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Europa

As causas ocultas do mega-incêndio em Portugal, por Jorge Paiva

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Foto: André Kosters/Lusa
 
Jornal GGN - Em artigo publicado no portal Público em 2013, o naturalista português aponta para questões que acabariam resultando no incêndio florestal que deixou 64 pessoas mortas e outras 240 feridas em Portugal. 
 
Paiva explica que as florestas naturais foram sendo substituídas por eucaliptos, ricos em óleos essenciais altamente inflamáveis. “A desumanização das nossas montanhas teve várias causas. Uma, foi a maneira como se deixou eucaliptar o país”, afirma.
 
Outro fator foi o desmonte do Serviços Florestais por sucessivos governos, desde 1975, com redução drástica no número de guardas florestais. “Nossas montanhas deixarem de ter guardas e técnicos florestais, que com a sua tecnologia e experiência ajudavam a apagar, de imediato, os incêndios no seu início, pois conheciam muitíssimo bem a floresta e a montanha”, explica.

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Notícias macronianas, por Daniel Afonso da Silva

Notícias macronianas

por Daniel Afonso da Silva

O primeiro ministro da Justiça da presidência Macron acaba de se demitir. François Bayrou, presidente do MoDem, partido centrista aliado do partido En Marche!, virou objeto de enquete judicial numa investigação que envolve suspeita de criação de postos fictícios no interior de sua representação parlamentar no Parlamento Europeu em Bruxelas. Não restam dúvidas que se trata – ou se tratava – de uma crise política, moral, partidária e pessoal para o ministro e para o presidente. Com fins de minorar a tensão sobre este, àquele restou partir.

Entusiastas marchadores (partidários do En Marche!) consideram esse adeus positivo. Ministros do governo do primeiro-ministro Édouard Philippe não escondem certo alívio. Sem o MoDem, a presidência Macron parece ganhar em frescor. As rugas da velha política insinuam esmaecer. O jeito En Marche! de fazer política via faxina emerge se impondo. Mas a prudência aconselha a desconfiança diante das aparências.

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Žižek: A lição da vitória de Corbyn

Enviado por Antonio Ateu

do Blog da Boitempo

A lição da vitória de Corbyn

por Slavoj Žižek

O segredo do sucesso de Corbyn foi ter evitado se pautar tanto pelos corretivos da cultura "politicamente correta" quanto pelo jogo populista do "políticamente incorreto". O fato de tal abordagem representar nada menos do que uma mudança de peso em nosso espaço político é um triste indicativo dos nossos tempos. Mas é também uma nova confirmação da velha assertiva hegeliana de que, às vezes, a franqueza ingênua é a mais devastadora e sagaz de todas as estratégias.

O inesperado sucesso de Jeremy Corbyn e do Labour Party nas urnas inglesas deixou vermelha de vergonha a sabedoria cínica predominante entre os pretensos especialistas políticos. Até mesmo aqueles que se diziam simpatizar com Corbyn, mas que se esquivavam com a desculpa de que “Sim, eu votaria nele, mas a realidade é que ele é inelegível, o povo está muito manipulado e amedrontado, o momento ainda não é ideal para um lance tão radical.”

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França: Eleições com abstenção recorde

O partido A República em Marcha, do presidente Emmanuel Macron, foi o grande vencedor da eleição legislativa francesa.REUTERS/Bertrand Guay/Pool

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Enviado por Antonio Ateu

do RFI

Partido de Macron vence eleição legislativa francesa marcada por abstenção recorde

Os cerca de 47 milhões de eleitores convocados para o segundo turno da eleição legislativa francesa não se mobilizaram para o pleito. Menos da metade foi às urnas neste domingo (17). Confirmando as previsões, o partido A República em Marcha, do presidente Emmanuel Macron, foi o grande vencedor, e terá mais de 350 deputados, dos 577 que compõem a Assembleia Nacional da França.

