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O FMI precisa de mais Lagarde, por Ian Bremmer

Jornal GGN - A diretora-geral do FMI (Fundo Monetário Internacional), Christine Lagarde, sinalizou que está disposta a cumprir mais um mandato de cinco anos como principal dirigente da entidade, e ela deve conseguir isso, na visão de Ian Bremmer, presidente da consultoria de riscos políticos Eurasia Group.

"Quando Lagarde assumiu o comando em 2011, ela herdou uma instituição em crise. A crise financeira global de 2008 e suas réplicas globais levaram credores desacreditados (...) A liderança de Lagarde tem ajudado a restaurar a reputação do fundo", diz o executivo, em artigo publicado no site Project Syndicate.

Além das qualidades pessoais, Ian diz que os funcionários do fundo com quem ela se encontrou dizem que ela é "tanto uma contadora de verdades difíceis como uma ouvinte sensível, qualidades importantes para o líder de uma instituição que deve negociar, ao invés de ditar, os termos de um acordo".

O articulista disse que os europeus não receberam muito bem as propostas de Lagarde sobre a reestruturação de seus bancos ou sobre a necessidade de se construir um firewall contra o contágio financeiro - mas isso foi feito. Da mesma maneira, a executiva tomou decisões difíceis sobre o apoio fornecido pelo FMI aos países, como Grécia, Paquistão e Ucrânia, que são "cruciais para a estabilidade global".

Além disso, Bremmer diz que Lagarde começou a mudar a imagem do fundo - "ela forneceu um rosto humano para uma instituição frequentemente associada com a prescrição de um remédio amargo". Um exemplo disso foi o auxílio no gerenciamento da crise de refugiados do Oriente Médio, o que não é algo esperado no mandato do FMI, "No entanto, sob a sua liderança, o Fundo ajustou um programa para que o governo da Jordânia pudesse gastar mais para ajudar as pessoas deslocadas pelo conflito na Síria e no Iraque (mais de um milhão dos quais estão alojados em acampamentos dentro de suas fronteiras)".

Por outro lado, os críticos dirão que é hora de um chefe do FMI que representa o mundo em desenvolvimento, uma vez que a francesa é o 11º representante europeu consecutivo para exercer o cargo, o que se tornou difícil de justificar no mundo de hoje. Outros dirão que a falha em reconhecer plenamente os efeitos da austeridade do FMI junto aos cidadãos gregos prova que ela está fora de contato com as pessoas comuns.

Embora o FMI (e o Banco Mundial) devam acolher uma liderança de fora da Europa e dos Estados Unidos, Brennan diz que o propósito de acabar com esse privilégio ocidental é fazer com que a seleção da liderança seja um processo com base no mérito, não considerações políticas. "Lagarde é o melhor candidato para o trabalho, e potências emergentes, como os países do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) não se uniram atrás de uma alternativa. A liderança de um diretor europeu provavelmente facilitou a decisão do FMI final do ano passado para adicionar o renminbi (yuan) da China à cesta de moedas que sustentam seus direitos de saque especiais".

Também existem as acusações que ela enfrenta devido a uma eventual conexão com um escândalo financeiro na França vai distraí-la do FMI e, depois do escândalo em torno de Dominique Strauss-Kahn, seu antecessor no Fundo, os críticos vão insistir que não pode permitir uma tal distração. Segundo Bremmer, tais acusações foram arquivadas, e seu envolvimento no caso "parece tangencial na melhor das hipóteses".

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