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Luis Nassif Online

Última tentativa de sobrevida visava criar fundação para assumir a Abril e o Estado. Desistiram; por Luis Nassif
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Um inquérito que corria em Belo Horizonte foi utilizado por Lacerda e os militares para envolver adversários
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Paes retoma a tradição de políticas cariocas de jorrar frases supostamente espirituosas, uma malandragem sem ginga
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O limite aos gastos públicos na construção do Estado mínimo

O limite aos gastos públicos na construção do Estado mínimo: algumas simulações

Emilio Chernavsky e Rafael Dubeux 

A PEC 241, enviada ao Congresso com o suposto objetivo de reverter a médio e longo prazo o desequilíbrio fiscal do Governo Federal, limita, durante vinte anos, os gastos primários da União em termos reais aos valores realizados em 2016. A depender de seu desenho, a criação de um limite ao aumento dos gastos poderia, de fato, contribuir para alcançar o objetivo declarado, ao elevar a previsibilidade da política fiscal e evitar o aumento excessivo de gastos em momentos favoráveis que acentua o ciclo econômico. Para isso, entretanto, esse limite deveria ser, como tipicamente ocorre nos países em que hoje já é adotado, indexado ao crescimento do PIB ou da receita que deve custeá-los, ou da dívida pública que se pretende reduzir ou estabilizar, ou, como na proposta, definido em termos reais, mas aplicado a um período curto, frequentemente equivalente ao da legislatura, permitindo adaptar a política fiscal a choques adversos e a mudanças nas preferências da sociedade de forma clara e transparente.

Ao se afastar de tais práticas internacionais e adotar uma regra singularmente severa e inflexível e por um período especialmente longo, a proposta do governo interino revela seu objetivo, central embora disfarçado, de asfixiar financeiramente o Estado para, com isso, reduzir sua capacidade de reparar injustiças históricas e promover uma sociedade menos desigual por meio da transferência de renda para seus estratos mais vulneráveis e do fornecimento de mais e melhores serviços públicos para uma população que cresce em número e em demandas.

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A semente do Totalitarismo, por Luiz Claudio Tonchis

A semente do Totalitarismo

por Luiz Claudio Tonchis

A vida em sociedade e as consequentes relações interpessoais implicam na formulação de regras de conduta que disciplinem a interação entre as pessoas. As imperfeições da condição humana, o cardápio de defeitos da personalidade, de cunho moral ou “maldade”, são obstáculos para a boa convivência, exigindo, evidentemente a formulação de regras básicas de conduta que disciplinem o comportamento das pessoas. Tais regras, chamadas normas morais, traduzem-se implicitamente e explicitamente naquilo que a sociedade estabelece como aceitável ou inaceitável, certo ou errado, o que pode ou o que não pode, o que deve e o que não deve ser feito, o proibido e o permitido. Essas regras, geralmente, são transformadas em leis e, obviamente, tornam passíveis de punição aqueles que as transgridem.

No entanto, as normas morais ou sociais nem sempre serviram para disciplinar as boas relações entre os seres, visando ao Bem coletivo, pois durante toda a História da humanidade foram permeadas de ideologias e serviram para justificar os instrumentos de dominação e a manutenção do poder através do controle da população. De acordo com Michel Foucault (1926-1984), não há poder sem mecanismos ideológicos. O controle é exercido através de instituições presentes no cotidiano do cidadão, e que vão moldando o caráter e conduta do indivíduo ao longo de sua vida. Instituições como a Família, a Religião, a Escola, o Exército, o Governo, o Trabalho e até mesmo a Moral, exercem o que o autor chama de “Poder Disciplinar” que, por sua vez, fabrica a identidade do ser humano, domesticando-o, moldando sua forma de pensar e agir.

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Temer tenta suprir o vazio do conservadorismo religioso que o apoia

 
Michel Temer tenta suprir o vazio do conservadorismo religioso que o apoia com a linguagem da Doutrina Social da Igreja

por Valdecir Luiz Cordeiro

O presidente interino publicou o artigo "Construindo a nossa paz" (Folha de São Paulo, 24/07). Cita a Encíclica do Papa Paulo VI, "O Progresso dos Povos", de 1967, que associa o desenvolvimento à paz.

