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Trump em duzentos anos de história, por André Araújo

 
Trump em duzentos anos de história
 
por André Araújo
 
 Em 1817, duzentos anos atrás, o General argentino San Martin atravessou os Andes (em 19 de janeiro) para libertar o Chile do jugo espanhol. Parece que foi há milênios, mas duzentos anos é pouquíssimo tempo. Eu mesmo ja vivi mais de um terço desse período, quem passou dos cem anos atravessou metade dessa era histórica que revolucionou a humanidade, duzentos anos é pouco tempo na História.
 
Nesses duzentos anos o mundo mudou completamente. Há duzentos anos não existiam os países hoje conhecidos como Itália e Alemanha, o Japão estava trancado em uma letargia feudal, a África Negra era conhecida apenas como fornecedora de escravos, no Brasil Colônia o tráfico negreiro era o principal negócio da economia, os EUA eram um país inexpressivo e sem importância, a França ressurgia da Revolução apagada pela Restauração Bourbon com Luis XVIII reinando em Versailles ainda como monarca absolutista.
 
Donald Trump é um ponto fora da curva da normalidade, como foram Napoleão, um italiano puro que virou Imperador da França e Hitler, um vagabundo austríaco que dormia nos bancos de jardim de Viena e chegou ao ápice do poder no maior país da Europa ocidental.
 
Trump é também um ponto fora da curva, não faz parte do establishment politico ou empresarial, não tem cultura, refinamento, experiência ou inteligência política, vai causar muita confusão antes de ser derrubado por afronta à Constituição que ele parece desconhecer e faz questão de não respeitar.
 
Um dos poucos dispositivos pétreos da pequena Constituição americana diz que o Estado  não pode, em momento algum, invocar a religião como causa de atos de Governo. Trump, assessorado por sicofantas, áulicos e cortesãos, sem consultar o Departamento de Estado, emitiu decreto onde a expressão "muçulmano" é textual.
 
Poderia ter feito o mesmo decreto sem usar a palavra, que se refere a uma religião. Ao citá-la tornou o decreto inconstitucional, não se pode basear nada em religião em um ato oficial.
 
É possível que Trum,p a partir dessa primeira derrota frente às instituições, não se corrija.
 
Se, por exemplo, der uma ordem inconstitucional aos militares, esta não será cumprida e seu governo acaba, ele terá que sair, é uma possibilidade para consertar esse engano político.
 
Os Estados Unidos sobreviveram em 241 anos de existência atravessando períodos turbulentos como a Guerra Civil, duas guerras mundiais, guerras regionais perigosas como a hispano americana, a da Coréia, a do Vietnam, a segunda guerra do Iraque. Presidentes medíocres como Harding, Coolidge, Carter,  uma grave crise de governança com a doença do Presidente Wilson, onde sua esposa é que regia a Presidência, a crise dos assassinatos de Lincoln e de Kennedy. Os EUA tem uma estrutura institucional sólida que agora será posta à prova com a Presidência Trump, um extraordinário erro de escolha da sociedade e do sistema político americano, que todavia não é imune a erros e, quando erra, o erro é monumental, afetando o País e o mundo onde os EUA projetam poder.
 
Trump, todavia, existe por uma razão concreta. A globalização trouxe benefícios a uma camada social dos EUA e imensos prejuízos a outra camada, ao contrário do que pregava o Consenso de Washington, a globalização é um processo desequilibrado e pouco eficiente.
 
A globalização beneficiou essencialmente o mercado financeiro e as grandes corporações multinacionais e prejudicou o resto, as empresas médias e pequenas, os empregados destas que são milhões, prejudicou os não muito brilhantes que são a imensa maioria das populações de qualquer País, o mundo não é habitado por gênios ou estrelas profissionais.
 
A globalização de capitais e de mercadorias não se transformou em globalização de prosperidade, em melhoria do nível de vida de bilhões de despossuídos, trouxe benefícios desiguais para ilhas de atividades modernas, mas arruinou número maior pelo mundo..
 
Os EUA dos anos 50 e 60, pré-globalização, era uma sociedade muito equilibrada, havia os muito ricos como os Rockefeller, os Mellon, os Guggenheim, os Duke, os Astor, os Harriman, os Huntington, os Vanderbilt, os Frick, os Ford, os McCormick mas ao mesmo tempo o operário americano tinha excelente nível de vida, com casa própria, carro e a mulher em casa, a esposa não precisva trabalhar porque seu salário era suficiente para um nível de vida de classe média, um padrão de vida invejado em todo o planeta.
 
A globalização acabou com esse mundo, que durou de 1945 a 1980, hoje a lista de bilionários da Forbes tem 49 desconhecidos que administram fundos "hedge", especuladores puros que ganharam fortunas sem produzir um parafuso, o maior deles é George Soros.
 
Esses são os aproveitadores da globalização, um processo que desequilibrou a sociedade americana por completo e a eleição de Trump é o resultado desse desequilíbrio.
 
Um exemplo: conheço um senhor que foi executivo de grande empresa industrial, fez vários cursos de aperfeiçoamento, ganhava bem, casa própria, dois carros. A empresa foi vendida para um grupo financeiro, depois retalhada e fechada, ele foi despedido, mais de 50 anos, impossível arrumar novo emprego, hoje sobrevive fritando hamburgueres em um restaurante, a esposa que antes nunca tinha trabalhado agora é atendente em um supermercado. É o fim do "American dream", essa faixa pega metade da população americana. Na Nova Inglaterra e Nova Iorque há outra realidade, os empregos estão nas grandes universidades e centros de pesquisa e no mercado financeiro, enorme em Boston e Nova York. Na Califórnia a base do emprego é a industria do entretenimento, do turismo, da alta tecnologia, foi beneficiada pela globalização. O sonho americano desabou foi no centrão industrial do Meio Oeste.
 
Trump é o resultado do fim do sonho mas não é a solução para revivê-lo.
 
Trump é o tumor que supurou e veio à tona, ele pode fracassar mas as causas que o elegeram continuam latentes e serão de difícil solução. O mundo abriu lugar na mesa para países antes miseráveis como China e India e estas populações absorveram parte da comida servida no jantar, às custas dos comensais antigos que antes jantavam sozinhos.
 
Trump é notavelmente despreparado para governar, emitiu um decreto executivo redigido por conselheiros sem experiência de governo e sem conhecimento jurídico, onde introduziram na linguagem a expressão "muçulmano", quando a Constituição americana veda peremptoriamente o uso de conceito de religião em qualquer ato legal. Poderia ter pedido assessoria do Departamento de Justiça ou do Departamento de Estado e não fez, preferiu usar marqueteiros para redigir a ordem executiva, abrindo o flanco para ela ser fulminada na Justiça, que Trump tambem se encarregou de ofender com o epítetto de "ridícula".
 
Além do erro formal, Trump se submete a imensos desgastes para causas menores, irrelevantes para os grandes problemas econômicos e sociais dos EUA. O muro do México e a barragem a naturais de sete países árabes são alvos sem qualquer valor estratégico real, a imigração do Mexico está em declínio há quatro anos e os viajantes árabes com visto válido e green cards são exatamente os amigos dos EUA, para um iraquiano ter visto americano é porque passou por todas as investigações imagináveis e provavelemente prestou serviços ao Exército americano de ocupação, barrá-lo é uma humilhação e uma ingratidão indesculpável.
 
Artigo de capa da principal revista de poder do mundo THE ECONOMIST reverbera o desastre atual e potencial de Trump e chama a atenção para o papel do Brasil, que pode liderar uma América Latina agora hostilizada por Trump através da agressão humilhante ao México. Em artigo anterior O ESTADO NACIONAL ONDE ESTÁ? chamei a atenção para a necessidade do Brasil se projetar como potência regional, em um contexto onde THE ECONOMIST vê o rápido enfraquecimento da liderança americana em todo o mundo pelo isolacionismo de Trump, abrindo espaços para novos líderes mundiais. Resta saber se o Brasil, tendo peso geográfico, demográfico e estratégico tem vontade de ser líder de qualquer coisa, aparentemente faltam as elites para esse papel internacional.
 
