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Militares à mesa dos Caymmi

Militares à mesa dos Caymmi

RENATO BRAZ

21/02/2016  02h06Compartilhar79 Mais opçõesPUBLICIDADE 

No final da década de 1990, eu conheci o Dori Caymmi, que era uma referência muito significativa para mim. Já havia gravado composições dele no meu primeiro disco, "Renato Braz" (1996), que abro e encerro com uma música de sua autoria, e convidei-o para fazer arranjos no meu segundo disco, "História Antiga" (1998) –por sinal, título de uma canção de Dori.

Tornamo-nos grandes amigos, e de lá pra cá ele fez arranjos em todos os meus discos, sem exceção, ora da obra inteira, ora em faixas pontuais, inclusive no meu mais recente álbum, "Saudade" (2015), lançado nos Estados Unidos, com produção de Paul Winter.

Nessa época, eu me encantei por um violão, um desses que não têm corpo, sem tampo de madeira. Aqui no Brasil era muito caro, e, como Dori já estava radicado em Los Angeles, perguntei se ele poderia me trazer esse instrumento, conhecido por "silent guitar", quando viesse ao Brasil.

É coisa que não se pede a qualquer um, mas ele atendeu meu pedido de bom grado: "Claro, o violão é todo desmontável, coloco-o na mala e levo sem problema nenhum! Vamos fazer o seguinte: estou indo ao Rio, não vou passar por São Paulo, você me encontra lá e aproveita para conhecer meu pai e minha mãe. E de quebra ainda experimenta a feijoada da Alda!" –cozinheira que trabalhava para a família e, sempre que Dori os visitava, sabia como agradar o primogênito.

 Marcus Leoni/Folhapress O músico Renato Braz com a "silent guitar" em sua casa em São PauloO músico Renato Braz com a "silent guitar" em sua casa em São Paulo

Peguei um ônibus de madrugada, de São Paulo ao Rio, e cheguei à casa dos Caymmi domingo de manhã. Seu Dorival, dona Stella, Dori, Danilo, Nana, os netos, todos reunidos, numa bagunça deliciosa. Na viagem, trouxera comigo "O Avesso das Coisas", livro de aforismos de Drummond, e fiquei na sala conversando com seu Dorival e lendo alguns trechos para ele.

Uma tarde maravilhosa, em que ele recordou uma espécie de desafio com o qual os estudantes se divertiam: de um lado da rua, um colega recitava um verso e, do outro lado, os demais tinham que dar sequência ou adivinhar o poeta – Drummond era um nome frequentemente invocado.

Dona Stella, mulher de seu Dorival, me interpelou: "Mas, meu filho, você não é cantor? Então toque uma música pra Dorival!".

Tremendo igual a uma vara verde, toquei "Só Louco", bem ao pé do ouvido do velho Caymmi, porque o violão trazido por Dori, desplugado, emite um som bem pequenininho. Seu Dorival ouviu atentamente. E gostou.

Com a feijoada à mesa, sentei ao lado da Nana. Ela começou a preparar um bolinho com a mão, usando arroz, feijão, farinha e charque desfiado. "Olha, Renato, isso só se faz na intimidade...", disse-me Nana como quem apresentasse uma novidade.

Só que meu pai é de Santo Antônio do Jordão, reintitulada Geolândia, no interior da Bahia, e esse bolinho já me era familiar.

É costume do sertanejo comê-lo com a mão, e, em São Paulo, onde nasci e fui criado, minha mãe proibia expressamente que assim o fizéssemos, mas era ela sair de casa que meus irmãos e eu entregávamo-nos à subversão.

Envergonhado, muito tímido, não tive coragem de pedir e nem dizer que conhecia muito bem aquele bolinho –que tratava por "capitãozinho"–; aquela era a primeira vez que via Nana. Quando viramos amigos do peito, relembrei o episódio e rimos bastante.

De olho nas mãos da filha, seu Dorival explicou: "É, Renato, quando eles eram crianças, eu que fazia esses bolinhos pra eles, e chamávamos de capitão, general, coronel, mas hoje o melhor quem faz é a Nana".

E eu com uma vontade imensa de chorar, lembrando minha infância, recordando que papai fazia e mamãe podava: "Não, se come é de garfo e faca!". Sem que ninguém se desse conta, foi uma volta para casa, transportado da infância deles para a minha. Segurei a muito custo as lágrimas.

Na outra ponta da mesa, Dori gritou: "Aqui era capitão, coronel, general... Quando a gente era criança só comia militar!".

RENATO BRAZ, 48, cantor, violonista e percussionista, faz show neste domingo (21) no Sesc Bom Retiro em encontro inédito com Toninho Horta

 

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PSDB

Por que nenhum tucano foi preso até agora?

Nenhum tucano foi preso até agora na AP 470 (mensalão), e na lava Jato. Com um agravante de que o mensalão do PSDB foi anterior ao do PT e os crimes estão prescrevendo sem julgamento. Na lava Jato, os tucanos são citados em delação e nada, inclusive o governo tucano Fernando Henrique Cardoso  na Petrobrás, o próprio FHC, publicou em livro que em seu governo, havia corrupção na Petrobrás. Para que não reste nenhuma dúvida, outra denúncia contra o tucano Aécio Neves acaba de ser arquivada pelo STF.

Um amigo me disse: “Os tucanos são malandros!” Discordo, pois a maioria da ocupação carcerária é de malandros presos! Existe sim um conluio entre nossas autoridades, a mídia e os malandros do PSDB.

Veja a malandragem de nossas autoridades para confundir a sociedade: no momento que soltam o senador do PT, Delcidio Amaral, o STF arquiva mais uma denúncia contra o tucano Aécio Neves.

