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Luis Nassif

Os cem anos de Tico Tico no Fubá

Recebo convite honroso da Câmara de Vereadores de Santa Rita do Passa Quatro, para uma medalha comemorativa dos cem anos de “Tico Tico no Fubá”, de Zequinha de Abreu.

Trata-se de uma das três ou quatro músicas brasileiras mais tocadas internacionalmente, ao lado de Garota de Ipanema, Aquarela do Brasil e Manhã de Carnaval.

É de 1917. Mas foi imortalizada pela interpretação admirável de Carmen Miranda, calando os críticos que menosprezavam sua interpretação. Até hoje é uma versão imbatível do Tico Tico cantado.

Além de Carmen Miranda, mais duas intérpretes norte-americanas ajudaram na sua difusão: as Andrew Sisters e a organista Ethel Smith, dos primeiros musicais de Hollywood.

De lá para cá ganhou todas as versões possíveis, do jazz latino de Oscar Aleman e Paquito de Rivera, à música orquestral de Mantovani e, mais recentemente, as diversas gravações sinfônicas em cima dos arranjos de Daniel Barenboim.

Aqui, uma seleção de versões do Tico Tico no Fubá. Leia mais »

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Xadrez da influência dos EUA no golpe, por Luís Nassif

A cada dia que passa fica mais nítida a participação de forças dos Estados Unidos no golpe do impeachment. Trata-se de tema polêmico, contra o qual invariavelmente se lança a acusação de ser teoria conspiratória. O ceticismo decorre do pouco conhecimento sobre o tema e da dificuldade óbvia de se identificar as ações e seus protagonistas. Imaginam-se cenas de filmes de suspense e de vilões, com todos os protagonistas  orientados por um comitê central.

Obviamente não é assim.

Um golpe sempre é fruto da articulação das forças internas de um país, não necessariamente homogêneas, e, em muito, da maneira como o governo atacado reage. No decorrer do golpe, montam-se alianças temporárias, em torno do objetivo maior de derrubar o governo. Há interesses diversos em jogo, que provocam atritos e se acentuam depois, na divisão do butim.

A participação gringa se dá na consultoria especializada e no know-how da estratégia geral.

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As incoerências do ajuste fiscal do governo, segundo a STN

Trabalho da Comissão de Representantes da STN (Secretaria do Tesouro Nacional) levanta as principais incoerências do pacote fiscal do governo. Saliente-se que partiu da própria STN a reação contra as estripulias do ex-Secretário Arno Agustin.

Mesmo assim, reflete a visão de uma parte da tecnocracia do Estado, aliás tecnicamente bastante boa. 

O trabalho obviamente não contempla argumentos contrários.

Na atual crise de endividamento, por exemplo, a renegociação das dívidas de Estados e Municípios é essencial para impedir a paralisação total da sua operação. Da mesma maneira, os estragos das políticas econômicas sobre a economia, e a criação de um gigantesco endividamento circular, exige medidas enérgicas para romper o círculo de endividamento.

Pode-se argumentar, também, que, ao contrário das carreiras civis, a carreira militar não permite especializações para servir no setor privado.

O trabalho foge, além disso, da parte mais relevante do corte: aquela que afeta as políticas sociais. Leia mais »

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Procurador que livrou Temer reclama da Câmara, por Luis Nassif

Figura frequente e banalizada da mídia, o procurador regional da República Carlos Fernando dos Santos Lima retorna em entrevista ao Valor Econômico. Nela, admite que irá se aposentar e trabalhar com “complience”, que a advocacia norte-americana transformou no negócio do momento.

Depois, põe-se a analisar a situação do presidente Michel Temer e a decisão da Câmara de não autorizar a abertura das investigações. Defende as delações premiadas, sustentando que não houve banalização das denúncias.

Segundo ele, “o certo mesmo de qualquer acusação é que seja recebida e o Judiciário enfrente o mérito. Se é verdade ou não é verdade o fato relatado pela acusação, é o juiz que tem de dizer. E eles [os deputados] não deixaram isso acontecer”.

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Os colunistas do GGN: Romério Rômulo e a solidão da poesia

Romério Rômulo e a solidão da poesia

O contato do poeta Romério Rômulo com o Blog tem mais de dez anos. Nesse período todo, Romério tornou-se um colaborador precioso, com seus poemas e suas histórias. Sua série sobre Maradona e outros poemas encantam permanentemente os leitores do Blog.

Doze poemas de Romério Romulo

Hoje, Romério conversou longamente comigo, trazendo informações preciosas sobre o mundo da poesia, para um levantamento que estamos fazendo sobre os colunistas do GGN.

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Bolívar Lamounier, e a miséria da intelectualidade tucana, por Luis Nassif

O cientista político Bolívar Lamounier permite uma boa análise de caso. Não apenas por sua história política, que se confunde com a do PSDB, mas por explicitar bem os grupos que compõem o partido.