Trump só é surpresa para quem acha que o mundo é um processo organizado e que a História tem uma lógica evolutiva estabelecida. Nenhuma dessas realidade é presente, o mundo é um caos e a História é anárquica sempre. Trumps surgiram em muitos países, governantes do acaso eleitos por um jogo aleatório como uma roleta russa.
 
Os talentos para alguém ser eleito não tem relação com a capacidade para governar, capacidade intelectual e emocional. Normalmente administar entes públicos é muito diferente do que administrar negócios privados e é raro o empresário sem experiência em política que dá certo na política, uma arte bem específica e que não se confunde com gerir uma empresa.
 
Trump é um acidente da História, como tantos, cada país e região vai reagir de alguma forma, se é possivel ver alguma utilidade em Trump será a de desarrurmar um pouco a globalização financeira e comercial que está sufocando o mundo, jogar água fria nos movimentos politicamente corretos que estão infernizando o planeta, desarranjar uma sufocante burocracia que esta paralisando o crescimento mundial e as liberdades individuais e empresariais, ONGS, acordos de cooperação judiciária e policial, compliances sem fim e sem lógica, a burocracia multilateral que fez o Reino Unido sair da União Europeia e atrapalha empresas e cidadãos sem incomodar minimamente traficantes, criminosos e terroristas. Trump é uma espécie de inseticida que vai colocar pânico no formigueiro até ser parado ou esgotar sua energia, um acidente histórico como tantos que a História registrou.
 
 
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Rui Ribeiro

Para o André, o problema é a globalização, não o capitalismo

André, não sei se por ignorância ou se por má-fé, em virtude do seu interesse na eternização desse modo de produção capitalista, você não afirma que o problema da proletarização da classe média é culpa do capitalismo e não da globalização.

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Como assim ?

O capitalismo sempre existiu  e a classe média estava sempre em posição confortável., tinha um bom padeæo de vida COM o capitalismo. Aí veio a globalizaççæo, que empobreceu a classe média. O artigo de AAA é super lúcido, inteligente e coerente.

Seu voto: Nenhum

Trump Verdades e Mentiras

Trump: capitalismo nacionalista, uma alternativa à globalização?por James Petras

Capa da 'Der Spiegel'.No seu discurso de posse Donald Trump, clara e vigorosamente delineou as estratégias político-económicas que prosseguirá nos próximos quatro anos. Mas jornalistas, editorialistas, acadêmicos e especialistas anti-Trump que aparecem noFinancial Times, New York Times, Washington Post Wall Street Journal têm repetidamente distorcido e mentido sobre o seu programa, bem como sobre a sua crítica às políticas do passado. 

Começamos por discutir seriamente a crítica do Presidente Trump à economia-política contemporânea e prosseguiremos na elaboração das suas alternativas e das suas fraquezas. 

Críticas de Trump à classe dominante 

A peça central da crítica do Trump à elite governante atual é o impacto negativo das políticas de globalização nos desequilíbrios dos EUA na produção, no comércio, na fiscalidade e no mercado de trabalho. Como exemplo dos efeitos negativos da globalização, Trump menciona o facto de que o capitalismo industrial dos EUA mudou drasticamente o centro dos seus investimentos, inovações e lucros para o exterior. Durante duas décadas muitos políticos e gurus têm lamentado a perda de postos de trabalho bem remunerados e estáveis em indústrias locais como parte de sua retórica de campanha ou em reuniões públicas, mas não tomaram qualquer ação eficaz contra estes aspectos mais negativos da globalização. Trump denunciou-os como "só conversa e nenhuma ação" enquanto prometia acabar com os discursos vazios e implementar mudanças importantes. 

Trump criticou os importadores que trazem produtos baratos de fabricantes estrangeiros para o mercado americano, destruindo empresas e postos de trabalho nos EUA. A sua estratégia económica de priorizar as indústrias dos EUA é uma crítica implícita ao desvio do capital produtivo para o capital financeiro e especulativo ocorrido sob as quatro administrações anteriores. No seu discurso inaugural, o ataque às elites que trocaram a "cintura da ferrugem" ("rust belt") pela Wall Street alia-se à sua promessa à classe trabalhadora: "Ouvi estas palavras! Vocês não serão ignorados novamente". Com palavras suas, Trump retrata a classe dominante "como porcos na gamela" (Financial Times, 23/01/2017, p. 11) 

Crítica política-económica de Trump 

Trump dá relevo a negociações quanto a mercados com parceiros estrangeiros e adversários. Repetidamente criticou a insensata promoção pelos media e por políticos, dos mercados livres e do militarismo agressivo que minam a capacidade do país para negociar contratos rentáveis. 

A política de imigração de Trump está intimamente relacionada com a sua estratégia: "América primeiro" para a política de trabalho. Entradas maciças de imigrantes têm sido utilizadas para minar os salários, direitos laborais e emprego estável dos trabalhadores dos Estados Unidos. Isto foi documentado pela primeira vez na indústria de embalagem de alimentos, seguida das indústrias têxteis, construção e aviários. A proposta do Trump é limitar a imigração para permitir que os trabalhadores dos EUA mudem o equilíbrio de poder entre capital e trabalho e fortaleçam o poder do trabalho organizado para negociar salários, condições e benefícios. A crítica de Trump sobre a imigração massiva é baseada no facto de que estavam disponíveis empregos para trabalhadores norte-americanos qualificados naqueles mesmos sectores se os salários e condições de trabalho fossem melhorados permitindo padrões de vida dignos e estáveis para suas famílias. 

Crítica política do presidente Trump 

Trump assinala os acordos de comércio, que têm ocasionado enormes défices, e conclui que os negociadores americanos falharam. Argumenta que anteriores presidentes dos Estados Unidos assinaram acordos multilaterais, para assegurar alianças militares e bases, em detrimento da negociação de pactos económicos de criação de emprego. A sua presidência promete mudar a equação: quer rasgar ou renegociar tratados económicos desfavoráveis, reduzir compromissos militares ultramarinos dos EUA e pede que os aliados da NATO suportem mais encargos nos seus orçamentos de defesa. Imediatamente após a investidura no cargo, Trump cancelou a parceria Transpacífica (TPP) e convocou uma reunião com o Canadá e México para renegociar o NAFTA. 

A agenda de Trump tem dado relevo a planos para projetos de infraestruturas no valor de 100 mil milhões de dólares, incluindo a construção de controversas condutas de petróleo e gás do Canadá para os EUA. É claro que essas condutas violam tratados existentes com os povos indígenas e são uma ameaça de degradação ecológica. No entanto, ao priorizar o uso de materiais de construção americanos e insistir na contratação apenas de trabalhadores dos EUA, as suas controversas políticas formarão a base para desenvolver empregos bem pagos para cidadãos dos EUA. 

A ênfase em investimentos e empregos nos EUA é uma ruptura total com a anterior Administração, com o Presidente Obama focado em empreender múltiplas guerras no Médio Oriente, aumentando a dívida pública e o défice da balança comercial. 

No seu discurso inaugural Trump emitiu uma severa promessa: "a carnificina americana vai parar agora e termina aqui!". Isto repercutiu-se num grande sector da classe trabalhadora e foi falado perante uma assembleia dos principais arquitetos de quatro décadas de globalização destruidora de empregos. "Carnificina" carregava um duplo significado: "carnificina" generalizada em consequência das políticas de Obama e de outras administrações na destruição de postos de trabalho no país, que resultaram em decadência e falência de pequenas cidades rurais e comunidades urbanas. 

