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A polêmica sobre turbantes e a branquitude que não assume seu racismo, por Ana Maria Gonçalves

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Jornal GGN - Em artigo no Intercept Brasil, a escritora Ana Maria Gonçalves analisa a polêmica sobre o uso do turbante e a questão da apropriação cultural.  Ela argumenta que, diferentemente da população branca, os negros parecem não ter o direito de se orgulhar de suas origens. Também ressalta que séculos de lutas e humilhações resultaram em “seres sem um pertencimento definido, sem raízes facilmente traçáveis, que não mais de lá e nunca conseguiram se firmar completamente por aqui”. 

“Para carregar este turbante sobre nossas cabeças, tivemos que escondê-lo, escamoteá-lo, disfarçá-lo, renegá-lo. Era abrigo, mas também símbolo de fé, de resistência, de união”, ressalta a escritora.
 
Leia mais abaixo: 

Do Intercept Brasil

Na polêmica sobre turbantes, é a branquite que não quer assumir seu racismo

Ana Maria Gonçalves

QUASE TODA CIDADE pequena – principalmente as de Minas – tem seu louco de estimação. Aquele que toda a cidade conhece, cuida e por quem zela como uma espécie de patrimônio. Ibiá, onde nasci, tinha o Zé Tem Dó; e foi com ele que aprendi sobre o valor simbólico de certos objetos. Eu devia ter uns quatro ou cinco anos. Minha mãe era costureira, e o Zé colecionava carretéis de linha. Portanto, suas visitas à minha casa eram constantes, porque minha mãe guardava todos os carretéis para ele e sempre oferecia algo mais, como um refresco, uma roupa, um prato de comida.

Pensando que o Zé estava distraído, certa vez tentei pegar em um destes carretéis. Ele se levantou com um pulo e, com mais dois, estava parado na minha frente, protegendo os valiosos bens que, para minha mãe, eram apenas sobras de trabalho. Saí eu correndo para o outro lado, assustada, com medo. Zé pegou suas coisas e foi embora, conversando com um dos carretéis que ele amarrava na ponta de uma linha e saia puxando. Era seu animal de estimação ou seu carrinho, algo que ia muito além do que eu conseguia ou conseguirei ver, a menos que um dia me torne um Zé e vá eu mesma virar folclore em uma cidade do interior. Mas ali, naquele episódio, aprendi uma coisa da qual pretendo falar aqui: o Zé não estava brincando com um carretel e nem nós estamos brincando com um turbante.

Somos signos criados pelos brancos para que nossa negritude pudesse, e ainda possa, ser mercantilizada.

Boa parte da população branca brasileira sabe de suas origens europeias e cultiva, com carinho e orgulho, o sobrenome italiano, o livro de receitas da bisavó portuguesa, a menorá que está há várias gerações na família. Quem tem condições vai, pelo menos uma vez na vida, visitar o lugar de onde saíram seus ancestrais e conhecer os parentes que ficaram por lá. E os descendentes dos africanos da diáspora? Quando chegaram por aqui, os traficantes de pessoas já tinham apagado os registros do lugar de onde haviam saído, redefinindo etnias com nomes genéricos como Mina (todos os embarcados na costa da Mina), feito-os dar voltas e voltas em torno da Árvore do Esquecimento (ritual que acreditavam zerar memórias e história) ou passarem pela Porta do Não Retorno, para que nunca mais sentissem vontade de voltar, separado-os em lotes que eram mais valiosos quanto mais diversificados, para que não se entendessem.

São Paulo -Integrantes de movimentos sociais e de defesa dos direitos da comunidade negra reuniram-se na capital paulista para um dia inteiro de atos na 13ª  Marcha da Consciência Negra (Rovena Rosa/Agência Brasil)

Diferente dos brancos, negros parecem não ter o direito de se orgulhar de suas origens

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Ainda em terras africanas tinham sido submetidos ao batismo católico para que deixassem de ser pagãos e adquirissem alma por meio de uma religião “civilizatória”, ganhando um nome “cristão” que se juntava, em terras brasileiras, ao sobrenome da família que os adquiria. No Brasil, não podiam falar suas próprias línguas, manifestar suas crenças, serem donos dos próprios corpos e destinos. Para que algo fosse preservado, foram séculos de lutas, de vidas perdidas, de surras, torturas, “jeitinhos”, humilhações e enfrentamentos em nome dos milhares dos que aqui chegaram e dos que ficaram pelo caminho.

Como resultado disto, somos o que somos: seres sem um pertencimento definido, sem raízes facilmente traçáveis, que não são mais de lá e nunca conseguiram se firmar completamente por aqui. Temos, como diz a poeta, romancista, ensaísta e documentarista canadense Dionne Brand, em seu maravilhoso A Map to the Door of No Return, “o próprio pertencimento alojado em uma metáfora”Viver na Diáspora Negra, segundo ela, é “viver como um ser fictício – uma criação dos impérios, mas também uma autocriação. É ser alguém vivendo dentro e fora de si mesmo. É entender-se como signo estabelecido por alguém e ainda assim ser incapaz de escapar dele (…).”

Somos signos criados pelos brancos para que nossa negritude pudesse, e ainda possa, ser mercantilizada. E não conseguimos escapar disso porque, de antemão, sem ao menos nos ouvir, vocês já parecem saber o que somos, o que queremos, o que sabemos. Assim mesmo: a negritude, a militância, as mulheres negras, esse povo – nunca seres individuais, mas sempre em lotes. E vivemos nesta metáfora que, a partir de agora, vou passar a chamar de turbante, mas poderia ser outro símbolo qualquer.

O turbante coletivo que habitamos foi constantemente racializado, desrespeitado, invadido.

Viver em um turbante é uma forma de pertencimento. É juntar-se a outro ser diaspórico que também vive em um turbante e, sem precisar dizer nada, saber que ele sabe que você sabe que aquele turbante sobre nossas cabeças custou e continua custando nossas vidas. Saber que a nossa precária habitação já foi considerada ilegal, imoral, abjeta. Para carregar este turbante sobre nossas cabeças, tivemos que escondê-lo, escamoteá-lo, disfarçá-lo, renegá-lo. Era abrigo, mas também símbolo de fé, de resistência, de união. O turbante coletivo que habitamos foi constantemente racializado, desrespeitado, invadido, dessacralizado, criminalizado. Onde estavam vocês quando tudo isto acontecia? Vocês que, agora, quando quase conseguimos restaurar a dignidade dos nossos turbantes, querem meter o pé na porta e ocupar o sofá da sala. Onde estão vocês quando a gente precisa de ajuda e de humanidade para preservar estes símbolos?

Lembro de ter visto um turbante usado por um homem sensível à causa das mulheres negras na Marcha das Mulheres, que aconteceu há pouco tempo em Washington, que perguntava: “Verei todas vocês, mulheres brancas legais, na próxima marcha #VidasNegrasImportam, certo?”. Vocês, mulheres brancas legais que querem se abrigar em nossos turbantes, vão estar conosco enquanto choramos as mortes dos nossos meninos negros e clamamos por justiça, certo? Vão usar turbante quando nossas mães e pais de santo são expulsos de comunidades ou entregues aos formigueiros, certo? Quando reclamamos da dor ao recebermos menos anestesia do que mulheres brancas durante os partos, certo? Quando denunciamos que sofremos mais violência, mais abuso e mais assédio do que vocês, certo? Quando reivindicamos equiparação salarial com vocês, certo? Vão reverberar nossas vozes quando reclamamos que somos preteridas pelos homens (brancos ou negros), certo? Vão entender e ter uma palavra de consolo quando sentimos culpa por deixarmos os próprios filhos em casa para cuidarmos dos seus, certo? Vão nos ouvir e nos defender quando tiver mais alguém querendo invadir nossos turbantes a força, na marra, no grito, certo? Porque aí, o turbante também já será de vocês. Vão ouvir, entender e falar junto quando tentamos explicar que nossas reivindicações, distorcidas, não têm nada a ver com pizza, calça jeans e feng shui, certo?

