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História

A Estrada do Desespero, por Fernando Horta

A Estrada do Desespero, por Fernando Horta

Em 2008 ocorreu a maior crise da história do capitalismo. Só para a economia norte-americana estima-se um prejuízo de vinte e dois trilhões de dólares e mais de três milhões de empregos[1]. O prejuízo no mundo todo é ainda difícil de calcular mas estima-se que seja mais quinze trilhões de dólares[2]. Os estudos científicos falam numa queda de mais de 50% do comércio global[3]. Este efeito foi ainda piorado pela crise do Euro em 2010[4], na desaceleração do consumo chinês[5] e pelo fim o super ciclo das commodities em 2013[6]. Para se ter uma ideia, os principais parceiros comerciais brasileiros são a China, a União Europeia e os EUA (nesta ordem[7]) e todos reduziram seus consumos.

Se o prejuízo material da crise de 2008 supera o da crise de 1929[8], a percepção social não chegou a tanto. Em 29, houve caos social, pânico econômico, suicídios diversos e a geração de uma percepção de que o capitalismo estava errado em essência. Duas ideologias opostas passaram a atacar o capitalismo internacional de forma muito clara: o nazi-fascismo e o socialismo soviético. A força de ambos os discursos vinha da própria realidade econômica, a URSS simplesmente não sofreu abalo algum com os efeitos de 29 e seguiu crescendo a taxas bem altas e a Alemanha, após ter sua economia destroçada entre 29 e 33, conseguiu com Hitler atingir o pleno emprego e retomar o crescimento. As duas fórmulas atacavam a percepção do individualismo e do capitalismo transnacional, mas davam soluções diferentes. Enquanto o modelo nazifascista trabalhava com a ideia central de “pátria” e reafirmava a necessidade de um “capitalismo nacional” o modelo soviético propunha a negação tanto da ideia de nação quando da de capitalismo.

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O espião que vivia no frio, por Daniel Afonso da Silva

O espião que vivia no frio

por Daniel Afonso da Silva

9 de junho de 1985 estava um domingo agradável em Moscou. Adolf e Natasha Tolkachev agendaram jantar com amigos. Desde o dia anterior que eles passavam em sua casa de campo em Doronino. Era mais de meio-dia quando partiram de regresso à capital. Rodaram alguns quilômetros. Dois ou três talvez. Quando foram solicitados parar. Adolf e Natasha Tolkachev eram habituados a essas abordagens. O controle rodoviário era rotineiro nessas estradas de campo soviéticas. Nada de anormal, porquanto, aguardavam. Adolf deixou seu veículo em tranquilidade. Com a mesma calma maneou conversação com os homens de ordem. Natasha seguia seus passos. Sem temor nem excitação. De súbito, suas mãos foram imobilizadas às suas costas. E algemas lhes foram instaladas. Natasha inundou em pânico, desespero e incompreensão. Adolf negaceou os sentimentos e a concretude dos fatos como um bravo mujique afeito ao combate.

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As memórias de Getúlio narradas por sua filha Alzira

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Foto: FGV/CPDOC

Publicado por Celina Vargas Amaral Peixoto

“GETÚLIO VARGAS, MEU PAI” de ALZIRA VARGAS DO AMARAL PEIXOTO, 2017. 

Tanto em 1945, quanto em 1954, tínhamos condições para resistir, mas G. V. não o quis. Em 45 fez exatamente o que sempre aconselhava–me a não fazer; “ Não se cutuca onça com vara curta” Ele cutucou, provocando a própria deposição e proibindo qualquer reação. A 19 de Abril de 45 respondendo a um apelo que lhe era feito para que se candidatasse, ao em vez de apoiar o Gen. Dutra, declarou: “ Pela primeira vez estou diante de um dilema e não sei qual é o meu dever. Se aguento um pouco mais, para vencermos a Paz, pois a guerra já vencemos, reconstitucionalizo o país e o entrego ao meu sucessor, indo aproveitar este restinho de vida, ou se renuncio agora, largo tudo, jogo na cara deles este governo que eles pensam que é tão bom. Estou enojado, mas hesito, porque sei que deixo atrás de mim um rastilho de pólvora”.