Prenderam o senador Delcidio, mas o que fizeram com o ministro Gilmar Mendes e o Dias Tofolli, também citados na mesma gravação em relação ao crime que resultou na prisão do senador? Nada! Esses dois ministros tem uma contribuição turbinada às elites que, por exemplo, mantém os tucanos blindados e perseguem Lula, Dilma e o PT.

Tofolli foi o ministro do STF que sozinho suspendeu o artigo fundamental da lei do Direito de Resposta. Essa lei foi de autoria do senador Roberto Requião e, nos poucos dias que vigorou, colocou um freio nos vazamentos seletivos, inclusive fazendo a Folha e o Globo se retratarem publicamente. O plenário do STF até agora se cala, talvez porque, para o STF, o interesse da sociedade é menor que o das empresas de comunicação.  

Gilmar Mendes, também conhecido pelo escritor Veríssimo como Gilmar Mentes, concedeu dois habeas corpus em 24 horas, ao banqueiro chamado pelo delegado, Protógenes Queiros de banqueiro “Ladrão”. O banqueiro Daniel Dantas que foi preso e condenado á dez anos, foi solto e Protógenes foi condenado pela (in)justiça e expulso da PF. Gilmar também é autor da proeza de soltar o médico estuprador, Roger Abdelmassif,  condenado a 278 anos de prisão que, em seguida fugiu para o Paraguai. E Gilmar é atualmente presidente do STF que vai julgar o impeachment da Dilma. Num país onde as autoridades são sérias, juízes como esses não julgariam mais ninguém, iam sim ser julgados e muito provavelmente condenados.

 

Respondendo ao meu amigo que disse que os tucanos não vão presos por que são malandros. Digo que malandro mesmo são nossas autoridades, que permitem com plena conivência a impunidades dos tucanos. E cá para nós, otários mesmo somos nós, que aceitamos esse atestado de idiota passado por nossas autoridades!

Rio de Janeiro, 21 de fevereiro de 2015 

OAB/RJ 75 300              

            

Emanuel Cancella é coordenador do Sindicato dos Petroleiros do Estado do Rio de Janeiro (Sindipetro-RJ) e da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP). 

OBS.: Artigo enviado para possível publicação para o Globo, JB, o Dia, Folha, Estadão, Veja, Época entre outros órgãos de comunicação.

 

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Irene Rir

Quá, quá, quá, quá!

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Brutus

Hoje: Para as moças de 5a.

http://depontes.com.br/programacao-final-semana/uci-cinemas-exibe-joias-...

Nota: Nem as íntegras e valorosas putas da Quinta da Boa Vista, nem as moças de 5a. categoria.  Moças de Fifth Avenue; chiquérrimas na sacanagem. Jóias afinal...

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Peroba

FHC, o poltrão

Fernando Henrique, o poltrão

 

rato

Para quem não sabe o que é a palavra poltrão, que minha avó dizia quando ficava muito revoltada ao ver alguém se comportar de forma vergonhosa, aí vai a definição: quem não tem coragem; covarde, medroso, pusilânime.

Este é o retrato de Fernando Henrique Cardoso após a nota divulgada hoje pela Brasif dizendo que ele nada tem a ver com o contrato fictício de prestação de serviços que, em nome dele, assinou com a jornalista Mírian Dutra e que, portanto, nem desta maneira espúria ele assistiu a criação de uma criança que, para todos os efeitos, admitia ser seu filho.

Fez, isso, sim, de forma bandida, mas fez.

Porém, com medo de responder pelos dinheiros tortuosos  que usou nisso, ‘esqueceu’ o que depositou (depois do que escreveu como sociólogo) até obter da empresa a garantia de que ela “seguraria a peteca” dos pagamentos a Mirian.

Se nega a irregularidade, proclama a desumanidade: quer dizer que assistiu crescer o rapaz que pensava ser seu filho sem mover – mesmo por caminhos ilegais – uma palha para contribuir no seu sustento?

A um homem que renega um filho –  ainda mais no século 20 – só cabe mesmo o adjetivo que minha avó usava aos desafetos máximos: poltrão!

Não interessa se a mãe faz a denúncia com sinceridade, depois de tantos anos. Ao menos até o exame de DNA, ele admitia ser o pai e, portanto, tinha responsabilidades afetivas e materiais.

E para quem se revela proprietário de propriedades milionárias, como se revela no post abaixo, não é possível que  uma mísera pensão fosse inviável.

Atpé porque se pode dar um apartamento de 200 mil euros – quase R$ 1 milhão – ao rapaz, a essa altura, e se não foi capaz de pagar-lhe escola, comida, roupa, este mimo assume ares de “cala a boca, garoto, que você vai se dar bem”.

Um corrupto e um corruptor são desprezíveis.

Mas quem corrompe seu próprio filho é mais, é abjeto.

Lixo.

Se ele quiser, que me processe.

Vou ter o prazer de dizer como minha avó dizia, que é um poltrão.

 

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Irene Rir

Concorrência: os corruptos são contra a corrupção dos outros

   “Cunhada” de FHC, que há 15 anos recebe de tucanos no Congresso sem trabalhar, é militante contra a corrupção

publicado em 19 de fevereiro de 2016 às 10:14 no Vi o Mundo

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Da Redação

Margrit Dutra Schmidt, irmã da jornalista Mirian Dutra, que teve um romance de seis anos com o então senador Fernando Henrique Cardoso, recebe salário de assessora no Congresso há 15 anos mas nunca compareceu ao trabalho. Ela bate o ponto diariamente.