Negros também podem ter suas próprias coisas

Negros também podem ter suas próprias coisas Foto: Lula Marques/ Agência PT
 

Quando vocês dizem “Vou usar e pronto, quero ver quem vai me impedir”, às vezes dá vontade de pegar vocês no colo, à moda das “mães pretas” que devem ter povoado as vidas de muitos de vocês ou de seus ancestrais, e dizer que isso não é comportamento de criança educada. E dizer que sim, algumas coisas são de vocês, porque foram da bisavó de vocês, da avó de vocês, da mãe de vocês e que, deste modo, a gente também poderia ter algumas coisas que são nossas, herança de família. Quer ver: Pizza! (“É comida italiana!”). Acarajé – do iorubá akara (bolo de feijão frito) + ijé (comida) – (É MEU! É do Brasil! É de todo mundo!). Hashu´al (É israelita!). Congado (É MEU! É do Brasil! É de todo mundo!). Quimono! (É japonês!). Ojá! (É MEU! É do Brasil! É de todo mundo!). Kung Fu (É chinesa!). Capoeira! – do tupi ko´pwera ou do umbundo kapwila – (É MEU! É do Brasil! É de todo mundo!). Abajur (Vem do francês!). Moleque, quiabo, berimbau, samba, cafuné, zumbi… (É MEU! É do Brasil! É de todo mundo!).

Cansamos de sermos personagens de piadas das quais só vocês riem.

E depois somos nós os divisionistas, os egoístas, os que não têm cultura, enquanto vários outros povos podem manter, sem controvérsia e sem serem obrigados a colocar na roda (É MEU! É do Brasil! É de todo mundo!), as “contribuições” que trouxeram para o solo brasileiro. Já entendemos que vocês acham que é (sempre foi) tudo de vocês. Só que cansamos de ficar só nas cozinhas, nos quartinhos, nos corredores, nas bordas das piscinas, sem sermos incluídos nisso aí que vocês chamam de “povo brasileiro”. Cansamos de escutar que não sabemos, não vemos, não entendemos, não queremos, não podemos. De ter que pedir licença pra tudo, de ter que pedir desculpa mesmo quando somos os ofendidos. Cansamos de servir quem nem sabe os nossos nomes. Cansamos de sermos personagens de piadas das quais só vocês riem.

Quase todas as nossas discussões e toda a produção intelectual acontecidas ali, sob nossos turbantes, são desligitimizadas pela palavra de ordem #VaiTerBrancaDeTurbanteSim!, gritada para nós com a mesma arrogância e espera de obediência que os donos dos nossos ancestrais gritavam #NãoVaiTerCoisaDePretoAquiNão!. Coisas mil acontecem dentro desses nossos turbantes, das quais vocês nem têm ideia: temos que formar redes de apoio, invisíveis para vocês e alheias à sua existência privilegiada, para socorrer, consolar, orientar e fortalecer vítimas de racismo cometido por pessoas que se ofendem quando apontamos suas faltas, e viram vítimas.

Debaixo deste turbante orientamos crianças negras a não levarem banana na lancheira porque os amiguinhos vão chamá-las de macacos. Orientamos nossos jovens a não usarem roupa com capuz, não correrem, não fazerem movimentos bruscos em público e não parecerem suspeitos, seja lá o que isso significa para vocês. Sob a proteção destes turbantes, trocamos informações, discutimos teorias, nos comunicamos com turbantes estrangeiros e até fazemos vaquinhas para pagar enterro de jovens assassinados pela polícia. Concordamos, discordamos, rimos, choramos, contamos segredos, gritamos, amamos, odiamos, estudamos, dizemos uns aos outros que temos que ter infinita paciência para voltar cinco, dez, vinte casinhas do ponto de entendimento em que estamos para responder a egocentrismos do tipo “EU li Monteiro Lobato e não me tornei racista”, “se EU usar turbante vou ser chamada de racista?”. Porque sabemos que não são comentários nem perguntas inocentes, mas são também metáforas. São os muros que protegem aqueles lugares que vocês habitam e nos quais não somos admitidos, porque na porta sempre teve uma placa dizendo “brancos somente”.

Vocês têm sempre um lugar outro para onde ir, que é este da branquitude.

O turbante que habitamos não é o mesmo. O que para você pode ser simples vontade de ser descolado, de se projetar como um ser livre e sem preconceitos, para nós é um lugar de conexão. Entre nós mesmos e com algo que perdemos e que nem sempre sabemos o que é e por onde ficou. Habitar nossos turbantes tem para nós o mesmo significado de “ir conhecer a vila onde meus avós italianos nasceram”, ou “pude sentir na pele o que meus bisavós viveram naquele campo de concentração”. Sim, porque, entre muitos outros, ele tem estes dois significados: abrigo e dor.

Nós não tiramos sarro de vocês quando vocês defendem estes lugares que fazem parte da história do seu povo. Nós não fazemos piadas com os significados que estes lugares têm para vocês. Não não dizemos que são meras construções de pedras e tijolos empilhados uns sobre os outros. Nós não os chamamos de burros porque a nossa ignorância não nos permite entender o que vocês falam destes lugares que lhes são caros porque trazem as marcas de seus bisavós, avós, pais, e que continuarão a marcar as vidas de seus filhos, netos, bisnetos. E, no entanto, temos que observar calados, sob a pena de tentarem nos calar à força, como a bestas raivosas que vocês acham que nós somos – não é ação, é reação! –, vocês meterem os pés nas nossas portas, invadirem nossos turbantes com gritos de “VaiTerBrancaDeTurbanteSim!. Para vocês é morada provisória, das quais vocês entram e saem conforme dita a moda e a vontade, porque vocês têm sempre um lugar outro para onde ir, que é este da branquitude. Nós não temos, porque nossa existência está cravada na pele, nossa morada está acoplada às costas, à maneira dos caracóis. Nossa casa, para você, é fetiche, é exotismo, é acessório, é fantasia. A nossa casa.

Na nossa casa, a gente não fala de turbante quando fala de turbante. Dentre muitos dos seus nomes, o principal é racismo. É racismo quando vocês acham que não sabemos do que estão falando. É racismo quando vocês deduzem que precisam nos ensinar que pizza é italiana, que o algodão do pano do turbante é indiano, que num mundo globalizado… etc etc etc. A gente tem que voltar cinco, dez casinhas na discussão que vocês não estão acompanhando porque não querem – mas se acham habilitados a dar palpite –, para nos nivelarmos ao entendimento de vocês, só pra dizer: É o racismo, estúpido! E antes que tenhamos que voltar mais trinta casinhas para ouvir os “eu não sou racista!”: É o sistema, estúpido! E sendo ele estrutural e estruturante da sociedade brasileira, faz com que você trabalhe para mantê-lo, quer você queira, quer saiba, ou não.