Esta carnificina interna é a outra face das intermináveis políticas de guerra no exterior, espalhando carnificina em três continentes. As lideranças políticas dos últimos quinze anos disseminaram uma carnificina no país, permitindo uma epidemia de dependência de drogas (principalmente relacionada com a prescrição descontrolada de opiáceos sintéticos) matando centenas de milhares de norte-americanos, na maior parte jovens, e destruindo as vidas de milhões. 

Trump prometeu acabar com esta "carnificina" de vidas desperdiçadas. Infelizmente, ele não controla as grandes farmacêuticas ('Big Pharma') e a comunidade médica responsável pelo seu papel na difusão da toxicodependência nos recantos mais profundos do espaço rural dos EUA, economicamente devastados. Trump criticou os anteriores eleitos por autorizarem enormes subsídios militares a "aliados" ao mesmo tempo deixando claro que sua crítica não incluía as políticas de compras militares nos EUA e não iria contradizer a sua promessa de "reforçar velhas alianças" (NATO). 

Verdades e mentiras: jornalistas lixo e militaristas de poltrona 

Entre os exemplos mais escandalosos da histeria mediática sobre a nova economia de Trump é a série sistemática e mordaz de produções virais concebidas para obscurecer a triste realidade nacional que Trump prometeu tratar. Vamos discutir e comparar os relatos publicados pelos "jornalistas lixo" (JLs) e apresentar uma versão mais precisa da situação. 

Os respeitáveis jornalistas lixo do Financial Times clamam que Trump quer "destruir o comércio mundial". Na verdade, Trump repetidamente declarou sua intenção de aumentar o comércio internacional. O que propõe é aumentar o comércio mundial dos EUA a partir do interior, em vez de o fazer a partir de outros países. Ele pretende renegociar os termos dos acordos multilaterais e bilaterais de comércio para garantir maior reciprocidade com parceiros comerciais. Sob Obama, os EUA foram mais agressivos na imposição de tarifas de comércio que qualquer outro país da OCDE. 

Os jornalistas lixo qualificam Trump como "protecionista", confundindo as suas políticas para reindustrializar a economia com a autarcia. Trump irá promover as exportações e importações, manter uma economia aberta e ao mesmo tempo aumentar o papel dos EUA como um produtor e exportador. Os EUA tornar-se-ão mais seletivos nas suas importações. Trump vai favorecer o crescimento dos exportadores e aumentar as importações de bens primários e tecnologia avançada, reduzindo a importação de automóveis, aço e produtos de consumo familiar. 

A oposição de Trump à globalização tem-se chocado com os jornalistas lixo do Washington Post como uma grave ameaça para a "ordem económica pós-Segunda Guerra Mundial". Na verdade, grandes mudanças já se processaram tornando obsoleta a velha ordem e tentativas para mantê-la levaram a crises, a guerras e mais decadência. Trump reconheceu a natureza obsoleta da velha ordem económica e decidiu que a mudança é necessária. 

A velha ordem económica obsoleta e a duvidosa Nova Economia 

No final da Segunda Guerra Mundial, na maioria dos países da Europa Ocidental e Japão recorreu-se a políticas monetárias e industriais altamente restritivas, "protecionistas", para reconstruir as suas economias. Somente após um prolongado período de recuperação Alemanha e Japão cuidadosa e seletivamente liberalizaram as suas economias. 

Nas últimas décadas, a Rússia foi drasticamente transformada de uma poderosa economia coletivista numa oligarquia capitalista subordinada e gangster, mais recentemente reconstituída para uma economia mista e um Estado centralizado forte. A China transformou-se de uma economia coletivista, isolada do comércio mundial, na segunda economia mais poderosa do mundo, desalojando os EUA de maior parceiro comercial na América Latina e na Ásia. Os EUA, que antes controlavam 50% do comércio mundial, agora têm uma parte inferior a 20%. Este declínio é em parte devido ao desmantelamento da sua economia industrial quando os donos das empresas mudaram as fábricas para o exterior. 

Apesar das transformações na ordem mundial, os últimos presidentes dos EUA falharam em reconhecer a necessidade de reorganizar a economia política americana. Em vez de reconhecer, aceitar e adaptar-se às mudanças nas relações de poder e de mercado, procuraram intensificar os anteriores padrões de domínio através da guerra, intervenção militar, sangrentas e destrutivas "mudanças de regime" – devastando mercados ao invés de os criar para produtos dos EUA. Em vez de reconhecer o imenso poder económico da China e procurar renegociar acordos de comércio e cooperação, eles têm estupidamente excluído a China de pactos de comércio regional e internacional, ao ponto de cruelmente ameaçar os seus parceiros comerciais asiáticos subalternos e lançar uma política de cerco militar e provocação nos mares do Sul da China. Enquanto Trump reconhece estas alterações e a necessidade de renegociar os laços económicos, os designados para a sua Administração procuram ampliar as políticas de confronto militar de Obama. 

Cartoon de Ben Garrison.As anteriores Administrações em Washington ignoraram o ressurgimento da Rússia, a sua recuperação e crescimento como potência regional e mundial. Quando a realidade finalmente se enraizou, as anteriores administrações dos EUA aumentaram a sua ingerência nos antigos aliados da União Soviética, estabeleceram bases militares e exercícios de guerra nas fronteiras da Rússia. Em vez de aprofundar o comércio e o investimento na Rússia, Washington gastou milhares de milhões em sanções e gastos militares – designadamente fomentando o violento regime golpista da Ucrânia. As políticas de Obama que promoveram a violenta tomada do poder na Ucrânia, Síria e Líbia foram motivados pelo desejo de derrubar governos amigos da Rússia – devastando esses países e, finalmente, fortalecendo a vontade da Rússia em consolidar e defender as suas fronteiras e formar novas alianças estratégicas. 

No início de sua campanha, Trump reconheceu as novas realidades do mundo e propôs-se a alterar a substância, os símbolos, a retórica e as relações com adversários e aliados – adequadas a uma nova economia. 

Em primeiro lugar e acima de tudo, Trump olhou para as desastrosas guerras no Médio Oriente e reconheceu os limites do poder militar dos EUA: os EUA não poderiam envolver-se em múltiplos confrontos, guerras nunca terminadas de conquista e ocupação no Médio Oriente, Norte de África e Ásia sem suportar maiores custos internos. 

Em segundo lugar, Trump reconheceu que a Rússia não era uma ameaça militar estratégica para os Estados Unidos. Além disso, o governo russo sob Vladimir Putin estava disposto a cooperar com os EUA para derrotar um inimigo mútuo – ISIS e suas redes terroristas. A Rússia também estava ansiosa por voltar a abrir os seus mercados aos investidores dos Estados Unidos, que também estavam ansiosos para voltar depois de anos de sanções impostas por Obama-Clinton-Kerry. Trump, realista, propõe-se acabar com as sanções e restaurar relações de mercado favoráveis. 

Em terceiro lugar, é evidente para Trump que as guerras dos EUA no Médio Oriente impõem enormes custos com benefícios mínimos para a economia dos EUA. Ele quer aumentar as relações de mercado com os poderes económicos e militares regionais, como a Turquia, Israel e as monarquias do Golfo. Trump não está interessado na Palestina, Iémen, Síria ou os curdos – que não oferecem oportunidades de investimento e comércio. Ele ignora o enorme poder económico e militar regional do Irão, contudo propôs-se renegociar o recente acordo feito entre seis países e o Irão a fim de melhorar o lado americano na disputa A sua campanha retórica hostil contra Teerão pode ter sido concebida para aplacar Israel e a poderosa quinta coluna do "Israel-Firsters" nos EUA. Isto certamente entra em conflito com as suas declarações "América primeiro". Veremos se Donald Trump irá continuar a manter o "show" de submissão ao projeto sionista expansão de Israel ao mesmo tempo que procura incluir o Irão como parte da sua agenda de mercado regional. 