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Conforme demonstrou o Tijolaço, sua primeira nomeação foi feita pelo próprio FHC, em 27 de março de 1995, para o cargo em comissão de diretora do Departamento de Classificação Indicativa, no Ministério da Justiça.

A essa altura a irmã, Mirian, já vivia no exílio na Europa com o filho que ela e FHC acreditavam ser do presidente da República.

A revelação de que Margrit é funcionária fantasma foi feita por Lauro Jardim, em O Globo.

O  jornalista foi quase um porta-voz da emissora quando atuava na Veja. Não é possível confirmar se foi retaliação por Mirian ter dado entrevista denunciando que a Globo tentou apagá-la da História da emissora.

Em sua página no Facebook, Margrit é uma discreta militante contra a corrupção. Refere-se ao ex-presidente Lula como Molusco e denuncia Dilma por “cultuar” Getúlio Vargas e Leonel Brizola. “O Brasil acabou. E tem gente que defende esta corja”, sentencia.

Margrit “trabalhou” nos gabinetes de Arthur Virgílio e Lúcia Vânia, antes de receber salário como assessora fake de José Serra. Isso demonstra que o PSDB teve papel ativo no acobertamento da existência de Mirian, ao lado da mídia e da empregadora da jornalista, a TV Globo:

Irmã de Mirian Dutra é desconhecida por ‘colegas’ de gabinete de Serra

Tucano nega de Margrit seja fantasma e diz que ela trabalha de casa

POR GUILHERME AMADO 19/02/2016 6:00, em O Globo

BRASÍLIA — O senador José Serra emprega em seu gabinete do Senado, como funcionária fantasma, Margrit Dutra Schmidt, irmã de Mirian Dutra Schmidt, conforme informou o blog do jornalista Lauro Jardim, no site do GLOBO. Margrit vai diariamente, de manhã e à noite, registrar sua digital na entrada principal do Congresso, a Chapelaria, mas não cumpre expediente. Serra negou que ela seja fantasma e disse que Margrit trabalha de casa, prática vetada no Senado.

Margrit foi cedida pela liderança do bloco da oposição para o gabinete de Serra em 30 de março de 2015. Na quinta-feira, portanto quase um ano depois, O GLOBO entrevistou dez dos 15 funcionários do gabinete de Serra em Brasília. Dos entrevistados, nenhum sabia dizer o que Margrit faz. Alguns sequer sabiam de sua existência.

— Margrit? Você está confundindo. Eu estou com ele desde o começo do mandato. Não tem nenhuma Margrit aqui — afirmou um funcionário do gabinete.

Margrit está na República Dominicana, conforme a própria confirmou ao GLOBO na quinta-feira:

— Estou na República Dominicana, de banco de horas. A ligação está muito ruim — disse ela.

O telefonema caiu, e, embora informada sobre o tema da reportagem, Margrit não voltou a atender aos outros telefonemas.

Serra afirma que pediu à liderança da oposição a cessão de Margrit porque “desejava que ela se dedicasse a um projeto na área de educação”:

— Ainda é um projeto sigiloso, peço que você não adiante o que é. Lançarei em breve. Queria alguém que me ajudasse em questões não econômicas. Conheço a Mag há muitos anos. Tenho relações pessoais e intelectuais — afirmou Serra.

Num primeiro momento da entrevista, Serra afirmou não saber ao certo se Margrit trabalha ou não de casa. Depois, ao ser informado pelo GLOBO de que os funcionários haviam dito que não a conheciam, Serra disse que “imagina(va)” que Margrit trabalhe de casa. Finalmente, o senador afirmou:

— Ela trabalha (de casa). Meu gabinete tem pouco espaço, não tem sala para todo mundo.

Margrit não ingressou no Senado por meio do gabinete de Serra. Trabalha no Senado há 15 anos. Em seus anos no Parlamento, a assessora trabalhou no gabinete do ex-senador Arthur Virgílio (PSDB), hoje prefeito de Manaus, e da senadora Lúcia Vânia (PSB-GO), ex-tucana, quase sempre cedida pela liderança do bloco de oposição.

Nunca foi ao Senado trabalhar. A situação se manteve até Álvaro Dias assumir o cargo, em março passado, e decidir demiti-la.

Virgílio afirmou que Margrit era “uma funcionária normal” de seu gabinete. Dias confirmou que a demitiu, mas não quis responder a outras perguntas.

— Não seria ético eu falar nisso. Não sou mais do PSDB.

A senadora Lúcia também não quis comentar.

PS do Viomundo: Margrit será demitida do Senado, informa Ricardo Noblat, que escreveu uma patética coluna detonando Mirian e em defesa da Globo. Ele mesmo diz: “Míriam reclama, hoje, de pouco ter trabalhado quando de Lisboa foi para Londres e, de lá, para Barcelona. Ora, então por que não voltou? Ou por que continuou recebendo salário da Globo sem pegar no pesado?”. A pergunta é outra, Noblat: por que a Globo pagou 7 mil dólares mensais a uma correspondente que não trabalhava? Hein? A demissão de Margrit é o começo da represália. Começou o assassinato de reputação de Mirian.

Leia também:

Tratamento distinto para duas Mirians


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O guru dos coxas

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Meire

Homenagem à Umberto Eco.

Se a TORCIDA DO CORINTHIANS já está sabendo dos podres da política e da falta de Justiça no pais, ainda há salvação para os imbecis da internet.

 

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Algaravia

FHC, mais sujo do que pau de galinheiro

PF investigará FHC se “um civil” pedir… Só se for agora

  

fhc

 

O affaire envolvendo um dos políticos mais importantes do país parece plágio de um roteiro de novela das oito da Globo. A volta à cena pública de uma antiga “namorada” de Fernando Henrique Cardoso, porém, não é só uma historieta brega, banhada em um machismo patético e um oportunismo revoltante.

