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Luis Nassif

Causos do mineirinho

Aproveitando o final de semana em Poços, estou atualizando piadas de mineirinho. Solto uma, vocês trazem outras.

O paulista chega no pasto. O compadre mineiro no curral ordenhando as vacas. No meio do pasto um boi com cara invocada.

O paulista:

- Cumpadre, vem aqui que preciso conversar com você.

- Uai, cumpade, vem oce aqui - e continuou ordenhando a vaca.

- Mas esse boi não pega, cumpadre?

- Não, pode entrar.

O paulista entra no pasto, o boi sai correndo atrás dele, o paulista põe sebo nas canelas e pula a cerca antes de ser atingido. E o mineirinho ordenhando as vacas.

- Ô cumpadre, mas você disse que o boi não pegava.

E o mineirinho:

- E por acauso pegou, cumpade?

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Nem por esperteza, Alckmin demonstrou sensibilidade

É trágica a maneira como o PSDB joga pela janela oportunidades políticas.

A vulnerabilidade central do partido é a insensibilidade social. Mesmo no bem avaliado governo Aécio Neves, a crítica central era a falta de preocupação social. Em São Paulo, a arrogância administrativa, das decisões de gabinete, sem nenhuma preocupação em ouvir, planejar ações.

Aí o partido reune sua executiva para pensar o futuro. As únicas fontes de pensamento "novo" são financistas, exclusivamente preocupados em vender o peixe do mercado para o partido. 

Curiosamente, foi Geraldo Alckmin o primeiro político de peso do PSDB a perceber a emergência de novos valores. Ainda na campanha, mostrou as vantagens de programas tipo "Minha Casa, Minha Vida" sobre o modelo autárquico do CDHU. Entendeu a importância da colaboração federativa. Percebeu a relevância de reduzir o estado de guerra com o professorado, praticar o relacionamento civilizado com prefeitura e lideranças de bairro. Até ensaiou algumas ações administrativas colaborativas, juntando várias secretarias de governo e a prefeitura. Leia mais »

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Repensando o papel da Polícia Militar

Tenho admiração pela Polícia Militar de São Paulo. Não apenas pela gloriosa Banda Militar mas pelo nível de formação de seus oficiais. Há uma academia, a peocupação permanente com estudos, análises sobre crimes, mudanças sociais etc., disciplina, planos de carreira. Enfim, é uma organização com vida inteligente, história e, de tempos em tempos, com programas de aprimoramento.

Por tudo isso, é hora do comando da PM, dos ideólogos começarem a analisar mais seriamente as incursões violentas contra cidadãos.

É evidente que a corporação cumpre ordens do poder civil - no caso, o governador de plantão. E nem poderia ser de outra maneira. Mas o preço do desgaste é pago, quase sempre, pela corporação. Joga-se a PM em situações de risco e qualquer arbitrariedade cometida é debitada a ela. Governantes colhem as vitórias; a PM recebe o desgaste.

É hora da corporação, como um todo, planejar sua inserção junto às comunidades, ao governo de Estado e à opinião pública. Leia mais »

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INPI, o pilar ineficiente da política tecnológica nacional

Encontro um velho conhecido, empresário, mecânico de formação. Tempos atrás, foi convidado a falar sobre o setor para uma faculdade de São Paulo. Lá, foi procurado por um engenheiro que lhe disse ter desenvolvido um motor fantástico, capaz de economizar 30% de combustível e eliminar a poluição.

No início, o empresário não acreditou. Conhece grandes fabricantes mundiais de motores e sabe que os ganhos tecnológicos são incrementais. O engenheiro insistiu e ele resolveu conferir o motor.

O engenheiro chegou com uma Variant caindo aos pedaços e mostrou seu invento. Fez modificações na vela, aumentando a explosão. O empresário julgou que o motor iria pelos ares, mas o engenheiro mostrou outras implementações que permitiam suportar a nova combustão.

O empresário comprou a ideia. Adaptaram o motor em um carro melhor. Hoje em dia, me conta o empresário, ele consegue ir a Brasilia sem abastecer o tanque. O ganho de consumo, de fato, é de 30%. O escapamento é luzidio, brilhante, porque a poluição praticamente inexiste. Leia mais »

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André Lara Rezende, o demiurgo de uma nota só

Em algum momento de 1995 escrevi algumas colunas na Folha dizendo que havia algo de errado na economia. Não era possível um modelo em que uma pequena distribuidora, com R$ 14 milhões de capital, registrasse um lucro de R$ 140 milhões (a parte registrada), enquanto um atacadista com R$ 1 bilhão de faturamento tinha lucro de apenas R$ 10 mi.

