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Lula diz que hoje teria mais critério para escolher ministro do STF

Jornal GGN - Em entrevista a Tereza Cruvinel  e Leonardo Cavalcanti, do Correio Braziliense, o ex-presidente Lula afirmou que, com as informações que têm atualmente, teria mais critério na escolha dos Ministros do STF (Supremo Tribunal Federal). Atribuiu as escolhas anteriores à assessoria que recebeu do ex-Ministro da Justiça Márcio Thomas Bastos e do ex-Consultor Geral da República José Dias Toffolli.

Defendeu as obras da Copa, mostrou a estrutura de acompanhamento para evitar corrupção e criticou o fato de denúncias falsas não receberem punição. E alertou que em 2014 será a “metamorfose ambulante de Dilma”

Lula disse que o câncer e o tratamento – que o impediam inclusive de falar – ajudaram-no a “desencarnar” do cargo e dar palpites no governo.

A seguir, os trechos principais da entrevista

Sobre ser ex-presidente

Mas ser ex-presidente é um aprendizado sobre como se comportar, evitando interferir no novo governo. Quem sai precisa limpar a cabeça, assimilar que não é mais presidente. Mas é difícil sair de um dia a dia alucinante, acordar de manhã e perguntar: e agora? (…)No dia do meu aniversario fui levar a Marisa para fazer um exame mas acabaram descobrindo o câncer em mim. E aí foi um ano de tortura. Nunca pensei que fosse tão difícil fazer quimioterapia e radioterapia. A doença, a internação, o fato de não poder falar ajudaram no desligamento. Fui desencarnando e hoje isso está bem resolvido na minha cabeça.

Sobre a reeleição

Eu sempre fui contra a reeleição mas hoje posso dizer que ela é um beneficio, uma das poucas coisas boas que copiamos dos americanos. Em quatro anos, você não consegue realizar uma única obra estruturante no pais. Depois, o eleitor pode julgar o governante no meio do período.

Sobre o terceiro mandato

Chamei o partido e disse: não quero brincar com a democracia. Se eu conseguir o terceiro, amanhã virá alguém querendo o quarto, o quinto. Sou amplamente favorável à alternância no poder, de pessoas e de segmentos sociais.

Sobre os feitos do seu governo

A ONU acaba de reconhecer, com dados irrefutáveis, que o Brasil foi o pais que mais combateu e reduziu a pobreza nos últimos 10 anos. Eu queria provar que quando o Estado assume a responsabilidade de cuidar dos pobres, isso tem efeitos. (…)Mas acho que poucos conseguirão repetir o que fizemos entre 2007 e 2010. Era o time do Barcelona jogando. Tudo fluiu bem.

Sobre as indicações para o STF

Há quem me pergunte se não me arrependo de ter indicado tais pessoas para a Suprema Corte. Eu não me arrependo de nada. Se eu tivesse que indicar hoje, com as informações que eu tinha na época, indicaria novamente. (Com as informações atuais) eu teria mais critério. Um presidente recebe listas e mais listas com nomes, indicados por governadores, deputados, senadores, advogados, ministros de tribunais. E é preciso ter quem ajude a pesquisar e avaliar as pessoas.

Sobre “vender” o Brasil no exterior

Se eu puder vender as empresas brasileiras na Nigéria, no Catar, na Líbia, no Iraque, na África, eu vou vender. Estas críticas também refletem o complexo de vira-lata. É não compreender o sentido disso. Tenho orgulho de saber que quando cheguei à Presidência não havia uma só fabrica brasileira na Colômbia e hoje existem 44. Havia duas no Peru e hoje são 66. De termos ampliado nossa presença na Argentina ou na África. Se não formos nós, serão os chineses, os ingleses, os franceses. E não são apenas empresas de engenharia. Hoje temos fábrica de retro virais em Moçambique, SENAI e escolinhas de futebol do Corinthians em mais de 13 países africanos. Agora mesmo me pediram para tentar levar o vôlei para a África, onde o esporte não existe.

Sobre as acusações  contra obras da Copa

Eu deixei dois decretos, um sobre a Copa outro sobre a Olimpíada, que estão no site da CGU. Perguntem ao Jorge Hage onde tem corrupção na Copa. O TCU designou um ministro, o Valmir Campelo, encarregado de fiscalizar especificamente os gastos com a Copa. Perguntem a ele onde há corrupção. A Copa está marcada e tem que ser feita com a maior grandeza. Se alguém praticar corrupção, que seja posto na cadeia. Já conversei com os patrocinadores sobre a necessidade de uma narrativa diferente para a Copa do Mundo. Vi na TV pessoas chorando no Japão, que vai sediar uma Olimpiada (…) Não me conformo com o complexo de vira lata e com o denuncismo infundado. Precisamos de uma lei que puna também o autor de denúncia falsa.

Sobre as manifestações de rua

Eu acho que fizeram muito bem ao Brasil. Com exceção dos mascarados. Todas as reivindicações que apresentaram, um dia nós também pedimos. Veja o discurso de (Fernando) Haddad na campanha de São Paulo: "Da porta da casa para dentro a vida melhorou, mas da porta para fora ainda precisa melhorar." (…)As pessoas querem mais, mais salário, mais transporte, melhorarias na rua, e isso é extraordinário. Nem dá mais para ficar dividindo tarefa: isso é com o prefeito, isso com o governador, aquilo com o presidente. Agora é tudo junto.