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Portugal: Chamas da tragédia

Enviado por Antonio Ateu

do Expresso

A estrada mais triste de Portugal

por Ricardo Marques

Dizem que é uma estrada, mas não passa de uma ausência. Como se vida tivesse sido sugada de repente e o caminho entre Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pera não passasse agora de uma coisa que já foi. Dezena e meia de quilómetros reduzidos a nada. Há ramos caídos, fios de eletricidade tombados e, na berma, um homem que pede lume. “Já viu a ironia disto”, pergunta, enquanto acende uma cigarrilha. Depois segue o seu caminho, em direção a um dos epicentros do pior incêndio florestal que atingiu Portugal.

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Eleições inglesas: uma onda anti-neoliberal?, por Fábio de Oliveira Ribeiro

Eleições inglesas: uma onda anti-neoliberal?

por Fábio de Oliveira Ribeiro

A Islandia deu uma banana para o Mercado e começou a se recuperar da crise neoliberal mais rápido do que todos os países europeus. Os banqueiros e políticos que lucraram destruindo a economia do país foram duramente responsabilizados.

Na Grécia, a tentativa de seguir o exemplo da Islandia naufragou. Pressionado pelos burocratas da UE e pela Alemanha, o governo de esquerda eleito pelos gregos aplicou a cartilha do FMI: privatizações e redução de direitos trabalhistas, sociais e previdenciários.  O resultado foi catastrófico. O país continua sendo sacudido pelos conflitos trabalhistas e sociais. A economia grega continua afundando e o endividamento do país apenas aumentou.

Portugal encontrou um meio termo entre a tragédia grega e a ousadia islandesa. Sem alarde (e sem prender políticos e banqueiros neoliberais) Lisboa abandonou a cartilha do neoliberalismo e a economia dos nossos patrícios europeus voltou a crescer. Os desempregados e famintos espanhóis e italianos, vítimas de governos que seguiram o receituário neoliberal, certamente estão invejando os portugueses.

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Inglaterra: o vendaval Jeremy Corbyn, por Antonio Martins

Sugestão de Ricardo Cavalcanti-Schiel

do Outras Palavras

Inglaterra: o vendaval Jeremy Corbyn

por Antonio Martins

Últimas pesquisas revelam: líder trabalhista, claramente identificado com esquerda e nova cultura política, está a um passo de vencer eleições. Repercussão internacional seria imensa

Uma sondagem eleitoral divulgada esta manhã (6/6), em Londres, voltou a sobressaltar os conservadores – e a mostrar que continua aberta, em meio à crise global, a porta para uma alternativa de esquerda renovada. O Partido Trabalhista ampliou seu avanço notável, e está agora apenas 1,1 ponto percentual atrás dos Conservadores, na disputa das eleições parlamentares marcadas para esta quinta (8/6). O movimento é surpreendente por três motivos. Uma vitória trabalhista era considerada sonho lunático há apenas seis semanas, quando a primeira-ministra Theresa May convocou o pleito antecipado. A campanha trabalhista, liderada por Jeremy Corbyn, propõe uma reviravolta completa nas políticas de “austeridade” praticadas na Europa e em quase todo o Ocidente. Além disso, inclui um forte aspecto de nova cultura política: é fruto de uma rebelião das bases trabalhistas contra a política de conciliação e de alinhamento com os EUA, adotada pelo partido há pelo menos quatro décadas.

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Trabalhadores franceses e a Direita – um caso de amor?, por Reginaldo Moraes

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Foto: Blandine Le Clain

Por Reginaldo Moraes

Trabalhadores franceses e a Direita – um caso de amor?

