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Como a educação inclusiva enfrentou o preconceito e as Apaes

No sábado passado, na mesa  da Livraria da Vila em São Paulo, Deborah, filha de Margarida, distribui autógrafos de seu livro de histórias infantis. Recentemente, formou-se em Magistério em Natal.

Na fila, o jovem Samuel, filho de Antônio Carlos, formado em designer de moda. Filho de Ana Cláudia, Pedro, aluno de culinária, não teve agenda para ir ao evento, assim como Bruno, filho de Rosane, também cursando educação física. Mas Vinicius, filho de Eugenia e aluno do Dante Aligheri esteve firme e atento, assim como Mariana, filha de Glória e Rogério.

Em comum, todos são portadores de síndrome de Down. E são filhos da educação inclusiva, uma luta civilizatória que ficou mais forte nos anos 90 quando um grupo de pais percebeu que o melhor caminho para a integração de seus filhos na sociedade seria através da escola regular - não em comunidades segregadas, como as das APAEs (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais).

Hoje, essa bandeira está ameaçada por um arco do atraso que perpassa todos os partidos políticos, poderá provocar uma regressão de dez anos nas bandeiras da educação inclusiva e a desmoralização do Senado, como agente de direitos humanos difusos.

Na linha de frente do combate à educação inclusiva estão:

•      duas Ministras do governo Dilma – Gleise Hoffmann, da Casa Civil e Maria do Rosário, da Secretaria dos Direitos Humanos, ambas com pretensões ao governo de seus respectivos estados;

•      senadores situacionistas – como Paulo Paim e Lindbergh Farias (provável candidato ao governo do Rio de Janeiro);

•      líderes oposicionistas – como o senador paranaense Álvaro Dias e o ex-senador e atual vice-governador do Paraná Flávio Arns;

•      o governo tucano do estado do Paraná;

•      e políticos meramente pusilânimes – como o senador e ex-Ministro da Educação Cristovam Buarque.

Gleise, Maria do Rosário, Paulo Paim, LIndbergh Faria, Flávio Arns e Álvaro Dias

Por trás dessa aliança suprapartidária, interesses eleitorais menores em relação à rede das APAEs.

De instituição meritória de décadas atrás, quando comandada pela histórica dona Jô Clemente,  sob a liderança da Federação das APAEs e do ex-senador Flávio Arns a rede de APAEs transformou-se em uma máquina eleitoral  de duas faces.

A face legítima é composta por voluntários, pais empenhados em buscar o melhor para os filhos. A face deletéria é a da organização política controlada pela Federação das APAEs, colocando os interesses de dirigentes acima das pessoas assistidas, manobrando a deficiência como mero instrumento para o acesso às verbas públicas e para promoção política, recorrendo a um festival de desinformação sem paralelo e constituindo-se, hoje em dia, no principal obstáculo à educação inclusiva.

De como a inclusão tornou-se bandeira civilizatória

Antes de entrar na parte mais sensível da história, recomenda-se entender melhor o movimento pela educação inclusiva.

No primeiro código de educação de São Paulo, já se defendia que a educação das pessoas com deficiência deveria ser “preferivelmente” na rede escolar. Esbarrava-se na falta de estrutura.

No Brasil a luta ganhou consistência mais de três décadas atrás quando a educadora paulista Maria Teresa Mantoan, professora de uma escola especial para deficientes, visitou uma escola pública. Foi assistir a um show de dança. Lá, deparou-se com um rapaz sem braços e sem pernas com uma mochila ao seu lado.  Quando a dança começou, um colega pegou a mochila, encaixou nas próprias costas, colocou dentro o menino com deficiência e sairam dançando pela sala.

A cena descortinou um mundo novo para Maria Teresa, que entendeu a diferença essencial entre crianças convivendo com colegas sem deficiência e as demais, segregadas em escolas especiais, convivendo apenas com outras crianças com deficiência e entrando na vida adulta sem o menor preparo para enfrentar ambientes não segregados.

A luta ampliou quando a procuradora de Justiça potiguar Margarida Araújo Seabra de Moura conheceu uma escola avançada em Natal disposta a receber sua filha Deborah para educá-la em uma classe com colegas sem deficiência.

Foi um aprendizado histórico, o primeiro trabalho sistemático no ensino fundamental inclusivo. De lá, Deborah foi para a escola pública, enfrentou bravamente a discriminação e reverteu sozinha o preconceito de colegas.

Estava preparada para enfrentar o mundo, graças à educação inclusiva.

Em julho passado, tornou-se a primeira professora com Down, merecendo uma reportagem no Fantástico (http://glurl.co/cJZ).

Em Santos, o casal  Antônio Carlos Sestaro deu à luz Samuel, também com Down. Os pais quiseram que estudasse nas mesmas escolas dos seus irmãos. Inicialmente as escolas recusaram. O casal recorreu à Justiça para exigir o cumprimento do direito. Dessa luta nasceu a Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down. E formou um rapaz capaz de enfrentar plateias exigentes, palestrando sobre a eficiência da educação inclusiva.

A luta foi ganhando adeptos entre os pais de crianças com deficiência, como o casal Glória e Rogério Amato, pais de Mariana, a odontóloga Rosane Lowenthall, mãe de Bruno,  e simpatizantes da causa, como a jornalista carioca Cláudia Werneck. E conquistou o apoio de figuras emblemáticas, como dona Jô Clemente, a própria criadora da APAE.

Trecho do filme “Do luto à luta”

Em depoimento histórico, dona Jô contou que, na época de seu filho criança, a APAE era o único caminho existente para acolhe-lo. Mas hoje em dia não vacilaria em colocá-lo em uma escola da rede regular, por saber que lá seu desenvolvimento seria maior.

No mesmo documentário havia o depoimento da mãe de Vinicius, a procuradora da República Eugênia Gonzaga que, finalmente, colocou em prática o disposto na Constituição. A partir de sua luta, o Ministério Público encampou a tese de que a inclusão escolar é direito inalienável da criança - contra o qual nem os pais podem se insurgir. E a recusa em aceitar a criança com deficiência na escola constituía-se em crime.

Com a Constituição em punho, em 2002 começou a batalha da procuradora Eugênia para fazer valer a lei e permitir a outras crianças o acesso à educação inclusiva.

Em reforço à tese, em 2006 a ONU (Organização das Nações Unidas) promulgou a Convenção Sobre Direitos de Pessoas com Deficiência, reconhecendo o direito das pessoas (e a obrigação do Estado) de terem acesso à rede regular de ensino.  E o Brasil foi signatário.

As primeiras batalhas em torno da nova bandeira

No âmbito das políticas públicas de educação, havia três passos a serem percorridos para a consolidação das políticas de educação inclusiva:

1. O convencimento do MEC (Ministério da Educação).

2. A preparação da rede escolar para acolher as crianças com deficiência.

3. Dadas as condições, a uso da lei para obrigar as escolas recalcitrantes a aceitar alunos com deficiência.

As primeiras tentativas de sensibilizar o MEC ocorreram na  gestão Paulo Renato, ainda no governo FHC. A área de atuação do MEC - a Secretaria de Educação Especial (SEE) - passou anos sob direção de Marilene Ribeiro,  amplamente influenciada pela bancada das APAEs e contra toda forma de inclusão.

Antes de deixar o cargo, Paulo Renato convenceu-se da importância da educação inclusiva e demitiu Marilene. Assumindo, o novo Ministro Cristovam Buarque sentiu de imediato o peso do lobby das APAEs – já liderado pelo então senador Flávio Arns.

Buarque nomeou para a Secretaria Cláudia Dutra, esposa do deputado gaúcho Paulo Pimenta (PT). Boa professora, mas sem conhecimentos maiores da matéria, Cláudia juntou as partes, ouviu argumentos de lado a lado e se convenceu da importância da educação inclusiva. Dali em diante, seria peça fundamental para implementar as novas políticas.

Começava a tomar forma uma nova política de inclusão, que se materializou na gestão Fernando Haddad.

Em 2007, após muitas reuniões, discussões, negociações com todos os grupos envolvidos, o MEC lançou sua política de educação inclusiva.

Mesmo com a Constituição, no ano 2.000 havia menos de mil pessoas com deficiência física no ensino médio, por falta de preparo das escolas e de instrumentos que as obrigassem a receber os alunos com deficiência.

Com o movimento dos pais, a adesão do MEC, a criação de uma série de programas de apoio às escolas e de capacitação do quadro de professore - e com a obrigação legal das escolas de acolherem os alunos com deficiência - em poucos anos o novo modelo consolidou-se como uma das grandes obras de cidadania do país.

O Censo MEC/INEP/2012 revelou 102.682 estabelecimentos de educação, públicos e privados, com matrículas de estudantes alvo de educação especial, em um total de 820.433 matrículas, 67% do total. 39.683 instituições de educação básica já tinham se preparado arquitetonicamente para receber alunos com deficiência. Até 2013, 37.801 escolas de 5.021 municípios já recebiam regularmente materiais didáticos e pedagógicos do MEC através da implantação de Salas de Recursos Multifuncionais, cada qual com uma infinidade de equipamentos de acessibilidade. 1.713 veículos acessíveis já tinham sido disponibilizados até o primeiro semestre de 2013, atendendo 1.513 municípios.

A formação de mão de obra disparou também. Entre 2007 e 2012 foram disponibilizadas 76.800 vagas  em 91 cursos, por 27 instituições públicas de educação superior (IPES), no âmbito do Programa de Formação Continuada de Profissionais do Magistério da Educação Básica.  O censo escolar 2012 contou 88.244 professores declarando-se com formação em educação especial.

Não se descuidou da LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais). O Censo de 2012 indicou 3.012 escolas públicas de educação básica com professores tradutores/intérpretes de LIBRAS, e 1.787 IPES oferecendo intérprete/tradutor.

Houve reflexos no ensino superior. O número de universitários com alguma forma de deficiência saltou de 6 mil para 27 mil em poucos anos. No último ENEM, houve 70 mil solicitações de atendimento especial, desde a LIBRAS e provas em braile até recursos de mobilidade.

O papel chave que as APAEs se recusaram a seguir

Na estratégia desenhada por Haddad, caberia às APAEs dois papéis centrais. O primeiro, o de auxiliar a rede convencional a se preparar para acolher os alunos com deficiência. O segundo, o de atuar como fiscal, denunciando as escolas que se recusassem a cumprir a lei.

