Do Valor

 
Por Yoshiaki Nakano

A imprensa e alguns analistas estão perplexos porque a taxa de inflação tem ignorado solenemente a elevação da taxa de juros em 3,5 pontos percentuais, mesmo com expectativa de nova elevação. Um inteligente articulista chega a perguntar: "A questão é se, hoje, existe algo errado com a economia que impeça a plena transmissão do aperto monetário - que não é pequeno - para a inflação". Segundo o mesmo articulista: "Há na praça algumas teorias que tentam explicar por que a alta de juros não fez efeito até agora na inflação e, sobretudo nas expectativas". Ainda, "um dos mais importantes canais de transmissão da política monetária - exatamente das expectativas - está obstruído".

Não há nada de errado com a economia brasileira, isto é, do ponto de vista da explicação científica, a realidade nunca está errada, mas a teoria que não consegue explicá-la, sim. Único critério de verdade para qualquer teoria é a sua correspondência com a realidade. Além disso, é preciso muito cuidado com as teorias porque normalmente o que circula são versões enviesadas, quase sempre devido a interesses, valores políticos ou ideológicos. Cuidado também com as tautologias do tipo "taxa de juros de equilíbrio" é aquela que equilibra a economia. Por isso, a verdadeira teoria científica é sempre uma hipótese ou conjunto de hipóteses que permitem explicar, ex ante, a realidade ou fazer previsões, e que vem sempre acompanhada por alguma verificação empírica, num contexto bem definido.

Primeiro vamos à questão central: por que a inflação tem ignorado a alta na taxa de juros? O mesmo articulista afirma que na experiência "ultraconservadora" de 2004 a 2006, a inflação caiu. No entanto, o responsável pela queda foi um dos maiores processos de apreciação cambial na nossa história recente. Fato ignorado pelo articulista. Atualmente, a taxa de câmbio tem-se desvalorizado, por uma série de razões, no período recente, apesar da elevação da taxa de juros desde abril de 2013. Não há nenhuma expectativa de apreciação, mas de depreciação. Hoje, é preciso considerar que, a própria apreciação cambial mencionada provocou mudanças na estrutura produtiva com consequências que ainda persistirão no longo prazo, privilegiando a expansão inflacionária do setor de serviços em detrimento da indústria. Afinal, a taxa de câmbio é determinante do preço relativo fundamental da economia: tradables versus non-tradables.

Também é preciso levar em consideração os choques de oferta causados pela seca e outros fatores episódicos, na qual a elevação da taxa de juros em nada vai afetar. O canal de expectativas não está obstruído, ao contrário, o represamento de alguns preços pela atuação administrativa do governo, energia, gasolina etc é o que mantém as expectativas elevadas. Não há como a alta de juros neutralizar estas expectativas, pois se o fizesse, com queda na demanda e contenção de outros preços livres, com queda nas margens de lucro abaixo do considerado "normal", ou o empresário deixa de produzir este bem ou, em algum momento, haverá recomposição de preços. É por isso que a boa teoria de meta de inflação nos diz que devemos considerar a meta com preços livres e não controlados. A meta de inflação deve ser tratada, como não cansa de repetir Lars Svesson, um dos grandes teóricos com prática no Banco Central da Suécia, de "forecast target", já que existe uma defasagem entre elevação da taxa de juros e seus efeitos. Só no Brasil o Banco Central cria uma confusão considerando inflação efetiva (passada) calendário, quando sabemos que elevação de juros não atua sobre eventos ou choques passados, mas sobre os preços livremente determinados pelo mercado no futuro. Daí que "forecast target" é a expressão mais honesta.

Cabe um comentário sobre a expressão "transmissão do aperto monetário", pois afinal o que significa isto? Num modelo de meta de inflação, o banco central assume que pode controlar a inflação por meio do controle da taxa de juros, com seus canais de transmissão, da mesma forma que o modelo monetarista acredita que temos controle sobre a oferta de moeda, com canais próprios de transmissão. Canais de transmissão da elevação dos juros não coincidem necessariamente com canais de transmissão da redução da oferta de moeda, este sim entendido como um "aperto monetário" ou redução de liquidez. Sejamos lógicos: na política de meta de inflação, a taxa de juros é variável exógena e a oferta de moeda é endógena ou resultado da inflação.