O jornalismo lixo afirma que Trump adotou uma nova postura belicosa para com a China e ameaça lançar uma "agenda protecionista" que, em última análise, vai empurrar os países do Pacífico para mais perto de Pequim. Pelo contrário, Trump aparece com a intenção de renegociar e aumentar o comércio através de acordos bilaterais. 

Trump irá mais provavelmente manter, mas não expandir, o cerco militar de Obama às fronteiras marítimas da China, que ameaça as suas rotas marítimas vitais. No entanto, ao contrário de Obama, Trump vai renegociar as relações económicas e de comércio com Pequim – vendo a China como uma grande potência económica e não como uma nação em desenvolvimento com intenção de proteger suas indústrias nascentes. O realismo de Trump irá refletir a nova ordem económica: a China é um poder económico amadurecido, altamente competitivo, um poder económico mundial que tem estado a sobrepor-se aos EUA, em parte mantendo os seus próprios subsídios e incentivos estatais da sua anterior fase económica. Isto conduziu a desequilíbrios significativos. Trump, realista, reconhece que a China oferece grandes oportunidades para o comércio e o investimento se os EUA puderem garantir acordos recíprocos, que levem a uma balança comercial mais favorável. 

Trump não quer lançar-se numa "guerra comercial" com a China, mas precisa restaurar os EUA como uma grande nação "exportadora" a fim de implementar a sua agenda económica nacional. As negociações com a China serão muito difíceis porque a elite importadora dos EUA está contra a agenda de Trump e do lado da classe dirigente de Pequim decididamente orientada para a exportação. 

Além disto, como a elite bancária de Wall Street está a discutir com Pequim a entrada nos mercados financeiros da China, o sector financeiro norte-americano é um aliado instável e pouco disposto às políticas pro-indústria de Trump. 

Conclusão 

Trump não é um "protecionista", nem se opõe ao "livre comércio". As acusações dos jornalistas lixo são infundadas. Trump não se opõe a políticas económicas imperialistas dos Estados Unidos no exterior. No entanto, é um realista de mercado que reconhece que a conquista militar é dispendiosa e, no contexto do mundo contemporâneo, uma proposta economicamente perdedora para os EUA. Reconhece que os EUA devem virar a página duma finança predominante e uma economia importadora para uma economia produtora e exportadora. 

Trump vê a Rússia como um potencial parceiro económico e aliado militar para acabar com as guerras na Síria, Iraque, Afeganistão e Ucrânia e especialmente para derrotar a ameaça terrorista do ISIS. Ele vê a China como um concorrente económico poderoso que tem aproveitando privilégios comerciais desatualizados, e quer renegociar pactos de comércio em consonância com o atual equilíbrio do poder económico. 

Trump é um capitalista-nacionalista, imperialista de mercado e político realista que está disposto a pisar os direitos das mulheres, legislação de mudança climática, tratados indígenas e direitos de imigrantes. As nomeações para o seu governo e os seus colegas Republicanos no Congresso são motivadas por uma ideologia militarista mais perto da doutrina Obama-Clinton do que a sua agenda "América primeiro". Ele está cercado na sua Administração por militares imperialistas, expansionistas territoriais e fanáticos delirantes. 

Quem vai ganhar a curto ou longo prazo está para ser visto. O que está claro é que os liberais, os falcões do Partido Democrata e os defensores dos bandidos fascistas de rua de camisas pretas, estarão ao lado dos imperialistas estarão ao lado dos imperialistas e encontrarão uma multidão de aliados entre em torno do regime T

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Quase sempre lúcido

Mas ainda influenciável pela maciça e incessante propaganda.

Inicia o artigo comparando TRUMP a Napoleão e Hitler.
Precisa dizer mais?
Justamente o candidato que prega a PAZ com a Rússia ao invés dá outra que pregava a guerra.
Qual a lógica da comparação?
Nenhuma pois é fruto da propaganda!

Depois cai na ladainha de que TRUMP é defensor dos pobres. Só pode ser piada.
Essa ainda vai porque foi mesmo a mola indutora de sua candidatura.

Só faltou dizer o VERDADEIRO motivo dá eleição de TRUMP.

O VERDADEIRO motivo é a tecnologia russa que fez com que 10 de 11 porta aviões dos EUA estejam no estaleiro AGORA MESMO! O único em ação está no mar do sul da China bem longe dos aviões russos que aparentemente tem o "poder" sobrenatural de desabilitar os MOTORES destas naus.
Há um artigo de Paul Craig Roberts sobre este assunto se alguém se interessar.

O verdadeiro motivo da eleição de TRUMP foi a percepção de que não poderiam vencer uma guerra com os russos como o PLANEJADO trinta anos atrás.
Só isso e NADA mais!

Isso fez com que toda a política de LONGO prazo fosse reavaliada.
Se não podem "fechar" o sistema por guerra agora, o que mais podem fazer?
O de sempre, dividir para conquistar.
O plano atual consiste em vender TRUMP como não alinhado para seduzir a Rússia a deixar seu alinhamento com China e Irã.
Irã a bola dá vez, o mais fraco é sempre o eleito.
Mas Putin não vai cair nesta!
E a China, que acabou de fazer sua revolução interna prendendo todos os dirigentes do governo anterior, que estava comprometido, muito menos.

A cortina caiu e não combatem mais Governos. Aqueles por trás dos governos já foram identificados.

Bildenberg é a chave! Poucos anos atrás quem falava este nome era chamado de maluco seguidor de teorias de conspirações....
Mas em 2012 resolveram sair do armário e confirmar que existiam mesmo e são do bem e além disso é tudo normal.
Hiper normal presidentes de países irem lá prestar contas...
Observe a agenda deste grupo nas décadas de 50....

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Não há nenhuma comparação de

Não há nenhuma comparação de Trump com Napoleão e Hitler. Estes foram citados como exemplos de pontos fora da curva  porque foram governantes inesperados e fora do modelo historicamente previsivel.

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André W.

Se o Trump se olhasse no

Se o Trump se olhasse no espelho e visse um presidente, poderia ser mil vezes melhor do que a Hillary "mais do mesmo" "corna mansa" seria. Por enquanto só está usando a mídia para algo que foi o cavalo de batalha de campanha, criação de empregos nos EUA. Mas a máscara de estelionatário está grudada demais na cara dele.

Mau ou bem, os presidentes republicanos sempre deixaram o Brasil quieto, porque o negócio deles é Europa, Oriente Médio, Asia.

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jose antonio santosjj

vamos dar corda

Para o caso do Trump vamos dar bastante corda e depois enforca-lo.

Pelo o andar da carruagem vai ser mais rapido do que eu pensava.

Trump, the worst president, EVER!

Trump, total disaster! 

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André W.

Em época de pós-verdades, os

Em época de pós-verdades, os pós-sucessos também são válidos. Essa estupidez de barrar os muçulmanos não precisa ser efetiva, já gerou atrito e mídia, tudo que o Trump queria quando candidato e que continua querendo (cegamente) enquanto "líder mundial"...

Ele ainda vai distribuir cartão para empresários como CEO de empresas duvidosas, em cerimônias da presidência. Porquê mudar se vem dando certo?   

O Brasil vai liderar o quê se ainda estamos na fase de desmontar o lego? Ainda se perderão muitos legos espalhados, ou pior, o brinquedo vai mudar de dono e de nome.

Obs. qual a diferença do Trump para o Bolsonaro e para o Dória? Eu respondo: nenhuma.

 

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Rafael Soares

Criança mimada

Trump mais parece uma criança mimada. Cedo ou tarde ele perceberá que não pode tudo com o novo brinquedinho e renunciará.

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André élebê

  André, meus mais efusivos

  André, meus mais efusivos parabéns! Seu texto é magnífico.

