Revista GGN

Assine

Luis Nassif

A receita que os jornais impressos não seguiram

Desde a ampliação da Internet, para mim sempre foi claro que os jornais deveriam se voltar para análise e para as grandes matérias. Mais do que a tela do monitor, o papel permite incursões ousadas em design de matérias, na leitura de textos mais elaborados. Mas desde os anos 90 houve a emulação da TV pelos jornais. Primeiro, na exploração do senso comum dos "âncoras" - colunistas mais preocupados em expressar a indignação dos leitores do que em analisar. Depois, na redução dos tamanhos de matérias, para torná-las mais parecidas com a rapidez das notícias na Internet - sem se dar conta que existe um negócio chamado link, na Internet, que permite vários níveis de leitura. Finalmente, no abandono da grande reportagem.

Jornal, qualidade e rigor - opiniao - versaoimpressa - Estadão

Jornal, qualidade e rigor17 de outubro de 2011 | 3h 05

Carlos Alberto Di Franco - O Estado de S.Paulo Leia mais »

Sem votos

Os filhos bastardos do liberalismo - 2

Leia também:

"A inclusão das famílias sem Estado"

"A Bolsa Família e os filhos bastardos do liberalismo"

Outro episódio me chamou a atenção, em relação ao liberalismo militante dos anos 2000. No caso, um debate que tive com Eduardo Gianetti da Fonseca – que é muitas vezes mais preparado do que os Ali Kamel da vida.

Foi no Instituto de Estudos Avançados da USP.

Eduardo enveredou pela análise biológica da economia, para concluir que os pobres brasileiros tinham a mesma natureza dos animais que não se preparam para o inverno. Por causa deles, dessa ansiedade em se endividar para consumir, é que os juros não baixavam. Se fossem bichos previdentes, em vez de financiamentos a juros elevados, poupariam o correspondente à prestação e comprariam mais adiante à vista. Leia mais »

Sem votos

A defesa de Adilson Primo

Anos atrás o presidente da filial brasileira de uma grande operadora de cartão de crédito foi demitido com humilhação.

Por trás da medida estava a guerra interna da companhia. A filial brasileira tinha assumido funções relevantes e o executivo brasileiro por diversas vezes havia "peitado" seu competidor direto, na guerra pela direção mundial do cartão. O adversário ganhou, o brasileiro dançou.

A demissão de Adilson Primo, da presidência da Siemens nacional, tem todos os ingredientes de uma "vendetta" política interna.

Na entrevista ao Estadão ele é criterioso ao falar dos tais "desvios de conduta".

Quase com certeza, ocorreu o seguinte:

1. A Siemens autorizou algumas condutas que passavam pelas contribuições políticas aos contratadores de obras. O mesmo ocorreu com a Duke e a Alstom. Aliás, quem quiser investigar melhor a atuação da Duke basta analisar ONGs ambientais ligadas a políticos no litoral paulista.

2. Num determinado momento, a Siemens se assustou com os desdobramentos da sua atuação, principalmente após as investigações do Ministério Público estadual paulista e das ações envolvendo Robson Marinho e companhia. Leia mais »

Sem votos

Serra: morreu politicamente em perfeito estado de saúde

A matéria abaixo, sobre José Serra, é um primor.

Desde que perdeu as eleições, Serra foi encolhendo dia a dia, semana a semana. Perdeu o PSDB de São Paulo, primeiro o do estado, depois o da capital. Perdeu o PSDB nacional. Mais que isso: viu-se escorraçado de qualquer decisão partidária. Perdeu o PSDB, o DEM, sem ganhar o PSD. Ficou apenas com o PPS. Ou seja, com quase nada.

Conseguiu apenas prêmios de consolação, um cargo sem mando no PSDB nacional, uma Secretaria da Cultura e a Fundação Padre Anchieta, no estadual. Mais nada. Rigorosamente: mais nada!

No plano nacional, está em tal petição de miséria que até seu aliado Roberto Freire ofereceu-lhe o albergue do PPS.

Mas a matéria diz que está ótimo, porquer tuita, palestra sobre temas nacionais e "sempre teve mais cabeça estratégica do que tática". Como assim? Qual a estratégia? Perder todas as batalhas nunca fez de ninguém um estrategista vitorioso. Em futebol existe a figura do "campeão moral", a que Telê fez jus. Mas Serra, nem isso. Leia mais »

Sem votos

As duas últimas chances que o PSDB perdeu

Tenho para mim que as últimas duas chances do PSDB voltar ao poder foram desperdiçadas por José Serra.

A primeira, quando tornou-se governador de São Paulo.

Já escrevi várias vezes: era muito mais fácil mudar São Paulo do que o Brasil. Com um pouco de visão e de boa vontade, poder-se-ia mobilizar as forças mais poderosas do país em torno de um projeto de governo - grandes empresas, sociedade civil consolidada, os melhores institutos de pesquisa do país, uma robusta rede de cidades médias, organizações empresariais e sindicais atuantes. Tendo a melhor plataforma para pavimentar a candidatura à presidência, a mediocridade de Serra matou a oportunidade. Na campanha, não tinha o que mostrar.

