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A história de Jean-Bedel Bokassa, ditador da República Centro-Africana

Sugerido por Antonio Carlos Silva

(Qualquer semelhança com a prepotência e luxúria de algumas "autoridades" latino-americanas será mera coincidência)

Trecho de um filme sobre o coroamento de Jean Bédel Bokassa (autoproclamado Imperador I,  do império Centro-Africano)

Do Recanto das Letras

Bokassa, Jean-Bédel (1921-1996) nasceu na aldeia Bobangui, cerca de 80 quilômetros de Bangui, capital da República Centro-Africana. Era um dos 12 filhos do chefe da aldeia. Por um ato de rebelião aos colonizadores franceses, seu pai foi espancado até a morte e sua mãe, uma semana depois, comete suicídio. Órfão, Bokassa é educado por missionários católicos franceses, onde era frequentemente hostilizado por seus colegas devido a sua orfandade. Durante seus estudos, tinha fixação por um livro de gramática francesa escrita por um professor de nome Bedel; seus professores, então, passaram a chama-lo de Jean-Bedel Bokassa. De pequena estatura, mas fisicamente forte, entrou para o exército e acabou condecorado (como herói) com a Cruz de Guerra por ter lutado ao lado das forças francesas na 2a Guerra Mundial.

• Em 1960, quando seu país ficou independente, Bokassa já era capitão. Seu primo David Dacko elegeu-se o primeiro presidente da república Centro-Africana e Jean-Bedel tornou-se general. Em 1966, depôs o primo e tomou o poder. Em 1972 declarou-se presidente vitalício e, em quatro de dezembro de 1977, proclamou-se imperador Bokassa I. Mudou o nome do país de República para Império Centro-Africano.

A Extravagância

• A cerimônia de coroação custou aos cofres públicos cerca de vinte milhões de dólares. Inspirado na coroação de seu ídolo Napoleão Bonaparte, Bokassa chegou numa carruagem de 8 toneladas, toda enfeitada a ouro, usando um manto de nove metros de veludo púrpuro que pesava cerca de trinta quilos e sapatos de pérola. O trono tinha a forma de uma águia com três metros de altura e quatro de largura. A coroa  trazia a águia em ouro. Convidou e pagou as despesas de viagem de três mil autoridades de outros países e mandou construir modernas casas pré-fabricadas só para alojá-los.

O Canibalismo

• Em 1979, após cem alunos do ensino fundamental, terem sido metralhados pela guarda imperial, num protesto estudantil contra o governo, as tropas francesas o depuseram. Quando invadiram o palácio, encontraram os freezers do palácio cheios de órgãos humanos de seus desafetos. Até hoje, antigos correligionários de Bokassa dizem que os corpos encontrados no freezer foram plantados pelas tropas francesas.

O Zoológico

• Bokassa também possuía um zoológico particular com crocodilos que, segundo um empregado, eram alimentados com os corpos dos seus inimigos.

Julgamento e Morte

• Em 24 de outubro de 1986, Bokassa retorna do exílio na França e, logo que sai do avião, é imediatamente detido pelas autoridades. Recebe 14 acusações diferentes, incluindo traição, assassinato, canibalismo, uso ilegal de assalto à propriedade e peculato. Bokassa negou todas as acusações contra ele.

• O julgamento começou em 15 de dezembro de 1986 e acabou condenado à morte, teve a pena anulada e comutada a prisão perpétua em confinamento solitário; no ano seguinte, foi reduzida para vinte anos e em 1993, foi anistiado e, depois de libertado, é recebido como herói pela população. Ele se proclamou o 13º. apóstolo e alegou ter encontros secretos com o Papa. Bokassa morreu de ataque cardíaco em três de novembro de 1996, em Bangui; tinha 75 anos, 17 esposas e 50 filhos.

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Dudu Cartucho

A cerimonia de coroação

A cerimonia de coroação lembra uma  de 2012 aqui no Brasil, quanta extravagância!

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O principe que queria ser rei.

 

Me lembra mais um certo príncipe que comprou o segundo mandato a peso de ouro e que tinha um bobo da corte com um projeto de 30 anos no poder.

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Srªs Senadoras e Srs. Senadores, a Transparência Internacional divulgou, nesta terça-feira, a classificação anual dos países mais corruptos do mundo, e a situação do Brasil, sob o império do “lulismo”, só piorou. Demóstenes Torres 08/10/2003

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Neideg

Bokassa e Ide Amin são

Bokassa e Ide Amin são canibais e Kadafi e Saddan eram estrupadores.

Essas lendas criadas pelos serviços de espionagem americano e francês faz parte da propaganda para disseminar preconceito contra os árabes e africanos. 

Dizer que eles eram ditadores, armados até os dentes para usurparem o poder do povo e produzindo extermínios e terror. Que diferença eles teriam dos americanos e franceses em suas invasões bárbaras?

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Oh, My God !

Depois que  os lords britânicos e  outros  europeus, como os franceses, foram obrigados a deixar sua missão humanitária e civilizatória na África e na Ásia, só se viu esse tipo de coisa. Selvageria pura.

Pobres Vietnã, Argélia, India e tantos outros paises que não souberam entender a bênção que o mundo cristão europeu lhes oferecia e partiram para outros caminhos.

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Tadeu Silva

Bokassa

Vide Leopoldo II.

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Fabio (o outro)

Não se trata de invocar 

Não se trata de invocar  "semelhança com a prepotência e luxúria de algumas "autoridades" latino-americanas " .


Seja na América Latina , no Leste Europeu , no continente Africano , a parte  subdesenvolvida do mundo se manteve nesse estágio exatamente por isso :  não ter sido capaz de consolidar as instituições democráticas. Não há judiciário , não há legislativo , não há administração pública ....... nada é independente. E as elites e os poderosos locais com maior capacidade de articulação é quem ditam as regras. A lei do mais forte.


Evidente que cada país subdesenvolvido produz suas aberrações à sua maneira , de acordo com sua cultura local . Alguns se utlizam do judiciário para perseguir , outros a polícia , os porões , ..... na Venezuela a imprensa teve papel crucial na tentativa de golpe contra Chavez , na Rússia Putin adora mandar seus adversários para a cadeia - tanto lá quanto cá o judiciário é apenas um instrumento ;  no Brasil mídia e judiciário desempenham esse papel atualmente - mas já houve época em que os porões falavam mais alto -   e assim vai por qualquer país subdesenvolvido que se queira analisar : os instrumentos do Estado colocados a serviço de uma casta corrupta e de seus servidores.


Não há nada de coincidência nisso . É apenas sintoma da mesma doença : fraqueza das instituições .

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