Apesar de o folhetim encerrar ingredientes das tramas globais (traição, exílio da mocinha para não comprometer a imagem do seu “coronel” etc.), essa trama proibida (que a imprensa brasileira aceitou manter na sombra por intermináveis dezoito anos) contém indícios claros de corrupção.

Isso, evidentemente, se a ex-namorada do tucano tiver mesmo os documentos que diz ter comprovando as remessas ilegais de dinheiro feitas por FHC atravéz de uma empresa que mantinha negócios com o governo federal.

Nem há que tratar da descoberta de benesses com dinheiro público a parentes da namorada do grão tucano – o caso da irmã de Mirian Dutra, funcionária-fantasma do gabinete de José Serra. O que interessa mesmo é confirmar – ou não – as acusações da ex-namorada de FHC.

Vale refletir que se Mirian fez acusações dessa magnitude sem ter os documentos que afirma ter, é uma pessoa com sérios problemas mentais. Contudo, não parece ser o caso.

Ela muito articulada e de boba (ou doida) não parece ter nada; leva uma vida confortável na Europa há duas décadas sem ter que despender uma gota de suor do rosto, tudo por FHC ter acreditado que ela gerou um filho seu.

O que interessa mesmo, pois, é que, a ser comprovada a versão de Mirian, enquanto presidente da República FHC fazia remessas de quantias vultosas para o exterior através de um esquema ilegal.

Como se não bastasse, soube-se, agora, que, recentemente, FHC doou um apartamento de 200 mil euros (cerca de um milhão de reais) a um filho que afirma que não é seu e, ao mesmo tempo, presenteou a nova esposa com um apartamento de também cerca de um milhão de reais.

Detalhe: ninguém sabe de onde FHC tira tanto dinheiro para dar presentes como esses. Note-se que não está comprando nada para si, está dando presentes milionários.

O mais espantoso é que tudo isso acontece à sombra de uma ofensiva contra outro ex-presidente, Lula, quem está sendo linchado publicamente por suspeita de ser proprietário de imóveis cuja posse jamais foi comprovada.

Aliás, vale relatar uma curiosidade: recentemente, um jornal paulista acusou a empresa de telefonia OI de ter pago “propina” ao ex-presidente Lula ao instalar uma antena de celular na região onde fica uma propriedade que nem é dele, mas que ele usa para descansar de vez em quando. Foi aberta até uma investigação. O ex-candidato a presidente Aécio Neves teve um aeroporto construído com dinheiro público dentro de uma fazenda de sua família e não foi feita sequer uma investigação.

Mas voltemos a FHC. Imagine, leitor, se descobrissem que Lula fez uma remessa ilegal de dinheiro para uma mulher com quem tivesse mantido um caso extra-conjugal. Provavelmente, o Ministério Público, a PF e até setores da Justiça pediriam pena de morte para o petista. Diriam que, apesar de tal pena não ser legal no Brasil, haveria que abrir uma exceção para punir Lula.

Tudo o que foi comentado acima serve de complemento a notícia divulgada hoje pela Folha de São Paulo. O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse que, por enquanto, a Polícia Federal não investigará FHC até que a pasta que ocupa faça uma análise prévia dos documentos em poder da ex-namorada do tucano. Porém, Cardozo diz que a PF poderá fazer uma “apuração prévia” do assunto caso receba representação de “um civil”.

Durante a semana que entra, espera-se que algum político governista retribua na mesma moeda as “gentilezas” do PSDB para com o governo Dilma, para com Lula e para com o PT. E, também, em defesa do interesse público.

Na mesma edição em que a Folha deu essa notícia sobre o ministro da Justiça ter dito ser factível abrir investigação de FHC pela PF com uma simples representação, o jornal afirmou que é grande a possibilidade de o tucano ficar impune mesmo que sua ex-namorada disponha dos documentos que diz possuir.

A Folha não explica como ou por que FHC ficaria impune mesmo se aparecesse o contrato que sua ex-namorada diz ter…

Mas, convenhamos, nem precisa. Sabemos como atuam a PF, o Ministério Público e o Judiciário em relação a casos envolvendo até tucanos de baixo coturno, como o ex-presidente do PSDB Eduardo Azeredo, recentemente condenado a 20 anos de prisão, EM PRIMEIRA INSTÂNCIA, por crimes praticados quase duas décadas atrás.

Seja como for, é obrigação dos cidadãos que entendem que a Justiça tem que ser igual para todos cuidarem para que FHC não fique impune. Vamos, pois, aguardar para ver quem vai representar à PF pedindo a tal “investigação prévia”. Se ninguém fizer, nós, aqui do Blog da Cidadania, faremos.

 

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Macuné

O cinismo imbecil dos manipuladores da opinião publicada

Leandro Fortes: É preciso muito mais que jornalistas servis e desonestos para esconder o escândalo do presidente que calou a namorada

publicado em 20 de fevereiro de 2016 às 14:49, no Vi o Mundo

Captura de Tela 2016-02-20 às 14.48.21A nota canalha da Veja, o refém de Roberto Marinho e o primeiro tucano a acobertar a irmã de Mirian no Congresso, Arthur Virgílio

PROCURA-SE UMA BOIA PARA FHC

Por Leandro Fortes

A mídia ainda não achou um jeito de tirar Fernando Henrique Cardoso da enrascada em que a jornalista Mirian Dutra o meteu.

