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Luis Nassif

Seminário e sarau em João Pessoa

Na próxima sexta-feira estarei em João Pessoa, participando do projeto “Pense – Ciclo de Debates Contemporâneos da Paraiba”.

Segundo a chamada:

SOBRE O EVENTO

PENSE Vivemos um daqueles momentos da história em que pensar profundamente o presente é o único caminho para a construção de um futuro socialmente justo, democrático, sustentável e fraterno para todos. Estão em questão os destinos da Cidadania, da Sociedade, do Estado e de nossa Soberania. Para promover essa reflexão necessária, o Governo do Estado da Paraíba realizará o PENSE | CICLO DE DEBATES CONTEMPORÂNEOS DA PARAÍBA – 2017. De julho a dezembro, no Espaço Cultural, discutiremos temas como:

·       Mídia, Poder e Cidadania

·       A Nação sob incerteza: profundidades e sentidos da crise brasileira Leia mais »

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As caribeanas, de Henrique Annes, um clássico latino-americano

O Brasil é definitivamente a pátria do violão.

Na América Latina desenvolveu-se uma escola violonística de primeira, tendo no paraguaio Agustin Barrios e no venezuelano Antonio Lauro dois expoentes.

As valsas curtas de Lauto são um primor, que atraiu interpretações de violonistas do primeiro time, como John Williams.

Mas ouça, abaixo, as caribeanas, do pernambucano Henrique Annes. São peças curtas do mesmo nível de Lauro, uma lindeza assimilando o sotaque andino.

Annes é o decano dos violonistas pernambucanos, participante fiel dos saraus que fazemos em Recife.

Confesso que há anos andava atrás das caribeanas dele. Acabei encontrando no Spotfy.

MInha preferida é a Caribeana no 3, a valsa Memórias de Elly Annes, o lindíssimo Prelúdio no 1. E se for falar das músicas belas de Annes, hoje não vou terminar.

 

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Nassif: FHC, PSDB, PT e o combate ao centralismo brasiliense

No artigo “Convicção e Esperança” (https://goo.gl/sGRuQg), no Estadão e em O Globo, Fernando Henrique Cardoso demonstra uma insuspeitada saudade de um partido que ele ajudou a enterrar: o PSDB socialdemocrata, substituído por um PSDB radicalmente mercadista e, depois, radicalmente à direita.

Era o PSDB de Mário Covas que, embora não fosse um pensador, pela atuação de centro-esquerda no velho MDB e, especialmente, na Constituinte, inspirava ideias e projetos socialdemocratas.

No velho PSDB, quem melhor representava esse espírito eram os economistas da FGV-SP, Luiz Carlos Bresser Pereira e Yoshiaki Nakano, os irmãos Mendonça de Barros. E a grande cabeça política, o José Dirceu do PSDB, era Sérgio Motta, um furacão generoso e solidário, que ajudava a empurrar o lado inercial de Fernando Henrique e José Serra.

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Para presidente do TRF4, acusação terá que provar a culpa de Lula, por Luis Nassif

Juiz não deve falar fora dos autos. A avaliação de qualquer entrevista, por mais discreta que seja, nunca será a favor do juiz.

Confira-se a entrevista do desembargador Carlos Thompson Flores, novo presidente do Tribunal Regional Federal da 4a Região (TRF4) a Luiz Maklouf, do Estadão.

A manchete é bombástica e fiel à declaração de Thompson Flores. De fato, ele declarou que a sentença de Sérgio Moro, condenando Lula, é “tecnicamente irrepreensível”, “exame irrepreensível das provas dos autos”, “sentença que ninguém passa indiferente por ela” (https://goo.gl/Eg9qng e https://goo.gl/qbe6xZ). Leia mais »

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Xadrez de como os músicos vieram salvar a utopia Brasil, por Luís Nassif

Texto para o Seminário O Renascimento das Utopias, que ocorrerá nos dias 14 e 15 de setembro no Rio de Janeiro

Foram alguns anos de guerra e destruição. Grandes fogueiras arderam por muito tempo, consumindo fiéis e ímpios, a velha política e os jacobinos que ascenderam pregando o ódio e a punição. No centro da arena, o orçamento.

Protegendo-o, a muralha da Constituição. Dentro dela, um punhado de generais vacilantes, reunidos em um sarcófago de nome Supremo. No seu entorno, grupos variados, cada qual manobrando seus instrumentos mortais visando a conquista do butim.

Os juízes entraram armados de sicas  e escudos; os procuradores, de gládios e lanças; os técnicos do TCU, com as redes com pesos nas bordas; e o mercado com seus carros de combate, anunciados por corneteiros da mídia. E as cornetas tinham o condão de espalhar o terror a quem as ouvisse.

