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Cinema

"Nunca Me Sonharam", documentário de Cacau Rhoden

Documentário mostra ensino médio através da voz dos jovens, rebatendo discurso de que adolescentes não se interessam por nada, não gostam de estudar e de ir para a escola  

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Uma história da catástrofe neoliberal, por Jota A. Botelho


Diego Rivera: Detroit Industry Murals, Detroit Institute of Arts (1932-33).

Por Jota A. Botelho

Um documentário sobre a catástrofe do modelo neoliberal desde a queda da antiga URSS até Grécia do Syriza, que foi disseminado pela propaganda e pela desinformação da mídia ocidental na busca de defender este sistema criminoso que beneficia cada vez mais os ricos, gerando misérias descomunais em todas as nações que adotaram este modelo econômico de livre mercado. 

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Revisitando Os Wachowskis: a Semiótica da Matrix, por Wilson Ferreira

filme “Matrix” (1999) dos Wachowskis  já foi dissecado e virado do avesso pela filosofia, misticisismo, esoterismo, religião, inspirando até a Física sobre a possibilidade de o Universo ser, afinal, uma gigantesca simulação computadorizada finita. Mas muito pouco ainda se falou sobre o ponto de vista da Semiótica. O que é surpreendente, já que Matrix parte de um pressuposto da ciência dos signos: não percebemos o real, mas signos mentais da realidade. “Matrix” foi muito mais do que mais uma ficção científica distópica. Na verdade os Wachowskis propuseram aos espectadores um enigma, uma “narrativa em abismo”: a emoção e empatia do público com o drama da Resistência na luta contra as máquinas é tirada da própria experiência do espectador com o seu mundo atual: já vivemos situações análogas, quando olhamos para o mundo real e o avaliamos não a partir dele mesmo, mas a partir dos signos que já foram feitos anteriormente desse próprio mundo. “Speed Racer” (2008), produção posterior à Trilogia Matrix, apenas confirmou esse propósito da dupla de diretores. Leia mais »

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As cidades funcionam em torno de interesses, diz diretor Tyrell Spencer

Morador de Humberstone, no Chile, visita as ruínas da cidade | Foto: Divulgação/Galo de Briga Filmes

 
do Sul21

‘As cidades funcionam em torno de interesses’, diz diretor de filme sobre ‘Cidades Fantasmas’

por Fernanda Canofre

As primeiras imagens de “Cidades Fantasmas” mostram um cemitério que os vivos já não visitam mais. Cruzes enferrujadas, areia cercando todo o local, pedaço de mar que está a poucos metros e uma voz em off que fala de alguém voltando à cidade de seu passado para buscar um pedaço seu que só existe na memória. “Já sentiram alguma vez a melancolia profunda e amarga que se sente e desprende de uma casa abandonada e de um muro em ruínas?”, pergunta o narrador.

Pelas memórias de ex-moradores de quatro cidades na América Latina que viveram ápices de sucesso e um esvaziamento repentino, o documentário dirigido pelo gaúcho Tyrell Spencer busca resgatar as histórias das cidades fantasmas. Começando por Humberstone, no Chile, que depois do fim do ciclo econômico da extração de salitre não teve mais razão de existir, passando pela icônica Fordlândia, na Amazônia paraense, para a andina Armero, na Colômbia, que morreu depois de ser atingida pela erupção de um vulcão, até Villa Epecuén, na Argentina, cidade que um dia fora uma famosa estação de águas medicinais.

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Einstein's God Model: Relatividade Quântica contra Deus e a morte, por Wilson Ferreira

por Wilson Ferreira

Imagine um thriller tecnocientífico que contasse com a consultoria de cientistas como Einstein, Thomas Edison, Niels Bohr e Nikola Tesla. Mas não há colisores de partículas ou fórmulas matemáticas. Há avançados experimentos na busca pela vida pós-morte. Esse é o curioso filme indie “Einstein’s God Model” (2016) do diretor Philip Johnson: como a busca de existências após a morte por meio de um Spectrographic EMF Receiver construído por Edison nos anos 1920 revive o velho conflito entre o modelo divino de Einstein contra o modelo ateu quântico de Bohr. Um grupo bizarro de “cientistas” (um físico renegado, um anestesista e um médium cego) irá confrontar Relatividade, Mecânica Quântica e Teoria das Cordas para buscar o mito da “segunda chance” (corrigir em mundos paralelos erros cometidos nesse mundo) e  uma interpretação gnóstica da Física que empurra os modelos teóricos para além da maior falha da Criação: a seta do Tempo. Filme sugerido pelo nosso leitor Felipe Resende.