O texto de Michel Temer, quanto ao conteúdo escrito, é uma embromação. O seu sentido está mais no não-dito.

O não-dito é que Michel Temer quer se apropriar da linguagem do cristianismo mais moderno e profético, simbolizado por Paulo VI. Talvez queira também descolar a sua imagem do conservadorismo religioso beligerante que, com outras forças, o alçou ao poder.

Mas, irremediavelmente, as colunas do poder de Michel Temer são a conspiração, o golpismo, o rentismo e, finalmente, o conservadorismo religioso. Práticas claramente rejeitadas pela encíclica de Paulo VI.

Gente que rejeita o cristianismo mais aberto assumido por Paulo VI apoiou e apoia Michel Temer em sua conspiração e cruzada golpista.

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Golpe, dê licença: Santería, Candomblé e Calypso pedem passagem, por Romulus

Golpe, dê licença: Santería, Candomblé e Calypso pedem passagem

Por Romulus

– Enfim um post não político.

– E uma dúvida: coincidências existem?

– O enxame de mais de 20 mil navios negreiros cruza o Atlântico: a animação chocante que deveria ser vista por todos.

– Cuba e a Santería: paralelos com os nossos cultos afro-ameríndios.

– E, de repente, a TV Francesa resolve tocar tambor também. E dá passagem a Rose, a "Rainha do Calypso".

– Não pratico religião de matriz africana. Sou cristão. Mas não sou cretino. Assim, tento conter uma (lamentável) pulsão natural do ser humano ao etnocentrismo e à xenofobia, quando não ao genocídio.

– Afinal, um post não político?

*   *   *

“Eu podia estar roubando, mas estou aqui trabalhando e pedindo para vocês me ajudarem comprando estas balinhas”.

Esse, salvo alterações microscópicas, era o discurso das crianças e jovens pobres que vendiam balas nos ônibus do Rio de Janeiro enquanto eu crescia.

Da mesma forma que eles diziam, eu podia estar também aqui roubando...

Quer dizer... poderia estar aqui escrevendo sobre “Alckmin perdoa dívida de 116 milhões da Alstom” – que na manchete da Folha, no link, perde o nome “Alstom” e vira apenas “empresa acusada de c-a-r-t-e-l.

>> Pausa para uma risada. Decibéis apurados pelo Datafolha! <<

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Entrevistas Clube dos Garotos 3 com José Maria Eymael, por Rui Daher

por Rui Daher

*Texto de “fricção” patrocinado por Estampas EUCALOL

Nem bem começáramos, Nestor, Pestana e eu, a preparar as perguntas que faríamos ao entrevistado da semana e o telefone tocou na Redação. Uma voz feminina pediu “um momento, por favor”, e colocou-me na espera.

Depois de quatro repetições do jingle “Ei, Ei, Eymael, um democrata cristão”, José Maria atendeu:

- Nobre jornalista Rui, bom dia. Manhã radiante a deste sábado. Fria. Se for sair não esqueça o gorro, mas na volta tire-o se não a patroa dirá que, novamente, você dormiu de touca, hahaha.

- Bom dia, doutor Eymael.

Tento me adaptar a seu português castiço:

- A que me vem?

- Já leu as folhas e telas de hoje?

- Não. Leio-as apenas no final do dia, quando pouco de pior ainda pode me acontecer.

- Ah, caríssimo, sempre com a verve afiada, hein?

- Obrigado.