As fontes de recursos das APAEs são convênios com estados e municípios, doações de particulares, convênios com o MEC, através da Secretaria de Educação Especial e do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação), do PDDE (Programa Dinheiro Direto na Escola), que paga sem passar pelos municípios, convênios com os Ministérios da Saúde e do Desenvolvimento Social.

Conseguiram esses recursos através de lobby junto à SEE, que em 1994 incluiu esse privilégio na LDBEN (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional).

Para obter a adesão das APAEs aos novos tempos, Haddad imaginou um modelo que ampliasse ainda mais os recursos, através do FUNDEB (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação), uma conta onde União, Estados e Municípios registram seus gastos obrigatórios com educação.

Por definição, o FUNDEB só poderia apoiar escolas públicas. Haddad criou a figura da dupla matrícula para a inclusão, abrindo uma exceção para as filantrópicas.

Para cada aluno que matricula, a escola recebe R$ 670 por mês. Se for aluno com deficiência, receberá 1,2 x R$ 670, ou R$ 804,00. Se apresentar um plano de atendimento especial daquele ano, terá direito a 2,4 x R$ 670 ou R$ 1.608,00. Com esse recurso, poderá contratar professores especiais, além das linhas de recursos para aquisição de equipamentos.

Abriu-se a possibilidade para as escolas terceirizarem essa segunda matrícula para instituições filantrópicas – dentre as quais, as APAEs.

Cabe a cada Secretaria municipal ou estadual definir as parcerias. No caso da primeira matrícula, é obrigatória na rede regular de ensino. No caso de segunda matrícula, é "preferencialmente" na rede regular, mas podendo ser terceirizada para a filantrópica mediante a apresentação de um projeto de atendimento ao aluno. Esse acordo foi sacramentado no Congresso Nacional.

Imaginou-se, ali, um modelo redondo.

As APAEs não perderiam nenhuma de suas verbas tradicionais e ainda teriam direito aos recursos referentes à segunda matrícula do Fundeb, no caso de atendimento especial de crianças na rede pública.

Imediatamente a histórica APAE-São Paulo, criada por dona Jô, aderiu ao projeto, fechou sua escola especial e colocou seus especialistas para auxiliarem a rede regular a se preparar para os novos tempos. Ficou isolada.

Julgou-se que o objetivo maior das APAEs fosse a melhoria das condições de seus alunos. Engano! A esta altura, a máquina da Federação das APAEs havia consolidado outros interesses, de dirigentes com propósitos políticos, mais preocupados em ampliar o acesso às verbas públicas do que promover a inclusão de suas crianças.

A segunda matrícula foi um maná que, nos últimos quatro anos, carreou para os cofres das APAEs mais de  R$ 2 bilhões. Foi como dar carne fresca ao leão.

Garantidos os recursos da segunda matrícula, o lobby das APAEs decidiu avançar também sobre a primeira matrícula, desvirtuando totalmente os objetivos da educação inclusiva. A Constituição vetava, assim como a lei votada em 2007 e as próprias conclusões do PNE (Plano Nacional de Educação).

Liderada por Flávio Arns, com a adesão de Gleise Hoffmann, as APAEs se valeram da votação da PNE no Senado para torpedear a educação inclusiva, contando para isso com o apoio de senadores sem nenhum compromisso com direitos humanos e a universalização da educação inclusiva.

Como as APAEs aproveitaram o PNE para derrubar acordos

Através do artigo 214, a Constituição de 1988 instituiu os planos nacionais de educação, com duração decenal.

 O atual PNE é o segundo plano montado. A redação original foi discutida amplamente nas diversas conferências estaduais e, finalmente, aprovada na Conferência Nacional de Educação (CONAE) do ano de 2010, conforme previsto na Constituição (clique aqui para acessar do documento final). 

Conferências nacionais de educação tornaram-se, mundialmente, referências indiscutíveis de avanços sociais. As conferências mundiais de Jontien, Salamanca e Dakar definiram documentos essenciais para a universalização do ensino e passaram a inspirar as conferências nacionais.

A CONAE de 2010 foi a primeira oficialmente convocada pelo MEC. Foi em Brasília, de 28 de março a 1o de abril de 2010. Na fase preparatória, em 2009, houve Conferências Municipais, Estaduais e do Distrito Federal. As propostas foram consolidadas por uma comissão de mais de 30 órgãos públicos e da sociedade civil. No total, as conferências envolveram 700 mil pessoas.

Para uma proposta ser submetida à votação do CONAE, precisa passar, primeiro, pela aprovação de cinco estados.

Todos esses procedimentos foram seguidos na definição da Meta 4 do PNE. Por ela, a comunidade de educação defendia que a educação regular inclusiva deveria se dar obrigatoriamente na rede regular de ensino, acabando com o duplo sistema.

O PNE foi submetido, então, à aprovação do Congresso. Quando chegou no legislativo, o lobby das APAEs explodiu em toda intensidade. Atropelou acordos anteriores, leis anteriores, convenções internacionais, as decisões da CONAE,  aproveitando a votação do PNE para reverter um avanço já consolidado.

Chegou na Câmara com a redação de que pessoas com deficiência seriam atendidas sempre nas escolas comuns, com apoio especializado à parte.

Na Câmara, o lobby das APAEs derrubou o texto.

Todas as convenções estaduais, todos os educadores envolvidos na discussão da CONAE, as 700 mil pessoas que participaram das conferências, a própria Convenção da ONU foram deixadas de lado pelo deputado Ângelo Vanhoni, relator do projeto, pressionado pela Ministra-Chefe da Casa Civil Gleise Hoffmann.

A redação dada por Vanhoni foi a seguinte:

Meta 4: universalizar, para a população de 4 (quatro) a 17 (dezessete) anos, o atendimento escolar aos(às) alunos(as) com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação, preferencialmente na rede regular de ensino, garantindo o atendimento educacional especializado em salas de recursos multifuncionais, classes, escolas ou serviços especializados, públicos ou comunitários, nas formas complementar e suplementar, em escolas ou serviços especializados, públicos ou conveniados.

Com essa redação, com a volta do termo "preferencialmente" liquidava-se com a obrigatoriedade das escolas regulares acolherem alunos  com deficiência e abria-se espaço para que as APAEs avançassem sobre as vagas do ensino regular. Sempre haveria o álibi para qualquer secretário de educação municipal se eximir da obrigação de preparar a escola para a inclusão e manter os alunos segregados nas filantrópicas.

Ao chegar no Senado, as distorções foram corrigidas pela Comissão de Assuntos Econômicos, tendo como relator o Senador José Pimentel. Retirou-se o termo “preferencialmente” para o ensino regular e limitou até 2016 os repasses do Fundeb para as APAEs. A medida provocou uma intensificação das pressões pelas redes sociais, onde se recorria a toda espécie de boato, inclusive o de que as APAEs seriam fechadas.

Na Comissão de Constituição e Justiça, deixou-se um texto dúbio.

Agora, o projeto encontra-se na Comissão de Educação do  Senado, presidida pelo Senador Álvaro Dias, paranaense como Flávio Arns e como Gleise Hoffmann. E que já se mostrou disposto a encampar o discurso excludente das APAEs.

Como as APAEs se tornaram uma máquina de lobby

Ao longo dos anos, as APAEs foram sendo apropriadas por grupos políticos criando uma rede de interesses que se superpôs aos próprios interesses das crianças com deficiência. E atuando com os mesmos métodos da política convencional.

Na teoria, cada APAE municipal é independente. Na prática, dependem da certificação da Federação das APAEs para terem acesso às verbas públicas. É por aí que se consolidam as influencias políticas e amplia-se o poder dos caciques.

Foi assim em 2006 na votação da CPMF. Para garantir o apoio da bancada da APAE, o senador Flávio Arns exigiu de Lula um decreto aumentando os privilégios das APAEs. Lula safou-se com um texto dúbio que, depois, foi devidamente corrigido pelo MEC.

Quando o Ministério Público Federal decidiu encampar a bandeira dos direitos das crianças com deficiência à rede básica, a campanha das APAEs tomou ares soturnos.

As palestras da procuradora Eugênia Gonzaga passaram a ser invadidas por dirigentes de APAEs arrastando consigo batalhão de crianças com deficiência, em uma exploração vergonhosa das vulnerabilidades.

Com apoio da Secretaria de Educação Especial, Eugenia e outras autoras prepararam uma cartilha explicando que era crime de abandono intelectual deixar criança com deficiência fora da escola. Aliás, é crime deixar qualquer criança fora da escola.

A procuradora foi  alvo de 3 mil ações de habeas corpus da rede das APAEs, com cópias xerocadas, que atravancaram por um ano a Secretaria do TRF (Tribunal Regional Federal) da 3a Região. Tudo sob a liderança velada de Flávio Arns.

A manipulação das crianças com deficiência tornou-se peça política permanente na atuação das APAEs.

Certa vez, o deputado mineiro Eduardo Barbosa enviou um grupo de pessoas com deficiência para manifestações no MEC. O então Ministro Fernando Haddad abriu o auditório e colocou todos para dentro. Desnorteado com a atitude de Haddad, Barbosa correu até o auditório e, com linguagem de sinais, tentava convencer os deficientes (muitos surdos) a se retirarem.

Esse interesse político menor foi responsável por um dos piores momentos do Senado: a audiência pública convocada para discutir a educação inclusiva no dia 5 de novembro passado.

Na plateia, claques das APAEs vaiando de forma acintosa os que pensavam de forma contrária,  provocando os debatedores. Na mesa dos debatedores, um show inigualável de oportunismo político por parte de muitos senadores,  interessados em obter apoio ou, no mínimo, a simpatia das APAEs.

Pai de uma menina com síndrome de Down - que frequenta escola regular -, o  senador Lindbergh Farias, candidatável ao governo do estado do Rio, defendeu com unhas e dentes as escolas especiais, alegando que a inclusão poderia ser boa para sua filha, mas não  para os autistas. 

Ministro que iniciou o modelo de educação inclusiva, Cristovam Buarque condenou a inclusão como direito indisponível das crianças.

Mesmo alertado que a redação que veio da Câmara é inconstitucional, o senador Rodrigo Rollemberg defendeu o fim da obrigatoriedade do ensino inclusivo na rede regular de ensino

O uso político das APAEs

A politização das APAEs traz à tona um vácuo legal na atuação das filantrópicas ligadas  à deficiência.

