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Nassif: Xadrez de como a montanha de Dallagnol pariu um rato

Peça 1 – o enredo da Lava Jato

Apesar do comando difuso, entre mídia, troupe de Eduardo Cunha, PSDB e Departamento de Estado norte-americano (através da cooperação internacional), a trama da Lava Jato era de roteiro relativamente simples.

Haveria uma ação intermediária, o impeachment de Dilma. Depois, a ação definitiva, a condenação de Lula com o esfacelamento automático do PT como força política.

Houve intercorrências inevitáveis – como as denúncias contra próceres tucanos, rapidamente abafadas -, importantes para se tentar conferir legitimidade política  ao jogo, e um desastre imprevisível: as delações da JBS que atingiram Aécio Neves no peito. Aí o elefante ficou muito grande para ser escondido debaixo do tapete.

Tudo caminhava nos conformes. Inclusive chantagear o grupo que assumiu interinamente o poder, obrigando-o a caminhar com o desmonte do Estado social para conseguir alguma sobrevida política. Depois engaiolá-los como grande gesto final.

Mas cometeram um erro central: apostaram tudo em um cavalo manco, o grupo de bacharéis de Curitiba, procuradores e delegados, e em um juiz sem noção que tocou os inquéritos da Lava Jato.

Aí o plano começou a degringolar.

Peça 2 – os cabeças de planilha e o os cabeças de vade mecum

Na economia, cansei de descrever o tipo intitulado cabeça-de-planilha.

Como se faz ciência aplicada:

1.     O sujeito se forma, muitas vezes frequenta universidades estrangeiras e volta armado de um instrumental teórico.

2.     Depois, precisa mergulhar na analise de caso, a economia ou, no caso de procuradores, o processo que está sendo tocado. Essa é a etapa principal, a capacidade de captar todos os detalhes, estabelecer correlações e desenvolver uma narrativa factível que identifique claramente o criminoso. Não se confunda preparo com competência ou inteligência. No Ministério Público mesmo, há inúmeras evidências de procuradores com menor aparato teórico produzindo mais resultados do que outros com PhDs, porque muito mais capacitados.

3.     Só depois de levantados todos os dados, as provas e evidências, recorre-se ao aparato teórico para definir a narrativa, os crimes identificados e a punição requerida. Evidentemente, quando se casa aparato teórica com inteligência analítica, se tem o super-economista e o super-procurador.

Anos atrás aprendi uma regra de ouro com um grande físico brasileiro: quem pensa claro, escreve claro. Quando o sujeito recorrer a muitas firulas em defesa de sua tese, de duas, uma: ou é um gênio ou embusteiro. Gênio, só conheci Einstein, me dizia ele.

O economista medíocre salta a etapa principal, da analise de caso. Vai direto na teoria que aprendeu e faz como os cabeções do Banco Central: derrubam a inflação abaixo do piso da meta, prognosticando a entrada do país na depressão.

O mesmo ocorre com procuradores (e advogados) com baixa capacidade analítica e bom estofo teórico. Tratam de fugir da análise de caso e rechear as peças com firulas sem fim, como creme de leite para disfarçar a falta de consistência do bolo.

No caso da Lava Jato, sua  estratégia consistiu em criar uma narrativa prévia, obrigar os delatores a preencher as lacunas com meras declarações, tipo “Lula sabia de tudo”, colocar os técnicos para pesquisar os bancos de dados da Receita, COAF, Bacen, juntar pitadas da cooperação internacional, tudo devidamente vazado para a imprensa, para passar a ideia de uma avalanche incontornável.

Se não for suficiente, dentro do Código Penal em vigor, eles dão um by-pass: se valem de um suponhamos que o Código Penal fosse outro.

Me lembram muito um professor de química do científico que foi até Ouro Preto e, na Faculdade de Engenharia, foi confrontado com uma enigma lógico que ninguém conseguia resolver. Quando chegou no ponto nevrálgico, pulou para a resposta conhecida. Aí perguntaram em qual lei da química ele tinha se baseado. E ele: acabei de criar.

Para suprir a falta de elementos, o criativo procurador Deltan Dallagnol apelou para sua erudição-de-pegar-incautos e citou teorias contemporâneas, sobre analises probabilísticas.

Confrontado com a opinião de pesos-pesados do direito, que mostraram que as teorias se aplicavam às técnicas de investigação, jamais como prova jurídica, as piruetas retóricas de Dallagnol  lembraram cenas do filme Indiana Jones. Mais especificamente aquela em que o beduíno puxa a cimitarra, piruleteia  para cá e para lá, um malabarismo aqui, um volteio acolá e Indiana Jones olhando. Até que acaba com a brincadeira simplesmente sacando o revólver e dando-lhe um tiro.

Peça 3 - as teorias probabilísticas de Dallagnol

Na peça de acusação do caso triplex, Dallagnol supre a carência de provas com teorias probabilísticas, que são utilizadas apenas para dar mais foco às investigações.

Vejamos como ele aplicou a teoria na prática, em uma análise de caso simples.

Veja a charada:

1.     Você tem três balas parra atingir Lula, antes que ele se candidate a presidente novamente: o triplex, o terreno para o Instituto Lula e o sítio de Atibaia.

2.     Pelos prazos em curso, só há tempo para um tiro. Qual você escolhe.

Vamos a um pequeno exercício de probabilidade:

Caso      

Provas

Evidências de posse

Triplex

Nenhuma

Uma ou duas visitas. Sem usufruto.

Terreno

Nenhuma

Nenhuma

Sítio de Atibaia

Nenhuma

Usufruto, com dona Marisa participando diretamente das reformas e a família frequentando o sítio.

 

Os três casos são fracos.

Não há dúvida de que houve mimos de empreiteiras para Lula. Afinal, o modelo de desenvolvimento adotado no seu governo transformou-as em players internacionais, até serem destruídas pela Lava Jato. Além disso, Lula representava um imenso capital diplomático, por sua popularidade especialmente em novos mercados prospectados por elas.

Mas não se levantou prova alguma de que houve contrapartida em contratos, o que caracterizaria a propina. Ou mesmo de que houvesse aumento patrimonial de Lula. Sem as provas, ficam-se nos mimos, sem acréscimo patrimonial, sem enriquecimento ilícito.

Mesmo assim, dentre os três processos, o único que poderia melhorar um pouco a probabilidade dos bacharéis seria o sítio de Atibaia, devido ao usufruto.

Mas decidiram apostar tudo no triplex, confiando no depoimento (alterado) de Léo Pinheiro, o cappo da OAS.

A peça é curiosa porque desenvolve toda uma teoria para uma nova qualificação de organização criminosa: a organização política, que prescindiria da apresentação de provas objetivas. Usa uma retórica inflamada, repetindo exaustivamente que Lula comandava uma organização criminosa, que os crimes eram difusos, que haveria dificuldade para identificar as provas. E, na mesma peça, diz que as propinas são provenientes de três contratos específicos. Especificou, tem que provar. Ou seja, uma baita volta para justificar a impossibilidade de levantar provas e, no meio, a afirmação taxativa de que as propinas foram originárias de três obras, o que exigiria a comprovação com provas.

Aí houve o caso curiosíssimo do juiz que copidescou o procurador.

Logo que começou a Lava Jato, defensores da cumplicidade entre juiz, procuradores e delegados alegavam que, havendo essa combinação, o juiz poderia corrigir erros dos procuradores e delegados no decorrer dos inquéritos e processos.

A afirmação já parecia estranha mas, enfim, estava-se nem pleno reinado do direito penal do inimigo, brilhantemente defendido pelo Ministro Luís Roberto Barroso.

O que não se esperava é que o juiz corrigisse a própria peça final de acusação. Para salvar o caso, Moro teve que reescrever a acusação afirmando que as propinas foram originárias de vários contratos, não especificamente da Petrobras.

Peça 4 – o partidarismo é mau negócio

Toda a argumentação de Dallagnol estaria adequada em uma ação civil contra Lula. Através dela, teria mais possibilidade de condenar Lula, cassar sua aposentadoria, impor multas elevadas, simplesmente porque na ação civil não há a necessidade da prova final.

Veja o seguinte exemplo:

1.     Um fazendeiro contrata um ajudante para vigiar a fazenda.

2.     O ajudante mata um invasor.

Uma ação criminal só conseguiria condenar o fazendeiro se comprovasse cabalmente que ele deu a ordem, que autorizou o ajudante a atirar em quem entrasse. Não bastaria mostrar i contrato de trabalho. Já em uma ação civil certamente o fazendeiro seria condenado a indenizar a família da vítima. A ação civil não exigiria o detalhamento do crime e sujeitaria o réu a um conjunto de sanções.

O domínio do fato – pretendido por Dallagnol para imputar a Lula o comando dos esquemas criminosos – não tem o condão de fazer com que uma responsabilidade subjetiva se torne objetiva. Numa ação civil, haveria mais possibilidade de condenar a falta de providências de Lula.

Com seu palavrório, Dallagnol pretendeu uma nova teoria do direito para crimes de poder. Quis reescrever a teoria da prova sem dispor de fôlego intelectual para tanto, razão de ter sido fuzilado por juristas mais preparados.

O Código Penal brasileiro é da legalidade estrita. Só existe crime se tiver lei penal descrevendo o crime e se for provado em todos os fatos e ainda provado o dolo do agente.

Não se pode importar princípios de fora. O próprio Ministério Público tentou introduzir a imprescritibilidade dos crimes contra a humanidade no Brasil e não conseguiu. Os criminosos podem ser punidos, mas foi mantido o prazo de prescrição.

E foi assim, por presunção, onipotência, pelo embevecimento com as repercussões no Twitter e no Facebook, pela ambição de ser o homem que levou Lula de volta para a prisão  que a montanha de citações de Dallagnol pariu um rato.

 

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Comentários

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Orlando

Parabéns

Sintetização excelente. Parabéns

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Orlando

Parabéns

Sintetização excelente. Parabéns

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Ralfo Penteado

Dallagnol pariu um rato

Não acredito em nada. Vejamos um exemplo, o da Petros. Um tal Walter Mendes presidente, uma diretora e um diretor emplacada pelo Funaro. Um rombo de R$ 27.000.000.000 até a presente. Nenhuma, zero evidência de recuperar e caçar os ladrões. Mas achacar os beneficiários segurados para rpo-lo é sobre uma base falsa de dadaos ,(recadastramento). Ffhhcc líquidou a parte boa e metabolizou a parte e podre pelo tesouro, o mesmo.Simplessse, lá estão só para apagar rastros da ORCRIMs do Temer.Facamos uma extensão indutiva. Se for para o lluulla'a' ir só não precisa. Esta ju$$ti$$a é desnecessária. Justiça ? Farsa.

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Moacir Rodrigues de Pontes

...parindo ratos.