Sobre  Mais Médicos

É uma coisa fantástica mas vai fazer com que o povo fique ainda mais exigente com a saúde. O sujeito vai subir o primeiro degrau. Vai ter um médico que vai lhe pedir os primeiros exames, e a saúde vai ser problema outra vez. Discutir saúde sem discutir dinheiro, não acredito. E não adianta dizer, como fazem os hipócritas, que o problema é só de gestão. Chamem os 10 melhores gestores do planeta e perguntem como oferecer tomografia, ressonância, tratamento de câncer, sem dinheiro.

Sobre o papel da política

Em 1978, no auge das greves do ABC, eu achava o máximo dizer: "Não gosto de política nem de quem gosta de política". A imprensa paulista me tratava como herói. Eu era "o metalúrgico". Dois meses depois, eu estava fazendo campanha para Fernando Henrique, que disputava o Senado por uma sublegenda do MDB. Dois anos depois, eu estava criando um partido político. Ninguém deve ser como o analfabeto político do Bertolt Brecht. Não se muda o país sem política.

Sobre a reeleição  de Dilma

Eu não quero estar na coordenação, eu quero ser a metamorfose ambulante da Dilma. Estou disposto. Se ela não puder ir para o comício num determinado dia, eu vou no lugar dela. Se ela for para o Sul, eu vou para o Norte. Se ela for para o Nordeste, eu vou para o Sudeste. Isso quem vai determinar é ela. Eu tenho vontade de falar, a garganta está boa. Eu estou com mais disposição, mais jovem. Apesar da idade, eu estou fisicamente mais preparado. Estou com muita saudade de falar

 

 

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escolhas e critérios a gosto

por falar em escolhas eletivas e critérios afetivos a gosto, espero que Lula, daqui alguns anos recentes, não se faça a mesma autocrítica revisionista do "realismo socialista" com respeito aos "postes de sucesso eleitoral" que escolhera brasil afora, especialmente os postes que iluminam brasília e sampa...aliás, nas cidades mundiais top inovadoras os "postes gestores" não existem mais e toda sua arcaica gótica em direção aos céus... forma/função de "gatos emaranhados de fios desencapados com pipas enroscados com tênis lançados" está devidamente enterrada no solo cabo fibra óptica ou funciona suave nave suave só no wireless wi-fi.

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"Não há segredo que o tempo não revele, Jean Racine - Britânico (1669)" - citação na abertura do livro Legado de Cinzas: Uma História da Cia, de Tim Weiner. 

Com relação ao Supremo, o

Com relação ao Supremo, o Lula deveria se desculpar pela incompetência de suas indicações. Não conseguiu levantar a ficha de um indicado para a Suprema Corte que tinha registro de uma agressão contra uma mulher? E se afirmava como um governo defensor do direito das mulheres.

E a mediocridade jurídica de outros indicados como não foram identificadas? A Justiça é um dos pilares da democracia e o então presidente, com muita incompetência, não teve a seriedade suficiente para fortalece-la. Ficou brincando de politicamente correto indicando representante de minorias esquecendo-se do papel nocivo que um Judiciário despreparado e abusivo pode representar para uma democracia. Parece  que o  período histórico recente em que fomos roubados em nosso direito de viver num estado democrático não deixou marcas tão profundas no ex-presidente.

Se assim não Lula deveria reconhecer o erro e usar sua força política para modificar os critérios de indicação de um ministro do Supremo. 

 

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Vera Lucia Venturini

Vera, acho muito dificil o

Vera,

acho muito dificil o presidente e assessores imaginarem que um magistrado, ja no alto de sua carreira, possa ter "ficha corrida". Ademais, a planta contra Barbosa foi retirada... Como disse o Lula, é tanta gente apadrinhando fulano ou ciclano que fica dificil separar o joio do trigo. Esse sistema esta viciado. Da forma como tem sido feito, com padrinhos e verdadeiras campanhas para se chegar ao olimpo do judiciario, precisa ser mudado.

 

 

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O político-partidário bateu mais forte no coração dos juizes

Não funcionou o critério da "competência", pois entre o técnico e o político, gritou mais alto o político(partidário, bom que se diga) no coração dos juizes. Talvez por isso, na Suprema Corte dos EUA há essa percepção juristas de esquerda x direita, sem hipocrisia. Por aqui há esse faz de conta ao mesmo tempo em que sabemos que os membros da Suprema Corte não são nem um pouco técnicos a partir do momento em que se comportam e votam como garotos de recado da imprensa, ministros como Fux, que nem se deu ao trabalho de ler o processo, preferindo o bordão "voto com o relator", é de tirar pica-pau do oco.

Pergunta de Tulio Vianna, do Blog Tulio Vianna, sobre nomeações para o STF, durante o encontro do Presidente Lula com blogueiros no Palácio do Planalto.

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...spin

 

 

imagem de Ivan de Union
Ivan de Union

"E é preciso ter quem ajude a

"E é preciso ter quem ajude a pesquisar e avaliar as pessoas":

Eh isso que eu disse ha anos atraz!  Foi falha DA INTELIGENCIA BRASILEIRA.  De qual outra maneira um tribunal supremo termina cheio "disso" que esta ai?

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Ivan, esse é um dos pontos

Ivan, esse é um dos pontos mais vulneráveis do governo. E não adianta nada a Dilma espernear na ONU se não recuperar o setor de inteligência, que de inteligente não tem nada. Pode chamar de "setor de inesistência", que é mais apropriado

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Juliano Santos

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