Sobre apropriação cultural, a gente conversa depois de vocês lerem, por exemplo, o artigo da filósofa Djamila Ribeiro, publicado muito antes desta briga de vocês pelo turbante virar modinha. Ou o poema do mestre Nei Lopes, colocado aí abaixo. Neste caso, podem ter certeza de que quando vocês vêm com o fubá (do quimbundo “fuba” ou do quicongo “mfuba”), a gente já está comendo o angú (provavelmente do fon “àgun”).

*******

BRECHTIANA (para Abdias Nascimento)

Primeiro,

Eles usurparam a matemática

A medicina, a arquitetura

A filosofia, a religiosidade, a arte

Dizendo tê-los criado

À sua imagem e semelhança.

Depois,

Eles separaram faraós e pirâmides

Do contexto africano

Pois africanos não seriam capazes

De tanta inventiva e tanto avanço

Não satisfeitos, disseram

Que nossos ancestrais tinham vindo de longe

De uma Ásia estranha

Para invadir a África

Desalojar os autóctones

Bosquimanos e hotentotes.

E escreveram a História ao seu modo.

Chamando nações de “tribos”

Reis de “régulos”

Línguas de “dialetos”.

Aí,

Lançaram a culpa da escravidão

Na ambição das próprias vítimas

E debitaram o racismo

Na nossa pobre conta

Então,

Reservaram para nós

Os lugares mais sórdidos

As ocupações mais degradantes

Os papéis mais sujos

E nos disseram:

-Riam! Dancem! Toquem!

Cantem!Corram! Joguem!

E nós rimos, dançamos, tocamos

Cantamos, corremos, jogamos.

Agora, chega!

 

— Nei Lopes

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Comentários

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Aluisio melo

Turba turbante

Turbante não é coisa de Indiano?

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SILVIA REGINA BENTO DOS SANTOS

APROPRIAÇÃO CULTURAL (e por que turbantes não têm dono)

É interessante ver como o post mais compartilhado sobre esse assunto é da The Intercept Brasil onde a moça compara um louco viciado em carretéis ao movimento negro e seu preciosismo com seus acessórios, alegando que da mesma forma que o carretel é especial pro louco o turbante é especial pros negros. Aliás, nesse artigo ela não trouxe validação alguma pro seu argumento, não havendo conexão entre a viabilidade ética de um dever moral para que brancos não utilizem turbantes em favor de uma "Não-Apropriação Cultural". Isso me inclina a acreditar que o movimento que sustenta essa narrativa realmente é tosco. Eu fui além desse texto e convido todos os interessados em informação relevante sobre o assunto a assistirem, pelo link: http://youtu.be/wjAnM1U3r5o

 

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Rugendas retrata negras com e sem turbantes.

"Para carregar este turbante sobre nossas cabeças, tivemos que escondê-lo, escamoteá-lo, disfarçá-lo, renegá-lo. Era abrigo, mas também símbolo de fé, de resistência, de união”.

É complicado entender o Brasil com anacronismos, estereótipos e conceitos importados de outras realidades sócio-culturais. 

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Pão ☭ Paz ✮ Terra ☀

Querem entender o Brasil

Querem entender o Brasil lendo "textões" nas redes sociais, assim não dá!

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GalileoGalilei

Debate importante

O debate levantado por Ana Maria Gonçalves me parece extremamente importante e, na minha opinião, deveria provocar um aprofundamento da discussão sobre o persistente racismo, não só no Brasil, mas também nos EUA, duas terras distantes para as quais foram deportados enormes contingentes humanos provenientes da África.

Muitos aqui reagiram como se fosse uma questão de uma proibição de uso de uma peça de vestiário: achei bonita, gostei, comprei, usei.

Não sei se a comparação que irei fazer a seguir seja mais adequada, mas foi a que me veio à lembrança ao ler o texto indignado de Ana Gonçalves.

Imaginem que uma nova butique em Ipanema, ou na Augusta, começe a comercializar pequenos bordados amarelos para serem usados na lapela,indistintamente por homens ou mulheres. Os bordados, logo, fazem um grande sucesso tornando-se o hit em festas, partidas de futebol, na faculdade, etc.

Imaginem agora, se esse bordado, hit de vendas da butique, repoduza, em seus mínimos detalhes, a infame estrela de David que judeus foram obrigados a usar, inicialmente nos ghetos europeus e posteriormente nos campos de concentração.

Acredito que imediatamente vozes na comunidade judaica alçariam a voz criticando a apropriação pela indústria da moda de um símbolo que lembra muita dor e sofrimento para toda uma comunidade.

Certamente, há diferenças, mas o alerta da Ana seria semelhante ao que muitos fariam caso a estrela de David se tornasse objeto de "moda".

O que eu acho é que o objetivo do artigo da Ana Gonçalves foi o de fazer as pessoas olharem mais para si mesmas, para o racismo que já introjetamos em nós, que nem mais o percebemos como tal e que teima em ser erradicado. Não adianta clamarmos não sermos racistas, machistas, homofóbicos e fecharmos os olhos ou negarmos nossa solidariedade quando tais comunidades são ou se sentem atingidas.

Meu único senão é a crítica à menina com câncer, Thuane Cordeiro. Acho que ela, ao menos, deveria ser poupada deste debate. O uso que ela fez do turbante não tem nada a ver com essa discussão. 

 

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Tatuagens e piercings são objetos de apropriação cultural.

Nas últimas décadas uma indústria se ergueu em torno desses adereços. Essa é uma marca do capitalismo, a tendência de transformar tudo em mercadoria. Muitos dos adereços são usados fora do contexto que foram criados, quem usa desconhece seus significados. 

Um piercing na Índia pode representar uma distinção de casta, seu usuário no Ocidente pode discordar com veemência do sistema de castas, mas ignora o significado que carrega. Um judeu dificilmente se deixaria tatuar com um número de série em seu braço, isso era uma desumanização imposta aos seus avós, do mesmo modo que um africano não escarificaria a pele para lembrar o carimbo quente que marcava a posse dos seus ancestrais.

Nos anos 1960, negros americanos aderiram à moda dos cabelos afro, em contraposição ao alisamento de cabelos (como as modas vão e voltam! Que o digam Michael Jackson, Beyoncé...), para afirmarem orgulho de pertencimento, de não quererem se assemelharem a brancos. Talvez essa fixação na moda de turbantes - é disso realmente que se trata: moda - tenha a mesma significação. 

Turbantes são mais comuns em populações africanas islamisadas, não são comuns a todos africanos, mas de povos que assumiram essa religião em contato com árabes, que tinham grandes rotas e contatos comerciais de escravos ao sul do Saara. A escravidão foi abolida oficialmente no Reino Saudita em1960, na Mauritânia em 1980; anteontem e ontem, em termos históricos. Como é que tribos africanas não islamisadas enxergam, um símbolo da influência árabe naquele continente? Teriam orgulho de usá-lo, ou considerariam isso uma "apropriação cultural" inconveniente, por parte dos movimentos negros nas Américas?

Por fim, a menina paranaense, que a autora da postagem não citou o caso. O episódio é lamentável e não deve ser relativizado. Num vídeo postado em comentário abaixo, uma moça chama o comportamento do grupo de pessoas que, segundo ela "supostamente", admoestaram a garota, de "esquizofrênicas". Eu não chegaria a tanto, provavelmente são pessoas imaturas e equivocadas. Imagine, se fosse um grupo de  jovens brancas se dirigindo à uma garota negra com chapinha, será que a mocinha do vídeo abaixo chamaria as garotas de "esquizofrênicas", ou empregaria termo mais forte? 

Um abraço!