Assim como o diabo é sábio não por ser diabo mas por ser velho, a direita pode mais não por ser mais esperta, mas por ser  Poder mais  antigo. Quem detém o Poder Econômico controla a produção e a distribuição (inclusive das armas). Errar todo mundo erra, mas os erros mais graves da história humana resultam da prepotência de minorias cegas pelo Poder.

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O concurso público de Dallagnol

Dallagnol prestou concurso público, mas não tinha colação de grau há mais de dois anos que era uma exigência do edital do concurso.


"O impetrante colou grau em 06 de fevereiro de 2002 e, nomeado, tomou posse e assumiu o exercício do cargo em 10 de fevereiro de 2003, descumprindo, pois, o requisito exigido no dispositivo   art. 187 da Lei Complementar 75/93."


Ele impetrou um mandado de segurança e foi empossado sub judice.


O processo foi longo e ele ganhou. Infelizmente para o país.
 

Segue aqui para quem quiser ler https://trf-4.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/8673153/apelacao-em-mandado-de-seguranca-ams-10338-pr-20027000010338-9/inteiro-teor-13701035?ref=juris-tabs

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Quem é o físico brasileiro?

A citação é genial, quem foi foi o autor?

"Anos atrás aprendi uma regra de ouro com um grande físico brasileiro: quem pensa claro, escreve claro. Quando o sujeito recorrer a muitas firulas em defesa de sua tese, de duas, uma: ou é um gênio ou embusteiro. Gênio, só conheci Einstein, me dizia ele."

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Romanelli

NÂO !!!! discordo Nem num

NÂO !!!! discordo

Nem num processo CIVIL que poderia ter sido imputado a LULA ganharia as consequências trazidas pelo texto  ..que no exercício dum cargo público atenderia pelo nome de prevaricação, desidia, incúria, negligência, conivência etc etc

CONVENHAMOS, com tantos atestados de LEGITIMIDADE dos processos licitatórios da Petroleira, por exemplo  ..feito por até TRÊS aduditorias INTERNACIONIAS e outros tantos órgãos independentes

..sem denuncias FORMAIS pra tomada de providências partidas da ABIN, PF, Corregedoria, TCU, advocacia, MPF ou do funciolnalismo, NÂO HAVERIA como imputar a LULA crimes partidos e mantidos péla MAQUINA PÙBLICA

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Jurgen2010

Exercício de hipótese

O que faria o supremo se um juiz de primeira instância junto com um grupo do mpf fizesse o mesmo com o psdb?
Acredito que seja esta a questão.

Os que deveriam ser os guardiões da constituição permitiram. E o estupro da constituição começou no mensalão.

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Lula da Silva: O Sentido

Lula da Silva: O Sentido Histórico de uma Condenação

21.07.2017  O Sentido Histórico de uma Condenação. 26971.jpeg

timing da condenação de Lula da Silva foi de relógio suíço. Deu-se após duas semanas do fracasso  da greve geral e enquanto o Senado aprovava, por larga maioria e sob o silêncio das ruas, assalto histórico aos direitos trabalhistas. Se milhões de trabalhadores tivessem descido às ruas, Sérgio Moro esperaria tempos melhores para acionar sua guilhotina e o Senado comportaria-se em forma diversa.  No frigir dos ovos, a condenação é parte de uma história muito mais ampla. É apenas a cereja do bolo que há anos é assado, tendo o imperialismo como doceiro e como auxiliares obedientes segmentos nacionais proprietários. Para compreensão mais ampla dos sucessos atuais, temos que nos debruçar sobre o passado. Mário Maestri

A submissão plena do Brasil ao status de país semi-colonial, sob o tacão do capital mundial, impulsionada no último meio século, alcança hoje nível exacerbado. Nos anos 1930, o Brasil e outras nações das Américas viveram condições históricas propícias à  gênese de capitalismo autônomo, sob a hegemonia de classes burguesas nacionais, voltado ao mercado interno e apoiado nos trabalhadores fabris. No Brasil, esse movimento conheceu a oposição das classes agrário-exportadoras pré-capitalistas, vergadas naqueles anos. 

Nos anos 1950, o processo de industrialização por substituição de importações motivara regressão do status semi-colonial  conhecido durante a Colônia [1532-1822], Império [1822-1889] e República Velha [1889-1930]. Ou seja, situação de autonomia política formal e submissão das decisões econômicas centrais ao capital externo. Após a II Guerra Mundial, acaudilhados pelo imperialismo, a agro-exportação, o frágil capital bancário nacional, as classes médias etc. mobilizavam-se contra aquele movimento, sem resultados imediatos.

Entretanto, naqueles anos, o processo de industrialização sustentado pelo capital  público e privado nacional , apoiado no mercado interno, entrou em crise, sobretudo devido à inconclusão da "revolução democrático-burguesa" , realizada em forma "passiva", "fatiada" e "limitada", com momentos altos na Revolução Abolicionista [1888], que unificou o mercado de trabalho, e na "Revolução de 1930", que impulsionou a industrialização e a  construção do Estado-nação brasileiro. Para seguir no processo industrialista nacional, impunha-se reforma agrária radical; fortalecimento dos bancos públicos; construção de tecnologia nacional; universalização das leis trabalhistas; transição da exploração industrial extensiva à intensiva e aumento substancial dos salários, etc. Algumas medidas propostas, timidamente, pelas "Reformas de base" janguistas.

Tacão Imperialista

Nos anos 1960, a burguesia industrial nacional submeteu-se ao imperialismo, temendo o fortalecimento do mundo do trabalho com a aplicação das políticas necessárias à retomada do nacional-desenvolvimentismo, que as fortalecera. Mostrou plenamente sua incapacidade de acaudilhar a revolução democrática brasileira. Em 1º de abril de 1964, ela encontrava-se, toda, no bloco social que entregou o governo aos militares, inicialmente sob a hegemonia estadunidense, representada pelo governo ditatorial de Castelo Branco [1964-67].   O golpe, no Golpe, realizado pela entronização de Costa e Silva, em março de 1967, e dos ditadores seguintes, até 1985, expressou-se, no defenestramento dos liberais castelistas Octávio Gouveia de Bulhões e Roberto Campos, da direção da economia, substituídos por Delfim Neto, jovem economista, desenvolvimentista, representante da industria paulista. 

A proposta inicial imperialista e udenista de privatização das empresas públicas e liberalização das importações cedeu lugar a uma forte expansão das estatais, do sistema bancário público, da tecnologia nacional e à reserva ao capital tupiniquim de novos ramos industriais - telefonia, informática, etc. A ordem militar retomou também o projeto getulista de parque militar e do armamento atômico, que resultou no rompimento do acordo militar, em 1977, com o governo USA. A grande ruptura com o projeto getulista foi o abandono da poupança e do mercado internos como sustentações do nacional-desenvolvimentismo.  Apoiando-se nas exportações e nos empréstimos internacionais na época baratos, a ditadura viabilizava a super-exploração dos trabalhadores, devido ao deslocamento do mercado interno como espaço primordial de realização [consumo] da produção interna. No nacional-desenvolvimentismo populista, a hegemonia [dominação] burguesa sobre os trabalhadores impunha o consenso [concordância-submissão] através de concessões e da repressão. Na ordem militar, a repressão tornava-se o pólo fortemente dominante.

Fim do Milagre

Em 1973-4, a crise mundial ["choque do petróleo"] inviabilizou o padrão desenvolvimentista autoritário. Os juros da dívida subiram às estrelas e o mercado consumidor mundial caiu em picada. Com a insolvência do Brasil, os militares cortaram os investimentos e impulsionaram a inflação e o "arrocho salarial", para pagar a dívida externa. A nova situação alienou o apoio ao regime de importantes segmentos das classes médias e relançou a luta sindical, silenciada desde 1968. 

No bloco social mobilizado pela "redemocratização" do país encontravam-se igualmente os segmentos do capital nacional e internacional "anti-estatistas" e sobretudo "privatistas" que se organizaram para abiscoitar, em condições excepcionais, as propriedades estatais construídas sobretudo nos anos getulistas e fortemente potenciadas durante o vintênio ditatorial.  Essas forças organizaram-se pela derrota das eleições diretas e, a seguir, por governos que impulsionassem suas exigências. Então, o imperialismo se apoiava no já poderoso sistema bancário nacional e em importantes núcleos da indústria, além do latifúndio, de decrescente importância.

A entronização presidencial de Collor de Melo, em março de 1990,  foi um falhaço, mesmo tendo alienado importantes bens estatais e avançado iniciativas antipopulares exigidas pelo grande capital. Ao contrário, os oito anos da era fernandina [01/1995-01/2003] foram um enorme sucesso. Após a privatização desenfreada, pouco sobrou das jóias da coroa, à excessão do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal, do BNDS, da Petrobrás. Implementaram-se também importantes ataques aos direitos do mundo do trabalho e o redimensionamento da autonomia nacional. Sob a política de juros astronômicos, a dívida pública explodiu. Desmontou-se o ensaio de superação do status semi-colonial do Brasil, avançado pelo projeto popular desenvolvimentista, voltado ao mercado interno, de 1930-1950, com a subordinação do operariado industrial; e pelo desenvolvimentismo autoritário, dos anos 1967-85, voltado ao mercado mundial e apoiado na super-exploração dos trabalhadores. 2

Por primeira vez na história do Brasil contemporâneo, durante os governos de FHC, materializou-se a perda efetiva do controle das decisões econômicas centrais do país pelas classes dominantes nacionais em favor do grande capital mundial. Pedro Malan, como ministro da Fazenda, e Armínio Fraga, ex-funcionário do capital especulativo mundial, na presidência do Banco Central, circunscreveram essa realidade. No período Sarney-FHC, desmontou-se a reserva de mercado e as indústrias bélica e aeronáutica, assim como o projeto atômico da ditadura militar.

O Mundo do Trabalho em Busca de Seu Destino

Não é aqui o momento de discutir as raízes históricas, políticas, ideológicas, etc. da debilidade do movimento  operário, antes e após o Brasil se constituir como Estado-Nação. O fato é que os trabalhadores do Brasil jamais conseguiram transitar plenamente, como um todo ou em grande parte, da situação de "consciência em si" [surgida da existência material] para a de "consciência para si" [produto da organização e construção de programa próprio]. 

Os anos de mediados da década de 1970 foram exceção. No contexto da impulsão industrialista quando do "Milagre Brasileiro", que fortaleceu sobretudo os trabalhadores metal-mecânicos, químicos, da construção civil e do sistema bancário, o mundo do trabalho, mobilizado na luta pela recomposição salarial,  ensaiou movimento autonômico político e sindical, que resultou na fundação do PT, tendencialmente anti-capitalista, em 1980, e da CUT, claramente classista, em 1983.  

