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A morte de Maria D'Apparecida, saudades do Brasil

Maria D’Apparecida Marques faleceu no dia 4 de julho passado em Paris. A grande soprano brasileira, que chegou a substituir Maria Callas em uma temporada, a belíssima cantora que interpretava óperas e Baden, morreu sozinha.

O corpo encontra-se no Instituto Médico Legal de Paris à espera dos parentes. O Consulado Geral do Brasil em Paris entra em contato, devido a matérias que escrevi na Folha e também aos artigos de colaboradores aqui no GGN, para alertar a família.

Se nenhum parente se apresentar, seu corpo será enterrado em vala comum no cemitério de Thiais, suburbio de Paris.

No Youtube, poucos vídeos com ela ao vivo. Em um deles, mostra seu orgulho de interpretar músicas “do meu Brasil”, “Tambatajá”, de Waldemar Henrique.

Linda, linda, com a voz segura e acolhedora, como eram as interpretações de nossas mães.

No site https://www.discogs.com/artist/1780211-Maria-DApparecida há uma extensa discografia de D’Apparecida, interpretando canções brasileiras com Turíbio Santos, cantando Baden Powell. Em todas as capas está Brasil.

Em “Volta”, com Baden, canta tristemente:

Quando eu parti

Tinha ao meu redor um país

E uma solidão bem maior

E eu pensava só em voltar

E, como que compartilhando a mesma solidão, a mesma saudade imensa do país que não mais havia, entoa um “Violão vadio”, inesquecível

Quem da solidão fez seu bem

Vai terminar seu refém

Que a vida para também

Não vai, nem vem

Vir uma certa paz

O Almeida publicou um artigo no GGN, “Maria D’Apparecida, uma cantora brasileira

Também o Luciano Hortêncio, com o artigo “Maria D”Apparecida, a muda de A Mulata é a Tal

Playlist preparada por Luciano Hortencio 

 

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15 comentários

Comentários

Espaço Colaborativo de Comentários

Uma boa noticia

Recebi ha pouco a informação de que Silvia Banden Powell (mãe de Phillipe), entou em contato com Zezé Motta, amiga de Maria de Apparecida e informou esta manhã o falecimento de Maria d'Aparecida à sua familia. Prova de que o Consulado Brasileiro em Paris, informado ha quase um mês do falecimento de Apparecida, não fez la grandes coisas. Em poucas horas, conseguimos, um com a ajuda de outro, chegar até à famiiia da cantora, a qual não deixariamos de forma alguma ser enterrada como indigente.

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imagem de Paulo de Azambuja Rodrigues
Paulo de Azambuja Rodrigues

Maria da aparecida

MARIA D’APARECIDA- UM REGISTRO DE FAMÍLIA

Por seu sobrinho mais velho: Paulo de Azambuja Rodrigues

Na década de 20 do século passado uma jovem negra paulista empregada doméstica, na casa de uma família tradicional, foi engravidada pelo filho do patrão.

Diante desse grave e incômodo imprevisto a família paulistana providenciou a “extradição” da jovem para o Rio de Janeiro procurando-lhe um emprego e pagando-lhe a passagem. Foi dessa forma que a jovem Dulce foi trabalhar como doméstica na casa de meus avós, Germano e Lucília, na Tijuca.

Germano de Azambuja era um próspero advogado e Lucília, sua esposa, uma dedicada dona de casa, católica praticante e mãe de três filhos: Maria Zélia, Gilda e Aloísio. Foi nessa família que nasceu e cresceu Maria de Aparecida Marques.

Lucília, a “Dinda” de Maria de Aparecida, como boa católica levou sempre muito a sério sua relação como madrinha da menina.

Ainda criança morre Dulce sua mãe passando então Lucília a exercer completamente sua função de mãe-madrinha.
Maria de Aparecida cresceu como mais uma filha de Lucília com todas as prerrogativas dos demais irmãos.
As irmãs dormiam num mesmo quarto, estudaram nos mesmos colégios. Maria de Aparecida, assim como Gilda, também estudou piano; e assim a família ia crescendo.

