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Luis Nassif

O mercado apoia a política econômica que dá ganhos imediatos, por Nelson Barbosa

Na interessantíssima Semana de Economia da Escola de Economia da Fundação Getúlio Vargas, filha dileta de Luiz Carlos Bresser Pereira, uma das discussões mais candentes foi sobre o sistema de metas inflacionárias, e a maneira como permite ao rentismo de apropriar de parte relevante do orçamento público.

Em sua palestra, Nelson Barbosa analisou os julgamentos que o mercado faz sobre a política econômica – e a imprensa repete como se fosse ciência pura. Tudo se resume à taxa de juros efetiva. O mercado estima uma taxa, em geral maior do que a que se realiza. Pelas metas inflacionárias, no caso de aumento da inflação, a taxa de juros tem que aumentar mais que proporcionalmente. Quando o governante permite taxa de juros real (descontada a inflação) elevadas, o mercado saúda a política econômica como eficiente. E vice-versa.

Aqui, um e-mail que recebi de Nelson detalhando mais o tema. Leia mais »

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Com três linhas, STJ convalida possível golpe fiscal de R$ 1,5 bi, por Luis Nassif

Atualizado em 16/setembro com acréscimo de resposta do STJ

Com apenas três linhas, a Ministra Laurita Vaz, do Superior Tribunal de Justiça (STJ) impediu que se analisasse o mérito de uma autuação fiscal de cerca de (em valores atuais) quase R$ 1,5 bilhão.

A Ministra foi dura:

"Tendo em vista a decisão singular de fl. 5.265, que não reconheceu o agravo do recurso especial por deserção, NADA TENHO A DESPACHAR acerca dos documentos de fãs. 5.275/5.421, haja vista. Exaurimo-nos da prestação jurisdicional neste Tribunal Superior".

 

A data era 6 de setembro, véspera do dia em que, com a independência, o Brasil aspirava o status de Nação civilizada. O "NADA A DECLARAR", em maiúsculas, fora da praxe, era um puxão de orelha na procuradora que teimava em demonstrar uma operação de simulação fiscal.

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Xadrez da falência da macroeconomia brasileira, por Luís Nassif

Peça 0 – a Semana do Economista da Escola de Economia da FGV

A Semana de Economia da Escola de Economia da Fundação Getúlio Vargas, tem permitido uma visão bastante nítida dos limites e das pretensões da macroeconomia no país.

A diversidade de linhas de pensamento permitiu montar um quadro preciso do momento atual, cujas principais conclusões são:

·      O predomínio do financeiro sobre o estratégico.

·      O reconhecimento do conhecimento da economia como arma política dos economistas, encastelados nos Bancos Centrais.

·      O pastel de vento que está sendo vendido por Henrique Meirelles, uma bomba para estou em 2019.

·      A manipulação das estatísticas como instrumento de marketing.

Vamos por partes.

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Trivial de Neymar Dias

Dia desses fui assistir a um show da Thamires Tannous, jovem cantora representante da música do centro-oeste. Delícia de show!

Mas lá ouvi pela primeira vez a viola de Neimar Dias. De arrebentar. Hoje em dia, no rastro de Almir Satter e Tavinho Moura, Renato Andrade, Ivan Vilela, Pereira da Viola, Roberto Correa e outros, filhos fieis de Tião Carrero.

Mas o que ouvi naquele show me deixou sem fala. A maneira como Neymar toca a viola, a facilidade dos bordados, reforçando as canções, o uso dos acordes, criando a cortina harmônica que vale por uma orquestra, e que só a viola proporciona, me deixaram embasbacado.

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A imagem tortuosa que Doria construiu de si próprio, por Luis Nassif

A construção de imagem de um político que aspire altos cargos é tarefa particularmente delicada. Trata-se da construção do seu caráter público, de um personagem permanentemente submetido a julgamentos por qualquer passo que dê. O resultado final é a soma dos episódios em que ele se envolve e que é acompanhada pelo público.

Ainda mais nesses tempos de redes sociais, selfies, velocidade de propagação da informação.

Em outros tempos, era trabalho mais fácil.

Fernando Collor era um político desconhecido do Brasil, quando saiu de Alagoas para disputar a presidência. E teve o auxílio da Globo na construção da imagem de caçador de marajás, em um período em que o país estava cansado da centralização em Brasília, no regime militar, e na esbórnia de distribuição de cargos públicos que caracterizou a partilha do butim pelos que ascenderam com Sarney. E que havia pouca informação circulando. A Folha foi o único jornal que trouxe algumas indicações sobre a personalidade de Collor.