Pelos azares da sorte, os dois movimentos tiveram como símbolo nacional o nordestino Luis Inácio da Silva, o Lula, dirigente do Sindicato de Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema, principal pólo do confronto sindical com a ditadura, no final dos anos 1970. Quando despontou como liderança sindical, Lula da Silva tinha escassa formação política e jamais participara da luta contra a ditadura, apesar de já ter, em 1975, 30 anos. Nesse então, declarou-se anti-comunista. Décadas mais tarde, confessaria que jamais fora de esquerda e definiria-se liberal.

O momento de construção autonômica do mundo do trabalho, impulsionado pelas grandes lutas sindicais daqueles anos, dissolveu-se sob o impacto da crise econômica dos anos 1980 - "Década Perdida"; da explosão do desemprego e da inflação; da restruturação da economia e da produção, etc. Foi enorme o efeito do tsunami neo-liberal que materializou a derrota histórica mundial dos trabalhadores, precisamente enquanto o PT e a CUT se organizavam e se institucionalizavam. 

Com a dissolução da URSS, em 1990, e dos países de economia nacionalizada e planejada, o ponteiro da história recuou dolorosamente e os trabalhadores, sob o açoite da derrota, passaram a literalmente desacreditar de seu programa para a resolução da crise social ["crise de subjetividade".] Não era o proposto "fim da história", mas a instalação plena de movimento de "contra-revolução permanente" que se mantém até hoje. Ele  se assanharia sem piedade contra os direitos nacionais e sociais de bilhões de cidadãos e trabalhadores através do mundo.

A proposta "fase heróica", pura e dura, do Partido dos Trabalhadores, iniciou a dissolver-se, antes de consolidar-se. Sob a hegemonia de Lula da Silva e seu núcleo duro - José Dirceu, Antônio Palocci, Gilberto Carvalho, Luiz Gushiken, Marco Aurélio Garcia, etc. - impôs-se a hegemonia partidária dos parlamentares, profissionais, etc., reprimindo-se a organização pela base. A metamorfose apoiou-se em vastos setores da militância, do movimento sindical, da sociedade brasileira, desmoralizados pelo refluxo social ou que tinham - ou criam ter - o que ganhar com a colaboração com o capital. A adesão à proposta de gestão compassiva do capitalismo dominou a direção petista, seus parlamentares, administradores, etc. +

Por longos anos, no contexto da orientação social-democrática e, logo, social-liberal, o PT manteve-se como referência de trabalhadores e assalariados, sob a pressão dos quais parlamentares petistas interromperam ou mitigaram ofensivas contra os direitos sociais. Porem, o PT administrou municípios e estados em sintonia com o capital e sem avançar qualquer iniciativa social estrutural. O PT anticapitalista foi pinto que morreu na casca do ovo. Igual colaboracionismo consolidou-se na CUT e foi facilitado pela defecção de sindicalistas classistas para fundarem "centrais" vermelhas ou partidárias.

Oferecendo a Mão

Com a desmoralização geral do segundo governo FHC, o grande capital aceitou a oferta do lulismo para assumir a presidência, avançar as políticas neoliberais e impor, devido ao prestígio-controle do movimento social, ataques aos direitos dos trabalhadores que Collor de Melo e FHC não tiveram a força de empreender. As promessas ao capital foram cumpridas caninamente, nas três e meia administrações do PT. Privatizações, desregulamentação, ataque à economia popular, arrocho salarial, alta remuneração e financiaento do capital, etc. As decisões econômicas centrais seguiram entregues ao grande capital mundial. Acordos draconianos foram firmados com o FMI.1

A submissão ao capital constituía caminhada sobre fio da navalha, já que ela ensejava perda crescente do apoio social que o petismo militava para controlar e desmobilizar. Devido a perda tendencial do apoio dos trabalhadores, o petismo procurou reconstituir nova base eleitoral. Contribuiu para a diluição da consciência social classista, promovendo estatisticamente os trabalhadores  à "classe média"; incentivou recorte  supra-social entre brancos/não-brancos, etc. Sobretudo, perseguiu o apoio eleitoral através de "políticas compensatórias" dirigidas aos setores mais atrasados da população, propostas pelo Banco Mundial.

A corrupção desbragada em que mergulharam milhares de petistas fez parte do deslizar social-liberal do partido. A evaporação da base militante e o novo padrão político-eleitoral exigiam campanhas cada vez mais caras, necessariamente financiadas pelo capital. Os serviços prestados ao capital permitiam igualmente fácil enriquecimento pessoal e a ilusão de que as classes dominantes teriam a mesma complacência com os serviçais petistas que sempre mostraram com a direita tradicional.

O grande capital e o imperialismo já retiraram o apoio à primeira administração de Dilma Rousseff [2011-14], na procura da imposição ao país presidente conservador puro-sangue e não mais terceirizado. As mobilizações de junho de 2013 liquidaram o mito do controle petista do movimento social. Portanto, o PT não prestava mais os serviços para que era pago. Entretanto,  a rejeição do colaboracionismo petista tinha raízes mais profundas e era fenômeno internacional. 

O fim da bonança dos altos preços das commodities; o retorno da crise econômica mundial; a retomada da ofensiva imperialista geral contra o Irã, Líbia, Síria e, sobretudo, Rússia e China exigiam: uma submissão mais profunda ao imperialismo; a destruição das veleidades de núcleos capitalistas nacionais; maior super-exploração do trabalho; pagamento incondicional da dívida. O capital hegemônico mundial exigia salto de qualidade na reorganização semi-colonial  do país em desenvolvimento.

A estratégia escolhida foi a "revolução de veludo", contra a "corrupção". Ou seja, golpe não militar apoiado na mobilização das classes médias, inaugurado na Checoslováquia, em 1989, e, a seguir, em outras nações. Uma iniciativa viabilizada pela  crescente corrosão das condições de vida da população brasileira, que levava à exasperação classes médias agoniadas pela radicalização do "capitalismo social de mercado", onde o Estado nada fornece, tudo se paga caro e o supérfluo se torna imprescindível: aluguel, previdência, condomínio, segurança, transporte, saúde, educação, telefonia, entretenimento, etc.

A Hora e a Vez de Dilma

Com a desmoralização da política, a Justiça transformou-se no grande instrumento da "revolução de veludo" anti-petista. Em agosto de 2012, o STF iniciou o julgamento de quase 38 réus inculpados de corrupção devido ao financiamento ilegal de parlamentares da base de sustentação do governo Lula da Silva - o "Mensalão". O  sangramento quotidiano do PT pela mídia, agora com destaque para a Operação Lava Jato, estendeu-se até as eleições de outubro de 2014, com a esperada vitória do candidato do PSDB. 

A condenação de José Dirceu sem provas, a partir de excrescência jurídica "ad hoc", o "domínio do fato", registrou o radicalismo da ofensiva conservadora associando o imperialismo, a Justiça, a mídia, o conservadorismo. Nessa abnormidade jurídica, o réu é condenado a partir da simples convicção subjetiva do juiz. Propõe-se que o réu, por sua posição funcional, tem necessariamente conhecimento e, portanto, responsabilidade em ato criminoso, mesmo que falta prova sobre essa relação. O paladino da operação, o juiz Joaquim Barbosa, santificado pela mídia, fora escolhido por Lula da Silva por ser negro. 

A condenação do segundo homem do PT deu-se sem resistência do partido e do governo, ainda mais que ele competia com Lula da Silva no controle do aparato petista. Por sua vez, Dilma Rousseff tudo fez para separar a si e a sua administração da corrupção dos governos lulistas, esperando assim escapar da abate. Deixou que a Justiça e a polícia federal se assanhassem, primeiro, contra o PT e as administrações lulistas e, logo, contra sua administração e presidência.

Durante a campanha de 2014, exacerbadas pela mídia,  com destaque para o RJ-SP, sobretudo as classes médias realizaram manifestações multitudinárias contra o petismo, identificado como responsável de toda a corrução. Organizações como "Vem Para Rua", "Movimento Brasil Livre", "Não vou pagar o pato" foram treinadas e financiadas pelo grande capital, a partir de experiências golpistas sistematizadas em outra regiões do mundo.  

Dilma promete e não cumpre

A administração Dilma Rousseff promoveu literal farra de recursos públicos, para manter artificialmente o emprego e a atividade econômica e vencer as eleições - mega-renunciais fiscais; crédito subvencionado; diminuição do preço da eletricidade;  distribuição a rodo de  bolsas de estudos, etc. No segundo turno, a apresentação de Dilma como anteparo às privatizações e defensora dos direitos trabalhistas - "Não mexo em direitos trabalhistas nem que a vaca tussa" - garantiu a reeleição por pouco mais de três milhões e 400 mil votos. O PT venceu o quarto pleito devido à alta votação no Nordeste pobre e pouco industrializado [doze milhões de votos de diferença], registrando a perda de operários, assalariados, profissionais, etc.

Já no discurso de posse, a presidenta renegou as promessas eleitorais e abraçou as políticas neoliberais do opositor, procurando reconquistar o apoio do grande capital. Nomeou ministério de direita;  dificultou a obtenção do seguro-desemprego, do auxílio-doença, do abono salarial, da pensão por morte; cortou o orçamento e investimentos e aumentou a gasolina, a eletricidade, a carga tributária, afundando o país na recessão, à procura da redução dos salários e do pagamento a qualquer custo da dívida externa e interna. 

As políticas conservadoras de Dilma Rousseff serviram apenas para alienar o que lhe restava de apoio popular. Sua deposição, através de golpe institucional, foi votada, sem grande oposição popular, por deputados até havia pouco parte da "base de sustentação" do governo. A escusa foi a prática de  "pedaladas fiscais", isto é, artifício contábil para fechar as contas públicas, habitual em todos os governos anteriores.

O Sentido do Golpe

O golpismo não se mobilizava contra Dilma Rousseff, disposta a tudo  para salvar seu governo. Apoiado no parlamento, na polícia federal, na Justiça, na mídia, nos partidos conservadores, etc., ele buscava acelerar o arrasamento do país, segundo as exigências do grande capital e do imperialismo, quanto a gastos públicos, privatizações, leis trabalhistas, autonomia e política internacional, etc. Buscava salto de qualidade no processo de liquidação da autonomia nacional já em curso.

A ponta de lança da operação golpista era a criminalização do PT, então no governo - e visto ainda pela população como o partido de esquerda no Brasil. Em 17 de março de 2014, durante primeira gestão Rousseff, inaugurava-se, no Paraná, a Operação Lava Jato, inspirada na "Mãos Limpas" italiana, sob a liderança de jovens juízes conservadores. A estrela da operação, Sérgio Moro, estudara na Harvard Law School, em 1998, e fora treinado pelo Departamento de Estado dos USA. Inicialmente, a operação e o "Caçador de Corruptos"  conquistaram amplíssima simpatia, sobretudo entre as classes médias, por além de posições políticas, ao encarcerar ricos empresários, algo jamais visto no país. 

