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Geopolítica

A cooperação internacional na visão de Herve Juvin, por Luis Nassif

Nesses tempos de redes sociais, de megabancos de dados, de informações circulando freneticamente, há um descompasso fundamental entre as ações políticas e a capacidade da academia e dos think tank dos diversos países em entender a tempo o que ocorre.

O tema da cooperação internacional entre a Justiça e o Ministério Público Federal brasileiro com o Departamento de Justiça norte-americano foi levantado pioneiramente aqui. Diversos Xadrez e artigos do André Araújo chamaram a atenção para o novo fenômeno global e suas implicações sobre a economia e a política brasileira.

Surpreendentemente, jamais houve, nem antes nem depois, uma discussão aprofundada do fenômeno seja nos partidos políticos, no MPF, no Instituto Fernando Henrique Cardoso ou Instituto Lula.

Algum tempo atrás, no Brasilianas da TV Brasil entrevistei o historiador Luiz Felipe de Alencastro, professor emérito da Universidade de Sorbonne, França. Indaguei como o tema estava sendo discutido na França e nos grupos de discussão de cientistas políticos. Ainda não haviam começado os estudos.

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Como retornam a países emergentes alunos de Universidades dos EUA? Por André Araújo


Foto: Divulgação

Por André Araújo

Comentário à publicação "Xadrez da influência dos EUA no golpe, por Luís Nassif"

A influência americana sobre corações e mentes não se dá por um plano estruturado de determinado governo ou Presidência, e sim por um sistema de atração intelectual que vem dos anos 20, com o cinema e a disseminação do "american way of life", como sendo o modo mais elevado de vida na Terra. Esse "imã" atrator funciona em qualquer governo americano, Democrata ou Republicano, é automático e os países emergentes caem na rede da aranha como insetos, sentem uma atração inexplicável para cair nessa rede, uma espécie de néctar: os induz a ser catequizados.

O sistema influencia muito mais as pessoas de origem simples, não influencia as pessoas de elite, que são, em geral, criticas do "american way of life", motivo de piadas nas altas rodas do mundo. Sobre mentes simples, o sistema produz um efeito religioso e os convertidos passam a agir como americanos, sem uma visão crítica dos muitos defeitos do "american way of life", um modelo de vida que tem pontos positivos e muitos, cada vez mais, pontos negativos.

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Xadrez da influência dos EUA no golpe, por Luís Nassif

A cada dia que passa fica mais nítida a participação de forças dos Estados Unidos no golpe do impeachment. Trata-se de tema polêmico, contra o qual invariavelmente se lança a acusação de ser teoria conspiratória. O ceticismo decorre do pouco conhecimento sobre o tema e da dificuldade óbvia de se identificar as ações e seus protagonistas. Imaginam-se cenas de filmes de suspense e de vilões, com todos os protagonistas  orientados por um comitê central.

Obviamente não é assim.

Um golpe sempre é fruto da articulação das forças internas de um país, não necessariamente homogêneas, e, em muito, da maneira como o governo atacado reage. No decorrer do golpe, montam-se alianças temporárias, em torno do objetivo maior de derrubar o governo. Há interesses diversos em jogo, que provocam atritos e se acentuam depois, na divisão do butim.

A participação gringa se dá na consultoria especializada e no know-how da estratégia geral.

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Curvar-se à prepotência dos senhores é decretar a própria morte. A Coreia do Norte aprendeu essa lição

Sugestão de Ricardo Cavalcanti-Schiel

no blog do Alok

A Coreia do Norte, RPDC, conhece as lições brutais da 'mudança de regime' à EUA e não se desarmará

por Neil Clark

Originalmente no Russia Today, traduzido pelo Coletivo Vila Vudu.

Será que a 3ª Guerra Mundial começará essa semana, por causa das ações belicosas de um presidente fanfarrão com corte de cabelo patético e seu sinistro estado bandido belicista armado com bomba atômica? Ou ainda é possível conter Donald Trump e os EUA?

Claro que na mídia ocidental, sempre a favor do que ordene o Departamento de Estado, é a Coreia do Norte e o governante norte-coreano que aparecem pintados como se fossem os doidos da hora. Mas você não precisa carregar tochas pela rua a favor do governo coreano, nem ser membro de carteirinha da Sociedade dos Adoradores de Kim Jong-un para saber que, dessa vez, o governo da Coreia do Norte está agindo muito racionalmente. Porque a história recente ensina que o melhor meio para conter ataques dos EUA e aliados absolutamente não é desarmar-se, fantasiar-se de John Lennon e pôr-se a fazer declarações sobre o quanto você deseja a paz. Nas circunstâncias presentes, doido é quem não souber que é preciso fazer exatamente o oposto.