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Mazzaropi e a alma rural dos caipiras, por Rui Daher

Por Rui Daher

Em 13 de junho de 1981, morreu o ator e cineasta que trabalhou na agropecuária antes, dentro e depois das porteiras das fazenda. Foi agronegócio. 

Embora a quase 2 mil quilômetros de distância, Santo Antônio, cuja data se comemorou em 13 de junho, poderá ser originário de Lisboa, em Portugal, ou italiano de Pádua. Histórico ou mitológico o planeta será um só, desajustado, desigual, incongruente, mas de onde for, o santo ele continuará a ser casamenteiro.

Mesmo algumas chinas, ferrenhas feministas, na data, acorrerão às cestinhas de pães em suas igrejas. Em São Paulo, na Praça do Patriarca; no Rio de Janeiro, no Largo da Carioca; e assim por todos os lugares em que tal poder for creditado ao santo.

Não só. Em 13 de junho de 1981, o agronegócio brasileiro perdeu importante elo de sua cadeia. Aos 69 anos, faleceu o ator e cineasta Amácio Mazzaropi, que trabalhou na agropecuária antes, dentro e depois das porteiras das fazendas.

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Imagens

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"Cream": a estrada da história das invenções está coberta de cadáveres, por Wilson Ferreira

por Wilson Ferreira

O que aconteceria se um cientista descobrisse um creme capaz não só de tirar manchas do rosto em questão de segundos, mas que também fosse capaz de produzir mágicos efeitos colaterais? - curar doenças, acabar com a fome, a pobreza, a morte, a tristeza e até fazer crescer florestas em desertos e despoluir o ar e rios. Todos ficariam felizes... menos algumas pessoas cujo poder depende da deliberada fabricação da escassez para a criação de valor e lucro – e por isso a estrada da história das invenções seria coberta por cadáveres. Esse é o tema dessa pequena fábula contemporânea, o curta “Cream” (2017) David Firth, conhecido pela série de animação de humor negro e terror psicológico “Salad Fingers”. Com surrealismo e um humor politicamente incorreto que lembra “South Park”, Firth introduz o espectador às principais teses do ativismo-conspiratório: as descobertas científicas filtradas ou censuradas pelas necessidades mercadológicas e a grande mídia como a principal ferramenta de engenharia de opinião pública.

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Os deuses estão mortos e as mulheres empoderadas em "Alien: Covenant", por Wilson Ferreira

por Wilson Ferreira

Como sempre, um filme da franquia "Alien" se promove colocando em destaque a figura do monstruoso predador xenomorfo. Mas em “Alien: Covenant”(2017) o monstro é apenas uma isca para atrair o sadismo do público. No filme a figura do predador foi colocada em segundo plano para o diretor Ridley Scott fazer um acerto de contas com a mitologia que começou com “Alien” de 1979 através da figura do androide David. Assim como em “Blade Runner” com o replicante Roy, David rouba a cena simbolizando o nosso fascínio por frankensteins e golens. Mas também terror: e se a criatura ganhar inteligência e alma e também nos considerar como deuses e tentar fazer, da mesma maneira, o caminho de retorno aos seus criadores? E se ele se decepcionar conosco, assim como nós que matamos nossos próprios deuses? Ao mesmo tempo, as recorrentes mulheres empoderadas de Scott (Ripley, Shaw e, agora, Daniels) tomam as rédeas de uma ordem masculina amoral e decadente, ironicamente derrotada por um predador que mais parece um símbolo fálico hiperbólico. E o pano de fundo preferido de Scott: um Universo sem propósito ou sentido que observa a tudo indiferente