Portanto, qual o sentido da expressão "transmissão do aperto monetário" numa política de metas de inflação? Podemos falar que não conhecemos bem os canais de transmissão da elevação da taxa de juros. No entanto, o da taxa de câmbio é amplamente conhecido e surge como um dos canais fundamentais num país como o Brasil, pois não estamos nos Estados Unidos, e a depreciação adquire relevância fundamental no momento. E não é preciso buscar grandes teorias, particularmente aquelas formuladas para outras realidades que não a brasileira. Temos que refletir, de forma mais aprofundada, por que insistimos em manter tantas particularidades que só existem no Brasil? Neste sentido, a "realidade" brasileira, suas instituições, regras operacionais e políticas, estão erradas.

Yoshiaki Nakano, com mestrado e doutorado na Cornell University, é professor e diretor da Escola de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV/EESP).

 

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14 comentários

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Dilma é responsável pelos juros pagos aos rentistas

Se não for ela, quem será?

Por mim ela paga porque quer.

Se não quisesse não pagaria.

Vontade política de instituir um privilégio a seu bel prazer.

O PT vendeu a alma para o Diabo.

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Follow the money, follow the power.

Excelente texto. Até que

Brasileiro aguerrido

Excelente texto.

Até que enfim alguém percebeu o óbvio. Inflação não se ataca com juros.

Quem deseja uma desculpa qualquer para o aumento de juros é o rentismo. Juros só serve para desaquecer a economia e as vezes gerar a estaginflação, que é a inflação com economia estagnada.

Quer atacar a inflação? Reduza carga tributária. Reduzam o custo Brasil. Acabem com o gargalo do corporativismo (estatal e privado) que privilegia o benefício de classe em detrimento da produção e crescimento nacional do PIB.

 

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A grande estratégia do Regime de Metas de Inflação

Clever Mendes de Oliveira

 


Luis Nassif,


Bom este artigo “Juro alto não derruba inflação” de Yoshiaki Nakano, publicado hoje, terça-feira, 18/03/2014, no Valor Econômico e que você resolveu transformar neste post “Nakano: juro alto não derruba inflação” saído aqui no seu post hoje, às 08:16.


Aqui quando tenho comentado algum texto de Yoshiaki Nakano, eu sempre faço a ressalva de que não se trata de economista de minha predileção. A ressalva já está feita, mas cabe o acréscimo: excetuando G. Henrique de Barroso F., em razão de ele, enquanto serviu ao governo, defender o aumento da carga tributária, eu ainda que concorde com uma ou outra idéias dos economistas tucanos sempre os olho de esguelha.


Não sei porque Yoshiaki Nakano não indicou o nome do articulista autor da frase:


"A questão é se, hoje, existe algo errado com a economia que impeça a plena transmissão do aperto monetário - que não é pequeno - para a inflação".


E a indicação seria adequada até porque de modo justo ele elogiou o articulista chamando-o de inteligente.


Bem o articulista é o Alex Ribeiro (Alexander Augusto Ribeiro nascido em São Paulo em 29/05/1970). Com 16 anos mais novo do que a mim, Alex Ribeiro parece-me um jornalista superior que derruba a minha critica genérica à categoria. Crítica que eu resumo em os acusar de dizer obviedades muitas vezes até incorretas com a pompa do bom estilo e incapazes de transpor a tensão superficial de qualquer assunto.


