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A terra dos "doutores", por Carlos Motta

A terra dos "doutores"

por Carlos Motta

A sentença que condena o ex-presidente Lula a 9 anos e meio de prisão é uma peça tão absurda que faz a gente refletir sobre como algumas pessoas atingem posições de relevância na sociedade.

São os nossos "doutores".

O Brasil deve ser o país com mais "doutores" em todo o planeta.

Em toda rua de toda cidade há um "doutor" em alguma função: fisioterapia, odontologia, direito, medicina, ciências sociais...

É tanta sabedoria que chega a dar vergonha a nós, cidadãos ordinários, que escolhemos profissões tão abjetas que nunca, mas nunca mesmo, nos darão a possibilidade de sermos tratados como "doutores".

E os nossos "doutores" são cada vez mais jovens.

O doutor Dallagnol, chefe dos procuradores lava-jatos, por exemplo, tem cara de bebê.

Mesmo o doutor Moro, o juiz implacável que atribuiu para si a responsabilidade de mandar para a cadeia todos os corruptos do país, parece um daqueles meninões de praia que poderiam figurar em novelas de televisão.

Nada contra o fato de eles serem jovens, mas é que certas funções exigem um tanto de experiência de vida que não se encontra nos livros - ou nas apostilas de concurso público. 

Fora a juventude, esses nossos "doutores" têm um traço em comum: a sua sapiência tem a profundidade de uma página de jornal, a fragilidade de uma bolha de sabão.

É uma sabedoria que só engana trouxas, ou seja, a grande massa idiotizada pelos meios de comunicação, pelos "pastores" evangélicos, pelas correntes de whatsapp, pelas postagens das redes sociais.

Qualquer doutor de verdade, ou mesmo uma pessoa medianamente educada e informada, é capaz de reduzir a pó, em minutos, o pernosticismo desses "doutores" de araque.

Só um país onde a educação é tão desleixada e o patrimonialismo tão arraigado é capaz de formar tantos "doutores" como essas estrelas dos nossos jornalões.

Chega a ser inacreditável que alguém como o juiz da tal operação Lava jato seja celebrado do modo que foi nestes últimos anos não só pelos meios de comunicação, que têm claros objetivos ideológicos, mas também por membros da comunidade jurídica.

Um fato como esse me faz lembrar de meu tipo inesquecível, o saudoso sociólogo Antonio Geraldo de Campos Coelho, com quem tive a oportunidade de passar deliciosos momentos na Jundiaí de minha juventude.

Pois bem, o Coelho não admitia ser chamado de "professor". 

Ele se sentia profundamente ofendido se alguém o tratasse por esse título.

E tinha uma explicação perfeitamente lógica para isso:

- Todo mundo é professor, é uma avacalhação. Tem o professor de capoeira, o professor de ioga, o professor de bordado... 

Isso foi há 40 anos. 

Hoje ninguém mais quer ser chamado de professor nesta terra de doutores.

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e tem mais ainda

Seu amigo de Jundiaí teria mais razão ainda para não gostar de ser chamdo de professor nos dias atuais. Árbitros e técnicos de futebol também ganharam o título de Professor.

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WRamos

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Elizabeth Pretel

Sei lá se é falta de

Sei lá se é falta de experiência, hoje em dia parece que isso não conta não. Basta ouvir alguns "experientes", (Ives Gandra, Miguel Reale, Gilmar Dan, digo Mendes, Carmem Lúcia, Rosa Weber, Luis Fux, Roberto Barroso,  Marco Aurélio, Facchini, Dias Toffoli,  etc. etc. etc. Acho que se trata mais de ideologia, o que para a Justiça (com letra maíuscula) é péssimo. Todos esses e muitos outro tem lado. Não conseguem julgar com imparcialidade, fora o mêdo da mídia.  

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maria rodrigues

A Globo tem sido a emrpesa

A Globo tem sido a emrpesa mais responsável por essa visibilidade imprópria de Moro. Imprópria porque ele, antes mesmo de dizer a que veio, na Lava Jato, já estava se sentindo endeusado pela mídia, o que, de certo modo, foi lhe dando um poder que não tinha. 

Comparativamente, foi o sucedido a Joaquim Barosa. Moro e JB sentiram-se grandes demais por abandonarem as letras da lei, fazendo jogo de cena para as televisões, porque um e outro entenderam ir adiante na visibilidade, fazendo o jogo dos jornalistas tão imbecis quanto eles, enquanto mexendo com poíticos e a política, eram e tem sido o de atingir apenas os interesses dos Marinhos.

J.B., tão doentinho, quando sentava e levantava da mesma cadeira, ou pedia outra para enquadrar melhor sua coluna, com caras de gemidos, falando mal e taõ feio quanto Moro, fez do Plenário da TV Justiça um verdadeiro teatro. Nas horas vagas, estaria num estádio de futebol, ou qualquer lugar, ao lado de tiaguinho e a atriz, esposa, de Huck, de Neymar, etc., porque, afinal, a posição dele se confundia entre um juiz e um artista. Foi quando apareceu uma lei dsconhecida, alemã, questinada até pelo autor, que o Cara enfiou Dirceu numa jaula pra dela não sair, e por aí foram as patacoadas do único negro ministro do STF, indicado por Lula, que queria ser justo, etc. 

