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A mulher de bem e a vadia no carnaval, por Leonardo Sakamoto

Do blog do Sakamoto

 
Leonardo Sakamoto

Pesquisa realizada pelo Instituto Data Popular, encomendada pelo Catraca Livre para a campanha “Carnaval sem assédio'', apontou que 61% dos homens abordados afirmaram que uma mulher solteira que vai pular carnaval não pode reclamar de ser cantada e, para 49% dos mancebos, bloco de carnaval não é lugar para mulher “direita”. Além disso, 70% acreditam que as mulheres se sentem felizes quando ouvem um assobio e 59% acham que elas ficam felizes quando ouvem uma cantada na rua.

Nessa hora, não tem como não sonhar com o meteoro vindo e dando reset nas coisas.

Destaco esses dados por conta de leitores que reclamaram do meu post de domingo (7), sobre as formas de assédio no Carnaval, revoltados por eu estar “criticando o jeito alegre do brasileiro'' (sic). Para muita gente, provavelmente não se enquadram na categoria de “vagabundas'' apenas suas mães e avós, que dormem o sono das santas católicas, enquanto quem é “da vida'' povoa os blocos na rua. Por isso, achei que trazer essa discussão de volta ao blog era pertinente.

Porque “mulher de bem'' está descansando em casa ou dormindo durante a madrugada, não aceitaria nunca colocar um vestido acima do joelho e deixar as costas de fora. Não bebe, fuma ou tem vícios detestáveis, não ama apenas por uma noite e não ri em público, escancarando os dentes a quem quer que seja.

“Mulher de bem'' permanece em casa para servir o “homem de bem'' e estar à sua disposição como empregada, psicóloga, enfermeira, cozinheira ou objeto sexual, a qualquer hora do dia e da noite.

Por quê? Porque, na sua cabeça, elas pertencem a eles. Porque assim sempre foi, é assim que se ensinou e foi aprendido. É a tradição, oras! E o discurso da tradição, muitas vezes construído de cima para baixo para manter alguém subjugado a outro não pode ser questionado.

Nesse sentido, quem ousa sair desse padrão, pode ser vítima de alguns “corretivos sociais''. Reclamamos de uma estúpida minoria muçulmana que, do alto de uma interpretação bisonha do Corão, atacam mulheres que resolveram ser independentes, mas acabamos por fazer o mesmo aqui. Não é um vidro de ácido lançado no rosto de quem deixou a burca ou o shador em casa. Mas os casos que estão circulando na internet de mulheres que apanharam por dizerem “não'' neste Carnaval mostram que o fundamentalismo machista se traveste de várias formas dependendo da cultura.

Ataques verbais ou mesmo contatos físicos que não foram expressamente autorizados são formas de violência sexual. E das mais perversas porque, como tal, não são encaradas.

E não se engane. Não é só meia dúzia de celerados, a pesquisa do Data Popular mostra isso. Opiniões como essas traduzem o que parte da nossa sociedade machista pensa: Que uma mulher que conversa de forma simpática em uma festa está à disposição, que uma mulher que se veste da forma como queira está à disposição, que um grupo de mulheres sem “seus homens'', andando na noite, está à disposição. Depois perguntam o porquê de Marchas das Vadias acontecerem ao redor do mundo para protestar pelo direito de viver da forma que melhor convier.

Já disse tudo isso aqui uma série de vezes. E peço desculpas se este texto soa repetitivo – principalmente para as mulheres que vivem isso na pele no dia a dia. Mas o texto é voltado a você, amigo homem, que não descobriu que pode ir contra a sua programação, que o ensinou a ser agressivo e ver as mulheres como coisas e não sabe que não precisa da anuência de pai, chefe, colegas, amigos para viver, mas apenas da sua consciência. Vai, que ainda dá tempo de mudar.

 

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14 comentários

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Ze Guimarães

Desmistificando o Conservadorismo

Posto alguns videos aqui, para desmistificar o o Conservadorismo, e desfazer a idéia de que seria o pior dos mundos, quando na verdade não é. Estes são videos de uma brasileira que aceitou uma proposta para trabalhar como professora de inglês na Arábia Saudita, e foi para lá com seu marido, onde ambos viveram por muitos anos.

 

Todos os relatos, de como vivem as mulheres na sociedade islâmica, saem normalmente, vão fazer compras, vão aos shoppings, apenas com muito mais roupa do que no ocidente. Segundo relatos, as mulheres no interior tem de usar o véu, o Nicab, e na capital do pais, são dispensadas de usar véu. Este costume milenar, seria na verdade para proteger as mulheres, pois nesta região antigamente, ocorriam muitos raptos de moças, e como o véu que é igual para todas as mulheres, fica dificil a um perseguidor, identificar ou diferenciar uma mulher da outra. Em uma região onde existem tantos conflitos e guerras, a sociedade achou um meio de viver em paz, com leis severas, e disciplina perfeita.