  Quanto ao vazio deixado na liderança da AL, nós PODÍAMOS ocupá-lo se tivéssemos na liderança... bem, uma liderança. Temos hoje um bando de trombadões, mais preocupados em vender o país e ganhar comissão.

  Em outro sentido para além da noção esquerda-direita, Lula e Dilma (em relação aos quais, respectivamente, tenho poucas e muitíssimas críticas) fizeram governos de cunho nacionalista, procurando reforçar nosso parque industrial E desempenhando liderança externa. Com Temer e sua gangue, voltamos a ser um prostíbulo de estrada. Não há como liderar nada.

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Trump andou falando que iria parar de intervir .

André Araújo: várias vezes foi noticiado que o Trump disse que sob o tacão dele, os Estados Unidos não iriam mais intervir em nenhum país estrangeiro.

Supondo que em breve isto se torne uma realidade, então como é que ficaria essa liderança "honrada" (caixa 2 não é corrupção), "ilibada" (gente honesta por convicção própria), lá de Brasília, ao querer "entregar o serviço" ao povo lá do norte, se o próprio chefão possa vir a impedir isso ?

Tenho medo de um Trump caboclo assumir por aqui e mudar a expressão "Ordem e Progresso" pela filosofice do Millôr ("Ou locupletemos-nos todos ou restaure-se moralidade"), mas só praticar o primeiro verbo do Millôr.

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Gabriel Moreno

Fiquei impressionado, ao

Fiquei impressionado, ao visitar os Estados Unidos, como tem gente idosa trabalhando em funções que aqui no Brasil só vemos gente mais jovem. Caixa de supermercado, atendente de fast food, coisas desse tipo. O Brasil ainda que tem uma proteção para essas pessoas, que por mais precária que seja, existe e funciona. Querem acabar com isso e isso será uma tragédia imensa para o Brasil, pois não temos a mesma riqueza que os Estados Unidos, que poderia compensar isso de uma certa forma.

As artimanhas e decisões que são tomadas à revelia do povo, por baixo dos panos, nestes tempos de golpe, terá consequências por décadas. Vamos destruir o Brasil, vamos nos tornar um povo triste, patético e miserável, talvez até pior do que fomos em outros períodos, em outras épocas. Nesse contexto, a figura do "coxinha" que fica falando de política e repetindo igual um zumbi que o PT isso ou o PT aquilo, deveria simplesmente se calar, pois a sua desinformação e ignorância está ajudado a destruir o país e a literalmente acabar com o nosso futuro. 

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Rui Ribeiro

Se a globalização não existisse, a prosperidade não findaria?

A gloalização nasceu justamente para tentar frear o processo de depauperização da classe média. Sem a globalização, a classe americana estaria em piores condições do que está agora

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Bobbyrock

Big mistake! Globalização NÃO

Big mistake!

Globalização NÃO é a livre circulação de mercadorias, mas sim a livre circulação de CAPITAIS!

Classe média americana, aquela, está extinta e voce nem percebeu.

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André élebê

  O que você disse NÃO FAZ O

  O que você disse NÃO FAZ O MENOR SENTIDO E JAMAIS OCORREU.

  A globalização começou pelas mãos de Thatcher e Reagan, e a desregulamentação era uma demanda principalmente do setor financeiro e em segundo lugar de grandes empresas. A depauperização aconteceu DEPOIS; nos próprios EUA  a classe média, mesmo trabalhando MUITO mais horas e com produtividade MUITO maior, ganhava em 2010 apenas 2% A MAIS em termos reais. TODO O GANHO da desregulamentação e da produtividade foi para as mãos de 0,1% que agora dominam a economia e o sistema político.

  Só no seu planela Globonews que a globalização foi feita para "frear a depauperização" da classe média americana, que NUNCA MAIS conseguiu ter o mesmo padrão de vida que tinha até 1979.

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Rui Ribeiro

Nada obstante o seu penta-estrelismo, você está errado, André

Marx e Engels constataram que a proletarização da classe média é uma tendência do capitalismo, proporcional ao avanço das forças produtivas. Os referidos escritores demonstraram também a inevitabilidade da globalização do capital. Em outras palavras, a proletarização da classe média e a globalização do capital são tendências inexoráveis do capitalismo. No entanto, o André Araújo estabelece uma relação de causa efeito entre esses dois fenômenos. que não se relacionam, sendo, eles próprios, efeitos conjuntos de uma causa comum, o capitalismo. Com as forças produtivas hiperavançadas em constraste com relações de produção primitivas, a classe média encolhe cada vez mais. O fato da acentuação da proletarização da classe média ocorrer após a globalização do capital levou o André a concluir que a proletarização da classe média é efeito da globalização, e  não do capitalismo. Esse tipo de argumento é falacioso e se denomina post hoc, propter hoc.

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Confundindo globalização com neoliberalismo

O fenômeno da globalização não foi invenção de Reagan, Thatcher ou de qualquer outro líder ou grupo de líderes. Seus protagonistas são milhares e agem de forma não articulada. Basicamente a globalização decorre do encolhimento do planeta, em razão do aumento da população e dos progressos nos transportes e comunicações. A criação de Reagan e Thatcher nos anos oitenta foi o chamado neoliberalismo, um encolhimento do Estado que tirou a economia daqueles países de uma prolongada estagnação. O neoliberalismo tem defensores e detratores, mas ao contrário da globalização, é um fenômeno datado e restrito a uma época e um local. Atualmente o termo está em desuso e só é repetido por aqui na América Latina, onde o neoliberalismo nunca existiu, mas tornou-se sinônimo de tudo o que há de ruim no mundo.

Quanto a classe média norte-americana nunca haver recuperado o mesmo padrão de vida que tinha até 1979, qual é a estatística confiável que prova isso? Alguns empobreceram e outros prosperararm. O declínio do meio-oeste e da indútria automobilística de Detroit é tão palpável quanto o surgimento do Vale do Silício na Califórnia. A economia, tal como a história, não segue um roteiro linear.

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André élebê

  Você tem razão num ponto: o

  Você tem razão num ponto: o autor do primeiro comentário trocou neoliberalismo por globalização e eu fui na onda dele.

  De resto, não tirei a percentagem da manga do paletó: a apropriação da maior renda produzida nos EUA pelos 0,1% é dado econômico deles mesmos, e reproduzido por Piketty em seu livro.

  Você falar que neoliberalismo nunca existiu é piada. Neoliberalismo é EXATAMENTE o que FHC fez com nossas estatais - e não venha dizer que levanto polêmica velha, primeiro porque ainda sentimos os efeitos, e depois porque foi você que tocou no ponto.

  É óbvio que a História não é feita de roteiros lineares, mas essa história de "uns ganharam, outros perderam" é de uma candura que faz sorrir. O "uns ganharam" foram os CEOs e assemelhados, o "uns perderam" foi a classe média americana COMO UM TODO. Se quiser defender o neoliberalismo ou sei lá eu o quê, sugiro outro argumento.

  Quanto ao declínio de Detroit, não há Vale do Silício que o compense em termos de empregos em solo americano, e faço questão de lembrar que, entre outros motivos, Detroit está para ser riscada do mapa exatamente por políticas neoliberais, não importa se o termo está em voga ou não: cortaram-se dois empregos bem remunerados nos EUA por um mal remunerado no 3º mundo. Os lucros das empresas foram às alturas - especialmente com obesos bônus anuais reservados a poucas centenas de altos funcionários. Quem além deles "prosperou"?

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O neoliberalismo existiu, sim, mas não por aqui

Eu nunca afirmei que o neoliberalismo nunca existiu. Ele existiu, sim, mas na Inglaterra deThatcher e nos EUA de Reagan nos anos 80. Aqui, vocês dão o nome de neoliberalismo aos cortes indispensáveis que devem ser feitos por todo governo que gasta mais do que arrecada. Em tempo de crise, até os partidos de esquerda são "neoliberais", como foi o governo de Menem na Argentina e o segundo mandato de Dilma com o Levy na economia.