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Pão ☭ Paz ✮ Terra ☀

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Ivan de Union

"Um piercing na Índia pode

"Um piercing na Índia pode representar uma distinção de casta, seu usuário no Ocidente pode discordar com veemência do sistema de castas, mas ignora o significado que carrega. Um judeu dificilmente se deixaria tatuar com um número de série em seu braço":

Almeida, meu irmao fez um anel de ouro retorcido lindo maravilhoso a partir de um desenho, em 1975, pra uma mulher que o viu em algum lugar e achou bonito.  A mulher estava felicissima, saiu da loja toda feliz com a joia.

Uma semana depois ela voltou toda sem graca e lhe perguntou se dava pra fazer uma modificacao aqui ou ali -nao, nao dava.  Ela terminou pedindo pra derreter o anel pelo qual ja tinha pago pra fazer outro.

Sabe o que o desenho era e que o marido dela tinha detestado tanto e a prohibido de usar o anel?

Um 69.  Nem ela nem meu irmao notaram.

Ela era "culpada" de usar um simbolo lindo maravilhoso cujo significado ela devia ter dito ao marido pra enfiar no cu?

Entao chegamos ao turbante...

Para todos nos, populacao em geral, e COMO SIMBOLO, ele nao significa nada, ou eh bonito ou nao eh.  So que o MOVIMENTO SOCIAL a respeito do turbante eh real, e esta afetando negativamente um monte de gente que nao entende as ideias sofisticadissimas da lancadora do movimento e estao achando que o turbante eh "propriedade".

Essa eh a distincao que nao foi feita.  Ou a geometria do turbante eh linda ou nao eh:  o significado dele nao tem valor "culpavel" nem moralmente nem socialmente.  Gostaria de ter lido uma resposta mais clara aas acoes de uma ou umas mulheres que reclamaram de uma "branca" usar um "Grandicissimo Turbante".  Ela nao funciona partindo de mim, homen branquelo, funcionaria muito mais de uma mulher negra e conhecida dentro DO MOVIMENTO SOCIAL, so que a unica que o enderecou ate agora, no link do post, usou "se eh que aconteceu" duas vezes.  E ainda mistificou o assunto com "uai, mas se voce ta sofrendo nao eh o nosso problema, a gente tamos sendo oprimidas".

Esse foi meu estranhamento ao fato da autora nao se enderecar ao assunto da doente do qual eu nunca tinha ouvido falar e muito menos ao assunto que iniciou a polemica, por sinal, que foi o video.

Ja a (eita mulher bonita!) muchacha do video, ela nao tem essa obrigacao, ela sabe exatamente o que esta fazendo -teria sido importantissimo que ela enderessasse o assunto, mas ela nao o fez ainda, infelizmente.  Vai dar outro video mais massivo ainda ou ela vai parar de fazer bolhas igual Alka Seltzer de 10 minutos?

A diferenca aqui eh entre os que fazem/constroem, como meu irmao fez o anel, e os que interpretam.  Nao existe interpretacao maior ou mais bela que a geometrica (e a mulher de Brasilia NAO disse pro marido pra enfiar a interpretacao dele no cu, ela so confirmou a interpretacao DELE e capitulou, sacrificando a geometria do anel, que valia muito mais;  e que foi derretido.)

Na proxima semana, no mesmo canal, ao mesmo horario (eh que essa historia nao tem fim...).

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Pedro n

Legal a analogia, Galileo. Me

Legal a analogia, Galileo. Me fez sair um pouco do meu lugar comum.

 

Mas tem uma diferença crucial nesses dois casos (o que está acontecendo e o que você levantou): um simboliza algo negativo que os próprios judeus nunca usaram por vontade própria. O outro signfica algo positivo (os turbantes), um adereço cultural.

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GalileoGalilei

Pedro

Você tem razão em apontar as diferenças.

Observe que eu mesmo, também, á as havia observado, embora nãs as tivesse explicitado.

Meu objetivo, Pedro, foi menos o de trazer certezas, mas sim o de compartilhar minhas dúvidas.

Acho que, ao menos no teu caso, tive êxito.

Um outro objetivo em meu comentário foi o de expressar minha empatia e solidariedade com todos os segmentos que sentem sobre si o peso enorme de uma sociedade discriminatória e excludente. 

Acho que todas essas questões que envolvem preconceitos: racismo, machismo, homofobia, precisam ser debatidas menos apaixonadamente e mais racionalmente. Devo admitir, talvez contraditoriamente, que este debate "racional" que proponho, por definição, não deverá contar com a participação de preconceituosos arrogantes assumidos.

 

 

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Gostei! Como diz Millôr

Gostei! Como diz Millôr Fernandes, "nesse negócio de globalização tem os globalizantes e os globalizados". E como diz Djamila Ribeiro, "apropriação cultural é um problema do sistema, não de indivíduos".

E não, não somos todos um. Quem sabe um dia?... Mas hoje, sem hipocrisia, ainda não sabemos ser.

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José Eduardo de Camargo

Um artigo pungente e precioso

Um artigo pungente e precioso para aqueles que abominam o racismo. Parabéns à autora!

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Claudionor de Medeiros

Percebam que na refutação de

Percebam que na refutação de comentários, os racistas apelam para o discurso da memória sentimental – ”minha bisavó era negra, etc”, deslocando do aspecto contemporâneo toda a carga histórica negativa que o negro sofre por se negro.

O texto não quer nada mais do que o direito de dignificar a cultura negra, não como objeto kitsch da sociedade de consumo branca, mas como representação fidedigna do que é ser e sentir-se negro em um país racista.

Fiquem com suas tarantelas, oktoberfest, seu orgulho de ser descendente de Asterix ou de Odin. Fiquemos apenas com nossa representatividade que nos remeterá a ancestralidade roubada pelos brancos que contemporaneamente ainda acham-se superiores ditando o que devemos ou não fazer, sentir e viver.

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bi

o racismo nosso de cada dia

Discordo de Ana Maria Gonçalves. Voltar "30 casinhas"?!  Otimista demais. Ao ler parte dos comentários abaixo, penso que nem mesmo voltando 300.000 casinhas entenderiam o óbvio: o racismo estrutural e estruturante que nos constitui como sociedade.

Com tudo o que vem acontecendo no Brasil, mais essa. Haja estômago.

 

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A cultura branca brasileira é uma fraude, só que ninguém sabe!

Este artigo parte do pressuposto que há uma sólida cultura branca que é muitas vezes levadas pelos descendentes dos imigratantes italianos e alemães, porém o que poucos sabem é que esta tal de cultura dos imigrantes é uma verdadeira piada que não resiste a uma análise menos profunda do que um poço de água de dois palmos.

Vamos aos exemplos que pululam pela chamada "cultura tradicional dos imigrantes", primeiro os imigrantes que vieram para o Brasil tinham um problema muito sério, não puderam trazer a cultura pois simplesmente não a tinham! Para não ficar no lero-lero vou colocar casos concretos que chocarão muitas pessoas. Vou começar pelos italianos.

Os italianos que vieram ao Brasil e pricipalmente os que ficaram em São Paulo fazem o mais surpreendente em termos de cultura, o desrespeito a cultura gastronômica, em São Paulo quando se come massa primeiro chama-se tudo de Macarrão, macarrão seria uma tradução para o português da palavra em italiano Maccheroni, que é um tipo especial de massa, que é feita com farinha de trigo tipo grão duro e água, e tem uma forma específica, é tubular e curta.