A tese de que a relação com a amante é uma questão de foro íntimo só faria sentido se:

1) O presidente da República e, por extensão, o Brasil, não tivessem sido feitos reféns da Rede Globo, por oito anos, sabe-se lá a que preço, para que essa amante ficasse escondida na Europa;

2) O presidente da República não tivesse se utilizado de uma empresa concessionária — a Brasif — para enviar dinheiro para o exterior, por meio de uma offshore aberta em paraíso fiscal, para o filho que ele imaginava ser dele — e, que, agora se sabe, pode ser mesmo;

3) O presidente da República não tivesse se mancomunado com um editor da revista Veja para fraudar uma notícia com o objetivo de mentir ao País sobre a gravidez de Mirian Dutra;

4) O presidente da República não tivesse nomeado a irmã da amante, Margrit Dutra Schmidt, para cargo público federal, no Ministério da Justiça e, mais tarde, ter providenciado junto a um aliado, o senador José Serra (PSDB-SP), um emprego-fantasma no Senado, onde ela está há 15 anos, recebendo salário, todo mês, sem aparecer para dar expediente.

A nota da Brasif, uma explicação seca e patética montada por advogados para dizer que Mirian recebia dinheiro da empresa, mas que FHC nada tinha a ver com o caso, é uma dessas coisas que só podem ser vinculadas seriamente no Brasil, dada a indigência moral e profissional da nossa imprensa pátria.

Mirian recebia 4 mil dólares por mês para pesquisar preços — o que, aliás, ela disse que nunca fez.

Para acreditar nessa versão mambembe é preciso ser cínico em nível patológico ou uma besta quadrada completa, categorias em que se enquadram 99% dos batedores de panela e manifestantes da CBF dos domingos de histeria e ódio da Avenida Paulista — Margrit Dutra Schmidt entre eles.

Em um muxoxo particularmente hilariante, FHC acusou o golpe: acha ser “uso político” a Polícia Federal investigar essas transações de com toda pinta de evasão fiscal feitas pela Brasif nas Ilhas Cayman, o paraíso dourado dos tucanos.

Então, está combinado.

Quando a investigação é sobre o barco de lata de dona Marisa Letícia ou sobre o número de caixas de cerveja que Lula levou para um sítio em Atibaia, é combate à corrupção.

Mas investigar remessas de dinheiro, via paraíso fiscal, feitas por uma concessionária do governo, a mando de um presidente da República, para manter uma amante de bico fechado com o apoio da TV Globo e da Veja, é uso político.

O problema central é que, antigamente, bastava silenciar e manipular o noticiário.

Hoje, com as redes sociais, como bem sabe José Serra e sua bolinha de papel atômica, é preciso muito mais do que jornalistas servis e desonestos para esconder um escândalo desse tamanho.

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Macuné

A fúria dos bandidos de toga e dos donos da Globo contra Lula

Em resposta, Lula cita Paraty, cidade da mansão dos Marinho; advogados atacam promotor que vaza para a Globo mas bloqueia a defesa

publicado em 21 de fevereiro de 2016 às 00:42, no Vi o Mundo

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O promotor Kirchner se juntou à Globo para denunciar Lula através da revista Época; é a terceira capa da revista sobre o assunto baseada em ilações (acima, uma delas); a atuação dos irmãos Marinho em paraísos fiscais — mencionada obliquamente por Lula na nota — foi documentada pela Receita Federal; a mansão dos Marinho em Paraty está em nome da Agropecuaria Veine, que tem como sócia uma empresa de Nevada, nos Estados Unidos, que foi gerenciada por uma lavanderia panamenha especializada em criar empresas de fachada

Nota enviada à Rede Record sobre a capa da revista VEJA

20/02/2016 18:28

do Instituto Lula

O ex-presidente Lula já comprovou com documentos — inclusive sua declaração de Imposto de Renda — que jamais ocultou patrimônio. Lula não é e nunca foi dono de imóveis em Guarujá, Atibaia, Paraty ou outros lugares aprazíveis.

Nunca registrou propriedade pessoal em nome de empresas fantasmas ou em paraísos fiscais.

A repetição de teses caluniosas sobre Guarujá e Atibaia tem o objetivo de ligar o ex-presidente a processos em que ele não é investigado e sequer citado.

Lula reside em São Bernardo, no mesmo apartamento em que morava antes de ser presidente da República.

Nunca desrespeitou a lei, antes, durante ou depois de governar o pais.

É ilegal e vergonhosa a invasão de privacidade a que Lula e sua família vêm sendo submetidos por determinados agentes do estado e veículos da imprensa.

Leia aqui o texto de Rodrigo Vianna sobre a nota.

Abaixo, o mapa da Receita Federal sobre a atuação da Globo em refúgios fiscais:

Como a Globo comprou os direitos da Copa from Luiz Carlos Azenha

*****

PRDF: Defesa de Lula denunciará abusos a Janot, CNMP e OAB

20/02/2016 17:37

A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai representar junto ao Conselho Nacional do Ministério Público e ao Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, denunciando os reiterados abusos e ilegalidades que têm sido cometidos contra Lula no âmbito da Procuradoria da República no Distrito Federal (PRDF).

Também será denunciado ao presidente nacional da OAB, Cláudio Lamachia, o cerceamento ilegal das prerrogativas dos advogados por parte do procurador Douglas Kirchner.