Se você pensa que não há Vale do Silício que compense Detroit, é porque a sua ideia de emprego ainda está fixa nos galpões das fábricas repletos de operários. No mundo pontocom, os empregos gerados não estão concentrados em um lugar geográfico, pois os trabalhadores estão conectados, e alguns trabalham até em casa. O futuro é assim.

E ainda estou esperando a estatística confiável que mostra que a classe média norte-americana como um todo empobreceu nos últimos 30 anos.

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A globalização foi efeito, não causa do fim da prosperidade

"MAIS UMA VEZ ESTÁ PROVADO
Proteo 08/04/2005 08:14

Dentro do capitalismo não há solução. Muito se criticou Marx por ter "errado" em sua previsão de que o capital só poderia manter suas taxas de lucro arrochando o proletariado. Por algum tempo, as lutas sociais conseguiram reverter este quadro, criando em alguns países leis trabalhistas e até o Estado de Bem-Estar na Europa e América do Norte. Mas no beco sem saída da perda de lucratividade, o capital só oferece aos trabalhadores uma "escolha" cruel: ou o desemprego com benefícios sociais ou o emprego mal-pago e sem direitos, típico do Terceiro Mundo. Claro está que a verdadeira saída está em os trabalhadores se apropriarem dos meios de produção e, terminando com a apropriação da mais-valia por uma minoria que vive no luxo e para o luxo, ratearem a mais-valia entre si meritocraticamente. A autogestão e a planificação descentralizada, flexível da economia são perfeitamente viáveis administrativamente, ainda mais onde as massas tem escolariade e acesso aos meios de comunicação modernos, como na Alemanha e na França. O problema é político, porque esta é uam saída revolucionária, hoje defendida apenas por uma minoria da esquerda européia. Mas, na prática, o capital acaba sendo o melhor propagandista da mudança, ao colocar num beco sem saída pessoas acostumadas à segurança social, e que não vão tolerar viver como vivemos. É questão de tempo, até porque, se a classe operária tradicional se tornou minoritária, continua cada vez mais clara a divisão social e econômica entre dirigentes e dirigidos, executantes e gerentes, inclusive na apropriação do produto social. Mas creio que só quando os países pobres "cercarem" o Primeiro Mundo com regimes anti-imperialistas que esta crise explodirá de vez na Europa."
http://www.brasil.indymedia.org/pt/blue/2005/04/312659.shtml

Caiu a ficha, André?

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André élebê

  Você está na época da

  Você está na época da ficha, eu estou na do cartão magnético ou do streaming.

  Primeiro que o texto que você trouxe não tem NADA a ver com seu (absurdo) argumento, de que a globalização (ou neoliberalismo, como acrescentou o colega acima) surgiu para "aliviar" a classe média americana. Depois, que seu argumento CONTINUA absurdo. 

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Você não está na época da ficha, não? E se estivesse?

"... O coração da globalização é o sistema financeiro dos EUA e o processo conduziu a uma jamais vista concentração de renda, riqueza e poder financeiro em poucos bancos e grandes conglomerados. Para estes a globalização significou enorme aumento de eficiência no usos dos meios de produção, mas para o resto da população significou perda de renda e riqueza. O processo está chegando a um ponto de "caída de ficha" quando grandes segmentos das populações atingidas se perguntam o que ganharam com a globalização uma vez que todos os ganhos de eficiência do processo foram apropriados pelo capital e nada pelo trabalho com os Estados perdendo arrecadação pelo caminho...". Trump e os limites da globalização, André Araújo

http://jornalggn.com.br/noticia/trump-e-os-limites-da-globalizacao-por-andre-araujo

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Magnífica abordagem do André

Magnífica abordagem do André Araújo, em que pese eu ter leves discórdias de alguns pontos: Não acho que a confrontação de Trump a um princípio pétreo da Constituição americana tenha sido por barbeiragem, e sim por "chacrinismo"("Vim para confundir): Trump o fez para confundir. Segundo discordo que o Brasil possa vir a se tornar uma potência regional diante do inevitável recuo da influência americana na América Latina: com quem?

No meu grosso modo de entender, Trump é o Collor americano; o cara que veio - e vai - desarrumar o mundinho medíocre que levou os Estados Unidos e o mundo a esse nervosismo que ora se encontra. O que virá pela frente? Ora, se adivinhações dessem certo Júlio Cesar jamais teria ido ao Senatus naquele dia fatídico.

Excelente artigo!

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O Brasil se tornar lider da

O Brasil se tornar lider da Aamerica Latina é o que diz THE ECONOMIST no editorial desta semana, sobre Trump.

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Impossível

Sem um paredão.

Ou ao menos uma paredezinha.
Um Estado antes de qualquer coisa tem que ser um Estado e não a casa da Mae Joana.

Se o Brasil tem chance de ser bem sucedido.... Só saberemos após a próxima Constituição ser promulgada.

E ....O PT foi contra. O PSDB também....

Então é trabalho para QUEM?

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Júnior Sertanejo

É meu amigo Luís,depois que

É meu amigo Luís,depois que você criou esse teste de palavras cruzadas,o bicho pegou feio.Excelente,magnífico,Julio César deve ter perdoado Brutus.

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Elvys

De qualquer forma, a eleição

De qualquer forma, a eleição de Trump e o Brexit mostram bem que as populações dos países centrais estão pra lá de insatisfeitas. Eleições são uma forma de expressar descontentamento. O receio é o que virá no futuro caso o anseio dessas populações não sejam atendidos.

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Junior Sertanejo

Uma coisa nao se pode negar

Uma coisa nao se pode negar no comentario do senhor.Dada a virulencia contra o Presidente Trump,qualquer dias desses o senhor podera ser convocado para o lugar de Arnaldo Jabor no Jornal da Globo.Segundo meu amigo PHA,um tal de senhor Passaralho (peco a atencao do revisor),nao sai de la.Como nao entendo bem linguajar de jornalistas,deduzir que eles estao enxugando a folha.

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A eleição de Trump. . .

A eleição de Trump nos Estados Unidos da América e aprovação da saída do Reino Unido do Mercado Comum Europeu (o Brexit) são um duro golpe para a globalização, justamente por parte de duas potências econômicas e industriais que sempre defenderam o livre comércio entre as nações como a forma mais rápida de levar o progresso e reduzir a pobreza nos quatro cantos do planeta. Seriam esses dois fenômenos (Trump e Brexit) o início de uma nova onda nas relações comerciais do mundo?

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"A história da humanidade é a história das lutas de classes". Karl Marx

Um mau vinho pode dar um bom vinagre.

Ha duzentos anos tambem não havia uma grande imprensa nas mãos das sociedades secretas

sionistas. É essa gente que hoje está dando as cartas  no mundo, a exemplo do que ocorria

na alemanha e que provocou a segunda grande guerra.

Esse texto  me faz lembrar as colocações do Paulo Francis, que apesar de ser de direita, era

gratificante de se ler pois trazia informações únicas, porem mais honestas sobre Hitler.

Trump pode ser um bom vinagre pelo que se pode deduzir vendo inimigos que que tem.

Ele pode estar vendo as coisas para as quais  povo americano ainda não acordou.

 

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A última novidade é que ele

A última novidade é que ele instruiu seus auxiliares a fazer briefings de apenas 1 página porque ele não lê nada que tenha mais que 1 página.

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....

O briefing não é de seus auxiliares, é entregue por seus auxiliares mas feito pelo establishment.

POTUS é quem define o Ton de conversa PORQUE foi eleito para isso ao contrário do establishment.

Toda a crítica e desinformação, como a citada por vc, vem do fato de TRUMP não seguir um script pre estabelecido.
Ou seja, o eleito pelo Povo vai MESMO decidir o que fazer!