O texto a que Yoshiaki Nakano se refere intitula-se “Por que o juro alto não derrubou a inflação?” e foi publicado no Valor Econômico de 12/03/2014. E a frase de Alex Ribeiro que transcrevi acima pode ser vista ainda na primeira página da relação dos textos de Alex Ribeiro no Valor Econômico no seguinte endereço:


http://www.valor.com.br/colunistas/Alex%20Ribeiro


E, para assinantes, o texto completo do artigo de Alex Ribeiro pode ser visto no seguinte endereço:


http://www.valor.com.br/brasil/3475718/por-que-o-juro-alto-nao-derrubou-inflacao


Embora eu não saiba por quanto tempo o artigo estará disponível na internet a o link a seguir de acesso amplo e com a transcrição do artigo “Por que o juro alto não derrubou a inflação?”:


http://vitrinedotocantins.com.br/?p=31828


Eu também quando li o artigo “Por que o juro alto não derrubou a inflação?” pensei em fazer a mesma crítica de Yoshiaki Nakano, lembrando que 2004 a 2006 o real apreciou enquanto no momento atual o movimento da taxa de câmbio se inverteu.


Tudo muito bom e tudo muito bem se Yoshiaki Nakano não utilizasse a crítica que ele estava endereçando a Alex Ribeiro para atingir o Banco Central. Ele acusa o Banco Central de fazer confusão de, em um regime de metas de inflação, medir a inflação efetiva passada. Ora, o Banco Central do Brasil mede a inflação passada porque como ensina até o advogado Alexandre Weber – Santos – SP a inflação futura é “imedível”. Que se ressalve, o erro de português é meu e não do Alexandre Weber – Santos – SP.


E também não gostei do término do artigo. Quais são as “particularidades que só existem no Brasil” e que ele diz que são tantas? E como entender a última frase do texto? Trata-se de uma frase de brincadeira? Se for assim, a que realidade entre aspas brasileira ele se refere que estaria errada (ou, na verdade, se a frase é de brincadeira, se deveria considerar que estivesse certa. Ora se se trata da realidade certa ela não deveria vir entre aspas).


E aqui um lembrete. Considerando o IPCA de janeiro de 2011 até agora, observa-se uma tendência de crescimento da inflação que do ponto de vista político é preocupante. E se se coloca como analista um economista contrário a inflação (Não sirvo para esta análise porque não sou economista nem sou, sob o aspecto econômico, contrário a inflação) e levando em conta a tendência do câmbio e do juro real no mesmo período, a tendência de crescimento da inflação é preocupante ou ao contrário demonstra que o Banco Central tem um espaço muito amplo de manobra (Suponhamos que haja uma tendência de câmbio crescente que pode ser revertida, e uma tendência de juro real decrescente que pode ser revertida)?


Enfim em um texto que tinha uma mensagem importante que era fazer a crítica ao artigo de Alex Ribeiro no ponto em que ele merecia, Yoshiaki Nakano deixou-se levar também pela intenção de fazer uma crítica ao Banco Central do Brasil. E fez uma crítica confusa, deixando intacta uma instituição interessantíssima que é o Regime de Metas de Inflação.


Aliás é também do advogado Alexandre Weber – Santos – SP, a crítica mais definitiva ao regime de metas de inflação. Transcrevo a frase final do comentário dele de quinta-feira, 03/03/2011 às 17:25 para o post "A inflação distante do umbigo da blogosfera" de sexta-feira, 04/03/2011 às 09:41, aqui no blog de Luis Nassif trazendo uma discussão entre Gunter Zibell e Luis Nassif a partir do texto de Gunter Zibell "A Presidenta surpreendente". O comentário completo dele se encontra na página 3 do post "A inflação distante do umbigo da blogosfera" no endereço a seguir:


http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-inflacao-distante-do-umbigo-da-blogosfera?page=2