Na Itália pessoas cultas chamam as massas conforme sua forma e composição e isto varia de região para região, o que geralmente se chama no Brasil de Macarrão não é o "Maccheroni" é o "Spaghetti" que também em a mesma receita básica do "Maccheroni" porém é massa em forma de um fio leigeiramente arredondado e com um comprimento que pode ultrapassar um metro. Também há o spaghetinni que é mais uma forma das marcas comerciais venderem um espaguete mais fino. Tem também o penne que é uma massa que tem origem do seu nome exatamente no Penis que em italiano é "Pene" (peni seria o plural).

Há diversos tipos de massas ne Itália com denominações conforme a região, mas a pergunta que não quer calar, por que da ignorância dos descendentes de italiano sobre o "primo piatto" da cozinha italiana (prato de entrada)? Pois simplesmente na Italia um prato de massa é considerado uma das entradas possíveis durante as refeições italianas (pode ser um prato de sopa, arroz ou até em situações especiais e mesas pobres a polenta), logo o descendente de italiano, além de chamar tudo que é massa de macarrão faz uma verdadeira heresia em termos de comer a italiana, utilizar a massa como prato principal (coisa de pobre mesmo).

Outro erro espantoso dos italianos do Sul do país é achar que espegueti, com polenta, radite e galeto como uma forma de comer na Itália. Se alguém procurou em algum restaurante italiano na Itália (não as fajutas cantinas italianas no Brasil) esta combinação, deu com os burros n'água, pois simplesmente não existe. A polenta, que muitos pensam que é um prato comum na Itália, é considerado um prato pobre que era servido principalmente no norte da Itália e que atualmente desaparece das mesas dos restaurantes, quanto ao radite, esqueçam.

Por que destes equívocos? Simplesmente porque quem veio para o Brasil eram um bando de miseráveis que comiam o que tinha e polenta por exemplo era o supra-sumo da pobreza.

Agora se vocês acham que vou poupar os alemães, estão redondamente enganados. A alemoada aqui do sul fica toda alegre quando suas esposas fazem receitas de Chimias que teoricamente seriam de suas avós, pois salvo que suas avós detestassem muito a família ou quisessem matá-los não lhes dariam uma Schmier, pois simplesmente em alemão este nome quer dizer Graxa (lubrificante), ou seja, não é nada agradável comer um pedaço de pão com graxa lubrificante de máquinas!

A tradução correta para o que a alemoada aqui do sul chama de Chimia seria Marmelade.

Agora vem o mais grave para a alemoada. Porque nem o nome de um doce feito de frutas eles não conseguiram guardar? Simplesmente por dois terríveis e desconhecidos motivos, os ascendentes dos nossos imigrantes alemães não conheciam e não comia frutas e pior açúcar também não fazia parte da sua dieta. Por que isto? Simplesmente porque além de frutinhas vermelhas que colhiam em arbustos coisas como outras frutas NÃO EXISTIAM na quase total superfície do campo alemão!

Agora de onde vem as famosas receitas da vovó que aparecem no texto como legado cultural reclamado no artigo. De uma memória construída! Totalmente falsa, mas tão bem construída com desejo que seja verdade, que até acham que ela é verdadeira.

No Rio Grande do Sul temos a cidade de Gramado, que é um exemplo clássico de memória construída, os turistas brasileiros, tão burros como o resto da população, olham para as casas e edifícios e numa enrolação mental confundem toda aquela empulhação de arquitetura como originária dos colonizadores alemães e italianos da região. Qualquer um que investigue um pouco vai verificar que o estilo "bávaro suíço" com estruturas em "bechamel" (uso esta expressão para uma pretexta construção tipo enxaimel que era não um estilo de arquitetura, mas sim um método construtivo, e o que é feito na verdade é uma verdadeira cobertura de bolo tipo bechamel).

Poderia dar mais uma dezena de exemplos das "memórias construídas" na população descendente de portugueses, espanhóis, italianos, alemães e outros. Pois na verdade o que ocorreu nestes fluxos migratórios que vieram para o Brasil, 99,9% foi a reba que sobrou naqueles países e não tiveram dinheiro nem conhecimento para imigrar para os Estados Unidos.

Os negros brasileiros tem que deixar de lado todo este mimimi e fazerem que nem os imigrantes que vieram para cá, construírem suas próprias memórias. A partir do que? Da criatividade e da cara de pau dos italianos do galeto com polenta ou dos alemães que comem graxa e acham que estão fazendo o máximo de conservação da cultura que nunca tiveram.

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Feministas africanas, com e sem turbantes.

Hilda Twongyeirwe – escritora e editora – e Chimamanda Ngozi Adichie – Escritora

Rainatou Sow – Diretora Executiva do Make Every Woman Count (Fazer Valer Cada Mulher)

Maame Afon Obeng – Ativista e Musicista – e Melissa Kiguwa – Poeta e artista

Purity Kagwiria – Diretora Executiva do Instituto Dada AkiliPurity Kagwiria – Diretora Executiva do Instituto Dada Akili

Yewande Omotoso – Escritora – e Amina Mama – Professora e Pesquisadora

Nana Sekyiamah – Escritora, Blogger e Ativista – e Amina Doherty – Artivista

Minna Salammi – Ativista, Blogger e Palestrante – e Osai Ojigbo – Advogada e ativista

Abena Busia – escritora, poeta e professora – e Theo Sowa – CEO do Fundo de Desenvolvimento das Mulheres Africanas

Leymah Gbowee – Ativista – e Yaba Badoe – Ativista e cineasta

Aisha Ibrahim Fofana – Professora e ativista – e Ama Ata Aidoo – Escritora

 

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Pão ☭ Paz ✮ Terra ☀

Um paninho básico sobre a cabeça, uma moda antiga, não?

 A moda vai e volta, já dizia mamãe. Não é uma exclusividade africana, não, viu, gente? Nem feminina.

 Moça com o Brinco de Pérola , de Vermeer, 1665, e Suleiman, o Magnífico. 1494 – 1566

Camila Batmanghelidjh, escritora iraniana e seu compatriota, o Aiatolá Sayyid Ali Husaini Sistani

Sheikh Mahmud Barzanji (curdo)

Gloria Swanson

Audrey Hepburn

Outras apropriações culturais do paninho sobre a cabeça:

 

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Pão ☭ Paz ✮ Terra ☀

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bi

A garotada arrasando!

Uma aulinha de história, bem divertida.

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Essa moça é muito bonita, não

Essa moça é muito bonita, não acredito que boçais a ofenderam por causa do cabelo. O black power é lindo! Feio é cabelo alisado a la Michele Obama, na miha opinião, claro.

Interessante o discurso dela. Não sabia sobre esse conceito da apropriação cultural. Gosta-se ou não, fato é que é importante que a agenda do movimento negro mantenha-se dinâmica com novas pautas. Noves fora essa maluquice de arrancarem o turbante da moça branca.

A postura dessa bonita sociológa é claramente de usar a provocação como forma de colocar seus pontos de vista. É válido, porém perigoso, tem que saber fazer. Mas eu não me senti ofendido, nem um pouco

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Juliano Santos

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Ivan de Union

"A postura dessa bonita

"A postura dessa bonita sociológa é claramente de usar a provocação como forma de colocar seus pontos de vista. É válido, porém perigoso, tem que saber fazer":

A "provocacao" nao existe no video, Juliano, eh o que ta faltando, de fato!  A critica cultural de grupos eh valida, fartamente documentada tambem.  Isso te deixa aberto a qualquer um te chamar de racista, antisemita, etc etc etc.  Tem sempre alguem pra te chamar de preto, de viado, de macumbeiro em qualquer grupo mas quando a coisa sai do armario (socialmente, estou dizendo), fica pior, e a tendencia eh para o comportamento aumentar de frequencia e nao diminuir.  O video todo eh a respeito de sempre haver quem nao consegue nem tolerar preto tentando apropriacao cultural.