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A chantagem da CPI da JBS, por Luís Nassif

Os abusos recentes da Lava Jato lançaram uma mancha não apenas sobre a operação, mas sobre o próprio Ministério Público Federal. Não adiantaram os alertas de figuras referenciais do MPF. A corporação caiu de cabeça no populismo insuflado pela mídia e que ganhou o apoio da parcela da sociedade com sangue na boca.

Houve abusos, sim, dos piores. E oportunismo dos maiores.

Mas o caminho para a contenção não é a CPI da JBS. Anular completamente o papel do MPF, através do uso de sua própria métrica contra ele, significaria entregar o país de vez para a mais corrupta estrutura política que já assumiu o poder.

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Trivial de Juarez Moreira e do violão mineiro

Na sexta-feira passada, em Belo Horizonte, tive a oportunidade de ouvir de perto, nos menores detalhes, o violão do amigo Juarez Moreira. Ele já tinha participado de outros saraus do Blog, mas sempre com o som prejudicado pelas conversas.

Desta vez, houve silêncio e o palco um pouco afastado. E aí Juarez mostrou toda sua maestria, que já encantou alguns dos maiores instrumentistas do Brasil e dos Estados Unidos.

Juarez é um minimalista. Não é de correria, é de detalhes. Ouviu de Yamandu o elogio definitivo: “Um dia vou tocar tranquilo assim que nem tu”.

Mas não é apenas a delicadeza e a variedade de acordes. Juarez desenvolveu uma técnica contrapontística única, na qual o dedão vai fazendo o baixo, enquanto flui a harmonia, como se fossem dois instrumentos distintos. E tome harmonias na justa medida, ricas, variadas, mas nunca supérfluas. Leia mais »

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Xadrez que explica as trapalhadas de Janot, por Luís Nassif

Em que narrativa caberiam os seguintes fatos?

Lance 1 - O Procurador Geral da República (PGR) Rodrigo Janot pedindo a prisão das principais testemunhas do processo contra Michel Temer e do ex-procurador Marcelo Miller.

Lance 2 - Depois, se encontrando clandestinamente em um boteco com o advogado da JBS, Pierpaulo Botino, um dia depois de ter pedido a prisão de seus clientes. Obviamente para tratar de temas que não poderia tratar em uma reunião oficial.

Lance 3 - Um Ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Luiz Edson Fachin, trabalhando no final de semana.

Lance 4 - Fachin criando um tipo de pena diferente para a JBS: a suspensão dos benefícios e a prisão temporária de Joesley Batista e Ricardo Sur. Ou se anula o benefício e se prende o colaborador; ou se mantém o benefício e não prende o colaborador. Fachin inovou suspendendo o benefício e prendendo os delatores.

Lance 5 - Apesar de jogar em dobradinha com Janot, Fachin rejeita o pedido de prisão contra Miller, feito por Janot.

Vamos montar uma narrativa onde podem se encaixar essas peças e explicar a notável ansiedade com que Janot vem se comportando nos últimos dias.

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As trapalhadas finais de Rodrigo Janot, por Luis Nassif

Imagine-se a cabeça do Procurador Geral da República Rodrigo Janot ontem, sexta-feira.

Comportara-se no acordo da JBS como o repórter com pouca experiência em jornalismo investigativo, em cujo colo cai o furo do século. Afobado, tratará de publicar o furo o mais rapidamente possível, com a ansiedade dos focas. E, na pressa, abre a guarda com erros não essenciais que são utilizados para desmoralizar a parte relevante da matéria.

O “foca” Janot enfrentava problemas maiores. Nos processos criminais, erros na forma podem anular o furo. E, por afobação, Janot cometeu inúmeros erros, quando a JBS apresentou-lhe a possibilidade de dar o furo do século. E, agora, os erros passaram a desabar sobre sua cabeça; Leia mais »

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Janot coloca sob suspeita a Câmara contra a Corrupção do MPF, por Luís Nassif

Há meses, se sabia que Miller recebera uma proposta para trabalhar na Trench, Rossi & Watanabe. Na própria Procuradoria Geral da República a decisão foi encarada como uma traição ao Ministério Público Federal.

Mal formalizou sua saída do MPF, Miller participou do acordo de leniência da JBS, como advogado do grupo.

Agora, o PGR Rodrigo Janot pretende criminalizar a atuação de Miller. E, com a sutileza de um macaco em loja de louças, cria um problema enorme para o próprio MPF. Acompanhe o raciocínio.

Jogando nas duas pontas, como procurador, antes, e como advogado, depois, que crimes Miller pode ter cometido?