Hoje em dia não existe um Marco Regulatório das Organizações Sociais. Elas prestam serviço público, recebem recursos públicos, mas não obedecem às mesmas regras de transparência.

Em muitos municípios, por falta de informações, a prefeitura disponibiliza seus professores especializados para trabalharem nas próprias APAEs, em vez de serem instrumentos de inclusão nas escolas municipais. Como recursos de convênios saem da União, passam por estados e municípios, não há centraização das informações, padronização de procedimentos ou exigências de transparência e contrapartidas.

Na educação superior, por exemplo, o MEC certifica que as PUCs são instituições filantrópicas com direito à isenção de impostos. Mas recebe, como contrapartida, bolsas para o PROUNI. No caso das filantrópicas, não há nenhuma espécie de contrapartida nem de controle social.

A falta de transparência perpassa as atividades mais comezinhas. Por exemplo, nas escolas públicas há uma chamada geral para estudantes. Exige-se do gestor – seja o diretor da escola ou o Secretário Municipal de Educação – total transparência e isonomia para o preenchimento de vagas. As APAEs não estão submetidas a esse controle, o que confere a seus gestores um poder de arbítrio na definição das vagas.

No caso do Prouni (as bolsas para estudantes em universidades privadas) há regras claras de prioridade de acesso para os bolsistas. No caso das APAEs, não existe nenhuma regulamentação.

Como instituições auxiliares de educação, por exemplo, deveriam se submeter ao controle social dos Conselhos Tutelar, do Direito da Criança, de Educação e do Ministério Público. Mas nada disso ocorre, o que faz com que a seriedade de cada APAE dependa exclusivamente da seriedade dos seus dirigentes, não de formas institucionalizadas de controle.

Sem esse controle, muitas APAEs acabam sendo extensões de partidos políticos, obedecendo à mesma lógica de apadrinhamento e/ou aparelhamento do executivo.

Mas não se fica nisso.

Há uma exploração política disseminada, de dirigentes utilizando as APAEs como trampolins para candidaturas políticas, de vereadores a deputados e senadores.

A candidatura política de Flávio Arns, por exemplo, é pavimentada por uma montanha de recursos públicos para uma organização privada.

Investir R$ 420 milhões na rede pública do estado não lhe daria a visibilidade e os votos garantidos pela distribuição de verbas para as APAEs, como as que anunciou em agosto passado. 

O mesmo ocorre em outros estados.

Ex-presidente da Federação das APAEs, o deputado federal Eduardo Barbosa (PSDB-MG) conseguiu transferir R$ 1,2 milhão para bancar 37 eventos e um congresso estadual em plena campanha eleitoral de 2010. Tudo bancado por dinheiro público nas APAEs.

O jogo pesado das APAEs não se limita à eleição de seus candidatos.

Na campanha de 2010, a APAE de Poços de Caldas – trampolim político de seus dirigentes – chocou o eleitorado ao denunciar que  o MEC estaria sonegando recursos às crianças. A "denúncia" foi amplamente utilizada por José Serra no debate com Dilma Rousseff pela Rede Bandeirantes.

Era uma falsa denúncia.

A resposta do MEC – uma nota no site oficial, com todos os recursos do Fundeb, distribuídos às APAEs, passou desapercebida. E a “denúncia” se dava em pleno início da distribuição inédita das verbas da Fundeb às APAEs

A instrumentalização das APAEs não é obra de um só partido.

Nos últimos meses, Arns se valia do site da Secretaria da Educação do Paraná para proselitismo pró-APAEs. Anunciou R$ 420 milhões para a educação inclusiva. Nem se pense que a intenção primordial fosse preparar a rede pública para receber as crianças. O objetivo explícito era dar condições de “isonomia” às APAEs para competir com a rede regular de ensino.

Em Brasília, a Ministra-Chefe da Casa Civil Gleise Hoffmann valeu-se do site da Casa Civil para defender as APAEs, contra a obrigatoriedade da educação inclusiva na rede regular de ensino. Cabe à Casa Civil o filtro jurídico de todos os atos do governo. No site da Casa Civil, o comunicado da Ministra atropelava a Constituição, as leis vigentes e a Convenção da ONU, da qual o Brasil foi signatário.

Por seu turno, no Senado, o relator do PNE na Comissão de Justiça do Senado, senador Álvaro Dias (PSDB), já tinha pronto um email padrão para enviar a todo mundo da APAE que lhe escrevesse, garantindo-lhes apoio à sua causa.

Com tal nível de promiscuidade política, as APAEs acabam se tornando apêndices dos jogos políticos fisiológicos e do compadrio nas nomeações e contratações.

Tome-se o caso do ex-senador Flávio Arns. Tem atuação política, como vice-governador e Secretário da Educação do Paraná. E tem atuação como líder das APAEs.

No ano passado, o escritório de advocacia Arns de Oliveira & Andreazza Advogados, de seu sobrinho Marlus Arns, conquistou toda a advocacia trabalhista da Copel, a companhia de energia do estado (http://glurl.co/cLh). Um mega-contrato sem licitação. No início deste ano, o mesmo escritório foi contratado para atender à Sanepar, a Companhia de Saneamento do estado, por R$ 960 mil (http://glurl.co/cLm), duplicando a atuação do seu Departamento Jurídico. Também sem licitação.

Uma pesquisa rápida nos tribunais mostra que esse mesmo escritório atende, no mínimo, vinte APAEs do estado, prestando serviços jurídicos de toda espécie (clique aqui), entre elas para as APAEs de Califórnia, Cambira, Curitiba, Dois Vizinhos, Eneas Marques, Figueira, Icaraíma, Mandirituba, Nova América da Coluna, Nova Esperança, Nova Olímpia, Paranaguá, São João do Ivaí, São Sebastião do Amoreira, Telêmaco Borba.

A construção da cidadania

Não é o caso de demonizar as APAEs. Mas de definir regras de atuação que impeçam sua politização e esse método absurdo de se valer de pessoas com deficiência para pressões emocionais.

No evento de sábado passado, pessoas com deficiência intelectual, de todas as idades, conviviam com os demais, zanzavam pelos salões da livraria esbanjando simpatia, inserindo-se  em todos os ambientes. Junto com elas, pais que apostaram na educação inclusiva, viram os resultados alcançados por seus filhos e levantaram a bandeira de forma desprendida, para que todas as crianças com deficiência tenham acesso às mesmas possibilidades.

Nesses anos todos, as APAEs se valeram da pouca visibilidade do tema, da falta de atenção da mídia, para difundir  informações falsas, diagnósticos imprecisos para ampliar sua receita à custa do prejuízo de suas crianças.

Há a necessidade de um movimento maior de informação para que os pais saibam exigir os direitos das crianças nas escolas, conheçam todas as linhas de apoio à inclusão fornecidas pelo MEC. E até façam convênios com as APAEs, quando necessário.

E que os senadores deixem de lado o oportunismo político e abracem uma causa que poderá não render muitos votos individualmente, mas ajudará a legitimar o papel da casa na construção de políticas cidadãs.

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Bruno GH

Para pensar

Prezado Nassif.

Essa matéria está muito mais completa e elucidante que a outra, publicada dias antes dessa.

Compartilho de muitas ideias aqui colocadas, mas compartilho tb de alguns contrapontos, como os colocados pelos colegas Omero Borges, Tata, Athos e Paulo José.

O sr. Pasulo José nos deu, assim como vc, uma pequena aula. Mas sobre realidade, e não sobre conjecturas e divagações de políticos, tanto os de um lado, quanto os do outro lado.

Em resposta à Tata, vc foi desnecessariamente agressivo ("Crianças sem condições de aprendizagem devem ser cuidadas pelas APAEs. É óbvio. É para isso que elas foram criadas...").

Pelo seu texto, não está óbvio. Pelo contrário, vc cita que a lei obriga os pais a colocarem os filhos no ensino regular. Se existe essa dicotomia entre crianças com condições de aprendizado e sem essas mesmas condições, pergunto:

- Quem vai definir em qual categoria uma determinada criança se enquadra? Um psicólogo, um pedagogo?

- Quem vai bancar essa avaliação? Os pais ou o estado?

- Esse profissionais são particulares ou concursados? Pq se for particular, sinto muito, mas os pais vão ter a resposta que quiserem, essa vai ser a realidade majoritária, todos sabemos disso.

Sobre o colega Athos, ele foi muito feliz ao mostrar que vc tem misturado assuntos diversos como se fossem a mesma coisa. Discutir a inclusão e o papel da APAEs, ok. O aparelhamento das APAEs e mau uso das verbas é outra coisa, conserta-se de outro modo. Desvio é crime e precisa ser punido. E em aparelhamento, o PT é especialista.

Finalmente, nosso colega Paulo José arremata, cada família decide. O Governo (municípios, estado, federação) brasileiro está se intrometendo demais na vida do cidadão. A constituição obriga o Governo/Estado a ofertar uma série de serviços (saúde, educação, moradia entre eles). E todos sabemos que apesar dos 40% de impostos, todos são falhos. O Governo precisa dar condições a quem quiser matricular na educação regular, mas NUNCA obrigar.

VOCÊ gostaria de ser obrigado a usar um hospital público? Gostaria de ser obrigado a usar o transporte público por ônibus? Imagino que não, pode até usar, mas não é obrigado.

É a mesma coisa. A partir do momento onde mais famílias perceberem que crianças que estejam estudando nas escolas regulares estão de desenvolvendo mais, tornando-se mais independentes e felizes, acontecerá uma migração natural. Todos os pais querem o melhor para os filhos, e os que não querem, não vão atender lei alguma.

Agora, para matricular meu filho(a) na uma escola regular, gostaria de ter acerteza de que, se ocorrer 'bulling', que o coleguinha 'sem noção' será repreendido e, na reincidência, será expulso da escola. Quem garante isso? O Estado? Você? Quem? Sim pq eu não iria querer ter que ficar trocando meu filho(a) de escola, pois a adaptação é difícil para eles, todos sabemos.

Enfim, até aqui me referia a contribuições de colegas nesse artigo. Passo à minha própria contribuição.

Você se referiu, de forma muito interessante, a 3 passos para a inclusão, quais fossem: 1- Convencimento do MEC; 2- Preparação da rede escolar; 3- Usar a lei para que as escolas aceitem os alunos.