Muito logo, a ação de Sérgio Moro e auxiliares revelou o caráter arbitrário, ilegal e politicamente orientado das investigações. Para alcançar seu objetivo precípuo, incriminar altos dirigentes petistas e, sobretudo, Lula da Silva, a Lava Jato vazou informações reservadas; grampeou a presidência da República e advogados de defesa; manteve suspeitos excelentes sob literal sequestro até obter as "delações" que lhe interessavam, "premiadas" a seguir com anistias de pena e devolução de bens.

A acusação de Lula da Silva mostrou-se operação difícil, já que, mais esperto que políticos petistas e da oposição, limitou-se a embolsar o régio pagamento de palestras encomendadas por grandes empresas, não raro por seu serviço de "garoto propaganda" das mesmas no exterior. Algo inaceitável para um líder operário mas legal e praticado habitualmente por políticos prestigiados, no Brasil e no exterior. E, não raro, pelos senhores juízes.

A insistência em defender, sem qualquer prova material, que um amplo apartamento de qualidade discutível [triplex de Guarujá] e um sítio em Atibaia, também pouco luxuoso,   como propriedades ocultas de Lula da Silva, levou  Sérgio Moro a forte descrédito, ainda mais quando vazou a corrupção explícita faraônica de políticos ligados ao golpe. O rigor para além da legalidade da Justiça com os petistas chocou-se também com a leniência quase total com criminosos explícitos conservadores.

A Serviço do Grande Capital

A Lava Jato centrou-se nas práticas ilegais de administradores de grandes empresas nacionais públicas e privadas, ensejando a imediata liliputização e promessa de privatização da Petrobrás, Caixa, BNDS etc. e desarticulação das grandes empreiteiras [Oldebrecht, Camargo Correio, Engevix, etc.], desacreditadas e obrigadas a pagar multas milionárias no Brasil e exterior.  O monopólio do mercado nacional e o dinamismo no exterior das mega-empreiteiras prejudicavam suas congêneres estadunidenses. A operação Lava Jato radicalizou a desnacionalização da produção brasileira impulsionada há décadas.

Desde o fim da ditadura, a população e os trabalhadores brasileiros vergam-se sob a pesada canga dos débitos públicos federais e estaduais e dos juros astronômicos que reduzem a nação a uma fazenda escravista produtora de superávites. Nas últimas décadas, a voraz desnacionalização da indústria brasileira acresceu também o encargo com as remessas de lucros, avultadas pelo pagamento de royaties devido à  dependência quase total do país ao exterior quanto à tecnologia. 

A Oposição ao Golpe

O golpe objetivava construir nova base institucional, legal, etc. para salto de qualidade no status semi-colonial [neocolonial],. Mesmo quando o apoio ao presidente golpista se dissolveu de todo, com a instalação da recessão geral e o conhecimento da literal organização criminosa entronizada no governo, a nova ordem encontrou escassa resistência, com destaque para a classe trabalhadora, que jamais se mobilizou realmente contra o ataque geral aos seus direitos e à nação. 

Sob o constante ataque da Justiça e da mídia, as direções petistas optaram pela moderação e pela tentativa de negociação, tentando salvar a pele e o aparato partidário. Para tal, sabotaram os esforços e ensaios gerais de mobilização popular. No geral, objetivos ao menos parcialmente alcançados, até agora, como veremos. Angustiada por sua impotência, a frágil oposição de esquerda, classista e marxista, denuncia o PT e a CUT pela atual falta de mobilização, em registro geral das ilusões não perdidas e da ignorância da "natureza do escorpião".

Parte da esquerda auto-proclamada revolucionária, apoiou objetivamente o golpe, ao negá-lo, em alguns casos, por além do imaginável. Quando da condenação de 12 de julho, o MES, de Luciana Genro, defendeu retoricamente o direito do ex-presidente de participar nas eleições de 2018, elogiou a Lava Jato e lembrou que, se possivelmente o ex-presidente não merecia condenação pelo triplex de Guarujá, por faltas de provas, a mereceria pelo sítio de  Atibaia!  De tietas do Moro, terminaram em auxiliares da acusação!

Quanto ao PSTU, propôs que tudo é simples "disputa entre dois campos burgueses, [...], em crise". A culpa da condenação seria do próprio ex-presidente, por aliar-se à burguesia. Como desdobramento da negativa do golpe, nega igualmente o atual "estado de exceção", e elogia indiretamente a Lava Jato, por encarcerar "meia dúzia de políticos e empresários", quando antes apenas populares terminavam na prisão. Propôs o direito de Lula da Silva de - acredite quem quiser - "recorrer na justiça e se defender" e que os  trabalhadores, de "modo algum", participem da sua defesa. 

Em forma oportunista, o MES, o PSTU e outros grupos congêneres esperam recolher os cacos do prestígio sindical e eleitoral deixados pela destruição do PT. O restante, pouco importa. Porém, nos últimos meses, cresce a intenção de voto em Lula da Silva e a sustentação política e sindical do PT, ainda que em patamares acanhados em relação aos melhores anos do passado. Um apoio ao partido que pode crescer, se Lula da Silva for condenado em segunda instância, meses antes das eleições. Os desdobramentos de sua prisão são difíceis de prever.

  O fortalecimento eleitoral relativo do PT moribundo é compreensível. No contexto da crise profunda, de semi-imobilidade dos trabalhadores e de refluxo do movimento social, importantes segmentos da população voltam-se, ainda que passivamente, para as organizações mesmo desacreditadas que já gozaram de sua confiança, quando de tempos melhores. Ainda mais quando da inexistência total de alternativas minimamente factíveis. É de se esperar, também, a adesão de boa parte do eleitorado - mesmo ex-petista -  em projetos eleitorais conservadores extra-partidários.

Ofensiva em Marcha

Até 2018, espera-se que o núcleo central das contra-reformas federais estará aprovado, com destaque para a da previdência privada. As instituições e a legislação repressivas de que dispõem as classes dominantes são amplas. Porém, impõe-se institucionalização que garanta a sustentação, atualização e extensão permanentes da ditadura do capital em todos os níveis da sociedade. É imprescindível uma profunda "reforma política", talvez parcelada, garantindo ad eternum o conservadorismo do legislativo. A nova legislação eleitoral contará com "cláusula de barreira" mais rígida que afaste os "pequenos partidos" do jogo eleitoral, na procura tendencial do bi-partidarismo. Porém, a restrição da participação eleitoral e sindical aliena os importantes segmentos de "esquerda" conquistados pelas delícias do colaboracionismo com o Estado, fortalecendo necessariamente o pólo repressivo na imposição do consenso. 

Há grande preocupação com o próximo presidente da República. O controle do governo federal é fundamental para a superação da atual fase de recessão-depressão da economia e para a expansão-consolidação da nova ordem em construção, com a transferência substancial do nível de decisão efetiva à esfera privada internacional. Almeja-se governo formal, com instituições "auto-sustentáveis" e "auto-deliberantes", apoiadas na repressão da Justiça e da polícia, com as forças armadas transformadas em milícia interna.  Um processo em curso, em forma civilizada, em Portugal, Grécia, Itália, etc.

O nível de sucesso do projeto de barbarização social e instauração semi-colonial  radical no Brasil dependerá da capacidade de organização e resistência do mundo do trabalho e da população em geral. Movimentos que exigem, para realizar-se na medida necessária, a construção de direções e partidos classistas de massa conscientes, impossíveis de nascerem fora do impulso-reorganização do próprio movimento social e operário, extremamente fraco, como proposto. A confusão e perda de densidade da esquerda brasileira é abismal. Na reação necessária para vergar a ofensiva geral do grande capital, caso ela se realize, terão papel determinante eventuais vitórias, mesmo parciais, mas substanciais, da luta de classes no Brasil e no exterior.

 

* Mário Maestri, 69, é historiador, professor do PPGH da UPF. E-mail: [email protected]

http://port.pravda.ru/cplp/brasil/21-07-2017/43679-lula-0/

 

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Rei

Nassif, proponha reações e jogadas para a esquerda nesse Xadrez!

Acho que ficar explicitando as táticas dessa direita não está surtindo resultado pois eles continuam agindo mesmo quando são desmascarados e desnudados... aliás, alguns nomes como Gilmar Mendes e Moro não se deixam afetar de forma alguma... o Xadrez continua e cada dia tem menos peças do lado da esquerda e mais peças do lado da direita.

Acho que algumas propostas de reação devem surgir nesse Xadrez para prever as próximas movimentações. Por exemplo:

1-Os governantes do PT e da esquerda deveriam fazer o mesmo que Temer fez: AUMENTAR EM 1500% A VERBA PARA A MÍDIA AMIGA. Diante da realidade atual vai ficar difícil a direita reclamar de tal atitude... e se reclamar... deixa reclamar... a mídia de esquerda já é vista por toda sociedade como "porta voz do PT". 

2-Criar e fortalecer a rede de informação com vários blogs e sites de esquerda criando canais no Youtube e Facebook. A direita já faz isso e é confrontada por pequenos canais sem nenhum tipo de estrutura.

3-Criar ou fortalecer uma "Jovem Pan" da esquerda... deve haver alguma rádio para fazer frente a essa desgraça chamada Jovem Pan. Esse braço armado da direita só existe graças à falta de resposta. O presidente do BNDES mesmo com simples argumentos destruiu os representantes da Pan... eles são despreparados e manipuladores... se forem confrontados serão facilmente aniquilados.

4-Mais Crowdfundings para criar vídeos no youtube são uma ótima saída. Eu sugiro vídeos para explicar o plano Real e o fracasso econômico de FHC... o Foro de São Paulo... o "Comunismo" e a "Sociedade do Bem Estar"... os fracassos Liberais... os delírios dos liberais brasileiros... Além do farto material de FHC x Lula que poderia preencher horas de material para retomar os anos fracassados do PSDB para memória.

Eu acho que o problema central do país atualmente é a mídia!!! Todas essas táticas da direita só funcionam graças a cobertura da imprensa que forma um paredão. Os representantes da esquerda para se expressarem são obrigados a dar entrevistas massacrantes na Jovem Pan ou coisa do tipo... aí já viu...

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j.marcelo

É isso aí rei,só q todas as

É isso aí rei,só q todas as lideranças do PT estão atordoadas para executar estas idéias q já há muito tempo deveriam estar postas quando vejo Haddad desanimo,ele é bom gestor é só, não sinto confiança nele, sinceramente acho q ele tá doido pra sair fora do PT e quem sabe até da política, não se empenhou em nada para se reeleger e ainda ficou elogiando adversários,tá doidinho para fazer parte da panelinha da direita,tem q se abrir espaço para alguém novo,mas e a confiança em alguém!?