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Por que a estratégia de Kim Jong-un é implacavelmente racional, por Federico Pieraccini

Foto Agência Brasil

Sugestão de Ricardo Cavalcanti-Schiel

no blog Mberublue

Por que a estratégia de Kim Jong-un é implacavelmente racional

Por Federico Pieraccini

Originalmente em Strategic Culture, tradução de Roberto Pires Silveira.

Para observadores dos dois recentes testes de mísseis intercontinentais pela Coreia do Norte, fica a impressão de que Pyongyang deseja aumentar ainda mais as tensões na região. Porém, uma análise mais cuidadosa mostra que a República Popular Democrática da Coreia está dando curso a uma estratégia que pode vir a ter sucesso para evitar uma desastrosa guerra na península.

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China já tem a alavanca para derrubar o petro-dólar, por Jim Willie C. B.

China já tem a alavanca para derrubar o petro-dólar

Por Jim Willie C. B.

no Russia Insider

Tradução de Ricardo Cavalcanti-Schiel

(os trechos entre colchetes são elucidações do tradutor)

Quando Pequim começar a comprar o petróleo saudita em yuan todo o equilíbrio geopolítico sofrerá uma maciça perturbação tectônica.

O governo chinês está extremamente agastado com a imposição do uso do dólar americano no pagamento de petróleo bruto no mercado global. Mas agora, as autoridades de Pequim finalmente conquistaram poder de influência para estabelecer um significativo acordo de pagamento de petróleo bruto em renmimbi (ou yuan). As negociações avançam há alguns meses, com escassa cobertura da mídia financeira, inclusive dos meios alternativos. Mas para que aconteça pode já não ser mais que uma questão de tempo, e seus efeitos serão de grande alcance e provavelmente devastadores.

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Jurisdições secretas e paraísos fiscais pós-2008, por Bruno Lima Rocha

Jurisdições secretas e paraísos fiscais pós-2008

por Bruno Lima Rocha

Com este texto, em paralelo à difusão do pensamento descolonizado e de base latino-americana, além das análises de conjuntura, abro outra coletânea. Nesta pesquisa de relevo, vamos observar as interseções entre a circulação do capital financeiro, a financeirização dos países, os mecanismos centrais de governança (ou de consentimento para estas operações) e o complexo mundo das offshores e “paraísos fiscais”. A temporalidade desta pesquisa de relevo é no “ocidente” globalizado e no capitalismo avançado pós-2008.

Entre os anos de 2007 e 2008, o capitalismo financeiro quase colapsou a economia do “Ocidente”. A partir de então, ao invés de um esforço de regulação do capital financeiro e redistribuição de riquezas, houve justamente o oposto. O planeta vê um elevado patamar de desigualdade somado com a interdependência financeira e um fluxo constante de evasão de capital, diminuindo em todas as sociedades a capacidade de gerar Bem Estar. Uma das bases estruturantes desta acumulação na forma de obrigações e capital digitalizado é o sistema de bancos privados operando em termos mundiais, e o emprego do artifício de trustes e holdings offshores, através de baixíssima fiscalização nos chamados “paraísos fiscais”. Ao contrário do que é difundindo, estes “paraísos” não estão localizados majoritariamente em pequenas ilhas, e sim diretamente conectados ao centro do capitalismo financeiro. 

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O fim da supremacia militar mundial dos EUA

Sugestão de Ricardo Cavalcanti-Schiel

The Saker: Para EUA, fim das "guerras a preço de ocasião"

Do blog do Alok, originalmente em The Unz Review.

Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu.

Com o golpe dos neoconservadores contra Trump agora já completado (pelo menos no objetivo principal, i.e., com Trump já neutralizado, o objetivo subsidiário, i.e., tirar o presidente da presidência, pode ser adiado para algum momento, não se sabe quando, no futuro), o mundo tem de lidar, mais uma vez, com situação muito perigosa: o Império Anglo-sionista está em rápida decadência, mas os neoconservadores voltaram ao poder. E farão de tudo, qualquer coisa que esteja ao alcance deles, para deter e reverter aquela decadência.