Ora, parece-me que a ordem está errada. Imagino que o passo 1 está vencido. E agora, discutem o passo 3? E o passo 2, quantas escolas estão aptas? Quantas têm instalações adequadas (acessos, banheiros, refeitórios etc.) e professores? Ao meu ver, o passo 2 seria usar a lei para obrigar as escolas a se adequarem. E aí, são TODAS, públicas e privadas. Dar prazos, abrir linhas de crédito etc. Aí sim, como precisariam recuperar os gastos, as próprias ecscolas estariam ávidas po captar os alunos, sem os quais, não seriam remuneradas. E o recurso repassado por aluno, deveria ser repassado a qualquer escola, não apenas a pública, afinal, a privada tb tem gastos para receber esse aluno. Do contrário, teriam um preço absurdo e ficaria muito oneroso para a família.

Para arrematar, um colega perguntou pq vc tem tanta certeza que as intenções do MEC são boas e a dos outros políticos ruins. Sua resposta foi que vc não é candidato. Isso é hilário. A comparação não é entre vc e os políticos. É entr o MEC e os políticos. E o MEC, representado pelo monistro, é sim, cargo político e, consequentemente, com interesses políticos tb!

 

Seu voto: Nenhum
imagem de José Luiz Nauiack
José Luiz Nauiack

Política do "apartheid" e morte social

Excelente reportagem do Nassif e igualmente os comentários.

Acredito que muitos falam da mesma coisa e defendem as mesmas ideias.

Pensar em inclusão na escola ou nas escolas especiais é o mesmo que pensar em inclusão na sociedade ou numa sociedade especial.

Como psicólogo atendo à criancas com SD e suas famílias, muitas estão sendo beneficiadas pela inclusão bem como algumas jamais poderão fazer parte desta elite (se posso classificar assim), quer seja palas suas próprias limitações quer seja pelas limitações que lhes são impostas pelo modelo educacional, social, político, econômico, etc.

Vemos progressos nas crianças, não só daquelas com necessidades especiais, mas das ditas normais também, graças, principalmente pelo esforço heróico de pais e educadores, que guiados pelo amor e dedicação, ultrapassam as barreias políticas e econômicas para prosseguir e realizar sua missão e não permitir que a política do "apartheid" vingue.

Seria muito bom se esta discussão ganhasse a mídia e as ruas, não ficasse apenas entre uns poucos, encoberta pelas convicções políticas ou pelas benesses desta. 

 

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Tatiana Souza

Texto com discussão muito

Texto com discussão muito pertinente.

Lendo, também fiquei bem preocupada com pontos cruciais, mas fui contemplada com os comentários da colega "Anarquista Lúcida".

Nassif, questões políticas à parte, vi que vc concorda que algumas crianças precisam da APAE, então, por favor, tome cuidado em deixar claro esse ponto nos seus próximos textos. Dependendo de como conduzimos este assunto, podemos minar mesmo a importância das APAES e prejudicar muito algumas crianças que precisam de um atendimento diferenciado. Embora algumas crianças podem se desenvolver melhor numa escola normal, outras não tem a mesma condição - como é o caso de minha irmã. Então, não dá pra generalizar "deficientes", pois existe uma gama tão enorme de síndromes com necessidades e potencialidades tão diferentes umas das outras que é simplesmente impossível acreditar que este sistema de inclusão, como está sendo pensado, funcionaria para todos. Por isso discordo do termo polêmico da obrigatoriedade. 

Discutir a inclusão é necessário, importantíssimo, mas algumas vezes vejo discursos românticos demais. A ideia é bonita, mas temos que tomar cuidado pra não romantizar o assunto! A impressão que tenho algumas vezes é que tem gente discutindo o tema sem nunca ter conhecido um exepcional ou só ter conhecido exepcionais com mais condições de entrar numa turma de ensino regular. Para estas pessaos, sugiro adentrar uma APAE, passar e ficar por um bom tempo em cada sala pra conhecer a infinidade de situações que existe, depois entrar numa escola pública de ensino regular e observar como as coisas funcionam por lá.... Essa pequena vivência pode ensinar muito mais do que ficar lendo as teorias que estamos conversando aqui.... 

Obrigada por levantar essa questão tão importante!

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JOÃO SAL

APAES

Parabéns Nassif, Maravilhoso!

Um dos melhores textos ja escritos relatando a situação da educação inclusiva no Brasil. Tem muita gente falando sobre este tema, defendo teses para mater seus espaços políticos ou de pseudo especialistas acomodados, sem preocupação alguma com os alunos especiais e com o desenvolvimento destes e sim com seus status. Simplemente Histórico.

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O discurso é muito bonito, mas recusa ver o que nao cabe nele

Enfrentar as questoes pedagógicas, entao, nem pensar. Fica tudo numa defesa genérica de uma educaçao inclusiva genérica, sem entrar nos problemas concretos. Mas complicar para que, né? Simplismo e binarismo sao tao mais fáceis... 

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Bruno GH

Perfeita Anarquista Lúcida

Não consigo entender um cara inteligente como o Nassif, e da área de política, se metendo nesse tema de educação de crianças portadoras de necessidades e com um visão tão unilateral.

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lilith

inclusão

Na maioria esmagadora das escolas públicas o que existe é exclusão. Se já não existe condições para alunos sem nenhuma deficiência , a não se a moral, :  a falta de vergonha deles  e dos seus pais em  estudar e educar os filhos para viverem em sociedade, imagine para os que tem alguma deficiência. Sou a favor das Apaes , mesmo porque tão cedo não conseguiremos lidar com essas crianças de maneira adequada. Acho que a lIa Luft estava  certíssima quando escreveu um artigo criticando a educação inclusiva. Os leigos que me perdoem , mas sou professora, conheço a realidade das escolas  e sei do que estou falando.

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Esse excelente texto do

Esse excelente texto do Nassif é por demais esclarecedor e não consigo observar nenhuma possibilidade de ser rebatido. Duvido que apareçam políticos ou outras pessoas ligadas às APAEs para ponderarem o que quer que seja. Diante desse texto seria natural que surgissem contra-argumentos por parte das pessoas mencionadas. Aguardemos sentados.

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evandro condé de lima

Vou fazer uma ergunta de

Vou fazer uma ergunta de leigo: alguém poderia informar o que ocorre em outros países (atenção, não que seja melhor ou pior), quem sabe possamos aprender com a experiência alheia? Será que não estamos tentando reinventar a roda. Se for o caso, que assim seja.

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Marta Gil

APAE e educação inclusiva

Nassif, parabéns por seu texto corajoso e consistente!


As APAEs tiveram um papel importante quando foram criadas, assim como instituições semelhantes (Pestalozzi, AACD, Lar Escola São Francisco, Instituto Padre Chico e outros). E ambém podem continuar a ter importância, agora no modelo da inclusão e desempenhando outro papel: de instituições complementares à educação regular.


A Educação Inclusiva é uma realidade e veio para ficar: tem respaldo na Convenção sobre osDdireitos das  Pessoas com Deficiência, que o Brasil ratificou em 2008, com equivalência de Constituição Federal. Certamente temos muito a aprender e a aprimorar - mas todos juntos, com respeito e dignidade.


Obrigada pela excelente oportunidade de discutir esse tema! E de mostrar práticas que não devem mais ser toleradas.


Abraços acessíveis e fáceis de usar, parafraseando o MAQ - Marco Antonio de Queiroz, uma referência na área da Inclusão


Marta Gil


 

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Alcarras

Parabéns Nassif

Nassif, parebéns pela coragem , pela lucidez e pelo compaheirismo. Aqueles que estão na luta pela inclusão são sim a maioria moral desse momento , como Joaquim Nabuco era e se referia aos abolicionistas na segunda metade do século XIX. Em um de seus textos sobre esse assunto , agui mesmo, alguém dizia que se tivesse um filho com deficiência colocaria na APAE. Felizmente essa pessoa não teve esse filho e sinceramente espera que não o tenha. Eu tenho uma filha com deficiência e nunca me ocorreu segregar minha filha, mesmo antes de conhecer o movimento pela inclusão. E hoje com cinco anos, ela vai aprendendo de tudo e com todos e minha única certeza é que o lugar dela é na escola comum. Infelizmente o maior inimigo do deficiente são os pais do deficiente, normalmente os primeiros a naturalizar a deficiência. Mas o movimento pela inclusão é a nossa vanguarda e não vamos esmorecer nem recuar à base de mentiras, paternalismo barato e rebaixando seres humanos.

 

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Enxergar todos os lados.

Falta uma pergunta que ninguém até agora fez:

Por que os pais com crianças com necessidade especiais, sabendo que o ensino inclusivo será mais produtivo para seus filhos ainda lutam contra ele?

Para mim lendo a manifestação de alguns, me ficou claro, o espírito de proteção manipulado por alguns, impede que enxerguem o que é melhor para seus filhos.

Todo o bom pai e boa mãe procura proteger seus filhos de tudo que há de errado neste mundo. Não precisa ser um pai de uma criança com necessidades especiais para tentar proteger ao máximo uma criança, mesmo esta proteção levando os filhos a um processo de dependência.

Para qualquer pai seu filho tem necessidades especiais, e se ele achasse que uma escola especial para ele seria melhor ele lutaria com unhas e dentes.

Visto isto me parece que o mais importante é a informação técnica sobre o assunto, se houvesse uma divulgação intensiva das vantagens da educação inclusiva, teríamos os pais lutando a favor desta. Porém esta informação não deveria ser feita de forma leviana e não profissional. O governo deveria estabelecer um grupo de trabalho com espacialistas no assunto, que munidos de trabalhos científicos sérios fizessem a divulgação deles.

Estou dizendo TRABALHOS CIENTÍFICOS, pois um bom pai ou uma boa mãe quando seu filho tem necessidades especiais não poupará esforços para se interar e entendê-los.

Há um filme de TV que mostra a luta de pais que se negaram a aceitar a doença de um filho, como de costume Hollywood para variar alterou por completo a história real, inclusive criando esperanças em casos que o "Óleo de Lourenzo" não surte efeitos. Estes pais promoveram um encontro internacional de especialistas no assunto e com as conclusões do mesmo estabeleceram toda uma linha de pesquisa. Lorenzo, a criança que era condenada a viver somente dez anos terminou falecendo com trinta anos, mas o importante que os pais souberam havaliar o problema e procurarem uma solução que é considerada um modelo de cooperação entre familiares e pesquisadores. Ou seja, quando é fornecido subsídios corretos e sólidos aos pais eles conseguem entender bem mais que os educadores, médicos e pesquisadores em geral acham que eles podem entender.