Note tambem o toque de inteligencia:  a apropriacao cultural dela propria no nome do video:  ela certamente nao inventou essa sentenca nem a criou, ela a leu nas redes sociais como se fosse afirmativa dela, e nunca foi.  Ela ta tao pouco preocupada com a questao do titulo que nem a menciona.

Notando mais uma vez que o video original sobre turbantes dela antecede o incidente da garota doente em um ano e meio.

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Ivan de Union

Foi exatamente o que ela

Foi exatamente o que ela esbocou no primeiro -curtissimo- video!  Ela pensa em grupos e nao em individuais!

Filosoficamente, ela ta com tudo em cima!

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Arrasou, concordo, mas, porém, todavia, contudo....

Negros mostrando inconformidades com brancas de turbantes, ela chama de "esquizofrênicos". Não deixa de ter uma certa razão, o troço é uma psicopatia mesmo. Mas brancos ofendendo uma negra pelo cabelo, ela tem a ousadia de chamar pelo nome correto, não pelo eufemismo de um comportamento psicótico. 

Ela se incomoda com a branquitude, mas precisa definir melhor o que é isso. Não só ela, outras autoras que fazem uso da palavra também. Sartre, ao comentar sobre a negritude, foi compreensivo com o uso do conceito, entendeu como uma reação justificada, mas foi incisivo sobre seu caráter. Se branquitude é um comportamento de caráter negativo, mudando a cor de referência, passaria a ser positivo?

Esse é o risco político da lógica identitária, elas são truncadas pelos dramas pessoais e resvalam em causas individuais, que não compreendem a dimensão sistêmica, nisso a garota mandou muito bem, que a abordagem dos processos de apropriação cultural do sistema capitalista não comporta reações individuais, emotivas, "esquizofrênicas".

Tem razão o comentarista Sérgio Saraiva num dos primeiros comentários abaixo, essas reações "esquizofrênicas"  entregam de bandeja o que os racistas esperam.

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Ivan de Union

"Se branquitude é um

"Se branquitude é um comportamento de caráter negativo, mudando a cor de referência, passaria a ser positivo?":

Ela nao chega perto de sugerir nem um nem outro!

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A partir de 8:35

Ela põe todos no mesmo balaio:

"É tudo que a branquitude,  a mídia racista..."

Por isso que acho que deve explicar melhor o que entende por branquitude. Ela é jovem, mostra empenho no estudo, é inteligente e saberá rever conceitos. 

Já autora da postagem não deixa muita margem de dúvida sobre o que pensa de branquitude ao indagar quando esta vai assumir o racismo. Mudando a cor de referência, fica no ar se a negritude... Entendeu, querido Ivan? As palavras são perigosas.

Um abraço!

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Ivan de Union

(Por sinal, voce ja escutou

(Por sinal, voce ja escutou "Negritude" de Zeze Motta?  Bonito do comeco ao fim!)

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Ivan de Union

Nao, ela poe "branquitude"

Nao, ela poe "branquitude" com a palavra "racista" varias vezes.  Ela esta sim especificando a qual "branquitude" ela esta se referindo, o video inteirinho faz isso -ja esta ate na chamada do item aqui no blog.

Logo  voce, Almeida!  Voce so ta com ma vontade?

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evandro condé de lima

E para por as brasileiras

Vide Carmem Miranda. E os homens estão levando vantagem, não estão se apoderando de cultura de minorias.

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Bruno Silva

Discurso de ódio detect

Eu sou descendente quilombola e tenho uma prima japonesa. Minha prima é branca, tem olhinhos puxados e é descendete quilombola como eu. É dose ver esse tipo de discurso em um mundo globalizado, ainda mais no Brasil. Autoritarismo puro. A cultura do outro não está sobre sua tutela.

Podem usar turbante a vontade. Esse quilombola aqui continuará usando jeans.

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pedro n

é sério isso? agora é cada um

é sério isso? agora é cada um com sua cultura e ponto?

a ideia não é acabar com essas divisões raciais? então por que estamos dividindo mais? algum psicólogo para explicar isso?

 

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Mariana Vasconcellos

Opinião

No meu entendimento, a autora tem razão ao dizer, por meio do exemplo do seu Zé Tem Dó, que apenas quem vive aquilo, apenas se colocando no lugar da pessoa, sabemos como ela se sente na sociedade, pela forma como a sociedade lhe trata. Temos na sociedade exemplos como a de casais brancos que adotam crianças negras, por não serem preconceituosos, verem na criança apenas afeto pelo ser humano que ela é, e sofrerem preconceito pela sociedade. A partir desse fato, eles começam a entender o grau de desumanidade e perversidade existentes na nossa sociedade, porque se trata apenas de uma criança, e começam a perceber e refletir como um negro é tratado e visto pela sociedade e se sente nela. 

A meu ver, o que falta de fato no povo brasileiro é respeito e reconhecimento verdadeiro da sua cultura, que é a mistura de várias culturas porque somos um país que foi colonizado por europeus, que importamos forçosamente africanos e de forma promocional outros europeus, após a Lei Áurea. Só que nossa população é constituída ainda, de pessoas que dão muita importância aos costumes europeus, norte-americanos, e consequentemente vivem dessa cultivação pelo o que são, teoricamente, vestígios de suas origens e desrespeitam as dos demais povos. 

Porém se tivéssemos respeito não precisaríamos de discussões como estas; se tivéssemos reconhecimento pelo fato de sermos BRASILEIROS e respeito mútuo não precisaria dizer o que é de origem A ou B, que só pode ser utilizada por A ou B. Precisamos deixar de lado estes pré-conceitos. Mas enquanto as segregações existirem de um lado (historicamente, do lado declarado branco de nossa população) será autorizado a existir do outro, porque todos tem o direito de cultivar o que entendem como sendo de propriedade sua.

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Nassif, seria interessante

Nassif, seria interessante também incluir também este artigo:

"A população negra é heterogênea, com diversos gêneros, orientações sexuais e bagagens culturais. Vivemos na era da hibridização cultural e somos diversos. Quando será que os negros do punk rock, do axé, da filosofia, das artes e de tantos outros nichos culturais beberão da água do empoderamento? "

http://www.geledes.org.br/os-negros-que-geracao-tombamento-esqueceu/

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Pós-Modernidade: O fascismo do Neoliberalismo!

Extra! Extra! O neoliberalismo deu a todos o poder de ser Fascista!

As Pessoas agora podem gastar linhas e linhas para reprogramação mental dos outros para explicar porque uma pessoa com cancêr deve sofrer preconceito, atos agressivos e mais... Por ser Branca e ter colocado um turbante! Não tem perdão nem para portador de cancêr em tratamento! Isso aí! Chegue com carrinho por trás no individuo sem dó! "É seu pano Ancestral"!
Clãs Modernos! Em Países Capitalistas Desenvolvidos até que dava! Todo mundo tentando se adequar as perspecticas culturais para pegar sua parte no quinhão de recursos drenados de países em desenvolvimento! Muçulmanos dos EUA, afroamericanos, femenistas dos EUA...