Germano morre prematuramente ficando a viúva Lucília com os recursos mais limitados. Alugou sua casa original na Rua Dr. Satamini e foi morar numa simpática casa de vila nos fundos da Rua Conde de Bonfim. Com a diferença de aluguel e com a venda de alguns terrenos Lucília ia educando seus filhos.

Primeiro Gilda (12 anos mais velha) e depois Aparecida concluíram seus estudos médios no “Instituto de Educação do Rio de Janeiro” uma excelente escola pública que preparava as moças para serem professoras primárias.
Mas Aparecida, com seu temperamento e suas ambições, não poderia ser confinada na tarefa de uma professorinha primária.

Nessa época para minha alegria em toda atividade cultural infantil lá ia eu nos meus 8, 9 anos orgulhosamente acompanhado pela minha belíssima e radiante tia (abaixo está o retrato dela nessa época) : Circo Sarrazani com três picadeiros na “ponta do Calabouço”, teatros de marionetes, matinês de piano na Escola de música, patinação no gelo...

Aparecida sempre procurou um espaço mais largo de manifestação que seu temperamento, beleza e inteligência lhe impunham. Chegou a se inscrever num concurso de miss que, quando sua vitória foi divulgada na imprensa, fez com que recebesse um sério esculacho da “dinda” no que foi apoiada contra essa bronca pela sua irmã Gilda.

Embora tivesse formação de piano ficava claro que dali não sairia uma destacada concertista. Trabalhou na Rádio Globo como locutora e radio atriz mas também isso não lhe bastava.

Durante uma discussão casual Aparecida soltou aquele vozeirão todo e minha mãe, Gilda, retrucou: “Porque que ao invés de ficar com essa gritaria toda pra cima de mim você não vai gastar essa garganta numa aula de canto?”
Pois bem, aquela frase solta foi levada muito a sério e assim procurou e achou, com o canto, sua verdadeira vocação e talento que foram se mostrando ao nível de suas pretensões.

Nasce assim em uma bela moça uma bela voz com um timbre incomum e encorpado de meio soprano.
Foi premiada num concurso na Itália, veio ao Rio e providenciou sua ida definitiva para a Europa onde já apareciam seus primeiros contratos.

Mas seu ápice como uma artista destacada se deu na Ópera de Paris com uma Carmem incomparável. Não era só uma cantora cantando Carmem, era toda "A Carmem": corpo, rosto, voz, sensualidade, dança, interpretação e domínio absoluto de cena, “baixando” nos palcos do mundo diretamente de Bizet.

Todo ano Aparecida ficava mais ou menos um mês aqui no Rio visitando a Dinda e tratando de alguns compromissos tendo inclusive encenado a Carmem no Municipal (foi quando eu a pude assistir) além de outras audiências de câmara.

Com a morte da Dinda minha mãe Gilda também já viúva reservou um quarto de seu apartamento com os móveis da Aparecida que em suas vindas anuais passou a ficar com sua irmã Gilda com quem tinha particular afinidade.

Minha mãe morreu com toda a costumeira lucidez e inteligência aos 93 anos e até então, anualmente, Aparecida fazia com minha mãe, para seu deleite, um “tour de force” cultural, por todas as peças teatrais, e gastronômico, pelos melhores restaurantes do Rio. E no dia seguinte a noite, no lanche na mesinha da cozinha, ficavam horas analisando as peças como severas “Bárbaras Eliodoras”.

Nas últimas vindas antes do ano da morte de minha mãe já notamos uma Aparecida, embora sempre altiva, mais introvertida e em alguns momentos, de mais difícil convívio (exceto com a minha mãe).
Certamente, como acontece com frequência nesses casos o natural declínio da carreira que a idade impõe, não era absolutamente bem absorvido.