Se reclama que uma APAE tende a infantilizar uma criança e não deixá-la atingir o seu máximo, porém os especialistas em educação também não devem infantilizar os pais, devem mostrar o que existe de mais complexo e exato no assunto e deixar que estes estudem o problema, se a educação inclusiva for o caminho não existirá problemas a serem resolvidos.

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Bruno GH

Excelente

Perfeito RDMaestri. Ótimo ponto levantado. Aqui no BraSil tem-se a mania, hábito, costume de não explicar as coisas tecnicamente, sob o argumento da incapacidade do interlocutor de compreender. Não seria isso uma forma de discriminação tb?!!

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Enxergar todos os lados.

Falta uma pergunta que ninguém até agora fez:

Por que os pais com crianças com necessidade especiais, sabendo que o ensino inclusivo será mais produtivo para seus filhos ainda lutam contra ele?

Para mim lendo a manifestação de alguns, me ficou claro, o espírito de proteção manipulado por alguns, impede que enxerguem o que é melhor para seus filhos.

Todo o bom pai e boa mãe procura proteger seus filhos de tudo que há de errado neste mundo. Não precisa ser um pai de uma criança com necessidades especiais para tentar proteger ao máximo uma criança, mesmo esta proteção levando os filhos a um processo de dependência.

Para qualquer pai seu filho tem necessidades especiais, e se ele achasse que uma escola especial para ele seria melhor ele lutaria com unhas e dentes.

Visto isto me parece que o mais importante é a informação técnica sobre o assunto, se houvesse uma divulgação intensiva das vantagens da educação inclusiva, teríamos os pais lutando a favor desta. Porém esta informação não deveria ser feita de forma leviana e não profissional. O governo deveria estabelecer um grupo de trabalho com espacialistas no assunto, que munidos de trabalhos científicos sérios fizessem a divulgação deles.

Estou dizendo TRABALHOS CIENTÍFICOS, pois um bom pai ou uma boa mãe quando seu filho tem necessidades especiais não poupará esforços para se interar e entendê-los.

Há um filme de TV que mostra a luta de pais que se negaram a aceitar a doença de um filho, como de costume Hollywood para variar alterou por completo a história real, inclusive criando esperanças em casos que o "Óleo de Lourenzo" não surte efeitos. Estes pais promoveram um encontro internacional de especialistas no assunto e com as conclusões do mesmo estabeleceram toda uma linha de pesquisa. Lorenzo, a criança que era condenada a viver somente dez anos terminou falecendo com trinta anos, mas o importante que os pais souberam havaliar o problema e procurarem uma solução que é considerada um modelo de cooperação entre familiares e pesquisadores. Ou seja, quando é fornecido subsídios corretos e sólidos aos pais eles conseguem entender bem mais que os educadores, médicos e pesquisadores em geral acham que eles podem entender.

Se reclama que uma APAE tende a infantilizar uma criança e não deixá-la atingir o seu máximo, porém os especialistas em educação também não devem infantilizar os pais, devem mostrar o que existe de mais complexo e exato no assunto e deixar que estes estudem o problema, se a educação inclusiva for o caminho não existirá problemas a serem resolvidos.

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"Crianças c/ necessi//s especiais" nao é uma categoria só!

A maior parte das pessoas que está se manifestando só pensa em crianças com Down. Para essas a escola regular é realmente melhor. Mas o que é bom para crianças com Down pode nao ser bom para autistas profundos, ou para crianças com paralisia cerebral, etc. Colocar todos os casos no mesmo saco -- e pior ainda, falar em professores especialistas em "deficiência em geral", o que obviamente nao existe -- é um absurdo. Os problemas para integrar os surdos, por ex., no ensino regular sao bem diferentes dos necessários para integrar os cegos, os com paralisia, etc. Cada caso deve ser pensado em sua especificidade, e nao ficar nesse simplismo do discurso genérico. 

Depois, a verdadeira questao nao é educaçao inclusiva ou nao, mas que tipo de educaçao inclusiva, e o que é viável ou nao. No caso dos surdos, por ex., a inclusao pode ser feita nas escolas regulares, DESDE QUE OS PROFESSORES ENSINEM EM LIBRAS (intérprete nao é professor), donde pode ser feita nas escolas regulares mas em turmas separadas, porque as crianças ouvintes nao sabem LIBRAS. E como há pouquíssimos professores que sabem LIBRAS nao faz o menor sentido querer que todas as escolas do sistema aceitem surdos, seria preferível concentrar os professores disponíveis numa única escola por município pequeno, ou numa por regiao administrativa, nos municípios grandes. 

Já para os cegos, isso só seria necessário na fase de alfabetizaçao (nao basta que as crianças "aprendam Braille", elas têm que ser alfabetizadas em Braille, o que é muito diferente). Depois disso podem estar nas mesmas turmas que as outras crianças. 

O caso dos autistas é especialmente delicado, porque a simples integraçao pode ser uma tortura para eles. 

E há crianças que simplesmente nao podem seguir o ensino regular. Tenho um primo nesse caso, ele tem deficiências cognitivas e motoras profundas, nao fala, nao segura a cabeça. O que ele tem que aprender sao coisas que as outras crianças fazem sem dificuldade, como rotinas da vida cotidiana (tomar banho, se vestir, comer com talheres, etc). Se se quer a integraçao a todo custo, OK, que ele frequente OS RECREIOS das escolas regulares. Mas tem que ter acompanhamento individual, nao basta jogá-lo numa escola (como defenderam algumas pessoas em outro tópico...). 

 

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Prezada Professora, que

Prezada Professora, que prazer encontrá-la, uma voz sábia no meio de tanta incensatez bem intencionada. Bem intencionada e extremamente perigosa para as crianças deficientes.

Uma vez li sobre o método científico e sua necessidade de comprovação empírica: "nada mais terrível que assitir um horrendo fato destroçando um linda teoria". E, no entanto, é assim que a ciência progride.

Parafraseando para o seu texto: nada mais terrível que ver uma horrenda noção prática destroçando um belo sonho irrealizável". E, no entanto, é somente assim que as coisas acontecem no mundo real.

Mas, por aqui, creio que a senhora está pregando no deserto.

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Ouso pensar porque ouso pensar que ouso pensar.

 

É, sonhos irrealizáveis sao + bonitos q soluçoes reais...

As pessoas preferem viver nos sonhos, nos belos discursos altissonantes, do que ver e enfrentar os problemas reais. O Nassif, entao, transformou essa questao numa bandeira pessoal. Está demonizando todos os que têm opiniao diferente da dele. Nao responde nunca quando a gente faz objeçoes fundamentadas, prefere só responder a caras fracos, como o troll que apenas quer atingir o PT, nao realmente falar dos problemas da visao da educaçao inclusiva do MEC. Porque a questao nao é ser contra a educaçao inclusiva, é mostrar  os problemas da visao do MEC a esse respeito, e denunciar o autoritarismo de pretender enfiar essa visao pela goela dos pais abaixo, sem lhes deixar alternativa.  

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morgana profana

Ou tudo ou nada...

Titia concorda com todos os debates sobre o financiamento das APAE e outras entidades dedicadasn a educação especial, mas é chegada a hora de rediscutirmos todo os esquema de financiamento de escolas de ensino privado...

Ora bolas, para APAE não pode (titia concorda), porque é excludente e criadora de distorções, mas e as escolas privadas bancadas com deduções do IRPF e outros favores fiscais, não são uma forma de dilapidação do ensino público e gratuito, e criação de nichos segregadores e privilegiados, que, justamente, produzem mais e mais diferença social e desigualdade na disputa por melhores condições de vida, inclusive o acesso a Universidade Pública?

Pois é...ou debate tudo, ou debate nada...

Sob o correto argumento de incluir, estão pretendendo privar o desejo dos pais de optarem por um modelo de educação que melhor lhe convêm...

Assim como os pais de alunos "normais" fazem quando escolhem as escolas particulares...

O Estado tem o DEVER de proporcionar a inclusão, mas não pode obrigar aos pais a fazer esta escolha...ou pode?

 

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Elogios ao Nassif

Querido Nassif

Parabéns pelo belo texto extemamente elucidativo, esclarecedor, contudente, e principalmente, denunciativo sobre o tema.

Você não imagina o bem que faz para tantas pessoas que precisavam ler a única verdade sobre esta triste história, depois de tantos boatos na internet. 

Eu, como jornalista com deficiência física, te agradeço muito!!! Continue escrevendo sobre os direitos humanos dos cidadãos com deficiência com toda essa maestria, cuidado, carinho, senssibilidade e verdade!!! Força!!!!

Abraços, Leandra Migotto Certeza 

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Eu lamento

Que se considere para efeito

Que se considere para efeito de aprendizagem/escola você como deficiente. Não vi nada disto.

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Presa em uma jaula

E pra quem quiser saber mais sobre o meu relato nas escolas especiais em que vivi 2 anos presa em uma jaula, vejam o vídeo:

http://www.youtube.com/watch?v=a9xC5DOLiQY

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Ser e Estar na Educação

É com muito orgulho que compartilho com os leitores desse elucidativo texto do Nassif, minha trajetória na educação excludente, discriminatória e inclusiva desde 1985.

Esta crônicaque eu esscrevi foi premiada na Colômbia e lida por muitas pessoas no mundo inteiro! 

http://leandramigottocerteza.blogspot.com.br/2013/05/ser-e-estar.html

Espero que minhas palavras ilumine as mentes de quem ainda pensa que separar seres humanos do convívio social seja correto. 

Lembrem-se: antes de propagarem comentários preconceituosos, leiam detalhadamente todos os documentos sobre a política nacional de educação inclusiva, que em nenhum momento, excluiu todas as APAEs, e vejam os ótimos resultados das escolas regulares que tem alunos com deficiência matriculados. 

Eu sou a primeira a defender a existência de instituições especializadas (desde que idôneas, produtivas e modernas) para atender pessoas com deficiências muito graves, mas sempre junto com as escolas regulares. Afinal, todos os seres humanos são diversos por natureza. 

E não esqueçam de ler e reler quantas vezes forem necessárias as denúncias de corrupção e uso da máquina pública sobre os nojentos (que nós mesmos colocamos no Congresso Nacional) para obter lucros e poder às custas da segregação de inúmeras famílias que podem ter suas vidas destruidas!!!