Isso tudo com o fim da URSS e hegemonia dos EUA, fez a perspectiva do fim de classes sociais sair da pauta, pois "vencida" a guerra de modelo economico, cabia a sociedade se adaptar para cada grupo ter sua parcela de classe média, sua parcela de ricos e sua parcela maior de pobres! A Solidariedade Universal acabou, todos sendo trabalhadores sem patrões acabou. "Agora é me dá este pano que a cultura é minha" contra a pessoa que enfreta o transporte público de má qualidade junto com você... O empresário foi para Dubai usar turbante! Alô! Alô! Você não viu né?

Brigar com portador de cancêr por causa de pano! Nossa! O multicuturalismo era melhor visto em outros tempos, a China faz algo assim, lá a briga por Han usar algo de uma minoria? Muito mais a frente do que esta desgraça do pós-modernismo! O início do texto já diz tudo: A Pessoa usa alguém com graves transtornos mentais como exemplo a seguir?! Senhor! Ele precisa de solidariedade, não de idealização de algo que o limita! Colecionar carreteis como tesouro e atacar crianças que chegam perto  é para ser modelo!? Grande Multiculturalismo Pós-Modernista! O que ele quer fazer é transformar todo mundo em "Neo-consumidor", traços culturais elevados a categorai de mercadoria!

 

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Ivan de Union

Se a "polemica" eh essa

Se a "polemica" eh essa mesmo, ta muito abaixo do que eu tenho intencao de comentar:

http://www.revistaforum.com.br/2017/02/12/polemica-envolvendo-uso-de-tur...

Varios, varios, e varios conceitos errados.  (A simpatica perola "sofrimento nao eh a mesma coisa que opressao" dita em relacao aa menina doente vai bem com o "se eh que aconteceu".)

Me dispenso do assunto.

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CARLOS FM

Quaquaquaquaquá, prezados!

Estou achando muito engraçado como os iluministas (linha Barroso, L. R., não Diderot, D.) do blogue preferem ignorar a essência do artigo, ou seja, o fato de que símbolos são coisas poderosas e têm história, não podendo ser separados dela sem risco de se tornarem vazios. A partir disso, é fácil perceber que Ana Maria Gonçalves, como é de seu feitio desde "Um defeito de cor", "está com tudo e não está prosa". 

Ah, se os descendentes de povos europeus e asiáticos que também formaram o Brasil andam esquecidos de suas raízes, o problema (ou a escolha, que os vindos de África não tiveram) é deles. Se é mais fácil para oriundi de várias plagas cantarem e dançarem o samba do que a tarantela, a zarzuela, o fado etc., isso só comprova a força cultural da Mama... África, ilustrada agora pela recuperação que as jovens negras estão fazendo do turbante (minhas alunas brancas de Literaturas Africanas de Língua Portuguesa também, mas sabendo do que se trata). Quem quiser ajudar as tradições afrobrasileiras a se conservarem  e atualizarem, será sempre bem-vindo, mas faça o favor de aprender a História inteira, não ficar patinando na superfície do "todos somos iguais perante a lei", já que os PM assassinos não acreditam nisso.

Gostou do samba, do acarajé, do Agostinho Neto, da Paulina Chiziene, do Mia Couto, da Carolina Maria de Jesus, da Elisa Lucinda, do Djavan e do Luís Melodia, da Ana Maria Gonçalves, do Miles Davis? Então entre e fique à vontade, mas "Sem preconceito ou mania de passado/Sem querer ficar do lado de quem não quer navegar" (Viola, Paulinho da).

 

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Admiro o moçambicano Mia Couto.

Ele escreve na nossa língua, tem muito a ver com os africanos lusófonos aí citados, Agostinho Neto e Paulina Chiziene, e com todos nós brasileiros, não só os que você citou, mas qual a correlação com o americano, anglófono, Miles Davis?

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Pão ☭ Paz ✮ Terra ☀

Bravo, CARLOS FM!

Agora sem ironia. Excelente comentário!

Em tempo: A autora compartilhou seu artigo frisando o óbvio 

"Escrevi lá no The Intercept Brasil sobre a polêmica do turbante. Que não é sobre turbante. Nunca foi."

https://www.facebook.com/permalink.php?story_fbid=770613343101074&id=240...

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O macho adulto branco sempre no comando
E o resto ao resto, o sexo é o corte, o sexo
Reconhecer o valor necessário do ato hipócrita
Riscar os índios, nada esperar dos pretos ♪♫

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Ivan de Union

Ah, agora ta claro!  Ela NAO

Ah, agora ta claro!  Ela NAO tinha em mente o caso da menina com cancer, e de fato nem o menciona.  Gratissimo, Vania.

(Continuo achando que ela enfiou a mao numa caixa de maribondos.)

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Caixa de marimbondos

Claro que não é sobre o turbante! Isso é óbvio e só mesmo a má-fé dos marimbondos moribundos não vê!

Ivan, a ocupação atual dos marimbondos brasieliros é se juntar em enxame e atacar as minorias... sejam elas quais forem. Mulheres, NegroXs, LGBT, etc Até os pobres! que não sabem votar, que são igonrantes, que não lutam ... É o que dizem os marimbondos moribundos.

Se forem duas minorias juntas, como no caso presente "mulheres negras", aí vem um enxame de enxame - um metaenxame? - atacar! 

Ao invés de tomarem uma atitude frente ao golpe, de serem proativos, gastam todo seu tempo atacando e culpando as minorias em comentários de posts como este aqui, ou então escrevendo "artigos" que o GGN condescendentemente publica. Numa palavra: BOLHA.

Se você parar pra observar quem está fazendo alguma coisa de fato hoje pra mudar o mundo, vai ver o quê? Mulheres e mais mulheres. Quem levanta a voz são exatamente as minorias tão atacadas pelos marimbondos "progressistas" moribundos que só sabem ficar dando pitaco no que os outros fazem dentro de suas possibilidades.  

Só escrevo aqui pra perturbar mesmo, pra mostrar o óbvio, pra enfatizar como eles estão perdidos dentro de sua bolha pequenininha, apesar de barulhenta. Por que na verdade não mereciam atenção que lhes dispenso, como agora.

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O macho adulto branco sempre no comando
E o resto ao resto, o sexo é o corte, o sexo
Reconhecer o valor necessário do ato hipócrita
Riscar os índios, nada esperar dos pretos ♪♫

Cara Vânia, leia o que escrevi mais acima, pois para ....

Cara Vânia, leia o que escrevi mais acima, pois para mim é claro que simplesmente NÃO EXISTE ESTA TAL DE CULTURA BRANCA NO BRASIL, somos uma nação de ignorantes, brancos, pretos, pardos ou loiros.

Ninguém dança aqui o minueto porque nem sabem o que é, se fossemos falar em racismo temos que partir deste básico, o racismo é impulsionado no Brasil mais para que alguém na escala social fique abaixo do que para se apropriar de símbolos e outras babaquices deste tipo.

Por que o brasileiro é racista? Simples pelo mesmo motivo porque o alemão era antissemita, para que quando o patrão desse uma chamada no sujeito ele achava alguém que deveria estar abaixo dele, e na Alemanha era mais sintomático e mais claro do que a apropriação de símbolos culturais é uma besteira, porque geralmente o Judeu era muito mais culto que o alemão médio!

Logo o racismo é simplesmente o racismo, é a forma dos fracos de colocar alguém abaixo deles.

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Racismo

Existe.

Mas é total lavagem cerebral culpar os brancos por todos os problemas dos negros.

O artigo é puro racismo!
Só não percebe quem é ignorante...

Foi ameaçado de processo AQUI por dizer que o movimento negro é racista.
E agora, cadê o Alan?
Botacara!

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Esquece isso Athos...

