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O dia em que Ron Carter incluiu Rosa Passos na seleção das suas 10 maiores gravações

Durante bom período, anos 90 até meados dos 2.000, me vangloriava de ter sido o primeiro jornalista a chamar a atenção para os novos craques que surgiam, de Renato Braz a Fabiana Cozza, Yamandu, Alessandro Penezzi.

Mas, admito, perdi duas enormes oportunidades: o reconhecimento de Rosa Passos (o primeiro a falar dela foi o Ruy Castro) e do Guinga (mérito do Mauro Dias).

Aqui, um exemplo da razào de Rosa Passos ser das maiores. Alguém já a chamou de João Gilberto de saias. João tem méritos históricos, a consolidaçào da batida da bossa, criada por Garoto e Johnny Alf, e a síntese histórica da MPB.

Mas, cantor por cantora, Rosa Passos é um passo além. O que faz com a pequena voz, o uso de timbres sutilíssimos, o balanço, consegue se diferenciar do mestre maior. João usava basicamente o mesmo timbre, fazendo a diferenciação no balanço e nas maneiras de usar a boca.

Já os timbres de Rosa saem do fundo da garganta, como gotículas de ouro ornamentando a interpretação. E um senso de balanço à altira de João.

Confiram o que ela faz com "Só danço o samba".

https://goo.gl/4UgDN2

Um dos mitos do jazz, o baixista Ron Carter gravou mais de 2.200 faixas.

Em Festival de Jazz de Detroit, foi pedido a Carter que listasse suas dez faixas preferidas. A dica é do grande guitarrista nova-iorquino Paulo Ricci, que nos honrou em um sarau aqui em casa.

A lista:

1.     Wes Montgomery, "So Much Guitar" (Riverside). 4 de agosto de 1961.

2.     Miles Davis, "Sete Passos para o Céu" (Columbia). Gravado de 16 a 17 de abril, 14 de maio de 1963.

3.     Eddie Harris, "The In Sound" (Atlântico). 9 e 30 de agosto de 1965 

4.     Roberta Flack, "First Take" (Atlântico). 24 a 26 de fevereiro de 1969

5.     Antonio Carlos Jobim, "Stone Flower" (CTI). Março-maio ​​de 1970

6.     Ron Carter, "All Alone" (Emarcy). 29 de março de 1988

7.     Ron Carter Nonet, "Eight Plus" (Dreyfus). 9 e 11 de abril de 1990 

8.     Rosa Passos e Ron Carter, "Entre Amigos (Chesky). 2003

9.     Ron Carter, "Concerto Brandenburg" (Toshiba EMI / Blue Note). 27 de dezembro de 1995

 

 

 

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A primeira Rosa Passos não se esquece

Rosa Passos iria se apresentar no Memorial da América Latina, em set/2007. Havia acabado de voltar já aposentado de mais um exílio do Brasil Profundo, a Amazônia. Comprei o ingresso pela internet, no sábado peguei um Cometa, desci na rodoviária Tietê, metro Barrafunda. Rosa Passos e Jazz Sinfônica, regência mestro Galindo. Saí em êxtase, corri de volta para a rodoviária para pegar o último Cometa para Campinas, às 00h30. Cheguei em casa, peguei o carro e fui procurar algum lugar aberto para beber, era impossível ir dormir, pilhado demais. Achei uma padaria-chique 24 horas. 7 da manhã fui dormir. 

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Tinhorão, Rosa Passos e daquilo que se perdeu

1) Agosto/2013 - O irascível, ranzinza, legendário e adorável ranheta José Ramos Tinhorão marca ponto todo sábado no Bar do Raí, boteco pé-sujo na esquina da Dr. Vila Nova com Gal. Jardim, gloriosa Vila Buarque. Ali, monta seu escritório entre 15 e 18 horas aproximadamente, a depender das companhias e se houver samba, onde recebe jornalistas, músicos, historiadores/pesquisadores, curiosos em geral, e sobretudo os amigos da Vila. Privar da sua companhia e ouvir suas histórias são uma boa pedida. Não adianta querer confrontá-lo ou querer achar alguma incoerência/contradição do passado, Tinhorão guarda uma coerência de pensamento granítica, perpétua, cita data e onde foi publicado tudo o que escreveu.   

