Revista GGN

Assine

Luis Nassif

O violão magistral de Félix Júnior

Estava passeando pelo Youtube, através da minha última obsessão musical: as várias versões de “Contrato de Separação”, de Dominguinhos e Anastácia.

Aí, fui dar com esse vídeo de Dhi Ribeiro

Na gravação, o violão excepcional de Félix Junior

Daí, toca pesquisar sobre ele. E fui parar em sua página no Facebook

E encontrei algumas maravilhas, como essa maravilha de choro para violão, ao melhor estilo Garoto:

Ele, no violão de 8 cordas

Leia mais »

Média: 5 (4 votos)

A música esquecida da dupla Rodger e Teti

Os cearenses explodiram nos anos 70. Alguns permaneceram, outros menos.

Fuçando nos meus arquivos, encontrei esse LP da dupla Rodger e Tati. No repertório, a inesquecível "Siá Mariquinha", que nossa mãe Teresa cantava para os filhos na infância.

Depois do som, uma reportagem de O Povo de 2013 com Rodger.

  Leia mais »

Média: 5 (3 votos)

Xadrez do aprofundamento da crise fiscal, por Luís Nassif

Peça 1 – a hora do espanto

O agravamento da crise é a peça inicial do jogo, em torno da qual se posicionarão as demais peças.

Até agora, mesmo com 14 milhões de desempregados, a crise não produziu a desorganização econômica das grandes crises dos anos 80 e 90.

Agora, o fantasma da desorganização se aproxima. A máquina do Estado esta parando por todo o país. A partir de setembro não haverá mais recursos para o essencial, o que obrigará o governo a emitir moeda ou títulos.

O chamado “dream team”, a equipe econômica de Temer, aprofundou as loucuras cometidas pela gestão Joaquim Levy em nível inédito, com uma cegueira ideológica da qual só acordarão quando a ponta do iceberg rasgar a crosta do navio.

Têm-se um quadro claro pela frente:

1.     A economia está exangue. Não há consumo, não há investimentos.

2.     Toda a lógica dos cabeções consiste em definir um horizonte fiscal sólido recorrendo exclusivamente a cortes em despesas – e, agora, a aumento de tributação.

3.     Julgam que bastará isso para haver uma queda nas taxas de juros longas e, automaticamente, despertar o espírito animal do empresário.

Leia mais »

Média: 4.5 (48 votos)

Nassif: Os cachês de Henrique Meirelles foram lobby na veia

 
Apenas para efeito de avaliação: a não ser consultorias  geopolíticas de altíssimo nível, como as de Henry Kissinger, não existe consultoria para negócios no Brasil, pelo menos nas áreas de especialização de Henrique Meirelles, que justifique os ganhos obtidos nos últimos anos.
 
Meirelles nunca foi um consultor estrategista. Muito menos um executivo que se destacasse. No seu tempo no Bank Boston o máximo que chegou foi a Global President, ou seja, diretor da área internacional do banco, representado apenas por ativos no Brasil e na Argentina. 

Leia mais »

Média: 4.8 (20 votos)

Nassif: Xadrez de como Serra tentou fincar um pé na cooperação internacional

Vamos colocar mais uma peça nesse nosso xadrez. É um dado ainda não definitivo, mas que poderá se tornar relevante na análise futura da influência norte-americana no golpe do impeachment. Mas também indicativo de como o senador José Serra sempre teve um faro apurado para perceber de onde vinha o perigo.

Desde o começo era nítido o alinhamento do grupo do senador José Serra (incluindo Aloysio Nunes) com os interesses norte-americanos. Havia três pistas interessantes:

1.     A conversa de Serra com o representante da Chevron, prometendo acabar com a lei de partilha, se eleito. O diálogo foi divulgado pela Wikileaks.

2.    Mal consumado o golpe, a corrida entre Serra e Eduardo Cunha, para quem conseguia emplacar primeiro uma nova lei revogando a lei de partilha.

3.     A ida inopinada de Aloysio aos EUA, com o golpe em pleno andamento, para encontro com senadores norte-americanos e sabe-se lá mais quem.

Leia mais »

Média: 4.7 (37 votos)

Nina Wirtti e Luiz Barcelos, apenas voz e bandolim

Algum tempo atrás, a imagem do piano ao cair da tarde era a que melhor descrevia as canções para descansar o espírito, não com sons mundanos, mas com aqueles que penetram suavemente na alma do cristão e o coloca em paz.

A combinação exclusiva de bandolim e voz é desafiadora. O bandolim permite contrapontos, mas não tem os recursos do violão e do piano. Exige do intérprete especial sensibilidade para se colocar no contraponto e acompanhamento da voz. Há uma grande possibilidade da audição não resistir a três faixas.