A segunda chance desperdiçada pelo PSDB foi quando abriu mão de Aécio Neves por Serra, na campanha de 2010. Tinha-se ainda uma Dilma Rousseff pouco conhecida - e, por isso mesmo, vulnerável às campanhas difamatórias produzidas. E tinha-se Aécio Neves com baixo grau de rejeição, imagem jovem e com uma marca forte de articulador político e de gestor. Além de Minas ter um dos maiores contingentes eleitorais do país. Leia mais »

Sem votos

O beco sem saída do PSDB

Dilma vai para a Europa e faz recomendações aos governos nacionais. Em editorial, o Estadão critica sua postura professoral. Aí o senador Álvaro Dias ecoa as críticas no Senado, em mencionar a fonte. E o mesmo faz José Serra no Twitter. Na entrevista de Aécio Neves ao Estadão, a falta absoluta de ideias.

E só. Consultem os jornais, rádios, as últimas declarações de políticos e lideranças tucanas. Resumem-se a isso, críticas pontuais, em geral pautadas pela mídia.

Há dois tipos de políticos que aspiram a presidência. Aquele que traz novas ideias que mudam primeiro seu partido, depois o país; ou aquele que reflete as ideias e valores de determinados grupos e, especialmente, de seu partido político.

Obviamente Aécio não é gerador de ideias próprias. Mas e o PSDB? Como solta assim no ar o balão do seu candidato, sem sequer ter se dado ao trabalho de costurar um programa, um conjunto mínimo de ideias que fosse? Cadê seus pensadores, seus estrategistas? Como é que se monta um discurso oco em cima de uma mera pesquisa de opinião?

Ouso supor que o partido está em um beco sem saída. Leia mais »

Sem votos

A entrevista vazia de Aécio

O PSDB teria adotado a estratégia correta, de definir um nome para as próximas eleições e apostar antecipadamente todas as fichas nele, não fosse um detalhe: o nome escolhido, Aécio Neves, não está pronto.

A entrevista ao Estadão é reveladora. Aécio não é portador de novas ideias, nova visão de país. Seu discurso é oco, um amontoado de clichês sem ideias mais elaboradas. Parece mais um garotão contando prosa do que um candidato a estadista.

Não conseguiu avançar além de nenhum dos clichês de campanha. Fala do legado de FHC, a fantasia das reformas (todo político vazio defende reformas genéricas, sem especificar conteúdo), critica o aparelhamento da máquina.

São declarações frutos de pesquisa de opinião. Só que a pesquisa olha o passado, o bordão que o eleitor conhece e da forma mais simplificada possível. As pesquisas não se baseiam em visões estruturadas de nada. Colhem apenas frases soltas. Cabe ao estudioso recolher as frases soltas e desenhar um todo lógico. Ao Estadista, cabe ir muito além da percepção atual dos eleitores. Leia mais »

Sem votos

Cabo Bruno Covas, o justiceiro do avô

Começou mal a carreira política de Bruno Covas, neto de Mário Covas, no primeiro cargo em que efetivamente pode exercer seu poder pessoal.

A ação contra o Shopping Center Norte tem toda a característica de um acerto de contas de 27 anos atrás - usando as armas do poder público.

Leia mais »
Média: 4.4 (18 votos)

As dúvidas sobre o caso Cetesb-Shopping Center Norte

Há alguma coisa que não encaixa nessa história do Shopping Center Norte.

A prefeitura ordenou seu fechamento devido à existência de depósitos de gás metano no subsolo – que poderiam provocar uma explosão no prédio. Não se exige da Prefeitura conhecimento técnico. Os alertas foram formulados pela Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo).

Hoje, no Estadão, a esposa do dono, Yara Baumgart, acusa a Cetesb de ter feito terrorismo. O motivo teria sido o rompimento do contrato entre o Shopping e a empresa Tecnohidro, que teria sido indicada pela própria Cetesb para resolver o problema do gás.

A empresa teria passado dois anos sem apresentar uma solução. Algumas semanas atrás o contrato foi rompido, contratada uma empresa norte-americana que em dez dias solucionaria o problema. Segundo Yara, esta teria sido a razão do terrorismo criado em torno do gás.

Acompanhei de perto o caso do Shopping Center Osasco – que explodiu anos atrás, deixando muitos mortos.

Na época acusou-se o administrador de ter ignorado o cheiro persistente de gás metano, não tomado nenhuma atitude e permitido a explosão. Leia mais »

Sem votos

O combate tenaz à intolerância

Nos debates que tenho participado sobre a blogosfera, costumo enfatizar um ponto essencial: não podemos repetir, neste espaço, a retórica da intolerância presente na velha mídia. O diferencial legitimador é a possibilidade de convivência de opiniões múltiplas, o respeito pelo argumento contrário, o aprendizado constante do debate democrático.