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Trump é um desequilibrado. Um

Trump é um desequilibrado. Um caso psiquiátrico clássico, com um ego que não cabe nem na Casa Branca. Perto dele Hitler era um gênio de racionalidade. Ele foi um suicidio do Republicanos. Vive em um mundo de mentiras diarias que sao desmascaradas na mesma hora pela imprensa que ele demoniza. Acha que pode governar os EUA como Putin faz na Rússia mas os seus secretários estão passando um calor no senado para serem confirmados em seus cargos.
Achei que duraria dois anos no cargo mas do jeito que ele vai talvez beije a lona bem antes disso.

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....

Vc não acabou de dizer que não havia comparado TRUMP a Hitler?

Troque suas fontes de informações externas.
Seu cérebro vai agradecer!

Vc está sendo conduzido!

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O estrago Trump já está feito

No horizonte, me assusta o estrago que está por vir em 2018 em terras tupiniquins. Eles lá têm mecanismos para consertar seus erros políticos, um País que tem apreço por suas instituições, como disse sensatamente Obama na derrota. Por aqui, nossos supostos homens públicos expõem o País à chacota mundial sem nenhum pudor ou constrangimento, desprezam as instituições. Dia 20 de janeiro de 2021, Obama (Michelle) estará recebendo o poder de volta, das mãos do Vice-Presidente do Trump.

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Enquadrado

Trump será enquadrado pelo establishment por que já se cercou de executivos da Goldman Sachs e seus ministros estão sendo aprovados pelo congresso. Aos poucos voltará ao "business as usual". O resto é bufonaria histriônica.

Quanto ao Brasil ser um lider regional no vácuo dos EUA, francamente... não vai haver vácuo e nenhum lider latinoamericano tem estatura pra liderar qualquer coisa.

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André W.

Suas certezas demonstram a

Suas certezas demonstram a fraqueza e a superficialidade dos seus argumentos.

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Trump é um populista

Trump é um populista, espécie que nós aqui na América Latina conhecemos muito bem. A única virtude do populista é que ele nunca cumpre o que prometeu. Pois se cumpre, é um desastre.

O artigo está bem redigido, mas AA repete a sua visão catastrofista de que o bom e velho mundo da indústria e do pleno emprego foi arruinado pela globalização e pelo neoliberalismo na década de 80. A globalização é inexorável, pois não se trata de um plano urdido por meia dúzia de economistas de gabinete, mas de um processo natural decorrente do encolhimento do mundo, em razão dos progressos nos transportes e nas comunicações. Tal como a História, a economia não segue um roteitro pré-fixado, e sobretudo nada dura para sempre: os tempos gloriosos do meio-oeste americano não voltarão mais. O setor industrial (secundário) vem sendo suplantado pelo setor de serviços (terciário), tal como no passado o setor industrial suplantou o setor agrícola (primário). Uns estão empobrecendo, outros estão enriquecendo, mas de modo geral o padrão de vida norte-americano não é hoje pior do que era 30 ou 50 anos atrás. Todas as estatísticas desmentem isto.

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alcides carpinteiro

Não diria com essa certeza

Não diria com essa certeza que a globalização é irreversível, pois ela nem é tão global assim. A globalização ocorreu para o mundo financeiro. O capital circula o mundo com facilidade em busca de melhores taxas de retorno. Para isso, fecha-se uma planta industrial em Detroit para abrir outra no México, como forma de reduzir custos de produção. Mas os trabalhadores não mudam como o capital. Eles perdem seus empregos em Detroit. Não dá para empregá-los como montadores de computadores, ou levá-los para a Califórnia e fazê-los aprender códigos de programação em três meses. Os esqueletos se acumulam e uma hora aparecem. Foi o que fizeram os trabalhadores empobrecidos ao votarem em Trump. O partido democrata converteu-se a wall street, deixando os sindicatos, cada vez mais fracos, de lado. A extrema direita fez a festa, onde antes a esquerda nadava de braçada. O mesmo ocorre na Europa. São os desvalidos da globalização financeira.

As nações periféricas, na tentativa de atrair capitais, acenam com isenções tributárias catastróficas, que comprometem sua capacidade de oferecer serviços básicos à sociedade. A globalização financeira teve sua oportunidade de se mostrar. O resultado estamos todos vendo na forma de empobrecimento de muitos e enriquecimento de pouquíssimos. 

Quanto à evolução da economia que forja vencedores e derrotados de maniera inevitável e irrevogável, não é bem assim. Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. A revolução industrial retirou a população do campo para a cidade. Do setor primário para o secindário. Claro. Para cada recurso natural, pode-se fabricar diversos derivados industriais. É como abrir um frasco de perfume ao ar livre. O aroma escapa até acabar. A atividade agrícola, que estava saturada de gente, perdeu gente para a indústria e não sentiu os efeitos disso. Quem ficou dava conta do serviço.

Já o setor industrial foi quem experimentou o maior aumento de produtividade. Em quanto tempo se fazia um automóvel nos anos 50 e em quanto tempo se faz hoje? o setor terciário não teve aumento tão grande assim. Em quanto tempo se corta um cabelo nos anos 50 e em quanto tempo se corta hoje? É natural que o setor de serviço absorva o excedente da indústria, que já dá conta do necessário com o contigente atual. Isso nada tem a ver com a globalização. Esta resultou em concentração de riqueza no nível anterior à primeira guerra. Se não dá para extrair carvão como fonte de combustível nas regiões mineradoras, que se programe ações de substituição de renda para quem perderá seu emprego e formação profissional para seus descendentes, de modo que outra atividade econômica substitua a antiga no local, sem se precise abandonar a região. 

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A globalização financeira e

A globalização financeira e comercial é um processo com altos e baixos, não é um processo linear. Hoje está sendo posta a prova pelo fracasso da globalização de pessoas que está sendo bloqueada em todo o mundo.

Os processos historicos, politicos ou economicos, não são lineares, não caminham em linha reta.

Com a Revolução Francesa de 1789 imaginava-se que  as monarquias europeias cairiam como um dominó. N]ao aconteceu..

Em 1814 a Revolução Francesa estava enterrada pela Restauração Bourbon com Luis XVIII em Versailles e pelo Congresso de Vieno, como disse Kissinger, "um mundo restaurado", pelos proximos 100 anos a ordem antiga vigorou até a Primeira Guerra Mundial. Portanto não existem "ciclos" irreversiveis, tudo por voltar para trás, como diz o hisoriador Arno Meyer em A FORÇA DA TRADIÇÃO. A globalização hoje esta´em franca contestação porque seus beneficios ficaram com o mercado financeiro e os muito ricos e nada ficou para os demais.

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Não anda em linha reta. Mas tampouco dá voltas

A História não anda em linhas retas, isso nós sabemos. Mas tampouco volta atrás. A revolução francesa autodevorou-se em 1792, mas os processos que lhe deram origem voltaram a manifestar-se em 1830, 1848 e 1870, substituindo definitivamente a monarquia aristocrática pelo parlamentarismo sustentado pelas classes médias. De resto, a globalização tem prejudicado alguns, mas também beneficiado outros. Não fosse assim não haveria necessidade de Trump construir um muro na fronteira sul.

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Dá voltas sim. Nos anos 30 o

Dá voltas sim. Nos anos 30 o fascismo e o nazismo era considerados o FUTURO, as democracias parlamentares eram a decadencia, em muitos lugares do mundo se considerava o nazi-fascismo como a tendencia nova, moderna e a democracia era a passado decreoito, o Brasil do Estado Novo e a Argentina de Yrigoen e Farrell, precursores do peronismo,  estavam firmes nessa onda que era considerada "moderna". Essa novidade dos anos 20 e 30 acabou em ruinas e a decadente democracia voltou ao seu apogeu na Europa Ocidental e nas Americas.