Eu sou um exemplo disso! Caso eu tivesse estudado somente em escolas especiais excludentes, estaria trancanda em um quarto. Hoje eu sou jornalista desde 1999, viajo sozinha para outros países, tenho vida sexual, pago impostos, trabalho, e trabalho ainda mais, danço na pista até 'cair de bêbada', e vivo a vida com muita alegria!!!  

 

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Ricardo M.

Onde afinal não existe política?

 

Interessante de uma escola inclusiva: Permitir que alunos com incapacidades diversas tenham condições de participar das escolas regulares, contando com um aparelhamento mínimo que capacite-os a participar, obviamente, dado o grau da deficiência.

Desinteressante de uma escola inclusiva: Não são todas as deficiências que podem encontrar um meio de ser tratada junto ao ensino regular, podendo causar prejuízo para o próprio deficiente e mesmo para os que o cercam. Aconselho a todos a passar um olho na lista de disfunções psíquicas que podem acometer crianças desde tenra idade e como em muitos casos isso pode significar perigo de vida para ela mesma e para outros. Outro problema é a falta de formação específica, e quando ela acontece é mínima, ou, não é suficiente para o número de profissionais contratados e o número de alunos presentes em uma escola regular, estou clamando aqui para a realidade que o projeto de inclusão trouxe, o discurso está todo bem fundamentado, como é virtude de toda teoria, porém não vi nenhum retrato do que hoje acontece nas escolas, que é um número alto de alunos que precisam de uma atenção especial e não conseguem por falta de funcionários habeis, e por falta de acúmulo de experiência dado que esses alunos, algumas dezenas por colégio, possuem problemas muito diversos e o profissional não consegue acompanhar nem ter muita troca de experiência.

Interessante de uma escola especial: Agrupa profissionais da área, há troca de experiência cotidiana, permite um foco no problema do aluno, acompanhamento mais individualizado, permite um progresso para os casos mais acentuados, o que não se verifica nos ensino inclusivo regular, permite pesquisa e também a visita de diversos profissionais que possam contribuir com seu saber.

Interessante em se acabar com a escola especial: Poupar dinheiro para o estado, enfrentar o lobby das Apaes. 


Façam a coisa certa... o que vejo são meninos desassistidos no ensino regular.

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Educação de todas e todos sempre!!!

Bom, ainda vou escrever um amplo artigo sobre o tema que me interessa muito, justamente, por ter vivido 2 anos terríveis da minha vida escolar trancada dentro de uma jaula, chamada de 'sala especial', mantida por uma das maiores instituições de reabilitação para as pessoas com deficiência física (vejam meu depoimento sobre o caso:  http://www.youtube.com/watch?v=a9xC5DOLiQY); mas neste momento tudo o que tenho a dizer é bem curto e grosso: que nojo!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Nojo, ódio, indignação, raiva, desespero, tristeza, repulsa, mas ao mesmo tempo que força, garra, determinação, coragem, amor, alegria, superação, esperança e muita LUZ por ler um texto tão elucidativo, e o único verdadeiro sobre este crime contra a humanidade!!!!!!!!!!!!!

Confesso que ainda estou em choque porque não imaginava que o buraco era tão mais profundo e sujo!!!!!

Mas é agora que vou gritar ao mundo inteiro com todas as minhas forças, e pelos restos dos meus dias aqui na Terra, que todos os seres humanos são ricos em sua diversidade e não podem ser discriminados, mesmo que para lutarmos tenhamos que nos machucarmos e até ariscamros as próprias vidas!

Como minha arma, neste momento, é a palavra, vou divulgar ao máximo essa verdade dura que precisa ser revertida imediatamente!!!!!!!!!! Não vou desistir nunca, mesmo que demore muito para os Direiros Humanos serem cumpridos à risca!!!!!

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Assunto espinhoso, mas oportuno.

Luis Nassif que assunto espinhoso é esse !

Mas suas informações e análises são claras e precisas e precisam ser divulgadas.

A inclusão é irreversível , as pesquisas apontam que as crianças são favorecidas quando inseridas em cursos regulares e minha experiência enquanto diretora de escola que fui também diz que sim. Há a plasticidade do cerébro que  na interação com o Outro, levando a mediação dos conhecimentos, provocam o desenvolvimento e os avanços.

É fácil o trabalho pedagógico ?  É fácil atender a acessibilidade do espaço físico para todos, a convivência com o diferente?

Não. Não é.

Mas estamos na escola para estudar, pesquisar e encontrar soluções para uma aprendizagem personalizada, porque cada criança é uma e possui a sua especificidade.

Conto-lhe, a título de exemplo, que recebi um aluno na escola para matricula,  em 2001 com 11 anos ,sem nunca ter estudado em escola regular, vindo da Pestalozzi, com diagnóstico de lesão cerebral moderada e segundo a mãe, quando no ato da matrícula ,seu comprometimento era restrito a coordenação motora dos membros superiores e inferiores. Dedos com pouca articulação, pernas sem articulação, enfim... Estávamos em 2001 e a questão da inclusão  e a questão da acessibilidade ainda estavam engatinhando.

Primeiro movimento que tivemos era o de  dar condições para que ele pudesse se deslocar no espaço, pois não dobrava o joelho para subir degraus, quanto mais escadas.

Fizemos rampas, barras de apoio nos banheiros, enfim... adequamos o espaço.

Ele foi matriculado na antiga 1a série do ensino fundamental de 8 anos .Durante o processo de ensino/aprendizagem percebemos que havia um comprometimento cognitivo. Pouco falava e sua idade mental era de 5 anos, pois não conservava quantidades, volumes , dentre outros.

Um ano ficamos analisando, pesquisando e trocando informações com outros profissionais. Neste primeiro ano ele sequer aprendeu o traçado das letras, porque havia o comprometimento da coordenação fina.. de modo que pegar em um lápis era muito difícil quanto mais escrever com ele. Números nem pensar.

E o que fazer?

Percebemos que ele gostava das aulas de informática e daí veio-me uma luz: a de alfabetizá-lo com o teclado do computador em detrimento do lápis e do caderno. O teclado facilitava e muito porque com apenas um toque ele conseguia escrever de forma legível.

Assim ele seguiu para o 2o ano , laptop não era de uso comum , de modo que tivemos que deslocar um computador para sala de aula para que fosse o seu material didático.  E o professor adaptou o Plano de Trabalho do ano para a especificade dele. Isto significa dizer que os conteúdos programáticos eram dados de forma geral , mas para ele a exigência estava dentro de sua capacidade real.

Então, o ensino é  junto com todos os demais, mas sem apagar a diferença , porque ele tinha uma especificidade dada pela lesão cerebral. Por alguns anos foi atendido pela  Pestalozzi no contra-turno, mas depois não houve mais necessidade deste atendimento.

Todos os anos ele foi promovido porque avançava dentro dos objetivos que foram traçados de modo específico para ele. E assim ele chegou até a 8a série ,concluindo o ensino fundamental com 19 anos e seguindo para o Ensino Médio.

Era irreconhecível após os  9 anos de estudo de forma integrada com os demais alunos,pois o avanço do desenvolvimento intelectual, motor e afetivo eram notórios propriciados pela aprendizagem.   Segundo Vygotsky o aprendizado, mediado pelo Outro,   alavanca o desenvolvimento  é um fato.

E ele não foi um caso isolado nesta escola que postulava a inclusão. Uma escola particular, mas com parcos recursos, atendendo pais da classe trabalhadora.

Família, escola e outros profissionais podem promover avanços em escolas regulares, é possível. O que não exclui a participação das outras instituições como APAes que  devem e podem orientar as escolas regulares, assumindo o contra-turno, com vistas inclusive ao convivio social , e no atendimento dos casos impossíveis de serem bem assistidos na instituição de ensino regular. Penso que deste modo atingiremos um avanço enorme, assim como reconheceu D.Jô.

De maneira que concordo plenamente com a sua rica explanação.

 

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Voltando ao foco: a questao é a obrigatoriedade...

Ressalto um trecho do comentário:

"O que não exclui a participação das outras instituições como APAes que  devem e podem orientar as escolas regulares, assumindo o contra-turno, com vistas inclusive ao convivio social , e no atendimento dos casos impossíveis de serem bem assistidos na instituição de ensino regular." 

Meu ponto nao é defender as APAES, poderiam ser escolas públicas, desde que especializadas, (o que também nao é sinônimo de exclusivas...). Mas HÁ CASOS IMPOSSÍVEIS DE SEREM ASSISTIDOS NO ENSINO REGULAR, e nao se pode ignorar isso, obrigando todos, com pés diferentes, a calçar o mesmo sapato. 

Isso sem falar no fato de que nao existe "deficiência em geral", e que as necessidades dos portadores de diferentes tipos de defiicência sao diferentes entre si, às vezes inconciliáveis entre elas e com relaçao às dos alunos sem deficiência. 

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LUCIANO GM

APAE pode existir sem verba pública

Indiscutível o papel da APAE. Mas é passado, vamos ao novo.

Não concordo que ONG's, APAE's, associações, recebam dotações orçamentárias. Sou a fovor de que mobolizem a cidade e obtenham fonte de financiamento particular. De repente até com isenção de Imposto de Renda. Mas assim, com dinheiro publico, sem prestação de contas rígida, não. Parece que os políticos (todos os citados no artigo merecem meu particular respeito - não necessariamente simpatia - pelo trabalho, da situação e da oposição) estão querendo sair bem na foto (sem prejulgar intenções) com uma parte e não pensar no todo.

Tem escola "particular", cara, com boa infraestrutura, que não aceita matrícula de deficientes mentais com desculpas esfarrapadas. Discriminação pura.

Trabalho na inclusão do deficiente no mercado de trabalho (e quanta chorumela do empresariado). Reclamavam de tudo. A Lei de Cotas para Deficientes no Mercado de Trabalho data de 1991. Fazia quase 20 (vinte) anos e poucos se interessaram em cumprir a lei. Só quando o Ministério do Trabalho e o Ministério Público do Trabalho começaram a cobrar no fim da década passada aí eles começaram a se coçar. Nós brasileiros somos assim. Lei, pra que? Cinto de segurança, beber e não dirigir, cadeirinha pra criança, besteira isso. Mas a medida que contratavam detectavam melhoria no ambiente de trabalho, mais respeito, menos bricadeiras "sem graça", mais produtividade de todos. A normal aversão a novidade.