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gesiel

tem cara de ex seminarias e age como ex seminarista na augusta

O promotor Delton Dallagnol  tem cara de ex seminarista, e tem agido na lava-jato como um ex seminarista visitando a Rua Augusta, pois está se perdendo ao agir fora do "habituel" de sua formação.

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serralheiro 70

Dalanhol não pariu um rato , somente as pulgas do rato .

E estas pulgas propagam a peste. Jovem bem nascido, criado a Tody, educado em Havard, inexperiente, crente religioso, messiânico, poucos escrupúlos. Modelo perfeito para ser pau mandado dos golpistas . O Brasil segue seu destino acorrentado a tutela do poder econômico ,desde tempos imperiais. Passamos por um surto de democracia no pós 88 que possibilitou a eleição de governo popular com a liderança maior de Lula e seguido de Dilma. O PT no poder foi a senha para a reação do poder econômico. Da aposta inicial de fracasso a curto prazo resultou no reconhecimento do grande lider mundial com seu combate a fome e inclusão de pobres e miseráveis a cidadania nacional. De quebra ainda ousou destruir o complexo de viralatas. Disto resultou como reação destruidora campanha midiática que dura 15 anos. O  golpe sem uma liderança explicita e pouca cordenação entre golpistas recebeu descarado apoio do nosso judiciário no episódio "mensalão" do barbosa/gurgel com aprisionamento da liderança maior do PT vitimando Dirceu e Genoino.Sendo seguidamente derrotados em eleições sucessivas, golpistas que tinham coompometido totalmente nosso judiciário passaram a ações mais contundentes comprometendo empresas , a Petrobras, sinônimo de energia no Brasil, firmas de engenharia e construção de tudo que deu algum desenvolvimento brasileiro, e destruição de qualquer ato de governo através do legislativo de Cunha. Sucesso no golpe, queda de Dilma , empoderamento da quadrilha temer . Chegamos ao caos, sem previsão de resgate visível. Dalanhol nunca pretendeu tanto , só quer ser reconhecido pelo "Power Point do Lula".

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Boa lembrança

 

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O amor é lindo!

500 anos de golpe continuado

Acabar com o PT e com Lula sempre foi um desejo das elites. Na eleição contra Collor as elites jogaram sujo no debate final da rede Globo. Embora o maior medo sempre foi o Brizola.

O que aconteceu neste golpe recente (anos atrás houve outros golpes) foi a cojuntura política que pegou Dilma desprevenida e sem apoio no congresso, onde todos aproveitaram: uns para se livrar da “sangria”, outros para fazer a sua vingança (Aécio), outros para emplacar as tais reformas (que pelo voto popular nunca teriam conseguido), uns para privatizar e voltar a ser colônia dos EUA, alguns para destruir o Mercosul, alguns para privatizar a Petrobras, outros para acabar com Lula e o PT e por aí vai.

Já no mensalão, um bom tempo atrás, perfeitamente os grupos de poder poderiam ter impichado Lula e acabado com o PT completo (como fizeram com Dirceu), mas não o conseguiram por causa do sucesso de Lula no Governo e pelo enorme apoio popular, que se traduziu em apoio parlamentar na época que não seguiu o jogo golpista do momento.

Desejos nunca faltaram. Faltava a oportunidade. Com Dilma foi diferente, tiveram que inventar motivo fútil das pedaladas para aproveitar a falta de apoio parlamentar e popular, que o PIG já tinha corroído com uma campanha impiedosa. Ainda, saíram da base do governo Lula/PT muitos apoiadores evangélicos, extraídos inicialmente pela candidatura Marina e logo capitalizados em favor da direita, ou seja, anti PT.

Não há hoje uma campanha específica, como o demonstra o descompasso entre o próprio PIG (Globo apostando no Joesley e outros meios não) e as ações contra tucanos e outros, por exemplo. Virou uma salada, onde os grupos mais poderosos puxam a sardinha para a sua brasa, aproveitando a oportunidade; uns querendo reformas, outros aparecerem na mídia, outros privatizando e etc.  

O grupo de Curitiba é mais uma frente coxinha, que expressa a sua repulsa aos governos populares mediante persecução jurídica. A dupla Moro e Yousseff já tinha agido conjuntamente no caso Banestado, onde abafaram os crimes tucanos.

Nassif coloca muito bem, em relação aos meninos de Curitiba, a utilização de muitas firulas para defender uma tese. Goethe falava algo assim: Se desconhece a verdade esconde-a com palavras.

 Vivemos um constante estado de golpe, de pressão, de chantagem. Lula conseguiu ganhar em 2002 por conta da carta aos brasileiros, por conta de um VP empresário, da equipe econômica de direita e etc. (há muitos “etc.”) e, ainda, foi “tolerado” e tutelado durante o seu mandato. Lula aceitou, seguiu algum figurino, respeitou a Globo, não fez recuperar a CVRD e outras coisas que poderia ter feito, num pacto explícito com as elites, por sinal, as que mais ganharam com esses esplêndidos governos populares.

Hoje, olhando a situação, não deveria haver mais respeito pelos grupos de poder que mandam no Brasil, pois foram traidores, golpistas, irresponsáveis, covardes e até ingratos com o legado deixado pelo PT. Observando os podres que surgem a cada instante, sabendo quem é o sujeito que quase ganhou de Dilma e que poderia estar governando este país, não pode Haber mais concessões nem armistício. Lula (ou quem Lula indicar) deverá agora levar o povo para o Planalto e radicalizar, em todo sentido. Apontar o caminho, exigir o voto consciente não apenas no Lula, mas também nos deputados e senadores da mesma candidatura, fazendo maioria no congresso.

Irão dizer que vai virar uma Venezuela, quem sabe?

Mas, muitas Venezuelas deixam de ser apenas “uma Venezuela”, mas sim o caminho altaneiro e comum de toda uma América latina, unida, próspera e forte.

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Golpistas amadores? Sim.

Mas foi o suficiente pra dar golpe dentro de golpe dentro de golpe dentro de golpe... e o poço não tem fundo.

Pra que uma direita golpista esperta se a esquerda consegue ser ainda mais primária, impassível e inútil. Isso mesmo: Inútil! A(s) esquerda(s)  estão sendo massacradas pelos golpistas burros e desunidos (sim, eles também são desunidos - a única coisa que têm em comum é o slave-se quem puder) ano após ano, dia após dia. Sem se mexer. Numa subserviência de dar raiva!

E o povo? Ah... mas como o pobre povo brasileiro com sua história de opressão e deseducação proposital poderia reagir se não há um mísero sinal de vida, de ânimo e de exemplo político por parte da esquerda mais trouxa da história da humanidade? A esquerda brasileira, claro.

É isso ai! Tô muito puta! Mais ainda por reconhecer a mediocridade da direita golpista e, apesar disso, (nós brasieliros) estarmos morrendo como moscas e sem a menor perspectiva de sobrevivência à médio prazo. 

Não há vantagem nenhuma em encher a boca pra dizer que os golpistas são burros. Ao contrário, isso nos torna (a esquerda) ainda mais medíocres que eles. Caso contrário não estaríamos fodidos como estamos.

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O macho adulto branco sempre no comando
E o resto ao resto, o sexo é o corte, o sexo
Reconhecer o valor necessário do ato hipócrita
Riscar os índios, nada esperar dos pretos ♪♫

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jossimar

Os golpistas são uns

Os golpistas são uns despreparados, incompetentes, ladrões, bandidos, desunidos, burros e todos os adjetivos denegridores que possam exisitr, mas eles tê a globo do lado deles. E no Brasil, quem tem a globo ao lado tem tudo.

O golpe vai muito bem obrigado. E o Lula vai ser condenado, confiscado e preso.

Será que tem gente que ainda não percebeu que estamos em um estado de exceção? uma ditadura midiático/judicial?

Pare os golpistas valem as regras qe eles inventam na hora para beneficiá-los. As leis e a constituição? Não vem ao caso.

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Ivan de Union

Concordo.  A montanha de

Concordo.  A montanha de Dalagnol parida por um puto...

Pariu um puto.

Novidade nao eh.

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Um puto de um rato. Ele

Um puto de um rato. Ele mesmo.

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Marco A.

Probabilístico e determinístico

Misturaram canalha e convenientemente os modelos.

Na investigação, cabem as probabilidades e os testes de hipóteses. Ainda assim, deve-se ser criterioso ao escolher a hipótese nula. Caso contrário, negligencia-se o culpado e culpa-se o inocente,

Na denúncia e no julgamento, o modelo é determinístico: testemunhos, provas materiais, nexos infalíveis e a sentença findamentada.

O resto é canalhice, seletividade e perseguição a uma liderança popular.

Como se fosse pouco em si, o golpe e a meganhagem tentam conspurcar a epistemologia.

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Moro: o infâme criminoso

O procurador Marcio Sotelo Felippe argumenta e prova:  o criminoso é Moro.

http://www.diariodocentrodomundo.com.br/os-crimes-de-moro-contra-lula/

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Minha eterna TESE: Os golpistas são amadores!

Parece que o Nassif a contragosto aproxima-se da minha tese que lancei a mais de dois anos que o problema de tudo é o amadoriamo dos golpistas e falta de boas orientações do Império, mas vamos lá aos fatos.

Primeiro: Um golpe tem que ter uma cabeça para liderá-lo.

Segundo: Os elementos principais de um golpe devem ser minimamente blindáveis.

Terceiro: Um golpe deve ser rápido e deve na medida de seus contratampos ir se aprofundando, mas na direção correta.

Quarto: Um golpe deve ser tão forte que anule totalmente a oposição.

Quinto e principal: Judiiário não é o mecanismo correto para golpear.

Vamos ao detalhamento.

Primeiro:

Não havia ninguém para coordenar o golpe, Aécio é um incompetente que não tem condições intelectuais para fazê-lo, os representantes da República de Curitiba são uns verdadeiros retardados políticos, os principais elementos políticos que poderiam ser utilizados para chefiar o golpe com as desavenças internas e problemas reais de gestão foram escanteados para o lado, um bom exemplo é Alckmin. Logo o golpe ficou acéfalo e golpes acéfalos não tem condição de estabilizar nada.

Segundo:

Ao escolher Cunha, Aécio e Temer como peças chave para o golpe caíram no crime que termos jurídicos se chama "Culpa in Eligendo", ou seja, ao escolher mal seus prepostos os golpistas em geral "elegeram" como seus prepostos figuras com uma vida pregressa completamente indefensáveis, aliado a incapacidade de passar corretamente no terceiro item, tiveram sérios reveses nas suas hostes que criaram fatos não explicáveis.