Pode ter havido mudança de numeração do comentário dele. De todo modo eu transcrevi na íntegra o comentário dele em comentário que enviei quinta-feira, 22/03/2012 às 13:11, para um comentário dele de quarta-feira, 21/03/2012 às 17:01, junto ao post “Os limites da queda da taxa Selic” de quarta-feira, 21/03/2012 às 16:00, aqui no blog de Luis Nassif e originado de comentário de Roberto São Paulo junto ao post “As leis da física e da economia, por Delfim Netto". O endereço do post “Os limites da queda da taxa Selic” é:


http://jornalggn.com.br/blog/luisnassif/os-limites-da-queda-da-taxa-selic


E a frase de Alexandre Weber – Santos – SP é a que se segue:


“Esta estratégia [do Regime de Metas de Inflação] é interessantíssima e seu eu fosse rentista ia mover os Céus e a Terra para implementá-la, como não sou, observo o que acontece”


Podia dizer um pouco mais, mas fica por isso mesmo.


Clever Mendes de Oliveira


BH, 18/03/2014

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A taxa de juros de equilíbrio

A taxa de juros de equilíbrio é a que acalma o rentismo. Essa é que é a lei do mercado: garantir a remuneração dos mercadores; pro mercado não ficar nervoso. Tem muito pouco a ver com alta persistente e generalizada de preços.

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PJ não VOTA!

O Jornalismo acabou e a eleição não tem fim!

aqui do grotão..

aqui de um grotão do Sudeste a inflação tá bombando, os preços estão absurdamente altos e a cada semana eles mudam no supermercado.. o tomate, aí Ana Maria Braga kd aquele colar do licopenoso?, aumentou em mais de 100% nos últimos 15 dias só pra falar de um ítem, sazonalidade? e uma pet de 2 litros de coca custar 2,78 no supermercado e 6 reias na padaria? ganância pura..

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Chantagem

O atual ciclo de elevação da Selic (que espero tenha chegado ao topo) é fruto somente da chantagem de quem realmente manda no Brasil. Os grandes oligopólios (bancos, empreiteiras, conglomerados industriais, as teles protegidas pela Anatel, etc). É esse pessoal, por mais incrível que possa parecer, que exerce na prática o rentismo. Não é a pessoa física que aplica os seus parcos recursos duramente poupados em um fundo qualquer. Quando a presidenta Dilma, em uma atitude corajosa e inédita, através do Banco Central, iniciou um ciclo de baixa da Selic, a choradeira foi geral. E o que fizeram os chantagistas? Em primeiro lugar, puseram seus cães de guarda, os famosos "analistas" e "formadores" de opinião (na verdade são deformadores) para escreverem artigos nos jornalões e nas Vejas da vida, com o objetivo de amedrontar o povo com a ameaça da volta da inflação. Usaram até a Ana Maria Braga (a inflação do tomate) e as tradicionais charges com o Dragão (inflação) engolindo a todos. Aliás, estas charges provavelmente estão arquivadas nos computadores da grande imprensa, para uso periódico. Na outra ponta, os grandes oligopólios, que engordam suas muitas vezes estratosféricas taxas de lucro com a aplicação de recursos no mercado financeiro, vendo suas margens cairem, elevaram os preços. Resultado: compensaram a queda de receita financeira com a elevaçao da margem de seus produtos, sem que houvesse aumento extraordinário de custo. E com isso, os repiques da inflação. Em resumo: os oligopólios mandam em nossa economia, fazem chantagem com o governo e nós pagamos a conta por seus serviços de baixa qualidade e pelo abuso de seu poder de mercado, exercido inclusive (e principalmente) dentro das conhecidas agências "reguladoras". Por falar nisso, alguém notou alguma redução nos preços de seus produtos/serviços quando conseguiram derrubar a CPMF no Congresso? Afinal não era esse um dos argumentos? Na verdade era a frente da sonegação conseguindo se livrar do rastreamento da Receita.

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O ‘inteligente articulista”

O ‘inteligente articulista” (Alex Ribeiro, do Valor, na matéria veiculada no dia 12/3) sim menciona o fator câmbio, ao mencionar em outro parágrafo, que o Governo não manteve sua promessa de não deixar valorizar o câmbio (dólar), o que afetou as expectativas. E que declarações da presidenta Dilma colocaram em dúvida a autonomia do manejo da política monetária. Tudo isso sería uma teoría existente na praça sobre a ineficiência do aperto monetário para combater a inflação.