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Mudanças geopolíticas e a memória da guerra em torno da Coreia


Comandante da Frota Americana do Pacífico, Almirante Scott Swift, a bordo do USS Ronald Reagan em Brisbane, Austrália, 25 de julho de 2017 - Foto: Reuters

Enviado por Ricardo Cavalcanti-Schiel

Por Pepe Escobar

Na dúvida, bombardeie a China

Do blog do Alok

*Publicado originalmente em inglês no Asia Times, traduzido pelo Coletivo Vila Vudu

(Sobre os termos gerais do contexto geopolítico, ver: "Nova guerra fria: faz sentido?")

O colapso atual do mundo unipolar, com a emergência inexorável de quadro multipolar, está deixando correr solta uma subtrama aterradora – a normalização da ideia de guerra nuclear. A prova mais recente disso apareceu sob a forma de um almirante dos EUA que diz a quem queira ouvi-lo que está pronto a obedecer ordens do presidente Trump de disparar um míssil nuclear contra a China.

Esqueçam o fato de que guerra nuclear no século 21 que envolva as grandes potências será A Última Guerra. Nosso almirante, almirantemente chamado Swift ["rápido", "veloz"], só está preocupado com minúcias democráticas tipo "todos os membros das forças armadas dos EUA fizeram um juramento de defender a Constituição dos EUA contra todos os inimigos estrangeiros e domésticos e obedecer aos oficiais superiores e ao presidente dos EUA como comandante-em-chefe e chefe de todos nós".

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Parceiros da África, por Daniel Afonso da Silva

Parceiros da África

por Daniel Afonso da Silva

Foram de júbilo aqueles dias de maio de 2013 na África. Adis Abera, na Etiópia, sediava a comemoração dos 50 anos de criação da Organização da Unidade Africana. Uma sede suntuosa fora erguida. Festejos foram organizados. Autoridades políticas e econômicas de todo o mundo estiveram convidadas. Entusiasmo e otimismo emergiam de todas as partes. O continente africano evocava seu novo renascimento.

Ausente notório e notável, o presidente Obama renderia visita à capital baobá em 2015. Na ocasião, ocorreria o lançamento da ambiciosa agenda África 2063. Desses feitos ficou latente que jamais os africanos foram mais confiantes, autônomos e autênticos em seus desígnios. Seu destino mais e mais lhes pertence. Ninguém, dentro e fora da África, o negaceia. E eles o gerem de modo agudamente pragmático, profissional e responsável. A formalização do G20 Africa Partnership, em Hamburgo, no último sábado, 08/07, é mais uma mostra dessa evidência.

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Com a crise brasileira, Argentina passa a protagonizar liderança na América Latina

Macri recebe lideranças internacionais, pelo menos, uma vez ao mês, desde que assumiu; país vizinho está sendo também mais requisitado em encontros internacionais  
 
Mauricio Macri Victor R. Caivano/AP
Maurício Macri Foto: Victor R. Caivano/AP
 
Jornal GGN - A crise institucional e política no Brasil abriu um vácuo de liderança na região latino-americana que começa a ser ocupado pela Argentina. A apuração é da BBC Brasil. Desde que Mauricio Macri assumiu o poder no país vizinho, em dezembro de 2015, recebeu a visita de, pelo menos, uma liderança internacional ao mês incluindo Ângela Merkel, da Alemanha, o então presidente dos Estados Unidos, Barack Obama e do vice-primeiro-ministro Taro Aso. Ao mesmo tempo, a Argentina passou a ser convidada para eventos internacionais que antes não comparecia, como o Fórum Econômico Mundial de Davos.
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Sequestro das nações pelo capital, por Jorge Folena

Ações sociais de "comunistas liberais" como Bill Gates e Bono Vox desviam foco da luta contra agentes que contribuem para perpetuar miséria 
 
Bono Vox, vocalista da U2 em trabalho social Foto: REUTERS/MIKE HUTCHINGS
Foto: REUTERS/MIKE HUTCHINGS
 
Por Jorge Rubem Folena de Oliveira*

O jornalista Andy Robinson, em seu livro “Um repórter na montanha mágica” (Editora Apicuri, 2015), revela de que forma os integrantes do exclusivo clube dos ricos de verdade comandam a política universal, a partir da gelada Davos, e patrocinam a destruição de nações inteiras para alcançar seus objetivos econômicos particulares.

Muito antes que alguns cientistas sociais cunhassem a expressão “tropa de choque dos banqueiros”, ao se referirem ao grupo considerado como classe média, Robinson desvendou como aqueles menos de um por cento da população universal manipulam sem qualquer piedade os outros noventa e nove por cento, inclusive promovendo ações sociais de suposta bondade, que contribuem para aumentar e perpetuar a miséria entre os povos.