Levanto da mesa do boteco quase 18 horas e aviso que vou embora. Ele: "Já? É cedo." Digo que preciso ir embora pois ainda vou a um show no Sesc Pinheiros. Ele nem esboça curiosidade de saber quem é. Provocativamente, como quem não quer nada, mas olhando de rabo de olho, complemento: "É da Rosa Passos". Ele retruca, com enorme boa vontade: "Sei, aquela baiana". Exagerando na provocação, de propósito, arremato para o ultrainimigo da bossanova: "Isso, dizem que ela é a João Gilberto de saias" . Tinhorão nem pisca e diz na lata: "Grande merda". Prevendo que ainda tinha espaço para a derradeira provocação, digo em tom exaltado: "Mas, Tinhorão, o show é Rosa Passos canta Djavan!!!!" E ele fecha a conversa: "Piorou!!!""Brigar com o Tinhorão? Jamais. Vamos fazer uma big festa nos seus 90 anos em fev/2018.

2) Daquilo que se perdeu - A modernidade (quando alguém diz isso é porque já passou dos 60) acabou com as lojas de disco e seus proprietários, não os meros comerciantes, mas aqueles que com duas ou 3 perguntas, identificavam o cliente. Quando ele enfiava um disco/CD na sua mão, podia levar sem erro. Em nov/95, após muitos anos socado em vários lugares do Brasil profundo, fui morar em Campinas, bem no centro.Na volta do trabalho, parava na loja de discos do amigo recente, na rua José Paulino, uma quadra do meu apto, ficava lá até fechar, por volta das 20h30, em seguida descíamos apenas 20 metros até o bar do Tom. Caíamos lá por força da gravidade, Tom era músico, a certa hora sacava uma caixa cheia de gaitas e o blues rolava até fechar. Um dia, logo no princípio, ele enfiou na minha mão um CD da Rosa Passos, com a recomendação de que iria gostar. No dia seguinte, passei na loja e comprei mais dois CDs, o que havia.

Perdemos os maravilhosos donos de lojas de discos, que nos recomendavam Rosa Passos

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joel lima

Tinhorão é um dos maiores

Tinhorão é um dos maiores pesquisadores de música brasileira. Mas, como o médico Simão Bacamarte, do conto o Alienista, que considerava todo mundo louco, Tinhorão sempre quer provar, da parte de seus desafetos, que tudo que eles fizeram é plágio. Sem dúvida, Tom Jobim foi o alvo preferido de Tinhorão. Mas a prova dos nove de que isso é mesmo uma obscessão doentia dele é quando ele diz, numa entrevista, que, infelizmente, ele tinha descoberto que a melodia  as Rosas não falam, de Cartola, era cópia da melodia da música de jazz La Rosita, de Coleman Hawks e Ben Wester. Antes de fazer uma afirmação desta, Tinhorão tinha que pesquisar se era possível Cartola ter ouvido essa música; se ela era de fácil acesso, seja por LP ou rádio na época em que o mestre estava vivo.Mas aí dá trabalho e é mais fácil falar algo sem prova cabal, e assim fingir que sua crítica é isenta de picuinhas pessoais, e, mais grave, com o acusado não estando entre nós pra se defender.  Acho que o desejo de Tinhorão era provar que todas as músicas eram plágios de uma música primeira - provavelmente vinda da explosão do Big Band, quer dizer, Big Bang rss

 

 

 

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"É plágio"