Muito interessante notar os relatos sobre as salas de aula na Arábia, a educação esmerada dos alunos, a disciplina perfeita, o respeito para com os mais velhos, coisa cada vez mais rara no Brasil. É o paraíso para um professor dar aula, num país com tanta disciplina. São relatos de um povo extremamente organizado, e disciplinado. A disciplina perfeita da juventude árabe, seria um belo exemplo  que o povo brasileiro poderia aprender, se não se considerar superior e tiver humildade para tanto

Para quem tiver curiosidade, esta professora do video fez muitos outros videos, sobre suas viagens pelo mundo Árabe, relatando sempre o lado bonito dos países por onde passou.

Muito bonita a visão desta professora, de que não há cultura superior, ou inferior, apenas culturas diferentes da nossa.

 

 

 

 

 

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Bi

De fato, não há cultura

De fato, não há cultura superior ou inferior: embora nem tudo seja relativo, tudo é relacional.

Dito isso, se há algo comum a todas as culturas é a dominação masculina, a violência do machismo.

O machismo agride, violenta e mata. É disso que trata o post, dirigido explicitamente a homens machistas e que não se reconhecem como tal. Muito simples de entender.    

 

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Ze Guimarães

Concordo

Sim, seu comentário está certo. O machismo, é ruim. O que eu explanei no meu comentário, é que o modo conservador de se vestir, não é obrigatoriamente coisa machista.

Nos vídeos que eu postei, há o relato de uma moça brasileira que vive na Arábia, e nunca foi desrespeitada, ou oprimida, pelo contrário, está muito feliz de trabalhar lá, devido à disciplina nas escolas.

O machismo pega sim, carona no conservadorismo, na maioria das vezes o que é uma pena, pois  o desvaloriza . É possível sim, ser conservador e não ser machista. O machismo distorce e deforma o Conservadorismo. Eu por exemplo sou super conservador, mas não sou machista, mas respeito quem é progressista, e acredito que a mulher tem o mesmo valor que o homem. Como eu explanei no comentário meu abaixo, da Rainha de Sabá que governou no mundo Árabe, e os homens a obedeciam, quer dizer, no mundo árabe, as mulheres também já governaram.

Na verdade, conservadorismo Árabe não é culpado pelo machismo que lá impera. Maomé até tentou sim valorizar a mulher, e proibir a sua opressão, infelizmente, após a sua morte, muitos de seus decretos foram anulados. Maomé nunca foi poligamo, teve apenas uma esposa, que aliás era totalmente independente dele, pois tinha seu próprio palácio, e o Princepe Maomé não podia entrar; a princesa Alina, visitava Maomé quando quisesse. E ambos viveram em respeito e harmonia, e tiveram muitos filhos.

 

 

Não há nada de errado em ser conservador, desde que a pessoa conservadora não imponha o seu modo de pensar aos outros. Também não há nada de errado em ser progressista, desde que a pessoa progressista também respeite o modo de pensar diferente do dela.

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O blog do Nassif é tido como

O blog do Nassif é tido como progressista mas quando o assunto é direitos da mulher, eu vejo aqui cada postagem de dar medo.

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"Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma".  Joseph Pulitzer

Comentários defendendo os

Comentários defendendo os costumes da Arábia Saudita. E ganhando cinco estrelas.

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"Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma".  Joseph Pulitzer

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André élebê

Não por isso... bora lá dar

Não por isso... bora lá dar uma estrelinha. Também achei o cúmulo.

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ed zen cantador

a malas resta o

a malas

resta o silencio...

ou pior:  tragédia mesmo pior que o machismo é

sentir indiferença pela mulher. 

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Ze Guimarães

Maniqueísmo progressista

O autor do texto também desvia para um maniqueísmo. No caso o "progressismo" defendido pelo autor seria o lado dos "bons" e os conservadores seriam os "maus".

Conservadorismo nos costumes de recato, também, no texto, é confundido com o machismo. Nada mais longe da verdade.

Conservadorismo no recato, é só um modo de vida, nada mais.

Só para ilustrar esta explanação. Países conservadores no recato, como os países Arabes, já tiveram várias Governantes no poder. quem não se lembra da lendária Rainha de Sabá ( atual Iêmen), que governou o país há milhares de anos atrás, isto numa época que Roma e Grécia nem ousavam pensar em mulheres no poder. Só para lembrar, que Biltis, a Rainha de Sabá, reinou sozinha, pois não tinha esposo, quando ascendeu ao trono de Sabá.

Não é porque um país tem costumes conservadores, que a mulher obrigatoriamente vira propriedade do homem. como o autor do post explica que em países "conservadores" uma Rainha ou uma primeira ministra podem Governar? Mandar nos homens, inclusive?

