade de amigos que aparecerão. Se for um grupo menor, seria melhor em um boteco.

Aguardo o feedback de vocês antes de decidir.

PS - Desistimos do Calemengau, porque não aceita cartões.

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Xadrez da disputa ideológica nas metrópoles

Peça 1 – A crise da democracia representativa

A crise de 2008 derrubou o mito da democracia representativa como forma de governo. Até a Primeira Guerra foi o sistema que permitiu a internacionalização do capital e a derrubada de muros nacionais. De 1914 à Segunda Guerra houve o interregno autoritário, com o nascimento do comunismo e do fascismo. Da Segunda Guerra até 1972 o grande pacto que permitiu definir controles sobre os fluxos de capitais, equilibrando um pouco o jogo entre interesses nacionais e sociais e os interesses do capital, garantindo um desenvolvimento seguro de muitos países emergentes e o florescimento do estado do bem-estar na Europa.

De 1972 em diante houve a segunda grande investida do capital, culminando com três grandes vitórias:

Vitória 1 – o fim da paridade dólar-ouro, devolvendo a liberdade aos fluxos de capital.

Vitória 2 – o advento da era Reagan e Thatcher influenciando as democracias ocidentais  a diminuir o papel do Estado.

Vitória 3 – a queda do muro de Berlim, precedendo a derrocada do Império Soviético.

Ao mesmo tempo, houve a explosão das redes sociais e um novo movimento de concentração e de aparecimento de novas superempresas globais.

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O lobista que (não) investiu em restaurante

A instrumentalização do inquérito policial e das delações chegou a níveis agudos.

Tome-se o caso de Felipe Torres.

Com 40 anos, cumpriu uma carreira vitoriosa no setor privado. Foi alto executivo da Whirlpool Latin America, da Ambev, e da F2B, fundo criado por investidores norte-americanos para atuar no segmento de meios de pagamento eletrônico.

Em 2015 decidiu entrar no mercado de franquias. Estudou o mercado e optou pelo Madero Steak House, uma franquia de Curitiba, uma tentativa de oferecer hambúrguer gourmet. A ideia foi instalar-se em Piracicaba. Já pensava em mudar-se para o interior e tinha adquirido uma casa em Limeira, próxima a Piracicaba. Leia mais »

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Para entender o sucesso do UBER

Alguns dados para explicar o sucesso do UBER.

Fui convidado a uma palestra em Niterói e colocaram um motorista com UBER à minha disposição.

O Rui anda em um carro alugado da Localiza. Paga R$ 1.399,00, com seguro APP (Acidente Pessoal do Passageiro), ou R$ 43,00 por dia. Só tem despesa de gasolina e troca de óleo. Qualquer problema com o carro, a Localiza troca na hora.

A UBER direciona as corridas, e fica com 25% de comissão. Agora fazendo a UBER Pool, dividindo o carro com outros passageiros, a comissão do UBER diminui.

Mensalmente, fatura R$ 5.200,00 com a UBER. Tem despesa de R$ 3 mil entre aluguel, combustível, aplicativo do celular (5 GB e mil minutos por mês), despesa total de R$ 3.500,00.

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Grupo Café Brasil, o choro de Niterói

Amanhã estarei participando de uma homenagem ao Jacob do Bandolim no Clube de Choro de Niterói, ao lado do belíssimo conjunto Café Brasil.

 

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Xadrez dos novos tempos, da democracia em risco

A democracia brasileira finalmente encontrou seu mais perfeito tradutor: o espanhol Lluis Barba. Conforme explicam os críticos, Barba é conhecido por “ter desenvolvido uma reinterpretação da fragilidade da memória histórica e sistemas de poder, juntando obras de artes de grandes mestres com elementos contemporâneos”.

Nada melhor para definir a maneira como o país está encarando a destruição sistemática dos mecanismos democráticos. 

Peça 1 – montagem de um pacto de governabilidade com Temer

A receita está dada. Juntam-se grupos econômicos, PSDB-DEM, estamento Jurídico, em torno de três objetivos claros:

1.     Desmanche das conquistas sociais.

2.     Abertura integral da economia.

3.     Recuperação pontual da economia garantindo as eleições de 2018.

Tem que combinar com os russos. Leia mais »

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O desafio de transformar Veja em uma revista conservadora

 Com suas últimas medidas, o diretor da revista Veja André Petry, inicia o desafio de transforma-la em uma revista conservadora, tirando-a do esgoto em que se meteu na última década.

Se será bem sucedido ou não, é outra história.

Por revista conservadora se entende uma revista de direita, mas comprometida com os fatos e com uma visão de mundo conservadora e com um mínimo de compromisso jornalístico.

O que há até agora é uma revista metida até o pescoço com as mais escabrosas parcerias, do submundo do crime aos chantagistas e sem nenhum compromisso com o jornalismo.

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