Revista GGN

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Luis Nassif

Ayres Brito poderá ser a síntese de Temer para o Ministério da Justiça

Os rumores de que Michel Temer planeja trocar o MInistro da Justiça Alexandre de Moraes pelo ex-Ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Ayres Britto, produzirá a síntese perfeita: será tão inerte quanto Cardozo e tão falastrão quanto Moraes. E a comprovação definitiva de que o mais relevante Ministério do governo tornou-se uma casa de terceira linha.

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Os cabeças de planilha jogam a toalha, mas preservam os frutos

Durante vinte anos apontei as loucuras da política monetária do Banco Central, consolidada a partir do plano Real. Os arquivos da Folha estão repletos de colunas minhas apontando as inconsistências teóricas e práticas.

Aliás, na pesquisa me dei conta de que, apesar dos artigos não terem sido banidos dos arquivos da Folha, Otávio Frias Filho cometeu a mesquinharia de retirar meu nome de todos os índices diários de matérias do jornal.

No livro “Os Cabeças de Planilha” procurei mostrar – com base na semelhança histórica do Encilhamento – como o conjunto de teorias levantadas pelos economistas visava, no fundo, consolidar um novo tipo de poder (o financeiro) e contribuir para o enriquecimento pessoal dos economistas, à custa de custos enormes impostos ao país.

Prossegui nessa cruzada em inúmeros artigos aqui no Blog.

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Xadrez do Brasil na era do narcotráfico – 2

Peça 1 – os ladrões de bicicleta e os de helicóptero

Vamos a desdobramentos do artigo anterior, incorporando análises e informações trazidas por vocês e uma longa conversa com o juiz Luiz Carlos Valois, de Manaus.

O juiz chama a atenção para algumas discrepâncias que se tornaram corriqueiras na análise do tráfico.

Como imaginar que organizações criminosas, formadas apenas pelo baixo clero, cujas principais lideranças estão presas, e são moradores de barracos em favelas, possam comandar uma estrutura da dimensão do tráfico de cocaína? Como diz Valois, os verdadeiros comandantes andam de helicópteros.

Tome-se o transporte de cocaína. A parte mais artesanal são as mulas, em geral provenientes de países africanos, trazendo cocaína na bagagem ou no estômago.

Trata-se de uma quantidade irrelevante, perto dos sistemas profissionais de transporte: containners com drogas, no meio de produtos de exportação, vindos por avião, navios ou por caminhões pela fronteira. Leia mais »

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Xadrez do Brasil na era do narcotráfico

 

Atualizado às 08:50

Peça 1 – a cadeia produtiva do narcotráfico

A característica central das novas organizações criminosas é a descentralização e a flexibilização. O avanço das novas tecnologias, a integração das economias nacionais, abriu amplo espaço para terceirizações, alianças, mudando o velho sistema das estruturas hierarquizadas.

Houve quatro etapas na história recente das drogas.

Na primeira etapa, investidores externos vinham até os países andinos – Peru, Bolívia e especialmente a Colômbia – adquiriam a coca e colocavam nos países consumidores. Controlavam, assim, todo o processo de comercialização.

Na segunda etapa, os produtores decidem assumir o controle de toda a cadeia produtiva. É assim que se formam os cartéis de Medelin e de Cali e, no caso brasileiro, a tentativa de Fernandinho Beira-Mar de assumir as duas pontas do comércio de drogas. Esse modelo torna os cartéis alvos fixos da repressão norte-americana.

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Xadrez da política, do crime e da contravenção

Os massacres em presídios são apenas o desfecho de um amplo processo nacional de convivência com o crime, de aceitação social, de parceria política e de negócios entre o país formal e a criminalidade.

O escravagismo e o bicho foram as primeiras organizações criminosas. Da estrutura do bicho nasceu o narcotráfico. Com seu conhecimento da arte de corromper autoridades públicas, o bicho saltou das delegacias municipais para as Secretarias de Segurança estaduais, e de lá para toda a máquina pública, para todos os poros da administração pública, entrando nas licitações municipais, estaduais, controlando o lixo, os transportes urbanos, da mesma maneira que a máfia na Itália, conforme revelou a CPMI de Carlinhos Cachoeira.

No mundo oficial, na base do Judiciário, há a generalização da prisão provisória de preso pobre. Para os tubarões, há a sucessão de recursos, a anulação de inquéritos por ninharias. Cada aumento das penalidades pega apenas os de baixo. Cada flexibilização nas penas, beneficia apenas os de cima. Leia mais »

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Xadrez de como o pato da FIESP engoliu o MPF

Peça 1 – sobre as responsabilidades do MPF

O Ministério Público Federal teve papel central no golpe parlamentar que visou, em última instância, reduzir drasticamente as responsabilidades do Estado e congelar as despesas públicas através da PEC 55.

O congelamento implica em meramente corrigir as receitas pela inflação do período, mantendo o mesmo valor real inalterado por 20 anos.

A lógica anterior consistia em definir um patamar de despesas e corrigi-la anualmente pelo índice de preço do período mais o crescimento do PIB.