O autor do post, se refere à cultura Islâmica, como sendo algo "inferior" e nós como sendo "superiores". Nenhuma cultura é superior à outra. A mais elevada forma de inteligência é a capacidade de observar sem julgar.

 

O fato de um povo ter costumes conservadores, não significa que a mulher seja obrigatoriamente inferior ao homem. Na verdade as mulheres e homens seguem suas vidas com respeito, Dignidade e recato.

Conheço o caso de  brasileira que foram trabalhar na Arábia Saudita, disseram que nunca foram tão respeitadas em toda a sua vida. A mulher lá é atendida com todo o respeito, apenas por outras mulheres. Medicas mulheres para atender mulheres; Vendedoras mulheres ( nas grandes lojas) para atender clientes mulheres. Professoras mulheres para dar aulas a alunas mulheres. Tudo para evitar que a mulher sofra assédio ou seja desrespeitada, e não precise perder a sua Dignidade.

No relato da brasileira que foi trabalhar na Arábia Saudita, como professora de Inglês, e viveu muitos anos lá com o esposo brasileiro, ao andar pelas ruas, ela se sentia super segura, diferentemente do Brasil. 

Aqui no Brasil, até algumas décadas atrás era quase assim também, e até nas igrejas, havia uma ala só para mulheres, e outra só para homens. E também nós nos tempos antigos e "conservadores", tivemos Governantes mulheres, como foi o caso da Princesa Isabel, que assinou a lei Áurea, importantíssima ao país.

Conservadorismo nos costumes de recato, de maneira alguma precisa obrigatoriamente significar que a mulher será inferior, ou submissa ao homem. O conservadorismo nos costumes de recato, pode sim ser muito bom.

 

 

 

 


 

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Fabio SP

O Brasil já foi sério em

O Brasil já foi sério em leis...

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Vagalume do Brejo

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Você por exemplo perderia a lingua Fabi!

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Paulo P Ribeiro

O Carnaval é o período

O Carnaval é o período sagrado para as mulheres disporem de seus corpos da forma que bem entenderem. Sem serem vigiadas por filhos ou maridos, podem se doar ao prazer em pleno espaço público, abdicando da repressão a que são submetidas diariamene pela sociedade. Sabem as mulheres que dispõem do poder de causar a satisfação a quem lhes possui como também podem eleger os homens que terão o privilégio de compartilhar o êxtase do gozo. A elas, a nossa admiração pelas sensações que gratuitamente nos proporcionam no Carnaval.

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Oportunismo

Textos como este e a militancia xenofoba do feminismo são a outra face da mesma moeda que se encontram os animais que agridem mulheres.

O problema é a generalização.

Ja foi feita uma pesquisa identificando qual a quantidade de homens que seriam capazes de agredir uma mulher na rua porque aparentemente ela esteja a disposição?

Toda generalização tem cheiro de oportunismo.

Tanto as militantes que conseguem um resultado exatamente ao contrario daquilo que aparentemente defendem como textos falaciosos como este comprovam que os oportunistas nada mais fazem do que vender seu proprio marketing.

Agnaldo Timoteo se coloca muitissimo claramente na questão da homossexualidade, pregando a discrição e o direito da vida privada.

Feministas raivosas apenas geram reação violenta nos criminosos.

 

Sejam sinceros. Quem pode sentir alguma atração por uma mulher raivosa destas?

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Pode-se enganar alguem por algum tempo, muitos por muito tempo, mas não todos o tempo todo!

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Vagalume do Brejo

Meio machista esse seu

Meio machista esse seu comentário, principalmente a parte final onde você pergunta se auguem sentiria atração pela mulher raivosa. Além de você estar se dirigindo ao publico masculino acho que a a ultima coisa que ela queria nesta hora era ser atraente. As mulheres não são obrigadas a agradar aos homens.

Geralmente as agressões não são à mulheres na rua, mas sim em casa!

Quanto a colocação de feministas que odeiam os homens podemos até discutir!

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Discrição e vida privada

Até hoje não sei o que é machista.

As leis existem para ser obedecidas.

Qualquer crime deve ser condenado e qto mais avançada a sociedade mais justa são as jurisprudencias dos tribunais.

O problema são as generalizações que no mais das vezes em nome de corrigir preconceitos e excessos são os que cometem os excessos e os preconceitos.

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Pode-se enganar alguem por algum tempo, muitos por muito tempo, mas não todos o tempo todo!

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André élebê

Vou te indicar um machista,

Vou te indicar um machista, mas corre pra ver!!

Vai até o banheiro e olhe para o espelho: achou um.

Você é rápido em reclamar do comportamento das mulheres e mesmo a duvidar de que existam agressores. Estranhamente, você corre cagar regra para como uma mulher deve se comportar, para agradar a sua sensibilidade de Conde do Grajaú.

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