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Construindo foguetes em pleno voo, por Federico Vega

Construindo foguetes em pleno voo

por Federico Vega

Os mercados econômicos, geralmente, nomeiam de startups aquelas empresas que são capazes de crescer rapidamente, em média 50% ao ano, resultando em um impacto significativo sobre as indústrias em que estas empresas operam. Enquanto esse crescimento acontece, essas companhias tentam se estruturar, ou seja, manter um ambiente de trabalho organizado, onde existam fluxos sobre o trânsito de informações, por exemplo, em todos os níveis da empresa.

Os executivos dessas startups devem ter claro para qual direção a companhia está indo e a estratégia que está sendo seguida para atingir os objetivos. A cultura empresarial de uma empresa nova deve ser moldada com cuidado, tendo os mais experientes executivos envolvidos em cada nível e decisão, o foco sempre deve ser oferecer aos funcionários um ambiente de trabalho positivo, onde todos são ouvidos, cuidados e valorizados. Esta é a razão principal de sentir que as startups são um lugar arejado em pensamentos, divertido e valioso para se trabalhar.

Existe outro tipo de startup, elas são identificadas como "negócios de crescimento hiper", elas são companhias com crescimento gigantescos, quase que "perturbadores", pois alcançam uma média de 500% ao ano, até que consigam uma maciça dominação de seu mercado de atuação. Estas empresas são dirigidas sob uma ótica de "ganhar a todo o custo", com uma cultura de concorrência, os principais exemplos são empresas como Uber e Airbnb.

No caso delas, por exemplo, embora o início seja tido ligado a uma abordagem de modelo de negócios "ilegal", tiveram como impulso para o sucesso, a determinação cega e a execução agressiva, iss desafiou as leis no mundo todo até o ponto em que as leis tiveram de se adaptar a seu modelo de negócio e não o contrário.

Quando uma empresa cresce rapidamente, seu tipo de gestão e execução é totalmente diferente do que a normalidade. Embora muitas startups mais "tradicionais" atuem com a regra de "contratar lento e demitir rápido", ou seja, selecionar os profissionais com cuidado e corrigir erros imediatamente, o crescimento das "hiper" não permite que algum processo, seja qual for ele, seja realizado lentamente.

Contratação e demissão em um ritmo rápido, combinada com o crescimento da empresa em um curto período de tempo, provoca três desafios que a administração e os funcionários devem estar atentos: foco dos profissionais, fluxos para suprir as substituições e blindagem de cópias.

Negócios de crescimento "hiper" devem ser executados de forma extremamente agressiva, isso significa que cada funcionário deve ser focado em projetos específicos e deve se preparado para conquistar o impossível, a fim de atingir seus alvos muito altos. Em caso de alguma dúvida sobre a qualidade da pessoa, ela deve ser substituída imediatamente, o que cria um ambiente de trabalho bastante desconfortável.

Esse modelo de crescimento é desorganizado por natureza. O número elevado de novos clientes e suas pluralidades fazem com que a empresa não seja capaz de rodar em um processo de pré-definido eterno e inflexível. A falta de processos combinado com um fluxo rotatividade alto dentro da organização pode resultar numa bagunça que toma um tamanho sem igual.

Por fim, essas empresas devem atuar no mais alto sigilo quanto a sua estrutura e gestão. Quando um modelo de negócios disruptivo cresce tão agressivamente e chama atenção, podem surgir "inimigos" e cópias. Portanto, a estratégia de execução deve ser aberta para a equipe de uma maneira calculada, passo a passo. Claro que, quando há sigilo em torno da estratégia de execução, alguns funcionários podem se sentir perdidos, sem clareza sobre como a empresa vai alcançar o sucesso.

Ao contrário do outro tipo de startups, as empresas de crescimento "hiper" devem aceitar e controlar essas questões, em vez de tentar eliminá-las, esses problemas existem, mas são um mal necessário, a fim de crescer a uma taxa exponencial. No caso do Uber, o ambiente de trabalho bagunçado combinado com funcionários impulsionados agressivamente, resultou a um ambiente de trabalho "tóxico". No entanto, a Uber tornou-se o negócio de crescimento mais rápido na história. Ele perturbou monopólios estatais instaladas em todo o mundo, desafiando e criando novas fontes de renda e economia para as massas. Uber fez isso, tudo ao mesmo tempo em que a criava a riqueza para os seus funcionários e associados.

Federico Vega - CEO e Fundador da CargoX (considerada como a "Uber do transporte de carga")

 

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Rui Ribeiro

A uberização da economia afetará negativamente os trabalhadores

Estado: Quais problemas a uberização da economia pode trazer?
Steven Hill: Esse é um modelo que permite maior flexibilidade para aqueles que querem trabalhar como freelancer, mas esses trabalhadores não têm nenhum tipo de proteção, como plano de saúde e seguro social. Um bom exemplo desse tipo de companhia é a Upwork (empresa que conecta freelancers e empregadores), que tem 250 empregados regulares mas supervisiona 10 milhões de trabalhadores pelo mundo. Então, trabalhadores do mundo desenvolvido competem com os do mundo em desenvolvimento, só que no Brasil ou na Índia as pessoas vão aceitar salários mais baixos. Isso cria uma tendência negativa nos salários que vai destruir a força de trabalho no longo prazo.

http://jornalggn.com.br/noticia/construindo-foguetes-em-pleno-voo-por-fe...