Gabriel Goodlife  - professor e pesquisador mexicano – publicou um livro que reconstitui a história da direita radical francesa desde o século XIX, suas raízes sociais, formas de atuação, influência, etc. Leitura oportuna.  E não apenas para entender o rebu francês, mas para estimular a ‘imaginação sociológica” em outras direções. A ficha do livro é esta:

Gabriel Goodlife - The Resurgence of the Radical Right in France - From Boulangisme to the Front National, Cambridge University Press, New York, 2012. Leia mais »

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Sobre a "novidade" Macron, por Wagner Sousa

Foto - France 24

Sobre a "novidade" Macron

por Wagner Sousa

A vitória do "centrista" Emmanuel Macron na eleição presidencial francesa fez, nas palavras da mídia hegemônica, o mundo (especialmente a Europa) "respirar aliviado." Venceu o europeísta, aquele que, nas palavras do colunista Clovis Rossi, da Folha de S. Paulo, trouxe " ar fresco no esclerosado ambiente político". O ex-banqueiro da Casa Rothschild e ex-ministro da Economia de François Hollande, que se declara "nem de direita, nem de esquerda" seria o nome ideal a superar as clivagens ideológicas tradicionais. Não foi a única análise nessa linha.

Mas há também os preveem a volta de Marine Le Pen nas eleições de 2022, como favorita para o pleito. A vitória da extrema-direita teria sido apenas adiada.

O que, afinal, significa a vitória de Macron e de seu "En Marche"?

O primeiro ponto a se destacar é a divisão da sociedade francesa, os quatro primeiros colocados no primeiro turno, da esquerda representada por Jean-Luc Mélenchon à extrema-direita de Marine Le Pen, situaram-se em torno dos 20%, sem uma diferença expressiva entre eles.

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A euforia alemã (e da Globo!) ante o resultado das eleições na França, por J. Carlos de Assis

AFP/Denis Charlet

A euforia alemã (e da Globo!) ante o resultado das eleições na França

por J. Carlos de Assis

Em sua autobiografia parcial “Times of Upheavel”, o então Assessor de Segurança Nacional dos EUA Henry Kissinger, que acompanhava o presidente Richard Nixon numa visita à França no início dos anos 70, perguntou candidamente a De Gaulle como seria possível evitar o domínio da Europa pela Alemanha num eventual integração europeia. De Gaulle, sem se dignar olhar para Kissinger e fixando Nixon, disse secamente: “Par la guerre!”

Não será tão simples. A Alemanha praticamente escravizou a Europa  com a imposição de suas políticas neoliberais contracionistas através do Banco Central Europeu e da Comissão Europeia, que domina. O continente está mergulhado desde 2008 numa crise de recessão ou contração, impedido por Berlim de qualquer reação eficaz. O fracasso de Hollande foi justamente de não cumprir promessas de investimentos em campanha por bloqueio alemão.

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O desafio Macron, por Daniel Afonso da Silva

Foto Expresso

O desafio Macron

por Daniel Afonso da Silva

Emmanuel Macron venceu Marine Le Pen com dois terços dos votos válidos. 66% versus 34%. É o presidente eleito da França. Será, por certo, o próximo locatário do Élysée. Mas todas as atenções vão em direção ao novo hóspede de Matignon. Ou seja, o primeiro-ministro.

O primeiro-ministro do presidente eleito vai emergir da nova composição parlamentar que será definida nas eleições legislativas de 18 de junho. Partidos tradicionais – sendo Les républicains o favorito – tendem a vencer o duelo. O maior desafio de Emmanuel Macron será o de se manter vinho novo em odres velhos.

2017 não repetiu 2002.

Naquela ocasião ocorreu unanimidade contra Jean-Marie Le Pen.

Desta vez, a classe política se reuniu para bloquear a ascensão do Front National e a eleição de Marine Le Pen, mas não com o mesmo vigor.

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Teremos festa no 8 de maio francês?, por Guilherme Cavalheiro

Sugestão de Urariano Mota

Amigos, divulgo a seguir a reflexão crítica de Guilherme Cavalheiro, cientista político que hoje vive e trabalha na França. Ele está no olho do furacão e vê por nós o que a tevê nos esconde.