A URSS tambem era o "mundo novo" que apontava para o futuro, depois o "caminho do futuro" acabou.

Meu caro, a Historia dá voltas e como dá.

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Rui Ribeiro

Até que enfim o Pedro acertou uma: A fatalidade da globalização

Você acordou Marxista hoje, Pedro ABBM. Veja porque:

"A burguesia, pela sua exploração do mercado mundial, configurou de um modo cosmopolita a produção e o consumo de todos os países. Para grande pesar dos reaccionários, tirou à indústria o solo nacional onde firmava os pés. As antiquíssimas indústrias nacionais foram aniquiladas, e são ainda diariamente aniquiladas. São desalojadas por novas indústrias cuja introdução se torna uma questão vital para todas as nações civilizadas, por indústrias que já não laboram matérias-primas nativas, mas matérias-primas oriundas das zonas mais afastadas, e cujos fabricos são consumidos não só no próprio país como simultaneamente em todas as partes do mundo. Para o lugar das velhas necessidades, satisfeitas por artigos do país, entram [necessidades] novas que exigem para a sua satisfação os produtos dos países e dos climas mais longínquos. Para o lugar da velha auto-suficiência e do velho isolamento locais e nacionais, entram um intercâmbio universal, uma dependência das nações umas das outras. E tal como na produção material, assim também na produção espiritual. Os artigos espirituais das nações singulares tornam-se bem comum. A unilateralidade e estreiteza nacionais tornam-se cada vez mais impossíveis, e das muitas literaturas nacionais e locais forma-se uma literatura mundial.

A burguesia, pelo rápido melhoramento de todos os instrumentos de produção, pelas comunicações infinitamente facilitadas, arrasta todas as nações, mesmo as mais bárbaras, para a civilização. Os preços baratos das suas mercadorias são a artilharia pesada com que deita por terra todas as muralhas da China, com que força à capitulação o mais obstinado ódio dos bárbaros ao estrangeiro. Compele todas as nações a apropriarem o modo de produção da burguesia, se não quiserem arruinar-se; compele-as a introduzirem no seu seio a chamada civilização, isto é, a tornarem-se burguesas. Numa palavra, ela cria para si um mundo à sua própria imagem." Marx e Engels, Manifesto Comunista

Mas não hora que a gente elogia você, aí você põe tudo a perder:

"Uns estão empobrecendo, outros estão enriquecendo, mas de modo geral o padrão de vida norte-americano não é hoje pior do que era 30 ou 50 anos atrás. Todas as estatísticas desmentem isto."

Se numa comunidade em que existem 10 pessoas e cuja riqueza material, a qual é equivalente a 55 unidades, for dividida igualmente entre todas as pessoas da comunidade, cada uma delas ganha 5,5 unidades. Mas a décima pessoa pode ganhar 10 unidade, a nona, 9 unidades, a oitava pessoa, 8 unidades e assim sucessivamente. Em qual dessas duas situações o padrão de vida da comunidade vai ser melhor: na situação em que a riqueza material é dividida igualmente ou na situação em que a distribuição é desigual?

Suponha que todas as 10 pessoas contribuiram igualmente para a produção da riqueza material. Ok? Então, você vai responder?

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Importa o absoluto e não o relativo

"Mas a décima pessoa pode ganhar 10 unidade, a nona, 9 unidades, a oitava pessoa, 8 unidades..."

O que importa é o que a pessoa tem em termos absolutos, e que pode consumir em sua pessoa física. O percentual relativo que aquilo representa no bolo geral é apenas uma curiosidade estatística. Os EUA da década de 30 tinham um índice de desigualdade menor do que o atual, e no entanto é muito difícil encontrar um americano que tenha vivido aqueles anos e sinta saudade.

"Suponha que todas as 10 pessoas contribuiram igualmente para a produção da riqueza material"

Isso não existe no mundo real, pois a complexidade intrínseca aos modos de produção modernos impõe uma divisão complexa do trabalho entre dirigentes e executores, com maior importância para algumas funções e menor importância para outras conforme o número de candidatos capazes de desempenhar aquela função. Os dirigentes recebem o nome de "patrão" no regime capitalista, "comissário" no regime comunista ou "membro do conselho" no regime de autogestão, mas sempre são melhor recompensados que os executores, denominados genericamente de "trabalhadores", e que sempre serão a maioria qualquer que seja o regime e sempre terão que se contentar com o que é pago por seu trabalho.

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Não queria intercalar 1 comentário entre o do Pedro e o do André

Eu não queria intercalar esse comentário entre o do Pedro e o do André, pois o comenário do André desmonta totalmente o comentário do Pedro Mundim sobre as desigualdades sociais abissais, e ainda por cima sem base na meritocracia, mas tenho que fazê-lo mesmo contra a minha vontade.

Pedro, você quer nos fazer crer que as desigualdades não meritocráticas na distribuição da riqueza decorrem da participação de cada um no processo de produção dessa riqueza mas não é assim que as coisas acontecem no mundo real. Os capitalistas são ricos não porque participam do processo de produção mas apenas por serem proprietários do capital. Um latifundiário, que vive da renda da terra, não precisa trabalhar. Apesar disso, ele vive muito melhor do que o agricultor. Mas sua boa vida não deriva do seu trabalho, mas da sua propriedade fundiária.

 

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André élebê

  Segundo seu argumento, um

  Segundo seu argumento, um favelado de hoje que tenha celular pré-pago e chuveiro elétrico em nada invejaria o rei Luís XIV, pois pode tomar banho quente na hora que quiser e falar instantaneamente com uma pessoa do outro lado da cidade.

  A riqueza também é percepção de riqueza. Na verdade os EUA da década de 30 eram tão desiguais quanto hoje, e nesse intervalo houve um hiato da 2ª guerra até o final da década de 70, justamente a época em que o governo americano mais interveio na economia, até Reagan - quando a desigualdade voltou a crescer. E o que há de americano com saudade daqueles tempos você não imagina. 

  Por fim, não existe nem jamais existirá complexidade que justifique metade da população humana ter o mesmo que OITO PESSOAS. Claro que qualquer argumento contra uma insanidade dessas deve ser classificado por você como "socialismo" e, portanto, ser uma heresia... ESSA versão do capitalismo ultraegoísta que você defende é contrária ao próprio funcionamento do capitalismo. 

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O Trump foi eleito com a promessa de fazer a América great again

Os Americanos estão, sim, sentindo saudades do passado. No passado, o futuro dos americanos era melhor.

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Ricardo Lacerda de Lacerda

Apesar de Trump

André.  Vejo no ultimo  parágrafo enumeradas todas as  razões para  termos esperanças positivas pela passagem deste maluco pela Casa Branca.

Insistir ou até mesmo intensificar, como pretendia a sua adversária  “democrata” esta ordem atual, é que seria absolutamente catastrófico para o resto o planeta.

 Como Você mesmo menciona nem  Trump  nem sua equipe parecem estar equipados para propor e  construir uma nova ordem, porem se desmontarem esta  que aí está,  terão  prestado um bom serviço para a humanidade do resto do planeta.

Quanto ao povo americano,  eles que são os únicos detentores do poder de escolher  suas lideranças, não desejo nenhum sofrimento maior do que o necessário para que se sensibilizem, e ao votarem se lembrem  com compaixão  pelos sofrimento, morte e destruição  que  seus escolhidos teem imposto aos quatro cantos do planeta.  

 

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Ele foi eleito

E não fez uma revolução.

Então, a velocidade das mudanças é esta mesmo.
Ele não tem o poder para trocar todo mundo!
Como Lula, tem que compor...Por enquanto.

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Júnior Sertanejo

Toda vez quê comeco a ler um

Toda vez quê comeco a ler um comentário do senhor,sinto uma saudade desgraçada de Newton Carlos,e me vejo a bordo de um King Air,em noite chuvosa e relampejosa,tentando pousar em Paraty.

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