Pois bem, se achamos que a escola pública é ruim, cobremos do Prefeito as melhorias, inclusive dotando de profissionais para dar a atenção básica para todos os alunos (deficientes ou não).

Não é separando as crianças (ditas normais e ditas deficientes - podemos reconhecer essa diferença, mas não exarcerbar a existência dela) que construíremos uma sociedade livre de preconceitos e não discriminatória. Que existia no mercado de trabalho, mas que o trabalhador portador de necessidades especiais desmistificou. Esse é o foco. Isso deve ser o almejado.

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morgana profana

De perto, ninguém é normal...

Este debate essencial, mas de natureza espinhosa por vários motivos:

Primeiro, parece que os familiares de pessoas portadoras de síndromes e restrições fisiológicas (paralisados) e outros com distúrbios comportamentais, detém um certo "código", um "passe" para tratar o assunto com um duplo viés: sentimental e personalizado, como se o sofrimento fosse a chave do monopólio da razão.

É inteligível, só quem tem ou teve um filho com necessidades além das consideradas "normais" sabe o drama que vive...

Titia em 1990 teve um filho que, após 13 ou 14 horas de trabalho de parto, negligência geral na rede pública, e pior, em dia de jogo de Copa do Mundo (16/06 Brasil e Costa Rica, 12 horas), restou paralisado, falecido em 1992...

Então, estão aí as credenciais...

Em 1990 até 92 tudo era no "sopapo"...Não havia atendimento universal, e conseguir uma vaga em uma entidade filantrópica para obter os tratamentos básicos pelo interior do país(fisioterapia, trabalhos de pssicomotricidade, fonoaudiologia, etc) era uma guerra...

Os pais eram tratados como lixo, e sequer podiam dizer o que achavam do tratamento, ou reivindicar uma aproximação, qual nada...Quem reclamasse, era "cortado", e havia uma fila de pais desesperados, despreparados (sempre somos, não?) doidos para se submeterem as "condições impostas".

Fundar uma APAE era um sonho, e foi outra guerra: contra a mídia local (madrinha da "pilantropia" com verba oficial), contra os pais, assustados com a ideia de assumirem si mesmos o destino e futuro do tratamento e desenvolvimento de seus filhos, enfim, uma loucura...

De tudo foi dito...e as palavras nunca voltam vazias, vocês sabem...

Depois de 21 anos, é a primeira vez que titia fala no assunto...

Não há dúvidas, é preciso falar...sempre...até porque, boa parte das pessoas que são as principais interessadas no tema (os alunos e alunas) quase sempre têm uma compreensão diferente do mundo que os cerca, e precisam de nossa mediação...

É verdade que também, na maioria das vezes, quem parece não compreender as coisas mais simples somos nós, os chamados "normais"...

Há considerável consenso sobre o fato de que a convivência diversificada possibilita um enorme incremento na percepção e capacidade cognitiva dos mais variados portadores de síndromes, distúrbios, etc...

Incluir não é favor, é direito...Incluir não é possibilidade, é obrigação do Estado!!!

Mas não é fácil para nenhum pai ou mãe (geralmente, tributários de imensa expectativa em realizar nos rebentos suas frustrações e "fracassos") enfrentar a perspectiva de submeter seu filho, que é julgado, pelos outros (e pelos próprios pais), como "limitado" ao ambiente "competitivo" da escola e da sociedade, onde queremos antes (de) formar pessoas, adestradas para esta ou aquela tarefa, e nunca criar cidadãos...

Ainda mais quando vislumbramos o estado geral da Educação, não só no Brasil, mas ao redor do planeta...Quanto mais seminários, teorias, cursos, gratificações, índices, "competição" e accountability, mais e mais fracasso e violência tomam conta das salas de aula...

Por óbvio, esta visão de mundo destes pais (refratários ao enfrentamento e pela superproteção, ainda que excludente) celebra arranjos institucionais segregadores como as APAE, que por conseqüência, dão condições a criação de grupos políticos dedicados a defesa do financiamento deste tipo de visão...

Não de pode simplesmente "demonizar" estes pais e grupos no debate...Ainda que pelo melhor interesse da defesa dos direitos a inclusão...

Todos os pais, de uma forma ou de outra, gostariam de escolas "especiais" para seus rebentos, e quando vão ao Santo Agostinho ou ao Anglo para pagar 1000 ou 2000 reais de mensalidades, expressam sua vocação por colocar seus filhos entre os "seus"...

Nas escolas públicas, a mesma coisa: todo pai quer uma vaga no Pedro II, ou nas escolas centrais, justamente aquelas que recebem a "melhor clientela"...ao contrário do que imaginam ser as escolas de periferia...

Estas são questões poderosas que não podem ser desprezadas, para além da necessidade de dotar a rede pública das condições de receber os alunos...

Como todo o tipo de situação, também há diferenças de classe, cortes que implicam em atendimentos e inclusões distintas, tal e qual acontece com as escolas públicas para os chamados "alunos normais"...

Dentro dos grupos de pais e alunos com necessidades específicas, há diferenças que desafiam, às vezes, as demandas por inclusão...

É um debate árduo, como titia disse, mas que não pode ceder a emocionalidade, por mais que o apelo seja este...

A inclusão é um fato, e deve ser perseguida, SEMPRE, mas sem o condão das panaceias, ou de campo "moralizante paralisante": quem está contra é do mal, e quem está à favor, é do bem...

Tem muito mais coisa neste meio...muito mais...

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Luciana Cury

Um pouco mais de pimenta nesse ventilador...

Nassif!

1. Sim, sem dúvidas a educação inclusiva, quando bem organizada e respeitando peculiaridades, permite as melhores experiências e viviências para todos os ali envolvidos independentemente da condição em que estejam;

2. Sim, o lobby da Federação das APAE é nojento, sujo e desleal;

3. E sim! O modelo de educação inclusiva descrito nos textos legais está longe de ser perfeito e de atender questões cruciais para a permanencia com qualidade na escola de alunos com deficiência. Esta longe também de ser campo de outros lobbys e disputas tão escusas e desprezíveis quanto o lobby da FENAPAE;

4. Sinto muita falta de ver discutidas as questões pedagógicas que estão de fora da nojentice política e da disputa financeira e que ainda seguem sem análise e que comprometem a idéia de modelo perfeito:

.  a descontinuidade da política: ninguém briga com os Estados pela péssima qualidade da inclusão ali (não) feita;

. a escola não gere a dupla matrícula e existem muitas matrículas falsas apenas para aumentar o repasse de fundeb devido aos municípios;

. existe muito laudo fraudado sendo usado para incluir dados de alunos com deficiência nos sistemas que gerem matrícula.

. enquanto a educação inclusiva descrita e elaborada pelo MEC e seus assessores não for alvo de AMPLA REVISÃO ficaremos presos nos achismos e outras tantas perdas de tempo;

Peloamor! Não há política pública que se sustente sem (re)validação e teimar em que o último bastião a ser derrubado é o lobby da fenapae é ingenuidade!

 

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Paulo Neto

Educação inclusiva ainda é mito

Muito obrigado pelo artigo que trata o assunto com um precioso detalhe de informações. Apesar da legislação a educação inclusiva no Brasil ainda não é uma prática consolidada e isso não é exclusividade do ensino público. Por não encontrar em escolas públicas próximas de casa um ambiente favorável para meu filho que tem Sindrome de Down e por ter condições financeiras, o matriculei em escola particular regular. Mas tive que fazer uma verdadeira peregrinação por várias escolas que utilizavam de diferentes justificativas para recusar sua matrícula. Foi recusado inclusive por uma escola Waldorf de BH, que tem como um de seus princípios a inclusão e a diversidade, sob a alegação que não estavam preparados para recebê-lo. Entramos na justiça e ganhamos, mas optamos por outra escola que o acolheu muito bem e que, apesar de também não se considerar preparada, recebe crianças especiais porque acredita que irá se capacitar ao praticar a inclusão e também porque sabe que todos (professores e demais alunos) ganham com a inclusão e não apenas quem necessita de cuidados especiais. Afinal a sociedade é constituída pela diversidade e a escola tem que reproduzir essa diversidade. Não tinha noção do estado do debate sobre a inclusão que você tão bem abordou. Acho que as APAES cumprem um importante papel, mas o corporativismo não pode impedir o avanço da educação nclusão no Brasil. Preferencialmente é uma palavra que limita. A sociedade não tem que ser "preferencialmente" diversa, a educação não tem que ser  "preferencialmente" para todos, as APAEs não tem que ser "preferencialmente"  para auxiliar pessoas com necessidades especiais e "preferencialmente" para auxiliar na educação inclusiva

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José Augusto Iwersen

nem tudo que dizem é o verdadeiro...

Prezados!

Tenho uma filha hoje com 44 anos, portadora de uma síndrome rara chamada "Grito do Gato". Se não existissem as APAES e outras escolas particulares ou filantrópicas, ela hoje nem conseguiria andar. Com o auxílio destas entidades e hoje ainda a Escola Nossa Senhora da Esperança, anda, se comunica, fala de maneira quase totalmente inteligível, tem um pouco de raciocínio lógico dentro de seus 5 anos mentais, é querida e adorada por quem a conhece e convive. Se colocada , ou melhor participasse da inclusão, simplesmente seria motivo de risos e bulliyng (não sei se escrevi corretamente esta palavra, pois sou brasileiro e não me convenço com a maneira que usamos hoje para designar dezenas de casos e profissões e acontecimentos, em outras línguas). O povo realmente aceita melhor os especiais hoje em dia, mas SEMPRE serão olhados com pouco caso dentro das escolas normais (a maioria). Falta no Brasil, como em todos os setores, fiscalização para afastar os corruptos que se valem de APAES etc. Estes deveriam frequentar escolas especiais, cercadas por arame farpado e sem direito nem a celulares, como os criminosos dveriam ser tratados (mas não são também). Sua TEORIA está totalmente certa Nassif. Sua vivência está totalmente deformada, caro colega. Não basta jogar especiais em escolas normais sem qualquer responsabilidade até com alunos ditos normais, sem recursos, etc.. Conheço a Gleysi e o Álvaro Dias pessoalmente e sei que gostariam de resolver isso de forma correta. O Arns também. Outros "vagabundos" citados por você não sei. Vamos lutar sim, pela inclusão e pelas entidades bem administradas, pois um dia quem sabe o Brasil chega lá. Em 1980 portanto a 34 anos atrás realizei um média metragem amplamento premiado, DOCE HUMANIDADE abordando todo este assunto. O filme possui cópia na TV Cultura onde foi exibido uma vez e... nunca mais. Pena pois possui depoimentos importantes dos mais diversos setores da sociedade. Enfim continuo minha luta a favor dos deficientes leves, moderados e graves e farei isso até morrer. Pena que 80 por cento do povo ainda não acordou e 99 por cento dos políticos não dá a mínima. Cordialmente José Augusto Iwersen.