Mas este  “Chão do Caminho”, com a voz de Nina Wirtti e Luís Barcelos merece a contemplação de um CD no aparelho, uma bebida no copo, e lembranças amenas no coração.

Com seus irmãos Guto e Grazie, Nina pertence à estirpe gaúcha dos Wirtti, que conquistou o Rio ao lado de Yamandu. Luiz Barcellos é um senhor bandolinista, que já acompanhou várias das melhores cantoras. Leia mais »

Média: 5 (1 voto)

Nassif: Os problemas de Danellon, a Dallagnol paulista

Não começou bem a história da Lava Jato paulista.

Resume-se à transferência, para São Paulo, do desmembramento de algumas denúncias analisadas pelo STF (Supremo Tribunal Federal), contra réus que não disponham de foro privilegiado. De imediato, ganhou a cara da procuradora Thaméa Danellon, lotada em São Paulo, apresentada como a chefe da Lava Jato paulista.

Pelos primeiros movimentos, Thaméa representa a face mais comprometedora da Lava Jato.

É ativista política, conforme demonstrou participando ativamente das convocações do MBL (Movimento Brasil Livre) a favor do impeachment. Aliás, é sintomático o fato de terem sido abertas representações contra procuradores que participaram de atos contra o impeachment, e nada ter sido feito contra os que participaram ostensivamente dos atos a favor. Mas, enfim, esta é a cara do MPF.

Leia mais »

Média: 4.7 (38 votos)

Nassif: Xadrez de como a montanha de Dallagnol pariu um rato

Peça 1 – o enredo da Lava Jato

Apesar do comando difuso, entre mídia, troupe de Eduardo Cunha, PSDB e Departamento de Estado norte-americano (através da cooperação internacional), a trama da Lava Jato era de roteiro relativamente simples.

Haveria uma ação intermediária, o impeachment de Dilma. Depois, a ação definitiva, a condenação de Lula com o esfacelamento automático do PT como força política.

Houve intercorrências inevitáveis – como as denúncias contra próceres tucanos, rapidamente abafadas -, importantes para se tentar conferir legitimidade política  ao jogo, e um desastre imprevisível: as delações da JBS que atingiram Aécio Neves no peito. Aí o elefante ficou muito grande para ser escondido debaixo do tapete.

Tudo caminhava nos conformes. Inclusive chantagear o grupo que assumiu interinamente o poder, obrigando-o a caminhar com o desmonte do Estado social para conseguir alguma sobrevida política. Depois engaiolá-los como grande gesto final.

Leia mais »

Média: 4.6 (95 votos)

A grande celebração bárbara do impeachment, por Luís Nassif

Regras sociais são uma construção da civilização. São elas que impedem que desavenças sejam resolvidas com a morte de um dos contendores, que pessoas sejam agredidas em locais públicos, que famílias consigam conviver com diferenças internas.

Comparem-se os hábitos de crianças, adolescentes e adultos. o aprendizado continuado dos direitos e limites. A música é uma forma de interação social. Na periferia, os ambientes que cultivam a música são menos propensos a quebra-paus do que os sem-música.

Em um ambiente social, presencial, pessoas que não se bicam cruzam, mas se respeitam. Cada qual ocupa seu espaço, com seu círculo, sem maiores problemas. Quem ousa manifestar irritação pública, é censurado por olhares ou gestos dos demais presentes ou, no limite, pela polícia.

Essas regras sociais vão sendo aprimoradas na medida em que as sociedades se civilizam. É mais fácil um quebra pau em um boteco de periferia do que em um restaurante do centro. Eram mais usuais assassinatos políticos nos anos 20 do que agora. Leia mais »

Média: 4.7 (43 votos)

Xadrez da guerra final entre Temer e a Globo, por Luis Nassif

A ópera do impeachment vai chegando a uma segunda onda decisiva, com o vale-tudo que se instaurou envolvendo os dois principais personagens da trama: a organização comandada por Michel Temer; e a organização influenciada pela Rede Globo.

Do lado da Globo alinha-se a Procuradoria Geral da República e a Lava Jato. Do lado de Temer, o centrão, o Ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), alguns grupos de mídia, como a Rede Record, e provavelmente políticos jogados no fogo do inferno, como Aécio Neves.

No pano de fundo, o agravamento da crise, com um plano econômico inviável aplicado por economistas radicais valendo-se do vácuo político. E, fora das fronteiras, ventos complicados ameaçando botar mais lenha na fogueira.

O caos – que irá se ampliar nos próximos dias – é resultado direto da quebra da institucionalidade, com a Lava Jato e o impeachment. No mínimo servirá para que cabeças superficiais, como o Ministro Luís Roberto Barroso, se deem conta da imprudência que cometeram ao cederem às pressões especialmente da Rede Globo.