Veio para assistir a morte de minha mãe quando se dedicou totalmente ao acontecimento. Mas a consumação desse fato cortou-lhe mais um elo existencial. Assim tanto, um pouco antes, Maria D’App, como agora, Maria de Aparecida Marques, sofreram um profundo golpe de perda.

Reagiu de uma forma que viria a dificultar-lhe e dificultar-nos o convívio e o apoio, que poderia e deveria aceitar exatamente quando depois dos 80 anos mais precisaria.

Mostrou-nos que seus vínculos aqui estavam encerrados com a morte da Gilda, e ao responder nossas apreensões quanto a assistência que lá sozinha teria que enfrentar nos disse para que não nos preocupássemos pois tinha pessoas que estariam orientadas para todas essas eventualidades.

Assim, daí em diante, todas as cartas de sobrinhos não foram mais respondidas.

Porisso, nessas tristes circunstâncias de sua morte o que muito nos surpreende, pois que era contrário ao espirito prático e objetivo que ela sempre demonstrou, foi seu completo abandono, sem que o tal “encarregado de tudo”, que ela tanto nos garantiu, tivesse se apresentado.

Paulo de Azambuja Rodrigues

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Erica Caminha

ru nunca ouvi falar dela e

ru nunca ouvi falar dela e achei a história bem triste pq ninguém merece esse fim, imagine uma voz tão bela. Corri pro Spotify e achei um único álbum, não à toa, um álbum francês. Belíssima voz, belíssima mulher. Uma perda irreparável. Ainda bem que já encontraram familiares e tudo vai terminar mais ou menos como deveria. 

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Marcos Moreno

MARIA D'APPARECIDA MARQUES

Bom Dia, hoje liguei no IML-PARIS e realmente estao procurando a familia para saber que atitutude tomar, se até dia 10 de agosto agora nao for encontrado alguem da familia ela infelizmente sera enterrada como INDIGENTE , desde hoje pela manha estamos enmpenhados em encontrar os familiares , ja fiz varias ligaçoes para o RJ , porem agora pela tarde as coisas começam a se clarear , na segunda teremos um relatorio com toda a arvore genealogica dela, assim poderemos saber se tem outros irmaos , irmas , sobrinhos etc , na segunda volto aqui para dar maiores informaçoes , bom final de semana a todos e caso tenham informaçoes sempre sao boas.

Marcos Moreno 

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Que Deus te abençoe!

Marcos Moreno!

MARIA D'APPARECIDA MERECE SEPULTAMENTO CONDIGNO!

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lucianohortencio

Uma boa noticia

Recebi ha pouco a informação de que Silvia Banden Powell (mãe de Phillipe), entou em contato com Zezé Motta, amiga de Maria de Apparecida e informou esta manhã o falecimento de Maria d'Aparecida à sua familia. Prova de que o Consulado Brasileiro em Paris, informado ha quase um mês do falecimento de Apparecida, não fez la grandes coisas. Em poucas horas, conseguimos, um com a ajuda de outro, chegar até à famiiia da cantora, a qual não deixariamos de forma alguma ser enterrada como indigente.

PS: Cara Lourdes, eu ainda não consegui assinar o GGN pelo Paypal. Poderia me enviar um email para contacta-la? O telefonone informado na pagina de assinatura não funciona. Obrigada.

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"PS: Cara Lourdes, eu ainda

"PS: Cara Lourdes, eu ainda não consegui assinar o GGN pelo Paypal. Poderia me enviar um email para contacta-la? O telefonone informado na pagina de assinatura não funciona. Obrigada."

 

Também estou com o mesmo problema. O mesmíssimo. Um e-mail talvez resolvesse.

Abs.

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Contato GGN

Prezados Maria Luisa e Bispo

o telefone do GGN é (11) 3667.2818. Pelo site podem me mandar mensagem, e eu encaminho para uma pessoa que pode ajudar no passo-a-passo.

Obrigada!

Lourdes

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Muito obrigado, Maria Luisa!