Terceiro:

Um golpe deve ser rápido para não dar tempo para a oposição se reagrupar, porém o golpe ainda não concluso, demorou tempo demais e com os problemas surgidos no caminho não foi possível o lançamento de uma fase que seria necessária, o ataque a liberdade de imprensa (pelo menos a internet), o fechamento dos partidos mais progressistas, a repressão geral a oposição (com cadeia por motivos ideológicos). Para o aprofundamento do golpe foi colocado em prática o desmonte de amplos setores industriais brasileiros, porém apesar deste desmonte estar previsto pelos gerentes gerais do Império, ele teria que vir junto com medidas autoritárias que simplesmente barrassem a contestação das oligarquias locais que perdem força.

Quarto:

A intensidade do golpe, não precisa ser a inicial, deve ser forte e progressiva, deve atingir toda a oposição para não permitir que esta se reagrupe, e principalmente, que não comece a aparecer os erros que vão se multiplicando na evolução do mesmo, por exemplo o desmonte da Petrobras não poderia ser assossiado ao aumento do preço dos combustíveis, por independente do discuso empregado pela grande imprensa o que interessa ao proprietário do veículo é quanto ele pagava e quanto ele pagará!

Quinto:

O golpe baseado em ações judiciárias, uma invenção rescente do Império e testado em países menores, se levado independente de uma intervenção militar, carece de força para prosseguir às demais fases subsequentes, o judiciário pode aprovar e capitanear prisões arbitrárias e torturas mais leves contra elementos mais frágeis ideologicamente, como os empresários das construtoras, porém para militantes isto é algo aguentado estoicamente pois eles sabem que com o tempo tudo isto geralmente rui. O judiciário para chegar ao nível de truculência de uma ditadura militar, por exemplo, teria que sofrer uma verdadeira purga.

Há mais fatos correlatos que mostrariam o porque da perda de velocidade e intensidade do golpe, porém escaparia do escopo de um mero comentário (foi excluído, por exemplo, a desmistificação de falsas bandeiras como se vê em alguns comentários deste artigo!)

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os Brasis: esfinge sem enigmas

vc escreveu um interessante comentário (não este de cima), no artigo Nassif: Xadrez de como a montanha de Dallagnol pariu um rato:

Minha eterna TESE: Os golpistas são amadores!

Primeiro: Um golpe tem que ter uma cabeça para liderá-lo.

Segundo: Os elementos principais de um golpe devem ser minimamente blindáveis.

Terceiro: Um golpe deve ser rápido e deve na medida de seus contratampos ir se aprofundando, mas na direção correta.

Quarto: Um golpe deve ser tão forte que anule totalmente a oposição.

Quinto e principal: Judiiário não é o mecanismo correto para golpear.

não apenas concordo, como penso ser um excelente roteiro para se analisar o que ocorre agora, com a dificuldade em se estabilizar o Golpe de 2016. não foi por outro motivo que em 1964 a eleições do ano seguinte foram canceladas, e depois veio o AI-5 em 1968.

e agora? como será?

já não há qualquer legitimidade para Temer e os golpistas. como estabilizarão? pela força? qual força? Bolsonaro?

mas e a economia em depressão? e os saques a supermercado? e a violência urbana explodindo? e o desabastecimento de comida e de energia? e a falta d'água? e os avanço do desequilíbrio climático?

ou seja, como amadores incompetentes conseguirão lidar com tal conjunto de variáveis fora de controle?

este é o assunto, e não ficar defendendo Lula e dando chilique a cada vez que o Lulismo sofre as necessárias e pertinentes críticas...

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Ué, e os marinhos? 

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Os golpistas profissionais não mostram a cara

Excelente análise. Só acrescento algumas coisas:

1) Tudo o que você disse se aplica ao golpe clássico para tomar o poder em uma tacada só (aniquilar oposição, etc). Mas, agora, vendo o desdobrar, acho que os amadores pensaram que estavam fazendo isso, mas acima deles tem os golpistas profissionais, com outro objetivo: primeiro desorganizar, desestabilizar, dividir, para só depois conquistar (isso pode explicar a divisão no consórcio golpista, com Globo atacando Temer, e Temer-Record atacando Globo, entre outras contendas).

2) Os golpistas profissionais (na minha opinião quem mexe as cordas das marionetes) estão em dois grupos e são discretos agindo nas sombras: a geopolítica do Depto. de Estado dos EUA e o mercado financeiro.

3) À geopolítica do Depto. de Estado dos EUA, hoje, interessa mais desorganizar, dividir, para cortar a ascensão do Brasil como potência, sobretudo afastando-o do BRICS e da política externa independente brasileira irradiada na integração sul-americana (e depois latino-americana) e africana. Isso significa dezenas de votos na ONU pró ou contra os EUA. Um golpe militar, por exemplo, poderia levar à ascensão de um militar nacionalista com ambições de potência, inclusive maior ambição de poder bélico.

4) O mercado financeiro é o outro grupo. Para o mercado a desorganização através do golpe torna o mercado brasileiro mais volátil, mas estes riscos viram oportunidades, e são oportunidade de ganhar muito dinheiro fácil quando eles dominam o ciclo do golpe, nomeando o Ministro da Fazenda, o presidente do Bacen e da Petrobras. O golpe então equipara-se aos ataques especulativos dos anos 90 de injeção e fuga de capitais planejadas e especulação contra moedas. Além disso, depois de finalmente quebrarem o país, com o lucro já realizado da especulação financeira compram ativos reais (investimento de longo prazo) na bacia das almas. E o alvo não é só estatais a serem privatizadas, é também empresas privadas em dificuldades dos empresários golpistas amadores (o grande empresariado que depende do consumo das famílias e do conteúdo nacional também pagará o pato amarelo do golpe).

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Rei

Incompetentes, burros, amadores... porém ganham TODAS!!!

Discordo completamente sobre a "competência" dos golpistas... eles até agora foram 100% competentes! Ganharam todas!!!

1-Aécio, Serra, Alckmin e Temer seguem 100% blindados e todos poderiam estar presos! Até a queda de Aécio que não estava prevista parece ter sido revertida sem perda total para o clã Neves!

2-Lula provavelmente será preso mesmo provando sua inocência. Parte da esquerda foi destruída e outra parte parece ter sido cooptada pelo esquema.

3-A opinião pública ainda continua imbecilizada! 

4-Para 2018 tem Bolsonaro guardando os votos para o candidato da direita.. quando chegar a eleição esses votos serão facilmente transferidos para Alckmin ou Dória(ou outro bandido do esquemão)... Bolsonaro provavelmente será ministro da Justiça ou alguma porcaria do tipo. Ele mesmo sabe disso, não tem plano de governo.

5-Quando a economia voltar a crescer teremos um salto de 10% ao ano devido ao vácuo deixado por Temer... qualquer programa de crescimento vai causar um surto devido a profundidade da crise atual. A Argentina e Venezuela tiveram esses mesmos saltos pós-crise... a imprensa vai fazer um carnaval quando isso acontecer!

6-Esse "Xadrez" desmascara muito bem as ações dos golpistas... porém não tem efeito algum sobre eles. O golpe continua desmascarado. A manipulação midiática é mais forte! 

7-Com ou sem Temer, todos na fila do poder pertencem ao mesmo esquemão: PSDB/Globo/PMDB

8-Essa ditadura do Judiciário e a associação com a imprensa é muito difícil de combater e dissolver. Provavelmente serão necessárias décadas de luta para mudar esse perfil... o problema é que não existe vontade política nem populacional para isso.

9- COMO PARAR ESSE XADREZ??? COMO INTERROMPER O CICLO DE DERROTAS??? É NECESSÁRIO ALGUM FATOR PARA INTERROMPER ESSE 7X1!

Os golpistas são realmente básicos em suas ações... mas elas estão funcionando perfeitamente.

 

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CBarros

Eles ganham todas

Ótima análise. Adicionaria que o caso de SP estado mais poderoso do país é muito emblemático: Maluf....Pitta...Kassab....Alkimin....Serra....Dória todos fichas limpíssimas exemplos de democratas . O que esperar dos eleitores que votam nesses caras? Olha que estamos falando por baixo de 25.0000.000 de votos.

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E você fez um belo resumo.

Eles fazem o papel de bobo da corte, mas ganham. O juíz tem tanta certeza que nada vai mudar , com a relação ao Lula, que nem se preocupa com o que escreve. E daí se alguém acha que ele é um desequilibrado ?

 

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Concordo.É bagunçado "por

Concordo.

É bagunçado "por dentro", mas "por fora", do ponto de vista macro está indo tudo conforme o esperado. 

1 - Venda/alienação de ativos/reservas minerais e paralização de investimentos estratégios (geopoliticamente).

2 - Destruição de direitos trabalhistas.

3 - Condenação da principal liderança política dos trabalhadores.

4 - Nenhuma grande liderança da direita inabilitada.

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policarpo

Se os golpistas são amadores

Se os golpistas são amadores o que somos Nós, que não conseguimos reagir a ele?
O mais poderosos e mais oculto titiriteiro do Golpe, o Mercado, vem conseguindo o que sempre quis: impor sua agenda de reformas aos país, indiferente da vontade democrática.
Continuamos esperando o último e definitivo golpe contra a nossa vacilante democracia.

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400 estrelas amarelos para o

400 estrelas amarelos para o Nassif. Esse exemplo do fazendeiro encerra a questão. Pode até usar o mesmo lenga-lenga do "Lula sabia". "O fazendeiro sabia que o invasor ia atirar num invasor se fosse o caso".

Certo, só que existe uma coisa chamada código penal. Senão gostam dele o modifiquem. Elejam-se ou representantes seus para mudar as leis no congresso. A isso chama-se democracia. O que eles em cumplicidade com o pig fazem chama-se estado de exceção.

PS: Ainda bem que voce se corrigiu, Nassif, pensei que no começo do post voce afirmava que o Moro e Dallagnol tinham um grande aparato teórico, um cabedal acadêmico digno de nota. Não é o caso, são de baixo nível. Tem um professor lá de Maringá que demonstra, está no Rovai

http://www.revistaforum.com.br/2017/07/20/superficiais-e-mediocres-profe...

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Juliano Santos

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Pedro Augusto

Loteria

Loteria Moral

 

http://mundovelhomundonovo.blogspot.com.br/2017/07/loteria-moral.html

 

 

    

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Pereira Pinto

  Mas... para a justiça

 

Mas... para a justiça brasileira ... se se faz do quadrado redondo, desde que seja para condenar Lula, está valendo.

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jossimar

"Mas não se levantou prova

"Mas não se levantou prova alguma de que houve contrapartida em contratos, o que caracterizaria a propina. Ou mesmo de que houvesse aumento patrimonial de Lula. Sem as provas, ficam-se nos mimos, sem acréscimo patrimonial, sem enriquecimento ilícito."