 

Não sei do “inteligente articulista” mais do que o que existe na rede. Pós graduado em Economia pela FGV, com passagens pela Folha, Gazeta Mercantil e Valor, foi correspondente nos EUA por esse jornal, onde continua trabalhando hoje, de volta ao Brasil. Pela matéria, parece dar voz as opiniões do mercado.

 

Extraio da matéria a seguinte conclusão do mercado: não adianta um aumento da taxa de juros de 3,5% para derrubar a inflação, se não é acompanhada de um firme compromisso da presidenta em manter a autonomia do BC (para seguir aumentando juros), e de um estancamento da depreciação do real.

 

Essas medidas resultariam numa farra financeira semelhante a da década passada (e a dos 90’s também)

 

A desvalorização cambial tem dois efeitos: melhora a competitividade dos “tradables” (mas isso demora um par de anos em fazer efeito nas contas externas), e melhora instantâneamente a relação dívida pública/ PIB, pela enorme quantidade de reservas em dólar que o Governo tem. Mas essa relação só serve como indicador de solvência para o mercado. Afeta apenas as expectativas. Para o país, o carregamento dessas reservas supõe um gasto imenso no diferencial negativo dos juros pagos pela taxa SELIC e os juros recebidos pelo Fed Rate. Hoje, quase 6 anos depois da crise, esse diferencial passou de 5,5% a 10,5%.

 

A indexação da economia, através do aumento sistemático dos tributos, dos juros por atraso, dos reajustes pelos diversos índices inflacionários dos contratos, do salário mínimo, provoca uma inércia inflacionária innegável. Ao mesmo tempo, o aumento dos juros, concomitantemente com a elevação do patamar dessa inércia inflacionária, despeja mais dinheiro na praça na forma de juros pagos. O BC supõe com o aumento dos juros aspirar circulante atraíndo recursos para os títulos da dívida pública, mas ao mesmo tempo despeja parte desse circulante na praça pagando juros. Pisa no freio e no acelerador ao mesmo tempo.

 

A desoneração da economia através da redução tributária para as micro, pequenas e médias empresas, a redução da taxa de juros, a desindexação dos tributos, a redução dos prazos de crédito, a desvalorização cambial, a redução das reservas de forma gradual, são medidas que, se bem podem soar contraditórias, poderiam, se forem feitas de forma sincronizada, reduzir a inflação e os juros ao mesmo tempo. É como um paciente que pelo excesso de peso, tem colesterol elevado, e recebe medicamentos para controlar o colesterol. Mas continua num estado de saúde precário (com sobrepeso e medicado). Dieta e exercícios podem reduzir o colesterol por outros médios, que não sejam apenas os medicamentos, que acarretam efeitos colaterais indesejados. Acredito que com a economia brasileira acontece algo parecido. Os juros elevados são apenas o remédio receitado pelos economistas, que não conseguem sair do seu modelo teórico (desde meu ponto de vista, por estarem afinados com interesses privados do setor financeiro) para encontrar caminhos novos que levem ao desenvolvimento.

 

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Falta criticar metas de inflação e falar mal dela na política

Clever Mendes de Oliveira

 


Ale AR (terça-feira, 18/03/2014 às 10:57),


Não tinha visto seu comentário e acabei repetindo o que você já dissera. Aproveito para deixar aqui a indicação do post no blog de Alexandre Schwartsman onde eu deixo mais explícito porque a frase de Alexandre Weber – Santos – SP (“Esta estratégia [do Regime de Metas de Inflação] é interessantíssima e seu eu fosse rentista ia mover os Céus e a Terra para implementá-la, como não sou, observo o que acontece”) é bastante apropriada para justificar o regime de metas de inflação.