Opção 1 - Acesso a informações privilegiadas, não é crime. Ao advogado de defesa é facultado o acesso a todas as provas e acusações contra o réu. Pode-se condenar moralmente Miller, mas até aí não tem sinal de crime. Essa condição impede apenas o juiz de julgar, não um ex-procurador de mudar de lado e defender o réu processado. Trata-se de questão ética, mas não criminal. Leia mais »

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Janot e o pedido de prisão de Marcelo Miller, por Luís Nassif

O pedido de prisão do ex-procurador Marcelo Miller, feito pelo Procurador Geral Rodrigo Janot, é a demonstração definitiva de que Janot é um dos piores caráteres públicos da vida nacional. Falo em caráter público baseado em sua atuação pública, já que não tenho dados sobre seu comportamento privado.

No post anterior fiz algumas brincadeiras sobre o fato de sua fraqueza ser mais responsável pela perda de rumo do que o caráter. Foi apenas um jogo de palavras.

Em tempos passados, atrás da indicação para a PGR, Janot bajulava como podia o então presidente do PT José Genoíno. Uma noite, imerso em uma das libações alcóolicas frequentes, Janot chegou a oferecer sua casa a Genoíno, para se abrigar das intempéries políticas que se abateram sobre ele com a AP 470.

Empossado PGR, sua primeira decisão foi solicitar a prisão de Genoíno, apesar de saber da inocência do ex-amigo. Leia mais »

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Xadrez de Janot, o Asmodeu trapalhão, por Luís Nassif

 “Entre um burro e um canalha, não passa o fio de uma navalha” (Millor Fernandes)

Ninguém imaginaria, anos atrás, que, indicado Procurador Geral da República, um burocrata mediano, especializado nas pequenas demandas corporativas do Ministério Público Federal, se constituiria – por omissão e por iniciativas empurradas pelo medo – no grande anjo vingador, o Asmodeu capaz de decretar a morte das instituições brasileiras para punir os pobres pelos anos de dissipação e corrupção dos poderosos.

Na defesa do regime democrático, principal missão do MPF, o PGR Rodrigo Janot falhou vergonhosamente, contribuindo por omissão e ação para um golpe de Estado, mostrando falta total de compromisso com a República. Leia mais »

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As formas da JBS lavar dinheiro, por Luis Nassif

De um observador da economia norte-americana

A JBS nos EUA é maior que no Brasil e suas transações financeiras merecem uma ampla investigação.

Por exemplo, a JBS comprou a PILGRIM´S PRIDE, processadora de carne de frango, FALIDA, sob administração da Corte de Falências do Distrito Norte do Texas, por US$2.5 bilhões, outras noticias dão como US$2.8 bilhões, que incluem o pagamento integral de US$1.7 bilhões em dividas, a maior parte sem garantias.

Ora, numa falência é possível comprar créditos por uma fração do valor. Ninguém paga 100% mas em todas as noticias publicadas nos EUA o preço inclui o pagamento integral das dívidas dessa PILGRIM´S.

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Os dilemas do Banco Central e do jornalismo econômico, por Luis Nassif

No XXII Congresso de Economia, em Belo Horizonte, participei de uma mesa redonda sobre Jornalismo Econômico com dois velhos colegas,  João Borges, da Globonews, Cláudio Conceição, da revista Conjuntura Econômica, e um colega recente, Fernando Brito, do blog Tijolaço.

No debate, João Borges propôs um desafio interessante. Me nomeou presidente do Banco Central e se colocou no papel de entrevistador, perguntando o que eu faria com os juros.

Dei uma explicação mais longa, mostrando como, na minha opinião, deveria ser a política econômica, casada com a Fazenda, o Planejamento, o Banco Central e a Casa Civil, para um choque de investimentos públicos na economia. Mas esse choque necessitaria um presidente com dimensão de estadista. Posto que o atual presidente da República é pequeno, obviamente, não haveria condições políticas para as mudanças.

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Na delação de Palocci, a Lava Jato preserva os operadores financeiros, por Luis Nassif

O ensaio de delação do ex-Ministro Antonio Palocci é a demonstração cabal de como funciona a Lava Jato. Sua missão não é prender e punir corruptos e corruptores. É usar o poder de prender e punir corruptos e corruptores para livrar corruptos e corruptores, desde que atendam aos objetivos políticos da operação.

É o caso de Palocci.

Palocci tinha duas formas de operar. Uma delas, era para o PT, as conversas informais com financiadores de campanha.  Nessa ponta, conversava com empreiteiras e frigoríficos. Na outra, atuava em benefício próprio agindo preferencialmente com investidores e bancos de investimento.

Havia dois terrenos preferenciais para operar. Um deles, histórico, era o insider information sobre o comportamento das taxas de juros nas reuniões do Copom (Conselho de Política Monetária do Banco Central) e nos leilões de títulos públicos.

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