Um corretor vendeu minha casa por R$ 1 milhão e cobrou 5% de comissão.

Paguei a ele R$ 50.000,00. A comissão é contrapartida, propina, mimo ou pagamento por serviço prestado? Depende do procurador que analisar o caso? Ela ajudou a aumentar o patrimonio pessoal do corretor, isto é crime?

Um cunhado comprou terreno nas montanhas aqui do ES e construiu uma casa. Dei a ele e sua esposa luminárias, ventiladores de teto, um aspirador de pó e ajudei em algumas tarefas na obra. Vou lá algumas vezes por ano e passo uns dias. O sítio é meu?

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Depende....

Se for parente do Lula ou for do PT, o sítio será seu, caso contrário não.

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Henrique Finco

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CB

E esta gente custa caro pra

E esta gente custa caro pra caramba para o país, fora os prejuízos que causa.

http://www.tijolaco.com.br/blog/a-casta-2/

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Dagoberto de Souza

Sentença ruim

As sentença do Moro é apenas uma peça de "psyop" ("psychological operation"), para que uma revista semanal pudesse estampar em sua capa a pergunta, em letras garrafais:

"Você votaria em um condenado para presidente?"

Dona Marocas, escandalizada, imediatamente responde: "Deus do Céu, claro que não!"

Não é uma peça jurídica...

http://www.military.com/ContentFiles/techtv_update_PSYOPS.htm

 

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jossimar

"Mas cometeram um erro

"Mas cometeram um erro central: apostaram tudo em um cavalo manco, o grupo de bacharéis de Curitiba, procuradores e delegados, e em um juiz sem noção que tocou os inquéritos da Lava Jato."

Não pense que isto foi um erro. A escolha foi feita de propósito.

Você acredita mesmo que alguém que fosse um pouco inteligente e escrupuloso aceitaria o script  que estes bandidos de curitiba estão cumprindo? Alguém independente e com fé no Brasil aceitaria a missão de destruir o país por causa de papo furado de corrupção?

Só um bando de completos idiotas e preconceituosos faria tal coisa. Não por acaso escolheram um juiz tucano corrupto e bandido, um procurador fanático religioso, preconceituoso e limitado cognitivamente para isto.

Eles não erraram, escolheram muito bem. Só não contavam, talvez por ignorância, com a imensa corrupção do Partido dos Salafrários e Delinquentes do Brasil e do Partido dos Marginais e Decrépitos Brasileiro, que dá de dez naquela de que acusam o Partido dos Trabalhadores de modo que ficou impossível esconder.

O fato é que os supostos combatentes da corrupção, moro de dellagnol, levaram ao comando do país a maior quadrilha que já se teve notícia neste país. As delações que estes dois bandidos ignoram estão aí para comprovar.

Como as instâncias superiores não fazem nada para parar com a vergonha, inclusive internacional, a que estes dois ignóbeis submetem o judiciário, suponho que elas também gostem de bandidos.

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Estevo

FRACO

Clareza e simplicidade desmonta o arcabouço do rapaz evangelico fundamentalista. Sem nenhum pre-conceito: o rapaz espana na terceira deitada no divã. O udual sorriso sem graça e triste é o seu enterro.

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Xadrez de como a montanha de Dallagnol pariu um rato

se a Lava Jato & Associados é venal, seletiva, classista, corporativa e partidarizada, como a maior parte do Judiciário brasileiro, aquilo que ela investiga e as revelações que surgem de fato aconteceram, e prosseguem acontecendo.

ou seja: as entranhas do sistema de poder estão expostas, como sempre foram. nada disto foi criado pela Lava Jato & Associados, muito embora ela não seja nenhum instrumento de superação do que expõe, e sim de agravamento.

para grande parte da população Lula é visto, com razão, como participante do sistema de poder exposto. não dá para esquecer Lula ao lado de Sérgio Cabral, Eduardo Paes, Sarney, Maluf, Collor, Renan e do próprio Temer.

ainda assim, boa parte do eleitorado não hesita em reconhecer que já tiveram dias melhores com Lula, portanto nele votariam outra vez.

mas o que o Lulismo propõe? mais do mesmo. mais acordos, mais compromissos, mais Pacto à la Brasil.

do mesmo modo que uma parte do eleitorado apoia Lula, em busca de melhores condições de vida, tanto estes quanto muitos dos demais rechaçam frontalmente os cleptocratas - sendo aqui que muitos vêem Lula como membro da cleptocracia.

sem entender e aceitar isto, nenhuma alternativa se construirá para superar o impasse brasileiro. continuaremos cavando mais fundo neste poço interminável.

e não adianta ficar reclamando do "povo". aliás, nada exemplifica melhor uma típica postura "classe média" do que botar a culpa no "povo".

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Lulismo é bem estar social na perifa. Brasília é apenas...

Os acordos, conchavos, etc em Brasília é apenas o necessário rito de cumprir a institucionalidade para colocar o pobre no orçamento e realizar políticas públicas de bem estar social para os mais pobres.

A própria liderança de Lula é apenas um instrumento destas conquistas. Em outros comentários já dialogamos sobre outras conquistas necessárias para haver mais democracia direta e poder popular. Mas isso não significa que devemos ceder espaços já conquistados, por menor que sejam.

Não entendo a sua dificuldade para entender isso.

Dizer que Lula não deveria governar se não reunisse uma maioria purista e de esquerda no Congresso é ceder espaço conquistado para a direita, da mesma forma que seria pedir às bancadas do Psol (cito o Psol porque ele nunca exerceu o poder executivo federal) que renunciassem ao mandato para não legitimar o funcionamento de um Congresso corrupto. Seria ceder espaço, por pequeno que seja, à direita para massacrar mais ainda os direitos sociais.

Imagine que você faça um concurso público e passe. Junto com você passe no concurso um bando de corruptos que são empossados porque oficialmente tem ficha limpa perante a lei. Você terá de trabalhar com eles. V. pode não entrar nos esquemas deles (quando você é honesto, deixarão você longe das conversas criminosas), mas você sequer poderá acusá-los de alguma coisa se não tiver provas contra eles, por mais que v. suspeite que há algo errado, que fareje que há intenções esquisitas. Se você não é polícia, nem promotor, nem procurador, nem corregedor, você não pode investigá-los por contra própria.

Pois eleições é um concurso cuja banca julgadora é o eleitorado. Se quem passa no concurso é eleito e o judiciário diploma e garante a posse, todos terão de trabalhar institucionalmente uns com os outros.

V. faz o jogo da direita quando culpa Lula por ter de governar com um Congresso 80% de direita e um percentual enorme de corruptos, quando a culpa é do judiciário que sempre exerceu compadrio com as oligarquias políticas corruptas muitas vezes denunciados por próprios petistas no passado. Salvo raríssimas exceções, o judiciário nunca os condenaram nas centenas de escândalos engavetados ou prescritos. De dois em dois anos dão atestado de "ficha limpa" e diplomam como deputados, prefeitos, governadores, vereadores, etc, um grande contingente de corruptos notórios mas ainda com nada consta oficialmente na folha corrida. Essa impunidade do judiciário é que empoderou Cunha, Sarney, Collor. Vire sua pontaria para o judiciário.

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Xadrez de como a montanha de Dallagnol pariu um rato

->Lulismo é bem estar social na perifa.

deve ter sido por isto que a periferia paulistana votou em peso no Haddad? e que as favelas cariocas experimentaram o "bem estar social" Lulista da ocupação militar?

-> Dizer que Lula não deveria governar se não reunisse uma maioria purista e de esquerda no Congresso é ceder espaço conquistado para a direita,

não se trata de negar a via parlamentar, e sim considerá-la como o que de fato é: complementar.

é estarrecedor constatar que pontos consensuais na época da fundação do PT, como a inviabilidade de promover mudanças sociais pela via parlamentar, 37 anos depois voltem a ser colocados em questão. e mais: com uma posição inversa a daquele momento.

isto é prova inequívoca de como o Brasil andou para trás. de como os 13 anos de Lulismo no governo foram tremendamente prejudiciais ao debate político.

compreendam de vez algo que era absolutamente consensual em 1980, e por isto o PT foi criado: a democracia liberal representativa é uma instituição para dificultar a participação popular e bloquear qualquer iniciativa de mudança social efetiva.

->  Essa impunidade do judiciário é que empoderou Cunha, Sarney, Collor. Vire sua pontaria para o judiciário.

mas não foram 13 Ministros indicados para o STF nos 13 anos de Lulismo? e ainda agora dos 11 permanecem 7 indicados por Lula/Dilma.

e quanto a democratização do Judiciário? em 13 anos quantas vezes o Lulismo colocou concretamente a questão? nenhuma.

-> Não entendo a sua dificuldade para entender isso.

mas eu entendo a sua dificuldade em entender que o golpe é consequência direta, e muitas vezes anunciada, da conciliação de classes do Lulismo com uma plutocracia colonial e escravocrata. assim como compreendo a dificuldade dos "trouxinhas" em aceitar que foram enganados pelo impeachment.

ambos são vítimas da auto ilusão. negar uma realidade incômoda sempre parece ser mais fácil do que tentar transformá-la. só que quando as consequências da auto ilusão e da negação se impõe, chegamos ao estado atual: Lula condenado e o Lulismo apostando tudo numa absolvição na 2a instância.

quanto mais levam porrada da realidade, mais insistem em ter mais do mesmo.

bem mais cedo do que mais tarde, todos terão que aceitar uma terrível constatação: Lula e o Lulismo são o grande entrave no caminho da Esquerda brasileira.

p.s.:

->Pois eleições é um concurso cuja banca julgadora é o eleitorado. Se quem passa no concurso é eleito e o judiciário diploma e garante a posse, todos terão de trabalhar institucionalmente uns com os outros.

leia de novo e pense bem no que você escreveu acima.

o exemplo não se aplica nem remotamente. só prá começar o "concurso" (a eleição) é uma fraude.

apenas 36 dos 513 Deputados Federais foram eleitos por votos próprios, os demais se beneficiaram do quociente partidário. além disto, a maioria deles foi eleito pelo financiamento empresarial de campanha. não existe a menor legitimidade popular em seus mandatos, daí não terem compromisso com o eleitor e sim com quem financia suas campanhas.

do mesmo modo o Judiciário é uma instância de exercício de poder do setor dominante. o fato de ter diplomado diversos parlamentares não os legitima, muito pelo contrário.

não é difícil de entender, mas pode até ser difícil de aceitar: não se muda uma sociedade somente através da via institucional. é preciso criar poder popular.