Até se entende a radicalização quando o tema envolve partidos. Mas há dois temas em particular que despertam baixos instintos dos debatedores: religião (em geral) e Israel. Aí sobressai uma falta de respeito ampla, uma incapacidade de não recorrer às generalizações.

Tratam-se todos os católicos como se pertencessem ao mesmo time do padre Luizinho, aquela vergonha que serviu a dom Tomaz Vaquero e foi parar em Guarulhos, como bispo. Tratam-se evangélicos e pentecostais em geral como se fossem párias, excluídos do Brasil moderno. Qual a diferença de tratamento do que chamam de "elite branca" contra os "diferenciados" dos modernos-racionais contra os que professam fé? É o mesmo olhar superior, a mesma desqualificação, a mesma distinção de classes: os céticos intelectualizados contra a massa crente. Leia mais »

Sem votos

Hora de enquadrar publicidade disfarçada de remédios

Tenho dito há tempos: Veja tornou-se a maior ameaça aos interesses da velha mídia.

Sua falta de limites em todos os campos têm aberto vulnerabilidades crescentes na barricada que a mídia criou sobre a suposta liberdade de imprensa absoluta.

Tome-se a questão da publicidade dos remédios. Em qualquer país do mundo trata-se de um setor sujeito à supervisão das autoridades sanitárias. No caso do Brasil, da Anvisa. Só que a indústria farmacêutica encontrou um modo de burlar a fiscalização, através do expediente da matérias (com claros indícios de serem) pagas. E isso na revista de maior circulação do país. Leia mais »

Sem votos

As greves na educação

Há três verdades em relação à Educação brasileira.

A primeira: o tema virou prioridade nacional. Hoje em dia, qualquer setor minimamente interessado em pensar o futuro, sabe da importância da aposta na educação. Grandes empresas, associações empresariais, ONGs do setor privado juntam-se a associações de professores, de secretários de educação, em torno da bandeira.

A segunda: há consenso que a primeira providência é a melhoria do salário do professor, para poder qualificar a tropa e trazer os melhores quadros para o magistério. Ser professor precisa voltar a ser uma profissão com status e perspectivas de melhoria. Não se conseguirá isso com uma média salarial inferior a mil reais – para o primeiro e segundo graus.

A terceira: sem movimentação política e uma lei que defina claramente responsabilidades dos gestores públicos – da União aos municípios – os governantes jamais tornarão a educação tema prioritário.

Não adianta. Governantes se movem pelas pressões que recebem. Leia mais »

Sem votos

Porque o PSD não quer Serra

Há uma lista infindável de fatores que desaconselham o PSD a receber José Serra

O primeiro, é que Serra não tem nada a oferecer.

Certa vez, nos anos 80, Guilherme Afif Domingos – um dos melhores quadros políticos da direita – me esclareceu a respeito da capacidade de Paulo Maluf em arregimentar seguidores: "Ele tem credibilidade no mercado político futuro", disse ele. A credibilidade decorria de dois fatores: tinha potencial político e cumpria a palavra empenhada.

Serra não tem mais futuro político nem se distingue pela lealdade partidária e pessoal. Na verdade, é um ególatra altamente desagregador – conforme o PSDB está testemunhando.

O segundo fator é a falta de discurso político. Leia mais »

Sem votos

A CBN e o coronelismo eletrônico

Não se discute o alto nível do radio-jornalismo da CBN. Critica-se sua parcialidade. Mais que isso, os paradoxos entre seu discurso político e sua prática de alianças.

No discurso, seus analistas ignoram completamente as limitações do federalismo brasileiro, a política de alianças – que garante a governabilidade -, a necessidade de pragmatismo político. Dividem o Brasil entre o supostamente país moderno (dos quais ELES são porta-vozes) e o Brasil anacrônico, dos Sarneys e companhia. Aliás, é um contraponto salutar, para reduzir o poder de influência dos coronéis.

Mas hoje em dia a principal fonte de poder dos coronéis regionais é a rede Globo e a rede CBN de rádio.

De onde emana o poder político dos coronéis regionais? Em grande parte, do controle da mídia local. E esse poder deriva fundamentalmente da política de alianças com as redes nacionais de rádio e TV. Especialmente das Organizações Globo e da rede CBN. Leia mais »

Sem votos

O dia em que o Brasil perdeu Steve Jobs

Atualizado às 22:12

Na segunda metade dos anos 80, o francês Jean Jacques Servan Schreiber ganhara fama mundial com seu livro "O Desafio Americano". Logo depois, lançou um segundo livro onde colocava o Brasil como um dos quatro países mais promissores do planeta.

Fez mais. O jovem Steve Jobs tinha acabado de sair da Apple e estava trabalhando no NeXT, seu novo sistema operacional. Schreiber convenceu-o a desenvolver no Brasil. Recém-saido da IBM, trabalhando na SID, da Mathias Macline - grande amigo de Sarney - Antonio Carlos do Rego Gil foi incumbido de procurar Jobs. Leia mais »

Média: 1 (1 voto)