Em breve resumo, desde abril de 2015, a PRDF:

Promove, a partir de ilações fantasiosas, verdadeira devassa sobre a vida pessoal e atividades profissionais do ex-presidente Lula, invadindo dados fiscais, bancários, comerciais e até viagens e hospedagem no exterior;

Impede o pleno acesso da defesa ao teor do procedimento, mas nada faz para impedir que dados sigilosos e partes injuriosas dos autos vazem sistemática e ilegalmente para a revista Época, das Organizações Globo;

Estabeleceu um rodízio de procuradores no comando do procedimento, o que prolonga sua duração, dificulta o direito de defesa e dilui as responsabilidades pelos abusos e ilegalidades cometidos;

Sobre a revista Época desta semana, o Instituto Lula afirma:

O único crime evidenciado na reportagem é o vazamento ilegal de um procedimento sigiloso, ao qual os advogados de Lula tiveram acesso negado, também de forma ilegal;

A se acreditar na revista, que tem histórico de manipulação de documentos oficiais, a PRDF consumiu dez meses de “investigações”, custeadas com dinheiro público, para concluir que Lula teria, hipoteticamente, ajudado o BNDES a receber parcelas atrasadas do governo da Venezuela. Tratar tal hipótese como crime seria desmerecer não só o dever de imparcialidade do Ministério Público mas até a capacidade cognitiva de alguns de seus membros.

O contrato entre a LILS Palestras e a empresa Odebrecht é semelhante, inclusive nos valores, a contrato de palestra de Lula assinado e pago (com recolhimento de impostos) pela INFOGLOBO, que edita O Globo e demais publicações da família Marinho.

A seguir, nota técnica do advogado Cristiano Zanin Martins:

Em relação à reportagem “Lula fez tráfico de influência em favor da Odebrecht”, as Organizações Globo, por meio da revista “Época”, voltam a atacar a honra e a imagem do ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, utilizando-se, para tanto, de informações colhidas em procedimento investigatório sigiloso que tramita perante o Ministério Público Federal de Brasil.

O Procurador da República que deu origem a este procedimento admitiu, no âmbito de processo disciplinar perante o Conselho Nacional do Ministério Público, que a acusação por ele formulada em desfavor do ex-Presidente Lula foi construída a partir da coleta — por ele próprio realizada — de sete documentos na internet, consistente em comentários opinativos e publicações de blogs e jornais.

A condução do procedimento sofre contínuas mudanças praticamente a cada semana, corroborando a idéia de que há um direcionamento e, acima de tudo, um prejulgamento em relação ao ex-Presidente Lula formado não a partir de fatos, mas de idéias e posicionamento ideológico.

Não por acaso, o Procurador da República que instaurou o procedimento mantinha nas redes sociais publicações altamente ofensivas ao Partido dos Trabalhadores e seus membros e elogios a partidos e pessoas que se situam em campo político antagônico, conforme documentação entregue pelos advogados do ex-Presidente Lula ao Conselho Nacional de Justiça (CNMP).

Como sempre ocorreu, os advogados do ex-Presidente Lula tentam obter cópia desse procedimento desde a primeira quinzena de dezembro de 2015. O pedido foi negado e na primeira quinzena de janeiro de 2016 foi refeito, com base em nova base legal que não deixa dúvida sobre o direito dos advogados de obterem cópia de procedimento investigatório.

Mesmo assim, o deferimento de acesso foi parcial, excluindo-se qualquer decisão ou despacho meritório formulado naqueles autos — tais como aqueles que os advogados do ex-Presidente Lula tomaram conhecimento pelas páginas da revista.

Não bastasse, apenas na data de ontem (19/02/2016), no final do dia, tais cópias parciais foram entregues aos advogados do ex-Presidente Lula, em contraposição à conduta adota em relação à revista Época, que conseguiu ter acesso a todo o procedimento sigiloso.

Não é apenas a falta de acesso imposta aos advogados do ex-Presidente Lula que macula todo o procedimento e a relação mantida pelos responsáveis pela sua condução com a revista Época.

Isso porque, durante esse período em que os advogados do ex-Presidente Lula ficaram sem acesso, os assessores da Procuradoria da República prestaram informações escritas de que o Procurador Douglas Kirchner, ao passar transitoriamente perante o 1º Núcleo de Combate à Corrupção do MPF/DF — onde o procedimento foi deflagrado — teria feito uma redistribuição do feito ao 5º Núcleo de Combate à Corrupção do MPF/DF. E o titular do 5º Núcleo de Combate à Corrupção do MPF/DF é o próprio procurador Douglas.

Essa obscura tramitação não está justificada nas cópias fornecidas aos advogados do ex-Presidente Lula, que contém apenas respostas de ofícios e petições.

A gravidade dos fatos é gritante, razão pela qual os advogados do ex-Presidente Lula irão, mais uma vez, levar a situação ao conhecimento do Procurador Geral da Republica — que até hoje não deu resposta às ilegalidades antes denunciadas — e ao Conselho Nacional do Ministério Público, que necessita cumprir as suas funções constitucionais e impedir que continue havendo o vazamento de informações sigilosas sonegadas aos advogados.

Também será dado conhecimento formal, ao presidente do Conselho Nacional da Ordem dos Advogados do Brasil, em audiência marcada para esta semana, do cerceamento ilegal do Direito de Defesa por parte do procurador Douglas Kirchner.

Advogado Cristiano Zanin Martins

PS do Viomundo: Sabemos que o promotor do MPE Cássio Conserino tabela com a Veja; Douglas Kirchner, pelo jeito, está fechadinho com a turma da Época, para produzir o máximo de espuma e fumaça durante as investigações, em pleno período eleitoral, com direito a reprodução nos telejornais.

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Do BNDES

O BNDES repudia mais um ataque da Revista “Época” à instituição e seu presidente, Luciano Coutinho, desta vez na matéria “Lula fez tráfico de influência em favor da Odebrecht, diz MPF”.

Em primeiro lugar, atribuir ao presidente do BNDES o poder de interferir na concessão de um financiamento na forma relatada na reportagem demonstra ignorância absoluta em relação aos procedimentos do Banco. As operações de apoio a exportação passam por dezenas de técnicos, funcionários concursados do BNDES, e órgãos colegiados internos e externos ao Banco.

