Revista GGN

Assine

Brasil está mais preparado para dar apoio à inovação

Jornal GGN - Para incentivar a inovação e apoiar empresas de base tecnológica, o Ministério de Ciência, Tecnologia, e Inovação (MCTI) criou o Startup Brasil.

Não é o primeiro programa deste tipo do governo federal, mas com a experiência dos anteriores, vem sendo o mais bem sucedido. É o que afirmou José Henrique Dieguez Barreiro, coordenador geral de Serviços e Programas de Computadores, da Secretaria de Política de Informática do MCTI.

Ele esteve presente no 61º Fórum de Debates Brasilianas.org.

De acordo com Dieguez, o foco do governo com o programa é ajudar essas empresas a transformarem seus produtos em negócios. “As tecnologias desenvolvidas no Brasil têm dificuldade em se transformar em negócios e depois acessar o mercado. Muitos projetos guardam foco excessivo na resolução de desafios tecnológicos em detrimento da atenção às necessidades de mercado e perdem o timing”, disse.

Por isso, ao invés de oferecer apenas financiamentos ou bolsas, o Startup Brasil se propõe a criar o acesso ao mercado e o ambiente de negócios para que a inovação efetivamente aconteça.

O processo de seleção é curioso. No início de uma chamada, é realizado edital com as aceleradoras (fundos de investimento com capital privado que vão participar de todas as etapas do programa com as startups).

Em seguida, depois de selecionadas as aceleradoras, é aberto o edital para as startups. Nessa etapa, as aceleradoras formam uma espécie de banca avaliadora. Portanto, a escolha das startups não é feita apenas pelo governo, mas também pelas investidoras, com base em suas próprias experiências.

“O filtro é muito grande. Apenas 5 a 6% das startups se qualificam. Das 2.855 propostas, 183 startups foram efetivamente apoiadas”, detalhou Dieguez. “Os números podem ser pequenos. Quando a gente fala de políticas públicas todo mundo quer ouvir mil, milhão. Mas nós queremos os campeões. Não adianta fazer muito e fazer mal feito”, justificou.

Para ele, é função do governo dar apoio às áreas de risco. “O estado tem o papel de minimizar o risco. Isso é aceito em todas as partes do mundo”, disse.

Para a primeira turma selecionada, o investimento público ao longo de 12 meses foi de R$ 8,1 milhões. “O programa entrega muito mais do que bolsas, entrega relacionamento, redes, conexões”, defendeu Dieguez.

Também presente no Fórum Brasilianas, a diretora da Secretaria de Políticas Culturais do Ministério da Cultura (MinC), Georgia Haddad Nicolau, disse que os investidores no Brasil não estão acostumados a lidar com risco. “Inovação é experimentação, envolve erro. A colaboração é fundamental. Como no princípio da ética hacker. Eles vão por tentativa e erro. Individualmente todos erram. Mas juntos todos acertam”.

Para ela, o Brasil tem programas de apoio ao empreendedorismo e inovação “aos montes”. “Falta uma política integrada”.

Eiran Simis, gestor da área de Empreendedorismo do Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (CESAR), lembrou que o Brasil já teve diversos programas de apoio à inovação, como o Inovar, de 2001, o Programa Juros Zero, de 2004, o RHAE Inovação, de 2004, a Subvenção Econômica, de 2006, o Prime, de 2009, o PAPPE Integração, de 2010. Eles representaram um aprendizado, mas pecaram pela ausência de sistemas de avaliação.

“Para que o projeto não seja um desperdício é preciso institucionalizar uma avaliação cuidadosa. O Startup Brasil é bem mensurado. Eles medem cada bet. Isso é muito importante e dessa vez está sendo muito bem feito”, garantiu.

Leia também: As políticas de apoio às startups, por Luis Nassif

Média: 3.7 (3 votos)

Comentar

O conteúdo deste campo é privado e não será exibido ao público.
CAPTCHA
Esta questão é para testar se você é um visitante humano e impedir submissões automatizadas por spam.