Leia mais »

Média: 4.6 (85 votos)

A curiosa história de Paulo Rabello de Castro, por Luis Nassif

É no mínimo curiosa a biografia de Paulo Rabello de Castro. Ele entrou no debate econômico no início dos anos 90, como um dos discípulos de Roberto Campos, ao lado de Paulo Guedes e outros.

Desde o início, mostrava ser o mais político (no sentido amplo) e de visão mais elaborada sobre desenvolvimento e ferramentas institucionais. Ao contrário dos colegas, não se fixava exclusivamente nas discussões sobre política monetária e fiscal.

Desenvolveu uma boa sensibilidade de mercado para trabalhar em cima de ajustes patrimoniais, comparações entre fluxos e estoques, com soluções criativas capazes de serem aplicadas por gestores mais ousados.

No início dos anos 90, encampei uma de suas propostas, o encontro de contas no setor público, acoplado a um modelo de privatização através dos chamados fundos sociais – reconhecendo os passivos históricos da União, estados e municípios com os fundos sociais.

Leia mais »

Média: 4.5 (46 votos)

Paulo Rabello de Castro e o jornalismo do senso comum

rabello_de_castro_-_fernando_frazao_abr.jpg

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Uma das grandes pragas dessa era das redes sociais é o opinionismo desenfreado. Todos têm opiniões taxativas sobre tudo, pouco importa o grau de complexidade do tema e de desinformação do autor.

Desde os anos 90, teve início essa praga do populismo do colunismo. Em vez de explicar, interpretar, atender às dúvidas dos leitores, o colunista se colocava no mesmo nível do leitor, com as mesmas indignações e o mesmo nível de ignorância. É o chamado colunismo do senso comum.

A maneira como uma colunista da Folha ataca Paulo Rabello de Castro, no artigo abaixo, é significativa da ditadura do pensamento leigo, justamente onde deveria estar o escrito especializado. Em negrito é sublinhado, meus comentários  

Sem respostas

Paulo Rabello de Castro, presidente do BNDES há pouco mais de um mês, fala muito mas diz pouco. O economista é loquaz na defesa política do governo Temer e evasivo nas explicações substantivas sobre as operações do banco. A verborragia de Rabello já levou dois diretores a pedir demissão.

Leia mais »

Média: 5 (16 votos)

O dia em que Doria acabou com a feirinha da praça Buenos Aires

praca_buenos_aires_-_prefeitura.jpg

Foto: Prefeitura de SP

Leia mais »

Média: 3.7 (3 votos)

Por que a TAM saiu ilesa do acidente que vitimou mais de cem, por Luis Nassif

Acidente com avião da TAM no aeroporto de Congonhas completa 10 anos
Acidente com avião da TAM no aeroporto de Congonhas completa 10 anos - Foto:Milton Mansilha/Agência Lusa

A não-identificação de nenhum culpado no acidente da TAM de dez anos atrás, que vitimou mais de uma centena de pessoas, é mancha na reputação do Ministério Público Federal, particularmente do procurador Rodrigo de Grandis.

O Procurador buscou culpados individuais, operador de vôo, pilotos (que morreram no acidente), ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil). Levou algum tempo para entender que um acidente de tal porte não depende de um fator específico, mas de uma soma de fatores.

Aqui no Blog um leitor trouxe o fio da meada para entender o acidente, logo após sua ocorrência. Mas há uma incapacidade crônica de alguns procuradores de trabalhar fora dos autos. Ora, um acidente de tal relevância exigiria uma investigação que transcenderia a mera elaboração de laudos técnicos, seja do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), da ANAC ou de quem quer que seja. Mesmo porque, esses órgãos se limitam a identificar aspectos parciais da questão, como o fato do piloto ter se enrolado no manejo dos instrumentos. Além disso, a imprensa estava empenhada em atribuir a Lula todos os males do país, e concentrou-se especificamente na questão do recapeamento da pista.

Leia mais »

Média: 4.8 (26 votos)

Nassif: Como defender em tucanês a sentença de Moro

Veja o desafio.

Brilhar nas páginas de um jornal conta pontos para um advogado. O padrão aceito é o de defender a Lava Jato, embora a unanimidade comece a ceder. Mas, ao mesmo tempo, há uma reputação a ser zelada da parte dos mais advogados sérios.

Como se equilibrar?

Confiram como o brilhante dr. Carlos Ari Sundfeld se safou para atender a dois soberanos: o sistema e o direito.

Em cada sentença, há a análise da forma e do mérito. O mérito é essencial, a forma é acessória, embora possa levar à anulação de julgamentos.

O título do artigo dr Sundfeld é "Ao rejeitar parte da denúncia, Moro fortaleceu sentença". Aparentemente, uma opinião definitiva sobre a sentença. De fato, é isso o que ele diz na abertura do artigo.

Leia mais »

Média: 4.6 (26 votos)