Todas as operações relatadas na reportagem foram submetidas a esse processo. Se houvesse, de fato, o tal “modus operandi criminoso” envolvendo o BNDES, como acusa Época, seria preciso exercer influência indevida sobre quase uma centena de pessoas.

Já o “modus operandi” de Época é bastante claro. Como é praxe, a revista apresenta apenas fatos e datas que supostamente reforçariam sua tese equivocada, omitindo aquilo que a contradiz.

Requenta informações que já foram, por repetidas vezes, abordadas em reportagens que atacavam o BNDES. E, como tem sido regra, a maioria das respostas dadas pelo BNDES aos questionamentos feitos pela revista foi omitida, e o pouco que foi registrado foi relegado burocraticamente ao fim a matéria.

A revista esconde de seus leitores a informação de que a operação de financiamento a exportações brasileiras para a obra do porto de Mariel já estava em curso desde 2009 e nada teve a ver com a visita de Luciano Coutinho ao Instituto Lula. A tramitação da parcela do empréstimo liberada em agosto de 2011 foi explicada em detalhes a revista, que ignorou as informações do Banco.

O BNDES faz cerca de 1 milhão de operações de crédito todos os anos e relaciona-se com o conjunto das empresas brasileiras. Isso significa que, para aqueles que adotam o “modus operandi” de ”Época”, é possível fazer associações de quase qualquer natureza, entre datas, empresas e operações financiadas para tentar legitimar uma tese falsa ou corroborar uma ilação.

O BNDES tem absoluta convicção da lisura e rigor dos seus procedimentos e lamenta o vazamento de informações de um documento sigiloso do Ministério Público que a própria revista admite trazer conclusões “não definitivas”.

A tramitação das operações que envolveram a Odebrecht foi rigorosamente idêntica à de quaisquer outros financiamentos do BNDES, sem qualquer excepcionalidade. Também não procede a afirmação da revista que as condições oferecidas pelo banco nos financiamentos seriam camaradas. O BNDES pratica, inclusive, taxas de juros semelhantes ou até superiores aquelas ofertadas por outras agências de crédito à exportação que competem com o Brasil no mercado internacional.

O BNDES tem fornecido todas as informações requisitadas pelas autoridades competentes na investigação citada, e está seguro de que sua conclusão irá corroborar a correção de todos os procedimentos realizados pela instituição.

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Bemvindo Sequeira: Toma que o filho é teu

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romério

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Yuri Carajelescov

O caso Miriam Dutra e a libertação de Delcídio do Amaral

Testando a hipótese

A hipótese a seguir parte do pressuposto de que os grupos familiares de mídia, parcelas importantes do Poder Judiciário, do Ministério Público e da Polícia Federal, doravante denominados “alta burocracia”, assim como os principais políticos do PSDB e de seus partidos satélites (DEM e PPS) jogam juntos pela retomada do controle do governo central perdido há 13 anos. 

O objetivo nuclear dessa aliança não é e nem nunca foi combater a corrupção, mas desalojar os intrusos capitaneados por Lula do poder, o que tem se mostrado até agora inviável pelo voto. O projeto conjunto visa a (re)orientar a nação a partir de três eixos:

(i.) desmantelar a incipiente política distributivista, bloqueando toda e qualquer possibilidade de seu aprofundamento e de redução da desigualdade;

(ii.) desmontar as engrenagens de desenvolvimento autônomo do país (vide o ataque sistemático à Petrobras, às empresas de engenharia e ao programa nuclear) e

(iii.) reverter a política externa não alinhada aos interesses americanos no mundo, reduzindo a participação do Brasil no Mercosul e nos BRICS em favor de um acordo bilateral com os Estados Unidos.

Trata-se de um programa de contra-reforma sistematicamente rechaçado pela maioria do país, difícil, portanto, de ser implementado, ao menos por enquanto, a partir da força e da legitimidade das urnas.

Pois bem, esses três grupos (mídia, "alta burocracia" e caciques da oposição), como as "famiglias" italianas, se protegem, mas, por vezes, acontecem rusgas entre irmãos, em função de idiossincrasias ou interesses particulares. O caso Miriam Dutra talvez seja um deles, essencialmente fogo amigo. 

Aos fatos.

Miriam Dutra concede uma entrevista para uma revista estrangeira de pouca expressão (BrazilcomZ) na qual requenta uma história revelada pela revista Caros Amigos em 2000 sobre o filho que teria tido com o ex-presidente FHC, fruto de uma relação extraconjugal de 6 anos, a participação da Rede Globo no processo de ocultação do fato etc. Ouvida depois pela "Folha", ela manda um torpedo direto no alvo: “não sei como ainda não descobriram as contas dele (FHC) no exterior”, algo como “eu sei o que você fez no verão passado”.  Seria a senha de uma chantagem?

Os blogs de esquerda, em sua maioria lulopetistas, inconformados com a campanha sistemática contra o ex-presidente Lula, espalharam como fogo no paiol a entrevista.  As redes sociais bombaram.  A “Folha”, reconhecidamente amigável aos tucanos, especialmente a Serra, deu grande destaque e a Globo, como havia sido envolvida na história, teve que se defender em seus jornais televisivos. Estava garantida a ampla divulgação do requentado caso “Miriam Dutra”, furando, assim, a tradicional blindagem de FHC na mídia.