O trecho acima faz parte do livro "Getúlio Vargas, meu pai", lançado originalmente em 1960 e que ganha sua segunda edição com memórias e escritos inéditos de Alzira Vargas. Leia mais abaixo:

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Da grandeza histórica e pessoal de Lula, por Eduardo Ramos

 Ricardo Stuckert/ Instituto Lula
Lula recebendo estudantes africanos Foto: Ricardo Stuckert/ Instituto Lula

Por Eduardo Ramos

Este não é um artigo escrito por um fanático, visando mitificar a figura de Luís Inácio Lula da Silva.

É um texto que tenta fazer justiça a Lula, reconhecendo que apesar de suas falhas e erros, alguns graves, o que ele fez supera em muito o que ele não fez. Visa principalmente reconhecer-lhe a grandeza e tentar defender sua "política de conciliação", tão atacada por articulistas, num tempo onde se torna fácil - e covarde, às vezes... - jogar sobre os ombros de Lula uma espécie de "culpa", por não ter enxergado a verdadeira face de nossa direita oligarca raivosa, e tudo o que veio sobre o Brasil nos últimos anos - do julgamento do "mensalão" à lava jato e o golpe de Estado que tirou da presidência Dilma Rousseff.

Não perco tempo discorrendo sobre a história de Lula, todos sabemos sua origem, tudo o que enfrentou até se tornar um operário e logo depois um líder sindical, de onde veio a VISÃO, O SONHO, de um partido dos trabalhadores, algo inédito no país na forma e dimensão que foi realizado. 

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...de um país fraturado, das intolerâncias perversas, do ódio, das tatuagens...

Fuzilamento Picasso 1951

Por Eduardo Ramos

...de um país fraturado, das intolerâncias perversas, do ódio, das tatuagens... . Não somos esse país FRATURADO a partir desses tempos de ódio a Lula, ao PT. Somos fraturados desde nossa RAIZ, há séculos. Negros, índios, favelados, nordestinos, "petralhas", as TATUAGENS em nosso país apenas aumentam com o passar do tempo, com os NOVOS GRUPOS SOCIAIS a serem objeto do NOJO e/ou ÓDIO de nossa sociedade. . Muitos que demonstram espanto com a tatuagem na testa do jovem de 17 anos em São Bernardo do Campo, são na verdade "tatuadores profissionais" desde sempre, apenas não percebem em si mesmos essa característica. . Por isso escrevi outro dia que o FASCISMO não tem a aparência ÓBVIA, grotesca, em todas as suas falas, ações, sentimentos.... Muita gente boa, doce, civilizada, que rejeita esse fascismo MAIS GROSSEIRO, o pratica no "modo light", como um racista do sul dos EUA que por exemplo se sentisse superior ao racista violento, agressivo, por "tratar bem os negros que conheço e ser incapaz de espancar um...." - mas incapaz do mesmo jeito, de DEFENDER O DIREITO DOS NEGROS À IGUALDADE PLENA, incapaz de criticar seus familiares e amigos pela prática do racismo, e praticando ele mesmo o que em seu coração seria apenas "um leve preconceito...." . 