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Cláudio José

Muitos daqui dizem: mexeu com

Muitos daqui dizem: mexeu com o Lula, mexeu comigo! Mexeu com a Dilma, mexeu comigo! mexeu como o PT, mexeu comigo! Digo; mexeu com a APAE, mexeu comigo! Não é acabando com uma instutuição social, que  se vai construir uma nação inclusiva. 

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Quem falou em acabar,

Quem falou em acabar, exagerado.

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Cláudio José

Quando uma instiruição sofre

Quando uma instiruição sofre ataques, sua credibilidade vai minando, e o final todo mundo sabe. 

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Sugiro então não criticar

Sugiro então não criticar mais a Câmara Federal, para não minar sua reputação.

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Cláudio José

Seria um maravilha não

Seria um maravilha não precisar fazer isso, não sofreriamos tanto! kkk

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Luciano Donatte

APAES

A questão não passa por Lula, Dilma, PT ou algo assim. O que se coloca é que as pesquisas demonstraram que a educação das pessoas com necessidades especiais deve ser feita em escolas comuns e nao segregadas em escolas especiais. Claro que é preciso preparar as escolas comuns para melhor receber esse tipo de estudante.

 

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Cláudio José

A questão passa por eles sim!

A questão passa por eles sim! Não é a primeira vez, que vejo gente  fazendo campanha contra a APAE.  Se a nossa educação fosse uma maravilha, não falava nada, mas  é a mesma coisa, que tirar o filho de um poítico ou de um jornalista famoso é coloca-los numa escola pública sem nada. Será que os mesmos vão gostar? 

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Melina

Esclarecedor!

Nassif, 

Que matéria maravilhosa! Muito bom ter a possibilidade de saber quem realmente se interessa pela inclusão e desenvolvimento de uma sociedade igualitária e quem só se interessa em estar no poder a qualquer custo. Recomendo seu texto a todos que quiserem entender sobre inclusão. Obrigada pelo esclarecimento! Obrigada pela sensibilidade! 

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Luzinete Talaia

APAEs

Nassif,

 

Seu texto é muito esclarecedor. Mas, o que vemos são pessoas olhando o problema pelo telescópio. Briga-se tanto pela educação inclusiva, com a qual concordo plenamente. Mas não há um enfrentamento de como lidar com tantas deficiências/síndromes. Nivela-se todos os deficientes como se todos fossem portadores das mesmas limitações físicas e mentais e pudessem frequentar normalmente o ensino regular. Mas não é esta a realidade. Para quem já frequentou escola pública regular, escola privada, Pestallozi, APAE, todas apresentam problemas. A escola pública não possui condições de lidar com a multiplicidade de deficiências, sequer dispõe de banheiros ou rampas de acesso, as APAEs/Pestallozi precisam ser fiscalizadas e/ou sofrer a ingerência de algum orgão da área da educação. O próprio  Cristóvão Buarque diz que não se critica um problema, se não se vai apresentar solução. Essa briga, nós pais de deficientes, estamos assistindo, mas não de camarote, o que parece mais certo é que vamos lidar novamente é com a exclusão.

 

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Cláudio José

Quando conderam Jesus Cristo

Quando conderam Jesus Cristo falaram que ele era perigoso e agitador. Agora a APAE para alguns, não presta,  para cuidar das crianças especiais!  Isso é justo? 

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Fernando Lopes

Uma coisa que ninguém falou...

"No Brasil a luta ganhou consistência mais de três décadas atrás quando a educadora paulista Maria Teresa Mantoan, professora de uma escola especial para deficientes, visitou uma escola pública. Foi assistir a um show de dança. Lá, deparou-se com um rapaz sem braços e sem pernas com uma mochila ao seu lado.  Quando a dança começou, um colega pegou a mochila, encaixou nas próprias costas, colocou dentro o menino com deficiência e sairam dançando pela sala."

O que ninguém percebeu neste texto foi que o aluno "normal" que carrega o colega sem pernas na mochila também se beneficiou ! As pessoas esquecem que não só a criança "com problemas" mas a criança "normal" também se beneficia da convivência com o diferente.

No momento que as pessoas compreenderem que também serão beneficiadas com a integração dos deficientes, pobres, lésbicas, gays, etc, na sociedade aí teremos grandes mudanças na mentalidade da educação. O benefício da integração é mútuo, para quem precisa de ajuda e para quem ajuda. Por isso a inclusão é importante.

Ou vai dizer que o menino que carregava o outro na mochila também não se divertiu ??!!

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Lauro Medeiros

Inclusão social induzida

Provavelmente o menino não deficiente era parente do deficiente. É bom lembrar que o gesto dele foi, antes de tudo, expontâneo. Não se pode dizer que exista essa mesma expontaneidade dentro da escola e, se existe, é porque os alunos são induzidos à ela, através da chamada "educação inclusiva". Induzir as pessoas a aceitarem convívio social com deficientes, gays, grupos etnicos e outras minorias é, a meu ver, no mínimo, desonesto e as pessoas, depois de saírem dos colégios, tendem a retornar a seus antigos preconceitos ou a formar outros. Reconheço, porém, que não há nenhum estudo sobre isso. 

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Maria Dias

Falta de preparo nas escolas públicas

Sou mão de uma criança com paralisia cerebral no ensino público infantil, onde tem uma SAAI (SALA DE APOIO E ACOMPANHAMENTO À INCLUSÃO), onde ele é atendido no contra-turno 02 vezes por semana.É um escola polo, mas sei que quando ele sair de lá em 2014, terei sérios problemas, por que sei que a gestão dessa escola é diferenciada, muitas mães de alunos da rede reclamam da falta de recurso.

 Sei da difícil tarefa dos professores daquela unidade para dar conta de 35 alunos,incluindo meu filho cadeirante,  e ainda lidar com a falta re recursos para fazer um trabalho digno . Defendo a inclusão das crianças no ensino regular, mas precisamos mudar o cenário, lutar por melhorias na qualidade do ensino regular e especial.

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Gostei do texto

Acho que desnunda os lobbies pro-APAE, sua face politica e os interesses em jogo, assim como a importância da inclusão no ensino regular e das escolas serem preparadas para tal e a importância também das filantropicas no desenvolvimento das crianças deficientes. 

Se tivesse uma criança com necessidades especiais e ela tivesse o minimo necessario de condição para frequentar uma escola regular, não tenho duvida de que optaria por essa via, ainda que não excluisse a participação dela em atividades para-escolar, por exemplo, numa entendidade filantropica, como a APAE. 

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O cerne do seu comentário está no "mínimo necessário d condiçao"

Mas tuda essa briga do Nassif é contra o uso do advérbio preferencialmente, em vez de obrigatoriamente, no texto da lei. E as crianças que nao têm esse "mínimo necessário"? Basta que elas convivam com as outras na escola, como duas defensoras da idéia da educaçao inclusiva a qualquer custo defenderam? (Uma chegou a dizer que mesmo crianças sem deficiência muitas vezes nao aprendem os conteúdos escolares, entao nao haveria problema nas crianças com deficiência nao aprenderem; outra disse que as crianças estavam felizes na escola, mesmo quando incapazes de acompanhar as aulas; ficavam na biblioteca, no pátio, onde se "sentissem felizes"...). Ora, essas crianças também precisam aprender coisas necessárias a elas, que nao sao as mesmas que as outras crianças aprendem. 

E você concorda com a retirada do direito dos pais de escolherem o que é melhor para o filho deles? 

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Melina

Esclarecedor!

Nassif, 

Que matéria maravilhosa! Muito bom ter a possibilidade de saber quem realmente se interessa pela inclusão e desenvolvimento de uma sociedade igualitária e quem só se interessa em estar no poder a qualquer custo. Recomendo seu texto a todos que quiserem entender sobre inclusão. Obrigada pelo esclarecimento! Obrigada pela sensibilidade! 

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Excelente argumento

Obrigada por abordar esse tema de uma maneira clara e sensata. Acredito que depois desse texto, os argumentos falaciosos de muitas APAEs começam a cair, um por um. Em nome do meu filho, com SD e matriculado na rede regular de ensino, agradeço pelo seu posicionamento na luta pela educação inclusiva no Brasil. 

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ataide Xavier

São muitas as informações

São muitas as informações desencontradas e alarmistas, porem fico muito contente de ver outras posições sendo colocadas com clareza, o que certamente nos dar uma luz para entendermos o que realmente é importante .

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Celio Jorge Lasmar

APAES E EDUCAÇÃO INCLUSIVA

Ora todas instituições ditas beneficientes ou são fruto da corrupção nas instituições do Estado, ou da negligência do mesmo com os compromissos que deve ter para com a sociedade. Se o Estado foi criado para gerir as necessidades de sua sociedade, cabe a ele efetuar sua missão de forma ampla e eficiente, mas como se permitiu que o mesmo fosse tomado de assalto por gestores sem compromisso com a mesma temos o surgimento de um rol de instituições de tudo quanto é tipo geridas por "em sua maioria" corruptos e que recebem dinheiro poublico com a promessa de resolver problemas que por poura lógica deveriam ser resolvidos pelo Estado. Assim temos uma infinidade de instituições criadas por parasitas do dinheiro público cuja unica função é ou fazer politicagem barata, mantendo seus falsos defensores no poder, ou sustentar empresas dos mesmos, ou servir para literalmente desviar dinheiro público. Isto se deve ao desvio de conduta e de ética que existe dentro das instituições do Estado e da inércia e ignorância do povo, seja ele brasileiro, ou de qualquer outra nacionalidade, já que situações paradoxais como esta existem pelo mundo afora. No caso o uso de pessoas com enfermidades, deficiências e outros males para obtenção de beneficios ilegitimos deve ser considerado crime hediondo e punido à altura.

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