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O efeito Lincoln-Seward e o destino Hillary-Sanders, por Daniel Afonso da Silva

O efeito Lincoln-Seward e o destino Hillary-Sanders

por Daniel Afonso da Silva

Em Hard choices (New York: Simom & Schuster, 2014), Hillary Rodham Clinton expõe os feitos de sua gestão à frente dos negócios exteriores dos Estados Unidos da América de 2009 a 2013. Esse relato de mais de 950 páginas distribuídas em 25 capítulos organizados em seis partes é de leitura fluida e agradável e permite a imersão nos mais variados dossiês da presença norte-americana no mundo sob a gestão do presidente Barack Obama. Ele discorre sobre as relações bilaterais às multilaterais e transnacionais; do combate ao terrorismo aos desafios da diplomacia na era digital; dos contatos políticos de importância aos contatos pessoais imprescindíveis.

O tópico frasal – hard choises – traduz a integralidade das ações de Hillary Rodham Clinton. Ex-primeira-dama dos Estados Unidos e senadora democrata pelo estado de Nova Iorque, ela disputou as primárias do partido em 2008 com o futuro presidente Barack Obama. Perdeu. Reconheceu a derrota. E ingressou na campanha para eleger um sucessor democrata ao presidente George W. Bush.

As primárias haviam sido duras e altamente agressivas. Fora necessário um grande esforço para convencer seus eleitores a apoiar Barack Obama. Com a vitória deste e o início da composição do governo, o nome de Hillary Rodham Clinton começou a ser aventado para o departamento de estado. Após intensa negociação com o presidente eleito, a senadora acabou por aceitar o convite.

Essa parceria lembraria a relação do presidente Abraham Lincoln (1809-1865) e seu secretário de estado William Henry Seward (1801-1872). Como Hillary Rodham Clinton, William Henry Seward havia disputado violentamente as primárias do partido com o futuro presidente dos Estados Unidos. Mas, ao ser convocado para o departamento de estado, não relutaria em ser um dos membros mais fiéis e proativos do governo.

Contrário às aparências, o cargo de secretário de estado corresponde a uma função eminentemente política. O seu detentor representa o quarto personagem com maior poder no governo. Assim, a escolha de Hillary Rodham Clinton não fora ao acaso. Nesse gesto, o presidente Barack Obama promovia a unidade interna do partido e ampliava sua margem de manobra no Congresso.

Nas primárias do partido democrata de 2016, Hillary Rodham Clinton figura novamente. Mas agora em disputa acirrada com o senador Bernie Sanders. O resultado dessa disputa, independente do vencedor, vai impor cooperação entre Hillary e Sanders, tenores do partido. E caso os democratas tenham sucesso nas eleições presidenciais, essa cooperação Hillary-Sanders tem imensas chances de atualizar o efeito Lincoln-Seward. Resta saber se o “perdedor”, Hillary ou Sanders, estará disposto a encarnar o departamento de estado.

Daniel Afonso da Silva é pesquisador no Ceri-Sciences Po de Paris.

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10 comentários

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Um Visitante

O tal de Sanders é um Obama

O tal de Sanders é um Obama 2.0. Me surpreende que as pessoas ainda caiam nessa esparrela.

O sistema lá é de partido único dividido entre dois partidos fantasia, e a filtragem dos elegíveis se dá através da grana. Nunca, JAMAIS sairá qualquer alternativa viável ao estabilishment nesse contexto.

E o último que tentou se rebelar e ameaçar desmantelar o aparato militarista imperial teve a cabeça explodida em público.

Ou seja, continuamos com a programação normal: possível confronto entre EUA e Rússia + China pelo controle do Oriente Médio. Os russos demonstram ter consciência disso e estão preparados para a Guerra - os americanos são notórios covardes e isso os torna mais perigosos...

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J

Petista

Bernard "Bernie" Sanders poderia perfeitamente ser um político do Partido dos Trabalhadores. E reparem que metade do Partido Democrata o apoia, pelo menos até aqui. Isso mostra que a esquerda é vivíssima no Democratic Party, assim como na sociedade americana.