André Lara (um dos sócios da distribuidora), primeiro, tentou dar uma carteirada acadêmica, em um artigo na Folha em que falava sobre “palpiteiros”. Depois, recuou e marcou um almoço.

Lá, questionei o absurdo de especialistas exclusivos em inflação inercial serem tratados como demiurgos. Sua resposta foi franca: “Eu entendo de inflação inercial. É a imprensa que cria as lendas”.

André foi um dos principais responsáveis por abortar o projeto de privatização com fundos sociais – que garantiria um capitalismo popular no país, e a distribuição equitativa dos benefícios da privatização com os chamados fundos sociais. Já era um jogo de cartas marcadas.

A fórmula de remonetização que adotou para o Real visou exclusivamente enriquecer grupos aliados no mercado futuro de câmbio. Explico detalhadamente isso em “Os Cabeças de Planilha”.

Agora, tem-se uma nova realidade, com o fim do ciclo financista – do qual ele foi um dos expoentes no país, à custa da perda da grande oportunidade de desenvolvimento trazida pelo Real. E o demiurgo reaparece trazendo não-soluções.

Tal qual Pérsio, tem bons diagnósticos sobre a crise e uma incrível incapacidade de enxergar caminhos novos. Confunde sua impotência intelectual de prospectar o novo – sem nenhum demérito, porque o mundo está atrás dessa pedra filosofal – com a incapacidade do mundo de atender às demandas de seus habitantes. Sua máxima parece ser: "Se não encontro uma solução é porque a solução não existe".

Passa ao largo de um conjunto fundamental de desafios e possibilidades – como extirpar a miséria absoluta, como levar a civilização à maioria da população do planeta, quais as tecnologias disponíveis para melhorar a produtividade, a produção de alimentos, quais os caminhos para a exploração das riquezas no fundo do mar, a era da economia verde – e limita-se a decretar que, dado o esgotamento da capacidade do planeta, nada mais resta do que rezar. O correto seria: dada a incapacidade de visualizar cenários novos, nada mais a pensar.

Esse neo-malthusianismo, essa visão atrasada do Clube de Roma não é uma solução. Com a carteirada das citações bibliográficas, André não consegue ir além de UM problema. E não trazer nenhuma solução. 

Sua única solução será os Bancos Centrais remonetizarem as dívidas e trazerem de volta a inflação. Aí, André terá o que dizer novamente. Por enquanto ele comete esse notável feito econômico de rebater Keynes... com Malthus.

Do Valor Econômico

Os novos limites do possível

Por André Lara Resende | Para o Valor, de São Paulo

 

 

  

A crise financeira mundial já vai completar quatro anos, mas ainda não dá sinais de que esteja por se esgotar. Pelo contrário, parece não haver economia no mundo, das mais pobres às mais avançadas, que esteja imune ao seu agravamento. O paralelo com a Grande Depressão do século XX é cada vez mais frequente entre os analistas. Acreditava-se que o antídoto para crises destas proporções havia sido descoberto, mas no mundo de hoje existem novas restrições que podem inviabilizar as saídas conhecidas.

A analogia assusta, não apenas pela duração e pela profundidade da Depressão, mas, sobretudo, pelas consequências. A crise de 30 encerrou um período de internacionalização e de prosperidade mundial. Exacerbou o nacionalismo, o protecionismo e a xenofobia que levou ao fascismo, ao nacional-socialismo nazista e, finalmente, às tensões que desembocaram na Segunda Grande Mundial.

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Pérsio Arida e o "pacto das elites"

Eleonora de Lucena tornou-se um dos pontos altos da Folha. Tem feito entrevistas memoráveis, como esta do Pérsio Arida. "Persio Arida e o Pacto Antiliberal" (clique aqui).

Para analisar o conteúdo da entrevista, é importante duas precauções.