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"Alien: Covenant" (Ridley Scott, 2017) - trailer legendado
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Em "AfterDeath" o Inferno é a própria Criação, por Wilson Ferreira

por Wilson Ferreira

“AfterDeath” (2015) é uma grata surpresa dentro da onda “recente” (já dura quase três décadas) de representações da existência pós-morte no cinema. Inspirado na peça teatral “Entre Quatro Paredes” (1944) do filósofo existencialista Jean-Paul Sartre, “AfterDeath” consegue derivar do existencialismo (“o Inferno são os outros”, frase que encerra a peça sartriana) para o Gnosticismo (o Inferno é a própria Criação). Cinco jovens despertam em uma praia desolada trazidos pela maré. Só existe um farol e uma cabana, além de uma entidade ameaçadora, uma fumaça negra. Lá descobrirão que estão mortos e num lugar que é mais do que uma antessala para o Céu ou Inferno. Um filme sobre como a culpa e pecado podem fazer parte de um jogo perverso criado por alguém que não nos ama. Filme sugerido pelo nosso leitor Felipe Resende.

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"AfterDeath" (Reino Unido, 2015) - trailer
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Z - A Cidade Perdida, por Fábio de Oliveira Ribeiro

Z - A Cidade Perdida

por Fábio de Oliveira Ribeiro

O filme feito para glorificar a imagem do coronel Percy Fawcett tem alguns bons momentos. Mas começa a desandar quando retrata as aventuras do explorador inglês no Brasil.

O personagem cinematográfico Fawcett é um antípoda perfeito do coronel que perambulou pelos sertões do Brasil. Em nosso país é fato comprovado por evidências que ele um homem áspero no trato com os indígenas.

“Os kalapalo, mundialmente falados pelo caso Fawcet, são amáveis e inteligentes. Fawcett foi vítima, como seria qualquer outro, da aspereza e da falta de tato que todos reconheciam nele. Ainda sobre os ombros dos kalapalo pesa o desaparecimento do jornalista americano Albert Winton, envenenado com água de mandioca-brava. Não teria Winton cometido alguma falta ou usado a política de Fawcett? O que sabem é que realmente Winton, envenenado ou não, morreu lá embaixo, já no rio Xingu.” (A Marcha para o Oeste, Orlando Villas Bôas e Cláudio Villas Bôas, Companhia das Letras, São Paulo, 2012, p. 203).

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O horror e a patologia humana no filme "A Cura", por Wilson Ferreira

por Wilson Ferreira

À primeira vista parece um gigantesco pastiche de duas horas e meia de referencias a filmes como “Ilha do Medo”, “O Iluminado”, “Drácula” e filmes B de terror. Mas tudo isso é uma superfície narrativa. “A Cura” (“A Cure for Wellness”, 2016) trata de como o homem tirou Deus do seu altar de adoração e pôs no lugar a Ambição, gerando a patologia do homem moderno. O que garantirá uma inesgotável matéria-prima para um experimento que mistura geneticismo e horror. Um jovem agressivo e ambicioso corretor do mundo financeiro vai resgatar um CEO da sua empresa em um spa nos Alpes suíços famoso pelas suas águas terapêuticas. Para ali encontrar uma jornada pelo horror e o fantástico que exigirá a verdadeira cura: a transformação interior. Filme sugerido pelo nosso leitor Felipe Resende.

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"A Cura" - ("A Cure for Wellness, 2016) - trailer legendado
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A Segunda Guerra em documentários, por Walnice Nogueira Galvão

A Segunda Guerra em documentários

por Walnice Nogueira Galvão

Que ninguém se queixe de falta de material: já há um número enorme de filmes sobre a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), tanto em ficções inesquecíveis quanto em documentários,.

Mas, quando já se pensava que a fonte tinha secado, surge material de arquivo novo, ou pelo menos recentemente descoberto. Como o conjunto intitulado Eles filmaram a guerra em cores, em 4 partes de 45 minutos cada, feito por franceses e exibido pelo Canal Curta!