Obrigado por ter passado parte da noite em claro preocupada com o corpo insepulto da artista brasileira Maria d'Apparecida. Obrigado por ter me telefonado, às vésperas de viajar, comunicando o esforço expendido no sentido de evitar esse absurdo em relação ao corpo de Maria Apparecida. Obrigado por ter se disposto até a custear as despesas do sepultamento, juntamente com seu amigo, caso não aparecesse ninguém da família ou o Corpo Diplomático Brasileiro não resolvesse o caso.

Lembro a você, querida amiga, que o amor ao próximo traduz fielmente o amor a Deus.

Qiue Ele te abençoe, minha querida amiga atéia.

Abraços e beijos do luciano 

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lucianohortencio

Meus agradecimentos ao amigo

Meus agradecimentos ao amigo Marcos Moreno, que desde que soube do falecimento de Maria D'Apparecida ajudou de todas as formas. Obrigada pela benção, meu amigo Luciano.

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Maria d'Apparecida merece sepultamento condigno!

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lucianohortencio

Recebi no post Maria d'Apparecida, a musa de "A Mulata é a Tal".

A cantora brasileira Maria D´Apparecida faleceu em Paris e o IML daquela cidade guarda o seu corpo desde 04/7/2017, à espera de familiares para resgatá-lo. Divorciada e sem filhos, ela não deixou herdeiros. Pode ser enterrada como indigente!! O Consulado brasileiro em Paris pediu para o IML segurar o corpo por mais tempo, até que se encontre familiares da grande artista brasileira, nascida no Rio de Janeiro em 17 de Janeiro de 1935.  Qualquer informação, favor enviar para o e-mail: [email protected]. É urgente! Grata,

Stela Maria Brandão, Oficial de Chancelaria,

Ministério das Relações Exteriores. Divisão de Operações de Difusão Cultural.

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lucianohortencio

A Volta

Falei com o Instituto Médico Legal de Paris e eles confirmaram que ela faleceu dia 4 de julho e que enviaram uma correspondência ao Consulado brasileiro dia 10 de julho dando um mês para que eles encontrassem familiares ou alguém que providiciasse o enterro. Até agora nada foi feito e me confirmaram que se até de 20 agosto ninguém reclamar o corpo de Maria d'Apparecida Marques, ela sera enterrada em vala comum no cimitério publico de Thiais. Falei com um amigo, que esta tentando encontrar pessoas ligadas ao consulado. E quanto a Phillipe Banden Powell, ele esta no Brasil. Acho que são pessoas ligadas ao universo da musica, que poderiam fazer pressão junto ao Itamarity para que o consulado brasileiro aja aqui. 

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Uma solidão bem maior...

Eu não estou viajando hoje, mas vou procurar saber mais. Não sei o motivo de Maria d'Apparecida não ter ninguém em Paris para requerer o corpo, porém pelo que conheço - e se não mudou - o consulado não fara muito mais por ela que alguns telefonemas e ninguém na Embaixada fara nada por uma artista que sempre representou o Brasil em todo lugar onde tenha passado.

PS: Vou tentar falar com Phillipe Baden.

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O Sermão de Maria Aparecida!

Caro Nassif,

Publicado ontem o post abaixo. Exclui Maria d'Apparecida do título  tendo em vista ter sabido de sua morte em off.

Abraços do luciano

http://jornalggn.com.br/blog/lucianohortencio/chega-ao-fim-o-sermao-de-b...

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lucianohortencio

tristeza

D'Apparecida é um incidente no dvórcio permanente entre artistas brasileiros e o seu país. Coisa angustiante, que gera sentimentos confusos, conflitantes, sobre a nação e a arte nacional. Villa-lobos editou toda sua obra na França. Assim como Baden. Quando eu estudava violão, não conseguia partitura nenhuma de Baden. Consegui algumas cópias piratas de Villa-lobos.

O Brasil é um país-problema, um lugar que gera angústia, um lugar mórbido.

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Fabian Bosch

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