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O mito das Startups.

 

Numa das reportagens da maior empresa de vulgarização do capitalismo do mundo, a Forbes, Neil Blumenthal um dos CEOs de uma das empresas de sucesso nos últimos anos, que teve origem numa “startup” a definição que ele dá é que uma Startup é:

“Uma startup é uma empresa que trabalha para resolver um problema onde a solução não é óbvia e o sucesso não é garantido".

Que poderíamos reescrever da seguinte forma:

“Uma startup é uma empresa que trabalha para produzir um bem que ninguém tem interesse em comprar porque ele simplesmente não existe, mas como é algo moderno e com uma boa propaganda e marketing torna indispensável para as “pessoas modernas”, quanto ao sucesso, provavelmente 99,9% dos lançadores de startups dão com os burros n’água e 0,1% fica rico vendendo palestras de como ficar rico montando uma startup”.

Em resumo, uma startup é o nome moderno para um empreendimento de risco a baixo custo em que se procura ao máximo repassar para terceiros o custo da criação das empresas restando ao promotor da Startup a procura do lucro sem o máximo comprometimento, a medida que seus “colaboradores” entram com o pescoço e o empreendedor com a corda.

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Startups e a Teologia da Prosperidade.

Vejam bem, o que o artigo apregoa como prática das "Startups" é nada mais nada menos do que a Uberização da economia. E o que vem a ser isto? É a extensão do Imperialismo aos máximos limites possíveis.

Como funciona o Uber? É simples a informatização e a desregulamentação do mercado permite que uma pessoa (uma pessoa mesmo, não um grupo nem uma S.A.) comande em nível planetário o transporte público dos taxis.

Ou seja, com a Uberização da economia se consegue ter um só patrão comandando milhões de empregados no mundo inteiro que são completamente dependentes de uma só vontade e de uma só plataforma que no início ainda dará alguns ganhos aos pequenos “patrões” que simplesmente entram com o capital com o trabalho e não tem o mínimo direito sobre qualquer coisa a não ser trabalhar conforme o preço determinado pelo grande patrão.

Todos sabem perfeitamente a lógica do capital monopolista, primeiro cresce até se tornar monopolista, depois vai num sentido de ganhos crescentes contra o trabalho e como os pequenos “patrões” proprietários somente de sua força de trabalho tem um exército de reserva que pode entrar no mercado a qualquer momento, o grande patrão vai aos poucos retirando não só a mais valia do trabalho destes pequenos “patrões” mas vai retirando também o capital destes através do achatamento das tarifas com a consequente perda do capital através da falência dos pequenos “patrões”.

Nos dias atuais os motoristas de Uber retiram empréstimos para comprar os seus carros e conseguem através de seu trabalho sem limite de horas (um motorista de Uber chega há trabalhar 12 horas por dia) simplesmente pagar uma pequena remuneração para si próprio que é elevada para alguns, devido a carga de trabalho que em prazo longo é insustentável.

No fim de alguns anos de trabalho quando estes motoristas não conseguirem por razões óbvias de desgaste físico pela idade restarão somente com um automóvel velho e sem nenhuma cobertura social.

Se isto é um exemplo de "startups", os trabalhadores do século XIX eram os maiores representantes das "startups" da época.

Startup é uma coisa completamente diferente, é algo que só faz sentido em países com altíssimo nível educacional que tem um sucesso em uma (1) em cada mil (1000) empresas de alta tecnologia sendo que destas poucas empresas de sucesso, 10% se manterão no mercado e o resto ou será vendido as grandes empresas já instituídas ou simplesmente depois de “fazerem o mercado” elas sofrem a concorrência das empresa tradicionais e a maioria perdem e entram em falência.

O mito que tentam vender os adeptos do discurso das “STARTUPS” é o mesmo do que os pastores da teologia da prosperidade vendem aos seus “clientes”.

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ze sergio

construindo......

Caro Federico você está falando isto na Pátria das Licenças, alvarás, cópias autenticadas, reconhecimento de firma, cartórios...?  O cidadão que sonha em ter uma empresa como a JBS e mais de 350 mil funcionários será extorquido pelo Estado por todas as vertentes. Dar empregos? Produzir riquezas? Autonomia à sociedade? Profissões avançadas educacional e tecnologicamente? Caro amigo, você está no Brasil !!! O que interessa e a parte da Hiena. O resto é só blá, blá, blá. Mudaram as condições políticas? Jogaram toda economia nacional na vala. A sociedade que se dane e espere para ver como ficará a divisão entre as facções políticas dos despojos do Estado. Maciça maioria da Imprensa esperando para ver qual sera situação de seus patrões. Continuaremos neste país de fantasias? Já não estamos enxergando 2017? O cachorro não corre atrás do rabo há 1 século?

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