A ideia civilizatória era a de que o país iria aumentando seus gastos na medida do aumento da riqueza, como consequência do crescimento do PIB. Descontados os últimos dois anos de Dilma Rousseff com o festival de subsídios, a regra vinha sendo cumprida.

Voltei aos meus tempos de planilha e montei uma simulação para saber o impacto da PEC 55 sobre o orçamento do MPF. Escolhi o MPF por sua responsabilidade no golpe e no desdobramento da PEC 55 e por ser um microcosmo a partir do qual podem-se se tirar conclusões sobre as despesas públicas em geral.

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Xadrez da teoria que sustenta o golpe

Peça 1 – as ideias e a conspiração

Nessa geleia geral em que se transformou o golpe, uma boa análise estratégica exige a tipificação mais detalhada do papel de cada personagem.

O poder de fato está em uma entidade chamada mercado.

É o mercado quem forneceu o fio agregador do golpe, o objetivo final, o componente ideológico capaz de criar uma agenda econômica alternativa, em torno dos quais se agruparam a mídia, o PSDB e se induziu à politização de instituições, como o STF (Supremo Tribunal Federal) e o MPF (Ministério Público Federal), montando o círculo inicial que passou a dar as cartas no governo Temer e, possivelmente, no pós-Temer.

É a parte mais eficiente do golpe, seguindo um roteiro fartamente descrito em obras como “A Teoria do Choque” de Naomi Klein. Confira, a propósito, o “Xadrez da Teoria do Choque e do Capitalismo de Desastre” ( https://goo.gl/vZYVzy). Leia mais »

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Boas Festas e um 2017 pleno de Brasil

Entrando no restaurante, o sujeito que não conheço me olha de um modo que não traduzo. Em outros tempos, seria um bom início de conversa. Puxaríamos assunto, fosse turista ou nativo falaríamos da velha Poços de Caldas, descobriríamos afinidades musicais, às vezes amigos comuns e raramente se falaria de política.

Agora, o clima é tenso. Fico imaginando que, a qualquer momento, o sujeito virá em minha direção de dedo em riste, deblaterando contra minhas posições políticas, me acusando de "petralha" e me obrigando a bate-boca em público.

A direita saiu do armário, dirão os especialistas. Mais que a direita, a intolerância.

Não apenas a direita troglodita, mas também uma nova direita cheia de maneirismos, travestida de um humanismo de boutique, defensora das grandes teses de igualdade apenas para o eixo Rio-Miami, para seus círculos sociais, mas avalizando todos os ataques políticos aos inimigos e todas as ameaças às políticas sociais que amparam  a plebe malcheirosa. Leia mais »

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Xadrez do Hommer Simpson e do desmonte nacional

 
Nos últimos dias tive dois contatos marcantes. Um deles, com um autêntico representante da ultradireita delirante. Outro, com um representante típico do Homer Simpson.
 
Vamos por parte.
 
Fomos apresentados à direita delirante por um amigo gozador, que juntou os três casais em uma feijoada. O sujeito era oftalmologista, estudara nos Estados Unidos, em uma universidade da qual não me recordo o nome, mas, segundo ele,  muito mais afamada que Harvard, tinha sido convidado a trabalhar em um órgão do governo norte-americano, muito importante, e do qual não me recordo o nome, e cometeu outros feitos expressivos, dos quais não me recordo a relevância.
 
Ele se informa em sites de ultra-direita, não confia em nada do que sai na imprensa e acredita em tudo o que lhe dizem seus pares.
 
Quando elogiou minha origem libanesa, por ser uma raça pura, percebi que a conversa ia ser marcante. 
 
Ele é contra todas as raças impuras, diz que Donald Trump vai colocar as coisas nos eixos (sem jogo de palavras). Garantiu, sem pestanejar, que Michele Obama é transexual; que Barack Obama não é Barack Obama, mas um sujeito que se faz passar por Barack Obama. Trata os negros como macacos. E me passou a mais retumbante das revelações que, segundo ele, tem sido sonegada por toda a imprensa ocidental. Aliás, apostou comigo como não conseguiria publicar nem no meu blog a relevante informação de que não há mais peixes no Oceano Pacífico.E não adiantou argumentar que desastre desse tamanho não seria sonegado nem pelo Estadão, mesmo se fosse de responsabilidade do PSDB.
 
Pulemos para o simpático Homer Simpson, que me aborda no boteco de Poços.

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Reveillon dos Desamparados em Poços de Caldas, ou Xô 2016!

Pessoal,

 

Em Poços de Caldas, na minha adolescência, havia o Natal dos Desamparados. Íamos até a ceia com nossas famílias, depois nos mandávamos para a casa das amigas Goga e Malala, onde se reuniam os desamparados, sem família em Poços. E lá festejávamos até o sol raiar.

 

Estamos pensando em fazer um Sarau especial de fim de ano em Poços juntando os amigos do Blob: o Reveilon dos Desamparados, ou Xô, 2016!.

 

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Xadrez de como o MPF tornou-se uma força antinacional

Peça 1 - o cenário pré-Lava Jato

A Lava Jato vai revelando dois aspectos do estágio de desenvolvimento brasileiro.