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Che Guevara e o trabalho, por Jota A. Botelho

Che Guevara e o trabalho, por Jota A. Botelho

O belo discurso de Che Guevara, que faltou ao PT pela sua história como partido de esquerda, conclamando a juventude sobre a importância do trabalho fazendo do esforço algo criativo e novo.
     "Trabalhar para aperfeiçoar-se, aumentar os conhecimentos e a compreensão do mundo que nos rodeia, de inquirir e averiguar e conhecer bem o porquê das coisas. De estar sempre abertos para receber as novas experiências (...). E de estar permanentemente preocupados com os nossos próprios atos (...). A juventude tem que criar. Uma juventude que não cria é uma anomalia realmente (...). E pensar todos e cada um como ir mudando a realidade, como ir melhorando-a (...). A exigência é ser essencialmente humano, e ser tão humano que se acerquem ao melhor do humano. Que se purifiquem o melhor do homem através do trabalho, do estudo e do exercício da solidariedade continuada com ele e com todos os povos do mundo (...). De reconstruir o que foi destruído ao fim de tudo isso (...)".
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Que tempos são estes?, por Fernando Horta

Que tempos são estes?, por Fernando Horta

É errado supor que o passado não pode ser modificado. Entre 1945 e 1950, foram feitas pesquisas na França, perguntando a quem os franceses atribuíam a vitória na segunda guerra. A resposta de mais de 70% da população francesa era de que os responsáveis pela vitória sobre os nazistas haviam sido os comunistas, soviéticos e franceses. Após 1960, as mesmas pesquisas revelavam que mais de 68% dos franceses acreditavam que a segunda guerra havia sido ganha pelos norte-americanos.

Este é um caso de reconfiguração do passado. Milhões de dólares despejados num processo de propaganda ideológica reorganizava as memórias de todo um continente, virtualmente apagando o esforço de guerra feito pelos soviéticos em sua luta contra os fascistas. Este processo é tão violento que hoje há ainda quem acredite que a URSS é ameaça para o mundo ocidental. A quem acredite que o comunismo ameaça o Brasil.

Isto nos serve para perceber que as elites sabem muito bem como jogar com a propaganda. Sabem como reconstruir memórias, criar e atacar símbolos. Além dos imensos recursos materiais que os detentores da riqueza mundial têm ao seu dispor, eles entendem este processo de dominação ideológica de forma muito mais apurada do que a esquerda.

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Na ditadura, Lula foi julgado por discurso político a seringueiros

Jacó Bittar e Lula em audiência em Manaus em 1984 devido aos incidentes no Acre quatro anos antes
Jacó Bittar e Lula em audiência em Manaus em 1984 devido aos incidentes no Acre quatro anos antes - Foto: Arquivo
 
Jornal GGN - Em plena ditadura militar brasileira, no dia 9 de abril de 1981, Luiz Inácio Lula da Silva era intimado a participar de uma audiência de um julgamento no qual era acusado de "apologia à vingança", "incitamento à luta armada" e à "luta pela violência entre as classes sociais", em Manaus (AM).
 
Ao lado de nomes como Chico Mendes, seringueiro morto em 1988, Lula foi acusado por um discurso político, juntamente com José Francisco da Silva, então presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura no Acre, João Maia da Silva Filho (delegado da confederação em Brasileia), e Jacó Bittar, então secretário do PT e que hoje tem o filho Fernando Bittar figurando em acusações contra Lula relacionadas ao sítio de Atibaia.
 
Em assembleia do sindicato rural de Brasileia, no Acre, Lula falava a mais de 4 mil seringueiros sobre o momento delicado: uma semana antes, o presidente do Sindicato de Trabalhadores Rurais de Brasileia e presidente da Comissão Municipal do PT, Wilson Pinheiro de Souza, havia sido assassinado com tiros pelas costas, em crime que nunca foi esclarecido.
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Um atentado português, pá!, por Jota A. Botelho

Por Jota A. Botelho


Ilustrações da HQ 'Atentado a Salazar', por Santos Costa.  