Os realizadores foram buscar material ainda virgem, tanto em arquivos privados como em arquivos públicos pouco visitados. Por isso, o material, bastante amadorístico, é maravilhoso em sua espontaneidade e até mesmo canhestrice, apanhando pormenores surpreendentes do conflito. Duas partes se passam na Europa e na África, as outras duas cobrindo a guerra no Pacífico contra os japoneses.

O partido tomado pela montagem também foi bastante original. Em vez do usual material antigo comentado por contemporâneos, vemos lá os fragmentos por assim dizer desacompanhados, sem qualquer intervenção de gente de agora. Foram ajeitados numa linha cronológica – e isso é tudo. O resultado é notável.

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"Atazagorafobia": a nova fobia das redes sociais no curta "Remember Me", por Wilson Ferreira

 
 

por Wilson Ferreira

“Você lembra de mim, logo existo”. Isso é uma questão de sobrevivência para um novo tipo humano que domina as redes sociais, pessoas que sempre estão em busca da atenção das pessoas. Psicólogos chamam essa nova fobia de “Atazagorafobia” ou “fear of missing out” (FOMO) – o pânico de estar perdendo alguma oportunidade de interação ou de reconhecimento. Esse é o tema do curta canadense “Remember Me” (Mémorable Moi, 2013) do diretor Jean-François Asselin: “Você está pensando em mim?”, é a dúvida obsessiva do protagonista, sempre colado ao computador e dispositivos móveis tentando fingir ser qualquer coisa, enquanto sua vida conjugal vai para o ralo. Depois da Internet prometer a “inteligência coletiva” na cultura e a “estrada para o futuro” nos negócios, parece agora amplificar em tempo real o “demasiado humano” já presente nas mídias tradicionais: solidão, intolerância, narcisismo, superfluidade, necessidade de reconhecimento, hedonismo, niilismo, e assim por diante. – com a diferença de que agora os efeitos são exponenciais por meio de fobias e síndromes.

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Wonder Ziwoman

O lançamento de Mulher Maravilha provocou reações interessantes no Oriente Médio. Libaneses querem banir o filme no seu país em razão da nacionalidade da atriz https://cinema.uol.com.br/noticias/redacao/2017/05/30/mulher-maravilha-pode-ser-banido-no-libano-por-ter-atriz-israelense.htm.

Esta questão me parece irrelevante. As transformações impostas ao personagem interpretado por Gal Godot é muito mais relevante.

Neste como no filme em que a nova Mulher Maravilha foi relançada na tela grande (Batman x Superman http://jornalggn.com.br/blog/fabio-de-oliveira-ribeiro/batman-x-superman-a-sexualidade-nos-filmes-de-hqs), os seios da personagem crescem quando ela assume quem realmente é. Diana Prince tem os seios pequenos e inevitavelmente sujeitos à gravidade. Mas os seios da Mulher-Maravilha são firmes e fartos. Leia mais »

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"High Chaparral": refugiados sírios perdidos na hiper-realidade, por Wilson Ferreira

por Wilson Ferreira

O que tem a ver os filmes de faroeste de Hollywood com um parque temático no interior gelado da Suécia chamado “High Chaparral” e refugiados sírios? Muitos vezes a ironia faz a realidade superar a própria ficção. Dois documentários curta-metragem, “High Chaparral” (2016) e “Return to High Chaparral” (2017) mostram como um parque temático sobre o Velho Oeste dos filmes hollywoodianos se transformou em abrigo para 500 refugiados sírios no inverno sueco. Vítimas do mundo real encontrando abrigo na hiper-realidade criada pelo “soft power” norte-americano. Um parque temático, que encena histórias de heróis com grandes armas derrotando vilões, dá abrigo a vítimas dessas mesmas armas, só que no mundo real. Refugiados de um país distante pouco familiarizados com filmes de faroeste, mas que, mesmo assim, ficam fascinados ao verem atores suecos repetindo narrativas hollywoodianas semelhantes àquelas deixadas em seus países destruídos.

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