  1. Entender as nuances do sistema financeiro. De um lado há os bancos em si, comerciais e de investimentos. De outro, os gestores de recursos – bancos e fundos de investimentos, grande capital propriamente dito.
  2. Com o brilhantismo de sempre, desde o Real Pérsio atua como lobista (no sentido norte-americano, de levantar argumentos a favor) do segundo grupo, dos gestores de recursos e do grande capital.

Essa diferença era nítida desde os tempos do plano Cruzados. André Lara costumava se referir com desprezo aos banqueiros convencionais, em contraposição ao arrojo e modernidade dos novos bancos de investimento. Leia mais »

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Sobre o Ministro Marco Aurélio de Mello

Algumas polêmicas públicas, por passionais, tendem a um maniqueísmo a toda prova.

O último alvo do maniqueísmo é o Ministro Marco Aurélio de Mello, do Supremo Tribunal Federal, por sua posição impondo limites à atuação do Conselho Nacional de Justiça.

Acompanho há anos a atuação de Marco Aurélio. Ao lado de Gilmar Mendes – antes do incrível deslumbramento que o acometeu (a Gilmar), quando presidente do STF -, sempre foi o grande liberal da corte, defensor intransigente das liberdades individuais.

Mais que isso: um magistrado que nunca teve receio de investir contra as ondas tanto da mídia quanto do próprio STF. Sei bem dos riscos que incorre quem rema contra a manada. Dá margem a toda sorte de insinuações e ataques rasteiros.

Não concordo com sua posição sobre o CNJ. Nem por isso, diminuiu meu respeito por ele.

 

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Debate:Réquiem para Luiz Werneck Vianna

Sobre a entrevista de Luiz Werneck Vianna

 

Respeito muito a história e a competência do professor Luiz Werneck Vianna. Mas creio que, em sua entrevista ao Valor, comete alguns erros capitais de análise e de informação (clique aqui para ler a entrevista).

Sobre a racionalização do governo Leia mais »

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Sobre a entrevista de Luiz Werneck Vianna

Respeito muito a história e a competência do professor Luiz Werneck Vianna. Mas creio que, em sua entrevista ao Valor, comete alguns erros capitais de análise e de informação (clique aqui para ler a entrevista).

Sobre a racionalização do governo

Werneck considera uma ruptura no presidencialismo de coalizão, pelo fato dos ministros serem mais cobrados e Dilma passar a conversar mais com os secretários executivos, em contraposição ao estilo de Lula, de conceder tudo de porteira fechada aos partidos aliados.

Enxerga ruptura onde ocorre consolidação.

O primeiro governo Dilma é consolidação do segundo governo Lula, no qual a Casa Civil, com Dilma, teve papel central. O que Werneck enxerga agora está sendo praticado de forma cada vez mais intensa há quatro anos, pelo menos. Leia mais »

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Cracolandia: a falência da gestão pública paulista

O que ocorreu na invasão da Cracolância é exemplo claro da falta de ferramentas mínimas de gestão no governo e da prefeitura de São Paulo.

Com exceção de Mário Covas, nenhum de seus sucessores têm noção mínima sobre gestão, sequer o be-a-bá, quanto mais outras formas mais aprimoradas, como a gestão interdisciplinar - entre várias secretarias - ou a gestão com participação da sociedade civil.

Quando sugerido a Serra que se inteirasse de ferramentas de gestão, sua resposta - típica da arrogância despreparada - era que não precisava disso porque sabia fazer acontecer. Jamais realizou uma reunião sequer de secretariado. Houve secretário que entrou no governo e saiu sem conhecer outros colegas.

Na sua primeira gestão, Alckmin não foi melhor. A grande crise da segurança do PCC decorreu da incompatibilidade entre secretários da área - Justiça, Segurança e Administração Penitenciária - e falta de pulso de Alckmin para organizar reuniões conjuntas. Leia mais »

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A velha mídia e a síndrome do amor bandido

Dias atrás li a Dora Kramer se queixando no Twitter de que as acusações contra Fernando Bezerra não tinham eco na oposição porque muitos tucanos sonham com a candidatura do governador pernambucano Eduardo Campos.