No dia 04 de julho de 1937, Salazar foi alvo de um atentado à bomba que rebentou perto de seu carro quando ele saia para assistir uma missa. Missa? Foi um milagre, então, ó Jesus? Ora, ora, pois não foi, pá! Seria trágico se não fosse cômico, ou vice-versa, mas o fato é que os nossos patrícios já não suportavam mais o 'tiraninho' como diria Fernando Pessoa. E foi uma lambança geral nas investigações, que vieram até agentes da Itália de Mussolini. No entanto, antes deste assombroso atentado, houve uma outra tentativa no ano de 1934, onde dois de nossos ferozes patrícios resolveram acabar com a vida de Salazar à bala, isso mesmo: À BALA! Mas com um pequenino porém: um dos gajos tinha as balas, mas não tinha a arma, enquanto que o outro tinha a pistola, mas não tinha as balas. Acredite se quiseres, pá... Ficariam presos durante muitos anos.



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Greve geral, 100 anos depois, por Eduardo Alves Siqueira

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Imagem: Reprodução

Do Outras Palavras

Greve geral, 100 anos depois

Em 1917, quando mulheres e crianças labutavam até 16 horas diárias, irrompeu em São Paulo a primeira grande luta operária brasileira, dirigida por anarquistas. Como começou. Quais suas conquistas e atualidade

Por Eduardo Alves Siqueira Leia mais »

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Lições da Inconfidência, por Iurutaí Puertas


Tiradentes sendo preso no Rio de Janeiro - Foto: Reprodução de pintura de Antônio Parreiras (1914)

Por Iurutaí Puertas

Hoje completam-se 225 anos da execução pública, por enforcamento – e posterior esquartejamento do corpo – do Alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes. Para a maioria dos brasileiros só mais um feriadão, com os engarrafamentos de praxe noticiados pelas Tvs, e a oportunidade de sair da rotina de trabalho/estudo alienados e alienantes. Cabe, contudo, lembrarmo-nos das razões que levaram esta data ao status de Feriado Nacional.

Proclamada a República em 1889, cedo perceberam seus ideólogos a necessidade de um herói nacional que, diferente de um Duque de Caxias, não fosse assim considerado pelos serviços prestados ao Império, mas que representasse a resistência dos brasileiros à monarquia e seus poderes absolutos; mais, que pudesse encarnar a luta pela liberdade e autonomia da nação brasileira. Iniciou-se, então, um longo trabalho de pesquisa histórico-documental que trouxe à luz os autos dos processos da chamada Conjuração Mineira, um movimento no qual juntaram-se a arraia-miúda e alguns representantes das classes dominantes da época para propor um projeto de país que nos livrasse da Coroa Portuguesa e seu processo de exploração colonial. Tal Conjuração teve entre seus membros, padres, pequenos e grandes proprietários de terras, poetas, comerciantes, bacharéis, alguns soldados e alferes,e foi descoberta graças à inconfidência de Joaquim Silvério dos Reis, a partir da qual realizaram-se as primeiras prisões.

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Como o Fundo Nacional Judaico comprou terras na Palestina, por André Araújo

Como o Fundo Nacional Judaico comprou terras na Palestina

por André Araújo

Muito antes da criação do Estado de Israel, quando a Palestina era um mandato britânico, uma aristocrática família do Libano, os Sursock, de origem grega ortodoxa, radicada em Beirut desde 1714, era dona de  42.000 hectares no norte da Palestina, o vale de Jezreef, perto  de Haifa.

Nesse vale os Sursock construíram uma ferrovia que atravessava o vale.

Essa grande área dentro de um território pequeno, a Palestina sob governo britânico, foi vendida ao Fundo Nacional Judaico, uma organização fundada em 1901 com recursos  dos judeus ricos da Europa, com a família Rothschild à frente. O Fundo pagou, em 1906, 750 mil Libras esterlinas, o equivalente atual de 180 milhões de dólares pela área dos Sursock, sendo essa a maior compra de terras palestinas efetuadas por judeus antes da fundação do Estado de Israel, hoje o fundo é o maior proprietário de terras em Israel, com 13% do território israelense.

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Olympio Guilherme, um brasileiro em Hollywood

Olympio Guilherme é um dos personagens mais interessantes e pouco conhecidos da história do Brasil.