A luta ultrapassou os limites da arena e se estendeu por todo o país, especialmente depois que os defensores da Constituição levantaram suas batas, deixando à mostra canelas desossadas, e saíram aceleradamente de ré, para não aparentar a fuga dos deveres. Fugiram sem dar as costas, data venia.

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Um show inesquecível, celebrando o caipira paulista e o Brasil

Ontem à noite fui ao novo Casa de Francisca, no centro velho de São Paulo. O show era o "Mais Caipira", com Suzana Salles, Lenine Santos e o violeiro Ivan Vilela.

Foi uma curtição enorme, pelas lembranças ancestrais, pela injeção de brasilidade, nesses tempos bicudos. As lembranças nos remetiam aos nossos país, avós e na enorme responsabilidade de levar o bastão da brasilidade para as novas gerações.

Em outros momentos da história, quando parecia que não havia mais Nação, foi a música que permitiu o reencontro. Que seja novamente.

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Xadrez de como a Lava Jato protegeu Michel Temer, por Luís Nassif

Peça 1 – a teoria do fato, o supérfluo e o essencial 

As denúncias feitas pelo Ministério Público Federal de Curitiba contra o Almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, em função de manipulações nas licitações da Eletronuclear, têm características polêmicas.

Como se sabe, o método de investigação do MPF é chamado de “teoria do fato” (não confundir com teoria do domínio do fato), que nada mais é do que a tática de definir uma narrativa inicial do crime, para poder organizar melhor os elementos levantados na investigação.

A teoria do fato da Eletronuclear foi que o Almirante Othon direcionava licitações para as empreiteiras em troca de pagamentos feitos através do pagamento de serviços não realizados por empresa de sua propriedade e das filhas. Ponto.

Ficou aí e daí não saiu nem quando os fatos começaram a apontar em direções mais elevadas.

Como se sabe, ninguém é alçado ao comando de uma grande estatal sem ter um padrinho político. Principalmente quando se dispõe a fazer negócios.

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A morte de Maria D'Apparecida, saudades do Brasil

Maria D’Apparecida Marques faleceu no dia 4 de julho passado em Paris. A grande soprano brasileira, que chegou a substituir Maria Callas em uma temporada, a belíssima cantora que interpretava óperas e Baden, morreu sozinha.

O corpo encontra-se no Instituto Médico Legal de Paris à espera dos parentes. O Consulado Geral do Brasil em Paris entra em contato, devido a matérias que escrevi na Folha e também aos artigos de colaboradores aqui no GGN, para alertar a família.

Se nenhum parente se apresentar, seu corpo será enterrado em vala comum no cemitério de Thiais, suburbio de Paris.

No Youtube, poucos vídeos com ela ao vivo. Em um deles, mostra seu orgulho de interpretar músicas “do meu Brasil”, “Tambatajá”, de Waldemar Henrique.

Linda, linda, com a voz segura e acolhedora, como eram as interpretações de nossas mães.

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MP espanhol quer garantias de que MP brasileiro vai investigar a CBF, por Luis Nassif

Para transferir para o Ministério Público brasileiro o inquérito de Ricardo Teixeira, o Ministério Público espanhol exige garantias reais de que as investigações não serão abandonadas.

A informação é de Jamil Chade, correspondente do Estadão em Genebra, e primeiro jornalista a levantar o tema, em entrevista ao Jornal GGN Não se sabe de que maneira o MPF brasileiro poderá dar essa garantia. E ela é fundamental porque, depois de transferido o inquérito, o MP espanhol não poderá requere-lo de volta.

Ricardo Teixeira foi denunciado juntamente com o presidente do Barcelona Sandro Rossel, por esquema criminosa envolvendo a Seleção Brasileira de futebol e a venda de direitos da Copa Brasil.

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Millor, a Lava Jato e a fábula do burro ou do canalha, por Luis Nassif

“Entre um burro e um canalha, não passa o fio de uma navalha” - Millor Fernandes

Na abertura do 8o Congresso Nacional do Ministério Público, o Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, foi incisivo: o Ministério Público se orienta pela Constituição, e não se fala mais nisso.

Disse mais:

— Afirmo aos senhores e senhoras que uma instituição plural, democrática e altiva como é o Ministério Público brasileiro jamais estaria a reboque dos acontecimentos, de pessoas ou de interesses menores. Ao contrário, fomos moldados pelo constituinte para ser uma instituição de vanguarda, que dita o próprio caminho e que busca como norte apenas as leis e a Constituição.