Ao falar sobre as mencionadas ações caritativas, patrocinadas por bilionários como Bill Gates e o roqueiro Bono da banda U2, Slavoj Zizek rotulou seus realizadores  de “comunistas liberais”, que manipulam organizações não governamentais (ONGs) “sem fronteiras”, que apregoam trabalhar para combater a fome, doenças, desmatamentos florestais, exploração infantil, abusos contra mulheres etc., em países pobres da África, Ásia e América Latina.

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É primavera no Brasil, por Francisco Teixeira

"Não podíamos imaginar que seria através de tribunais brasileiros que interesses estrangeiros declarariam guerra ao Brasil"

Guerras Híbridas

Por Francisco Teixeira*

Muitos brasileiros tinham esperança, ou ao menos expectativas, na atuação da Justiça. Mesmo sabendo que os tribunais brasileiros são lentos, formais e que se expressam num leguleio que poucos entendem – mesmo assim! – esses brasileiros tinham esperanças. Não podíamos crer, materializar, o dito antigo de que a Justiça no Brasil é feita – e com dureza! – apenas para ladrão de galinhas. “Para os amigos tudo, para os inimigos a Lei!”.  Nem muito menos podíamos imaginar que seria através de tribunais brasileiros que interesses estrangeiros declarariam guerra ao Brasil.

Uma guerra de novo tipo: uma guerra sem guerra, ou seja, uma guerra que usa meios não bélicos para destruir, solapar, aniquilar a capacidade do adversário. Assim, utilizando-se de modernos meios tecnológicos – mídias digitais, propaganda massiva, formação de quadros de elite em universidades estrangerias, sistemas de estágios e bolsas de estudos em centros de treinamentos, etc... arma-se uma elite para atuar a serviço, consciente ou inconscientemente, desse poder estrangeiro.
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Como a CIA influenciou produção cultural na Guerra Fria

Agência de inteligência norte-americana investiu em revistas culturais pelo mundo, angariando artistas europeus de destaque 
 
A estratégia da CIA para infundir ideologia americana através da cultura
 
Jornal GGN - Uma das estratégias norte-americanas na Guerra Fria foi financiar revistas culturais no mundo ocidental. O esquema foi organizado pela Agência Central de Inteligência dos EUA, a CIA, e foi batizado de Congresso pela Liberdade da Cultura (CCF, em inglês) atraindo artistas e intelectuais europeus, na maioria esquerdistas, mas desiludidos com o comunismo de Stalin, na União Soviética, sem saberem que estavam sendo influenciados pela política ideológica dos Estados Unidos.
 
A entidade foi inaugurada em 1950 atraindo nomes como Bertrand Russell, Karl Jaspers, Benedetto Croce e John Dewey. As operações da CCF eram comandadas por Michael Josselson, de Paris. A estratégia foi transformada em escândalo pela revista Ramparts, em 1967, com base em uma denúncia do New York Times. Depois disso o CCF foi rebatizado de Association for Cultural Freedo, passando a ser sustentado pela Fundação Ford. Quem retoma essa instigante história é Sérgio Augusto, no Estado de S.Paulo.
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Análise inicial após a denúncia do PGR tendo Michel Temer como alvo, por Bruno Lima Rocha

Análise inicial após a denúncia do PGR tendo Michel Temer como alvo

por Bruno Lima Rocha

É muito difícil neste momento não cair em redundâncias ou lugar-comum. O imponderável ainda "prepondera" e a capacidade de fornecer munição política através de denúncias jurídicas tem uma dimensão incalculável, ao menos enquanto a composição da equipe da Lava-Jato estiver articulada e tendo Rodrigo Janot à frente. Antes de entrar em predição  das manobras políticas e jurídicas, vamos interpretar de forma sucinta os constrangimentos estruturantes que incidem sobre a realidade brasileira da segunda década do século XXI.

O emprego de Lawfare no Brasil: a variável de controle

Insisto e repito o que falei na 3ª dia 27 de junho em rede estadual de rádio do Rio Grande do Sul para o jornalista Felipe Vieira: Janot e seus colegas do Ministério Público Federal (MPF) operaram e operam os acordos de Cooperação Jurídica Internacional, ressaltando os intercâmbios com a Superpotência (EUA). A capacidade de internalizar interesses externos e a projeção de poder em nosso país - assim como nos países pivôs em sistemas e subsistemas regionais - formam uma meta permanente tanto dos EUA como das potências eurasiáticas (China, Rússia e Índia) assim como potências regionais.

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