Natural de Bragança Paulista, começou no jornalismo com Casper Líbero, em A Gazeta, em São Paulo. Muito bonito, foi a primeira grande paixão de Pagu, a musa dos modernistas.

Ouvi falar pela primeira vez dele através de Oswaldo Russomano, tio da minha primeira esposa. Tato, como era chamado, foi convidado pelo amigo Olympio Guilherme para administrar o Observatório Econômico, revista semanal de grande prestígio, de propriedade de Valentim Bouças, o brasileiro que trouxe a IBM para o Brasil, para imprimir os holleriths do setor público.

Há alguns anos, Antônio Sonsin, também bragantino, começou a levantar a vida de Olympio. Neste domingo à tarde, conversamos longamente sobre seu trabalho.

Sonsin interessou-se por Olympio a partir das conversas com Chico Ciência, historiador em Bragança Paulista. Em 1967, aos 17 anos, musiquei uma peça de Chico, que acabou vetada pela censura da época, resultando em uma passeata de protesto em Campinas e a apresentação da peça nas escadarias da PUC. Sonsin está de posse da peça e ficou de me mandar.

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FHC e a maxidesvalorização de 1999

Comprei, mas não li ainda o terceiro volume das memórias de Fernando Henrique Cardoso na presidência. Fala da maxidesvalorização de janeiro de 1999.

Acompanhei de perto esse episódio, como colunista da Folha e comentarista da Bandeirantes.

No segundo semestre de 1998 já estava nítido que não haveria como manter o congelamento do câmbio.  Gustavo Franco era presidente do Banco Central e se apegava ao congelamento como se fosse um filho dileto, do qual não queria se afastar.

Como narrei no livro "Os Cabeças de Planilha", antes do lançamento do Real, banqueiros estrangeiros foram procurados pelo economista Winston Fritsch com a informação de que o governo pretendia derrubar o preço do dólar e convocando-os a ajudar os economistas do Real que atuavam no mercado a apostar na queda do dólar nos mercados futuros.

Em poucos meses, a apreciação do real comprovou-se desastrosa, destruindo rapidamente o superávit comercial brasileiro.

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Catástrofe em Caraguatatuba completa 50 anos

Nesse sábado (18), completou 50 anos dos deslizamentos que quase soterraram toda uma cidade no litoral norte de São Paulo.
 Foi uma tragédia grande no final dos anos 1960 e que fez o Estado criar a Defesa Civil, antes inexistente.Segue matéria feita por um jornalista local, publicada em seu blog que trata da região. ( http://salimburihan.blogspot.com.br )Grato Tulio Magalhães Por Salim Buriham de Caraguatatuba 18 de março: o dia que o caiçara jamais esquecerá. Deslizamento da serra quase soterrou a cidade.  Há 50 anos, no dia 18 de março de 1967, um sábado, a cidade de Caraguatatuba foi atingida por uma tromba d’água. A chuva insistente que caía sobre a cidade há vários dias, provocou desmoronamento. Pedras, lama, terra, árvores desceram das encostas da serra em direção à cidade. As ruas do centro, se transformaram rios de lama. A água levava tudo que encontrava pela frente: o que restavam das casas soterradas, animais mortos, entre eles, cavalos, vacas, cachorros, galinhas..,e pessoas. Várias pontes que ligavam a cidade aos municípios vizinhos foram levadas pela força das águas que desciam as encostas. A ponte sobre o rio Santo Antônio, a principal da cidade, se deslocou e ficou junto à margem, interrompendo o tráfego de carros e pessoas, Ninguém passava. A Santa Casa foi atingida pela lama. O estádio do XV, destruído pelas pedras e lama que desciam do morro do Jacu. Na região do bairro do Benfica, inúmeras casas ficaram soterradas. Na zona rural pouca coisa sobrou em pé. Acidade ficou sem água, sem energia elétrica, sem telefone, sem acesso pelas estradas e sem comida. O mar em frente a cidade se transformou num mar de lama e de troncos.
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