Consta que, quando soube do teor das conversas de familiares de Lula, divulgadas pela força tarefa da Lava Jato com o seu consentimento, Janot teria reagido com uma gargalhada.

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A manipulação das estatísticas no Brasil, por Luis Nassif

Nesses tempos de big data, de abundância de estatísticas, é chocante a pobreza da discussão econômica do país, especialmente em relação aos gastos públicos, despesas correntes, investimentos e financiamentos.

O jogo ideológico consagrou alguns economistas que se especializaram em contas públicas, Previdência, cálculos de subsídios. Todos eles, invariavelmente, analisam os dados a seco, sem nenhuma preocupação em estender as analises para as chamadas externalidades positivas ou negativas.

Vamos a alguns exemplos.

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Xadrez da prova que sumiu da Lava Jato, por Luís Nassif

É curiosa a maneira como porta-vozes midiáticos da Lava Jato justificam a ausência de provas que têm marcado os inquéritos, depois que viram denúncias.

Alegam que crimes financeiros são mais complexos, organizações criminosas são mais estruturadas, por isso mesmo não se pode esperar provas simples, como no caso de um homicídio.

Fantástico! Significa que em outros países as investigações também chegam ao final sem a apresentação de provas substanciais porque, por princípio – segundo eles – crimes complexos não têm soluções racionais, mas apenas convicções?

Justamente por não ser uma investigação trivial, a Lava Jato contou com um conjunto de facilidades inéditas na história das investigações criminais do país.

Contou com o poder de pressionar mais de uma centena de delatores, dispostos a entregar até a mãe por uma redução da pena. Premiou os maiores criminosos com a quase extinção da pena. Contou com ampla colaboração internacional, do Departamento de Justiça dos Estados Unidos aos Ministérios Públicos suíço e espanhol, rastreando contas em paraísos fiscais. Internamente, teve acesso integral aos bancos de dados da Receita Federal, do COAF, dos cartórios, das remessas ao exterior. Ganhou até o poder de torturar psicologicamente suspeitos, afim de pressioná-los a delatar. Provavelmente apenas a luta contra o terror, nos EUA, conseguiu suspender tantas normas constitucionais de direitos individuais.

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A história trágica da canção "Ciao, Amore, Ciao"

"Ciao, Amore, Ciao", de Luigi Tenco, acabou sendo conhecido no Brasil muito mais como um hit jovem, da namorada se despedindo do namorado.

Na verdade, foi uma música intensa sobre os imigrantes que tinham de deixar a Itália devido às guerras e à recessão.

A música concorreu na 17a Edição do Festival de San Remo, interpretada pela belíssima Dalida. Acabou perdendo para "Non pensare a me cantata", de Claudio Villa e Iva Zanicchi.

Decepcionado, Tenco se suicidou em protesto. Anos depois, foi a vez de Dalida seguir o mesmo destino.

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Mídia usa estilo Lava Jato para condenar a Lava Jato, por Luis Nassif

Hoje, na Folha, ficou nítida a nova forma de desqualificação dos trabalhos da Lava Jato. Trata-se do pente fino da Polícia Federal sobre as inconsistências das denúncias do MPF e das delações premiadas.

O que garantia a blindagem da Lava Jato, até agora, era o forte espírito corporativo do Ministério Público Federal, a coesão do grupo de Curitiba e o apoio incondicional da mídia, enquanto os alvos fossem adversários políticos.

A forte blindagem da opinião pública, o espírito de manada, inibia todas as críticas. As avaliações sobre a falta de experiência da banda brasiliense da Lava Jato, sobre os exageros da quantidade de delatores de Curitiba, tudo isso ficava entre quatro paredes. No máximo, eram sussurradas críticas do Ministro Teori Zavascki sobre a inconsistência técnica de muitas das denúncias, o estilo panfletário substituindo a apresentação escassa de provas documentais. Leia mais »

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Xadrez do atraso do pensamento econômico brasileiro, por Luis Nassif

O Xadrez de hoje tomou por base uma entrevista com o economista Felipe Rezende, que em breve estará na íntegra no GGN.

Peça 1 – as crises de endividamento

Há três pontos em comum entre as décadas de 1980, 1990 e 2010: um choque de endividamento na economia que paralisou o país por dez anos até que, lentamente, o setor privado (e o público) saíssem da armadilha e começasse a respirar.

A crise de 1980 foi devido a um choque de petróleo e ao pesado processo de investimento da era Geisel – que, pelo menos deixou uma indústria de base implantada.

O dos anos 90, ao terrível choque de juros do plano Real, junto com uma enorme apreciação cambial, que amarrou toda a economia a um endividamento circular e elevou a dívida pública aos píncaros, sem nenhuma contrapartida em ativos.

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