No plano histórico, saiu da social-democracia da Constituinte para a visão simplista e preconceituosa do neoliberalismo tipo irmãos Kock, aquela que reduz o projeto de Nação a uma mera questão de corte de gastos sociais. A idade enrijeceu a alma e o espírito do sobrinho neto de Gastão Lamounier, o lírico compositor de almas.

Na quadra atual, ele expõe de maneira crua as divisões do partido. Ele e seu líder, Fernando Henrique Cardoso, historicamente alinhados com o Partido Democrata norte-americano, representam o elo com o pensamento dos EUA e de lideranças de mercado, como Jorge Paulo Lehman, Armínio Fraga, os herdeiros do Itaú entre outros grupos. Na mídia, os ideólogos mais ostensivos são os economistas Marcos Lisboa e Samuel Pessoa. São eles que fazem as ligações com a alta tecnocracia pública do Tribunal de Contas da União, Secretária Nacional do Tesouro, entre outros.

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Super Janot, tem herói no universo de Marvel, por Luís Nassif

Paulo Sotero é um ex-jornalista brasileiro que há anos dirige o Brazil Institute do Woodrow Wilson International Center for Scholars, em Washington, um think tank que se tornou um dos principais centros de lobby em relação ao Brasil.

Uma de suas funções é conceder bolsas para alunos interessados em políticas públicas. Outra, preparar estudos sobre diversos aspectos do Brasil atual. Há uma atenção especial a tudo o que se relaciona com o poder judiciário, informações abundantes sobre a Lava Jato, Gilmar Mendes falando de reforma política, Carmen Lúcia, Torquato Jardim e, obviamente, o Procurador Geral da República.

Um dos instrumentos mais eficientes de atuação do Woodrow Wilson é o de conceder atestado de boas maneiras a brasileiros alinhados com seu pensamento. Trata-se de uma versão contemporânea das miçangas com que os descobridores atraíam a simpatia dos indígenas.

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Os sambas afros de Paulo César Pinheiro, com Sérgio Santos e Pedro Amorim

Paulo César Pinheiro tem um fraco por temas afro-brasileiros. Tem uma mesma linha de letras para parcerias com Guinga, um clássico com o mineiro Sérgio Santos, algumas parcerias ótimas com Breno Ruiz. E, agora, arrisca um segundo sambas-afro com Pedro Amorim, o “Voz Nagô”.

Até então conhecia Amorim apenas como o excelente bandolinista de vários trios de choro. No CD aparece seu lado compositor e cantor e um ótimo CD.

Embora galhos da grande árvore plantada décadas atrás por Baden Powell com Vinicius, cada qual tem seu próprio sotaque. O de Sérgio Santos, um clássico, lembra a pulsação de Milton Nascimento nos tempos do Som Imaginário e o modo de escandir as sílabas de João Bosco. É um clássico. O de Amorim está ligado às raízes cariocas do próprio Baden.

Aqui, os dois CDs para que você possa comparar.

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Um site essencial sobre o violão

Uma site essencial sobre o violão

Assim que surgiu a Internet, os violonistas se juntaram em torno de alguns sites de discussões. Agora, sofisticaram

GuitarCoop é uma iniciativa de um grupo de violonistas internacionais, visando criar uma plataforma para divulgação de sua música e venda de seus CDs.

O site tem entrevistas em vídeo com alguns dos principais violonistas contemporâneos.

Até agora lançaram dez CDs essenciais de alguns dos grandes violonistas brasileiros a internacionais. Tem o Duo Diqueira Lima, Paul Galbraith, Paulo Martelli, Scott Tennan, Zoran Dukic, Fabio Zanon, Edson Lopes, Jorge Caballero e o próprio Khayat.

Os CDs podem ser adquiridos pelo endereço https://www.guitarcoop.com.br/

 

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Um país que perdeu o medo do ridículo, por Luís Nassif

Em São Paulo, o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima discorre sobre história do Brasil. Fala dos degredados que incutiram nos brasileiros a malandragem atávica, poupando apenas os procuradores.

Em algum lugar do Brasil, o Ministro Luís Roberto Barroso cita Faoro e Buarque e o grande pensador Flávio Rocha, dono das Lojas Riachuelo, para discorrer sobre reforma trabalhista e sobre a malandragem brasileira, que poupou apenas o Supremo  

No Twitter, o procurador Hélio Telho rebate o economista Paulo Rabello de Castro e diz que ele (Telho) precisa ensinar capitalismo de verdade a esses capitalistas de compadrio.

Seu colega goiano, Ailton Benedito, da Procuradoria dos Direitos do Cidadão, afirma, no Twitter, que os nazistas eram socialistas, porque seu partido se chamava Nacional Socialismo e em que breve os socialistas-nazistas brasileiros matarão os cidadãos nacionais. Leia mais »

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Lava Jato e a marca da infâmia, por Luís Nassif

Venezuela é aqui!, não se tenha dúvida.