Trata-se do post “Os frutos do descaso” de quarta-feira, 09/10/2013, em que Alexandre Schwartsman faz referência a artigo da revista The Economist com críticas à economia brasileira. O endereço do post “Os frutos do descaso” é:


http://maovisivel.blogspot.com.br/2013/10/os-frutos-do-descaso.html


No post eu faço uma série de comentários e indico vários posts e artigos em que se pode ver que com o Regime de Metas de Inflação a inflação reduziu-se e os títulos de dívida públicos pagaram rendimentos maiores do que a inflação.


Clever Mendes de Oliveira


BH, 18/03/2014

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Taxa de inflação nos EUA

Paulo Alencar

Prezado Alvaro Tadeu,você afirma em seu comentário que "na medição das taxas de inflação dos Estados Unidos, combustíveis e alimentos não entram no cálculo".Gostaria se possível , que você jogasse mais luz sobre o assunto e/ou indicasse alguma fonte onde encontrar essa forma de cálculo,uma vez que sou leigo no assunto.Ah! de preferencia em português, rs rs.

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Realmente, não é mesmo juro alto...

Realmente, não é mesmo juro alto que derruba inflação porque, do alto do meu não doutorado posso afirmar que é produção, além do consumo, que derruba inflação.

Sei que minha afirmação sem pedigree academístico não merecerá um post, porém, se alguém duvida é só fazer o teste de um produto como banana, por exemplo, em qualquer feira de vila: se tem muita à venda o preço vai pra baixo ou se estabiliza.

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Juro Brasil e Inflação atual

AntonioAffonseca

Perfeito entendimento da situação.

Não adianta SÓ elevar a taxa de juros quando não apertamos os demais pilares fundamentais da política econômica acional.

O que adianta conter a oferta ou a tomada de crédito para refrear o consumo e consequentemente diminuir a oferta se temos uma política cambial pouco clara e, como bem disse não somos o emissor da moeda referência?

O que pode ser feito se os juros sobem mas a política fiscal não produz o superavit necessário para honrar os compromissos que por si só encarecem a economia com o aumento do risco e prêmio para refinanciar uma estrutura , como tambem bem disse, que carece de ajustes profundos.

O Banco Central de fato está correlato com as teorias , mas descolado da realidade.

Não adianta encarecer o custo do crédito apenas.

Tem-se que reorganizar as diretrizes e promover os ajustes conjunturais, com planejamento e foco em objetivos mais longevos que os 4 próximos anos ou a próxima eleição.

Se empresas maduras que são estruturas mais flexíveis , eficientes (em tese) e infinitamente menores, possuem planos estrategicos de pelo menos 5 anos, como que um país como o nosso não consegue fazer um exercício de reflexão e montar (como a China por exemplo ) plano de 30 anos com revisão a cada 10 para alinhar as necessidades com as metas e a visão de um futuro melhor?

A resposta é evidente e merece outra discussão mais ampla quando o assunto é o atual governo e suas pseudos ideologias, mas a pergunta deve permanecer.

Fico muito triste de ver que soluções e gente preparada (como o Sr Nakano) existem, porém não vejo serem procuradas. O que mais preocupa é ver que esse fenômeno inflacionário é progressivo e tende a acentuar-se a cada novo período, me lembrando muito do que ocorreu com a famosa política desenvolvimentista populista da ditadura (muito semelhante a atual) que desencadeou a hiperinflação. E os passos seguidos pelo governo é idêntico, onde após um período de imensa estabilidade e crescimento econômico, veio a queda , a falta de produtividade , o aumento do intervencionismo estatal e a hiperinflação.

Como aprendemos que a teoria nada mais é que uma apanhado de hipóteses correlatas que se baseiam em sugetões empíricas, apelo para a fé que um dia esse governo ou saia ou aprenda a governar. VAI QUE DÁ CERTO...

 

 

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taxas e retaxas.