A consequência era previsível. Hoje o Estadão ataca Campos, chamando-o de coronel por ter sido presumivelmente responsável pela indicação de parentes para cargos no Estado. A matéria acusa Campos de atropelar a Constituição e tem como fonte exclusiva Jarbas Vasconcellos, o magoadíssimo Jarbas, que compara Campos a um ditador implacável. O repórter admite dificuldades em localizar outros oposicionistas dispostos a criticar um governador que tem recordes de aprovação e admiradores até na oposição, além do meio privado - Jorge Gerdau é fã incondicional da capacidade administrativa de Campos.

Agora, a Eliane Cantanhede informando que o PT não tem candidato para as eleições de 2018. Poderia olhar mais longe e afirmar que nem para 2022. E, talvez, nem para 2026. Leia mais »

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Internet na idade de crescimento

Ontem houve profícua discussão sobre supostos abusos da Internet. Faltou identificar qual Internet. Seria mais próprio falar no plural, as Internets, porque, na verdade, o que menos existe na rede é a homogeneidade.

Além disso - e tenho insistido nisso há tempos - há que se separar o papel do jornalista de Internet do militante. Ao jornalista - mesmo tendo posições políticas definidas - cabe opinar mas, principalmente, reportar o que acontece. Deve-se reportar a posição radical, que conseguiu boa repercussão, e o contraponto. Mas não se exija do jornalismo o enquadramento do militante.

Já o militante reflete o seu grupo específico, alguns de horizontes largos - na militância em torno de bandeiras mais amplas - alguns restritos - os militantes de uma bandeira só. Leia mais »

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O modelo político, visto do interior

A melhor maneira de entender os movimentos macro da política nacional é acompanhar o que acontece no microcosmo das cidades do interior.

Esses dias em Poços de Caldas têm permitido uma aula sobre a ampla falta de ligação entre os partidos políticos nacionais e as bases municipais.

Partidos nacionais são apenas formas dos políticos locais chegarem ao centro do poder. A ligação do eleitor é com o político em si, com seu maior ou menor prestígio para se relacionar com Belo Horizonte ou Brasília. Mas a base de poder municipal continua sendo a prefeitura.

Nos anos 60 a política em Poços era dividida entre o PSD dos Junqueiras e a aliança UDN-PTB - na qual brilhavam as estrelas de meu avô Issa Sarraf (UDN) e do pai de minha amiga Maria Lydia (PTB). Leia mais »

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Procura-se um historiador para a MPB na era digital

Aproveito os dias em Poços para conviver um pouco com a nova geração musical da cidade. Minha sobrinha Tetê trouxe alguns músicos para uma rodada. Rapaziada ótima, comprovando que, a exemplo do Brasil, a música instrumental está explodindo em todos os pontos do território.

Um deles estuda na Unicamp, é violonista e aluno do grande Ulisses Rocha. Pergunto se existe a cadeira de história no curso. Sim, e os livros recomendados são de Luiz Tatit e um outro "Bim Bom", de suposta análise técnica da bossa nova por um ex-aluno de Tati.

Aí me dou conta da falta que está fazendo um moderno historiador da música brasileira.

José Ramos Tinhorão, ainda em atividade, é ponto fora da curva. Seus estudos entraram para a história da música brasileira, mas abordando as raízes. Da bossa nova para cá não contribuiu muito, a não ser com sua implicância com Tom Jobim.

Há inúmeros pesquisadores de fôlego, levantando dados relevantes, mas setorizados. Sérgio Cabral levantou dados do samba, Henrique Cases, do choro, Rui Castro da bossa nova (belíssimo trabalho de reportagem e um equívoco em termos de análise), Fábio Zanon, do violão. Leia mais »

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A pouca solidariedade dos discriminados

Nos últimos meses tenho conversado bastante com uma grande mulher, especializada em políticas de inclusão. E o que relata de sua experiência bate com o que tenho acompanhado por aí: em geral, não há solidariedade entre grupos de excluídos; a maioria se fecha em si, defende seus direitos mas é incapaz de avançar em uma bandeira geral, contra toda forma de preconceito .

Por exemplo, a comunidade dos surdos tem preconceito em relação aos deficientes mentais; a comunidade dos cadeirantes não se sensibiliza com outras formas de preconceito.

Recentemente tivemos um caso emblemático: uma senhora cadeirante e com nítidos problemas mentais ou emocionais soltando o verbo contra um PM negro; e este sem nenhuma sensibilidade em relação à situação da idosa. Uma prática de preconceito de mão dupla. Leia mais »

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