Em 2000, a Veja fez uma longa matéria com Tinhorão, coisa de 4 a 5 páginas, onde o Legendário (título da biografia do Tinhorão) desancava, mais uma vez, Tom Jobim, de plagiador a não-brasileiro, um horror. A matéria repercutiu de tal maneira, que a produção do Roda Viva chamou o ranheta para um programa. Pouco depois, na PUC Campinas, onde estudava, a professora pediu um trabalhinho qualquer, onde o aluno deveria fazer uma crítica de um artigo de livre escolha. Escolhi essa matéria da Veja, e mais, liguei para a TV Cultura e comprei a cópia do programa Roda Viva, em fita VHS. Revi o programa 2 vezes, anotando tudo. Daí, foram 5 laudas de cacete pra cima do Tinhorão. Lembro-me que escrevi mais ou menos o seguinte, que se fosse descoberta uma civilização remota, perdida, que habitasse as profundezas da Terra, e que não tivesse tido nenhum contato com qualquer outra civilização nos últimos 5 mil anos, e que se essa civilização perdida tivesse uma música, e fossem mostrá-la ao Tinhorão, ele ouviria e daria o veredicto: " tem influência alienígena, é plágio". A sua teoria do Big Bang é muito mais esclarecedora e complementar. Tinhorão é um personagem que o José Ramos criou, personagem que vive de picuinhas. 

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É uma pena, Fernando, que o

É uma pena, Fernando, que o personagem Tinhorão jogue nas sombras o grande pesquisador de música que é o José Ramos. E este estilo não se limita a Tinhorão. Vejo muito isso em Suassuna e sua defesa de valores puros, nacionais, que beira a xenofobia. Uma vez vi um trecho em que ele falava uma bobagem = a de que o inglês é uma língua pobre em relação ao português. Se eu tivesse na plateia,naquele dia, não resistiria e perguntaria a Suassuna = então me explica como de uma língua tão pobre sai uma peça como Hamlet, do Shakespeare, e um romance como O Som e a Fúria, do Faulkner, e de uma língua tão rica como a portuguesa saí a peça O Auto da Compadecida e o romance A Pedra do Reino. 

Claro que eu não escutaria a resposta pois antes o auditório me lincharia rsss. 

Por isso cada vez mais respeito uma figura que nos deixou a pouco, que é Antonio Candido, que nunca caiu na tentação de se transformar em um personagem. 

 

 

 

 

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Adoro Rosa Passos, mas pra

Adoro Rosa Passos, mas pra mim João Gilberto está um degrau acima. É como no futebol - Messi é um supercraque, mas Pelé tem aquela centelha que cruza aquela linha que distingue o excelente do gênio. E quando João canta Caimmy, aí é covardia - é tabelinha Pelé-Coutinho. Ouço vezes e vezes seguidos João cantando acontece que sou baiano. E duas músicas de João que também me tocam é Eu vim da Bahia, de Gil, e águas de Março, de Jobim. 

 

 

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Rosas Passos

Descobri por acaso faz tempo.

E descobrir Rosa Passos é um merecimento.

Por quê fazer sucesso no Brasil se ela tem o mundo?

Ela é boa demais pra nós.

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O amor é lindo!

Rosa Passos!!!

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lucianohortencio

É lastimavel que uma artista

É lastimavel que uma artista como Rosa Passos, uma das maiores do mundo, seja praticamente desconhecida em seu proprio pais.

Mais inacreditavel ainda que tal absurdo não tenha sido corrigido nos 13 anos do governo petista.

O Brasil, nesse periodo, ficou aplicando seus recursos para a cultura, atraves da lei Rouanet, em shows de Ivete Sangalo ou Telo.

Dilma e Lula fizeram muito pelo Brasil, mas em relação a cultura pisaram na bola.

E não é so a Rosa Passos que não é respeitada e escutada entre nos, tem outros, Eliane Elias, Tania Maria, Flora Purim e uma centena de exilados por falta de palco, enquanto cultuamos o Leãozinho do Caetano..

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Marco A.

Vanglória

É isso mesmo: vanglória. Esse orgulho provinciano de ter "descoberto" algum artista.

Nada mais provinciano, retrógrado, egocêntrico.

Menos, meu caro, menos...

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*

Yo-Yo Ma que o diga

 

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Quanto mais eu ouço mais eu

Quanto mais eu ouço mais eu quero ouvir.

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Jorge Vieira

Vamos combinar, isso é melhor

Vamos combinar, isso é melhor que coca.

Vamos combinar também, os caras que a acompanham são sensacionais.

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Jorge Vieira

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