AlvaroTadeu

No Brasil, vis-à-vis Europa Ocidental, Estados Unidos/Canadá, que são nossos modelos econômicos e políticos, os salários são muito baixos (menos de 20% da média) e nossas taxas de lucro, absurdas. Há setores com taxas de lucro superiores a 30%, no mundo inteiro as taxas são inferiores a 10%. A indexação de nossa economia. Em obediência às ordens de Washington, Fernando Henrique e seu PSDB entenderam que privatizariam mais rápido se oferecessem garantias absurdas: indexação total pela inflação passada. E temos mais um problema interno, esse do IBGE, cuja mudança depende do Congresso e é muito sensível, talvez provoque uma grita generalizada, de banqueiros a bancários.

Na medição das taxas de inflação dos Estados Unidos, combustíveis e alimentos não entram no cálculo. Por isso suas taxas persistentes em torno de 2% a.a., exceto nos anos da Reaganomics, quando o desemprego e a inflação dispararam.

No Brasil, alimentos perecíveis, altamente dependentes do clima de duas ou três semanas, dão saltos de até 100% em poucos dias e têm reflexos inflacionários desastrosos. O tomate, no ano passado, teve aumento catastrófico. Seria simples se bastasse trocar o tomate por outras saladas. Mas não foi. Os preços do tomate repercutiram nas taxas de inflação, que repercutiram nas tarifas públicas privatizadas (eletricidade, telefonia, pedágios, etc.) e não privatizadas, alugueis, etc. Mas o aumento das tarifas públicas vai provocar novos aumentos. O tomate que provocou aumento dos pedágios, vai ficar mais caro, porque pagou mais pedágio. Nossa classe média, que tanto ambiciona níveis civilizados de inflação e serviços públicos, roda a baiana quando ouve falar em direitos de domésticas ou diminuição de impostos da cesta básica com respectivo aumento das taxas de imposto de renda.

Agora, esse "forecast target", num texto em português, foi de doer. Como diz aquele comercial de Inglês, "I don't understand nada!". Eu até respeito textos em português sobre hardware, quando alguém comenta "a mobo" marca X é muito boa. "Mobo" é a gíria norte-americana para motherboard, ou placa-mãe em português.

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Juros altos é dar dar lucro

Juros altos é para dar lucro aos rentistas.

Faz parte de uma série de retórica e eufemismo para enganar a população

São falsas noções alimentada pela linguagem, conceitos e eufemismos, utilizados como armas pela direita para proteger "os de cima" e são concebidos por jornalistas e economistas mainstream para maximizar a eficiência do neoliberalismo em suas políticas brutais em linguagem suave, evasiva e enganosa.

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  Concordo plenamente.   Já

  Concordo plenamente.


  Já está mais que na cara que o sobe e desce da SELIC diz muito mais a respeito de política (não a partidária, óbvio), que de economia. Para controlar a inflação, efeito muito mais 'puro' é conseguido com as tais medidas macroprudenciais. Tentar controlar a inflação em seus componentes (secas, preços indexados, etc) pela SELIC é o rabo abanando o cachorro, ao custo de dezenas de bilhões de reais a cada rodada de aumentos. É a corveia que o poder financeiro cobra do resto na sociedade, nesse NeoFeudalismo (ou TurboFeudalismo) em que vivemos.

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Inacreditável que mesmo aqui no blog

a confraria da SELIC consegue controlar tudo. Quando li o artigo, muito bom como tudo o faz o Nakano (quem mora em São Paulo não esqueceu sua passagem na secretaria estadual da fazenda na época do Covas, pelo visto foi a única coisa boa da era Covas), no fim vi que tinha 1 * só. Deve ter sido ao a patrulha do liberalismo idílico dos amigos do "Lobo de Wall Street".

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Interessante é o fato de que

nene

Interessante é o fato de que pouquíssimos economistas falam do efeito "indexação". Há uma série de custos de impacto grande na cadeia produtiva que são indexados. Custo de energia, telefonia, pedágios, etc. Não seria hora de começar uma campanha pela desindexação? Por que não falam sobre isto? A inflação passada atua sim na inflação futura.

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