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J

Bernie

"Sanders nasceu e foi criado na cidade de Nova Iorque. Ele se graduou na Universidade de Chicago em 1964. Na universidade, se filiou à Liga Socialista dos Jovens e organizou protestos a favor do movimento dos direitos civis para o Congresso da Igualdade Racial e para o Comitê Coordenador Estudantil Não-Violento". Fonte: Wikipédia

" As políticas defendidas pelo senador são similares às dos partidos socialdemocratas europeus, em especial aquelas implementadas nos países nórdicos.[14] Sanders é uma das principais vozes do progressismo estadunidense no que diz respeito a desigualdade de renda,[15] sistema universal de saúde, licença-maternidadeaquecimento global,[16] direitos LGBT e reforma eleitoral.[17] Sanders é um crítico de longa data da política externa dos Estados Unidos e um dos primeiros opositores da Guerra do Iraque. Também defende os direitos civis de minorias e as liberdades civis, sendo crítico da discriminação racial no poder judiciário,[18] e de políticas de espionagem como o Patriot Act[19] e os programas de vigilância da NSA.". Fonte: Wikipédia.

 

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Nassif Taí o motivo da

Nassif

Taí o motivo da pessima gestão democrata!!!

Sanders esta vindo para inovar a politica, "apesar de seus 74 anos"

Não acredito!!!

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Mário Mendonça

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Marcos K

Se metade do que Chomsky

Se metade do que Chomsky falou sobre Hillary for verdade (e não há motivos para duvidar de Chomsky), então um futuro governo dessa senhora vai ser comandado por Wall Street onde a coisa será mais ou menos assim: os 1% vão ficar ainda mais riquíssimos e 99% vai se lascar ainda mais. E desses 99% pelo menos 1/3 vai ficar muito preocupada, 1/3 apavorada e 1/3 desesperada, só pensando em suicídio. E todos vamos continuar convivendo com guerras e grande instabilidade, isso se não estourar uma guerra de proporções inimagináveis. Pelo que andei pesquisando parece que os russos pensam a mesma coisa... Então...

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Andre B

para governar Sanders precisa anular os Cliton.

 

Obama precisou de Hillary por o partido democrata se tornou um feudo dos Clintons; se obviamente ele não poderia governar, sem os Cliton não teria o partido democrata. Sanders tem o apoio da maioria dos jovens, inclusive mulheres jovens que não caem na conversa de que deveriam votar em Hillary para ter uma mulher na presidencia - aliás, Hillary parece pouco se importar com questõe de gênero, dado seu histórico. Hillary é comprometida até o último osso do dedo mindinho com os tubarões de Wall Street; é do grupo dos 'falcões' do partido democrata; é suspeita de várias ilegalidades.Da mesma forma que os Bush faz parte de uma dinastia da politica oligarquica dos EUA os Cliton que tem amor somente pelo poder. Os Cliton destruiram a esquerda do partido democrata e Sanders pode ressucitá-la, causar uma revolução no partido democrata. Sanders não precisa dos Cliton para governar, precisa destrui-los politicamente para governar. Senão será mais um Obama: muitas promessas, muita retórica e nenhuma ação efetiva.

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Clap, clap, clap, clap, clap!!!

Tendo a concordar com sua visao.

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ML

O currículo da Hillary é

O currículo da Hillary é pavoroso. E sua eleição pode resultar numa tragédia. Leiam

https://www.rt.com/news/332022-assange-clinton-vote-war/

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Nenhum dos 2 pode aceitar isso

Hillary porque a grande vantagem dela contra Trump é instalar medo dos radicalismos, tanto de Trump como de Sanders. E a águia Hillary jamais escolheria Sanders para o Departamento de Estado. Já Sanders, se se aliar a Hillary, perderá toda a sua credibilidade como alguém de fora do esquemao. Para ele, se perder, é melhor ficar na oposiçao.

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Eh um pouco diferente. Caso

Eh um pouco diferente.

Caso Hillary ganhe, Sanders ira apoia-la. Ate porque se nao o fizer, o risco de que um Trump da vida ganhe sera muito grande, o que representara um pesadelo para os EUA e para o mundo. Portanto, nao se iluda. Caso Hillary ganhe, Sanders lhe dara apoio total e provavelmente tera a vice-presidencia em troca, o que acredito ser muito justo.

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DeBarros

Pode ser, Daniel, mas fará pouca diferença a vice-presidência

Se Hillary for a presidente, belicista como ela é, ele nao terá poder real nenhum. E, na verdade, creio que o apoio dele pode até prejudicar a Hillary, porque "é comunista" (nao é, eu sei, mas para um americano médio...). Sabe, talvez, do ponto de vista da política externa, até Trump pode ser melhor que Hillary. Mas coitados dos latinos e outros migrantes.

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Só que não...

O problema é que Sanders não é dos Democratas. Ele está nos Democratas. Parece ser um cara totalmente independente. Se ele passar, deve mandar a Hillary passear sem remorsos. Já se a Hillary passar, nem vai mais se lembrar que Sanders existe.

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