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Mídias sociais são melhores em disseminar boatos do que novos hábitos

Da Obvious Mag

Mídias sociais são melhores em disseminar fatos (e rumores) do que novos hábitos

por Fabiano Correia

A grande quantidade de informações disponíveis na internet pode nos levar a ouvir apenas mais do mesmo, e não mais e mais coisas. A internet, em especial nas Mídias Sociais, podem se tornar mais uma fonte de busca para reafirmação de uma opinião do que uma fonte de busca para diversas opiniões.

A realidade digital tornou incontável a quantidade de fontes de informação acessíveis a poucos cliques. É uma explosão de informações que faz com que qualquer pessoa consiga encontrar na rede “fatos” que corroborem com suas ideias e/ou opiniões, sejam elas quais forem. Não importa exatamente o que você pensa, se quiser encontrar uma fonte endosse a sua opinião, você certamente vai encontrar. A realidade nos diz que é mais fácil encontrar opiniões que atestem o que se pensa do que buscar informações que componham e, em especial, contestem as suas ideias.

É por isso que o professor Alex “Sandy” Pentland, diretor do Human Laboratory do MIT, classifica assim o fenômeno chamado mídias socias: “a maioria das mídias sociais são melhores em disseminar fatos (e rumores) do que em disseminar novos hábitos” (SOCIAL PHYSICS, 2014, tradução livre).

Todos os dias encontramos temas relevantes sendo debatidos no meio digital. A cada dia que passa surge um assunto melhor, um maior, um mais polêmico que o anterior. Em geral, eles são motivados por alguma notícia de grande repercussão na mídia tradicional, e logo aparecem as opiniões rápidas e consensuais. Não muito tempo depois (falando em questão de horas), aqueles que esperaram um pouco antes de se manifestar, logo encontram contra-argumentos para refutar os primeiros. A partir daí, a guerra está declarada. Em geral, dois grandes pontos de vista divergentes, dois polos incomunicáveis e isolados começam a tratar longínquas e intermináveis discussões dogmáticas.

É assim com temas políticos, com temas econômicos, religiosos, penais, banais. A caça às fontes de informações (independentemente de quais sejam) que corroborem com cada um dos lados começa. Todos saem em disparada em busca de opiniões que atestem a “minha opinião”, ou o “ponto de vista” do meu grupo ou do meu time. Quando eu era pequeno, eu fazia isso em discussões de futebol: não importava o que tivesse acontecido, eu ia atrás, desesperado, de algum dado, alguma informação, qualquer coisa que me ajudasse a ter uma boa argumentação contra os fatos que estavam sendo evidenciados. Não importava a derrota do Corinthians, ele SEMPRE seria melhor do que o Palmeiras.

Aquele clima parece ter transbordado tecnologicamente para as mídias sociais. Parece ter acelerado todo o processo de busca desenfreada por argumentos que corroborem com o ponto de vista do indivíduo, tornando essa atividade cada vez mais urgente. A velocidade e a abrangência do acesso a informações tornaram a minha opinião mais forte, e não mais forte a minha compreensão sobre as outras opiniões.

Ainda citando o professor Pentland, existe um grupo de pessoas que entendeu a lógica das mídias sociais: social explorer. “O social explorer gasta enormes quantidades de tempo buscando novas pessoas e ideias – mas não necessariamente as melhores pessoas e ideias” (BEYOND THE ECHO CHAMBER, 2013, tradução livre). Segundo o diretor do MIT, esses super-usuários são aqueles que acabam tendo as melhores capacidades de tomada de decisão, uma vez que conseguem entender grupos e padrões de grupos sociais – na era digital.

A princípio – e muitas vezes também ao final –, isso é ótimo e tem consequências incríveis para estes super-usuários. Eles conseguem, de fato, tomar grandes decisões e caminhar com mais tranquilidade e relevância no meio digital. Contudo, neste artigo, gostaria de provocar a reflexão com relação ao uso indevido e equivocado dessa estratégia. O alerta maior é o risco de vivermos o ECHO CHAMBER, uma câmara fechada que apenas reverbera ecos dos sons que emitimos, dando a falsa sensação de que há uma unanimidade entre vozes, quando, na verdade, ouvimos várias vezes as mesmas vozes dentro de um micro-ambiente fechado.

A internet e as mídias sociais são excelentes ferramentas para busca e compreensão de fatos, mas quando nos isolamos dentro de uma parte dela, vivemos uma espécie de bolha. Estamos sempre à beira de apenas reverberar e disseminar fatos (ou rumores) com pouca capacidade de influenciar a mudança de hábitos e comportamentos off-line.

Eu compactuo com o propósito da era digital promulgado pelo nova-iorquino Richard Stallman, que defendia o livre acesso às informações – inclusive códigos-fonte de softwares. Esses princípios são “essenciais não apenas para os usuários individuais, mas para a sociedade como um todo, porque geram a solidariedade social, isto é, partilha e cooperação.” (OS INOVADORES. ISAACSON, Walter, 2014).

Que a internet continue crescendo em seu papel de promover a disseminação de informações, mas que nós, usuários, consigamos fugir das “câmaras de eco” de informações.

 

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Nada mais humano

Boatos se disseminam melhor que novos hábitos nas mídias sociais e fora delas.

E o bem sempre encontra mais resistência que o mal para se espalhar.

Humano. Simples assim.

 

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imagem de altamiro souza
altamiro souza

um exemplo para corroborar o

um exemplo para corroborar o que foi dito é o seguinte.

um articulista postou um artigo sobre a fala.

lembrei então que eu tinha lkido num livro de

gramática um texto sobre o assunto...

num box, o autor buscava nos trogloditas o início da fala.

o primeiro tooglodita teria levado um choque no corpo,  paulada na cabeça, pescoço ou boca, sei lá,

e partir daí seu corpo ficou aparelhado para emitir o som....

parece  absurdio, mas era livro de gramática....

fui então  ao google, pensnado que haveria de cara um

texto cientifico dessa a época dos trogloditas.

e o que sugiu na primeira página foram só  agressões de todo

tipo entre  situação e opopsição, uns xingando os outros

de trogloditas, etc e tal, como a gebte vê nas rede sociais a toda hora....

 

 

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