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Sou daquele tempo!, por Luciano Hortencio

por Luciano Hortencio

Sou do tempo da farinha cessada; do munguzá com leite de coco, raspado e espremido em casa; do basilicão, usado para soltar o carnegão de furúnculos mal resolvidos; do mastruz com leite, que nem sequer pensava em ser uma Banda de Forró e era usado para limpar os pulmões, além do mastruz ser também pisado para sarar machucados e pisaduras; da época em que se comprava ovos vendidos na porta (saudades da Dona Lica) e esses eram colocados em uma bacia de água para que fossem examinados se não estavam estragados (goros); do tempo em que se comprava carne de porco somente depois de acender um fósforo e encostar na carne, para verificar se não era de barrão e tinha cheiro de xixi; dos idos em que todos os dias ouvia-se o vendedor de panelada e fígado gordo passar apregoando suas mercadorias, sempre embriagado para suportar o odor das vísceras; do tempo do cuscus paulista, vendidos na porta e que pareciam uma meia taça; do tempo das pitombas, macaúbas, jenipapos, rolete de cana e dos alfenins; do tempo do pega-pinto do Mundico; das empadas de camarão do Bar Ritz, que meu trazia embrulhados em papel manteiga, acho que era esse o nome do papel, e se desmanchavam na boca; das eras em que se tinha direito a maçã, guaraná e biscoitos champagne, sempre que se tinha uma febrinha; das missas das oito, na Igraja do Patrocínio, onde o Padre Nini mandava os adultos se levantarem para dar lugar às crianças, já que a Missa das oito era às crianças dedicada; sou do tempo dos doidos mansos e queridos, como a Ferrugem, o Rei da Voz, a Miau, a Miss Brasil e tantos outros; sou do tempo em que os pais não precisavam brigar com as crianças, bastava um olhar; sou desse tempo...

Escreveria páginas e páginas com costumes e coisas que não mais são usadas, porém me dão muita saudade. Pensando nisso, fui à cidade de Cascavel para a feira do sábado. Encontrei muitas coisas das quais tinha saudade e aproveito para mostrar algumas fotos interessantes que lá tirei.

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Fora Temer: A Malandragem Fiscal

Enviado por Antônio Ateu

do Serviço Público pela Democracia

Malandragem fiscal

por De Olho no Golpe.

O governo Dilma tem sido tratado nos meios de comunicação como fiscalmente irresponsável, e acusado de promover uma gastança desenfreada dos recursos públicos. Em compensação, o governo interino, recheado de figuras que pregam as virtudes da austeridade e a necessidade de sacrifícios – dos outros -, é frequentemente apresentado como preocupado com o bom uso daqueles recursos e em consertar os erros do governo anterior. Mas, esses retratos correspondem mesmo à realidade?

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O que estará em jogo no julgamento do Senado, por Roberto Amaral

Diante do atual cenário, como pode um parlamentar, liberal ou de centro-esquerda, ter dúvidas sobre que decisão tomar?

O que estará em jogo no julgamento do Senado 

por Roberto Amaral

Reuniu-se no Rio de Janeiro, em 19 e 20 de julho, o "Tribunal Internacional pela Democracia no Brasil", iniciativa que deita raízes no Tribunal Russell-Sartre sobre os crimes de guerra dos EUA no Vietnã, seguidamente reunido para julgar os crimes das ditaduras na América do Sul ('Tribunal Russel II', Roma 1974, Bruxelas 1975, Roma 1976), e que culminou, por suposto, com a condenação do regime militar brasileiro.

Sobre o Tribunal do Rio em si, ouviu-se o silêncio sepulcral de nossa grande imprensa, "dopada com tranquilizantes", como observa Jânio de Freitas. Nem uma só palavra sobre a presença, entre nós, de juristas europeus, norte-americanos e latinos. E, por óbvio, nem uma linha, nem um segundo de rádio ou de televisão.

Nenhuma palavra sobre a sentença, simplesmente porque os juristas-jurados afirmam, unanimemente, a "inexistência de crime de responsabilidade ou de qualquer conduta dolosa que implique um atentado à Constituição da República e aos fundamentos do Estado brasileiro", donde considerarem que o impeachment, com o qual o Senado ameaça a presidente Dilma Rousseff, se caracterizaria, acaso efetivado, como verdadeiro golpe ao Estado Democrático de Direito.