No STF (Supremo Tribunal Federal), um Ministro acusa o Procurador Geral da República (PGR). Na PGR, o pedido ao Supremo para que o Ministro se considere suspeito de analisar as contas do réu presidente da República, com quem ele se encontra à noite para planejar jogadas jurídicas. Em São Paulo, o procurador de Curitiba pavimenta sua futura carreira de advogado especializado em complience, desancando sua chefe, a Procuradora Geral, pelo fato de ter aceitado o convite do presidente para uma reunião noturna no Palácio do Jaburu.

Na baixada, a Policia Militar, responsável por centenas de assassinatos em maio de 2006, invade reuniões de conselhos de direitos humanos no campus da Universidade Federal para bradar contra o termo direitos humanos. Leia mais »

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Nova Serrana, a cidade que cresce na crise, por Luís Nassif

Em meio à maior crise da história, há uma região que continua contratando: o polo calçadista de Nova Serrana, 800 empresas na cidade, mais 300 nos onze municípios do entorno. Todo dia, às 11 horas e às 17, a cidade, pacata, é tomada por filas de carros e ônibus, de trabalhadores indo almoçar ou saindo do trabalho. Abriga trabalhadores de várias partes do país, que para lá correram atrás de emprego.

Por trás desse dinamismo, está um dos mais bem-sucedidos exemplos de APLs (Arranjos Produtivos Locais), modalidade de organização empresarial importada da Itália e que se disseminou pelo Brasil a partir dos anos 90.

A história dos APLs

Nos anos 90 teve início num novo modelo de organização das pequenas e micro empresas: os chamados clusters ou Arranjos Produtivos Locais.

Ajudei a estimular o movimento. Em um almoço na Folha, o Ministro da Indústria e Comércio da Itália narrou os milagres ocorridos na nova Itália, pequenas cidades fora do eixo Roma-Milão – que havia sido arrasado pela Operação Mãos Limpas. Elas haviam mudado a face da Itália. Só depois vieram os economistas e desvalorizaram o câmbio, dizia ele, e saíram apregoando que eles tinham recuperado a economia.

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Carta aberta aos Ministros do Supremo, por Luís Nassif

O jogo da Lava Jato está decidido. No caso dos inquéritos e processos da primeira fase – contra o PT e o PMDB – dê-se continuidade e abram-se quantas representações forem possíveis com base em qualquer tipo de indício – como demonstrou ontem a 11a Vara Federal do Distrito Federal.

Em relação à fase tucana, duas formas de anulação.

Na fase dos inquéritos, direcionamento para Policiais Federais do grupo de Aécio Neves.

No âmbito do Supremo, a distribuição dos inquéritos e processos para o Ministro Gilmar Mendes, através da inacreditável coincidência de sorteios,

Depois dos processos de Aécio Neves, José Serra e Aloysio Nunes, hoje Gilmar acabou sorteado para relatar também o do senador Cássio Cunha Lima.

É uma sucessão de coincidências.  

E vamos falar um pouco de escândalos e da capacidade de gerar indignação.

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O inquérito que absolveu Aécio se esqueceu do personagem principal, por Luis Nassif

Dimas Toledo costumava de se vangloriar de ter mais de cem deputados no bolso. Durante anos e anos foi o principal operador de Furnas. Eram públicas suas relações com Aécio Neves e outros políticos.

No inquérito, menciona a existência de enorme quantidade de documentos, que levaram à reabertura do inquérito contra Aécio, e não menciona nenhum. Limita-se a indicar os depoimentos que livrariam Aécio, dentre os quais os de Lula, José Dirceu e Silvinho Pereira, de que Dimas não teria sido nomeado por influência de Aécio. E também do filho do dono da Bauruense, afirmando que o pai nunca lhe mencionara o nome de Aécio. Bauruense teria sido a empresa através do qual se lavava o dinheiro de Furnas para Aécio.

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Xadrez dos sorteios do Supremo Tribunal, por Luís Nassif

Nesses tempos de pós-verdade, há uma tempestade de teorias conspiratórias circulando pelo mercado. Uma delas é a respeito dos sorteios de relatoria no STF (Supremo Tribunal Federal), a enorme coincidência de processos fundamentais caírem com o Ministro Gilmar Mendes.

É um exemplo de como um conjunto de coincidências abre espaço para que mentes conspiratórias elucubrem à vontade.

Peça 1 – as coincidências

A primeira peça do nosso xadrez são as coincidências mencionadas.

2 de outubro de 2014

Direito de resposta do PT contra a revista Veja, às vésperas das eleições presidenciais.

Cai com Gilmar que obviamente nega.

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