No meio desse tiroteio, começam a aparecer as digitais de José Serra. Descobre-se que a irmã de Miriam Dutra, Magrit Dutra Schmidt, é funcionária fantasma lotada em seu gabinete. Lauro Jardim, ex-Veja atualmente em “O Globo”, noticia em primeira mão o fato. Por razões que não vem ao caso agora, a família Marinho é grata, gratíssima, a FHC, o que se reflete na cobertura edulcorada dos veículos das organizações Globo em relação a ele. Pego em flagrante, o senador se defende: “Ela (Magrit) trabalha em casa porque está envolvida em um projeto secreto”. Bem, como o projeto é secreto e o senador é tucano, nada mais precisou dizer nem lhe foi perguntado. Remanesce, no entanto, a dúvida: por que um político inteligente, ladino e experiente como Serra, com pretensões presidenciais, se exporia admitindo em seu gabinete uma assessora que só comparece ao Senado para bater o ponto? Estaria fazendo um favor a alguém ou seria uma forma de se manter próximo a fontes relevantes, reconhecido o seu pendor por coletar, armazenar e sistematizar dados e informações de adversários e aliados, o que seus desafetos costumam chamar de dossiês?

Na mesma semana em que repercute o caso “Miriam Dutra”, forma-se maioria (7x4) no Supremo Tribunal Federal a favor de uma das teses defendidas pelos agentes da Lava Jato: a precarização do princípio constitucional da presunção de inocência. O Min. Teori Zavascki compõe a maioria formada na Corte. Uma vitória e um recado para a turma do juiz Moro: “go ahead!”. Uma derrota e um recado para os presos na Lava Jato: “Percam as esperanças. Assinem logo as delações premiadas. As instâncias superiores estarão fechadas para seus recursos.”

Na sexta-feira à tarde, sem grande estardalhaço, o senador petista Delcídio do Amaral, após parecer favorável da PGR, foi solto por decisão do Min. Teori sem assinar acordo de delação premiada, segundo informou seu advogado. Delcídio do Amaral tem DNA tucano. Filiado ao PSDB, ele foi ministro de Itamar e depois ocupou a diretoria de Gás e Energia da Petrobras entre 2000 e 2001, tendo trabalhado com Nestor Cerveró e Paulo Roberto Costa.

Antes de ser preso, Delcídio foi flagrado em escutas nas quais se ouviu o seguinte:

“E você vê como é que ele é [Fernando Baiano], como é matreiro? A delação, quando ele conta quando ele me conheceu, quando eu era diretor e o Nestor era gerente [da Petrobras]. Que ele foi apresentado a mim por um amigo, que ele poupou, que é o Gregório Marin Preciado. E as conversas que nós ouvimos é que em uma dessas reuniões que ocorreram, eu não sei com relação a qual desses projetos, houve uma reunião dessa na Espanha que os caras já rastrearam quem “tava” nessa reunião. E existiu um espanhol nessa reunião. que eles não souberam identificar. Bingo, é o Gregório!”

“Ou seja, Fernando está na frente das coisas, mas atrás quem organiza é o Gregório Marin”

“O Serra me convidou para almoçar outro dia... Ele [Gregório] é cunhado do Serra. E uma das coisas que eles levantaram nessa reunião na Espanha, eu não sei [se] sobre sondas ou Pasadena, mas houve um reunião na Espanha, e existia esse espanhol que não foi identificado. E é o Gregório. É o Gregório. O Nestor conheceu o Gregório”. Esses trechos foram retirados de matéria publicada pelo jornal Valor (http://www.valor.com.br/politica/4329880/delcidio-diz-que-empresario-gre...).

 

Na mesma matéria, o “Valor” informa que: “Segundo a delação premiada de Baiano, Preciado teria obtido entre US$ 500 mil e US$ 700 mil pela suposta cessão de uma empresa sob seu controle e registrada em nome de seus parentes para o recebimento e distribuição de propina de US$ 15 milhões relativa à aquisição pela Petrobras da refinaria americana de Pasadena. A empresa citada por baiano é a Iberbras Integración de Negocios y Tecnologia.”

 

Na verdade, Gregório Marin Preciado é casado com uma prima de Serra. As relações entre ambos vão além do provável convívio em festas familiares, como desvendou o jornalista Amaury Ribeiro Jr em “A privataria tucana”. No entanto, mais uma vez, tratando-se de um político integrante do aliança acima referida, a imprensa se desinteressou e a “alta burocracia” tampouco se ocupou de investigar.

Delcídio preso, no entanto, era um risco. E se ele sucumbisse e resolvesse firmar um acordo de delação premiada e apresentasse provas da relação de Gregório Marin Preciado e outros com o esquema de corrupção na Petrobras? 

Nesse jogo, o rei precisa ser preservado. FHC é o rei desse xadrez. Por todos os serviços prestados à causa, pela simbologia, FHC pode até vir a ser alvo de chantagem, mas não pode cair nunca. Diante de qualquer ameaça ao rei, deve-se abrir as portas das masmorras se for preciso para passar até um senador petista, quem sabe pela mesma porta da qual saiu o banqueiro Daniel Dantas?

Coincidências acontecem e isso tudo pode ser uma enorme viagem; uma trama caricatural ao gosto de Umberto Eco, que nos deixou ontem. “Ou não”, como diria Caetano. É mais provável que o caso Miriam Dutra desapareça do noticiário da mesma forma que surgiu. Do nada para o nada, o que, em seu silêncio, explicaria muita coisa.    

Ps. Na mesma sexta-feira foi publicada decisão do Min. Teori Zavascki que, acolhendo manifestação da Procuradoria-Geral da República, arquivou procedimento investigatório– que ninguém sabia que havia sido aberto – contra Aécio Neves por suposta propina recebida da empreiteira UTC. Esse fato reforça a percepção cada vez mais presente da inimputabilidade de certos atores políticos.

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