Feito o estrago com o PT, JB pensou que já era hora de se licenciar e se aposentar, não sem já ter comprao residência em Miami, entre outras mordomias que angariou com o nosso dinheiro, Tão jovem, e hoje sabemos, sem uma doença tão incômoda tal como parecia, já satisfeito pelo estrago que fez na vida de alguns, cruelmente, a sangue frio, está aí pela vida, achando que o céu é perto. Mas, quase que totalmente esquecido. Nem mesmo a Globo lhe dá espaço pra dizer suas besteiras. E o povo que queria tê-lo na Presidência, ou morreu, ou o que morreu foi o desejo, hoje trasnferido para Moro.

É na mesma onda de JB que Moro se encontra. Também com a Globo em unha e carne; também sendo motivo para máscaras de carnaval, broches, e tudo que o faça ser mais lembrado. A Globo o mia todos os dias, como fizera com JB, com Aécio, Temer, e ainda consegue alguma coisa hoje em dia com Gilmar Mendes, apesar dos pesares. 

Moro preparou o terreno pra enfiar Lula num buraco. Vinha rolando essa querela de há muito, não porque lhe faltasse provas cabais pra enquadrar o réu da Globo, mas porque fazia parte da sua estratégia ir, aos poucos, sangrando o ex-Presidente, assim como quem pensasse que ele morria tal como Dona Marisa, antes mesmo de assinar sua sentença. Mas, Lula não é fácil de morrer, nem mesmo após um câncer tão devastador. Pelo contrário: até melhorou, e muito, suas cordas vocais, hoje xe expressando sem mais aquela tosse, e com mais clareza.

O JN levou um dos desembargadores para dizer como será o julgamento de Lula em 2018, e o Homi disse o que os Marinhos queriam ouvir: que antes mesmo das eleições Lula será julgado. Que maravilha! BINGO.

Mas, a vida segue com um dia atrás do outro e uma noite no meio pra atrapalhar. 

Exemplos não nos tem faltado que é de quando menos esperamos que vemos as núvens do céu mudarem de rumo ou mesmo se desfazerem. 

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naldo

Chama qualquer um doutor que

Chama qualquer um doutor que é leso,

 

para mim doutor é quem possui doutorado, o restante deve ser tratado conforme a boa educação. Como ensinou a música: "Senhor juííííííz, pare! agoraaaaaaa"................

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thewhuela

Doutores

Pelo que consta, tanto o juiz  quanto o procurador em questão possuem doutorado, portanto são doutores de fato.

Mas, o fato de ser doutor não isenta niguém de parcialidade/partidarismo, ideologia, etc., nem confere empatia, senso de justiça, imparcialidade ...

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CB

Qualquer idiota com

Qualquer idiota com capacidade de decorar apostilas e ainda por cima tiver pessoas da família ou próximas que possam dar um empurrãozinho entra para a carreira na justiça. Infelizmente eu digo isso porque conheço pessoas que são bacanas, mas não posso dizer que são grande coisa intelectual ou culturalmente e que ingressaram em cargos na justiça. Uma vez eu ouvi um policial conversando sobre filmes de TV e ele simplesmente não entendia o que era dublagem. Ele achava que o ator gringo tinha entrado em cena de seriado cantando "eu quero ovo de codorna pra comer". Deu trabalho até conseguir fazer o cara entender que aquilo foi feito na dublagem para colocar algo que fosse engraçado para nós no lugar da musiquinha que era cantarolada em inglês.

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Eli Santos Araujo

Nesta terra de "dotô"

Nesta terra de "dotô"  

https://www.youtube.com/watch?v=-VlkDPozZbk  

 

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MORO/GLOBO INTIMIDADOS POR LULA: “LEÃO” DE CURITIBA... MIOU!

MORO/GLOBO INTIMIDADOS POR LULA: “LEÃO” DE CURITIBA... MIOU! – DE NOVO!

Por Romulus

Muitos leitores vieram me perguntar o que eu achei da condenação de Lula por Sergio Moro ontem. Queriam saber “quando eu ia publicar um artigo sobre isso”.

Confesso que, assim que saiu a notícia, além de postagem sumária nas redes sociais, não pretendia escrever sobre isso não.

E por quê?

Ora, porque essa “notícia” foi uma...

- ... NÃO-notícia!

Pior: foi uma não-notícia visando, justamente, a virar a pauta do noticiário em relação a notícias de verdade.

Ia lá eu fazer o jogo da Globo/ Moro e ajudar a pauta fake a subir?

Tratando dela especificamente?

Não...

Nada disso!

Não que o (não) acontecimento seja irrelevante...

Não é bem isso...

A questão é a minha “pegada” como analista...

Como os leitores já sabem, pensando ~estrategicamente~, meu foco costuma ser muito mais no ~subtexto~ do que nos textos disparados pelos diversos atores do jogo político.

E em “atores do jogo político” entram, evidentemente, a Globo e Sergio Moro.

Muito mais importante do que a condenação de Lula por Moro - per se - são:

 

(i) a sua timidez!;

(ii) o timing;

(iii) as limitações técnicas; e

(iv) os movimentos casados da Globo para tentar pautar os seus desdobramentos.

 

Passemos, pois, à análise desse subtexto.
 

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