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Doria ganhou na periferia

Doria ganhou na periferia paulistana justamente por que ele fez o discurso (enganoso) de que era melhor "gestor" inclusive para o bem estar na periferia do que Haddad. Outros fatores ajudaram. Haddad não tinha mídia nenhuma a seu favor: todos os noticiários locais eram contra ele. Logo suas realizações ou eram escondidas ou criticadas.

Mesmo assim, Haddad não tinha e não tem rejeição na periferia, mas enfrentou a reeleição em um momento de crise econômica e desemprego alto que afeta muito a periferia. Em tempo de crise a frustação de expectativas fala mais alto. Mesmo que o prefeito não seja o principal agente para geração de empregos, o eleitor resolveu experimentar se um empresário como Dória na prefeitura teria a capacidade de gerar emprego para ele ou para seus familiares. Foi o voto do desespero. Tem semelhança com o voto de trabalhadores dos EUA em Trump pela promessa de protecionismo nos empregos e do trabalhador inglês no Brexit.

-x-x-x

Quando eu disse que para o lulismo, todo o aparato institucional de Brasília é meio de conquistar o bem estar social na periferia, não é fim, é óbvio que as relações com a centro-direita parlamentar é um atalho de conjuntura, não é objetivo. Lula na presidência, por si só já representou participação popular porque seu programa de governo foi construído com participação popular e ele atendeu boa parte das demandas populares represadas há décadas. Por isso o lulismo ganhou 3 eleições seguintes.

Já disse que houve tentativas de aprofundar a participação popular através das conferências nacionais, mas aí esbarrou no Congresso conservador que não dava consequencia às resoluções progressistas das conferências.

Qual a solução?

Politicamente, o lulismo visou e visa empoderar a população diretamente, com pobres e negros "ocupando" (ingressando) universidades, ocupando os meios de produção (agricultura familiar, microempresas, cooperativas, acesso à crédito e a mercados, participação nos lucros das empresas, trabalhadores com poder de negociação com patrões, etc), e ingresso na política, tanto via movimentos sociais como na política partidária.

O pressuposto é que desse empoderamento surge novas lideranças políticas entre a juventude e na periferia que ocupará a política. O golpe foi em parte visando interromper esse ciclo, mas acho que nesse ponto não terá êxito. Com Lula retornando ou não, surgirão milhares de lulas, com suas variações (inclusive aqueles críticos à pessoa do Lula), para ocupar a política, inclusive com outros métodos de democracia direta.

-x-x-x

A eleição é um concurso, só que com regras criadas pelo parlamento conservador para a elite ganhar. Quando começa a perder sempre dá golpe. Por isso é uma conquista de espaço quando o lulismo conquista o executivo, quando os partidos de esquerda (mesmo de oposição a Lula) ganham cadeiras no legislativo. Mesmo que tenham de conviver com estruturas carcomidas, corre por fora com o empoderamento da população.  

Quando o povo empoderado exercer seus poderes diretamente o ciclo transformador do lulismo se completa. Pode começar a acontecer amanhã, depois, em 2018 ou mais pra frente. Mas vai acontecer.

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Xadrez de como a montanha de Dallagnol pariu um rato

Blog do Nassif, em 17/09/2008:

“Dilma explicaA Ministra-Chefe da Casa Civil Dilma Rousseff entra em contato. Explica que não tem por hábito responder a insinuações ou acusações. Mas, por respeito ao Blog, esclarece que não existe possibilidade de acordo para abafar a Satiagraha. Segundo ela, é mais fácil nascer dente em galinha do que um acordo, ainda mais como o que foi narrado. Sobre o tema, mais não foi dito. Inclusive porque, hoje em dia, os telefones têm ouvidos.”

não sou do tipo de pessoa que num diálogo age para "vencer a discussão" e demonstrar como o interlocutor está errado. qualquer diálogo deve servir para demarcar posições e promover sínteses, quando possível. neste sentido, sempre é necessário rever posições anteriores para analisá-las sob o desdobramento dos fatos.

vejamos o que disse Neo-tupi sobre o Pacto à la Brasil promovida pelo Lulismo para abafar a Satiagraha, com a punição de Protógenes e Paulo Lacerda para permitir que Dantas e a cleptocracia desse seguimento a suas "carreiras elogiáveis":

Neo-tupi, 19/07/2008:

"E se o Lula, escaldado com o mensalão, estiver figindo retranca para chamar o PIG para o ataque, depois que o PIG vem com tudo, coloca o assunto em pauta, ele solta a reviravolta, que está escondida? Na função que exerce o Paulo Lacerda não pode ter segredos para Lula, se o Protógenes não contou ao Paulo Lacerda tudo, ou ele agiu autonomamente ou traiu o próprio Lacerda. Se contou tudo ao Lacerda, o Lula estava sabendo, e esse jogo está meio combinado."

Neo-tupi, 16/09/2008:

"Se Lula e Dilma fizessem tal acordo com a Editoria Abril, ficariam na mão da editora. Seria mais um dossiê na gaveta para ser usado quando quisesse, até 2010. Por isso não faz sentido, jamais desta forma. Lula resistiu ao mensalão sem acordo, porque faria algo do gênero agora?
Os passos da PF estão sendo acompanhados pelo MP, por isso acho que esse jogo é perigoso demais para Lula e Dilma caírem nessa.
Parte da narração é possível. Lula afastou Palocci a contragosto, por tornar-se foco permanente de crise política. É factível ter que fazer o mesmo com Paulo Lacerda.
A oposição já está combalida, se a Satiagraha chega às últimas consequências rápido demais será o fim de 2 partidos: PSDB e DEM, e o fim de várias lideranças. Principalmente se Dantas não tiver nada a perder e abrir a boca.
Pode interessar politicamente ao governo fazer acenos à oposição para aplacar sua ira sem necessariamente fazer acordos, e por isso sem ter o que cumprir."

infelizmente o desdobramento dos fatos não endossou as suposições de Neo-tupi. E a supressão da Satiagraha gerou a Lava Jato.

poderia citar aqui também muitas outras análises de Neo-tupi também desmentidas pelos acontecimentos posteriores. mas isto não importa tanto, pois seria apenas cair na armadilha de desqualificar o interlocutor.

e se agora o faço, não é para tanto, e sim para dolorosamente constatar que apesar todo o sofrimento que estamos passando, nada mudou! as pessoas estão fechadas em suas estreitas convicções. não lhe basta o atual sofrimento, querem ainda mais. só assim romperão suas couraças...

lamento, do fundo do meu coração.

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Ilusões e realidade

arkx

Lula teria que dialogar com todos os políticos que você citou e muitos outros. Ocorre que todos esses políticos foram eleitos pelo povo, democraticamente. E têm o poder político correspondente que pode até cassar uma Presidente eleita com quase 55 milhões de votos.

O povo tem que saber escolher não apenas o Presidente, mas também os deputados e senadores. Esses mesmos que rasgam a Constituição, eliminam os Direitos Trabalhistas, inviabilizam a Previdência, etc...

A esquerda nunca teve mais de 20% do parlamento. É ou não é um fato ?

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Xadrez de como a montanha de Dallagnol pariu um rato

-> A esquerda nunca teve mais de 20% do parlamento. É ou não é um fato ?

é estarrecedor constatar que pontos consensuais na época da fundação do PT, como a inviabilidade de promover mudanças sociais pela via parlamentar, 37 anos depois voltem a ser colocados em questão. e mais: com uma posição inversa a daquele momento. isto é prova inequívoca de como o Brasil andou para trás. de como os 13 anos de Lulismo no governo foram tremendamente prejudiciais ao debate político.

compreendam de vez algo que era absolutamente consensual em 1980, e por isto o PT foi criado: a democracia liberal representativa é uma instituição para dificultar a participação popular e bloquear qualquer iniciativa de mudança social efetiva.

->Ocorre que todos esses políticos foram eleitos pelo povo, democraticamente. 

apenas 36 dos 513 Deputados Federais foram eleitos por votos próprios, os demais se beneficiaram do quociente partidário. além disto, a maioria deles foi eleita pelo financiamento empresarial de campanha. nem foram eleitos pelo "povo" tampouco "democraticamente".

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j.marcelo

Nassif, penso q o problema é

Nassif, penso q o problema é moral e ético,este país é "prostituído"com certeza,quando muitos juízes, procuradores e o judiciário em geral viram empresários, tendem ainda mais a tomar decisões q beneficiam a "sua classe", vejo isso na perseguição a Lula e seus companheiros de partido q são os "representantes máximos dos trabalhadores,olha isto é sério e realmente está acontecendo,pq praticamente acabaram com a justiça do trabalho?
Obs:Torço para q Lula fique frente a frente com seus inquisitores e lhes dê a correção moral de que precisam,são todos moleques irresponsáveis e inclusive a todos q aplicaram este GOLPE EMPRESARIAL!!!
Obs2:Toda semelhança com à época da escravidão não é mera coincidência é puro interesse financeiro mesmo, instituições COMPRADAS ao custo do "suor negro"atual,leis só existem para os "brancos"(tucanos e amigos)
Obs3:Estado de exceção já confirmado, através de decisão de certo ministro do STF q elogiara um corrupto pego na prática,aqui uns podem tudo (senhores da senzala chicoteando)e outros nada podem(negros q trabalham de sol a sol!)
Obs4:GOLPISTAS EMPRESARIAIS vão quebrar a cara, depressão já tá aí e o povo não terá dinheiro para tirá-los da lama,muitos irão falir até o fim do ano(DEUS QUEIRA Q EU ESTEJA ERRADO)
OBS5:VIVA AOS BLOGS ABOLICIONISTAS(muitos sexagenários e com vitalidade de 18 q levam uma nação de milhões nas costas, obrigado!)

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Orlando Pagnussatti

A Lavajato e os ratos jurídicos

Fica claro, nos procedimentos adotados,a quebra da observância das normas legais.

Fatores visíveis a olho nu - eis que eivados das características de parcialidade, direcionamento e seletividade - num real estado de exceção.

Agregados, ainda, a "criação" de uma jurisprudência plagiada daquele monarca déspota da antiguidade, que em sua "humildade" - nao admitindo contrariedades - encerrava o assunto com o argumento "o rei sou eu": a "nova" jurisprudência do "não vem ao caso".

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incompetência

Dalanhol: "haveria dificuldade para identificar as provas."

Quanto ganha esse funcionário público que alega dificuldade para produzir as suas (alegadas) provas ?

Se ele reconhece que as provas existem mas não realiza o seu trabalho, deveria ser sumariamente demitido, por incompetente que reconhece que é. Nem a falta de meios e apoio pode alegar em sua  defesa, visto a contribuição e cumplicidade do juiz promotor, do MPF e do luxuoso apoio da globobo e da CIA. 

Qual é o tamanho do prejuizo causado ao pais pelos incompetentes de Curitiba? Enorme e é fato, não convicção!

Rua com eles!

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