Teremos festa no 8 de maio francês? *

Guilherme Cavalheiro

A França comemora nessa segunda-feira mais uma vitória contra fascistas, racistas, antissemitas e conservadores de todos os matizes. Falo do feriado nacional de 8 de maio, comemoração da vitória contra os nazistas em 1945. Mas poderia estar falando também da provável vitória contra o Front National, partido fundado por fascistas, racistas, antissemitas e conservadores de todos matizes. Infelizmente, se em 2002 Jacques Chirac esmagava a besta imunda com 82% dos votos, a bestinha Le Pen ganhará no mínimo o apoio de 40% dos eleitores no domingo, 7 de maio, mais que dobrando o resultado de seu pai. Do que escapamos com a vitória de Emmanuel Macron ?

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Sem votos

Lamento francês, por Daniel Afonso da Silva

Lamento francês

por Daniel Afonso da Silva

Perplexidade: esse é o sentimento dos franceses diante de seus presidenciáveis, Marine Le Pen do Front National e Emmanuel Macron do En Marche!, credenciados para o segundo turno das eleições deste ano. Após o debate da última quarta-feira, 03/05, confrontando os dois candidatos e seus dois projetos, a perplexidade se somou a certo lamento.[1] Um lamento francês – e, ao certo, também de todos nós.

As razões são múltiplas. Algumas, inéditas.

Ambos, Macron e Le Pen, emergem de partidos não tradicionais.

Macron, saído do Partido Socialista, concorre à Presidência pelo seu recém-criado En Marche!, partido ainda incaracterístico. Le Pen, malgrado seu esforço de “desdiabolização” partidária que conduziu inclusive ao rompimento seu próprio pai (Jean-Marie Le Pen, fundador do Front National), segue no Front Nacional.

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Esquerda de verdade a um passo do segundo turno na França, por Lindbergh Farias

"O programa de Mélénchon é radical e sem subterfúgios. É exatamente por falar o que as pessoas querem escutar que sua candidatura cresceu e está às portas do segundo turno. Ela fala abertamente em sair da OTAN. Afirma que um em cada quatro franceses são filhos de imigrantes e o país deve continuar de portas aberta a receber refugiados"


Foto: Divulgação
 
Lindbergh Farias*
 
Esquerda de verdade a um passo do segundo turno na França
 
O passado recente de conciliação da esquerda tradicional está morto. É chegada a hora de abrir um novo ciclo, e no ciclo, uma guinada
 
Oratória possante e clareza programática, de quem sabe que somente uma esquerda de verdade conseguirá deter a avalanche neofascista e vencer. São estas as duas qualidades da vertiginosa ascensão do candidato da esquerda radical, Jean-Luc Mélénchon, na reta final das eleições presidenciais francesas.
 
As eleições acontecem domingo (23/04). O jornal Le Monde publicou uma pesquisa sábado (15/04). Os dados da pesquisa revelam que Mélénchon (20%), que começou a campanha em quarto lugar, arrancou em definitivo do candidato do PS, Benoît Hamon (7,5%), o espaço de candidatura competitiva de esquerda e embolou com Marine Le Pen (extrema-direita, 22%); Emmanuel Macron (direita liberal, 22%); e François Fillon (direita conservadora, 19%).
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The Economist: Portugal supera crise sem seguir fórmulas de austeridade

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Foto: Alexander De Leon Battista
 
Jornal GGN - Em reportagem publicada nesta semana, a revista britânica The Economist fala sobre os esforços realizados por Portugal para sair da crise econômica. Ao contrário da Grécia, que adotou o cartilha da austeridade determinado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), os portugueses decidiram ir por outro caminho, e conseguindo reduzir o deficit fiscal enquanto aumentava aposentadorias e salários. 
 
O governo do primeiro-ministro António Costa, do Partido Socialista, diminiu o deficit do orçamento pela metade do ano passado, ficando em 2,1% do Produto Interno Bruto (PIB), o melhor resultado registrado desde 1974, quando o país saiu de uma ditadura para a democracia. 

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