Finalmente a quase totalidade dos comentaristas desse blog convergiram para a sua ideia de moralidade e ética soobre as minorias e os direitos humanos (para humanos direitos). É só ler o que disseram os homens cultos e brancos nesse mesmo post. 

Relaxa! É mais fácil eles processarem essa mulher negra racista (segundo você e seus cumpanheiros daqui) - autora do texto em pauta - do que você, caríssimo (a eles).

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O macho adulto branco sempre no comando
E o resto ao resto, o sexo é o corte, o sexo
Reconhecer o valor necessário do ato hipócrita
Riscar os índios, nada esperar dos pretos ♪♫

Apenas para esclarecer

Eu chamei o Movimento Negro como um todo de racista.

Sobre a articulista eu apenas disse que ela sofreu lavagem cerebral e, por conta das lavagem cerebral, está disseminando idéias racistas.

....É ela não percebe PORQUE é ignorante.

Acho que agora está claro!

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Ivan de Union

(Que pena, coloquei um

(Que pena, coloquei um comentario bunitim bunitim pra voce ontem e se perdeu!)

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Ivan de Union

Nao, nao eh racismo.  Eh

Nao, nao eh racismo.  Eh apropriacao cultural em seu mais puro estado.  Nao ha nenhuma populacao negra no mundo que se sente proprietaria do SIMBOLO "turbante".

A coisa parte de um MOVIMENTO cultural (o da linda garota do video no link) que lancou o turbante como simbolo de auto afirmacao feminina, so isso, e que realmente conseguiu colocar turbantes em centenas de milhares de mulheres no mundo todo. Um movimento muito bacana, nao tem nada a ver com generalizar isso pra todo mundo.  Da moca do video voce acha que esta vendo um movimento de auto afirmacao, nada de mais.  Mas o texto acima eh uma apropriacao dos conceitos da moca e do proprio turbante.  E ai entramos em apropriacao emocional dos antepassados, coisa que os brasileiros em geral nao praticam tampouco, e cuja propria moralidade eu questiono quando usada como arma.

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"Nós não tiramos sarro de

"Nós não tiramos sarro de vocês quando vocês defendem estes lugares que fazem parte da história do seu povo. Nós não fazemos piadas com os significados que estes lugares têm para vocês."

Pois aí é que está, deveriam. Por que na imensa maioria das vezes, são "significados" fakes.

Vamos fazer um pouco de antropologia de branco. Quase todos os sobrenomes são falsos, desde os sobrenomes supostamente "judeus", que são em geral sobrenomes portugueses, impostos no batismo forçado pela inquisição, até aqueles mutilados na emigração, como lembra o Maestri, passando pelo fato óbvio de que nas classes populares abundam os enjeitados e seus sobrenomes "de Deus", "Donadio", etc. E aí vem a língua totalmente mitologizada, com supostos descendentes de "italianos" aprendendo o dialeto florentino para "resgatar suas origens" - o mesmo dialeto "estrangeiro" que foi imposto a ferro e fogo aos seus antepassados que falavam vêneto, sardo, siciliano ou calabrês.

Essas "raízes identitárias" dos brancos brasileiros são totalmente ridículas, e deveriam ser expostas pelo ridículo que são. Porque não são ridículas só por que são falsas, mas porque são autoindulgentes, seja quando são raízes, na quase totalidade dos casos postiças, nas classes altas europeias, usadas num auto-engrandecimento absurdo pelos supostos "descendentes" de barões ou grandes mercadores, seja quando são raízes, talvez menos fantasiosas, no campesinato miserável de países que praticamente os expulsavam, usadas para o pequeno-burguês se autocongratular pelo tanto que avançou, da aldeia analfabeta na Sicília, no Minho ou na Pomerânia até o condomínio de pseudo-luxo na Barra da Tijuca e seus equivalentes nas outras grandes cidades brasileiras.

Seres humanos não são árvores e não têm raízes.

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Ivan de Union

Descobri!  Ela esta

Descobri!  Ela esta comentando o artigo que linkou e nao o caso da garota com efeito de chemo:

http://azmina.com.br/2016/04/apropriacao-cultural-e-um-problema-do-siste...

(o  video eh um barato)

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isso aí, Ivan!

Tão vendo como é fácil entender do que se trata? Basta um pouquinho de atenção e boa vontade, antes de sair linchando a autora, suas reais e merecidas motivações e sua luta.

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E o resto ao resto, o sexo é o corte, o sexo
Reconhecer o valor necessário do ato hipócrita
Riscar os índios, nada esperar dos pretos ♪♫

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Ivan de Union

Nao tendo ideia do que a tal

Nao tendo ideia do que a tal "polemica" estava suposta a ser, eu adorei o item.  Ele tem conceitos errados, mas eh muito, muito bom.  Ela nao percebe que tornar um turbante um "simbolo" de alguma coisa que nao seja empoderamento pessoal ou grupal eh, em si, uma apropriacao cultural.  Nesse estritissimo sentido, o turbante nao foi literariamente bem usado e todo mundo ta pensando que ela ta falando de outra coisa(!).  A garota do video, no entanto, tem todo direito de falar o que fala, foi ela quem lancou o turbante como simbolo de empoderamento e auto afirmacao e ja era parte da filosofia dela antes do incidente da garota doente -o video antecede o incidente.

Coisa rara:  ela pensa em grupos, por exemplo, coisa que eu nunca penso -eu nao me identifico com "o grupo", qualquer que seja ele, por me considerar o grupo todo -vai com empatia, nao com "apropriacao".  E brasileiro em geral nao se identifica com grupos mas com panelas e panelinhas, entao isso eh uma coisa rara.

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Zé Trindade

"Esse tipo de postura da

"Esse tipo de postura da militância de esquerda/negra não mascara apenas o racismo, mas também a enorme ignorância de quem defende esse tipo de coisa. Os turbantes foram criados muito provavelmente pelos mesopotâmicos e foram utilizados por diversos povos diferentes pelos séculos. Persas, árabes, judeus, hindus, indianos, gregos, povos das Américas, todos usaram turbantes de várias maneiras e bem antes da era cristã. O turbante, inclusive, já foi símbolo de status social e poder econômico e político em alguns povos, inclusive africanos. Aliás, esse também é o caso das tranças e dreadlocks.

Turbantes também já foram utilizados por pintores e artistas para proteger os cabelos das tintas e pó de mármore, fizeram parte da indumentária de homens e mulheres europeus durante o período medieval, foram utilizados por Maria Antonieta como peça de moda, e, finalmente, renasceram quando Paris já era considerada a capital mundial da moda no século XX com o estilista frânces Paul Poiret na década de 20. Turbantes também foram muito utilizados pelas mulheres europeias durante a II Guerra Mundial para esconder os cabelos mal cuidados devido às condições de vida precárias da época.

No Brasil, ao contrário do que se possa pensar, o turbante chegou com os primeiros europeus que vieram desbravar o território, não com os negros africanos. Há relatos de que viraram moda no país com a chegada da família real, em 1808, visto que a rainha Carlota Joaquina e outras damas da corte desembarcaram usando turbantes para disfarçar a peste de piolhos que acometeu os tripulantes durante a viagem"

 

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Bobo

Texto apropriado dos USA, cheio de americanismos

A negritude não é racista comparada com a branquitude pela historia e desenvolvimento da cultura negra por aqui. Porque a cultura negra não se resolve tanto em nacionalidades quanto as de imigração Europeias dos seculos IXX e XX por conta da forma de exploração. O que não impede a adoção de mitos de raca unica e atitudes fascistas como se fosse expressão cultural por parte dos alienados.

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