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Por que reeleger Haddad, por Aldo Fornazieri

Por que reeleger Haddad, por Aldo Fornazieri

Com as convenções partidárias do final de semana praticamente foi dada a largada para a disputa municipal em São Paulo. É verdade que o quadro ainda é movediço e que existem ainda fatores indeterminados que não permitem claramente a visualização por inteiro do cenário da disputa. Ao menos três candidaturas que jogarão um papel importante foram definidas: Fernando Haddad (PT), Luiza Erundina (PSol) e João Doria (PSDB)

As eleições acontecerão num contexto de anomalias: crise política com todo o drama do golpe político; grave crise econômica; crise moral pelo quadro generalizado de corrupção dos principais partidos políticos e crise de legitimidade das instituições e dos políticos em face da descrença da sociedade, não só com os políticos, mas com a própria política. Outra anomalia que marcará esse pleito é a perda de protagonismo do PT, afundado em sua própria crise, arrastando consigo outros partidos de esquerda.

Em que pese a liderança nas pesquisas de Marcelo Freixo, no Rio de Janeiro, e de Luciana Genro, em Porto Alegre, ambos do PSol, as perspectivas para os principais partidos de esquerda e centro-esquerda – Psol, PC do B e PT – não são alvissareiras. Se nas pequenas e médias cidades o quadro não é animador, nas principais capitais do país as esquerdas podem ingressar um processo autofágico, resultado até mesmo a sua não passagem para o segundo turno. Ocorre que os dirigentes dos partidos e os próprios candidatos sequer aprenderam alguma lição com a tragédia do afastamento de Dilma Rousseff. As esquerdas preferem viver sob a égide da síndrome de Caim e Abel do que adotar uma responsabilidade compartilhada tendo em vista os fins maiores e os compromissos para com o povo mais sofredor das nossas cidades.

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Multimídia do dia

As imagens e os vídeos selecionados.

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Clipping do dia

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Fora de Pauta

O espaço para os temas livres e variados.

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Um CD fundamental sobre Lucio Yanel, por Gabriel Selvage

Mestre de Yamandu e de uma geração extraordinariamente talentosa de violonistas, o argentino-gaúcho Lucio Yanel formou não apenas uma nova escola de violão como influenciou fundamentalmente a música regional gaúcha.

Creio que poucos violonistas tiveram uma influência tão ampla sobre seus contemporâneos quanto Yanel. Um Baden, João Pernambuco, Dilermando, certamente Raphael e Yamandu. 

Yanel desenvolveu um estilo próprio, misturando a música argentina dos pampas, a influência de Atahualpa Yupanqui com o som gauchesco.

Aqui, uma homenagem de seu aluno Gabriel Selvage, um jovem violonista que viajava 500 km só para ter aulas com o mestre. E as aulas consistiam em vê-lo tocar e aprender como tirava aqueles sons.

Chamos a atenção para duas faixas em especial. A Faixa 3, Pantanal, é quase um estudo de Villa Lobos. Nela, Yanel sintetiza todo seu universo de sons no violão, áspero, sensual, vibrante. E a faixa 7, Lucy, à altura dos melhores momentos de um Baden.

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Sarau da Lava Jato em Curitiba

No próximo dia 2 estarei em Curitiba para uma audiência em um processo que me movem delegados da Lava Jato. Sob pena de ser condenado ou excomungado, decidi aproveitar a viagem para rever os amigos chorões de Curitiba, para o Sarau da Lava Jato.

Assim que tiver mais dados do local e dos músicos, informo aqui.

Peço aos amigos curitibanos que avisem os músiocos, cantores e instrumentistas para montarmos uma festa alegre e musical.

Atenção

Confirmado no Centro Cultural dos Bancários.

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Isso é papel, João?

Enviado por Vânia

Isso é papel João?
Papel que se faça João?
Com essa caristia João?
Jogar meu dinheiro no chão
Olha pros neguinhos, João
Barriga vazia, João
De corpo pelado, calcinha surrada, pézinho no chão

Eu levanto ás 5 horas, João vira pro outro lado
João tá sempre durmindo, João tá sempre cansado
Ai meu São Benedito, eu peço de coração
Fale com Nossa Senhora pra trocar o anjo do meu nêgo João

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