O primeiro, a corrupção endêmica e generalizada que foi apodrecendo o sistema político sem ser enfrentada por nenhum partido. Era o tema à vista de todos e há décadas percebido pela opinião pública, o único tema capaz de provocar a comoção geral.

O segundo, as indicações de que o país estava a caminho de se transformar em uma potência média, repetindo a trajetória de outras potências, inclusive no atropelo das boas normas. Leia mais »

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Como Temer e Padilha conquistaram o apoio do Estadão

Quem teve chance de conhecer a família Mesquita, especialmente em tempos bicudos, saberia que jamais engoliriam um político como Michel Temer, menos ainda um Elizeu Padilha.

Temer sempre representou o perfil de político que os Mesquita abominavam, o sujeito do pequeno varejo, negociando favores, enriquecendo na política. Padilha, mais ainda, o glutão capaz de se enredar nas histórias mais suspeitas, em todos os momentos da sua vida pública.

Jamais passariam pelos portões da sede do Estadão.

No entanto, o que se vê agora é o jornal com editoriais retumbantes saudando até insignificâncias, como o tal pacote econômico de dezembro. Padilha tornou-se um varão de Plutarco, pontificando sobre previdência, legislação trabalhista. Em meio a uma enxurrada de denúncias contra Temer, minimizam as denúncias e abrem manchetes para o grande estadista que nasceu. Leia mais »

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Os vazamentos e a pós-verdade da Lava Jato

O Ministério Público Federal está empenhado em demonstrar que não apenas não vaza, como não tem interesse em vazamentos – apesar do vazamento ser peça central na estratégia da Lava Jato, como comprova trabalho do juiz Sérgio Moro sobre a Operação Mãos Limpas.

Recentemente, o Procurador Geral da República Rodrigo Janot bradou inocência. Outros procuradores surgiram com alegações cartesianas sobre a razão do vazamento não interessar a eles.

O procurador Deltan Dallagnol divulgou em seu Facebook artigo da procuradora de Justiça Luciana Asper, analisando os vazamentos de delações premiadas. É uma boa maneira de apurar como o MPF monta suas narrativas de defesa, depois de se saber, à exaustão, como monta suas narrativas condenatórias. E um bom exemplo da profundidade da lógica que impressiona Dallagnol.

Vamos comparar o artigo da procuradora com o vazamento da delação de Marcelo Odebrecht, segundo a Folha de São Paulo (https://goo.gl/fOLplp).

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As intrigas natalinas em um Supremo risonho e franco

O espírito natalino faz com que os atos de fim de ano sejam muito melhores do que a realidade do ano seguinte. O melhor de nós aparece nessa época do ano. Depois, quando se cai no espírito do mundo real, vai piorando gradativamente. O melhor do Supremo não anima.

Lance 1 - A intriga

Sai a nota no Estadão, assinada pelo repórter Ricardo Galhardo (https://goo.gl/vkxUSZ). O título é “Lewandowski trava regra de indicação ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral.

Diz a matéria:

“Repousa desde março de 2012 em uma gaveta do ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), uma resolução de emenda regimental que altera a forma de escolha dos ministros juristas que compõem o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A substituição de dois dos sete ministros do TSE ainda no primeiro semestre do próximo ano é vista como um trunfo do governo contra a ameaça de cassação da chapa Dilma Rousseff-Michel Temer”. Leia mais »

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Xadrez do pacote econômico alternativo

Corre no Senado um estudo, ainda em análise pela liderança da oposição, que, pela primeira vez, traça um diagnóstico realista da crise e das medidas para impedir o aprofundamento da recessão.

O pacote é interessante por dois motivos.

O primeiro, por abordar de forma objetiva razões e saídas para a crise. O segundo por demonstrar claramente a influência de ideologia nas formulações econômicas.

A boa gestão econômica consiste em uma análise objetiva da realidade, um diagnóstico preciso e o uso das ferramentas necessárias para enfrentar os problemas que se apresentam. Nenhum dos instrumentos óbvios para superar a crise é acenado pela equipe econômica, porque afronta a ideologia a que ela está atrelada.

Na gestão do dia-a-dia da economia, os grandes economistas se destacaram pelo pragmatismo. O viés ideológico se apresenta em questões pontuais, até no desenho de um modelo futuro de economia. Não na administração dos problemas imediatos, especialmente quando a economia enfrenta crises graves: nas contas externas, quando a inflação sai do controle ou, como agora, quando a economia ameaça mergulhar em depressão.

Celso Furtado e Raul Prebisch – principais nomes da CEPAL (Comissão Econômica para a América Latina), teóricos da industrialização – aplicaram planos de estabilização convencionais para enfrentar a inflação. Pai da ortodoxia econômica, Eduardo Gudin defendia uma maxidesvalorização cambial (seguida da unificação do câmbio) para dotar o Brasil dos anos 50 da mesma competitividade recém-adquirida pela Coreia. Outro ícone do liberalismo, Roberto Campos, defendeu a encampação de empresas elétricas estrangeiras, quando se deu conta de que não teriam condições de investir para acompanhar o desenvolvimento brasileiro.

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